<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Lesoto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/lesoto/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/lesoto/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Wed, 01 Nov 2023 21:04:15 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Lesoto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/lesoto/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Nov 2023 21:01:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Documentário]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[África do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Aleksey Antonov]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultures of Resistance Films]]></category>
		<category><![CDATA[Curta-Metragem]]></category>
		<category><![CDATA[Dimo Petkov]]></category>
		<category><![CDATA[Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos]]></category>
		<category><![CDATA[Henrique Marinhos]]></category>
		<category><![CDATA[Iara Lee]]></category>
		<category><![CDATA[Itaú Cultural Play]]></category>
		<category><![CDATA[Lesoto]]></category>
		<category><![CDATA[Lixo Extraordinário]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra de SP]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Sotho Sounds]]></category>
		<category><![CDATA[Tumisang Taabe]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31750</guid>

					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31751" aria-describedby="caption-attachment-31751" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31751" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo está uma paisagem montanhosa nublada com nuvens ao topo. À frente estão dois homens negros montados em cavalos. Eles estão olhando para a esquerda. Os homens vestem agasalhos reforçados. O de trás está com uma touca amarela e um casaco verde, enquanto o da frente está totalmente enrolado em um agasalho que cobre desde sua boca até suas pernas. A estampa segue formas geométricas e se destaca por suas cores amarela, marrom e vermelha." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-6-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31751" class="wp-caption-text">O curta-metragem, além de estar disponível no Itaú Cultural Play para exibição na 47º Mostra Internaciona de Cinema em São Paulo, também está na íntegra no YouTube (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><a href="https://47.mostra.org/filmes/do-lixo-ao-tesouro-transformando-negativos-em-positivos47a"><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um documentário que mostra como a Arte pode ser uma forma de resistência, transformação e empoderamento de uma comunidade. O filme acompanha a trajetória de diversos artistas do Lesoto, um pequeno país nas montanhas da África do Sul, que usam o lixo como matéria-prima para suas obras, além de muitas outras atividades sociais. Através da criatividade, da reciclagem e principalmente da paixão pelo que fazem, eles criam peças e projetos que expressam suas identidades, culturas e lutas em um cenário que por muitos seria considerado infértil.</span></p>
<p><span id="more-31750"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra é dirigida por </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/sobre-a-diretora/"><span style="font-weight: 400;">Iara Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma ativista e cineasta brasileira que já produziu outros filmes sobre temas sociais e ambientais, como o documentário em curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Beneath the borqa in Afghanistan</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre, </span><i><span style="font-weight: 400;">Por baixo da burca no Afeganistão</span></i><span style="font-weight: 400;">) e sua organização </span><a href="https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2018-08/cultura-de-resistencia-para-melhorar-o-mundo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Culturas de Resistência</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que apoia projetos que promovem a agroecologia, a educação, os direitos humanos e a diversidade cultural. A produção foi </span><span style="font-weight: 400;">exibida em um dos maiores eventos culturais de São Paulo, a 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na seção Apresentação Especial.</span></p>
<figure id="attachment_31752" aria-describedby="caption-attachment-31752" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31752" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. Ao fundo estão árvores em uma mata. Ao centro estão cinco homens negros. Todos estão agasalhados. Três deles estão sentados a frente enquanto dois estão em pé. Um ao lado e outro atrás. Eles estão com instrumentos longos feitos com materiais recicláveis e encaram a câmera enquanto tocam. Ao redor estão muitas garrafas de vidro ao chão cercando-os em um círculo central" width="780" height="329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4.png 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-4-768x324.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31752" class="wp-caption-text">O curta foi inspirado por Lixo Extraordinário, de Vik Muniz, que retrata catadores de lixo no Brasil com materiais recicláveis (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenvolvimento do </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">curta-metragem</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dinâmico, sem muitas separações ou introduções, e nos aventuramos quase às cegas entre os tantos relatos apresentados, que da mesma maneira inesperada, se encerram. Entre artistas e projetos, ainda que tenham começado como hobbies, as estrelas do documentário potencializam a ideia de que o que fazem é, de fato, seu propósito de vida: criar espaços seguros e saudáveis para eles mesmos e para suas comunidades. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas das vertentes que tratam majestosamente em tão pouco tempo é a prática da arte têxtil para empoderar e educar as meninas, alertando sobre os riscos do casamento precoce e da prostituição. Além de outras ações como a de Tumisang Taabe, que ensina crianças e adultos a andar de bicicleta, </span><a href="https://www.facebook.com/SothoSounds/"><span style="font-weight: 400;">Sotho Sounds</span></a><span style="font-weight: 400;">, um grupo de músicos que utiliza instrumentos feitos de lixo descartável, ou </span><a href="https://soundcloud.com/siphiwe-nzima-ntsekhe"><span style="font-weight: 400;">Siphiwe Nzima-Nts&#8217;ekhe</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma poetisa focada nos direitos de crianças africanas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus lindos 24 minutos, a trilha sonora compõe um ambiente otimista e vibrante. A obra toda, na verdade, é regada a Música também como produção cultural e parte do projeto, com os créditos do som por Aleksey Antonov. Apresentada através do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, do </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, e principalmente do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/reggae/"><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a sonoridade é brilhantemente complementada com transições compostas por paisagens estonteantes (fotografia e montagem por Dimo Petkov), construindo pontos altos de refinamento. Compreendemos sua beleza natural e diversidade geográfica com montanhas, os vales, os rios, os lagos e as cachoeiras que cercam o país, além das cidades, as vilas, as ruas e as casas que revelam sua realidade social e cultural.</span></p>
<figure id="attachment_31753" aria-describedby="caption-attachment-31753" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31753" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png" alt="Cena do documentário Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos. A imagem mostra um tecido em macro em que podemos ver os detalhes de costura de uma renda rosa e marrom. À direita está uma etiqueta circular feita de couro marrom com o bordado em preto no formato do continente Africano de cabeça para baixo comparado ao Mapa Múndi." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-5-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31753" class="wp-caption-text">Iara Lee também lançou o documentário Modulations: Cinema for the Ear, que traça a evolução da música eletrônica desde as origens experimentais até as festas rave em 1998 (Foto: Cultures of Resistance Films)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos</span></i><span style="font-weight: 400;"> convida à reflexão sobre os desafios enfrentados por Lesoto, seja a pobreza, a seca, a erosão do solo, a falta de saneamento básico ou a dependência econômica da </span><a href="https://personaunesp.com.br/kongos-critica/"><span style="font-weight: 400;">África do Sul</span></a><span style="font-weight: 400;">. O filme o faz de maneira muito emocional e contemplativa, celebrando a Arte como forma de expressão, comunicação e principalmente transformação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A transformação do tempo dos </span><a href="https://culturesofresistancefilms.com/lesotho-bios/"><span style="font-weight: 400;">artistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em suas produções, da sociedade em que vivem, e diretamente, como explicita o título, a transformação do lixo como um problema grave em uma nova maneira de geração de renda e conscientização ambiental. Sobretudo a preservação de sua identidade cultural, língua, música, Arte e olhares sobre a vida.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="From Trash To Treasure: Turning Negatives Into Positives | Documentary Short" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/udLsJuTKrmo?start=21&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/">Do Lixo ao Tesouro: Transformando Negativos em Positivos celebra a Arte como resistência</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/do-lixo-ao-tesouro-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31750</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Persona Entrevista: Lemohang Jeremiah Mosese</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Dec 2020 21:28:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[Interview]]></category>
		<category><![CDATA[Isso Não É um Enterro É uma Ressurreição]]></category>
		<category><![CDATA[Lemohang Jeremiah Mosese]]></category>
		<category><![CDATA[Lesoto]]></category>
		<category><![CDATA[Mary Twala]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Persona Entrevista]]></category>
		<category><![CDATA[This Is Not a Burial It's a Resurrection]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=17230</guid>

					<description><![CDATA[<p>Diretor de “Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição” comenta sobre o filme dentro da sua geração e relembra o trabalho com Mary Twala Caroline Campos Fechando definitivamente a cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o Persona apresenta hoje uma conversa com o simpaticíssimo Lemohang Jeremiah Mosese, que conta um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Lemohang Jeremiah Mosese"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/">Persona Entrevista: Lemohang Jeremiah Mosese</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de “Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição” comenta sobre o filme dentro da sua geração e relembra o trabalho com Mary Twala</span></i></p>
<figure id="attachment_17243" aria-describedby="caption-attachment-17243" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17243 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/lemohang-texto-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17243" class="wp-caption-text">O Persona recebe Lemohang Mosese, que brilhou com seu filme na Mostra SP (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando definitivamente a cobertura da 44ª <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/">Mostra Internacional</a> de Cinema em São Paulo, o Persona apresenta hoje uma <a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/">conversa</a> com o simpaticíssimo Lemohang Jeremiah Mosese, que conta um pouco sobre como enxerga seu trabalho de cineasta e a importância da unificação entre as pessoas como força política.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável pelo magnífico </span><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</a>, </span></i><span style="font-weight: 400;">que discute a perda e o luto no processo de resistência, o diretor lesotiano ainda relembra seu trabalho com a falecida Mary Twala e revela os motivos pelo qual espera ansioso pela nova geração ainda não nascida. </span></p>
<p><span id="more-17230"></span></p>
<figure id="attachment_17231" aria-describedby="caption-attachment-17231" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17231 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ClosingCeremony70thBerlinaleInternationalMsVFgotc_jzl.jpg" alt="Lemohang, um homem negro de 40 anos, discursa em um palanque com dois microfones próximos ao rosto e podemos vê-lo apenas do peito para cima. Ele usa um paletó preto e um chapéu preto. Ele tem cabelos curtos, barba e bigode. " width="600" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ClosingCeremony70thBerlinaleInternationalMsVFgotc_jzl.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ClosingCeremony70thBerlinaleInternationalMsVFgotc_jzl-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-17231" class="wp-caption-text">Lemohang Jeremiah Mosese também esteve presente no Festival de Berlim de 2019 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A caminhada para chegar até a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição,</span></i><span style="font-weight: 400;"> melhor filme exibido no festival paulistano,</span> <span style="font-weight: 400;">foi longa. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Esse filme representa todo conflito que eu tive e tenho desde a minha adolescência”</span></i><span style="font-weight: 400;">, revela Lemohang Jeremiah Mosese. Para ele, questões como espiritualidade, os tempos em que vivemos, a morte e o sofrimento no mundo sempre o perturbaram e o fizeram refletir. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não estou interessado em respostas. Estou interessado em perguntas”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título extenso e elaborado da obra parte do interesse do cineasta em se afastar da imposição de significados e tornar tudo mais abstrato.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu gosto da ideia de um material tão abstrato que as pessoas conseguem interpretar de diferentes formas, sem respostas certas ou erradas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, comentou Mosese, já que seu filme anterior </span><i><span style="font-weight: 400;">Mother, I am Suffocating. This is My Last Film About You </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Mãe, Eu Estou Sufocando. Esse É Meu Último Filme Sobre Você</span></i><span style="font-weight: 400;">, em tradução livre) também conta com um grande número de palavras. O lesotiano destacou que, para ele, suas ideias e o que elas significam não importam. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu não sou nada. O trabalho está além de nós, além de minhas pequenas ideias”</span></i><span style="font-weight: 400;">, enfatiza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O foco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;"> está em Mantoa, uma viúva que, mesmo passando por um dolorido processo de luto, decide lutar pela sua vila que será alagada pelo governo. Mary Twala Mhlongo, que interpreta poderosamente a protagonista, foi mais uma vítima de 2020, nos deixando em julho aos seus 80 anos. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Ela [Mary] era inacreditável, uma linda alma. Sou feliz e honrado em ter trabalhado com ela”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> declara o cineasta enquanto relembra o processo de trabalhar com Mary, que sempre se permitia ir mais fundo em sua interpretação. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você não finge algo a ver com a morte, você não consegue. (&#8230;) Só pode vir de um sentimento verdadeiro em saber o que é perda e o que é luto”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_17232" aria-describedby="caption-attachment-17232" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1.jpg" alt="Cena do filme Isso Não É um Enterro, É uma Ressureição, vemos a viúva Mantoa, uma senhora negra de 80 anos, sentada em sua capa usando um longo vestida marrom com renda preta na região da gola. Em sua cama, está um lençol vermelho e as paredes são azuis, assim como a cortina que a cerca." width="2048" height="1153" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/IFFR-1-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17232" class="wp-caption-text">A esplêndida Mary Twala já era uma veterana do cinema sul-africano (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A narração de Jerry Mofokeng, o tocador de lesiba que zomba dos personagens durante o longa, também foi levantada por Mosese, que afirma ser uma de suas partes preferidas do filme.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu pretendia escrever sobre essa zombaria, como se ele estivesse tirando sarro dos vivos. (&#8230;) Eu costumava escrever poesia, uma muito ruim por sinal, então escrever esse monólogos me faz retomá-las e traz o que sinto no momento”</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E quando se trata desse </span><i><span style="font-weight: 400;">momento</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual, Lemohang não poupa críticas à situação política do mundo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Brasil, Estados Unidos, Lesoto. Estamos sob a liderança dos idiotas”</span></i><span style="font-weight: 400;">, desdenha o lesotiano, que acredita não ser possível separar a natureza do ser humano da política, mesmo se não receber o rótulo de “ativista”. Levando em consideração o ato de resistir, que participa ativamente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, </span></i><span style="font-weight: 400;">o cineasta afirma que não pretendia fazer um filme político, mas, visto que ele é um produto de seu tempo, todos se tornam ativistas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu sou um produto desse caos, dessa tragédia, então tudo que resulta disso eu acredito que seja resistência. Esses tempos pedem resistência”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobre sua geração, Mosese é pessimista. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acredito que nós falhamos. Não há esperança para ela, e eu espero a geração que ainda vai nascer. Nós somos corrompidos e não vemos mais beleza, porque estamos acostumados com o errado, com a morte”,</span></i><span style="font-weight: 400;"> lamenta. Talvez seja esse o motivo para o rosto marcante de uma criança ser o foco do final de sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_17234" aria-describedby="caption-attachment-17234" style="width: 767px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17234 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-format43.jpg" alt="Lemohang, um homem negro de 40 anos, está de braços cruzados em um ambiente como uma sala. Ao fundo, vemos diversos quadros com pessoas fotografadas, como Albert Einstein. Ele usa um moletom preto, brincos redondos nas duas orelhas e uma touca vermelha na cabeça. Ele tem um bigode fino e preto e um piercing no septo." width="767" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-format43.jpg 767w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/4-format43-300x200.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-17234" class="wp-caption-text">Um dos filmes que Mosese levaria para uma ilha deserta seria &#8220;A Paixão de Joana d&#8217;Arc&#8221;, dirigido por Carl Theodor Dreyer (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Finalizando a conversa, Lemohang Jeremiah Mosese ainda comenta sobre o Brasil e arrisca um português.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu nunca fui ao Brasil, mas na minha cabeça eu já estive aí antes”</span></i><span style="font-weight: 400;">, brinca o diretor. Sobre seu filme preferido, Mosese afirma que não conhece muito da filmografia brasileira, mas gosta muito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade de Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Fernando Meirelles e Kátia Lund, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Terra em Transe</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Glauber Rocha. <em>“Assisti Bacurau no Mubi também, foi uma viagem divertida”.</em></span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que você escolheu o formato 3:4 para o filme?</b></p>
<p><b>Lemohang: </b><i><span style="font-weight: 400;">“É porque eu estava evitando a beleza, muita beleza. Meu país é um lugar muito bonito e poderia cair na classificação de um filme pitoresco. (risos) Eu queria focar na beleza como um personagem”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Se você pudesse trabalhar com três pessoas, mortas ou vivas, quem seriam?</b></p>
<p><b>Lemohang: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Nietzsche, James Baldwin e… eu gostaria de trabalhar com João Batista, mas na noite antes dele ser decapitado”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são seus próximos passos depois de </b><b><i>Isso Não É um Enterro</i></b><b>?</b></p>
<p><b>Lemohang: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Estou escrevendo alguns filmes. Meu novo trabalho também tem um narrador. (&#8230;) Estou trabalhando em exibições de vídeo, uma será aqui em um museu de Berlim e a outra em colaboração com o festival de Roterdã”.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi o escolhido pelo Lesoto para concorrer a uma vaga no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pela primeira vez.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/">Persona Entrevista: Lemohang Jeremiah Mosese</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/entrevista-lemohang-jeremiah-mosese/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">17230</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição: a marcha dos mortos e dos vivos</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 07 Nov 2020 22:18:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[44 Mostra]]></category>
		<category><![CDATA[África do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Campos]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Isso Não É um Enterro É uma Ressurreição]]></category>
		<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Jerry Mofokeng Wa]]></category>
		<category><![CDATA[Lemohang Jeremiah Mosese]]></category>
		<category><![CDATA[Lesoto]]></category>
		<category><![CDATA[Mary Twala Mhlongo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra SP]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Resenha]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[This Is Not a Burial It's a Resurrection]]></category>
		<guid isPermaLink="false">http://personaunesp.com.br/?p=16559</guid>

					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos O luto é uma figura de muitas faces. Talvez exista um limite para o número de pessoas amadas que podemos perder sem passarmos a excomungar toda e qualquer força superior que rege a ordem natural da vida. Quando conhecemos Mantoa, protagonista de Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição, passamos a duvidar, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição: a marcha dos mortos e dos vivos"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição: a marcha dos mortos e dos vivos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16561" aria-describedby="caption-attachment-16561" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16561" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4.jpg" alt="" width="2048" height="1153" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-4-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16561" class="wp-caption-text">A beleza da cinematografia do longa que estreia no Brasil pela 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O luto é uma figura de muitas faces. Talvez exista um limite para o número de pessoas amadas que podemos perder sem passarmos a excomungar toda e qualquer força superior que rege a ordem natural da vida. Quando conhecemos Mantoa, protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;">, passamos a duvidar, junto com ela, da benevolência do Deus-Todo-Poderoso. Exibido na 44ª </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, a obra do diretor lesotiano Lemohang Jeremiah Mosese é um retrato duro e belo do clamor pela morte em harmonia com o direito à vida. </span></p>
<p><span id="more-16559"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mantoa, uma viúva de 80 anos que mora nas montanhas do Lesoto, espera a chegada de seu filho das minas da África do Sul. Para os moradores da região de Nazaretha, chegar das minas com vida era celebrado de forma equivalente a voltar de uma guerra inteiro, então, ao ver homens se aproximando a distância, as feições da mulher vão murchando quando percebe que, infelizmente, seu filho não está entre eles. Assim, se vai o último membro de sua família &#8211; Mantoa já não possuía marido, filhos, nem netos. Dessa vez, a viúva não chora. Ela se recusa a derramar uma lágrima sequer e passa a se preparar para o doce beijo da morte que, espera-se, virá.</span></p>
<figure id="attachment_16562" aria-describedby="caption-attachment-16562" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16562" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3.jpg" alt="" width="2048" height="1153" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-3-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16562" class="wp-caption-text">O último filme de Mary Twala foi Black is King, com produção da Beyoncé (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a anciã, usando sempre o preto do luto, é esquecida pelo Ceifeiro, e, com uma postura determinada, passa a tomar as providências necessárias para seu sepultamento ao lado dos próprios ancestrais e descendentes. Seus planos, entretanto, são perturbados assim que a notícia de que o governo pretende inundar sua terra para transformá-la em uma barragem começa a circular entre os moradores. Como se exalasse uma última e difícil respiração, Mantoa decide defender sua aldeia contra a invasão que vai destruir toda a espiritualidade construída e mantida por gerações, quando o local, que surgiu pelos prantos da morte, se chamava ainda Planícies da Lamentação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A beleza do longa está nas constantes comparações e paradoxos entre a vida e a morte esculpidos pelo narrador interpretado por Jerry Mofokeng Wa. Acrescentando um pouco mais de poesia ao roteiro com seus grandes monólogos, a impressão que temos é que Jerry é Deus em seus moldes mais sádicos e cruéis, zombando da velha viúva enquanto ela implora pela morte e continua acordando dia após dia. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Lamente!”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele ordena enquanto toca o lesiba, instrumento nacional do Lesoto. Se não fosse por Jerry, não sentiríamos o peso e a injustiça das cenas em que Mantoa contempla sua casa, seja ela inteira ou em cinzas, rodeada por ovelhas.</span></p>
<figure id="attachment_16563" aria-describedby="caption-attachment-16563" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16563" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2.jpg" alt="" width="2048" height="1153" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2-1536x865.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/IFFR-2-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16563" class="wp-caption-text">Na mitologia cristã, as ovelhas são o rebanho de Deus (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é uma coprodução do Lesoto, da África do Sul e da Itália, mas é a comunidade que compartilha o encanto junto com o cenário montanhoso &#8211; inclusive, é essa a razão do seu formato de filmagem ser </span><a href="https://www.avmakers.com.br/blog/a-proporcao-de-tela-como-recurso-narrativo-no-cinema/#:~:text=Propor%C3%A7%C3%B5es%20de%20tela%20comuns%20no%20cinema&amp;text=Com%20a%20chegada%20do%20cinema,sonora%20na%20tira%20do%20filme."><span style="font-weight: 400;">3:4</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mosese queria focar na beleza do espírito humano e do povo que apresenta, não apenas nas maravilhosas paisagens que Mantoa percorre em sua peregrinação. A atuação visceral da protagonista se dá pela genialidade que transborda de </span><a href="https://www.sowetanlive.co.za/s-mag/2020-07-09-7-things-you-didnt-know-about-mary-twala/"><span style="font-weight: 400;">Mary Twala Mhlongo</span></a><span style="font-weight: 400;">. A veterana do cinema sul-africano faleceu em julho deste ano, mas não sem antes deixar um legado imenso de atuações precisas, mesmo depois de alcançar uma idade mais avançada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Maltratada por Deus e pelo tempo, o único conforto de Mantoa está em sua terra, onde ela resiste e incita resistência. E não haveria de existir final mais poético para sua trajetória. Enquanto todos vêem a morte, ela encarna a própria ressurreição que intitula o filme, se despindo de seu luto e sendo assistida pela nova geração de luta no mundo. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Não era para os mortos. Mas para os vivos”</span></i><span style="font-weight: 400;">, sussurra o perverso músico enquanto ainda absorvemos os agitados momentos finais da obra. Mosese, mesmo lidando com a violência, não perde a mão em momento algum, mantendo sua narrativa sob o controle detalhado e cuidadoso com que trata cada faceta de seus personagens, sempre os respeitando e os desenvolvendo de acordo com que o texto exige.</span></p>
<figure id="attachment_16564" aria-describedby="caption-attachment-16564" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16564" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Lemohang-Jeremiah-Mosese.jpg" alt="" width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Lemohang-Jeremiah-Mosese.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Lemohang-Jeremiah-Mosese-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Lemohang-Jeremiah-Mosese-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Lemohang-Jeremiah-Mosese-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16564" class="wp-caption-text">Lemohang Jeremiah Mosese passou por uma situação parecida de despejo com a família quando era jovem (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do Prêmio Especial do Júri da seção </span><i><span style="font-weight: 400;">World Cinema Dramatic</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Festival de Sundance, </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao"><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ressalta que somos mais do que nossos traumas e perdas. Mantoa é o símbolo da ancestralidade e a figura da resiliência. Enquanto o homem destrói a sua natureza em nome da modernidade e do desenvolvimento, os moradores de Nazaretha lutam contra esse tal progresso dos ricos e defendem a própria identidade e as raízes da terra que os alimentou por todas as gerações. Brincando com o sobrenatural lúdico que ronda a morte, a narrativa se fecha em um suspiro ávido do esperado encontro. A viúva ressuscita aos olhos da criança, sendo sua própria benevolência divina. E, se há uma força superior, que ela receba e aplauda de pé Mary Twala Mhlongo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="This Is Not a Burial, It’s a Resurrection – trailer | IFFR 2020" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/kBAfSS7ux3o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/">Isso Não É um Enterro, É uma Ressurreição: a marcha dos mortos e dos vivos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/isso-nao-e-um-enterro-e-uma-ressurreicao-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">16559</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
