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	<title>Arquivos Lars von Trier &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Melancolia: 10 anos de colisão emocional</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Nov 2021 19:34:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A melancolia é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na escatologia, a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/melancolia-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Melancolia: 10 anos de colisão emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24126" aria-describedby="caption-attachment-24126" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-24126" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-1-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há uma mulher vestida de noiva à esquerda, uma criança de terno preto no centro e uma mulher de vestido cinza à direita. Os três estão em um gramado e ao fundo há uma mansão." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24126" class="wp-caption-text">Melancolia aborda em sua narrativa a objetificação das emoções (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2020/12/26/melancolia-o-que-e-e-como-lidar-com-ela.htm"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um estado de morbidez em que a pessoa apresenta abatimento físico e emocional. Esse sentimento tão comum é capaz de afetar qualquer pessoa independente das condições em que esta se encontra. Com o pensamento na </span><a href="https://veja.abril.com.br/blog/sobre-palavras/a-diferenca-entre-a-escatologia-e-a-escatologia/"><span style="font-weight: 400;">escatologia,</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trama se aproveita dessa condição emocional abstrata objetificando-a em um gigante planeta azul em rota de colisão com a Terra. A partir dessa premissa, a obra apresenta uma análise comportamental sobre duas irmãs e suas percepções com o fim da vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação entre psicologia, morbidez e arte é muito comum na cinematografia do repulsivo diretor dinamarquês Lars Von Trier, que ficou conhecido por suas polêmicas. Seus filmes costumam representar mulheres em estado de vulnerabilidade e inferioridade aos homens, sendo retratado diversas vezes de forma asquerosa o abuso e a violência contra a figura feminina.</span></p>
<p><span id="more-24125"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A misoginia do diretor já rendeu muitos problemas e sérios relatos de assédio </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/bjork-relata-assedio-sexual-cometido-por-diretor-dinamarques.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sexual</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como se não fosse o suficiente, o criador do movimento </span><a href="https://www.institutodecinema.com.br/mais/conteudo/movimentos-do-cinema-o-que-foi-o-dogma-95"><span style="font-weight: 400;">Dogma 95</span></a><span style="font-weight: 400;"> já causou polêmica ao referenciar o nazismo com </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/declaracao-nazista-de-lars-von-trier-choca-o-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">declarações antissemitas</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os discursos sórdidos fizeram com que o Festival de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></i><span style="font-weight: 400;"> vetasse sua participação, no ano em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia </span></i><span style="font-weight: 400;">foi lançado. Mesmo com essa situação horrível, Kirsten Dunst ganhou o Copa Volpi de Melhor Atriz, enquanto que o cineasta recebeu o título de </span><a href="http://g1.globo.com/festival-de-cannes/2011/noticia/2011/05/cannes-declara-von-trier-persona-non-grata-apos-citacao-nazista.html"><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> pela Academia.</span></p>
<figure id="attachment_24127" aria-describedby="caption-attachment-24127" style="width: 757px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24127" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-2-1-2.jpg" alt="Cena do filme Melancolia que apresenta uma mulher branca, loira, vestida de noiva correndo. Há diversas raízes que a prendem pela perna, dificultando sua fuga. No fundo da imagem aparecem mais árvores com cipó." width="757" height="426" /><figcaption id="caption-attachment-24127" class="wp-caption-text">A frustração com o casamento transborda por meio do sentimento melancólico de Justine (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa postura repugnante do diretor se reflete em seus filmes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, no caso, que é dividido em capítulos, se inicia com um prólogo em </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/super-slow-motion/"><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A cena já apresenta a amplitude da devastação que será abordada no decorrer da obra. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m9PiX0pMQMg"><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> da ópera de Richard Wagner como trilha sonora, o longa trabalha a introdução de seu filme de forma dramática com Justine (Kirsten Dunst) vestida de noiva e presa a raízes e Claire (Charlotte Gainsbourg) desesperada com a colisão do planeta Melancolia com a Terra. O drama prepara o telespectador para as questões emocionais a respeito do medo da morte e a prisão ao casamento, que são abordadas por partes na película.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o prólogo introdutório, começa a parte um do filme, nomeada como Justine. O primeiro ato de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> trata de uma mulher depressiva em seu casamento organizado pela sua irmã, Claire, que tenta contagiar a festa com sua felicidade. Durante o evento, a noiva não consegue se conter diante de sua frustração emocional, o que a distancia do convívio social. A cena demonstra o tratamento que pessoas no mesmo estado de Justine recebem da sociedade por meio do olhar de desprezo dos convidados. Outro </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-cores-e-filmes-simbologia-e-expressividade/"><span style="font-weight: 400;">simbolismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresentado na história de Justine são as amarras do casamento, representadas pelas raízes na introdução do longa. Toda essa situação, que torna a vida da personagem melancólica, se desenvolve bem lentamente, quase como se  a obra quisesse contaminar o telespectador com o estado emocional da protagonista, mas esse ritmo se altera conforme o foco da trama passa a ser Claire.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo ato, chamado de Claire, dá um novo rumo para a história. Focado na outra irmã, a história ganha um rumo interessante ao mostrar como esta lida com a ameaça do planeta Melancolia colidir com a Terra. O estado emocional de Claire passa da alegria para uma ansiedade melancólica, enquanto que Justine, já conformada com o fim súbito, se mantém serena frente a situação. Esse jogo psicológico do roteiro, em que as protagonistas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1NokYc8nn-k"><span style="font-weight: 400;">mudam de papéis</span></a><span style="font-weight: 400;">, projeta como as emoções são voláteis diante dos obstáculos enfrentados.</span></p>
<figure id="attachment_24128" aria-describedby="caption-attachment-24128" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-24128" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg" alt="Cena do filme Melancolia exibe uma mulher branca de cabelos castanhos, que veste uma camiseta cinza, e um homem branco de cabelos castanhos, que veste um paletó, observando o céu com um olhar de preocupação. Ao lado direito da cena há um telescópio branco e ao fundo se exibe um jardim." width="1000" height="562" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-3-10-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24128" class="wp-caption-text">Mesmo com medições constantes, John afirma que os planetas não irão colidir (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro personagem na trama é John (Kiefer Sutherland), marido de Claire. O cientista, frio e apático, apresenta-se sempre cético frente à órbita do planeta Melancolia cruzar com a da Terra. Esse movimento interplanetário, chamado de dança da morte, parece inconcebível para o homem convicto de seus cálculos. Por meio de suas certezas, ele tenta consolar a esposa, o que funciona até certo ponto, porém sua postura frívola acaba sendo ainda mais desestabilizante. Através do ceticismo de John, o filme se assemelha com outros do diretor, ao trabalhar a rigidez humana que se nega a enxergar o óbvio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de contemplar a extinção humana com uma colisão espacial, a cinematografia do dinamarquês já havia trabalhado a questão da escatologia em</span> <a href="https://www.planocritico.com/critica-o-anticristo/"><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o primeiro longa da Trilogia da Depressão, sucedido por </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/03/opinion/1391428140_828590.html"><i><span style="font-weight: 400;">Ninfomaníaca</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os três filmes não apresentam uma narrativa contínua, mas seu conteúdo apresenta certas similaridades, como a relação dos personagens com a violência, o niilismo e a animalização humana. Com o ideal pessimista da trilogia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> surge de </span><i><span style="font-weight: 400;">Anticristo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como marco da saída do diretor da depressão. Desse modo, a segunda película apresenta todo o ideal deprimente do cineasta, mas sem ser perturbador assim como os demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desse modo, na ausência do sentimento de agonia e desconforto tão comuns nos filmes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> se arrisca pela antítese emocional das personagens para narrar sua história. A trilha sonora repleta de músicas clássicas, a fotografia de Manuel Alberto Claro e os efeitos visuais de Peter Hjorth contribuíram para elevar o sentimento dualístico abordado na obra. Mas apesar de todos esses êxitos na elaboração da peça audiovisual, a produção não atinge um nível profundamente psicológico esperado. O aspecto da exploração da mente humana já havia sido melhor trabalhado anteriormente em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/idogvillei"><i><span style="font-weight: 400;">Dogville</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/dancando-no-escuro-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Dançando no Escuro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas o segundo filme da Trilogia da Depressão não vai além do jogo entre razão e emoção.</span></p>
<figure id="attachment_24129" aria-describedby="caption-attachment-24129" style="width: 710px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24129" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-4-6.jpg" alt="Tela do pintor John Everett Millais apresenta uma mulher branca, usando um vestido longo. O fundo e as laterais da imagem são repletas de vegetação e, ao centro, há um lago em que a jovem está afundando." width="710" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-24129" class="wp-caption-text">A tela Ophelia, de John Everett Millais, foi a inspiração para o pôster de divulgação de Melancolia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar de não apresentar grande profundidade de simbolismos psicológicos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói uma narrativa coesa repleta de similaridades com outras obras. A começar pelo prólogo dramático em </span><i><span style="font-weight: 400;">super slow motion</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma colisão de planetas guiado pelas notas vibrantes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tristão e Isolda</span></i><span style="font-weight: 400;">, que apresentam grande similaridade com as características de filmagem utilizadas por Stanley Kubrick em </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/2001-uma-odisseia-no-espaco-45-anos"><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisseia no Espaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto é a similaridade na construção da personalidade Justine com Ofélia de </span><a href="https://resenhandosonhos.com/hamlet-william-shakespeare/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamlet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ambas as personagens flertam com o niilismo e com a atração pela morte, sendo esse o motivo da calmaria da protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a aproximação do planeta desconhecido. Esse alinhamento cósmico, chamado de dança da morte, se aproxima também do conceito apresentado em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-setimo-selo/"><i><span style="font-weight: 400;">O Sétimo Selo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na película de Ingmar Bergman, em que a morte joga xadrez com um soldado das cruzadas que busca viver, o fim inevitável do ser humano recebe o mesmo nome que o cruzamento das órbitas da obra do dinamarquês. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação com a Arte é muito presente nas produções de Von Trier, que sempre conciliou o lado artístico com a morbidez de seus </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/o-estranho-mundo-de-lars-von-trier/"><span style="font-weight: 400;">filmes</span></a><span style="font-weight: 400;">, repletos de violência extrema, sexo explicito e mutilação. Mas, apesar dos êxitos, é importante não separar o artista da obra, como no caso no caso do diretor, que sempre refletiu seu lado sórdido em seus trabalhos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Melancolia</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais especificamente, não há cenas chocantes como essas. O rito de passagem que ele criou como saída da depressão fez com que um longa tão pessimista fosse, ao mesmo tempo, um de seus trabalhos mais artísticos, com a fotografia de Manuel Alberto Claro impecável e uma trilha sonora comovente. A tragédia já anunciada no prólogo permite ao menos a contemplação da imensidão azul do planeta Melancolia.</span></p>
<figure id="attachment_24130" aria-describedby="caption-attachment-24130" style="width: 638px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24130" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/Imagem-5-5.jpg" alt="Cena do filme Melancolia em que há duas mulheres e uma criança distantes, sentados dentro de uma cabana de gravetos montada em um gramado. Ao fundo da imagem há um planeta azul em rota de colisão com a Terra." width="638" height="359" /><figcaption id="caption-attachment-24130" class="wp-caption-text">A dança da morte leva Melancolia ao seu fatídico fim (Foto: Zentropa Entertainments)</figcaption></figure>
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		<title>Dançando no Escuro: 20 anos do musical mais triste do mundo</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2020 19:46:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Humberto Lopes Dançando no Escuro, Dancer in the Dark no idioma original, completa 20 de anos de legado como o musical mais triste de toda a história do cinema. A obra lançada em 2000 é a primeira produção do gênero da carreira de Lars Von Trier, polêmico diretor dinamarquês que assinou o roteiro e direção &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dancando-no-escuro-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dançando no Escuro: 20 anos do musical mais triste do mundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_17563" aria-describedby="caption-attachment-17563" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17563 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-2-1-1.jpg" alt="Cena do filme Dançando no Escuro. A imagem mostra Björk vestida de funcionária de fábrica, no meio de um corredor com aparência industrial. Ela veste um avental preto, touca branca e óculos." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-2-1-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-2-1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-2-1-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17563" class="wp-caption-text">Björk no set de Dançando no Escuro (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Humberto Lopes</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><em>Dançando no Escuro</em>, <em>Dancer in the Dark </em>no idioma original, completa 20 de anos de legado como o musical mais triste de toda a história do cinema. A obra lançada em 2000 é a primeira produção do gênero da carreira de Lars Von Trier, polêmico diretor dinamarquês que assinou o roteiro e direção do longa-metragem estrelado pela cantora islandesa Björk.</span></p>
<p><span id="more-17561"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa no interior dos Estados Unidos nos anos 60 e gira em torno da vida de Selma Jezkova (Björk), uma imigrante tcheca que está ficando cega. Ela trabalha arduamente em uma metalúrgica com o objetivo de juntar dinheiro para poder pagar uma cirurgia para o seu filho Gene</span><span style="font-weight: 400;"> (</span><span style="font-weight: 400;">Vladica Kostic), que sofre da mesma doença hereditária degenerativa que leva, lentamente, à cegueira da personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade miserável, Selma tem nos musicais de </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;"> a sua válvula de escape para o mundo trágico em que habita. A protagonista vive esses pequenos momentos de felicidade junto de sua amiga Kathy (Catherine Deneuve), que durante as sessões no cinema narra e representa com os dedos nas palmas das mãos de Selma o que está acontecendo nas cenas.</span></p>
<figure id="attachment_17570" aria-describedby="caption-attachment-17570" style="width: 427px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17570 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-1-1-1.jpg" alt="A imagem mostra Bjork de olhos fechados e sorrindo no canto inferior esquerdo. Acima, foi adicionado o título do filme, comentários da crítica elogiando a performance, e os prêmios recebidos no Festival de Cannes. " width="427" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-1-1-1.jpg 427w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-1-1-1-200x300.jpg 200w" sizes="auto, (max-width: 427px) 85vw, 427px" /><figcaption id="caption-attachment-17570" class="wp-caption-text">Pôster do filme (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre operar máquinas em meio aos ruídos de uma indústria metalúrgica e juntar cada centavo em busca de curar seu filho, Selma foge do mundo em transes por meio dos musicais que ela mesmo interpreta com a ajuda do universo que a cerca, e aí entendemos a escolha de Björk para o papel. </span><span style="font-weight: 400;">As cenas musicais são impecáveis, é quase inimaginável que outra atriz poderia encarnar tão bem a personalidade e peculiaridades de Selma, e a islandesa consegue isso com a maior entrega de toda a filmografia de Lars Von Trier. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não foi à toa que o filme foi vencedor do prêmio de Melhor Atriz e da Palma de Ouro no Festival de Cannes, maior troféu da cerimônia. </span><span style="font-weight: 400;">Mesmo aclamado, <em>Dançando no Escuro</em> foi e ainda é um filme difícil, e isso reflete em toda a situação que Selma é colocada. Com a piora da cegueira, que todos até então não sabiam, ela se desconcentra em um dos transes musicais e quebra uma das máquinas da operação, o que resulta em sua demissão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Dançando No Escuro - Trailer (2000)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/cM7FyvdkbZw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Como em todos os filmes de Lars Von Trier, o sofrimento </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/800/as-mulheres-nos-filmes-de-lars-von-trier"><span style="font-weight: 400;">feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> é explorado ao máximo. Selma se vê traída por Bill (David Morse), policial que junto com sua esposa Linda (Clara Seymour) aluga um trailer para a operária morar com o filho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao revelar a sua cegueira progressiva para o amigo e o segredo do dinheiro guardado para a cirurgia de Gene, surge o aspecto mais comum da crueldade humana que o diretor dinamarquês exibe constantemente em sua filmografia. Doce e gentil, Selma tem todo o seu dinheiro roubado e não tem outra opção que não seja tentar recuperar a única forma de salvar o seu filho do terrível destino que o espera.</span></p>
<figure id="attachment_17571" aria-describedby="caption-attachment-17571" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17571 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-3-1-1.jpg" alt="Cena do filme Dançando no Escuro. A imagem mostra Björk em um tribunal, olhando para a frente. O tribunal tem outras pessoas sentadas ao fundo." width="560" height="334" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-3-1-1.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-3-1-1-300x179.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /><figcaption id="caption-attachment-17571" class="wp-caption-text">Selma em seu julgamento (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena do confronto entre os dois se desenrola em um clima lento de suspense que leva ao inevitável, Selma mata Bill e entra em mais um transe, protagonizando um de seus mais peculiares delírios até então. O dueto musical que se desenrola entre o cadáver e a imigrante soa estranho, mas é preenchido de um presságio. Tudo vai piorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo conseguindo fugir da cena do crime com o dinheiro e pagar a cirurgia de Gene, a imigrante já tinha o futuro traçado pela desgraça, e é presa acusada de homicídio. A prisão aconteceu durante o ensaio do musical <em>A Noviça Rebelde</em> (<em>The Sound of Music</em>), que ela seria a protagonista. Neste momento é perceptível como o comportamento de todos em relação a ela muda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica de Lars Von Trier aos Estados Unidos e o modo de vida do país é constantemente colocada em cena, mas seu ápice é demonstrado no julgamento de Selma, que é acusada de ser uma cruel assassina e simpatizante do comunismo, por conta da origem tcheca. Até a cegueira de Selma é colocada em xeque diante do júri, que sentencia a imigrante à morte.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="07 Björk -  My Favorite Things" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ivVJEO5UEFU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a progressão da cegueira e sozinha na prisão esperando a morte, ela pode contar apenas com a confiança de Kathy e Jeff (Peter Stormare), que é apaixonado por ela. Selma aceita o implacável destino, diante que seu filho tenha a chance de fazer a cirurgia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No ambiente silencioso e solitário da cela Selma entra em seu último transe, e a versão mais triste já gravada de </span><i><span style="font-weight: 400;">My Favourite Things</span></i><span style="font-weight: 400;">, do musical <em>A Noviça Rebelde</em>,</span> <span style="font-weight: 400;">é cantada aos prantos por uma mulher que sabe que não há volta, mas tenta mesmo assim buscar em sua fatalidade o mínimo de felicidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O clímax do filme avança em uma angustiante nuvem de tristeza, e apesar da mínima chama de esperança, que em nenhum momento o filme cria, mas é inevitável ao telespectador, temos uma Selma que se dirige contando passo a passo o seu rumo em direção a forca, e ao entoar uma última canção, em desespero, uma mulher inocente morre.</span></p>
<figure id="attachment_17574" aria-describedby="caption-attachment-17574" style="width: 1502px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-17574 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bjork-dancando-no-escuro.jpg" alt="Cena do filme Dançando no Escuro. A imagem mostra uma mulher loira com as mãos no rosto de Björk, que olha para seu rosto e sorri. " width="1502" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bjork-dancando-no-escuro.jpg 1502w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bjork-dancando-no-escuro-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bjork-dancando-no-escuro-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bjork-dancando-no-escuro-768x511.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/bjork-dancando-no-escuro-1200x799.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17574" class="wp-caption-text">Cena do filme (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A cena é horripilante. Björk canta a plenos pulmões </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eles dizem que essa é a última canção, eles não nos conhecem, sabe. É apenas a última canção, se deixarmos que seja” </span></i><span style="font-weight: 400;">e o corpo de Selma caí pendurado na forca. É o fim de uma trajetória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um final devastador e combina com toda a estética do longa-metragem, gravado nos moldes do </span><em><a href="https://www.aicinema.com.br/dogma-95/"><span style="font-weight: 400;">Dogma 95</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, movimento de Lars von Trier e Thomas Vinterberg. Juntos, criaram uma série de regras com o objetivo de produzir filmes com o máximo de realidade possível, fugindo dos aspectos comerciais das produções da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A filmagem crua, despida de efeitos e iluminação especial, com cenas gravadas a mão e tremidas causam estranhamento à primeira vista, mas são essenciais para entender o movimento. Este impactou a produção independente dinamarquesa com a realização de filmes de baixo custo e colocou no mundo clássicos como <em>Festa de Família (Festern)</em>, de Vinterberg, e <em>Os Idiotas (Idioterne)</em>, dirigido por Lars von Trier, ambos lançados em 1998.</span></p>
<figure id="attachment_17572" aria-describedby="caption-attachment-17572" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17572" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-4-1-1.jpg" alt="" width="550" height="415" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-4-1-1.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-4-1-1-300x226.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-17572" class="wp-caption-text">Certificado para os filmes que seguiam o Dogma 95 (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser influenciado pelo <em>Dogma 95</em>, Dançando no Escuro não se encaixa em todos os parâmetros da escola, o principal motivo deles é ser um musical. Entretanto, em sua essência o filme certamente trabalha com todas as outras características que fazem dele um produto do gênero tão único.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu lançamento, em 2000, a produção já gerava reações conflitantes de quem foi até os cinemas chorar a dor de Selma, mas a discussão em torno do longa só cresceu nos últimos anos, especialmente no que se refere ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/11/1935077-produtora-de-lars-von-trier-e-investigada-apos-acusacoes-de-assedio.shtml"><span style="font-weight: 400;">diretor</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">A história do esgotamento físico e psicológico que Björk sofreu durante as gravações já era conhecida há anos. Durante as filmagens, que aconteceram na Suíça, a atriz chegou a fugir sem deixar pistas, só retornando devido à insistência de amigos.</span></p>
<figure id="attachment_17573" aria-describedby="caption-attachment-17573" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-17573" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5.jpeg" alt="" width="2048" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5-300x188.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5-1024x640.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5-1536x960.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/12/FOTO-5-1200x750.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-17573" class="wp-caption-text">Lars Von Trier e Björk (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a história completa por trás dos motivos da fuga de Björk só foi revelada em 2018. Devido a influência do movimento <em>#MeToo</em>, que mobilizou diversas atrizes a relatarem casos de assédio em Hollywood, a protagonista de <em>Dançando no Escuro</em> finalmente quebrou o silêncio sobre a </span><a href="https://www.papelpop.com/2017/10/bjork-relembra-assedio-de-lars-von-trier-e-diz-que-confrontar-e-necessario/"><span style="font-weight: 400;">experiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o diretor Lars Von Trier.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No <em>post</em>, em sua página do <em>Facebook</em>, a cantora manifestou apoio ao movimento e citou o seu caso de assédio com um cineasta dinamarquês. Após o diretor negar as acusações, Björk deu detalhes sobre o caso de assédio que sofreu nas gravações.</span></p>
<div class="fb-post" data-href="https://www.facebook.com/bjork/posts/10155782628166460" data-width="552"></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Na época do lançamento do filme, Björk prometeu que nunca mais voltaria a atuar, talvez devido aos traumas da gravação, mas 20 anos depois ela divulgou sua volta aos cinemas em <em>The Northman</em>, do diretor Robert Eggers, previsto para ser lançado no próximo ano. </span><span style="font-weight: 400;">O mundo terá mais uma chance de ver a islandesa mostrar o seu talento, que em <em>Dançando no Escuro</em> é fora do convencional, com uma entrega emocional que tem a marca visceral da cantora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvidas <em>Dançando no Escuro</em> é um musical para chorar de tristeza, não há no filme a mesma válvula de escape que Selma encontra nos clássicos. E na filmografia de Lars Von Trier, o longa é mais um na lista de sadismos do diretor, que não perde a oportunidade de criar uma obra com mulheres que sofrem o pior, assim como as suas atrizes. </span><span style="font-weight: 400;">Mas, apesar de toda a polêmica, é certo que sem Björk esse filme nunca poderia ter acontecido, nem deveria ser cogitado, e o sentimento catártico gerado pelo talento da atriz faz com que a experiência de assistir, pelo menos uma vez, seja obrigatória.</span></p>
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