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	<title>Arquivos Kaiju &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Robôs gigantes salvaram o Cinema com o poder da amizade em Círculo de Fogo</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 18:18:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Larissa Mateus &#8220;Sempre pensávamos que vida alienígena viria das estrelas, mas veio das profundezas do mar&#8220;, explica o protagonista Rayleigh nos primeiros segundos do filme sobre a reviravolta que seu mundo sofreu, cuja consequência foi uma guerra contra seres de fora do planeta que durou mais de dez anos. Círculo de Fogo (2013) constrói um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circulo-de-fogo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Robôs gigantes salvaram o Cinema com o poder da amizade em Círculo de Fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33476" aria-describedby="caption-attachment-33476" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-33476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4.jpg" alt="Imagem de divulgação do filme “Círculo de Fogo” (2013). Em um mar turbulento e céu fechado, quatro robôs gigantes se preparam para lutar. A câmera está inclinada para cima, mostrando a grandiosidade das máquinas. no canto inferior esquerdo há um navio tentando escapar das ondas geradas pelos robôs. Mais à esquerda está o Jaeger de três braços “Crimson Typhoon”, distante porém correndo em direção à câmera. Sua lataria é vermelha e ele possui um único olho brilhante. Ao centro e mais a frente está “Gypsy Danger”, com armadura azulada e um centro de energia que brilha vermelho em seu peito. Dois helicópteros a rodeiam. À direita de Gypsy está “Eureka Striker”, com os braços robóticos armados com duas gigantes facas de duas lâminas e lataria prata metálica. Por fim, mais distante à direita está “Cherno Alpha”, de cor verde e cabeça semelhante a uma torre." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image4-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33476" class="wp-caption-text">“A sorte favorece os corajosos, cara” (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Larissa Mateus</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre pensávamos que vida alienígena viria das estrelas, mas veio das profundezas do mar</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, explica o protagonista Rayleigh nos primeiros segundos do filme sobre a reviravolta que seu mundo sofreu, cuja consequência foi uma guerra contra seres de fora do planeta que durou mais de dez anos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013) constrói um plano de fundo que se leva extremamente a sério, mas lava seus elementos realistas com as verdades de sua narrativa: a pura </span><a href="https://talkfilmsociety.com/articles/pacific-rim-guillermo-del-toro-kaiju-jaeger"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a total admiração por robôs gigantes batendo em alienígenas ainda maiores. </span></p>
<p><span id="more-33470"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse clássico recente da ficção científica completou uma década em 2023 e envelheceu como vinho devido ao carinho do diretor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/guillermo-del-toro/"><span style="font-weight: 400;">Guillermo Del Toro</span></a><span style="font-weight: 400;">. O cuidado e a afeição tanto de Del Toro quanto de seu time de produção transparece em cada cena, e demonstra uma sincera homenagem às animações japonesas de</span> <a href="https://cosmonerd.com.br/animes-e-mangas/mecha-o-subgenero-dos-robos-gigantes/"><i><span style="font-weight: 400;">mechas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/evangelion-thrice-upon-a-time-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Evangelion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1997), e aos clássicos do gênero </span><a href="https://formigaeletrica.com.br/cinema/artigos/introducao-aos-kaiju/"><i><span style="font-weight: 400;">Kaiju</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1954). O típico romantismo das obras do diretor, evidenciado em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Forma da Água</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017), não está presente em sua literalidade – ou literariedade – aqui. Sua paixão, porém, ainda se manifesta nas características irreverentes do gênero, a exemplo do próprio sentimentalismo que constrói o caráter nostálgico do filme. </span></p>
<figure id="attachment_33474" aria-describedby="caption-attachment-33474" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33474" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2.jpg" alt="Gravação de uma cena dentro de um Jaeger em Círculo de Fogo (2013). Em frente a uma tela verde está construído um cenário que simula o ambiente dentro de um robô gigante, enquadrando a foto com engrenagens e pistões vermelho-brilhantes simetricamente em ambos os lados. Ao centro está o painel de controle, e duas pessoas ao seu lado em pé, porém conectadas nos braços, pernas e capacetes ao resto da maquinaria. Suas armaduras e equipamentos são cinzentos, e os botões no painel de controle são amarelos e contam com duas telas azuis." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33474" class="wp-caption-text">Além dos efeitos digitais de grande escala, todas as cenas dentro dos Jaegers tiveram efeitos práticos (Foto: Roadshow Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais elementos que demonstra a profundidade de pensamento do diretor é a construção do mundo. A sociedade retratada em </span><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é complexa e interessantíssima, mesmo que seja apenas para a </span><a href="https://atenaeditora.com.br/catalogo/post/imaginario-multiculturalismo-e-apocalipse-no-filme-circulo-de-fogo"><span style="font-weight: 400;">ambientação da narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não para o próprio enredo. Cada minúcia de um planeta em guerra contra alienígenas colonizadores foi pensada: desde itens, como uma nova arquitetura para proteger as cidades desses gigantes, novas alianças políticas entre países e até uma crise ambiental causada pelo sangue extraterrestre derramado. O resultado é um mundo nítido e vívido que, embora distópico, desperta a vontade de vivenciá-lo em toda a sua tatilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de colorido e bem construído, a cinematografia deixa a desejar, por vezes, caindo em um </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/robotica/44450-uncanny-valley-o-abismo-entre-o-real-e-a-simulacao.htm"><i><span style="font-weight: 400;">uncanny valley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na gradação de cores. O filme é gravado de maneira inteiramente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cfNKtxGMHig"><span style="font-weight: 400;">digital</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que faz os tons de preto serem extremamente profundos e o contraste entre as cores seja forte demais em alguns enquadramentos. O objetivo é claro: facilitar ainda mais a conexão do filme às animações japonesas – porém, em um filme live action, essa saturação de cores pode destoar demais da realidade pintada. O principal exemplo é o do palácio dourado do criminoso Hannibal Chau, interpretado pelo sempre ilustre e caricato Ron Perlman. A cena é dirigida com maestria, mas a dor de cabeça causada pela combinação enojante de verde e amarelo, não tanto.</span></p>
<figure id="attachment_33473" aria-describedby="caption-attachment-33473" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-33473" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3.jpg" alt="Cena de Hannibal Chau em seu castelo do crime no filme Círculo de Fogo (2013). Chau é interpretado por Ron Pearlman, um homem branco de cabelos e barba brancos e porte médio. Ele traja óculos escuros e um terno de três peças vermelho, de o blazer e calça bordô com detalhes intrincados e colete vermelho vívido com uma corrente dourada acoplada, além de uma gravata também dourada. Ele está com os dois braços para cima e com as mãos abertas, com uma expressão séria no rosto. Ao fundo estão prateleiras cheias de jarras brilhantes verdes e amarelas com órgãos amorfos de Kaiju, enquadradas entre dois armários de madeira de gavetas quadradas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33473" class="wp-caption-text">Ron Perlman interpreta Hannibal Chau, um traficante de órgãos de Kaiju (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro desse universo extremamente detalhado, a narrativa se contrapõe em sua simplicidade, tendo sua trama focada apenas em entregar a ação mais bombástica possível. O roteiro de Travis Beacham e Guillermo del Toro, inclusive, perdeu um pouco de seu impacto com a idade: o </span><a href="https://pacificrim.fandom.com/wiki/Timeline_(Pacific_Rim)"><span style="font-weight: 400;">futuro distópico</span></a><span style="font-weight: 400;"> da década de 2020 mostrado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> virou piada agora que enfrentamos coisas talvez piores. Em 2013, a maior ameaça imaginada do então futuro próximo eram as consequências sociopolíticas de invasões extraterrestres. No verdadeiro 2020, a humanidade foi dizimada por algo mais próximo de um filme de zumbis do que de uma espalhafatosa guerra entre </span><i><span style="font-weight: 400;">mechas </span></i><span style="font-weight: 400;">e monstros gigantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama pode ter perdido certa essência com o passar dos anos, mas sua construção continua sendo ideal para o produto que deseja ser. A lógica do longa-metragem trabalha com o contratempo de uma história despretensiosa, enquanto investe em todos os outros aspectos de produção para elevá-la a uma </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/149377-30-maiores-filmes-ficcao-cientifica-decada-passada.htm"><span style="font-weight: 400;">ficção científica inesquecível</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_33472" aria-describedby="caption-attachment-33472" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33472" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/IMAGEM-4.gif" alt="GIF do filme Círculo de Fogo (2013). O Mecha gigante Gypsy Danger está em centro, e acerta o punho esquerdo em sua palma direita, enquanto quatro pessoas, identificadas apenas como silhuetas de costas à câmera, o assistem de uma plataforma ao nível do peito do robô. Danger possui um visor dourado, e sua lataria é cinza escura. Em seu peito está seu gerador de energia, uma gigante e giradora válvula de escape que brilha laranja. O fundo mostra o galpão repleto de holofotes em que os Jaegers residem." width="500" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-33472" class="wp-caption-text">A melhor arma contra um Kaiju é um soco bem dado (GIF: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos principais elementos mais enaltecedores do filme é a atuação, novamente sendo mais um fator responsável por transformar o roteiro em um empolgante espetáculo. As personagens estereotipadas ganham uma nova dimensão com a clara paixão dos atores neste projeto. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-esquadrao-suicida-critica/"><span style="font-weight: 400;">Idris Elba</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Stacker Pentecost, por exemplo, representa o típico e estóico general com um coração de ouro, e entrega o melhor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-7Sow81yi24"><span style="font-weight: 400;">discurso inspirador de fim de mundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da última década. O personagem que, até então, não havia expressado abertamente a profundidade de seu apreço pelas pessoas à sua volta, traz na fala a esperança de alguém que, mesmo nas mais sombrias circunstâncias, encontra a solução de todas as angústias em confiar na comunidade que construiu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros destaques são Burn Gorman e Charlie Day, que dão vida, respectivamente, ao matemático Hermann Gottlieb e ao xenobiólogo e roqueiro Newton “Newt” Geiszler. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8an--OL80DE"><span style="font-weight: 400;">Os cientistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivem um relacionamento conturbado, trazendo um humor indispensável para dar leveza à tensão constante da história. Entre suas disputas filosóficas e briguinhas infantis, o par de inimigos com tensão homoerótica palpável descobre o quanto verdadeiramente se importam um com o outro, e, trabalhando juntos, conseguem unir a sistemática matemática com a fluidez da biologia para cancelarem o apocalipse. </span></p>
<figure id="attachment_33475" aria-describedby="caption-attachment-33475" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/image1.gif" alt="GIF do filme Círculo de Fogo (2013). Em frente à um fundo desfocado, repleto de luzes futuristas, os cientistas Hermann Gottlieb e Newton Geiszler sorriem com alívio. Newton é um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, que veste um óculos preto, uma jaqueta de couro, blusa branca e uma gravata desatada. Ele está machucado, com um ferimento na testa e na bochecha, e seu sangue mancha a gola da blusa. Newton está com a mão no ombro de Hermann, chacoalhando-o levemente. Hermann também é um homem branco, mais alto, e veste camiseta branca, colete de tricô e um paletó preto. Seu cabelo é preto e está suado, grudado em sua testa." width="500" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-33475" class="wp-caption-text">Apesar de suas diferenças, Hermann e Newt reconhecem a profundidade e importância de sua conexão para combater o fim do mundo (GIF: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além das minúcias, o prato principal desse banquete visual é a ação temperada pela Música. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1vU7XqToZso"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Ramin Djawadi transforma o impacto de cada soco em algo sentido não só pela gigante massa dos</span> <span style="font-weight: 400;">monstros dentro do filme, mas também pela própria plateia. Aliás, a composição contém um toque de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> dentro das cordas mais tradicionais e inspiradoras, além de batidas pesadas e elementos eletrônicos típicos de composições mais futurísticas. A ação torna-se visceral no momento em que soma-se à violência analógica dos robôs gigantes, os </span><i><span style="font-weight: 400;">Jaegers</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando atingem um </span><i><span style="font-weight: 400;">Kaiju</span></i><span style="font-weight: 400;"> desprevenido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os designs dos </span><i><span style="font-weight: 400;">mechas</span></i><span style="font-weight: 400;"> são perfeitamente distinguíveis entre si, cheios de personalidade e detalhes individualizadores que conseguem transformar aquelas máquinas gigantes em seus próprios personagens. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">Jaegers</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais novos, como o australiano Striker Eureka, têm </span><i><span style="font-weight: 400;">designs</span></i><span style="font-weight: 400;"> limpos e minimalistas, dando a impressão de leveza e agilidade. Os mais antigos, por sua vez, como o protagonista Gypsy Danger</span> <span style="font-weight: 400;">e o russo Cherno Alpha, contam com características no âmbito do </span><a href="https://portal.sescsp.org.br/online/artigo/12314_MAS+O+QUE+E+STEAMPUNK"><i><span style="font-weight: 400;">steampunk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dado o brilho de energia futurística fluindo entre canos, polias e pistões antiquados visíveis. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pacific Rim - &quot;Jaegers: Mech Warriors&quot; Featurette" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/pn0MenBcz_s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenho autômato desses robôs preservou de maneira espetacular os efeitos especiais do filme, aparentando ser bem mais palpáveis que </span><a href="https://www.cbr.com/why-old-cgi-better-than-new-movies/#:~:text=The%20Causes%20for%20the%20Drop%20in%20CGI%20Quality%20Are%20Widespread&amp;text=One%20major%20issue%20facing%20the,hardware%20can%20drive%20up%20costs."><span style="font-weight: 400;">muitos atualmente</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente em sua violência. A brutalidade é física em todos os aspectos, já que a tecnologia na história do longa não é futurista o suficiente para impedir o fato da melhor solução para combater um alienígena gigante ser uma espada bem enfiada no coração ou um chute nas costelas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Círculo de Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> demonstrou que é possível, sim, fazer um filme de qualidade com uma premissa boba, desde que seja construído com todo o amor e dedicação de uma equipe motivada a entender nuances da ficção científica. Em seus dez anos de história, o longa trouxe vitalidade a um gênero mais </span><a href="https://gamerant.com/giant-robot-movies/"><span style="font-weight: 400;">reservado às animações</span></a><span style="font-weight: 400;">, e provou que um apreço genuíno dentro da produção de um filme é o suficiente para cultivar um grupo de fãs dedicados. Esses que nunca esquecerão como a conexão entre as pessoas é o suficiente para pilotar um robô de guerra e impedir o apocalipse. </span></p>
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		<title>Godzilla Minus One é uma carta de amor aos fãs do universo do Kaiju</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Feb 2024 21:47:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Flora Vieira e Nathan Sampaio Indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais, Godzilla Minus One é a nova empreitada da produtora Toho para a franquia do monstro radioativo, entre nós desde 1954. Escrito e dirigido por Takashi Yamazaki, também responsável pelo CGI, o filme teve um orçamento calculado que varia de US$ 10 a 15 &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/godzilla-minus-one-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Godzilla Minus One é uma carta de amor aos fãs do universo do Kaiju"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32509" aria-describedby="caption-attachment-32509" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32509" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1.jpg" alt="Cena do filme Godzilla: Minus One. A personagem Noriko, branca, de olhos castanhos e cabelo preto liso, ao caminho do trabalho em um trem, encara a criatura, que se assemelha a um lagarto que caminha em duas patas, pelo reflexo da janela." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32509" class="wp-caption-text">O longa se destaca pelo seu foco nos dramas do pós-guerra e no terror dos ataques do Godzilla (Foto: Toho Company)</figcaption></figure>
<p><b>Flora Vieira e Nathan Sampaio</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhores Efeitos Visuais, </span><a href="https://youtu.be/FDrdUdvtLVI?si=vVtP8PLqe-2v6tAu"><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla Minus One</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é a nova empreitada da produtora </span><i><span style="font-weight: 400;">Toho </span></i><span style="font-weight: 400;">para a franquia do monstro radioativo, entre nós desde 1954. Escrito e dirigido por Takashi Yamazaki, também responsável pelo CGI, o filme teve um orçamento calculado que varia de US$ 10 a 15 milhões. Seu primo americano, lançado em 2014 e considerado o </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i><span style="font-weight: 400;"> da franquia em terras ocidentais, em comparação, custou US$ 160 milhões.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Sua indicação não é à toa. Com um </span><a href="https://cinepop.com.br/diretor-de-godzilla-minus-one-se-recusa-a-revelar-o-orcamento-do-filme-entenda-472971/#:~:text=Desde%20o%20in%C3%ADcio%20da%20produ%C3%A7%C3%A3o,conta%20com%20incr%C3%ADveis%20efeitos%20visuais."><span style="font-weight: 400;">pequeno orçamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e uma equipe reduzida, os efeitos alcançam um primor técnico invejável a qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster</span></i><span style="font-weight: 400;"> produzido pelos Estados Unidos, num triunfo alcançado pelo diretor outras vezes, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SGEOkMTkTmA"><i><span style="font-weight: 400;">Lupin III: The First</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019). Competindo com o novo </span><a href="https://personaunesp.com.br/missao-impossivel-acerto-de-contas-parte-1-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Missão Impossível &#8211; Acerto de Contas Parte 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Guardiões da Galáxia Vol. 3</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambos com orçamentos que beiram os US$ 200 milhões, o longa faz história na categoria e tem </span><a href="https://www.termometrooscar.com/melhor-efeitos-visuais.html"><span style="font-weight: 400;">boas chances de vitória</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32507"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">Koichi (Ryūnosuke Kamiki) é um veterano da </span><a href="https://www.historiadomundo.com.br/idade-contemporanea/segunda-guerra-mundial-na-asia.htm"><span style="font-weight: 400;">Segunda Guerra Mundial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que presenciou um monstro gigantesco matar quase todos os soldados de uma base japonesa, sendo um dos únicos sobreviventes. Nos anos seguintes ao ataque, ele tenta reconstruir sua vida junto de duas vítimas da devastação do Japão, Noriko (Minami Hamabe) e Akiko (Sae Nagatani). Porém, o sofrimento volta à tona quando Godzilla ameaça atacar Tóquio.</span></p>
<figure id="attachment_32511" aria-describedby="caption-attachment-32511" style="width: 1196px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32511" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3.png" alt=" Cena do filme Godzilla Minus One. Tem uma pessoa na imagem. No centro da imagem está Koichi, um homem adulto, asiático, de olhos castanhos e cabelo preto e liso. Ele usa uma camisa branca, uma jaqueta de pelos marrom e tem um curativo na cabeça. Ele olha para cima com medo, no fundo da imagem tem destroços de prédios." width="1196" height="798" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3.png 1196w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image4-3-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32511" class="wp-caption-text">Koichi sofre da síndrome do sobrevivente, que o impede de continuar sua vida no pós-guerra (Foto: Toho Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme surge como uma homenagem ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r4hXhtw-iGg"><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1954</span></a><span style="font-weight: 400;">, filme que iniciou a franquia e popularizou o </span><a href="https://nexogeek.com.br/glossario/o-que-e-kaiju/"><i><span style="font-weight: 400;">Kaiju</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Durante a </span><a href="https://gizmodo.uol.com.br/godzilla-veja-os-bastidores-do-1o-filme-japones-do-monstro-em-1954/"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> do primeiro longa, os japoneses tentavam reconstruir sua nação após a devastação da guerra e do trauma das bombas atômicas. Com base nessa angústia, surge o monstro colossal que personifica o medo de um novo ataque atômico e as consequências sociais e ambientais que vieram do bombardeio. Mais do que uma história de criatura, a obra dos anos 1950 é um retrato de um povo destruído e amedrontado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o passar do tempo, o significado original do monstro se perdeu, dando espaço para histórias mais leves e divertidas de </span><a href="https://estacaonerd.com/conheca-os-10-maiores-inimigos-de-godzilla-classificados-do-pior-para-o-melhor/"><span style="font-weight: 400;">lutas entre seres imensos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e o medo deu lugar à afeição. Mais recentemente, a </span><a href="https://tokusatsu.blog.br/toho/"><i><span style="font-weight: 400;">Toho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produtora da narrativa de 2024, tem se empenhado em resgatar a origem do Godzilla, afinal seus temas ainda são atuais e merecem atenção. Essa intenção deu espaço para obras pesadas, angustiantes e amedrontadoras, no melhor sentido possível.</span></p>
<figure id="attachment_32512" aria-describedby="caption-attachment-32512" style="width: 1245px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32512" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-1.jpg" alt="Cena do filme Godzilla Minus One.A imagem é enquadrada na altura dos seres humanos, que observam, atônitos e de costas para a câmera o Godzilla, que está destruindo e explodindo um prédio da cidade. O cenário é Tóquio, e além do Godzilla, as pessoas na imagem enxergam uma explosão causada pelo monstro." width="1245" height="830" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-1.jpg 1245w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32512" class="wp-caption-text">Os responsáveis pelos efeitos visuais do filme são Takashi Yamazaki, Kiyoko Shibuya, Masaki Takahashi e Tatsuji Nojima (Foto: Toho Company)</figcaption></figure>
<p><a href="https://youtu.be/3qX1ZU3jcfU?si=z0wLZ-wHB0-HE42x"><i><span style="font-weight: 400;">Shin Godzilla</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2016, é o antecessor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">reboot</span></i><span style="font-weight: 400;"> da franquia no Japão, que não recebia um filme novo desde </span><a href="https://youtu.be/s6qjTUzkNYk?si=yT_6aYHwsFjISs8Q"><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla: A Batalha Final</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2004. Diferente do mais recente, ele aposta numa versão do monstro que discute o desastre nuclear de </span><a href="https://www3.nhk.or.jp/nhkworld/pt/news/backstories/2389/"><span style="font-weight: 400;">Fukushima</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 2011, e a inércia do governo japonês diante do acidente. Dirigido por </span><a href="https://evangelionbr.com/2014/08/07/conheca-um-pouco-sobre-hideaki-anno/"><span style="font-weight: 400;">Hideaki Anno</span></a><span style="font-weight: 400;">, o mesmo autor do anime </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zEnsYn43TpA"><i><span style="font-weight: 400;">Evangelion</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1995), </span><i><span style="font-weight: 400;">Shin</span></i><span style="font-weight: 400;"> é episódico e sem relação com o resto da franquia, um tanto errático, assim como seu monstro, cujo principal problema são as metamorfoses e seu potencial evolutivo infinito. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;"> escolhe criticar o </span><a href="https://www.megacurioso.com.br/educacao/123903-conheca-o-imperio-japones-um-dos-mais-genocidas-da-historia.htm"><span style="font-weight: 400;">império japonês</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a cultura japonesa do sacrifício pela pátria, apostando em um final feliz, </span><i><span style="font-weight: 400;">Shin</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca os pés no chão, enxergando que pouco mudou desde o fim da Segunda Guerra Mundial: a ameaça continua viva, e em constante mudança. O Godzilla de </span><i><span style="font-weight: 400;">Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;"> é belo e estático, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Shin</span></i><span style="font-weight: 400;"> Godzilla é propositalmente feito para ser deformado, desconfortável e estranho ao cenário.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><span style="font-weight: 400;">longa</span> <span style="font-weight: 400;">é extremamente corajoso e ambicioso em sua abordagem. A suposta falha do jovem Koichi, no início da narrativa, representa o absurdo da </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-59548192"><span style="font-weight: 400;">cultura imperialista e belicista</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Japão dos séculos XIX e XX. Esta falha, aos poucos, é transformada em virtude pela narrativa, quando ela valoriza, de forma direta e sem rodeios, a vida de cada um dos personagens que interage com o protagonista ao longo das duas horas de filme.</span></p>
<figure id="attachment_32510" aria-describedby="caption-attachment-32510" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32510" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-2.jpg" alt=" Cena do filme Godzilla Minus One. Tem quatro pessoas na imagem. Da esquerda para a direita temos Shiro, um homem jovem asiático, ele tem cabelo curto, liso  e preto, olhos pretos e usa uma calça marrom, tênis marrom, jaqueta preta e boné marrom. Ao lado dele, mais a frente da imagem está Kenji, o cientista, ele é um homem asiático, ele tem cabelo curto, ondulado e grisalho, olhos castanhos e usa óculos, ele veste uma calça preta e um paletó cinza. Atrás dele tem Yoji, um homem asiático, ele tem cabelo curto, liso  e preto, olhos pretos e veste uma calça preta, uma blusa de moletom cinza e um boné marrom. Na direita tem Koichi, ele usa uma calça cinza e uma jaqueta marrom. Koichi e Kenji estão apertando as mãos, enquanto Shiro e Yoji olham os dois. Atrás de Koichi e Kenji tem um barco de madeira, Shiro e Yoji estão dentro dele. " width="1200" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-2-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-2-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image3-2-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32510" class="wp-caption-text">O cientista interpretado por Hidetaka Yoshioka é uma homenagem a Daisuke Serizawa, cientista clássico da mitologia do Godzilla e presente desde o filme de 1954 (Foto: Toho Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Engana-se quem pensa que a narrativa só se sustenta pela abordagem principal. A sutileza em que os traumas de Koichi são expostos por meio da relação dele com Noriko e Akiko permitem que se explore a tridimensionalidade do país no </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/historiag/japao-apos-segunda-guerra-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">pós-guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">, seus conflitos internos e sua dificuldade em se desconectar do passado. A narrativa também dá abertura para que personagens como o cientista (Hidetaka Yoshioka) e a vizinha de Koichi (Sakura Ando) brilhem cada um à sua maneira, representando uma nação em profunda transformação, e que, aos poucos, percebe o absurdo que representam valores calcados no sacrifício pelo Imperador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O enredo, quando usa os personagens para fazer esses paralelos, também conversa com o Japão do século XXI, que </span><a href="http://periodicos.ufc.br/sh/article/view/81947"><span style="font-weight: 400;">esconde seus crimes de guerra</span></a><span style="font-weight: 400;"> debaixo do tapete. Ao responsabilizar também o país por suas atitudes durante a Segunda Guerra, que levaram o Império a uma aliança com os nazistas, a narrativa cresce, inocentando e valorizando a vida dos indivíduos, que lutam contra uma nação retrógrada corresponsável, junto dos Estados Unidos, pela criação do </span><i><span style="font-weight: 400;">Kaiju</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Coincidência ou não, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;"> surge no momento em que o universo compartilhado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Legendary</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/godzilla-vs-kong-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Monsterverse</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está em alta e essas duas visões sobre o Godzilla são antagônicas. Enquanto os Estados Unidos produzem filmes que associam a imagem da criatura a um salvador do planeta, o Japão mostra a devastação que esse ser poderia causar, uma briga ideológica para ver quem consegue cunhar na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> o verdadeiro significado do monstro. Retomando às origens do longa de 1954, pode-se dizer que é uma disputa sobre a bomba atômica, na qual o país que a jogou tenta se justificar e a nação atingida mostra o trauma daquela experiência. </span></p>
<figure id="attachment_32513" aria-describedby="caption-attachment-32513" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32513" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1.png" alt="Cena do filme Godzilla Minus One. No centro da imagem aparece um prédio bege destruído, nele tem uma torre com um relógio de ponteiro. No fundo da imagem aparecem escombros de prédios e casas. " width="1920" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1-1536x640.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image6-1-1200x500.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32513" class="wp-caption-text">Toda a cena de destruição de Tóquio é uma referência ao ataque do Godzilla no clássico de 1954 (Foto: Toho Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Takashi Yamazaki faz um trabalho sensacional na direção, pois há muitas referências visuais ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> original, tanto em enquadramentos quanto em composições de cena, o que funciona como uma bela homenagem a </span><a href="https://www.blogsushipop.com/post/ishiro-honda"><span style="font-weight: 400;">Ishirō Honda</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor do primeiro longa. Outra proeza da condução é a empatia criada entre espectador e os humanos da trama, algo raro em filmes de <em>Kaiju</em>, mas essencial em </span><i><span style="font-weight: 400;">Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;">: sem essa perspectiva, a trama perderia seu impacto.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos artifícios utilizados perfeitamente por Yamazaki para construir essa empatia é mostrar a pequenez dos humanos perante o Godzilla nas cenas de ataque, porque nesses momentos, a projeção flerta com o </span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/por-que-gostamos-tanto-de-ir-ao-cinema-ver-o-mundo-ser-destruido-8eoka9qlehbrqlnthxbhv5450/"><span style="font-weight: 400;">cinema de desastre</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a sobrevivência depende de um pouco de esperteza e muita sorte. Os ângulos escolhidos por Kozo Shibasaki para mostrar a criatura são magníficos, servindo para amedrontar e causar desconforto. Além disso, diferente da versão estadunidense, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esconde o monstrengo na escuridão: aqui ele aparece em toda sua magnitude em plena luz do dia, demonstrando que não há nenhum momento em que os personagens estão seguros.</span></p>
<figure id="attachment_32508" aria-describedby="caption-attachment-32508" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32508" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-2.jpg" alt="Cena do filme Godzilla Minus One. No centro da imagem aparece o Godzilla, um lagarto que anda em duas patas e possui espinhos nas costas. No fundo da imagem aparece uma floresta e o céu." width="1170" height="655" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-2.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-2-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-2-1024x573.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/02/image1-2-768x430.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32508" class="wp-caption-text">Godzilla Minus One é o 33º filme feito pela Toho sobre o Kaiju (Foto: Toho Company)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/493OkghuQsDbJMa0krFlSz?si=7uqGkzYNR2ONT26cC0VbTA"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> acompanha e auxilia a direção ao transmitir angústia, medo e pavor. Com seus acordes lentos e graves intensos, o compositor </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/1hlpldRj6GZ2naD4XDqi80?si=OcIptoaGT7WD8UFtXs-XoA"><span style="font-weight: 400;">Naoki Sato</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfatiza o suspense das cenas e deixa o espectador apreensivo para o que vai acontecer. Há ainda músicas mais energéticas usadas no clímax da história, que referenciam o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pXpjCWnGYhA"><span style="font-weight: 400;">tema original</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Godzilla, composto por Akira Ifukube. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E caso o filme não lidasse com temáticas tão ricas quanto a valorização à vida, tão entranhadas na narrativa, seu final poderia ser interpretado como algo bobo, clichê e até como um dramalhão barato, mas não é isso que acontece aqui. A decisão de Koichi de </span><a href="https://br.mundopsicologos.com/artigos/sindrome-do-sobrevivente-a-culpa-de-continuar-existindo"><span style="font-weight: 400;">continuar vivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, rompendo com a cultura vigente da época, e a sobrevivência de Noriko ao ataque do monstro marinho, é o desfecho feliz que o longa precisava para completar seu arco narrativo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Godzilla-1.0 Godzilla Suite I | Godzilla Minus One (Original Motion Picture Soundtrack)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/aq3tL6HjUW0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><i><span style="font-weight: 400;">Godzilla Minus One</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma carta de amor aos fãs do </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/232307-godzilla-ordem-certa-assistir-filmes.htm"><span style="font-weight: 400;">universo do<em> Kaiju</em></span></a><span style="font-weight: 400;">, que recebem um prato cheio: personagens cativantes, raros em obras do tipo, efeitos especiais que deixam Hollywood com inveja e uma história que atinge onde dói, com dilemas importantes mesmo para o Japão do mundo atual. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Toho</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o diretor Takashi Yamazaki criaram o monstro perfeito, e o colocaram no</span><i><span style="font-weight: 400;"> Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> com menos de US$ 15 milhões. Os Estados Unidos ainda têm muito o que aprender.</span></p>
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