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	<title>Arquivos Lee Byung-hun &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Lee Byung-hun &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>De forma cômica, No Other Choice te ensina a se livrar da sua concorrência</title>
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		<pubDate>Sat, 15 Nov 2025 14:21:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz Desde o fenômeno de Parasita (2019) nas grandes premiações, a indústria cinematográfica parecia não ter reencontrado outro produto audiovisual sul-coreano capaz de ocupar o mesmo impacto de precisão formal e consciência narrativa – até surgir, neste ano, No Other Choice. Enquanto Bong Joon-ho explorava a estratificação social por meio do coletivismo, o conterrâneo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/de-forma-comica-no-other-choice-te-ensina-a-se-livrar-da-sua-concorrencia/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "De forma cômica, No Other Choice te ensina a se livrar da sua concorrência"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36336" aria-describedby="caption-attachment-36336" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36336" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-12-800x451.png" alt="Um homem aparece parcialmente atrás de uma porta, vestindo terno preto, gravata verde e um avental vermelho. Ele observa algo fora do quadro com expressão de alerta e preocupação. A iluminação é suave, destacando seu rosto tenso, enquanto o fundo revela parte de uma parede com papel floral." width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-12-800x451.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-12-1024x577.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-12-768x433.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-12-1200x676.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-12.png 1296w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36336" class="wp-caption-text">O diretor Park Chan-wook apresenta uma sátira sobre desemprego, competitividade e decisões extremas (Foto: Moho Film)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o fenômeno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) nas grandes premiações, a indústria cinematográfica parecia não ter reencontrado outro produto audiovisual sul-coreano capaz de ocupar o mesmo impacto de precisão formal e consciência narrativa – até surgir, neste ano, </span><i><span style="font-weight: 400;">No Other Choice</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto </span><a href="https://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bong Joon-ho</span></a><span style="font-weight: 400;"> explorava a estratificação social por meio do coletivismo, o conterrâneo investe na patologia individual horizontal em um corporativismo predatório e nos apresenta um homem que decide cavar o próprio nível até não restar ninguém além dele.</span></p>
<p><span id="more-36333"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 25 anos, Yoo Man-soo (</span><a href="https://recreio.com.br/noticias/entretenimento/alem-de-round-6-5-doramas-com-lee-byung-hun.phtml"><span style="font-weight: 400;">Lee Byung-hun</span></a><span style="font-weight: 400;">) construiu uma carreira sólida em uma empresa de celulóide – o papel e seus derivados são, para ele, uma paixão única. Casado, pai de dois filhos e dono de dois cães, vive na casa dos sonhos conquistada com esforço. No entanto, sua estabilidade começa a ruir quando a empresa é comprada por um conglomerado norte-americano e anuncia uma reestruturação no quadro de funcionários. A demissão o motivou a seguir na procura de um novo emprego, porém a escolha de uma única vaga fez com que o transfigurasse num assassino em série, deixando a entender que eliminar a concorrência deixa de ser metáfora para se tornar instrução literal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade por trás do filme, que consta na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, se estende na indissociação entre o riso e a tragédia, refletindo uma trama que não teme o desconforto. A transformação do cotidiano em espetáculo possui nome e sobrenome: </span><a href="https://www.koreatimes.co.kr/entertainment/films/20251020/park-chan-wook-wins-best-director-at-sitges-for-no-other-choice"><span style="font-weight: 400;">Park Chan-wook</span></a><span style="font-weight: 400;">, idealizador de um Cinema que retoma não apenas o que representa o mundo corporativo, mas aquilo que o tensiona. A proposta do diretor se centraliza no olhar meticuloso sobre o desespero e isso não se reflete no espectador devido ao tom humorístico que torna o longa extremamente hilário. A ironia é o seu idioma, a ambiguidade o seu método. </span></p>
<figure id="attachment_36335" aria-describedby="caption-attachment-36335" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36335" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12-800x450.png" alt="Dentro de uma sala com luz difusa, um homem de avental vermelho e luvas verdes estende as mãos na direção de outro homem, que está sentado e reage com surpresa, apontando o dedo para ele. O ambiente é repleto de móveis escuros, quadros e equipamentos de som, sugerindo um momento de confronto contido." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-12.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36335" class="wp-caption-text">O olhar desesperador de Man-soo sintetiza o espírito do filme (Foto: CJ ENM Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As cenas são rítmicas e parecem durar mais do que deveriam, na possibilidade de que o tempo hesitasse diante do ridículo humano. Não é fácil transformar o ordinário em ameaça, Chan-wook filma o trabalho e o tédio com o mesmo rigor, alternando planos estáticos e movimentos lentos que sublinham o vazio das ações. Cada enquadramento se comporta como uma moldura que aprisiona o corpo e todos os silêncios se transformam em respiros negados. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YJRQX8Mha5g"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> não quer fomentar o espanto diante das ações, e sim o estranhamento. O cotidiano é filmado como se fosse ficção científica – algo quase indecifrável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse intervalo entre o real e o absurdo que o ápice da produção se instala: o </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/park-chan-wook-no-other-choice-interview-1236397524/"><span style="font-weight: 400;">humor ácido</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">No Other Choice</span></i><span style="font-weight: 400;"> é engraçado, porém nunca leve. A sátira não nasce de piadas, e sim da repetição: o indivíduo que insiste, o gesto que retorna, a reunião que se reencena. Há algo de cruel em perceber o quão previsível é a autodestruição do próprio ser, buscando a vida ou a morte em prol da empregabilidade. Chan-wook domina com maestria o tempo da ironia, construindo uma cumplicidade perversa com o espectador, pois ele ri e reconhece simultaneamente o desconforto. Um mesmo sistema que nos premia por sermos competitivos é o que nos condena quando levamos essa competição às últimas consequências, mostrando que </span><a href="https://www.culturagenial.com/o-homem-e-lobo-do-homem/"><span style="font-weight: 400;">o homem é o lobo do próprio homem</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A atuação de Lee Byung-hun supera seus trabalhos anteriores, até mesmo o conhecido Front Man, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/round-6-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Round 6</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), que se assemelha nos aspectos sanguinários. Ele constrói um protagonista fragmentado entre o riso nervoso e o olhar exausto, sustenta o tom tragicômico da narrativa. Há uma precisão quase cruel na sua performance: Man-soo não é vítima nem algoz, é apenas alguém tentando se manter de pé dentro de um sistema de aparências. Ao seu lado, </span><a href="https://www.soompi.com/article/1763764wpp/son-ye-jin-shines-as-a-reliable-wife-when-her-family-faces-a-crisis-in-new-film-no-other-choice"><span style="font-weight: 400;">Son Ye-jin</span></a><span style="font-weight: 400;"> interpreta a esposa Yoo Mi-ri com uma serenidade que disfarça o cansaço. O casal encarna o que há de mais devastador no longa: a incapacidade de comunicar o próprio desespero. Tudo se torna um diálogo interrompido.</span></p>
<figure id="attachment_36334" aria-describedby="caption-attachment-36334" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36334" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-14-800x450.png" alt="Ao ar livre, um homem, uma mulher e duas crianças se abraçam em meio a um jardim verdejante e iluminado pelo sol. O gesto é espontâneo e afetuoso, transmitindo alegria e leveza. No fundo, há árvores altas e um muro de tijolos coberto por vegetação, compondo um cenário de harmonia familiar." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-14-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-14-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-14.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36334" class="wp-caption-text">A fotografia de Kim Woo-hyung aposta em planos que simulam a harmonia (Foto: NEON)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Other Choice</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, em última instância, sobre o gesto de continuar – mesmo quando nada mais se sustenta. O título soa bastante como um epitáfio: talvez, na realidade, nunca houvesse outra escolha. Chan-wook retrata um homem comum que se torna monstro não por maldade inata, mas porque o sistema recompensa a monstruosidade. Então, o registro da persistência humana diante do colapso se torna diferencial entre outros produtos do gênero, pois reafirma o </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/o-que-faz-da-coreia-do-sul-uma-pot%C3%AAncia-do-cinema/a-64667636"><span style="font-weight: 400;">Cinema sul-coreano</span></a><span style="font-weight: 400;"> como espaço de invenção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa foi premiado no </span><a href="https://www.koreatimes.co.kr/entertainment/films/20250915/no-other-choice-wins-inaugural-international-peoples-choice-award-at-tiff"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> como a escolha do público, considerada a melhor produção deste ano, e agora representa a Coreia do Sul na corrida pelo </span><a href="https://revistakoreain.com.br/2025/09/no-other-choice-filme-de-park-chan-wook-e-escolhido-para-representar-a-coreia-do-sul-no-oscar/"><span style="font-weight: 400;">Oscar 2026</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso é apenas o resultado de um autor que compreende o horror como continuidade ao invés de uma ruptura. A mentalidade do caos, aqui, é método – e a lucidez, a forma mais elegante de loucura. </span></p>
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