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	<title>Arquivos Lea Michele &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Sep 2021 16:05:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriela Reimberg É impossível falar de Aquarius sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na mídia, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no Festival de Cinema mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aquarius-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos depois, Aquarius supera o reacionarismo e envelhece como vinho"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22298" aria-describedby="caption-attachment-22298" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-22298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png" alt="Foto que compõe o pôster de “Aquarius”. Na imagem, temos Clara, a personagem de Sônia Braga, uma mulher de meia idade com a pele clara, o cabelo preso e usa uma blusa preta e cinza de manga comprida.. Clara está olhando para cima, com a cabeça inclinada para a esquerda. Ao fundo, entre ela, temos dois muros: um que parece ser um jardim vertical, à esquerda, e o outro, de concreto, à direita. A foto foi tirada de dia. " width="800" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f1-768x492.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22298" class="wp-caption-text">Em seu ano de lançamento, o filme protagonizado por Sônia Braga não agradou nada os cidadãos de bem (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriela Reimberg</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem mencionar o caótico frenesi que atravessava a política brasileira em seu ano de seu lançamento. A narrativa de aversão à esquerda, predominante na </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/09/02/midia-brasileira-construiu-narrativa-novelizada-do-impeachment"><span style="font-weight: 400;">mídia</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebeu mal o filme quando, em maio de 2016, no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/en/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais importante da Europa, o elenco tomou a iniciativa de protestar contra o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/31/opinion/1472650538_750062.html"><i><span style="font-weight: 400;">impeachment</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegítimo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levou Michel Temer à presidência. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Assim que Aquarius estrear no Brasil, o dever das pessoas de bem é boicotá-lo”</span></i><span style="font-weight: 400;">, dizia uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/assim-que-aquarius-estrear-no-brasil-o-dever-das-pessoas-de-bem-e-boicota-lo-que-os-esquerdistas-garantam-a-bilheteria/"><span style="font-weight: 400;">matéria</span></a><span style="font-weight: 400;"> da época. Foi no berço desse borbulhante caldeirão de reacionarismo que o segundo longa de Kleber Mendonça Filho veio ao mundo. </span></p>
<p><span id="more-22296"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da recepção hostil em casa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi, talvez, um dos filmes brasileiros da última década </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-121893/"><span style="font-weight: 400;">mais consagrados no exterior</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com temas que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-36322435"><span style="font-weight: 400;">transpassam</span></a><span style="font-weight: 400;"> barreiras linguísticas e culturais &#8211; ora de forma pragmática -, como os abusos do capital e a desigualdade social &#8211; ora de forma subjetiva -, como a memória e os laços com o passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre angústias que afligem a todos nós.</span></p>
<figure id="attachment_22299" aria-describedby="caption-attachment-22299" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg" alt="Foto do elenco de Aquarius no Festival de Cannes. São dez pessoas, entre homens e mulheres de pele clara que, em fila indiana, sob o tapete vermelho, seguram cartazes em inglês e francês com mensagens de protesto contra o impeachment da ex presidenta Dilma Rousseff. Todos estão usando roupas formais - os homens de terno e as mulheres de vestido. A foto foi tirada de dia. " width="1800" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2.jpg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22299" class="wp-caption-text">Elenco de Aquarius em Cannes segura cartazes em inglês e francês que dizem: “O Brasil não é mais uma democracia”, “Nós vamos resistir”, “Um golpe de estado está acontecendo no Brasil” e “O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo” (Foto: Antonio Barros)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada em Recife, a trama acompanha a história de Clara, representada pela fascinante </span><a href="http://artecult.com/atuacao-de-sonia-braga-e-destaque-da-revista-rolling-stones/"><span style="font-weight: 400;">Sônia Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma jornalista aposentada que se recusa a sair de seu charmoso apartamento na praia de Boa Viagem, no edifício Aquarius, onde passou toda a sua juventude. Sendo a única moradora ali residente, Clara se vê pressionada pelo insistente Diego, interpretado por Humberto Carrão, representante de uma construtora que pretende tombar o prédio para empreender um condomínio de luxo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a clássica relação de vilão-herói. O personagem ambicioso de Diego personifica o </span><a href="https://www.ufjf.br/pa8/files/2015/03/7B1_ESPECULA%C3%87%C3%83O-IMOBILI%C3%81RIA.pdf"><span style="font-weight: 400;">capital especulativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, no espaço urbano, transforma tudo em concreto. Já Clara é a politizada protagonista que luta até o final para defender seus valores. Apesar do relacionamento conflituoso, entretanto, os dois pertencem à mesma classe abastada de Recife e têm muito mais em comum do que a gente imagina. Enquanto Diego não esconde sua presunção de filho herdeiro, que estudou nos Estados Unidos, Clara parece não querer pertencer a essa casta: mesmo sendo dona de cinco outros imóveis, ela insiste em morar no antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> e levar uma vida modesta. É a contradição da elite que não se enxerga como tal. </span></p>
<figure id="attachment_22300" aria-describedby="caption-attachment-22300" style="width: 1498px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22300" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg" alt="Sônia Braga em frente ao edifício Aquarius, cenário do filme que leva o mesmo nome. Ela está de braços abertos, olhando para cima, e usa uma blusa preta de mangas até o cotovelo. Novamente, ela aparece entre os dois muros - o jardim vertical e o de concreto. Atrás, podemos observar a fachada do edifício, azul celeste, com os dizeres “Edf. Aquarius” e “560”. A entrada e a porta têm formatos arredondados. " width="1498" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5.jpeg 1498w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-800x534.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1024x684.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-768x513.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f5-1200x801.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22300" class="wp-caption-text">Sônia Braga apareceu na lista das 25 melhores atuações de 2016 pela Rolling Stones (Foto: Victor Jucá)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Kleber aborda de forma sutil, quase microscópica, essas relações de classe. Em uma reunião com os irmãos, Clara revira os álbuns de fotos da família e encontra um punhado de imagens em que a ex-empregada, Juvenita, aparece ao fundo, como figurante, cuidando das crianças. Ela se lembra perfeitamente de suas habilidades na cozinha, mas não de seu nome. Esse apagamento de identidade também é simbolizado na figura da atual empregada, Ladjane (Zoraide Coleto), uma senhora de idade que mora na periferia de Recife e, ao contrário da protagonista, não teve o privilégio de desfrutar de sua aposentadoria despreocupadamente. Embora o filme pinte a relação entre Ladjane e Clara como amistosa, é possível perceber que existe uma hierarquia de </span><a href="https://www.portalintercom.org.br/anais/nordeste2016/resumos/R52-0022-1.pdf"><span style="font-weight: 400;">patrão e empregado</span></a><span style="font-weight: 400;"> muito bem delimitada entre as duas, causando um quê de desconforto ao telespectador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É aqui que o diretor se destaca no Cinema nacional. Ao atribuir falhas tão particulares aos seus personagens, Kleber consegue denunciar as anomalias éticas da sociedade brasileira sem precisar apelar ao panfletário e ao caricato. A personagem de Sônia Braga é o puro suco dessas falhas. Ainda que ela se sobressaia por sua feminilidade e personalidade ímpares, Clara é cheia de defeitos: é chata, arrogante, inconveniente, esnobe e muito &#8211; mas muito &#8211; pedante. Mais do que isso, ela é o retrato fiel de uma </span><a href="https://michaelis.uol.com.br/busca?id=9oaPO"><span style="font-weight: 400;">pequena burguesia</span></a><span style="font-weight: 400;"> metida à besta que luta contra uma forma de opressão &#8211; a especulação imobiliária -, enquanto pratica outra &#8211; a exploração por meio do trabalho doméstico. </span></p>
<figure id="attachment_22301" aria-describedby="caption-attachment-22301" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22301" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Humberto Carrão, que interpreta Diego - um homem branco com barba e bigode -, está conversando, de frente, com a personagem Clara, interpretada por Sônia Braga - uma mulher de pele clara com cabelos pretos e presos. No meio deles, temos Ladjane, a empregada doméstica de Clara, uma mulher idosa de pele clara, com cabelos grisalhos e óculos. Clara e Diego estão olhando um para o outro, de perfil, enquanto Clara é a única que olha para a câmera, com uma expressão aérea. A cena foi gravada de dia e se passa no estacionamento do edifício Aquarius, com árvores circundando todos os personagens. " width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f3-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22301" class="wp-caption-text">Da esquerda para a direita: Diego, Ladjane e Clara (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto aos conflitos subjetivos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> também acerta em cheio. Para quem assistiu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlheaoLnewE&amp;ab_channel=Ingresso.com"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), o mais recente filme do diretor pernambucano, é notável o vínculo entre as tramas. A personagem de Sônia Braga é a amálgama da cidade de Bacurau: ambos resistem à tentativa de aniquilação de suas histórias. Além disso, o vínculo afetivo do ser humano com o espaço, seja ele urbano ou não, é uma temática presente nas duas obras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Falando em espaço, é interessante observar como Kleber brinca com a trilha sonora, logo no início do filme. Ao som de </span><a href="https://open.spotify.com/track/14XfK65ySuVy1SHo9Jwi1R?si=2dc22a7d04b74631"><span style="font-weight: 400;">Taiguara</span></a><span style="font-weight: 400;">, somos introduzidos à uma Recife em preto e branco, com um ar saudosista, ainda em processo de urbanização. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Trago em meu corpo as marcas do meu tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz a música. É como se a cidade estivesse falando com a gente. E, de fato, a cidade é personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">: ela representa a troca do velho pelo novo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o apartamento de Clara é um ponto fora da curva. Entre discos de vinil, livros e álbuns de fotos, onde a saudade e a melancolia se emaranham docemente, o apartamento é um museu de memórias imateriais e materiais. Em um mundo cada vez mais permeado pela </span><a href="http://www.estrategiaemfoco.com.br/a-era-do-efemero-ou-da-modernidade-liquida/"><span style="font-weight: 400;">cultura do efêmero</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde o consumo excessivo e a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dxbD0pUzjP0"><span style="font-weight: 400;">obsolescência programada</span></a><span style="font-weight: 400;"> reinam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> busca mostrar que o espaço, e os objetos, têm um valor sentimental uno &#8211; quase sacro. </span></p>
<figure id="attachment_22302" aria-describedby="caption-attachment-22302" style="width: 1120px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22302" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg" alt="Cena do filme Aquarius. Clara, personagem de Sônia Braga, está sentada com as pernas cruzadas no sofá de sua sala, escrevendo em um caderno que apoia sob o colo. Dessa vez, Clara está com os cabelos soltos e usa um vestido verde. Atrás dela, temos uma estante de livros e uma mesa de canto, com um abajur ligado. Existem outros objetos ao fundo, mas estão desfocados. A cena provavelmente foi gravada à noite. A única luz que existe é a que vem do abajur, dando um ar aconchegante à sala. " width="1120" height="685" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4.jpg 1120w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-800x489.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-1024x626.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/f4-768x470.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22302" class="wp-caption-text">“Quando você gosta, é vintage. Quando você não gosta, é velho”  (Foto: Cinemascópio)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, calma! Embora o longa aborde temas tão universais e inerentes ao ser humano, não é todo mundo que consegue digeri-lo bem. As duas horas e meia de duração, com uma fotografia pouco dinâmica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2TIX2Ycc_Vc"><span style="font-weight: 400;">diálogos arrastados</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cenas de silêncio absoluto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;">, para algumas pessoas, pode acabar virando aquele filme que a gente deixa rolando em segundo plano enquanto tira uma sonequinha no sofá. É preciso ter sensibilidade e capacidade de mergulhar nas emoções e nas sensações que a obra provoca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, a única conclusão certeira é que temos aqui uma saborosa história de superação. Cinco anos depois, é possível assistir ao filme e tirar as mesmas lições que qualquer outra pessoa em 2016 poderia ter feito: a especulação imobiliária é predatória, os </span><a href="https://screenanarchy.com/2016/10/new-york-2016-review-aquarius-explores-indescreet-charm-of-brazilian-bourgeoisie.html"><span style="font-weight: 400;">ricos são hipócritas</span></a><span style="font-weight: 400;">, as rugas são virtudes e a cidade é um espaço de trocas fraternas. Agora, mais importante que isso, é saber que, mesmo depois de tanta demagogia e reacionarismo, para o desgosto do cidadão de bem, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquarius</span></i><span style="font-weight: 400;"> conseguiu se consolidar como um clássico contemporâneo do Cinema brasileiro. Não é que o tempo realmente cura tudo? </span></p>
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		<title>O que você perdeu em Glee: 5 anos do fim de um fenômeno</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Sep 2020 17:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Cinco anos após a estreia de sua última temporada, o legado de Glee continua vivo e mostrando que é muito mais do que as tragédias que o cercam. Luize de Paula A verdade é que nunca haverá nenhuma série como Glee. Desde Nashville, passando por Brilhante Victória e até mesmo novas produções como High School &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/glee-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O que você perdeu em Glee: 5 anos do fim de um fenômeno"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><i>Cinco anos após a estreia de sua última temporada, o legado de Glee continua vivo e mostrando que é muito mais do que as tragédias que o cercam.</i></p>
<figure id="attachment_15031" aria-describedby="caption-attachment-15031" style="width: 1296px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15031 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/glee_cast.jpg" alt="" width="1296" height="730" data-wp-editing="1" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/glee_cast.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/glee_cast-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/glee_cast-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/glee_cast-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/glee_cast-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15031" class="wp-caption-text">A icônica frase “E foi isso que você perdeu em Glee” era entoada pelo narrador da série a cada novo episódio, para resumir os últimos acontecimentos do show (Foto: Divulgação/Fox)</figcaption></figure>
<p><b>Luize de Paula</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que nunca haverá nenhuma série como </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;">. Desde</span><i><span style="font-weight: 400;"> Nashville,</span></i><span style="font-weight: 400;"> passando por </span><i><span style="font-weight: 400;">Brilhante Victória</span></i><span style="font-weight: 400;"> e até mesmo novas produções como </span><a href="https://www.jornadageek.com.br/colunas/high-school-musical-serie-data-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical: O Musical: A Série</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Glee (</span></i><span style="font-weight: 400;">criação de Ryan Murphy, </span><span style="font-weight: 400;"> Brad Falchuk e Ian Brennan</span><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">nunca será apenas um programa de televisão, mas um fenômeno cultural.  Mesmo cinco anos após a estreia de seu último episódio, os </span><a href="https://vm.tiktok.com/ZMJBFEfFh/"><i><span style="font-weight: 400;">Tik Toks</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  perfis no </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.podcastone.com/showmance-with-kevin-mchale-and-jenna-ushkowitz"><i><span style="font-weight: 400;">podcasts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (inclusive dos próprios atores) zoando cenas, tramas e momentos da série fizeram com que ela saísse de núcleos específicos das redes sociais e encontrasse o público geral.</span></p>
<p><span id="more-15007"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro motivo para a série voltar a ser tão comentada foi a morte de mais uma das atrizes mais amadas pelos fãs.  No último dia 13 de julho, depois de dias de buscas, o corpo de Naya Rivera foi encontrado em um lago da </span><a href="https://www.vagalume.com.br/news/2020/08/03/fas-de-naya-rivera-se-reunem-para-homenagem-a-artista-em-lago-na-california.html"><span style="font-weight: 400;">Califórnia</span></a><span style="font-weight: 400;">, no mesmo dia em que a morte de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2020/07/13/cory-monteith-ator-de-glee-foi-encontrado-morto-sete-anos-antes-de-naya-rivera-relembre.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Cory Monteith</span></a><span style="font-weight: 400;"> completou 7 anos. Além da morte dos nossos eternos Finn e Santana, o ator que interpretava o </span><i><span style="font-weight: 400;">bad boy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Noah Puckerman, Mark Salling, </span><a href="https://todateen.uol.com.br/mark-salling-glee-encontrado-morto/"><span style="font-weight: 400;">se suicidou em 2018</span></a><span style="font-weight: 400;"> após ser acusado de posse de pornografia infantil. E quando parece ter acabado, a lista de escândalos envolvendo o elenco da série continua aumentando e surpreendendo, trazendo à tona novamente a chamada “</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/maldicao-de-glee-jornal-aponta-tragedias-escandalos-e-polemicas-que-marcaram-serie-teen/"><span style="font-weight: 400;">Maldição de Glee</span></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda esse ano, diversos integrantes acusaram a atriz Lea Michele de </span><a href="https://todateen.uol.com.br/lea-michele-milita-e-e-acusada-de-racismo-por-atriz-de-glee-eu-nunca-vou-esquecer/"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de </span><a href="https://todateen.uol.com.br/atriz-de-glee-revela-que-lea-michele-chamava-figurantes-de-baratas/"><span style="font-weight: 400;">tratar mal seus colegas de trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">set.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Em 2019, a atriz Melissa Benoist (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Supergirl</span></i><span style="font-weight: 400;">) denunciou a </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/estrela-de-supergirl-melissa-benoist-desabafa-sobre-violencia-domestica-sou-uma-sobrevivente/"><span style="font-weight: 400;">violência doméstica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreu de seu ex-marido, Blake Jenner, ambos novos integrantes do clube </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> na 4ª e 5ª temporada. Mas apesar de tudo que aconteceu nos bastidores e na privacidade dos atores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi uma série que marcou uma geração.</span></p>
<figure id="attachment_15009" aria-describedby="caption-attachment-15009" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-2.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-2-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15009" class="wp-caption-text">A série foi nomeada a dezenove Emmys e quatro Globos de Ouro (Foto: Reprodução/Fox)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É quase impossível falar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> e não falar sobre </span><a href="https://www.aparatodoentretenimento.com.br/2019/05/uniteen-importancia-e-o-legado-da-serie.html"><span style="font-weight: 400;">representatividade</span></a><span style="font-weight: 400;">. A voz dada à pessoas LGBTs na série se destaca em diversos momentos, como o coral de 300 transexuais cantando para o recém </span><a href="https://www.advocate.com/spotlight/2015/01/16/watch-glees-coach-beiste-comes-out-trans-man"><span style="font-weight: 400;">transicionado</span></a><span style="font-weight: 400;"> treinador Beiste (Dot-Marie Jones), liderados por Unique (Alex Newell), personagem também trans. Além disso, as trajetórias de Kurt (Chris Colfer) saindo do armário para seu pai e enfrentando o </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Karofsky (Max Adler), e a jornada de Santana em busca da aceitação de sua sexualidade (por ela e por sua família) foram importantes na vida de muitas pessoas, ajudando-as se entenderem e se </span><a href="https://observatoriodemusica.uol.com.br/noticia/fa-relembra-personagem-de-naya-rivera-em-glee-ajudou-as-pessoas-aceitarem-a-sexualidade"><span style="font-weight: 400;">aceitarem</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como as personagens Blaine (Darren Criss) e Brittany (Heather Morris).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros personagens também fizeram os telespectadores se espelharem nas criações de Ryan Murphy, produtor e criador da série. No elenco original do clube </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma aspirante a atriz da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;">, um garoto desorientado, um cadeirante, um garoto gay, uma mulher negra e uma asiática gótica mostravam ao som de </span><i><span style="font-weight: 400;">Journey</span></i><span style="font-weight: 400;"> que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JseWhrUz9TY"><span style="font-weight: 400;">nunca devemos parar de acreditar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Eventualmente, personagens gordos, com síndrome de Down, dislexia, bulimia, transtornos psicológicos, latinos, católicos e judeus também foram introduzidos ao mundo do Mckinley High. E enfrentando suas dificuldades, ressaltaram que apesar de ser um refúgio, a música por si só não dá conta de solucionar a complexidade de seus problemas.</span></p>
<figure id="attachment_15010" aria-describedby="caption-attachment-15010" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15010" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-3-GIF.gif" alt="" width="480" height="240" /><figcaption id="caption-attachment-15010" class="wp-caption-text">(GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E, assim como na realidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ficou ileso de ter seus momentos ruins. Através dos </span><a href="https://screenrant.com/glee-sue-sylvester-quotes-funny/"><span style="font-weight: 400;">ásperos comentários</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Sue Sylvester (Jane Lynch) sobre as coisas absurdas que a série relata em suas 6 temporadas, o próprio seriado mostra que nem sempre acerta. Desde Finn achando que um misto quente realizava seus desejos porque o pão tinha queimado com o formato do rosto de Jesus, até um episódio inteiro com fantoches.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro momento que aparentemente ninguém achava (ou pelo menos comentava) que era completamente fora da realidade são as cenas de anúncio dos vencedores das competições de coral. O fato de todos os corais que não eram o Nova Direções comemorarem o 2º ou 3º lugar com um sorriso no rosto, enquanto o clube de Will (Matthew Morrison) esboçava uma reação mais compreensível: a decepção de perder depois de trabalhar duro. Porém, nada se compara aos três episódios em que Quinn (Dianna Agron) tenta recuperar sua bebê, que foi adotada pela mãe de Rachel (Lea Michele), colocando livros de receitas de canibalismo infantil na casa dela como forma de incriminá-la. </span></p>
<figure id="attachment_15011" aria-describedby="caption-attachment-15011" style="width: 360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15011" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-4-GIF.gif" alt="" width="360" height="270" /><figcaption id="caption-attachment-15011" class="wp-caption-text">Jane Lynch ganhou o Emmy de Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Comédia em 2010 pelo seu papel de Sue Sylvester em Glee (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos olhos de todos os fãs, uma das decisões mais absurdas dos escritores foi relacionada a Rachel Berry. Desde a sua primeira aparição cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">On My Own</span></i><span style="font-weight: 400;"> e &#8211; de maneira levemente irritante &#8211; explicando sua ambição de se tornar uma estrela da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rachel é uma das personagens com a personalidade mais forte do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Determinada a ter o que quer e &#8211; assim como Tinker Bell &#8211; dependente de aplausos para viver, na 5ª temporada, a estrela do </span><i><span style="font-weight: 400;">Novas Direções</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue o papel que sempre desejou: Fanny Brice, no elogiado musical </span><i><span style="font-weight: 400;">Funny Girl</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas para mostrar que nem sempre seus sonhos se realizam, os roteiristas fizeram com que Rachel desistisse do musical depois de algumas semanas de apresentação para trabalhar numa série de televisão sobre ela. Programa este que não passou de seu primeiro episódio, forçando Rachel a voltar para Lima.</span></p>
<figure id="attachment_15012" aria-describedby="caption-attachment-15012" style="width: 410px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15012" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-5-GIF.gif" alt="" width="410" height="231" /><figcaption id="caption-attachment-15012" class="wp-caption-text">(GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É inegável que, a partir da quinta temporada, com a morte de Cory Monteith, a história começou a se perder. Se, em 2011, o maior problema dos escritores era decidir os destinos dos formandos e o futuro da série, após perderem o Finn em 2013, Ryan Murphy precisou fazer o possível e o impossível para que a série continuasse com os novos personagens. Mas não foi o que aconteceu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Jake, Kitty, Marley, Ryder e Unique não foram capazes de trazer histórias novas que interessassem ao público (apesar da tentativa de engatar temas relevantes, como bulimia e um tiroteio na escola). Os fãs continuavam focados e interessados nos personagens das outras temporadas, talvez pelo carinho que foi construído por três anos ou pela monotonia do roteiro das últimas temporadas. Assim, todos &#8211; com exceção de Kitty &#8211; foram descartados no sexto ano da série,</span><i><span style="font-weight: 400;"> “transferidos para outras escolas”</span></i><span style="font-weight: 400;"> mesmo com assuntos inacabados.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Glee - Full performance of regionals season 4" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XyQX02qPqRU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Não que no sexto ano isso tenha melhorado. Diferente das outras temporadas, que têm 22 episódios, essa conta com apenas 13. Mesmo com personagens cheios de potencial mas mal explorados, poucas coisas fazem valer a pena assistir. Uma delas  &#8211; além de seu episódio final &#8211; é a voz de Jane Lynch sendo explorada  em duetos incríveis com Matthew Morrison e um episódio com dois casamentos LGBT de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EjdrGgsJ7qM"><i><span style="font-weight: 400;">ships</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que são quase impossíveis de não gostar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ainda mais especial é o penúltimo episódio, gravado em 2015 e ambientado em 2009. No final, ele traz uma transição de Will virando as costas para ir embora e voltando à uma cena original do episódio piloto com Finn, numa cena de aquecer o coração. Já que ele não apareceu no episódio inteiro, os roteiristas acharam uma maneira de emocionar os fãs com uma referência ao personagem.</span></p>
<figure id="attachment_15013" aria-describedby="caption-attachment-15013" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-15013 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-6.jpg" alt="" width="564" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-6.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-6-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-6-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-15013" class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dos personagens e suas histórias, outro aspecto principal da série era a música. Com alguns episódios focando em </span><a href="https://imprensarocker.wordpress.com/2010/11/04/voce-sabe-o-que-e-um-mashup/"><i><span style="font-weight: 400;">mash-ups</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> álbuns e/ou artistas específicos, como os especiais de </span><a href="http://personaunesp.com.br/lady-gaga-10-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lady Gaga</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Billy Joel, a variedade de estilos musicais presentes na série é um de seus pontos mais fortes. Às vezes, fazendo um link com a história (como nos episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">Jessie’s Girl, Movin’ Out, Diva</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bust your Windows</span></i><span style="font-weight: 400;">) ou simplesmente sendo cantadas pelos personagens sem contexto (como em </span><i><span style="font-weight: 400;">What Does The Fox Say?</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas além de agradar desde os fãs de musicais clássicos da Broadway até os que gostam das músicas mais populares, as trilhas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> não apenas moldaram, mas também dominaram a indústria musical no início dos anos 2010. Durante seus seis anos de exibição,</span> <span style="font-weight: 400;">o programa conseguiu emplacar 207 músicas na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Hot 100</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">tabela musical padrão dos Estados Unidos que avalia a lista das cem músicas mais vendidas no decorrer de uma semana). Algumas até atingiram o Top 10 (</span><i><span style="font-weight: 400;">Don´t Stop Believin, Teenage Dream </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Loser like Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma de suas músicas originais), e essas conquistas da série foram superados apenas por </span><a href="https://portalpopline.com.br/drake-supera-glee-e-agora-e-o-artista-com-mais-entradas-na-billboard-hot-100/"><span style="font-weight: 400;">Drake</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Glee Playlist - The Complete Soundtrack" width="300" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3MsK5Azx2djtGhlzNRow0P?si=BDJ_o73_R0-C2kxvFVdwjQ"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se contentando apenas com a série, o elenco ganhou uma turnê pelos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Irlanda em 2010 e 2011, incluindo a gravação de um filme estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> e um documentário chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee: The 3D Concert Movie</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além disso, a série também conseguiu duas temporadas de um </span><i><span style="font-weight: 400;">reality show</span></i><span style="font-weight: 400;"> chamado </span><i><span style="font-weight: 400;">The Glee Project</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde os inscritos competiam entre si para um papel na série. Rory, Unique, Joe Hart e Ryder são alguns dos personagens de vencedores e participantes do programa. </span><span style="font-weight: 400;">Outro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fxNL3lnrqWQ"><span style="font-weight: 400;">efeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi seu impacto na representação das artes nas escolas. Antes da série, existiam apenas cerca de 200 competições de coral nos Estados Unidos, subindo para mais de 600 após sua estreia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com toda essa influência, muitas bandas e cantores se </span><a href="https://www.rollingstone.com/culture/culture-news/glee-creator-lashes-out-against-kings-of-leon-and-slash-249074/"><span style="font-weight: 400;">recusaram</span></a><span style="font-weight: 400;"> a deixar que </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;"> usasse suas músicas, como Kings of Leon e Slash do Guns N’ Roses</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Enquanto outros artistas até participaram de alguns episódios, incluindo Neil Patrick Harris, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uwqDY67otYU"><span style="font-weight: 400;">Demi Lovato, Adam Lambert</span></a><span style="font-weight: 400;">, Sarah Jessica-Parker, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BtqKGHNzUy4"><span style="font-weight: 400;">Ricky Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lindsay Lohan, Perez Hilton, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=86Xt3GAjATk"><span style="font-weight: 400;">Britney Spears,</span></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=_CCHPjJr3Lc"><span style="font-weight: 400;">Kate Hudson</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jonathan Groff e muito mais, atraindo novos espectadores.</span></p>
<figure id="attachment_15015" aria-describedby="caption-attachment-15015" style="width: 450px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15015" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-8-GIF.gif" alt="" width="450" height="254" /><figcaption id="caption-attachment-15015" class="wp-caption-text">(GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um tributo a Finn, regado a músicas inesquecíveis que moldam e expressam os sentimentos dos personagens, o terceiro episódio da quinta temporada consegue ser o mais marcante da série. Para os fãs, é impossível não chorar nos primeiros 10 segundos com os personagens cantando </span><i><span style="font-weight: 400;">Seasons of Love</span></i><span style="font-weight: 400;"> para um telão estampado com a foto do </span><i><span style="font-weight: 400;">quarterback</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mostrando o luto do elenco, o episódio conta com 6 músicas. Entre elas, está a canção </span><i><span style="font-weight: 400;">I’ll Stand by You,</span></i><span style="font-weight: 400;"> entoada na primeira temporada por Finn no ultrassom de seu bebê, que desta é vez cantada por Mercedes (Amber Riley); </span><i><span style="font-weight: 400;">Make you Feel My Love,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma performance minimalista e impactante de Rachel; e </span><i><span style="font-weight: 400;">If I Die Young,</span></i><span style="font-weight: 400;"> numa apresentação que nem a própria Naya, interpretando Santana, conseguiu conter as lágrimas. Estas canções e sua interpretações emocionantes foram capazes de se </span><a href="https://open.spotify.com/album/5K2lqUwpSHseCoCfBcvlcV"><span style="font-weight: 400;">imortalizar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tomar outro significado para os fãs da série.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Glee - Seasons Of Love ( Traduçao Legendado)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/U8uNC7ugZFE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O final da série </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/criador-revela-como-seria-o-final-de-glee-com-cory-monteith/"><span style="font-weight: 400;">planejado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Ryan Murphy é contado por Rachel a Will no episódio tributo à morte de Finn. Sua personagem </span><span style="font-weight: 400;">se tornaria uma estrela da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;">, Finn teria se formado e daria as aulas no clube </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee</span></i><span style="font-weight: 400;">. Rachel voltaria a Lima, andaria pelos corredores da escola, entraria no escritório de Finn e diria:</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Estou em casa”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Seria o final perfeito da história, simbolizada pelas raspadinhas geladas na cara e a mão em formato de</span><i><span style="font-weight: 400;"> “L” </span></i><span style="font-weight: 400;">na testa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas com a morte de Cory, o episódio 13 da 6ª temporada, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonhos Viram Realidade</span></i><span style="font-weight: 400;">, é dividido em três momentos. Diferente de muitas séries que não mostram o futuro de seus personagens e deixam um final em aberto, a primeira parte se passa em 2015 mostra uma mistura de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e cenas ‘atuais’: Will vencendo seu campeonato nacional em 1993 como membro e atualmente como treinador junto a Rachel, Kurt e Blaine e o colégio </span><i><span style="font-weight: 400;">William McKinley High</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornado um colégio focado nas artes, depois de anos de luta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco anos a frente de seu tempo real, Sue se candidata a vice-presidência dos Estados Unidos, com Becky (Lauren Potter) como sua guarda-costas. Enquanto isso, em Nova York, Kurt e Blaine viram celebridades e Artie (Kevin McHale) e Tina (Jenna Ushkowitz) tem seu filme no festival </span><i><span style="font-weight: 400;">Slamdance</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já Rachel aparece grávida como barriga de aluguel para Kurt e Blaine, casada com Jesse St. James (Jonathan Groff) &#8211; que dirigiu o musical em que ela atuou. Por esse musical, Rachel ganha o </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony</span></i><span style="font-weight: 400;"> de melhor atriz em musical, como sempre sonhou desde que foi apresentada para o mundo em 2009. O que Ryan Murphy não previu em 2015 foi que o </span><i><span style="font-weight: 400;">Tony</span></i><span style="font-weight: 400;"> seria adiado. E Emma (Jayma Mays) com seu TOC, provavelmente seria a pessoa mais cuidadosa de todas com a quarentena. </span></p>
<figure id="attachment_15018" aria-describedby="caption-attachment-15018" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15018" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/GIF-7.gif" alt="" width="500" height="208" /><figcaption id="caption-attachment-15018" class="wp-caption-text">Fazer parte de algo especial não te torna especial. Uma coisa é especial porque você é parte dela (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o encerramento não de um livro, mas de um capítulo, reunidos pela última vez no auditório do </span><i><span style="font-weight: 400;">Mckinley </span></i><span style="font-weight: 400;">recém nomeado como </span><i><span style="font-weight: 400;">Auditório Finn Hudson</span></i><span style="font-weight: 400;">, a vice-presidente dos Estados Unidos Sue Sylvester sobe ao palco com uma mensagem que emocionalmente, colocou um ponto final na série:</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“No meu ponto de vista, o clube Glee não passava de um lugar onde vários covardes fracassados cantavam pra esquecer os problemas e ter a ilusão de viver num mundo que se importa com suas esperanças e sonhos. O que não tem nada a ver com a dureza do mundo real, onde não há lugar para decepções, mágoas e fracassos. E querem saber? Eu tinha razão. O clube Glee é exatamente isso. Mas errei com relação à covardia. É preciso muita coragem para ver o mundo não como é, mas como deveria ser.”  </span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">E com a última canção vista na série, afirmam que, apesar de tudo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E0yuz60ffmU"><span style="font-weight: 400;">eles viveram</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os membros do Novas Direções de todas as temporadas se juntam aos personagens que moldaram e fizeram de </span><i><span style="font-weight: 400;">Glee </span></i><span style="font-weight: 400;">o que é hoje: algo especial.</span></p>
<figure id="attachment_15016" aria-describedby="caption-attachment-15016" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15016" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-9.jpg" alt="" width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-9.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-9-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-9-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Imagem-9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15016" class="wp-caption-text">Cena do último episódio (Foto: Divulgação/Fox)</figcaption></figure>
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