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	<title>Arquivos Leonardo Medeiros &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lavoura Arcaica: tradições podem destruir uma família</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Oct 2021 16:37:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti Toda família se constrói em cima de tradições e costumes passados de geração em geração. Muitos desses hábitos sofrem modificações conforme os tempos avançam, mas em alguns casos há resistência daqueles cegados pelas crenças pavimentadas em sua mente. Essa relação familiar complicada é o que motiva André (Selton Mello) a abandonar o lar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lavoura-arcaica-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lavoura Arcaica: tradições podem destruir uma família"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23962" aria-describedby="caption-attachment-23962" style="width: 668px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-23962" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-6.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica em que aparece toda a família sentada à mesa, com quatro membros de cada lado e o pai ao centro como o patriarca." width="668" height="376" /><figcaption id="caption-attachment-23962" class="wp-caption-text">20 anos depois de seu lançamento, os simbolismos familiares de Lavoura Arcaica permanecem fortes (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Toda família se constrói em cima de tradições e costumes passados de geração em geração. Muitos desses hábitos sofrem modificações conforme os tempos avançam, mas em alguns casos há resistência daqueles cegados pelas crenças pavimentadas em sua mente. Essa relação familiar complicada é o que motiva André (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1907200719.htm"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">) a abandonar o lar e partir rumo ao desconhecido em busca daquilo que realmente acredita. A premissa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desenvolve em uma trama complexa e profunda durante 2 horas e 43 minutos de filme.</span></p>
<p><span id="more-23961"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trabalho de estreia da carreira do diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wDXj_CL5jnM"><span style="font-weight: 400;">Luiz Fernando Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> acendeu um holofote em direção ao livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Raduan Nassar. O romance homônimo, que inspirou o longa-metragem, também compartilha de muitas semelhanças no roteiro. Como seu trabalho inicial, o cineasta partiu de uma obra delicada sobre tradições familiares e seguiu os mesmos passos sem grandes alterações para o desenvolvimento da película. Desse modo, o filme se destaca por ser quase uma poesia cinematográfica, com uma narrativa construída de modo não-linear. </span></p>
<figure id="attachment_23963" aria-describedby="caption-attachment-23963" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-23963" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-6.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica exibe dois homens brancos de cabelos castanhos curtos e barba, olhando pela janela." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-23963" class="wp-caption-text">Um simples diálogo se desdobra em uma trama profunda e reflexiva (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas peculiaridades, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inicia com a busca do primogênito Pedro (</span><a href="https://www.silvanatinelli.com.br/entrevistas/leonardo-medeiros-teatro-da-rotina/"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Medeiros</span></a><span style="font-weight: 400;">), por André, que deve voltar para casa para se portar como manda as tradições agrárias e patriarcais. A missão, aparentemente simples, se desdobra em um turbilhão de emoções e histórias que trazem à luz o sentimento que motivou a saída do filho pródigo de casa. André, que é epilético, expõe durante o diálogo com o irmão a sensação de não pertencimento ao ambiente onde sempre foi tratado como o sujo e teve seus desejos carnais ceifados pelas crenças familiares rígidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diálogo, apesar de inflamado pelos traumas de uma vida engessada, finaliza com o consentimento de André em voltar para o seio familiar. No entanto, o retorno acaba sendo muito mais tumultuado do que se imagina. Durante o tempo fora, o jovem regressa a fazenda de seus pais muito mais convicto de seus ideais e seu pai (</span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/perfil/raul-cortez/"><span style="font-weight: 400;">Raul Cortez</span></a><span style="font-weight: 400;">) não abre mão do que acredita como certo. Porém, o abandono do lar por parte de um filho motivou os demais a demonstrarem sua insatisfação com o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> a que eram previamente submetidos.</span></p>
<figure id="attachment_23964" aria-describedby="caption-attachment-23964" style="width: 703px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-23964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-7.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica no qual há uma mulher branca de meia idade, de cabelos castanhos presos, com um vestido e um avental, olhando através da janela enquanto chora." width="703" height="395" /><figcaption id="caption-attachment-23964" class="wp-caption-text">A mãe, interpretada por Juliana Carneiro da Cunha, se mostra aberta para as mudanças familiares, mas sua submissão aos anseios do pai a silenciam (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O caos de uma família que desaba por não conseguir estruturar suas tradições narrado de forma poética elevam </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> como obra cinematográfica. O longa se destaca por sua trilha sonora com arranjos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Zry9dpM1_n4"><i><span style="font-weight: 400;">Erbarme Dich, Mein Gott</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão Segundo S. Mateus</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Bach, que transportam o telespectador ao contexto temporal a que o longa se desenvolve. Além disso, a direção de fotografia, comandada por Walter Carvalho, acentua o sentimento expresso pelo roteiro, com o uso intensivo do contraste entre luz e sombra, que atenua o dualismo ideológico abordado na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que de início se assemelha a parábola bíblica do </span><a href="https://www.bibliaon.com/versiculo/lucas_15_11-32/"><span style="font-weight: 400;">filho pródigo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desenrola em um emaranhado emocional de tradições familiares arcaicas que estão prestes a serem rompidas. O mesmo jogo ocorre no longa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NZyvbTb2Ryk"><i><span style="font-weight: 400;">Abril Despedaçado</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Walter Salles, em que Tonho (Rodrigo Santoro) vive uma vida cegamente guiada por crenças, até que se vê liberto para romper as tradições sanguinárias pregadas durante gerações por sua família. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;">, o ato corajoso de abandonar tudo e seguir sozinho rumo a cidade serviu como um estopim para a implosão dos costumes rudimentares impostos pelo pai.</span></p>
<figure id="attachment_23965" aria-describedby="caption-attachment-23965" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-4.jpg" alt="Cena do filme Lavoura Arcaica mostra uma mulher branca jovem, de cabelos castanhos, que usa um vestido branco enquanto dança. Ao fundo da imagem há outras pessoas lado a lado." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-23965" class="wp-caption-text">Para Ana, personagem de Simone Spoladore, a libertação das tradições ocorre por meio da dança (Foto: Núcleo Luiz Fernando Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção de uma obra dessa magnitude se mostra muito árdua, principalmente para Luiz Fernando Carvalho, que se lançou na carreira de diretor por meio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, apesar da direção exitosa, o longa foi submetido a diversos cortes até ser disponibilizado para sua versão comercial. Com a duração inicial de 3h40,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por um processo para enxugar sua narrativa e apresentar todos os pontos relevantes para a película. Apesar de sintetizada, as questões familiares levantadas para promover uma reflexão moral continuam fortemente presentes do começo ao fim do filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo 20 anos após seu lançamento, a mensagem passada por meio de </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/o-que-e-metafora-visual-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">metáforas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e simbolismos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavoura Arcaica</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua forte. Com uma conclusão vaga, apesar de deixar bem explícito ações que se sucederam, o filme se encerra com o questionamento sobre o modo como as pessoas guiam suas vidas. A película destaca os malefícios do código moral cegamente implementado, que se apresenta como uma tradição familiar segura para guiar as gerações futuras. É justamente sobre o desmoronamento dessas crenças que tornam o longa de Luiz Fernando Carvalho em uma obra-prima do Cinema nacional.</span></p>
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		<title>A Menina que Matou os Pais regurgita clichês imperdoáveis</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2021 18:23:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista A destemida ideia de transformar em ficção o crime envolvendo a família Von Richthofen não poderia ser mais ousada. O conturbado cenário do Cinema nacional, que encontra no público do país um asco à qualquer obra que fuja dos “bons costumes” ou da comédia irreverente que a Globo germinou na última década, é &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-menina-que-matou-os-pais-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Menina que Matou os Pais regurgita clichês imperdoáveis"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23506" aria-describedby="caption-attachment-23506" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela, vemos Carla Diaz, branca e loira, de roupa vermelha, abraçando um porta retrato. A iluminação é azulada e ela tem uma expressão vazia no rosto." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23506" class="wp-caption-text">Com ótimas atuações de Carla Diaz e Leonardo Bittencourt, A Menina que Matou os Pais e O Menino que Matou Meus Pais narram duas versões do crime envolvendo Suzane von Richthofen, Daniel e Cristian Cravinhos (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/filmes/2021/09/carla-diaz-comenta-como-foi-viver-richthofen-em-a-menina-que-matou-os-pais"><span style="font-weight: 400;">destemida ideia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de transformar em ficção o crime envolvendo a família Von Richthofen não poderia ser mais ousada. O conturbado cenário do Cinema nacional, que encontra no público do país um asco à qualquer obra que </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><span style="font-weight: 400;">fuja dos “bons costumes”</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou da </span><a href="https://personaunesp.com.br/verlust-critica/"><span style="font-weight: 400;">comédia irreverente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> germinou na última década, é carente de filmes corajosos o bastante para, na mesma moeda, adereçar temas sensíveis e fazê-lo ao alcance do grande público. Com isso, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KyhQNjR7zy4"><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> já nasceu com promessa de grandeza. </span></p>
<p><span id="more-23505"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O argumento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bom-dia-veronica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes e Ilana Casoy</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio a partir dos </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-160708/#:~:text=N%C3%A3o%2C%20Suzane%20Von%20Richthofen%20n%C3%A3o,registradas%20em%20um%20caso%20p%C3%BAblico.&amp;text=J%C3%A1%20divulgamos%20que%20nenhum%20dos%20envolvidos%20est%C3%A1%20ganhando%20dinheiro%20com%20a%20produ%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">autos do julgamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Suzane von Richthofen, Daniel e Cristian Cravinhos, condenados pelo bárbaro crime que tomou parte quatro anos antes da sentença, na noite do </span><i><span style="font-weight: 400;">Halloween </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2002. Se tratando de dois importantes e contraditórios discursos, a equipe por trás da obra decidiu por quebrá-la ao meio, sem ordem de exibição ou cronologia, fazendo essa divisão com base na visão de cada um dos réus. </span></p>
<figure id="attachment_23507" aria-describedby="caption-attachment-23507" style="width: 1265px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos Daniel e Cristian Cravinhos, dois homens brancos e adultos, no quarto. Daniel está no chão e Cristian está deitado na cama, com a mão na nuca do irmão. " width="1265" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2.jpg 1265w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1200x721.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23507" class="wp-caption-text">Mauricio Eça tem os dois filmes da franquia Carrossel em seu currículo, e, comandando a turma da Escola Mundial, o diretor demonstrou mais controle narrativo do que com o true crime nacional (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Manobra inédita no Cinema brasileiro, a fagulha de criatividade já foi posta à prova em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AWOxtLOHpeo"><i><span style="font-weight: 400;">Dois Lados do Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Disappearance of Eleanor Rigby, </span></i><span style="font-weight: 400;">de</span> <span style="font-weight: 400;">2014), que faz uso da difusão narrativa em prol de um casal em processo de se apaixonar. Diferente da ideia original, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-wQyssgiDh4"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino que Matou Meus Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são filmes irmãos, um tanto parecidos demais, mas inevitavelmente complementares e repetitivos. Tanto é que a estratégia de lançamentos nas salas de cinema buscava a ideia da compra de </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/blog/tudo-cinema/pague-1-ingresso-e-veja-os-2-filmes-sobre-suzane-von-richthofen/"><span style="font-weight: 400;">apenas um ingresso</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas que valeria para a “sessão completa” do drama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que ninguém previu foi </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/sessoes-vazias-em-cinemas-do-brasil-mostram-que-so-vacinacao-em-massa-salvara-setor-1-25048646"><span style="font-weight: 400;">a pandemia</span></a><span style="font-weight: 400;">, que lacrou as salas e atrasou o lançamento das obras por mais de um ano. Deu tempo da estrela Carla Diaz entrar no elenco do </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-brother-brasil-21-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Brother Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;"> 21</span></a><span style="font-weight: 400;">, engatar um romance, ser eliminada por conta desse rolo e </span><a href="https://www.google.com/search?q=carla+diaz+entra+no+bbb+21&amp;oq=carla+diaz+entra+no+bbb+21&amp;aqs=chrome..69i57.4320j0j4&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8"><span style="font-weight: 400;">sair antes da metade do programa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Deu tempo do burburinho dos filmes chegar à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">aumentar e diminuir, deu tempo da antecipação bater no teto e despencar até o chão. Até que, de surpresa, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> anunciou que daria um lar aos macabros contos do crime que chocou o Brasil no começo do milênio.</span></p>
<figure id="attachment_23508" aria-describedby="caption-attachment-23508" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3.png" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos Carla Diaz no banco do tribunal. Ela é branca, loira e usa uma blusa azul bebê." width="818" height="460" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-23508" class="wp-caption-text">À fim de evitar processos por uso indevido de imagem ou lucros para os assassinos, o roteiro foi escrito à risca com base no auto dos julgamentos dos réus, por isso os filmes não tiveram liberdade criativa para fugir das palavras ditas no tribunal (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">, somos guiados pelo depoimento de Daniel (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/09/24/a-menina-que-matou-os-pais-como-filme-sobre-suzane-von-richthofen-se-dividiu-em-dois.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Leonardo Bittencourt</span></a><span style="font-weight: 400;">), no dia do julgamento, em meados de 2006. Dessa forma, os dois filmes começam no tribunal, com o mar de gente gritando profanidades e pedindo a cabeça do trio acusado. O roteirista </span><a href="https://www.livrobingo.com.br/raphael-montes"><span style="font-weight: 400;">Raphael Montes</span></a><span style="font-weight: 400;">, que fez seu nome escrevendo </span><a href="https://www.queriaestarlendo.com.br/2018/01/resenha-suicidas.html#:~:text=Suicidas%20%C3%A9%20uma%20leitura%20que,garante%20certo%20selo%20de%20qualidade."><span style="font-weight: 400;">romances policiais</span></a><span style="font-weight: 400;">, recomendou que </span><a href="https://www.dci.com.br/dci-mais/cinema-e-tv/filme-a-menina-que-matou-os-pais-saiba-qual-a-ordem-para-assistir/182806/"><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;"> fosse assistido antes</span></a><span style="font-weight: 400;">, para que o público primeiro se habituasse com uma Suzane anestesiada e perdida, para então dar </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina</span></i><span style="font-weight: 400;"> e se deparar com sua versão ardilosa e cabeça-quente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que de fato não exista um manual de como mergulhar nessa história, por experiência própria, é possível afirmar que começar por </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece mais nuances às interpretações do casal principal. A dupla modula muito bem as emoções nesses </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0RNW90VC2ECX8B71EE8CSX90W9/ref=atv_hm_hom_1_c_8o26tb_awns_3_2"><span style="font-weight: 400;">oitenta minutos iniciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas as extrapola verdadeiramente na </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0LVOTHY4HCRCWLAY1KTDR0XQNH/ref=atv_hm_hom_1_c_8o26tb_awns_3_3"><span style="font-weight: 400;">uma hora e vinte seguinte</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se centra em uma Suzane venenosa e cheia de picos de raiva, tensão e êxtase. Bittencourt se beneficia dessa maratona, pelo fato de começar a história como um manipulador e terminá-la com a mesa invertida, quase arrependido de ter deixado se levar pela namorada.</span></p>
<figure id="attachment_23509" aria-describedby="caption-attachment-23509" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23509" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos o casal principal, Suzane e Daniel, sentados em um banco de praça. Está de dia, ela está apoiada para frente, fumando, e ele está olhando para ela." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-23509" class="wp-caption-text">O romance não é nada atrativo, mas, com uma boa direção, os filmes poderiam inverter a lógica comum e entregar uma interpretação corajosa e atrativa da história, fugindo do clichê monótono e repetitivo apresentado (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto obra de ficção, os filmes não esbaldam tamanha </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">liberdade artística</span></a><span style="font-weight: 400;"> que obras estrangeiras sobre assassinos capitalizam em cima por décadas a rodo, mas a história se adequa razoavelmente bem aos moldes do tribunal. Se Charlize Theron pode </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v70pNFdsBSg"><span style="font-weight: 400;">vencer um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao dar vida à </span><a href="https://canalcienciascriminais.jusbrasil.com.br/artigos/326648853/aileen-wuornos-a-dama-da-morte"><span style="font-weight: 400;">Aileen Wuornos</span></a><span style="font-weight: 400;">, por que então fazer Cinema em cima da história de Suzane von Richthofen é visto como um passo para além do limite do bom senso? Carla Diaz, </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/cinema/menina-que-matou-os-pais-carla-diaz-rebate-criticas-sobre-papel-de-suzane-von-richthofen/"><span style="font-weight: 400;">em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> à parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e completamente imersa na psique fragilizada de sua protagonista, surpreende positivamente, e dá o nome, carregando com vigor as quase três horas de duração das obras somadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe das interpretações, o problema dos filmes reside em sua concepção de nascença. É preciso um jogo de cintura e tanto para contar uma história cujo </span><a href="https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2021/09/29/o-que-aconteceu-com-andreas-von-richthofen-irmao-de-suzane.html#:~:text=A%20morte%20do%20casal%20Manfred,dos%20pais%20tinha%2015%20anos.&amp;text=A%20av%C3%B3%20faleceu%20quatro%20anos%20depois%20dos%20assassinatos."><span style="font-weight: 400;">desfecho é de conhecimento de um país inteiro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Imagine, então, contar essa história duas vezes, espelhando-a da maneira mais simplória e clichê possível. Carla Diaz vira a chave entre triste, louca ou má, operando ao que lhe é comandado. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela é meiga e aérea, mas a peruca desidratada da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zssa-tdKfBk"><span style="font-weight: 400;">Anna Wintour</span></a><span style="font-weight: 400;"> que colocaram na atriz na cena do tribunal tira qualquer credibilidade visual da direção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Direção essa a cargo de </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/e-tudo-historia/a-menina-que-matou-os-pais-o-real-e-a-ficcao-nos-filmes-sobre-suzane/"><span style="font-weight: 400;">Mauricio Eça</span></a><span style="font-weight: 400;">, que insiste em um chove, não molha desconcertante, dando alicerce aos filmes seguindo as mesmas batidas narrativas, e filmando as cenas sob duas perspectivas, ou 8, ou 80. Por isso, quando o público capta a essência do filme 2 (seja lá qual for a sua ordem de exibição), a experiência de acompanhar o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-160704/"><span style="font-weight: 400;">mesmo enredo duplicado</span></a><span style="font-weight: 400;"> diminui o impacto. O aspecto exaurido nas produções é o enlace romântico de Suzane e Daniel, explorado de maneira simples, maniqueísta e sem uma pitada de originalidade ou relevância.</span></p>
<figure id="attachment_23510" aria-describedby="caption-attachment-23510" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23510" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos Carla Diaz, mulher branca e loira, usando moletom vermelho e com os braços cruzados em cima dos joelhos, com cara de malvada. Ela segura um cigarro na mão e a parede atrás dela é laranja." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23510" class="wp-caption-text">Não, não foi a maconha que matou os pais, foi uma pessoa cheia de dimensões e problemas, que acabou reduzida ao estereótipo da Barbie drogada nos filmes de Mauricio Eça (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Carla Diaz faz </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-4Wu9EwqFIw"><i><span style="font-weight: 400;">cosplay</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chiquititas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> quando interpreta uma Suzane na faixa dos 15 anos, e a progressão temporal anula qualquer desenvolvimento de personagem que o público deseja. No filme de Daniel, Suzane é a vilã, a bruxa Keka e a mandante do crime. No filme de Suzane, ela apenas é a mocinha levada ao mau caminho pelo namorado delinquente. Não há profundidade no namoro, que se estende por anos, ou na personalidade dos retratados em tela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Astrogildo (Augusto Madeira) e Nadja (Debora Duboc) aliviam o clima dos filmes, injetando vitalidade aos pais de Daniel, que recebem Suzane de braços abertos e nutrem um carinho familiar por ela. No lado oposto, as </span><a href="https://jc.ne10.uol.com.br/cultura/2021/09/13607641-filmes-do-caso-von-richthofen-quem-estava-falando-a-verdade-e-o-que-a-justica-diz-sobre-o-caso.html#:~:text=De%20acordo%20com%20os%20filmes,possibilidade%20em%20depoimento%20%C3%A0%20pol%C3%ADcia."><span style="font-weight: 400;">vítimas do crime</span></a><span style="font-weight: 400;"> são interpretadas sem qualquer respaldo ou cuidado, deixando as cenas com Manfred (Leonardo Medeiros) e Marísia (Vera Zimmermann) repetidamente derivadas. O jovem Andreas, irmão caçula de Suzane e interpretado por Kauan Ceglio, não recebe uma migalha de história, e a característica mais marcante de sua passagem pelos filmes é o cabelo ruivo tingido com papel crepom. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cristian (Allan Souza Lima) se enquadra no clichê esperado do hétero dos anos 2000, que trabalha em um bico aqui e acolá, e insiste em fazer pegadinha com o irmão mais novo, ocasionalmente envolvendo ovos. A partir do momento que ele é inserido no plano do assassinato, o texto não se preocupa em satisfazer o público e mostrar o </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2021/09/25/retratado-em-filme-cristian-cravinhos-teve-pena-reduzida-em-149-dias-por-trabalho-na-prisao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">elo de irmandade entre os Cravinhos</span></a><span style="font-weight: 400;">. A passagem de irmãos delinquentes para irmãos criminosos não surte efeito nenhum em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;">. Suzane, visivelmente afetada pelo que diz respeito às caras e bocas de Diaz, manda, e os homens obedecem.</span></p>
<figure id="attachment_23511" aria-describedby="caption-attachment-23511" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23511" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-scaled.jpg" alt="Cena do filme A Menina que Matou os Pais. Nela vemos 4 pessoas brancas sentadas em um sofá. Todas são adultas, perto da meia idade. Da esquerda para direita estão Manfred, Marísia, Astrogildo e Nadja. " width="2560" height="1477" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-800x462.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1024x591.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/6-1536x886.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23511" class="wp-caption-text">A direção franzina de Eça enfraquece as performances, que tem bons destaques, mas são reféns de um comando banal por trás das câmeras (Foto: Amazon Prime Video)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, enfim, os filmes chegam ao “O Dia”, a descarga é apertada, relegando o crime a menos de vinte minutos de tela, combinadas as duas rodagens. É claro que, para uma obra</span><a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;"> ser boa, sangue nenhum precisa ser espirrado na câmera (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> provou isso à exaustão), mas a saída não é segurar a expectativa por quase noventa minutos, para depois dar para trás e preferir o lúdico ao real. Ao passo que a iluminação brinca com tons saturados a fim de expressar o medo, a raiva e a conclusão, os filmes de Mauricio Eça pecam pela falta de pulso firme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a arrojada abordagem de dividir o crime ao meio e narrá-lo sob mundos diferentes fosse espelhada para as demais pontas da produção, estaríamos frente a uma obra rica e multifacetada. Mas a criatividade morre no berço, tornando a maratona de quase três horas em uma vitrola arranhada, nada viril e com pouco a dizer. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina que Matou os Pais</span></i><span style="font-weight: 400;"> evoca tropos que já deveriam estar enterrados no audiovisual. Ninguém precisa </span><a href="http://personaunesp.com.br/wandavision-critica/"><span style="font-weight: 400;">assistir a ruína de uma mulher “louca”</span></a><span style="font-weight: 400;">, vingativa ou assassina, motivada por um passado difícil e um presente mais complicado ainda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ou melhor, ninguém precisa assistir a mais uma versão clichê e batida dessa mesma narrativa. Todos os anos, cineastas e roteiristas proeminentes fazem </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><span style="font-weight: 400;">uso do comum</span></a><span style="font-weight: 400;"> para revitalizar uma fórmula, injetando vida a essas histórias. Se depender do tato artístico e da pegada autoral da dupla de filmes, não importa se foi </span><i><span style="font-weight: 400;">A Menina</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">O Menino</span></i><span style="font-weight: 400;"> quem matou, o gênero do </span><i><span style="font-weight: 400;">true crime</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode ser enterrado no mesmo túmulo. </span></p>
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