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	<title>Arquivos Judy Heumann &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Judy Heumann &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Crip Camp: Revolução pela Inclusão e porque a mudança é mais acessível do que se imagina</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Apr 2021 20:35:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Esta é a temporada em que o Cinema mainstream se ocupa em reconstituir trechos da história da luta por igualdade e liberdade na América ao mesmo tempo em que inicia a concretização da exaustiva cobrança por diversidade e inclusão. De 12 meses pra cá, surgiram em nossas telas retratos memorando períodos e movimentos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/crip-camp-revolucao-pela-inclusao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crip Camp: Revolução pela Inclusão e porque a mudança é mais acessível do que se imagina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19860" aria-describedby="caption-attachment-19860" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-19860 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra uma passeata de um grupo de jovens. Eles estão em cerca de 10 pessoas e seguram cartazes de protesto enquanto caminham numa calçada. A imagem os registra de lado, enquanto caminham para o lado direito, e ao fundo existem muitas árvores e uma cerca de portão." width="990" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462.jpg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/activism-cc-e1618259593462-768x517.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19860" class="wp-caption-text">O filme é mais uma das produções assinadas pelo casal Obama a ser indicada ao Oscar de Melhor Documentário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é a temporada em que o Cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> se ocupa em reconstituir trechos da história da luta por igualdade e liberdade na América ao mesmo tempo em que inicia a concretização da exaustiva cobrança por diversidade e inclusão. De 12 meses pra cá, surgiram em nossas telas retratos memorando períodos e movimentos que determinaram o que nossa realidade é hoje e os avanços que conquistamos, pintados por cineastas que hoje compõem </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-157993/"><span style="font-weight: 400;">as premiações mais diversas da história</span></a><span style="font-weight: 400;">. No gênero que se ocupa em registrar a nossa existência, o cenário não poderia ser diferente, e </span><a href="https://www.netflix.com/br/title/81001496?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp: Revolução pela Inclusão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é mais um encontro de todas as pautas que tomaram o ambiente de debate sobre as produções audiovisuais nos últimos meses. </span></p>
<p><span id="more-19859"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.sundance.org/blogs/festival/crip-camp-traces-disability-rights-movement-origins-to-a-70s-camp-for-teens-where-radical-acceptance-was-the-norm"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> se volta para os anos 50 acompanhando inicialmente a história do </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">um acampamento para jovens com deficiência, até chegar no começo dos anos 60 e continuar pelas próximas três décadas assistindo o nascimento e consolidação de um movimento em busca de direitos para aquela população, que na época formava a maior minoria dos Estados Unidos. A ligação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre esses dois extremos temporais se dá pelos efeitos gerados no acampamento, que motivou </span><a href="https://people.com/movies/how-a-free-spirited-summer-camp-for-disabled-teens-in-the-70s-changed-the-world/"><span style="font-weight: 400;">a organização coletiva por igualdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir de sua principal premissa: constituir um lugar seguro para que pessoas com deficiência pudessem viver livremente sua juventude, longe dos preconceitos da sociedade e da superproteção dos pais, ainda que por apenas alguns dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos 100 minutos, o epicentro da história se constrói sob o fato de que os jovens livres de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornaram ativistas que </span><span style="font-weight: 400;">mudaram a estrutura segregacionista</span><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos junto dos demais movimentos por </span><a href="https://www.google.com/aclk?sa=L&amp;ai=DChcSEwjIpor76vfvAhWHDZEKHX3SACsYABAAGgJjZQ&amp;ae=2&amp;sig=AOD64_1XCoC0l6FWXSuMQtMYwjZRy7_bCw&amp;q&amp;adurl&amp;ved=2ahUKEwi48IP76vfvAhW-ILkGHRNzDKIQ0Qx6BAgDEAE"><span style="font-weight: 400;">direitos civis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp </span></i><span style="font-weight: 400;">não funciona somente como uma cápsula do tempo de memórias juvenis nem “apenas” (com muitas aspas) como um histórico da luta pelos direitos das pessoas com deficiência no país, mas tece também uma reflexão poderosa sobre auto-estima e a potência que existe na simplicidade do sentir-se pleno enquanto ser humano.</span></p>
<figure id="attachment_19861" aria-describedby="caption-attachment-19861" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-19861 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1024x595.jpg" alt="Imagem colorida do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A foto registra quatro jovens que posam de frente e sorrindo. Ao centro, está um adolescente branco de óculos de grau e camisa listrada laranja de pé. Ele apoia as mãos em duas cadeiras de rodas, uma de cada lado, cada uma ocupada por um jovem, ambos são brancos, tem cabelos curtos e vestem roupas claras. Atrás do jovem que está no lado esquerdo da imagem, existe um outro que também posa para a foto. Ele é negro, usa óculos de grau e camiseta azul clara, e está de pé, apoiado em um andador. Ao fundo, pode-se observar um campo e uma árvore, onde muitos outros jovens se reúnem." width="840" height="488" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1024x595.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-300x174.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-768x446.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1536x892.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix-1200x697.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-netflix.jpg 1822w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19861" class="wp-caption-text">“Você não era escolhido para times em casa. Mas no Jened, você usava o taco, e se errasse a bola, você estava fora” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É por isso que o ex-campista </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm0495898/"><span style="font-weight: 400;">James LeBrecht</span></a><span style="font-weight: 400;"> defende logo no início que o acampamento “</span><i><span style="font-weight: 400;">mudou o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">” e decidiu contar a história como um dos principais personagens e colaboradores do filme, além de também dirigi-lo, roteirizá-lo e produzi-lo junto de </span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1011820/"><span style="font-weight: 400;">Nicole Newnham</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com muita memória afetiva, ele engata a narrativa a partir de suas lembranças pessoais</span><span style="font-weight: 400;"> n</span><span style="font-weight: 400;">um lugar que de início </span><span style="font-weight: 400;">pode parecer com qualquer outro acampamento para jovens na era </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/woodstock-completa-50-anos"><i><span style="font-weight: 400;">Woodstock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. E justamente por ser tão normal é que ele era tão especial. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, não existia tratamento diferenciado para as</span> <span style="font-weight: 400;">dezenas de jovens e adultos com deficiência física ou intelectual, que se encontravam em todos os verões entre a década de 50 até o final dos anos 70 nas montanhas do estado de Nova Iorque. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As únicas determinações eram a liberdade e o respeito, e a única coisa que todos tinham em comum era a falta de convívio social, alguns porque eram obrigados institucionalmente pela <a href="https://diariodainclusaosocial.com/2017/08/31/inclusao-das-pessoas-com-deficiencia-da-segregacao-as-novas-conquistas/">segregação</a>, outros para evitar a exposição ao <a href="https://politike.cartacapital.com.br/a-maldicao-do-preconceito-as-pessoas-com-deficiencia/">preconceito</a>. Quem coordenava tudo eram os monitores do acampamento, jovens integrantes de outros movimentos sociais, sem deficiência e sem formação para atender as necessidades especiais dos campistas, o que acabava por intensificar a sensação de liberdade, autonomia e confiança nas brincadeiras, festas e rodas de conversa promovidas no </span><i><span style="font-weight: 400;">Camp Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19862" aria-describedby="caption-attachment-19862" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-19862 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750.jpg" alt="Imagem do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. No lado esquerdo do registro, está um jovem negro vestindo um chapéu de palha e uma camisa de bolinhas vermelhas. Ele faz careta para imagem. No lado direto, atrás do primeiro jovem, está um casal de jovens. Ambos são brancos e usam cadeiras de roda enquanto se beijam. Ao fundo, pode-se observar um gramado e muitos outros jovens." width="1000" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/crip-camp-2020-003-jened-1968-69-patti-smolian_1000x750-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19862" class="wp-caption-text">“Era uma utopia. Quando estávamos lá, não havia mundo externo” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A energia da convivência no acampamento é trazida para </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> através de alguns registros que James LeBrecht fez de seus verões em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">, buscando vazão para para suas inspirações audiovisuais enquanto vivia sua juventude com uma deficiência física. Ali, exceto pelos momentos reservados para cada um compartilhar suas dores na intenção de encontrar apoio e identificação, não era lugar de se definir pelas suas condições físicas ou intelectuais. O clima era tomado por uma vibração intensa de amizade e diversão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que reflete num filme leve, bem-humorado e natural, exatamente da mesma maneira que as coisas eram encaradas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jened</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo nas ocasionais imagens em preto e branco, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> é colorido pela contagiante vivacidade de seus protagonistas e especialmente iluminado pela trilha construída com as músicas enérgicas dos <a href="https://www.sparflex.com.br/a-musica-dos-anos-60-mudou-a-cultura-mundial/#:~:text=Os%20anos%2060%20foram%20marcados,por%20isso%20os%20influenciava%20tanto.&amp;text=Pois%20com%20a%20chegada%20do,m%C3%BAsica%20criava%20um%20novo%20trajeto.">anos 60</a> celebrando o amor e pedindo por liberdade e paz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mérito disso também é de seus personagens, que dividem suas vivências, das mais gostosas às mais difíceis, com a paixão da saudade e brilho no olho da satisfação, algo que só transforma o filme em algo ainda mais especial. Além de acender uma luz em memórias deliciosas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca pessoas com deficiência como fontes de informação em uma narrativa maravilhosa sobre elas, onde elas são ouvidas, respeitadas e consideradas como o que de fato são: uma parte importante da história.</span></p>
<figure id="attachment_19863" aria-describedby="caption-attachment-19863" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19863 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-1024x668.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra um grupo de quatro jovens, um deles com deficiência física usando uma cadeira de rodas, que está mais à esquerda e acima da imagem. Os demais estão sentados numa passarela de madeira sob o chão de gramado, tocando violão e cantando." width="840" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-1024x668.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/EUY1-QbU4AA3FzJ.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19863" class="wp-caption-text">“O problema não existia com as pessoas com deficiência, o problema era com as pessoas sem deficiência” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Organicamente, esse movimento origina o segundo ato do filme de </span><a href="https://calhum.org/a-conversation-with-crip-camp-co-directors/"><span style="font-weight: 400;">LeBrecht e Newnham</span></a><span style="font-weight: 400;">, que se destina exclusivamente a explorar o nascimento dos movimentos pelos direitos das pessoas com deficiência. E inteligentemente, isso é o que cria uma distanciação entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma possível romantização perigosa da luta exaustiva que aqueles grupos tiveram que enfrentar enquanto buscavam direitos básicos e do tratamento humilhante que tiveram que encarar até chegar lá. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um objetivo muito bem definido e ciente do poder que tem nas mãos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> não usa sua história divertida sobre juventude de forma irresponsável, pintando tudo às mil maravilhas como algo que só é sobre festa e curtição. O documentário não hesita em mostrar também a realidade cruel vigente pelo preconceito através de imagens fortes, denunciando o tratamento desumano que outros locais de “assistência” reservavam às pessoas com deficiência. Elas, inclusive, </span><span style="font-weight: 400;">infelizmente não estão todas vivas para dar voz às suas experiências na tela, mas as figuras centrais do documentário encontram espaço ali, presentes e contundentes para contar sua própria história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A principal delas é </span><a href="https://www.shondaland.com/inspire/a31946513/judy-heumann-crip-camp-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Judy </span><span style="font-weight: 400;">Heumann</span></a><span style="font-weight: 400;">, estrela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> e uma das melhores oradoras e líderes que teremos a chance de conhecer. Na época, a jovem campista, convivendo com as sequelas da poliomielite que teve ainda quando bebê, logo se revelou uma liderança dentro da bagunça boa do acampamento. Fora dele, sua habilidade de articulação a transformaria numa das figuras mais importantes na luta pelos direitos das pessoas com deficiência nos Estados Unidos, iniciada com a </span><a href="https://share.america.gov/pt-br/150-americans-took-building-changed-disability-law/"><span style="font-weight: 400;">Ocupação 504</span></a><span style="font-weight: 400;">, quando 150 pessoas ocuparam o Departamento de Saúde de São Francisco até que fossem aprovadas leis locais de acessibilidade.</span></p>
<figure id="attachment_19864" aria-describedby="caption-attachment-19864" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19864 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-1024x683.jpeg" alt="Imagem do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A imagem registra uma passeata do movimento pelos direitos das pessoas com deficiência na frente de um órgão do governo. Ao centro da imagem, pode-se observar a ativista Judy Heumann, uma mulher branca de cabelos curtos e óculos de grau numa cadeira de rodas e segurando um cartaz de protesto de frente para a câmera. Atrás dela, existem outros protestantes passando na calçada, incluindo outras pessoas com deficiência." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/fd9f41e8-fc90-4c0c-85e2-b199a34e3da0.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19864" class="wp-caption-text">“Você pode aprovar uma lei, mas até você mudar as atitudes da sociedade, a lei pouco significará” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Judy também foi conselheira internacional para os direitos das pessoas com deficiência no Departamento de Estado dos EUA no governo de Barack Obama, e talvez seja a responsável por fazer a ponte entre o filme e sua produção, assinada pela </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/oscar-2020-produtora-dos-obama-ja-tem-varios-projetos-caminho-1-24239558"><i><span style="font-weight: 400;">Higher Ground</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A produtora do ex-presidente e de sua esposa, Michelle Obama é </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/oscar/2020/noticia/2020/02/09/industria-americana-leva-o-oscar-de-melhor-documentario-e-derrota-democracia-em-vertigem.ghtml"><span style="font-weight: 400;">queridinha da Academia</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde seu primeiro filme, estreando na indústria cinematográfica já com uma estatueta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> do ano passado. O fenômeno foi atingido com </span><a href="https://www.netflix.com/watch/81090071?source=35"><i><span style="font-weight: 400;">Indústria Americana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; intragável e apático, diga-se de passagem -, filme também distribuído pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> que causou o terror da categoria repleta de produções incríveis em 2020.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, os erros do ano passado não se repetem desta vez com </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> da penúltima edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/sundance/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um pouco mais sutil que </span><a href="https://personaunesp.com.br/judas-e-o-messias-negro-critica/"><span style="font-weight: 400;">as ficções indicadas</span></a><span style="font-weight: 400;">, um pouco menos incisivo do que alguns companheiros de categoria (</span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo) e ofusca seus concorrentes igualmente merecedores que não possuem o poder econômico e simbólico da produtora dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jG8Vvkn7iPw"><span style="font-weight: 400;">Obama</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas a indicação da vez é merecida e o favoritismo não é apenas justificável como também bem-vindo no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, considerando todo o seu significado no reconhecimento que traz aos profissionais com deficiência, contemplados no nome de James LeBrecht, e à história de inquestionável importância.</span></p>
<figure id="attachment_19865" aria-describedby="caption-attachment-19865" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19865 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-1024x683.jpg" alt="Fotografia dos diretores e os principais personagens de Crip Camp na estreia do filme no Festival de Sundance. Ao centro, está a diretora Nicole Newnham, uma mulher branca, de cabelos castanhos curtos e lisos, sem deficiência, que usa um vestido preto. À direita dela está o outro diretor, James LeBrecht, um homem granco, de cabelos loiros cacheados e com deficiência física. À direita de James, está a ativista Denise Sherer Jacobson, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos e com deficiência física. No lado direito, estão os ativistas Stephen Hofmann, um homem branco também numa cadeira de rodas, e Judy Heumann, uma mulher branca de cabelos curtos castanhos também que também faz uso de uma cadeira de rodas. Atrás deles, existe um painel lilás do festival, e eles posam no carpete bege do evento." width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/2020_CripCamp.jpg 1110w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19865" class="wp-caption-text">Os diretores e os principais personagens de Crip Camp na estreia do filme no Festival de Sundance (da esquerda para a direita: Stephen Hofmann, Judy Heumann, Nicole Newnham, James Le Brecht e Denise Sherer Jacobson) (Foto: <em>Lauren Wester/Sundance Institute</em>)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso é o que se sobressai em </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">, aliás. Ao nos colocar diante de uma história onde os que eram vistos como os mais frágeis e fracos da sociedade enfrentaram o mais alto escalão de seu governo com sucesso, o documentário transcende seu nicho &#8211; já de formação obrigatória para qualquer cidadão do século XXI -, pauta o <a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,capacitismo-pessoas-com-deficiencia-explicam-o-que-e-e-como-evita-lo,70003478130">anticapacitismo</a> e cria algo muito poderoso sobre a potência do sentir-se digno.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Reflexão que se desdobra e se manifesta em diversos aspectos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;">. No Cinema, ele sublinha a importância de se representar pessoas iguais às que vemos na vida real, que </span><a href="https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2015/12/04/negros-representam-54-da-populacao-do-pais-mas-sao-so-17-dos-mais-ricos.htm"><span style="font-weight: 400;">de minoria, às vezes, não têm nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e que </span><a href="https://coletiva.net/artigos-home/cinema-feito-por-pessoas-com-deficiencia-por-que-tao-incomum-,301939.jhtml"><span style="font-weight: 400;">estão por aí</span></a><span style="font-weight: 400;">, contando suas histórias com maestria, transformando assim o reconhecimento como algo que precisa apenas de uma oportunidade para acontecer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No íntimo, ele toca na verdade simples e subestimada que prova que mudar o micro transforma o macro. É fato que as vigências do nosso mundo são muito grandiosas e muito bem instauradas, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos lembra através de um exemplo concreto que as coisas começam por algum lugar. Pelas pessoas, mais especificamente, que por sua vez, também precisam ser transformadas numa realidade que apaga sua autonomia em benefício de suas próprias estruturas.</span></p>
<figure id="attachment_19866" aria-describedby="caption-attachment-19866" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19866 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913.jpg" alt="Imagem em preto e branco do filme Crip Camp: Revolução pela Inclusão. A fotografia registra um grupo de jovens mulheres campistas, que posam sorridentes para a câmera em um gramado." width="1000" height="510" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913-300x153.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/camp5-e1618259504913-768x392.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19866" class="wp-caption-text">A mensagem é arrematada ao final do filme, com o retorno de nossos personagens históricos ao local onde tudo começou, quando eram apenas adolescentes buscando normalidade encontrando uma enorme pulsão de vida (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com essas peças em mãos, tudo se encaixa. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Crip Camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> constrói é exatamente uma demonstração da transformação que pode surgir de um sentimento ‘simples’ e individual, que acaba por ser poderoso e coletivo. Através do sentir-se capaz e digno de sua existência, digno de sua voz, digno de sua história, e, neste caso em especial, digno de sua arte e de seu cinema, o documentário chega na motivação de tudo o que fazemos na coletividade: lutar pela vida e para que todos tenham direito de vivê-la.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="CRIP CAMP: A DISABILITY REVOLUTION | Official Trailer | Netflix | Documentary" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XRrIs22plz0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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