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	<title>Arquivos Leão de Prata &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Mar 2023 16:48:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique  Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. Luca Guadagnino, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme Me Chame Pelo Seu Nome (2017)  e na série &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30569" aria-describedby="caption-attachment-30569" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-30569" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-1-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta rosa com detalhes brancos e uma bermuda jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma blusa branca e uma saia jeans. Ambos estão em pé nas montanhas, enquanto observam o pôr do sol. " width="750" height="479" /><figcaption id="caption-attachment-30569" class="wp-caption-text">Ovacionado pelo público no Festival de Veneza, Até os Ossos rendeu ao cineasta italiano Luca Guadagnino o prêmio Leão de Prata de Melhor Diretor e a estatueta de Melhor Atriz Revelação para Taylor Russell (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem infinitas histórias no interior da cinematografia, das mais doces e inocentes como o primeiro amor até os temores e a repulsa dos filmes de terror. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rPBXobWTTFA"><span style="font-weight: 400;">Luca Guadagnino</span></a><span style="font-weight: 400;">, cineasta renomado em contabilizar narrativas sobre o amadurecimento e suas vertentes &#8211; como abordado no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017)  e na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/we-are-who-we-are-hbo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">We Are Who We Are</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) &#8211; , retorna às telas com </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem que une gêneros clássicos do Cinema, para conduzir o romance entre dois canibais marginalizados pela sociedade em busca de pertencimento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando o romance de Camille DeAngelis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bones And All </span></i><span style="font-weight: 400;">segue a trajetória de Maren Yearly (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rltla_yRxKw"><span style="font-weight: 400;">Taylor Russell</span></a><span style="font-weight: 400;">), jovem recém abandonada pelo pai após um incidente em uma festa do pijama. Frank (André Holland), desolado pelo resultado desse acontecimento e perdido sobre o que fazer, decide fugir, deixando a filha apenas com uma fita cassete, compondo gravações pertinentes sobre uma particularidade natural da garota. A jovem, diferente de outros indivíduos, dispõe da incessante necessidade de provar carne humana.</span></p>
<p><span id="more-30565"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao se encontrar sozinha, ausente de respostas e lidando com seus instintos, Maren então percorre um caminho sinuoso em busca de outro vínculo familiar, como o de sua mãe Janelle (Chloe Sevigny). Em meio à nova realidade e euforia, ela esbarra com outras personalidades que guardam a mesma circunstância conflituosa, como o intrigante Lee (Timothée Chalamet), sujeito com o qual se identifica de imediato. Isso, não somente por compartilharem desse impulso </span><a href="https://letterboxd.com/journal/all-consuming-romance-bones-and-all/"><span style="font-weight: 400;">canibal</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas também por ambos vivenciarem uma luta por identidade, tentando desesperadamente encontrar seu lugar no mundo.</span></p>
<figure id="attachment_30568" aria-describedby="caption-attachment-30568" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-30568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma jaqueta marrom com franjas e detalhes brancos. Lee está sentado em uma das mesas de uma lanchonete e segurando uma xícara branca de café." width="1200" height="628" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-2-Ate-os-Ossos-768x402.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30568" class="wp-caption-text">Visceral e apaixonante, Até os Ossos explora as múltiplas indagações do amadurecimento (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Distante do verão italiano de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-me-chame-pelo-seu-nome/"><i><span style="font-weight: 400;">Me Chame Pelo Seu Nome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">road movie </span></i><span style="font-weight: 400;">explora o meio-oeste norte americano em meados da década de 1980. Compondo fotografias inteiramente interioranas, o retrato de Arseni Khachaturan divaga pela vegetação rochosa dos apalaches, interligando breves cidades daquela região, com suas mercadorias e eventos locais, sem a intensa agitação das grandes metrópoles. Enquanto Lee e Maren adentram na excursão em busca de Janelle, é visível o amadurecimento e comprometimento dos jovens ao longo da trama, além do crescimento afetivo entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conexão entre os dois protagonistas é marcada, sobretudo, pela trilha sonora de Atticus Ross e Trent Reznor, na qual a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=plSbcQqgqSQ"><span style="font-weight: 400;">musicalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> anuncia os avanços do relacionamento entre os dois conforme entra em cena. Mas notoriamente, a trama </span><i><span style="font-weight: 400;">gore</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre dois canibais que se apaixonaram não poderia ser bem arquitetada em tela, com a atenção e a delicadeza necessária, sem a atuação excepcional de atores que compreendessem a fundo esse cenário, algo que foi ministrado brilhantemente por Russell e Chalamet. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lee é um arruaceiro, distante de seguir um sistema social e exercendo suas próprias leis para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bp3b6flNEM4"><span style="font-weight: 400;">sobreviver</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um personagem quase amorfo, ele apropria-se de elementos de suas vítimas e os toma como seus, integrando-os em sua personalidade plural. Contrário a isso, em virtude de sua situação fugitiva, Maren contém um estilo desconfiado e observador, que não sabe quais pessoas são suscetíveis para se aproximar, tanto por preocupação pela sua segurança, quanto para poder ajudá-la em seu propósito. Apesar de constituírem particularidades distintas, os dois jovens à margem da sociedade partilham da mesma ansiedade de se encontrar no olhar de outra pessoa e de fazer parte de algo que foi retirado deles de alguma forma.</span></p>
<figure id="attachment_30567" aria-describedby="caption-attachment-30567" style="width: 4000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-30567 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-3-Ate-os-Ossos.jpg" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta com mangas compridas na cor branca e uma calça jeans. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma jaqueta marrom. Ambos estão ao ar livre, encostados em um tronco de árvore." width="4000" height="2666" /><figcaption id="caption-attachment-30567" class="wp-caption-text">A divulgação da obra entra na nova onda de produções que tratam sobre a mesma temática do canibalismo, como a série Dahmer: Um Canibal Americano, da Netflix, e o O Menu (2022), dirigido por Mark Mylod (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando o horror e os ápices disformes do </span><a href="https://darkside.blog.br/filmes-sobre-canibalismo/"><span style="font-weight: 400;">canibalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em tela, o personagem de Mark Rylance, Sully, expele desde sua roupagem até os trejeitos tudo que há de mais esdrúxulo em todo o filme. Em gênese, Sully incorpora um tremor memorável durante sua aparição, enquadrando uma personalidade nauseante, complexa e cheia de camadas. Sendo, provavelmente, o “</span><i><span style="font-weight: 400;">eater</span></i><span style="font-weight: 400;">” mais velho encontrado por Maren, ele representa um modelo de como o canibalismo pode afligir uma pessoa a longo prazo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos </span></i><span style="font-weight: 400;">mostra como a solidão é presente entre os antropófagos, levando cada indivíduo a viver da forma que dá, procurando preencher todos os vãos da solitude e desejando sistematicamente o vínculo com outras pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guadagnino, diferente dos demais cineastas que já abordaram a antropofagia em seus filmes &#8211; como o desconcertante </span><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Canibal</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1980), dirigido por Ruggero Deodato, e o prestigiado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lr3OavheNu0"><i><span style="font-weight: 400;">Hannibal</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2001), de Ridley Scott -, opta por capturar particularmente a intensidade da tentação que move os “comedores” a realizarem o ato, ao invés da selvageria. Obviamente, a visceralidade está presente no cenário, mas não é a única em cena. O diretor, em um olhar poético sobre a trama, por vezes afasta, com muita sensatez, a brutalidade da câmera, para que a violência não domine por completo o longa-metragem, ocasionando extremos ou desconversando quando a narrativa regressa novamente para o lado mais sensível e romântico do casal.</span></p>
<figure id="attachment_30566" aria-describedby="caption-attachment-30566" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp" alt="Cena do filme Até os Ossos. Na imagem temos o personagem Lee, interpretado por Timothée Chalamet, um jovem branco, magro e de cabelos castanhos encaracolados com mechas na cor rosa. Vestindo uma camiseta e bermuda bege. Ao lado dele temos Maren Yearly, interpretada por Taylor Russell, uma jovem negra de cabelos ondulados na cor preta, vestindo uma regata e um shorts bege. Ambos estão ao ar livre, encostados em uma rocha, perto de um riacho." width="1024" height="601" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-800x470.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IMAGEM-4-Ate-os-Ossos-768x451.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30566" class="wp-caption-text">Maren e Lee compartilham um momento transformador e significativo em meio à realidade que assombra a jornada (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pjMt1MIk2EA"><i><span style="font-weight: 400;">Até os Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é paraíso e Inferno na mesma proporção. Uma brincadeira imersiva entre os padrões clássicos, uma carta de amor para os amantes apaixonados e um balde de sangue para os adoradores de </span><i><span style="font-weight: 400;">thrillers</span></i><span style="font-weight: 400;">. Marcante do início ao fim, inteirando uma narrativa tanto desesperançada quanto acolhedora, o filme dança ao passo de uma só nota. Um memorial do arrebatamento da juventude e dos direcionamentos que nos levam a sermos quem somos, e as consequências disso. </span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ate-os-ossos-critica/">Até os Ossos é a comprovação de que existe amor a primeira vítima</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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