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	<title>Arquivos Juliano Cazarré &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Juliano Cazarré &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>O Auto da Compadecida 2 e a reinvenção de si mesmo</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Feb 2025 18:26:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia Queiroz  Em Setembro de 2000, os brasileiros saíram de suas casas e foram para os cinemas de suas cidades assistir ao que viria a ser um dos maiores sucessos do Cinema do país: O Auto da Compadecida. Baseado na obra de Ariano Suassuna, o filme foi um sucesso comercial e social, e alcançou um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Auto da Compadecida 2 e a reinvenção de si mesmo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34827" aria-describedby="caption-attachment-34827" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem1.jpeg" alt="O cenário mostra o exterior da igreja montada em um estúdio. Usando roupas velhas e rasgadas, sandálias típicas do povo nordestino e aparência de descuido com a pele no sol, os atores principais de O Auto da Compadecida voltam a encenar os malandros da cidade quente e seca do interior nordestino Taperoá." width="768" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem1.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem1-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34827" class="wp-caption-text">Matheus Nachtergaele e Selton Mello voltam às telas de cinema como João Grilo e Chicó 25 anos depois (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Setembro de 2000, os brasileiros saíram de suas casas e foram para os cinemas de suas cidades assistir ao que viria a ser um dos maiores sucessos do Cinema do país: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Baseado na obra de </span><a href="https://www.academia.org.br/academicos/ariano-suassuna/biografia"><span style="font-weight: 400;">Ariano Suassuna</span></a><span style="font-weight: 400;">, o filme foi um sucesso comercial e social, e alcançou um recorde histórico de 2.157.166 pessoas (o filme nacional mais assistido daquele ano), além de uma arrecadação de mais de onze milhões de reais em bilheteria. Tornou-se um ícone para os ‘canarinhos’ e estrangeiros latino-americanos sobre a cultura nordestina e referência cinematográfica nacional. </span></p>
<p><span id="more-34823"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">25 anos depois, o diretor </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoas/33839-guel-arraes"><span style="font-weight: 400;">Guel Arraes</span></a><span style="font-weight: 400;">, desta vez junto de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnTP1d4OVok"><span style="font-weight: 400;">Flávia Lacerda</span></a><span style="font-weight: 400;">, volta com o clássico em uma sequência inédita: </span><a href="https://youtu.be/ke4x5ywVhiw?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estrelada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RzWKcmQcL-4"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/filmes/noticia/selton-mello-fala-da-importancia-de-chico-de-o-auto-da-compadecida-2-na-sua-vida-bem-espiritual.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">. Lançado dez anos após a morte do criador do </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-um-auto-teatral"><span style="font-weight: 400;">auto</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o inspirou, o longa segue quebrando seus próprios recordes no Cinema brasileiro. A segunda obra que retrata o sertão nordestino, já ultrapassou os três milhões de espectadores e arrecadou mais de R$62 milhões em bilheteria, se tornando o segundo filme nacional mais visto nos cinemas em 2024, perdendo apenas para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_NzqP0jmk3o"><span style="font-weight: 400;">Ainda Estou Aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também tem a participação de Selton. </span></p>
<figure id="attachment_34826" aria-describedby="caption-attachment-34826" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem2.jpg" alt="Fotografia de João Grilo iluminado pelas velas da igreja da cidade, em sua roupa velha e suja e seu chapéu da cultura nordestina enquanto performa suas malandragens." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-34826" class="wp-caption-text">João Grilo volta a Taperoá após uma longa aventura pelo Brasil e reencontra velhos amigos, inimigos e entidades (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sequência da </span><a href="https://www.studiobinder.com/blog/what-is-a-dramedy-definition/"><span style="font-weight: 400;">comédia dramática</span></a><span style="font-weight: 400;"> é completamente nostálgica, poética e divertida de assistir. O roteiro é repleto de referências e, até mesmo, falas iguais (como o bordão de </span><a href="https://www.oautodacompadecida.com.br/2016/07/chico-personagem.html"><span style="font-weight: 400;">Chicó</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não sei, só sei que foi assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”), além da composição dos personagens e a narrativa, que são bem semelhantes ao primeiro. Com isso, o público se surpreendeu com a volta das figuras principais e a maioria se abriu positivamente para ter novamente a experiência de vê-los nos cinemas. Entretanto, muitos se queixaram, alegando que ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">Ariano Suassuna sempre foi contra uma continuação</span></i><span style="font-weight: 400;">’ ou que o segundo nunca poderia superar o primeiro e iria estragar o carinho que os espectadores têm pelos protagonistas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma entrevista para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b7-IavVdvqQ&amp;list=PLaE_mZALZ0V2E0lVJowee_oerd3OMvyJu&amp;index=15"><i><span style="font-weight: 400;">Podpah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ator Selton Mello rebateu indiretamente a esses comentários e disse que a intenção dessa nova produção não é superar e nem se comparar a obra-prima da década de 2000, mas sim, se permitir experimentar novamente desse cenário e divertir a audiência com os personagens tão amados do Cinema brasileiro. E conseguiram, mostrando por meio da </span><a href="https://gshow.globo.com/cultura-pop/filmes/noticia/guel-arraes-conta-que-figurantes-choravam-no-set-de-o-auto-da-compadecida-2-viam-personagens-quase-como-santos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">emoção dos atores e figurantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao recriar o ambiente icônico e causando uma boa risada – com piadas um tanto quanto contemporâneas – para quem assiste. Não apenas isso, nas palavras do Selton: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o Suassuna sempre foi muito fã do nosso auto e gostava da ideia de uma continuação do filme e sempre afirmou isso para mim, [&#8230;] já tinha uma benção</span></i><span style="font-weight: 400;">”,  ao contrário do que foi espalhado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">internet</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34825" aria-describedby="caption-attachment-34825" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34825" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-800x533.jpeg" alt="Fotografia de João Grilo usa suas roupas velhas, sujas e rasgadas de sempre, está junto de dois políticos da cidade de Taperoá, que possuem roupas mais novas e limpas. Eles são iluminados pelas pequenas luzes penduradas nas cabanas com fitas e estão posicionados à frente da imagem de Nossa Senhora. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-1536x1024.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3-1200x800.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem3.jpeg 1620w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34825" class="wp-caption-text">Foram apresentados quatro novos personagens e uma substituição de atores (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> cumpriu muito bem com seu papel quando se propôs a ressuscitar a emoção que os brasileiros sentiram pela cultura nordestina e lições de vida comandadas pela perspectiva de </span><a href="https://youtu.be/bKmYl7Ui_hs?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">João Grilo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Matheus Nachtergaele) e Chicó (Selton Mello). É engraçado na medida certa, com uma transparência teatral ao transferir o humor dos personagens para as telas do cinema. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que isso acontecesse, somente a escalação de atores fenomenais como: </span><a href="https://youtu.be/nxywLV99eHs?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Eduardo Sterblitch</span></a><span style="font-weight: 400;">, que encena um radialista eletrizante tão bem que o personagem chega a ser enlouquecedor; </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/selton-mello-avalia-importancia-de-auto-da-compadecida"><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://exame.com/casual/matheus-nachtergaele-espero-que-o-auto-da-compadecida-2-lembre-como-e-bom-ser-brasileiro/"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://youtu.be/VmSIHRqV9Mk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Fabiula Nascimento</span></a><span style="font-weight: 400;">, que protagoniza de maneira eloquente a nova </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> vinda da capital; </span><a href="https://revistaquem.globo.com/entrevistas/noticia/2024/12/virginia-cavendish-sobre-rosinha-empoderada-em-o-auto-da-compadecida-2-combinou-com-quem-sou.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Virginia Cavendish</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://istoe.com.br/enrique-diaz-retorna-como-joaquim-brejeiro-em-o-auto-da-compadecida-2/"><span style="font-weight: 400;">Enrique Diaz</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cabra-macho e cangaceiro dessa edição; </span><a href="https://youtu.be/G_RmgovIQnk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Humberto Martins</span></a><span style="font-weight: 400;">, como o coronel. Além do humor, os momentos de transbordar emoção foram reservados para </span><a href="https://youtu.be/f1qkxnTVvjc?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Taís Araújo</span></a><span style="font-weight: 400;">, que substitui </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-auto-da-compadecida-2-por-que-fernanda-montenegro-nao-reprisou-o-papel.phtml"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e faz um trabalho espetacular como </span><a href="https://cruzterrasanta.com.br/historia-de-nossa-senhora-nazare/48/102/"><span style="font-weight: 400;">Nossa Senhora de Nazaré</span></a><span style="font-weight: 400;">, não somente pela representação racial mas pelo olhar de compaixão que conseguiu transmitir durante todo seu tempo de tela. Ela ganhou uma música tema chamada </span><a href="https://open.spotify.com/track/0pyvJfQSMKMxvSj1tvqCKY"><i><span style="font-weight: 400;">Fiadeira</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/3f5VCwd57gZsqMad28jyLV?si=aZSvXLpcRw2fzvvReiIqaw"><span style="font-weight: 400;">Maria Bethânia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar das características positivas que compõem o filme, existem alguns aspectos ruins dentro da obra e o processo de sua construção. Começando pela falha de roteiro, com a ausência de explicações sobre como o grupo do final do primeiro filme (</span><a href="https://youtu.be/ke-w11RRxEg?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Rosinha</span></a><span style="font-weight: 400;">, Chicó e João Grilo) vivem seus próximos anos e como se separam, confundindo a audiência em alguns diálogos. Além disso, é infeliz a escolha das representações do </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/2630272/"><span style="font-weight: 400;">Diabo e Jesus</span></a><span style="font-weight: 400;"> serem feitas pelo mesmo ator de João Grilo, isso deixou a dinâmica menos interessante para aquele que vê, já que, na mesma cena, são três personagens iguais em sua aparência. </span></p>
<figure id="attachment_34824" aria-describedby="caption-attachment-34824" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-800x436.jpg" alt="Fotografia de João Grilo e Chicó em céu aberto, no sol, envoltos pela vegetação seca do sertão nordestino enquanto seguram suas enxadas e observam o objetivo de chegada." width="800" height="436" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-800x436.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-1024x559.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4-768x419.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/02/Imagem4.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34824" class="wp-caption-text">O cenário do segundo filme foi construído dentro de estúdios com painéis de LED, diferentemente do primeiro, que foi filmado nas cidades de Cabaceiras e na própria Taperoá, na Paraíba (Foto: H2O Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro defeito são os </span><a href="https://www.benditafilmes.com/post/visual-effects-vfx-como-funcionam#:~:text=Efeitos%20Especiais%20(SFX)%3A%20Referem,integrados%20%C3%A0s%20cenas%20j%C3%A1%20filmadas."><span style="font-weight: 400;">efeitos especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e filtros para o imaginário das mentiras e paisagens do sertão nordestino. É compreensível que faça uso desse tipo de tratamento nos vídeos para qualquer longa-metragem e, principalmente, nos feitos em estúdios, porém, é claro o exagero, ao ponto de parecerem imagens de </span><a href="https://cloud.google.com/learn/what-is-artificial-intelligence?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Inteligência Artificial</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse sentido, é notável que alguns itens básicos da produção de uma obra cinematográfica não são desenvolvidos da maneira que agrade os olhos, pelo excesso de artificialidade na iluminação e animação, além da escolha das figuras de animação que também pareciam querer se mostrar reais mas não eram, coisa que não aconteceu no primeiro filme, parte pela falta de tecnologia avançada na época.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, a filmagem é linda e emocionante pelos seus aspectos saudosistas, bem como se mostra uma poesia em conjunto com a </span><a href="https://www.ia.unesp.br/#!/teatro-sem-cortinas/pratas-da-casa/glossario-teatral/a---b---c/comedia/"><span style="font-weight: 400;">Comédia teatral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">encaminha uma reinvenção de si mesmo, trazendo uma nova trama e personagens que, mesmo diferentes em aparência e</span> <a href="https://www.tertulianarrativa.com.br/post/2017/08/30/backstory-estrutura-%C3%B3ssea-e-perfil-psicol%C3%B3gico-desenvolvendo-personagens#:~:text=O%20backstory%2C%20ou%20hist%C3%B3ria%20pregressa,no%20pitch%20da%20s%C3%A9rie%20Friends."><i><span style="font-weight: 400;">backstory</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, carregam os mesmos significados dos anteriores que já morreram. Também vale destacar os cenários, que apesar de serem da mesma cidade, são inovadores, com ambientes e detalhes construídos de acordo com os 25 anos passados até o segundo filme. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, o primeiro e segundo filme possuem enorme importância para a expansão da cultura brasileira e nordestina, que é um dos pilares fundamentais para a formação da essência artística nacional com os </span><a href="https://www.institutoaguaviva.org.br/post/curiosidades-sobre-a-literatura-de-cordel"><span style="font-weight: 400;">cordéis</span></a><span style="font-weight: 400;">, as </span><a href="https://pe.unit.br/blog/noticias/xilogravura-e-uniao-de-cultura-regionalidade-e-arte/#:~:text=Na%20xilogravura%2C%20a%20madeira%20%C3%A9,pontos%20que%20encostam%20na%20tinta."><span style="font-weight: 400;">xilogravuras</span></a><span style="font-weight: 400;">, festas tradicionais e o </span><a href="https://imaginariobrasileiro.com.br/blogs/news/artesanato-nordestino-riquezas?srsltid=AfmBOooJRAzREAE_wX8_771X4RGilY5bpmAwUWpnaHMWJrvhTqqKcR_j"><span style="font-weight: 400;">artesanato</span></a><span style="font-weight: 400;"> de madeira ou barro, por exemplo. Parte dessas práticas são mostradas nas obras, principalmente no segundo filme, quando a igreja vira uma atração turística e Chicó precisa ganhar um cascalho. Dessa vez, a Arte não é somente para caracterizar o local que se passa, todavia, tem como o propósito destacar os costumes da região. Dessa forma, aproveitando de seu sucesso, já imaginado, para traduzir tamanha riqueza ao mundo. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ke4x5ywVhiw"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;O Auto da Compadecida 2 | Trailer Oficial&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=ke4x5ywVhiw&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">O Auto da Compadecida 2 | Trailer Oficial</span></a> <span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 18:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner A história contada por Pantanal é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “ele tinha um cavalo preto por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o remake em 2022, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pantanal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30704" aria-describedby="caption-attachment-30704" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30704" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Juma e Jove se posicionam frente a frente. Juma, uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, está de olhos fechados enquanto Jove, um homem branco de cabelos castanhos e olhos claros, a observa. A câmera captura ambos apenas a partir dos ombros. O cenário ao fundo é uma parede branca iluminada pelos raios de sol." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-768x384.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30704" class="wp-caption-text">Juma e Jove retornaram às televisões brasileiras 32 anos depois da primeira exibição da novela Pantanal (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história contada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9caf45izB0"><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">ele tinha um </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/com-pantanal-cavalo-preto-cresce-quase-1000percent-em-plays-e-vira-hit-75-anos-apos-lancamento.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">cavalo preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a trama pouco mudou, ainda que o Brasil, acumulador de uma </span><a href="https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/brasil-tem-mais-boi-e-vaca-do-que-gente/"><span style="font-weight: 400;">quantidade exorbitante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YwqoeKlaJQs"><span style="font-weight: 400;">gado</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenha sofrido grandes transformações. Ao som da mesma canção, o ‘Véio’ Joventino cavalgou país afora até um dia sumir e deixar seu filho José Leôncio para trás. Ele, bicho do mato, se meteu com uma moça da cidade e da união nasceu Jove, o primeiro herdeiro sem padrão de boiadeiro que chegou para “</span><i><span style="font-weight: 400;">cutucar a onça com vara curta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Da luta entre humano e felino, a novela reviveu o seu destino. </span></p>
<p><span id="more-30703"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Originalmente, a música responsável pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hfth1z2rHB8"><span style="font-weight: 400;">abertura icônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi entoada por Marcus Viana e sua voz pulsante. Dessa vez, no entanto, Maria Bethânia e Almir Sater adicionaram frescor e serenidade ao instrumental, atribuindo, assim, um sentimento de pertencimento em um futuro que constantemente clama pela nostalgia do enredo; se os nossos pais assistiram o folhetim há 32 anos e nós no ano passado, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">filhos dos filhos…dos nossos filhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” certamente também verão </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo o sentido da árvore genealógica, a nova roupagem foi adaptada por </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/bruno-luperi-autor-do-remake-de-pantanal-comenta-cenas-da-novela.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Bruno Luperi</span></a><span style="font-weight: 400;">, neto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Benedito Ruy Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o escritor da versão que virou um clássico e se mantém atual graças a ambientação, feita em um bioma que traduz tão bem a resiliência e diversidade da nação através de sua fauna e flora.</span></p>
<figure id="attachment_30705" aria-describedby="caption-attachment-30705" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30705" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg" alt=" Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Marruá caminha com um semblante de desmotivação. Ela é uma mulher de cabelos e olhos escuros. A câmera captura Marruá a partir do busto. Ela segura uma bolsa nos ombros com uma das mãos. O cenário ao fundo é um ambiente florestado com diversos tons de verde e marrom." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-768x480.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30705" class="wp-caption-text">A mãe-onça Maria Marruá conduziu o embate entre humano e felino com maestria (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do contexto de consolidação das telenovelas na época em que o texto estreou &#8211; quando a extinta </span><a href="https://www.zappeando.com.br/televisao/8-novelas-da-tv-manchete-que-deixaram-muita-saudade-qual-voce-gostava-mais"><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emplacava clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Dona Beija</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga no Japão</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, a refilmagem da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> herdou o fracasso de Lícia Manzo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=myARx4ufX9E"><i><span style="font-weight: 400;">Um Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama inédito em dois anos e o primeiro a ir ao ar totalmente gravado após uma sequência de repetições causada pela pandemia de coronavírus. E, por isso, assumiu a árdua tarefa de reerguer a audiência e chamar o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/remake-de-pantanal-atrai-o-publico-jovem-para-televisao-aberta.phtml"><span style="font-weight: 400;">público jovem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para sentar no sofá e assistir à Televisão &#8211; um desafio para os dias atuais. A tentativa não foi falha: a direção composta pelos nomes </span><span style="font-weight: 400;">Davi Lacerda, Noa Bressane, Roberta Richard, Walter Carvalho e Cristiano Marques soube desde a claquete inicial como atingir em cheio o seu público-alvo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ato que soou como o cantar de um passarinho recém-nascido, que fez sentir a brisa fresca que sopra à beira-mar, o núcleo central da faixa nobre foi finalmente deslocado do ciclo vicioso fundado no uso de cenários divididos apenas entre as grandes capitais da economia e do entretenimento brasileiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Com audição e tato apurados, a direção artística de </span><span style="font-weight: 400;">Rogério Gomes e Gustavo Fernandez capturou em cena as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Qqkt4-Cues"><span style="font-weight: 400;">cores vívidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não totalmente descobertas </span><span style="font-weight: 400;">pelo espectador e, desse modo, os prédios cinzentos da Avenida Paulista e as enormes mansões do Leblon foram deixados para trás em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPRpxH33wIM"><span style="font-weight: 400;">resgate de um passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais simples e condizente com a realidade sociocultural do país.</span></p>
<figure id="attachment_30706" aria-describedby="caption-attachment-30706" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30706" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Madeleine e Filó se encontram na primeira fase da novela, quando jovens. A câmera captura ambas a partir do joelho. Madeleine é uma mulher branca de cabelos e olhos claros que veste uma calça jeans preta, uma camiseta de estampa colorida e uma mochila marrom nas costas. Filó é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros que veste um shorts jeans claro e uma regata vermelha. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira da família Leôncio." width="976" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30706" class="wp-caption-text">O talento do elenco da primeira fase surpreendeu e fidelizou o público em poucas semanas (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda novela de respeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi dividida em </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/vem-por-ai/noticia/pantanal-veja-as-transformacoes-de-5-personagens-da-primeira-para-a-segunda-fase.ghtml"><span style="font-weight: 400;">duas fases</span></a><span style="font-weight: 400;"> não somente com a intenção de demonstrar a passagem de tempo, mas também de desenvolver o conflito principal da trama e transformar as suas personagens. Acontece que a atuação excepcional do elenco jovem conseguiu surpreender e fidelizar o público em poucas semanas de exibição, sendo extremamente difícil se desapegar das faces que se tornaram tão familiares. Renato Góes e Bruna Linzmeyer nos corpos de José Leôncio e Madeleine construíram uma tensão cortante digna de protagonistas imponentes. Já Letícia Salles, estreando como atriz, roubou os holofotes e entregou uma Filó forte para Dira Paes. Por outro lado, Malu Rodrigues e Gabriel Stauffer carregaram a melhor versão dos antagonistas Irma e Gustavo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se a região pantaneira ainda não havia sido habitada por camaleões, tudo mudou com a chegada de </span><span style="font-weight: 400;">Irandhir Santos, a quem</span><span style="font-weight: 400;"> se deve a maior aclamação artística. Na pele do ‘Véio’ </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SeqvU-9ppOc"><span style="font-weight: 400;">Joventino</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ator externou as marcas de uma trajetória vivida no lombo de cavalos com um berrante em mãos e, em uma escalação tão peculiar quanto a linhagem da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele voltou para a segunda fase do enredo como o neto bastardo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mI9PHXo2bPE"><span style="font-weight: 400;">José Lucas de Nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, dono de uma personalidade completamente distinta e, não por isso, mal interpretada.</span><span style="font-weight: 400;"> Mesmo que apegados aos atores, </span><span style="font-weight: 400;">a brilhante transição não deixou a animosidade dos noveleiros cair. Marcos Palmeira, Karine Teles, Camila Morgado e Caco Ciocler conduziram o texto até o seu clímax.</span></p>
<figure id="attachment_30707" aria-describedby="caption-attachment-30707" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30707" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o personagem ‘Véio’ Joventino se posiciona no lombo de seu cavalo enquanto leva o berrante à boca. Joventino é um homem branco de cabelos e olhos escuros, ele veste uma camiseta de manga longa na cor laranja, uma calça jeans clara e botas em tom barroso. A câmera captura todo o seu corpo e metade de seu cavalo. Ao fundo, o cenário é composto das águas e do mato verde do pantanal." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30707" class="wp-caption-text">Como esperado, a paisagem deslumbrante do pantanal encantou (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> do clássico trouxe de volta os clichês intrínsecos ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-mundo-novela/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que, há tempos, estavam sumidos. Isso porque as produções sofreram uma mudança brusca de tom e passaram a adaptar a estrutura para o drama ‘pé no chão’ das séries, modelo repercutido pelo avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">. Exibida em 2019, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H-znj_njIu4"><i><span style="font-weight: 400;">A Dona do Pedaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Walcyr Carrasco, foi a última obra antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> que teve direito a coincidências improváveis e uma dose de humor cavalar. Para a surpresa de quem subverteu o formato novela, o carisma um tanto quanto utópico da mulher que vira onça, do homem que é possuído por uma entidade muito boa de viola e do senhor de idade que se transforma em sucuri foram suficientes para eternizar os personagens em memes nas redes sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a irritação de José Leôncio com “</span><i><span style="font-weight: 400;">larga a mão, Filó</span></i><span style="font-weight: 400;">”, passando por Ari na comunicação com a fazenda em “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal, na escuta? Câmbio</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a vontade de fugir de Juma com “</span><i><span style="font-weight: 400;">querimbóra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os jargões ganharam espaço no cotidiano. Foi graças às expressões marcantes dos protagonistas e a adesão da juventude, agente controlador da popularização pelos meios, que a novela se tornou um fenômeno multimídia. O retorno das cenas dos próximos capítulos nos minutos finais também ajudou no resgate do gênero de folhetim. O aspecto foi </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/andre-santana/de-volta-cenas-do-proximo-capitulo-foram-abolidas-no-passado-por-causa-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">extinto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente pela exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i><span style="font-weight: 400;">. A sua volta diminuiu a pressão para encaixar um gancho e aumentou o desejo de continuar assistindo com apenas alguns relances, mantendo uma ordem natural dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_30708" aria-describedby="caption-attachment-30708" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30708" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, as personagens Juma e Muda observam com desconfiança o peão Tibério. A câmera captura ambas a partir do tornozelo, enquanto a figura do peão está desfocada por ele estar de costas. Juma é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Muda é uma mulher negra de cabelos e olhos escuros. Tibério é um homem branco de cabelos e olhos escuros. Juma veste uma regata de estampa amarela e verde, uma saia de estampa branca e carrega em suas mãos uma arma de fogo que aponta na direção de Tibério. Muda veste uma regata branca e um shorts legging azul. Tibério veste uma camiseta de mangas longas branca com listras pretas e uma calça jeans. Ao fundo, o cenário é a tapera de Juma." width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30708" class="wp-caption-text">Alanis Guillen e Bella Campos foram uma dupla imbatível como Juma e Muda (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor geral Walter Carvalho também assinou a </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/fotografia-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. Vívida, esplendorosa e natural, a ilustração da região manteve uma característica autoral por todos os cenários, tenham sido eles a grande fazenda dos Leôncios ou a simples tapera dos Marruá. Ainda que rodeado de beleza, Carvalho não deixou de demonstrar o drama da violência no campo, tópico recorrente do enredo, com a mesma sensibilidade. Por meio de tons frios, o ciclo de destruição causado pela especulação latifundiária, que se alastrou pela trajetória de Gil </span><span style="font-weight: 400;">(Enrique Diaz) </span><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ODIW-zC2LTA"><span style="font-weight: 400;">Maria Marruá</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Paes), colocou em debate a luta pela terra. É tal composição visual que une as duas famílias principais da novela, quando os agricultores se apropriam de um canto abandonado pelos peões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juma (Alanis Guillen) chegou ao mundo tida como uma maldição pela mãe, desorientada depois da perda de três filhos para os senhores da agropecuária brasileira. Porém, o destino em forma de sucuri despertou a onça que defendeu a sua cria até a sua segunda morte, quando já encantada no corpo do felino pintado. Em busca de vingança pelo pai, dono de um pedaço de terra vendido ilegalmente, Muda entrou na trama para confundir os sentimentos da filha de Marruá, criada para se defender de tudo, menos do amor. Assustada pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lQnJugdmqsQ"><span style="font-weight: 400;">instinto animal</span></a><span style="font-weight: 400;"> que farejava as suas mentiras, incluindo a farsa acerca da falta de voz, a personagem falou através do olhar intenso da intérprete Bella Campos e, em sincronia com Guillen, consagraram-se em uma dupla imbatível: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não fala nada, Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30709" aria-describedby="caption-attachment-30709" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30709" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Bruaca acaricia um cavalo. A câmera captura Maria a partir do busto e somente parte da cabeça do animal. Maria Bruaca é uma mulher branca de cabelos castanhos e olhos claros. Ela veste uma camisa na cor roxa e um colar, O cavalo é marrom e está equipado. Ao fundo, o cenário é composto pelo céu azul e pelas árvores verdes do pantanal." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30709" class="wp-caption-text">Carinhosamente apelidada pelo público como Mary Bru, a personagem protagonizou cenas importantes (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de violência que pautou o roteiro foi a agressão física e psicológica enfrentada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YKl0byt3QSI"><span style="font-weight: 400;">Maria Bruaca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Isabel Teixeira) nas mãos do seu esposo e grande vilão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ji-Q75q9aBs"><span style="font-weight: 400;">Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Murilo Benício). Ao contrário da ficção, em que o apelido pejorativo marcou as falas das personagens, no ‘dia a dia’, os noveleiros se simpatizaram com a representação brutal e adotaram um apelido carinhoso, ‘Mary Bru’. Ela, inicialmente tida como uma personagem secundária, ganhou espaço de protagonista graças à interpretação fascinante de Teixeira ao lado de Benício, ambos incoerentemente unidos no mesmo tom em cena. Galã de muitas gerações, ele se desfez da face icônica de ‘mocinho’ e se transformou em um ser humano cruel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, se os pais causaram uma mistura de sentimentos, os filhos do casal e da outra família do antagonista foram insuportáveis, não havendo a mínima chance do público nutrir algo por eles para além do desprezo, com destaque para a chatice apoteótica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lJAx29O635Q"><span style="font-weight: 400;">Guta ‘regatinha’</span></a><span style="font-weight: 400;">. Bruno Luperi, na tentativa de modernizar a narrativa, errou a mão na construção da personalidade da jovem e deu uma bomba para a atriz Julia Dalavia segurar. Ainda nessa questão, o autor conseguiu </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/zaquieu-dessa-versao-e-mais-empoderado-diz-ator-do-remake-de-pantanal-84237"><span style="font-weight: 400;">reescrever</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trajetória de </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/clara-ribeiro/doenca-grave-o-levou-quem-era-o-zaqueu-na-primeira-versao-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Zaquieu</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Silvero Pereira), mordomo que se apaixona pelo peão Alcides (Juliano Cazarré). Mas a assombração da </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/pantanal-peao-gay-heteronormatividade"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu no discurso, no qual ele e Jove (Jesuíta Barbosa) foram frequentemente enquadrados como ‘frozô’ e o repúdio de José Leôncio ao ato dos boiadeiros não colou.</span></p>
<figure id="attachment_30710" aria-describedby="caption-attachment-30710" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Trindade observa Irma. A câmera captura Trindade a partir da cintura e Irma a partir do busto. Ele, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, veste uma camiseta de botões e mangas longas cinza e uma calça bege com um cinto de couro marrom repleto de adereços prateados. Trindade também carrega uma viola coberta por uma capa e um chapéu de peão. Irma veste uma regata vermelha enquanto contempla o rio do pantanal. Ao fundo, o cenário é a limpidez do rio e o verde da paisagem de mata recheada de árvores." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30710" class="wp-caption-text">Os romances de Pantanal tiveram seus altos e baixos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXvzBASDivE"><span style="font-weight: 400;">Assustadoramente encantador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possuído por um ‘cramulhão’ que fez magia com as cordas da viola, o peão Trindade (Gabriel Sater) parou o coração do público e de Irma (Camila Morgado). O casal, no entanto, foi injustiçado por um fim desanimador motivado pelo interesse da ruiva em José Lucas de Nada. O ator, filho de Almir Sater, repetiu o papel que na versão original era do pai e dividiu a cena uma última vez com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, na pele do chalaneiro Eugênio, em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gYKymNXoRhI"><span style="font-weight: 400;">batalha de Música fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que arrancou lágrimas e arrepios. Em meio a simplicidade deslumbrante da natureza, momentos como este jogaram de um precipício as passagens tenebrosas no urbano do Rio de Janeiro, felizmente deixadas de lado ao longo dos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nos altos e baixos dos romances de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perceptível o quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esforçou para provar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a maior força da natureza é o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. José Leôncio e Filó provaram que o tempo realmente cura tudo. Já Muda e Tibério se encontraram em um cenário nada esperançoso e trouxeram para as telas a doçura de um enlace verdadeiro. Por outro lado, Tadeu (José Loreto) e Zefa (Paula Barbosa) superaram as diferenças de valores que os separavam para ficarem juntos. Entretanto, nenhum casal expressou com tanta fidelidade o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan</span></i><span style="font-weight: 400;"> apaixonado quanto Maria Bruaca e Alcides em busca da liberdade que somente o bioma fértil pode proporcionar, após a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9So0xzZJz-Y"><span style="font-weight: 400;">violência covarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Tenório contra o peão que protagonizou o momento mais chocante da trama. </span></p>
<figure id="attachment_30711" aria-describedby="caption-attachment-30711" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30711" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Filó e Jove observam um confronto entre Tadeu e José Leôncio. A câmera captura todo o corpo de Filó e Jove, posicionados ao fundo de Tadeu e Leôncio, capturados a partir do joelho. Filó é uma mulher de cabelos e olhos escuros que veste uma regata amarela em conjunto com uma saia longa florida e sandálias de salto pequeno. Jove é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas branca, calça jeans, botas de couro e um chapéu de peão branco. Tadeu é um homem brano de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas em xadrez vermelho, calça jeans com cinto de couro, um chapéu de peão e duas malas. José Leôncio é um homem de cabelos e olhos escuros que veste uma camiseta de mangas longas azul e uma calça jeans com cinto de couro. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira dos Leôncios." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30711" class="wp-caption-text">Os Leôncios facilmente poderiam participar do programa Casos de Família do SBT (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de Tadeu, José Loreto surpreendeu com uma atuação que fez parecer que o personagem foi escrito especialmente para ele. Ao lado de Dira Paes, o ator concretizou o feito extremamente difícil de não ser engolido pela aura de uma das veteranas mais experientes da dramaturgia. Confrontados com diálogos duros e secos, Loreto e Paes afloraram o lado sentimental de quem assistiu diariamente a relação genuína entre mãe e filho. De filho bastardo a sucessor natural do legado de boiadeiro do avô Velho Juventino, Tadeu muitas vezes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2XYEAh0sws"><span style="font-weight: 400;">brigou sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela atenção do pai até o seu </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/ultimo-capitulo-de-pantanal-encontro-de-tadeu-e-velho-do-rio-emociona-espectadores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">encontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o ‘Véio do Rio’ no último cápitulo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não ganharia a minha sela de prata se não fosse um Leôncio. [&#8230;] Diz pra ele que eu disse que ocê é o meu neto de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis por manter o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> batendo forte, Juma e Jove foram, mais do que nunca, os grandes protagonistas da novela. Em 2022, assistir o encontro do casal foi como presenciar o embate entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=605ywPGYiec"><span style="font-weight: 400;">felino e humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, nascida livre como um ser selvagem na imensidão da natureza, e ele, criado na redoma de vidro de uma mansão luxuosa, mas sem vida. Embalados pela música-tema </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Z9IJAgvxs"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de índio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Gabriel Sater, a união desses dois opostos fez o amor se consagrar como sagrado. Em harmonia com o verde do bioma e o vermelho da paixão, a dupla Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa trouxe o frescor da descoberta de algo novo: uma química delirante, estrondosa e arrebatadora digna de reportagem do </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/05/26/juma-e-jove-fantastico-prepara-reportagem-para-todos-que-estao-na-torcida-pelo-casal-de-pantanal.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_30712" aria-describedby="caption-attachment-30712" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30712" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o ‘Véio do Rio’ aparece contemplando o horizonte. Ele é um homem branco de cabelos brancos e olhos claros. ‘Véio’ veste uma manta marrom, um chapéu de palha e carrega em uma de suas mãos um cajado feito da madeira de um galho de árvore. Ao fundo, o cenário é a mata verde do Pantanal." width="1224" height="816" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30712" class="wp-caption-text">Osmar Prado fez da sabedoria do ‘Véio do Rio’ a maior força de sua atuação (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte…” &#8211; Benedito Ruy Barbosa</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A entidade </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cN1NlihUaw0"><span style="font-weight: 400;">‘Véio do Rio’</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a personificação do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ator Osmar Prado trouxe para a composição a força da sabedoria de quem conhece o bioma, fala com os animais e espalha o amor. Único capaz de laçar um marruá, espécie de boi feroz, ele também foi o fator responsável por arrematar as histórias das famílias Leôncio e Marruá em uma só trajetória. Entre as paisagens belas e o desmatamento impiedoso, a novela de Bruno Luperi reergueu a audiência do gênero, fez jus a versão original de seu avô e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SecT4r0-BqE"><span style="font-weight: 400;">reviveu o destino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Atemporal, é um dever que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja adaptada novamente no futuro, assim, repetindo um ciclo fundamental: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois/Lutar com unhas e dentes pra termos direito ao depois/Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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		<title>Amor de Mãe e a ruptura da teledramaturgia brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 20:06:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva O meio cultural está em constante mutação. Com o passar dos anos, fomos alterando e desenvolvendo as nossas formas de consumir conteúdo, seja pelo meio impresso, radiofônico ou televisivo. Assim como os meios mudam, o seu público também muda. Temas que no século passado eram tratados com normalidade não são mais cabíveis nos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Amor de Mãe e a ruptura da teledramaturgia brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19843" aria-describedby="caption-attachment-19843" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19843 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos a família de dona Lurdes reunida no sofá da casa, sorrindo para a foto. À esquerda e atrás de todos, está Ryan, de cabelo descolorido e regata cinza. Abaixo dele, da esquerda à direita, vemos Camila, mulher negra vestindo roupa vermelha; Danilo, homem branco, de cabelos castanhos e camiseta cinza. Dona Lurdes está ao centro, sorrindo, de óculos com acessório que impede de cair, e cabelos pretos. Ao lado dela, estão Érica e Magno. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19843" class="wp-caption-text">A produção de Manuela Dias chegou ao fim, mas deixa marcas eternas na televisão (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O meio cultural está em constante mutação. Com o passar dos anos, fomos alterando e desenvolvendo as nossas formas de consumir conteúdo, seja pelo meio impresso, radiofônico ou televisivo. Assim como os meios mudam, o seu público também muda. Temas que no século passado eram tratados com normalidade não são mais cabíveis nos dias atuais. Dessa forma, os produtos culturais foram recebendo novas vestimentas. Hoje, já sabemos que nem toda narrativa precisa ter uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">mocinha que vai atrás do seu par romântico</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como estereotipar personagens homossexuais não é (e nunca deveria ter sido) motivo de piada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa revolução iria se estender, é claro, para o mundo das novelas. Uma das principais formas de entretenimento do público brasileiro, </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-02/uso-de-celular-e-acesso-internet-sao-tendencias-crescentes-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">grande adepto do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a ascensão dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">e a concorrência cada vez maior de seriados, a teledramaturgia precisou se modificar. Assistir histórias com desfechos sem pé nem cabeça já havia se tornado algo rotineiro, “coisa de novela”, como se o gênero tivesse que ser sinônimo de algo mal feito. Não dava para sustentar um público cada vez mais em busca de abordagens sérias e profundas com os mesmos temas batidos de sempre. </span></p>
<p><span id="more-19834"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o meio novelesco sentiu essa necessidade de mudança. Temáticas relevantes passaram a ser cada vez mais trabalhadas no horário nobre, e algumas até provocaram discussões que se elevaram para o ambiente social, como o </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/o-outro-lado-do-paraiso-traz-machismo-assedio-ao-horario-nobre-21977955"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> abordado em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Outro Lado do Paraíso</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a questão da </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/10/02/a-forca-do-querer-pessoas-trans-contam-como-novela-impactou-suas-vidas.htm"><span style="font-weight: 400;">transição de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Força do Querer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Recentemente, a reprise</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fina Estampa</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo </span></i><span style="font-weight: 400;">até causou </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,fina-estampa-atores-criticaram-o-proprio-trabalho-apos-reprise,70003443642"><span style="font-weight: 400;">certo espanto e repulsa</span></a><span style="font-weight: 400;">, por uma abordagem já retrógrada e que se pautava apenas em um arco de vingança de uma personagem histérica e sem motivações. </span></p>
<figure id="attachment_19835" aria-describedby="caption-attachment-19835" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19835 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2.jpg" alt="Foto de divulgação da novela Amor de Mãe. Nela, vemos as três protagonistas da novela paradas na rua, olhando com cara séria para a câmera. À esquerda, vemos Thelma, interpretada por Adriana Esteves. Ela é branca, de pele clara e cabelos escuros na altura dos ombros, veste camisa xadrez vermelha e calça jeans. Ao meio está Lourdes, papel de Regina Casé, mulher nordestina, de pele clara, cabelos pretos e óculos de grau com armação marrom claro. Ela usa um vestido amarelo e leva uma bolsa preta a tiracolo. À direita está Vitória, vivida por Tais Araújo, uma mulher negra, de cabelo preso num coque e terninho bege, usando camiseta preta de gola alta. Está de dia e podemos ver carros desfocados estacionados ao fundo." width="1280" height="854" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19835" class="wp-caption-text">Amor de Mãe marcou o nascimento dos<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/08/08/conheca-o-mg4-conjunto-de-3-novos-estudios-da-globo.ghtml"> estúdios MG4</a>, o maior complexo de produção de conteúdo da América Latina (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos lançamentos mais recentes da emissora veio para romper de vez com padrões novelescos até então impostos. Escrita e criada por Manuela Dias, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> já nasceu com altas expectativas. A autora foi a mesma que deu vida para a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Ligações Perigosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a grandiosa </span><i><span style="font-weight: 400;">Justiça</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/justica-ganha-duas-nomeacoes-ao-emmy-internacional-confira-lista-de-indicados"><span style="font-weight: 400;">indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Manuela fez escola em como trabalhar narrativas realistas e com críticas sociais como pano de fundo, conseguindo entrelaça-las da maneira mais natural possível. Seu novo desafio era fazer o mesmo em um dos produtos principais da televisão: a novela das nove. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, Dias decidiu contar sua história a partir de uma das figuras centrais da vida de qualquer brasileiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolve a narrativa de três matriarcas, de diferentes personalidades e classes sociais: Lurdes (Regina Casé), Vitória (Tais Araújo) e Thelma (Adriana Esteves). A carismática dona Lurdes é o grande laço que conecta todas elas. Mãe de cinco filhos e natural da cidade fictícia de Malaquitas, do Rio Grande do Norte, a empregada doméstica tem como motivação principal encontrar o filho do meio, Domênico, que foi vendido por seu ex-marido quando ainda era criança.</span></p>
<figure id="attachment_19836" aria-describedby="caption-attachment-19836" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19836 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Vitória e Paulo dentro de um carro. Ela é vivida por Tais Araújo, uma mulher negra que está no banco do passageiro, usando roupa amarela e tem o cabelo solto. Ele é vivido por Fabrício Boliveira, está no banco do motorista, desfocado, tem a pele negra, barba escura e usa óculos com armação transparente. " width="1600" height="1020" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-300x191.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-1024x653.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-768x490.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-1536x979.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-1200x765.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19836" class="wp-caption-text">A primeira fase da novela contou com muitas participações especiais, entre elas, Fabrício Boliveira, Vera Holtz e Júlio Andrade (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A novela se inicia com ela contando sua história para a advogada Vitória Amorim, para quem iria trabalhar como babá logo depois. Ao contrário de Lurdes, a personagem de Tais Araújo ainda tinha o anseio de se tornar mãe, mas, além das dificuldades em engravidar, também havia perdido o seu primeiro bebê. Então, ela adota o menino Tiago (Pedro Guilherme Rodrigues), que chega para mudar suas percepções sobre a vida e seu olhar duro e frio sobre algumas questões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse início, Lurdes também conhece Thelma, que, logo no primeiro encontro, descobre que tem um </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/aneurisma-cerebral/#:~:text=Aneurisma%20cerebral%20%C3%A9%20uma%20dilata%C3%A7%C3%A3o,de%20uma%20art%C3%A9ria%20do%20c%C3%A9rebro."><span style="font-weight: 400;">aneurisma cerebral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dona de um restaurante português no Bairro do Passeio, ela é mãe do jovem Danilo (Chay Suede). E nutre uma paixão completamente obsessiva e manipuladora em relação ao filho, que evidencia um forte sentimento de superproteção, especialmente pelo fato dele ter sobrevivido a um incêndio em sua casa quando ainda era criança, que tirou a vida de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os três arcos principais construídos, as narrativas passam a se encontrar nos mais diversos aspectos. A questão ambiental é uma das temáticas centrais de <em>Amor de Mãe</em>, com as constantes tentativas de grupos ativistas em derrubarem Álvaro da Nóbrega (Irandhir Santos), dono da empresa de plástico PWA. Colocar um empresário corrupto e autor de diversos crimes ambientais como vilão principal é transpor para a tela a realidade que observamos </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/22/ministro-do-meio-ambiente-defende-passar-a-boiada-e-mudar-regramento-e-simplificar-normas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">todos os dias no noticiário</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre suas ações ilícitas, o magnata é responsável por despejar dejetos de sua indústria na Baía de Guanabara. E tem como seu maior rival o ambientalista Davi Moretti (Vladimir Brichta), que mais tarde se relacionaria com Vitória. </span></p>
<figure id="attachment_19837" aria-describedby="caption-attachment-19837" style="width: 1981px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19837 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Magno, Lurdes, Sandro e Katia. Os personagens estão na prisão, em uma visita para Sandro. Da esquerda para a direita: Magno é vivido por Juliano Cazarré, um homem branco e forte, usando camisa preta. Lurdes, papel de Regina Casé, é uma mulher nordestina, de pele clara, cabelos pretos e óculos de grau com armação marrom claro. Ela usa um vestido amarelo e abraça Sandro, papel de Humberto Carrão, um homem branco, jovem, de cabelos rentes à cabeça e que veste uma camiseta clara. Katia é a personagem interpretada por Vera Holtz, uma mulher branca, de cabelos grisalhos e roupa preta. Ela é a única sentada na cena e segura a mão de Sandro." width="1981" height="1114" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3.jpg 1981w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19837" class="wp-caption-text">Um easter egg interessante da novela é que o personagem Sandro, interpretado por Humberto Carrão, vez ou outra <a href="https://gshow.globo.com/novelas/amor-de-mae/noticia/amor-de-mae-faz-homenagem-a-avenida-brasil-e-web-comemora.ghtml">aparecia com a camiseta do Divino F. C.</a>, clube de futebol da novela Avenida Brasil que tinha o personagem de Murilo Benício como jogador (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a essa sinuca de bico, a advogada passa a enfrentar um dilema ético e moral, e a maternidade se mostra como a grande potência transformadora em sua vida. Se antes ela pautava suas atitudes apenas em formas de se favorecer e crescer profissionalmente, agora ela busca aquilo que possa servir de bom exemplo e motivo de orgulho para seus filhos. Com isso, decide romper o contrato com Álvaro, mesmo que custe perder todos os luxos e regalias da vida que costumava ter. Habituados com histórias de mulheres pobres que surpreendentemente </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/listas/finas-mas-nem-tanto-escandalosas-das-novelas-que-lembram-maria-da-paz.htm"><span style="font-weight: 400;">conseguem enriquecer</span></a><span style="font-weight: 400;">, passamos a assistir uma narrativa oposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2015/01/bo-ensino-publico-no-brasilb-ruim-desigual-e-estagnado.html"><span style="font-weight: 400;">precariedade do sistema educacional brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é uma das temáticas sociais incorporadas na trama. A partir das vivências de Camila (Jéssica Ellen), filha caçula de Lurdes, como professora de História do colégio público Luis Gama, são tratadas questões como a falta de investimento e apoio governamental. A personagem ainda protagoniza discursos com reflexões essenciais em suas aulas, e inicia a ocupação do colégio com seus alunos, um </span><a href="https://www.politize.com.br/ocupacoes-de-escolas-entenda/"><span style="font-weight: 400;">símbolo do movimento estudantil</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19838" aria-describedby="caption-attachment-19838" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19838 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Lurdes e Camila na formatura da jovem. Camila, uma jovem negra, está de beca azul marinho e abraça sua mãe Lurdes, que segura o canudo de formatura da filha com felicidade. Ao redor delas, vemos uma porção de formandos com sorrisos nos rostos." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19838" class="wp-caption-text">As temáticas tratadas em Amor de Mãe se cruzam com a realidade em diversos momentos; questões raciais são trazidas à tona pelas personagens de Jéssica Ellen e Tais Araújo (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como toda novela costuma se adaptar aos acontecimentos do cotidiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve que se moldar para um cenário inesperado. Com a pandemia de covid-19, as </span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/noticia/2020/03/globo-cancela-gravacoes-de-amor-de-mae-por-causa-de-pandemia-de-coronavirus.html"><span style="font-weight: 400;">gravações foram interrompidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, e retornaram apenas no segundo semestre de 2020. Diante desse novo contexto, Manuela Dias repensou o roteiro da segunda fase de sua produção, trazendo a crise sanitária para o universo de seus personagens, algo já adotado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/sob-pressao-plantao-covid-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de ser importante tratar sobre o assunto no meio midiático, foi uma ótima maneira de adotar protocolos de distanciamento nas cenas de forma natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o seu núcleo de profissionais da saúde, a obra ainda conseguiu retratar a rotina difícil daqueles que trabalham dentro dos hospitais. No entanto, com um vírus que tem um comportamento incerto tanto para a ciência quanto para a sociedade, </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/03/29/especialistas-analisam-erros-em-amor-de-mae-em-cenas-sobre-covid.htm"><span style="font-weight: 400;">a novela não foi isenta de erros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde a adoção de protocolos incorretos, até beijos em acrílico e o desuso de máscaras em momentos oportunos. Ainda é uma realidade arriscada de ser retratada rigidamente na ficção, mas talvez a falta de alguns cuidados também tenha sido um bom exemplo para demonstrar o </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/01/08/A-atitude-do-Brasil-diante-de-200-mil-mortes-pela-covid-19"><span style="font-weight: 400;">descaso da população brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante desse cenário tão agravante.</span></p>
<figure id="attachment_19839" aria-describedby="caption-attachment-19839" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19839 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Érica, papel de Nanda Costa, lavando máscaras. Ela está no fundo da imagem, enquanto em primeiro planos vemos 3 máscaras desfocadas, secando num varal. Érica é branca, tem cabelos curtos acima dos ombros e veste um camisetão branco com estampa, além de usar uma máscara branca. Ao lado dela, vemos uma bacia vermelha. " width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19839" class="wp-caption-text">Manuela ainda conseguiu incluir alguns novos hábitos criados pela pandemia, como a cultura ascendente das lives e chamadas de vídeo; é impossível não se identificar com dona Lurdes reclamando enquanto higieniza as compras do mercado (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a todo esse contexto pandêmico, a segunda fase da trama deu continuidade para a narrativa de Lurdes em busca de Domênico, que descobre a verdadeira identidade do menino e passa a, involuntariamente, ter Thelma como sua principal inimiga. A obsessão em fazer de tudo para não perder seu filho atinge níveis cada vez mais </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/02/24/adriana-esteves-sobre-thelma-carminha-deve-ter-ficado-assustada.htm"><span style="font-weight: 400;">doentios e criminosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a entrega de cenas que só Adriana Esteves seria capaz de realizar. Em conjunto, Danilo volta a questionar a identidade de sua mãe biológica, indicando para um caminho que mais tarde vai se cruzar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse desenrolar, os demais núcleos da novela pareceram apenas agir para sustentar a narrativa principal. Enquanto alguns ficaram patinando sob a mesma história, outros personagens tiveram </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/morte-besta-de-lucas-em-amor-de-mae-gera-insatisfacao-do-publico-cena-patetica"><span style="font-weight: 400;">destinos previsíveis e de fácil solução</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um arco já quase resolvido na primeira fase, Vitória se envolve em tramas que não vem a acrescentar nada diretamente, como o retorno inesperado de sua mãe, interpretada pela atriz Eliane Giardini. Por outro lado, Penha (Clarissa Pinheiro) e Leila (Arieta Côrrea), que no início eram figuras pouco significativas, têm a melhor evolução como personagens, além de ganharem um </span><a href="https://gshow.globo.com/podcast/novela-das-9/noticia/penha-e-leila-terminam-juntas-em-amor-de-mae-e-clarissa-pinheiro-diz-super-a-favor-dessa-uniao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">arco de redenção essencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao encerramento da trama.</span></p>
<figure id="attachment_19840" aria-describedby="caption-attachment-19840" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19840 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela vemos a personagem Jane, interpreta por Isabel Teixeira. Ela é uma mulher branca de cabelos cacheados e grisalhos, e olhos claros. Jane usa óculos de grau e veste uma blusa de manga comprida com listras verdes, azuis, brancas e amarelas. Ela está com a mão esquerda segurando o lado esquerdo do óculos." width="1600" height="954" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-300x179.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-1024x611.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-768x458.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-1536x916.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-1200x716.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19840" class="wp-caption-text">Um ponto alto da produção foi trazer rostos incomuns para a telinha, além das brilhantes Arieta e Clarissa, conhecemos Isabel Teixeira, que interpretou Jane, em seu papel de estreia no mundo das novelas, apesar de já acumular anos de carreira nos palcos (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A reta final de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda contou com uma sucessão de acontecimentos trágicos, e bem difíceis de serem digeridos em meio a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/04/08/brasil-bate-recorde-e-registra-4249-mortes-por-covid-19-em-24h"><span style="font-weight: 400;">triste realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nos assola. Talvez a brusca redução de capítulos tenha condensado todas as catástrofes de uma vez só, e o surgimento de um equilíbrio foi imprescindível. Assim, emergiram alívios cômicos como a princesa unicórnio, protagonizada por Durval &#8211; o que com certeza não é uma reclamação, pois Enrique Díaz é genial em tudo que se propõe -, e a investida cada vez maior na construção de pares românticos, um clichê do qual não foi possível se isentar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da troca frequente de casais, outros acabaram surgindo inesperadamente, e em muitos momentos se tornaram a única motivação dos personagens. Érica (Nanda Costa) acaba se apaixonando por Davi, acompanhando a recuperação do mesmo após sofrer um atentado a mando de Álvaro. No mesmo passo que Lídia (Malu Galli) e Magno (Juliano Cazarré) se encontram e se unem para conseguirem curar a doença da filha Brenda (Clara Galinari). Enquanto Ryan (Thiago Martins) reata com a tenista Marina (Erika Januza), e protagonizam um enredo raso e banal sobre a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-53537542"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<figure id="attachment_19841" aria-describedby="caption-attachment-19841" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19841 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela vemos os personagens Lurdes, interpretada por Regina Casé, e Danilo, interpretado por Chay Suede, se abraçando em frente a um matagal na estrada. Lurdes é uma mulher branca, de cabelos escuros e compridos; ela veste uma blusa marrom de mangas compridas e usa óculos de grau. Danilo é um homem branco, de cabelos castanhos claros e cacheados; ele veste uma camiseta branca." width="1500" height="994" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-1200x795.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19841" class="wp-caption-text">O encontro entre mãe e filho foi a última cena gravada da novela, e Regina Casé e Chay Suede ficaram dias sem se ver para conseguirem entregar toda a tensão necessária  (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro mais aguardado da televisão nos últimos tempos demorou, demorou muito, mas finalmente aconteceu. Após sucessivas, e até arrastadas, tentativas de fugir da prisão criada por Thelma, Lurdes conseguiu encontrar seu filho Domênico. Uma cena que não precisa ser poupada de elogios, não somente pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m-UHo5VG9WQ"><span style="font-weight: 400;">entrega da atuação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Regina Casé e Chay Suede, mas por todo simbolismo que ela carrega. É o marco e representatividade da força materna. Uma verdadeira homenagem a todas as mães.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se por um lado comemoramos a morte do cruel Álvaro da Nóbrega, encerrando de vez seu duelo com Raul (Murilo Benício), </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/amor-de-mae/noticia/final-feliz-de-lurdes-e-morte-de-thelma-confira-todos-os-desfechos-de-amor-de-mae.ghtml"><span style="font-weight: 400;">o fim da antagonista Thelma</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um tanto reflexivo. Mesmo com todas as atrocidades cometidas pela personagem, é questionável pensar que sua única motivação sempre foi o bem e o amor de seu filho, por mais excessiva que fosse. Após ter o aneurisma estourado, ela consegue encerrar sua trajetória com aquilo que se dedicou a vida inteira. Morreu sendo chamada de mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o laço criado pelas três protagonistas se finaliza de fato, e consolida os diversos papéis maternos explorados ao longo dos 125 capítulos de <em>Amor de Mãe</em>. Lurdes finalmente tem sua família completa, após anos de luta, com seus cinco filhos reunidos. Vitória se vê na posição de matriarca e profissional que sempre almejou, ao lado do seu marido Raul e seus três filhos. Sua irmã, Natália (Clarissa Kiste), deixa de ser mãe solo ao reatar seu casamento com Durval, enquanto, no mesmo páreo, Miranda (Débora Lamm) inicia um segundo relacionamento, após o divórcio com Matias (Milhem Cortaz). Por fim, Betina (Isis Valverde) está prestes a iniciar a vida materna ao lado de Sandro. </span></p>
<figure id="attachment_19842" aria-describedby="caption-attachment-19842" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19842 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Na imagem, as personagens Lurdes, Thelma e Vitória estão em uma sala do hospital. Lurdes, interpretada por Regina Casé, está ao lado esquerdo; ela é uma mulher branca, de cabelos compridos escuros, e veste um vestido florido e usa uma bolsa. Ao centro, está Thelma, interpretada por Adriana Esteves, internada em uma cama de hospital. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos e está com avental de hospital. Ao lado direito, está Vitória, interpretada por Tais Araújo. Ela é uma mulher negra, com cabelos presos em um coque baixo; ela veste uma blusa branca de gola alta, um colete e calça brancos. " width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9.jpg 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-300x188.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19842" class="wp-caption-text">“Ser mãe é uma força muito estranha, meu filho” (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Manuela Dias não reinventou a roda ao trazer como narrativa principal a busca de uma mãe pelo seu filho perdido, algo já trabalhado por inúmeras vezes em telenovelas, como vimos de forma similar em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Sua inovação se dá pelo tratamento que ela atribuiu para um tema tão complexo e controverso, que é o Amor de Mãe. E fez isso sob o olhar brilhante e cinematográfico de José Luiz Villamarim, que assumiu a direção artística da obra. Dias errou e acertou, como todas novelas e produções fazem, mas proporcionou </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381055775955693575"><span style="font-weight: 400;">momentos impactantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que poucos conseguem atingir. Que a autora continue a contar belas histórias, que nos façam entreter, refletir e também emocionar.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um verdadeiro divisor de águas na teledramaturgia brasileira. Com uma nova estética novelesca, a produção conseguiu entregar uma narrativa profunda e que traz temas importantes para a plataforma mais popular que qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, que é a televisão. E ainda nos presenteou com uma das personagens mais queridas da história das novelas. Dona Lurdes e sua família já deixam profundas saudades. </span></p>
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