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	<title>Arquivos Laurence Olivier &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 13:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36455" aria-describedby="caption-attachment-36455" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png" alt="Cena de Rebecca, Uma Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de duas mulheres. A mulher em primeiro plano, mais jovem, olha para a esquerda (fora da câmera) com uma expressão de apreensão ou incerteza. Ela tem cabelos cacheados e presos, e usa um vestido com ombros à mostra. Atrás dela, uma mulher mais velha, vestida com roupas escuras e gola alta de renda, olha intensamente na mesma direção, com uma expressão severa e quase ameaçadora. A iluminação destaca o rosto da mulher mais jovem, enquanto a outra permanece parcialmente nas sombras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36455" class="wp-caption-text">Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0ibGgldi5Y"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.</span></p>
<p><span id="more-36453"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1944) há a comparação entre a obra de Otto Preminger com o clássico de 1958, concebendo a ideia de que Hitchcock poderia ser de fato um maneirista – um cineasta que sente o peso da história do Cinema e busca ‘refilmar’ as grandes obras a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">maniera</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, este vai por um lado diferente. Observar sobre o ponto de vista do maneirismo, requer olhar de frente para trás – pensar como uma imagem tem outra, antecessora, por baixo –, porém, agora a linha de pensamento é de trás para frente, ou seja, como esse tema parece ser ‘aperfeiçoado’ na Sétima Arte.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1940), </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura </span></i><span style="font-weight: 400;">(1944) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958) lidam com a figura da mulher morta, cada um de uma forma diferente. Rebecca é quase um fantasma que possui os corpos de Mrs. Danvers (Judith Anderson) e Jack Favell (George Sanders); a memória de Laura (Gene Tierney) atormenta todos os homens do filme e Madeleine (Kim Novak) é revelada como uma personagem, ou seja, nunca viveu de fato. Nesse sentido, é quase um ‘aperfeiçoamento’ desse tropo narrativo, até chegar ao auge em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A conclusão de que a obra protagonizada por Kim Novak é o ápice se dá pelos longas subsequentes, como </span><a href="http://www.contracampo.com.br/94/pgobsession.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1976), </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">(1992), três obras que bebem claramente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Caí</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), escavando e deformando essas imagens.</span></p>
<figure id="attachment_36454" aria-describedby="caption-attachment-36454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de um casal. Um homem, usando chapéu e um sobretudo pesado, abraça uma mulher por trás. Ambos olham para a direita (fora da câmera) com expressões sérias e preocupadas. O olhar do homem é intenso e sombrio, enquanto o da mulher parece assustado ou ansioso. Ao fundo, desfocados, é possível ver os rostos de outras pessoas, sugerindo que eles estão no meio de uma multidão." width="800" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-768x584.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36454" class="wp-caption-text">Rebecca baseia-se em um best-seller da escritora inglesa Daphne Du Maurier (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é muito simplório encontrar valor em </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO1/benard-rebecca.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">apenas a partir de seu peso histórico. Como na maior parte da filmografia de Hitchcock, a encenação e a condução da trama são o que a tornam tão genial. O engano e a distração são ferramentas muito utilizadas pelo cineasta, geralmente de forma magistral. A cena inicial, em que o casal principal se conhece, suscita no público a ideia de que Max amava sua falecida esposa Rebecca, e, ao longo do enredo, a tese é reforçada a partir do ponto de vista de vários outros personagens. Nesse sentido, o Mestre do Suspense resguarda o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">POV</span></i><span style="font-weight: 400;">’ do viúvo, para que na meia hora final solte um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">que irá ressignificar toda a narrativa e tensionar as cenas subsequentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A não aparição – nem sequer em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nMi7aHh2ytg"><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– de Rebecca a transforma em uma figura indecifrável, cada menção ao seu nome causa uma sensação diferente: temor, respeito, admiração e leveza. O diretor permite que o público vá criando mentalmente sua própria versão dela, porém, esse fluxo narrativo é parte da sua ideia, pois, irá dar maior peso para a grande revelação – uma de suas marcas registradas –, e, a partir dela, já não será mais possível enxergá-la sob outras perspectivas diferentes da do Sr. de Winter.</span></p>
<figure id="attachment_36456" aria-describedby="caption-attachment-36456" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-17.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Nesta imagem em preto e branco, duas mulheres estão de costas e de lado, em um grande salão ou galeria. Elas olham para cima, admirando um retrato a óleo muito grande, de corpo inteiro, de uma mulher em um vestido de gala e chapéu, emoldurado de forma ornamentada. A mulher à esquerda na imagem usa um traje escuro e formal, com o cabelo preso. A mulher à direita usa roupas mais claras, com o cabelo solto até os ombros. A cena é capturada de um ângulo médio, destacando a imponência do retrato em relação às duas espectadoras." width="600" height="437" /><figcaption id="caption-attachment-36456" class="wp-caption-text">O final do livro e do filme são diferentes por causa do Código Hayes (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito significativo como a personagem principal não tem seu nome revelado, enquanto </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></a><span style="font-weight: 400;">, não apenas dá nome ao filme, como também é sempre mencionada. Ela vira a figura central, mesmo sem aparecer um minuto sequer. Dessa forma, Hitchcock transforma a própria protagonista em uma intrusa, e o fantasma de sua antecessora se torna mais vivo do que ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jogo de luz e sombras, os planos de </span><a href="https://letterboxd.com/cinematography/george-barnes-1/"><span style="font-weight: 400;">George Barnes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a construção cênica (Lyle Wheeler) e toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène </span></i><span style="font-weight: 400;">são pensados para dar vida a uma pessoa morta, ou, de maneira mais macabra, dar um aspecto fúnebre àquilo que está vivo. A residência Manderley se torna quase um personagem, mudando o tom da obra quando aparece. A mansão é quase que um castelo assombrado, sempre imponente, escuro e com capacidade de isolar seus personagens, mesmo estando sempre lotado. Nessa mesma pegada, Rebecca converte-se em um fantasma que vaga pelo castelo, possuindo o corpo de Mrs. Danvers, principalmente pela forma como Hitchcock e Barnes captam a empregada: pouco iluminada, de forma que não dê para ver o seu rosto, apenas o contorno do seu corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a tríade </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO6-7/brisseaupsychohitch.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1960), </span><i><span style="font-weight: 400;">Janela Indiscreta </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam as mais celebradas do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem logo atrás junto com tantas de suas obras. Como já dito anteriormente, talvez seja possível inferir que o longa foi uma espécie de busca, do Cinema, pela narrativa perfeita sobre a figura da mulher morta. Entretanto, com o passar dos anos, é perceptível que, na realidade, Rebecca também é e sempre foi, perfeita.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/">Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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