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	<title>Arquivos José Luiz Villamarim &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira</title>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira Crônica da Casa Assassinada, lançado em 1959, assim como vários romances eternizados, contempla o fim da tradição familiar. Mas, ao contrário de clássicos como Os Buddenbrook e Cem Anos de Solidão, o romance não ficou marcado na literatura brasileira como deveria. A reedição pela Companhia das Letras é apenas o ponto de partida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cronica-da-casa-assassinada-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Crônica da Casa Assassinada explicita os desejos reprimidos da aristocracia mineira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21165" aria-describedby="caption-attachment-21165" style="width: 452px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/9786559210312_gg.jpg" alt="Capa do livro Crônica da Casa Assassinada. Na imagem consta uma capa estampada por formas marrom e preto, com o nome do autor, Lúcio Cardoso, no canto superior. O título do romance está abaixo em uma caixa cortada preta, onde está escrito: Crônica da Casa Assassinada. Acima, está o logo da editora Companhia das Letras." width="452" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-21165" class="wp-caption-text">Em abril, foi lançada a nova edição de Crônica da Casa Assassinada pela Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14767"><i><span style="font-weight: 400;">Crônica da Casa Assassinada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, lançado em 1959, assim como vários romances eternizados, contempla o fim da tradição familiar. Mas, ao contrário de clássicos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E2ELUtPcEhQ&amp;ab_channel=tatianagfeltrin"><i><span style="font-weight: 400;">Os Buddenbrook</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/cem-anos-de-solidao/"><i><span style="font-weight: 400;">Cem Anos de Solidão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o romance não ficou marcado na literatura brasileira como deveria. A reedição pela </span><a href="https://personaunesp.com.br/klara-e-o-sol-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é apenas o ponto de partida para a reparação que o autor merece. O crédito, muito merecido, de </span><a href="https://blog.estantevirtual.com.br/2021/04/07/classico-de-lucio-cardoso-ganha-nova-edicao-pela-companhia-das-letras/"><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> é visível pela maneira com que ele examina o interior da aristocracia mineira e sua decadência.</span></p>
<p><span id="more-21164"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A família retratada no livro, Os Meneses, </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2021/05/21/interna_pensar,1268694/cronica-da-casa-assassinada-ganha-nova-edicao.shtml"><span style="font-weight: 400;">existiu na vida real</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é o exemplo perfeito para a maldição mais clássica da literatura. Inevitavelmente, o apogeu de um clã tradicional é sempre passageiro, e apesar da glória momentânea, é garantido que o fundo do poço é muito mais traiçoeiro. Em meio a cartas (enviadas ou não), confissões e relatos avulsos, </span><a href="https://www.revistaamalgama.com.br/10/2013/ler-lucio-cardoso/"><span style="font-weight: 400;">Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> trilha uma história sombria sobre indivíduos aprisionados pelo próprio sangue. Os capítulos são todos narrados em primeira pessoa, trazendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OBlH8bFI8fg"><span style="font-weight: 400;">certa desconfiança</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto a cada versão apresentada, e noções distorcidas sobre cada personagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A condenação à solidão é uma realidade auto imposta na Chácara, residência dos Meneses. O retrato de uma casa acabada e triste é clichê, mas efetivo. Conforme vão sendo contadas as histórias dos familiares, é possível entender o estado decadente dos cômodos e jardins, abandonados a Deus numa combinação perfeita com a miséria de seus moradores. Assim como o declínio da residência dos Buendía em Macondo e dos Buddenbrook no norte alemão, a mansão mineira localizada em Vila Velha sofreu com </span><span style="font-weight: 400;">o fim da oligarquia latifundiária.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Do lado de fora, isolada daquele quadro harmonioso, pensei comigo mesma que eles tinham toda a aparência de uma família feliz. Aparência apenas, porque em todos eles havia um elemento destrutor que os corroía.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A vida doméstica dos Meneses é regida por sentimentos de dor e ódio, familiares que se detestam, evitam a presença e palavras afiadas uns dos outros. O próprio destino que criou um clã abastado, foi culpado pela existência de seres tão miseráveis. Os herdeiros restantes, Valdo e Demétrio, não tentam elevar o status de glória e solidez que um dia tiveram, visto que já não sabem administrar uma propriedade desse porte. Contudo, a existência simplória de todos muda com a chegada da carioca Nina, moça jovem, bela e espontânea.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal como </span><a href="https://www.bonslivrosparaler.com.br/livros/resenhas/anna-karienina/1403#:~:text=Enfim%2C%20em%20%E2%80%9CAnna%20Karenina%E2%80%9D,hist%C3%B3ria%20que%20atravessa%20o%20tempo."><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></a><span style="font-weight: 400;">, Nina é uma personagem descrita por sua beleza e juventude que é brutalmente castigada por seu criador. Ao mesmo tempo que atrai homens com um simples olhar, recebe desconfiança e culpa. Enganada por Valdo pela promessa de uma vida abastada, ela chega a Vila Velha para se deparar com a solidão. A personagem não hesita em se entregar aos prazeres da vida, tendo casos amorosos, e inclusive se envolvendo com o próprio filho. Revela em cartas a fuga de seu casamento com Valdo, tendo sido acusada de adultério e levada ao exílio, voltando 15 anos depois. Os momentos finais da personagem são cruéis, visto que ela padece de um câncer doloroso que extenua a agonia de sua morte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é explorada sob pontos de vista distintos. Além dos familiares, o médico, padre e o farmacêutico registram a visão externa da família, sendo também testemunhas do passado rico do clã. Ana, esposa de Demétrio, é dona de valores regionais conservadores e nutre uma obsessão pela cunhada, mostrando-se como uma vilã rancorosa. Assim, se destaca a dualidade que permeia o romance, de um lado o regionalismo mineiro dos Meneses, de outro a vulgaridade urbana do Rio de Janeiro explícita em Nina.</span></p>
<figure id="attachment_21166" aria-describedby="caption-attachment-21166" style="width: 350px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-21166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/indice.jpeg" alt="Foto do autor Lúcio Cardoso. A fotografia possui um aspecto antigo, em bege e marrom claro. O autor é um homem branco de meia idade com cabelos e olhos castanhos, ele veste uma camisa preta e olha para o lado, suas mãos estão na altura dos joelhos. A sala possui paredes brancas, uma pequena estante com livros e pinturas na cama onde Lúcio Cardoso está sentado." width="350" height="251" /><figcaption id="caption-attachment-21166" class="wp-caption-text">“Se Deus existe – e sei, sinto que existe – está comigo. Não é possível participar de tantas formas de vida, delas estando tão ausente. E morro de tudo o que vivo: sinto que a existência, em certos momentos, é quase um sacrilégio”, escreveu Lúcio Cardoso em seu diário (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso opta por explorar intimamente a condição humana dos personagens. Ademais, o autor reúne recursos sociais da época para complementar a história, considerando que a sociedade da trama é formada por uma pequena vila mineira do século XX. O medo do desenvolvimento urbano, o fim dos grandes casarões e o apego ao saudosismo regional são fatores que inflamam a fragmentação dos Meneses. Já no âmbito privado, o autor pontua os tabus que alcançam o clã, como homossexualidade, incesto e suicídio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O retrato dos personagens contradiz a visão externa que a família exibe para os habitantes de Vila Velha, a riqueza e tradição dos Meneses é apenas um mito. Timóteo, um dos herdeiros, é um homossexual assumido que vive em reclusão sendo apresentado como doente para preservar a dignidade da família, que tenta esconder suas excentricidades, ele usa roupas velhas e joias de mulher. O personagem encontra amizade e afeto apenas em sua cunhada, Nina, com quem planeja uma vingança contra o clã.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">André, narrador do primeiro capítulo, é protagonista do arco mais chocante da trama. Desamparado e perdido com relação ao passado de seus pais, o jovem embarca num </span><a href="http://www.psicopatologiafundamental.org.br/uploads/files/VII%20CONGRESSO/ANAIS/posters/P1.pdf"><span style="font-weight: 400;">caso incestuoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> com sua mãe. Incompreendido pelo pai, por quem não nutre nenhum afeto, ele é deixado aos cuidados de Betty, a governanta da casa. A verdade sobre sua origem é revelada no final da obra, Cardoso inverte a história estabelecida nas últimas páginas, onde castiga o leitor por quaisquer juízos de valores errôneos criados.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“E sendo assim, desgraçada também a potência que nos inventou, pois inventou também ao mesmo tempo a ânsia inútil, o furor do escravo, e a perpétua vigília por trás desse cárcere de que só escapamos pelo esforço da demência, do mistério ou da confusão.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Como dito no próprio título, o personagem principal é a própria Chácara, reflexo das falhas do clã Meneses. Os jardins sem vida e objetos de luxo são lembranças inúteis de um passado rico, janelas fechadas e um quartos escuros são o lar dos fantasmas vivos que habitam o local. A descrição de cada diálogo e cena é acompanhada pela aparência melancólica e decadente do cenário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ambiente conhecido do leito é o Pavilhão, que abriga os amores e casos de Nina, além do único momento de verdadeira felicidade que a personagem conheceu junto a Valdo. Mas, ao mesmo tempo, é um espaço que exala morte e desespero, onde ocorreu o suicídio de Alberto, amante da carioca, um fator decisivo para o rancor de Ana, secretamente apaixonada pelo jovem jardineiro.</span></p>
<p><a href="https://www.jornalopcao.com.br/opcao-cultural/destarte/lucio-cardoso-em-busca-do-arcanjo-rebelde-110100/"><span style="font-weight: 400;">Lúcio Cardoso</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi (tardiamente, vale ressaltar) trazido de volta pela editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">. O escritor, que estreou em 1934 com o romance </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0204200516.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Maleita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não é tão citado em comparação aos grandes nomes da segunda fase do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YlqUollEjyo"><span style="font-weight: 400;">Modernismo brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, como Clarice Lispector e Graciliano Ramos. Amor juvenil de Lispector, ele fez parte da ramificação modernista chamada de </span><a href="https://www.sescsp.org.br/online/artigo/104_QUEM+FOI+LUCIO+CARDOSO"><span style="font-weight: 400;">Literatura Intimista</span></a><span style="font-weight: 400;">, os autores desse grupo centravam suas obras nos conflitos do indivíduo, contrariando as críticas sociais e ares progressistas, marcados em grandes romances como </span><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães da Areia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em sua obra-prima, Cardoso não hesita em expor a família burguesa como animais donos de desejos reprimidos e almas solitárias.</span></p>
<figure id="attachment_21167" aria-describedby="caption-attachment-21167" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/06/a-casa-assassinada.jpg" alt="Cena do filme A Casa Assassinada. A foto está em preto e branco, nela estão os atores Carlos Kroeber no papel de Timóteo e Norma Bengell como Nina. Timóteo é um homem branco de meia idade com cabelos castanhos e seus olhos estão fechados, ele usa um vestido estampado e maquiagem nos olhos, ele também usa pulseiras e brincos, está com as mãos cruzadas sobre o corpo de Nina. A personagem feminina é uma mulher branca que está deitada e morta, ela possui cabelos loiros e veste um vestido preto. Atrás dos personagens, existem homens de ternos cujas cabeças estão cortadas pela imagem." width="500" height="334" /><figcaption id="caption-attachment-21167" class="wp-caption-text">Cena da adaptação cinematográfica dos anos 70; o longa é estrelado por Norma Bengell como Nina, e Carlos Kroeber como Timóteo (Foto: Planiscope Planificações e Produções)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cardoso foi muito influenciado por </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/pecado-e-santidade-na-alma-em-ruinas/"><span style="font-weight: 400;">autores católicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e levanta </span><a href="https://vermelho.org.br/2012/01/12/cronica-da-casa-assassinada-um-romance-regionalista-sem-historia/"><span style="font-weight: 400;">questionamentos religiosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> na obra, principalmente, nas partes narradas por Padre Justino ou em confissões enviadas ao personagem. Outro tema comum ao catolicismo é abordado quando sugere que o pecado é realizado por aqueles que não aproveitam a vida, e que buscam a perfeição como norma suprema. Assim, os Meneses, seres isentos de erros que vivem com a máxima dignidade, são tão pecadores quanto Nina, que aceita uma vida pecaminosa e plena.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do romance foi transportada para o cinema nos anos 70. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kXMg3NQt-Lo&amp;ab_channel=Jo%C3%A3oCarlosRodrigues"><i><span style="font-weight: 400;">A Casa Assassinada</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> um filme dirigido por Paulo César Saraceni em 1971, esteve presente inclusive no primeiro Festival de Gramado, e também no Festival de Brasília. O longa teve sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-32Zjd7cDQ"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> feita por Tom Jobim. Além da produção, existe um projeto para uma </span><a href="https://glamurama.uol.com.br/jose-luiz-villamarim-vai-dirigir-versao-do-classico-cronica-da-casa-assassinada-de-lucio-cardoso-para-o-cinema/"><span style="font-weight: 400;">nova versão</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cinema, cuja direção ficará a cargo de José Luiz Villamarim (</span><i><span style="font-weight: 400;">Nada Será Como Antes</span></i><span style="font-weight: 400;">). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra-prima começa pelo final, a morte de Nina e o afastamento de André encerram a narrativa dos Meneses, presos eternamente num conto aristocrático trágico. Meias confissões e relatos envoltos de culpa ajudam a situar a névoa que abraça não só os familiares, mas toda a pacata Vila Velha. O autor é ousado ao afrontar os costumes </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/lucio-cardoso-levantou-um-punhal-contra-minas-gerais-em-obra-prima.shtml"><span style="font-weight: 400;">regionalistas mineiros</span></a><span style="font-weight: 400;">, expondo sem dó a corrosão moral da oligarquia brasileira. A falta de reconhecimento do romance é injustificável, mil reedições de </span><i><span style="font-weight: 400;">Crônica da Casa Assassinada</span></i><span style="font-weight: 400;"> não são suficientes para reparar o período em que Lúcio Cardoso permaneceu desvalorizado na literatura nacional.</span></p>
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		<title>Amor de Mãe e a ruptura da teledramaturgia brasileira</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 20:06:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva O meio cultural está em constante mutação. Com o passar dos anos, fomos alterando e desenvolvendo as nossas formas de consumir conteúdo, seja pelo meio impresso, radiofônico ou televisivo. Assim como os meios mudam, o seu público também muda. Temas que no século passado eram tratados com normalidade não são mais cabíveis nos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Amor de Mãe e a ruptura da teledramaturgia brasileira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19843" aria-describedby="caption-attachment-19843" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19843 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos a família de dona Lurdes reunida no sofá da casa, sorrindo para a foto. À esquerda e atrás de todos, está Ryan, de cabelo descolorido e regata cinza. Abaixo dele, da esquerda à direita, vemos Camila, mulher negra vestindo roupa vermelha; Danilo, homem branco, de cabelos castanhos e camiseta cinza. Dona Lurdes está ao centro, sorrindo, de óculos com acessório que impede de cair, e cabelos pretos. Ao lado dela, estão Érica e Magno. " width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19843" class="wp-caption-text">A produção de Manuela Dias chegou ao fim, mas deixa marcas eternas na televisão (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O meio cultural está em constante mutação. Com o passar dos anos, fomos alterando e desenvolvendo as nossas formas de consumir conteúdo, seja pelo meio impresso, radiofônico ou televisivo. Assim como os meios mudam, o seu público também muda. Temas que no século passado eram tratados com normalidade não são mais cabíveis nos dias atuais. Dessa forma, os produtos culturais foram recebendo novas vestimentas. Hoje, já sabemos que nem toda narrativa precisa ter uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">mocinha que vai atrás do seu par romântico</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como estereotipar personagens homossexuais não é (e nunca deveria ter sido) motivo de piada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa revolução iria se estender, é claro, para o mundo das novelas. Uma das principais formas de entretenimento do público brasileiro, </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2018-02/uso-de-celular-e-acesso-internet-sao-tendencias-crescentes-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">grande adepto do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com a ascensão dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings </span></i><span style="font-weight: 400;">e a concorrência cada vez maior de seriados, a teledramaturgia precisou se modificar. Assistir histórias com desfechos sem pé nem cabeça já havia se tornado algo rotineiro, “coisa de novela”, como se o gênero tivesse que ser sinônimo de algo mal feito. Não dava para sustentar um público cada vez mais em busca de abordagens sérias e profundas com os mesmos temas batidos de sempre. </span></p>
<p><span id="more-19834"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E o meio novelesco sentiu essa necessidade de mudança. Temáticas relevantes passaram a ser cada vez mais trabalhadas no horário nobre, e algumas até provocaram discussões que se elevaram para o ambiente social, como o </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/o-outro-lado-do-paraiso-traz-machismo-assedio-ao-horario-nobre-21977955"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> abordado em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Outro Lado do Paraíso</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a questão da </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2020/10/02/a-forca-do-querer-pessoas-trans-contam-como-novela-impactou-suas-vidas.htm"><span style="font-weight: 400;">transição de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Força do Querer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Recentemente, a reprise</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fina Estampa</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo </span></i><span style="font-weight: 400;">até causou </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/tv,fina-estampa-atores-criticaram-o-proprio-trabalho-apos-reprise,70003443642"><span style="font-weight: 400;">certo espanto e repulsa</span></a><span style="font-weight: 400;">, por uma abordagem já retrógrada e que se pautava apenas em um arco de vingança de uma personagem histérica e sem motivações. </span></p>
<figure id="attachment_19835" aria-describedby="caption-attachment-19835" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19835 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2.jpg" alt="Foto de divulgação da novela Amor de Mãe. Nela, vemos as três protagonistas da novela paradas na rua, olhando com cara séria para a câmera. À esquerda, vemos Thelma, interpretada por Adriana Esteves. Ela é branca, de pele clara e cabelos escuros na altura dos ombros, veste camisa xadrez vermelha e calça jeans. Ao meio está Lourdes, papel de Regina Casé, mulher nordestina, de pele clara, cabelos pretos e óculos de grau com armação marrom claro. Ela usa um vestido amarelo e leva uma bolsa preta a tiracolo. À direita está Vitória, vivida por Tais Araújo, uma mulher negra, de cabelo preso num coque e terninho bege, usando camiseta preta de gola alta. Está de dia e podemos ver carros desfocados estacionados ao fundo." width="1280" height="854" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem2-2-1200x801.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19835" class="wp-caption-text">Amor de Mãe marcou o nascimento dos<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2019/08/08/conheca-o-mg4-conjunto-de-3-novos-estudios-da-globo.ghtml"> estúdios MG4</a>, o maior complexo de produção de conteúdo da América Latina (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos lançamentos mais recentes da emissora veio para romper de vez com padrões novelescos até então impostos. Escrita e criada por Manuela Dias, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> já nasceu com altas expectativas. A autora foi a mesma que deu vida para a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Ligações Perigosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a grandiosa </span><i><span style="font-weight: 400;">Justiça</span></i><span style="font-weight: 400;">, que foi </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/justica-ganha-duas-nomeacoes-ao-emmy-internacional-confira-lista-de-indicados"><span style="font-weight: 400;">indicada ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Manuela fez escola em como trabalhar narrativas realistas e com críticas sociais como pano de fundo, conseguindo entrelaça-las da maneira mais natural possível. Seu novo desafio era fazer o mesmo em um dos produtos principais da televisão: a novela das nove. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para isso, Dias decidiu contar sua história a partir de uma das figuras centrais da vida de qualquer brasileiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> envolve a narrativa de três matriarcas, de diferentes personalidades e classes sociais: Lurdes (Regina Casé), Vitória (Tais Araújo) e Thelma (Adriana Esteves). A carismática dona Lurdes é o grande laço que conecta todas elas. Mãe de cinco filhos e natural da cidade fictícia de Malaquitas, do Rio Grande do Norte, a empregada doméstica tem como motivação principal encontrar o filho do meio, Domênico, que foi vendido por seu ex-marido quando ainda era criança.</span></p>
<figure id="attachment_19836" aria-describedby="caption-attachment-19836" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19836 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Vitória e Paulo dentro de um carro. Ela é vivida por Tais Araújo, uma mulher negra que está no banco do passageiro, usando roupa amarela e tem o cabelo solto. Ele é vivido por Fabrício Boliveira, está no banco do motorista, desfocado, tem a pele negra, barba escura e usa óculos com armação transparente. " width="1600" height="1020" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-300x191.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-1024x653.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-768x490.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-1536x979.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem3-2-1200x765.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19836" class="wp-caption-text">A primeira fase da novela contou com muitas participações especiais, entre elas, Fabrício Boliveira, Vera Holtz e Júlio Andrade (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A novela se inicia com ela contando sua história para a advogada Vitória Amorim, para quem iria trabalhar como babá logo depois. Ao contrário de Lurdes, a personagem de Tais Araújo ainda tinha o anseio de se tornar mãe, mas, além das dificuldades em engravidar, também havia perdido o seu primeiro bebê. Então, ela adota o menino Tiago (Pedro Guilherme Rodrigues), que chega para mudar suas percepções sobre a vida e seu olhar duro e frio sobre algumas questões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse início, Lurdes também conhece Thelma, que, logo no primeiro encontro, descobre que tem um </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/aneurisma-cerebral/#:~:text=Aneurisma%20cerebral%20%C3%A9%20uma%20dilata%C3%A7%C3%A3o,de%20uma%20art%C3%A9ria%20do%20c%C3%A9rebro."><span style="font-weight: 400;">aneurisma cerebral</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dona de um restaurante português no Bairro do Passeio, ela é mãe do jovem Danilo (Chay Suede). E nutre uma paixão completamente obsessiva e manipuladora em relação ao filho, que evidencia um forte sentimento de superproteção, especialmente pelo fato dele ter sobrevivido a um incêndio em sua casa quando ainda era criança, que tirou a vida de seu marido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com os três arcos principais construídos, as narrativas passam a se encontrar nos mais diversos aspectos. A questão ambiental é uma das temáticas centrais de <em>Amor de Mãe</em>, com as constantes tentativas de grupos ativistas em derrubarem Álvaro da Nóbrega (Irandhir Santos), dono da empresa de plástico PWA. Colocar um empresário corrupto e autor de diversos crimes ambientais como vilão principal é transpor para a tela a realidade que observamos </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2020/05/22/ministro-do-meio-ambiente-defende-passar-a-boiada-e-mudar-regramento-e-simplificar-normas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">todos os dias no noticiário</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre suas ações ilícitas, o magnata é responsável por despejar dejetos de sua indústria na Baía de Guanabara. E tem como seu maior rival o ambientalista Davi Moretti (Vladimir Brichta), que mais tarde se relacionaria com Vitória. </span></p>
<figure id="attachment_19837" aria-describedby="caption-attachment-19837" style="width: 1981px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19837 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Magno, Lurdes, Sandro e Katia. Os personagens estão na prisão, em uma visita para Sandro. Da esquerda para a direita: Magno é vivido por Juliano Cazarré, um homem branco e forte, usando camisa preta. Lurdes, papel de Regina Casé, é uma mulher nordestina, de pele clara, cabelos pretos e óculos de grau com armação marrom claro. Ela usa um vestido amarelo e abraça Sandro, papel de Humberto Carrão, um homem branco, jovem, de cabelos rentes à cabeça e que veste uma camiseta clara. Katia é a personagem interpretada por Vera Holtz, uma mulher branca, de cabelos grisalhos e roupa preta. Ela é a única sentada na cena e segura a mão de Sandro." width="1981" height="1114" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3.jpg 1981w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19837" class="wp-caption-text">Um easter egg interessante da novela é que o personagem Sandro, interpretado por Humberto Carrão, vez ou outra <a href="https://gshow.globo.com/novelas/amor-de-mae/noticia/amor-de-mae-faz-homenagem-a-avenida-brasil-e-web-comemora.ghtml">aparecia com a camiseta do Divino F. C.</a>, clube de futebol da novela Avenida Brasil que tinha o personagem de Murilo Benício como jogador (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a essa sinuca de bico, a advogada passa a enfrentar um dilema ético e moral, e a maternidade se mostra como a grande potência transformadora em sua vida. Se antes ela pautava suas atitudes apenas em formas de se favorecer e crescer profissionalmente, agora ela busca aquilo que possa servir de bom exemplo e motivo de orgulho para seus filhos. Com isso, decide romper o contrato com Álvaro, mesmo que custe perder todos os luxos e regalias da vida que costumava ter. Habituados com histórias de mulheres pobres que surpreendentemente </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/listas/finas-mas-nem-tanto-escandalosas-das-novelas-que-lembram-maria-da-paz.htm"><span style="font-weight: 400;">conseguem enriquecer</span></a><span style="font-weight: 400;">, passamos a assistir uma narrativa oposta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://epoca.globo.com/ideias/noticia/2015/01/bo-ensino-publico-no-brasilb-ruim-desigual-e-estagnado.html"><span style="font-weight: 400;">precariedade do sistema educacional brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é uma das temáticas sociais incorporadas na trama. A partir das vivências de Camila (Jéssica Ellen), filha caçula de Lurdes, como professora de História do colégio público Luis Gama, são tratadas questões como a falta de investimento e apoio governamental. A personagem ainda protagoniza discursos com reflexões essenciais em suas aulas, e inicia a ocupação do colégio com seus alunos, um </span><a href="https://www.politize.com.br/ocupacoes-de-escolas-entenda/"><span style="font-weight: 400;">símbolo do movimento estudantil</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_19838" aria-describedby="caption-attachment-19838" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19838 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Lurdes e Camila na formatura da jovem. Camila, uma jovem negra, está de beca azul marinho e abraça sua mãe Lurdes, que segura o canudo de formatura da filha com felicidade. Ao redor delas, vemos uma porção de formandos com sorrisos nos rostos." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem5-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19838" class="wp-caption-text">As temáticas tratadas em Amor de Mãe se cruzam com a realidade em diversos momentos; questões raciais são trazidas à tona pelas personagens de Jéssica Ellen e Tais Araújo (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como toda novela costuma se adaptar aos acontecimentos do cotidiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve que se moldar para um cenário inesperado. Com a pandemia de covid-19, as </span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/noticia/2020/03/globo-cancela-gravacoes-de-amor-de-mae-por-causa-de-pandemia-de-coronavirus.html"><span style="font-weight: 400;">gravações foram interrompidas</span></a><span style="font-weight: 400;">, e retornaram apenas no segundo semestre de 2020. Diante desse novo contexto, Manuela Dias repensou o roteiro da segunda fase de sua produção, trazendo a crise sanitária para o universo de seus personagens, algo já adotado por </span><a href="https://personaunesp.com.br/sob-pressao-plantao-covid-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de ser importante tratar sobre o assunto no meio midiático, foi uma ótima maneira de adotar protocolos de distanciamento nas cenas de forma natural.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o seu núcleo de profissionais da saúde, a obra ainda conseguiu retratar a rotina difícil daqueles que trabalham dentro dos hospitais. No entanto, com um vírus que tem um comportamento incerto tanto para a ciência quanto para a sociedade, </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/03/29/especialistas-analisam-erros-em-amor-de-mae-em-cenas-sobre-covid.htm"><span style="font-weight: 400;">a novela não foi isenta de erros</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde a adoção de protocolos incorretos, até beijos em acrílico e o desuso de máscaras em momentos oportunos. Ainda é uma realidade arriscada de ser retratada rigidamente na ficção, mas talvez a falta de alguns cuidados também tenha sido um bom exemplo para demonstrar o </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/01/08/A-atitude-do-Brasil-diante-de-200-mil-mortes-pela-covid-19"><span style="font-weight: 400;">descaso da população brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> diante desse cenário tão agravante.</span></p>
<figure id="attachment_19839" aria-describedby="caption-attachment-19839" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19839 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela, vemos Érica, papel de Nanda Costa, lavando máscaras. Ela está no fundo da imagem, enquanto em primeiro planos vemos 3 máscaras desfocadas, secando num varal. Érica é branca, tem cabelos curtos acima dos ombros e veste um camisetão branco com estampa, além de usar uma máscara branca. Ao lado dela, vemos uma bacia vermelha. " width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem6-1-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19839" class="wp-caption-text">Manuela ainda conseguiu incluir alguns novos hábitos criados pela pandemia, como a cultura ascendente das lives e chamadas de vídeo; é impossível não se identificar com dona Lurdes reclamando enquanto higieniza as compras do mercado (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a todo esse contexto pandêmico, a segunda fase da trama deu continuidade para a narrativa de Lurdes em busca de Domênico, que descobre a verdadeira identidade do menino e passa a, involuntariamente, ter Thelma como sua principal inimiga. A obsessão em fazer de tudo para não perder seu filho atinge níveis cada vez mais </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2021/02/24/adriana-esteves-sobre-thelma-carminha-deve-ter-ficado-assustada.htm"><span style="font-weight: 400;">doentios e criminosos</span></a><span style="font-weight: 400;">, com a entrega de cenas que só Adriana Esteves seria capaz de realizar. Em conjunto, Danilo volta a questionar a identidade de sua mãe biológica, indicando para um caminho que mais tarde vai se cruzar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse desenrolar, os demais núcleos da novela pareceram apenas agir para sustentar a narrativa principal. Enquanto alguns ficaram patinando sob a mesma história, outros personagens tiveram </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/noticias/morte-besta-de-lucas-em-amor-de-mae-gera-insatisfacao-do-publico-cena-patetica"><span style="font-weight: 400;">destinos previsíveis e de fácil solução</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com um arco já quase resolvido na primeira fase, Vitória se envolve em tramas que não vem a acrescentar nada diretamente, como o retorno inesperado de sua mãe, interpretada pela atriz Eliane Giardini. Por outro lado, Penha (Clarissa Pinheiro) e Leila (Arieta Côrrea), que no início eram figuras pouco significativas, têm a melhor evolução como personagens, além de ganharem um </span><a href="https://gshow.globo.com/podcast/novela-das-9/noticia/penha-e-leila-terminam-juntas-em-amor-de-mae-e-clarissa-pinheiro-diz-super-a-favor-dessa-uniao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">arco de redenção essencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao encerramento da trama.</span></p>
<figure id="attachment_19840" aria-describedby="caption-attachment-19840" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19840 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela vemos a personagem Jane, interpreta por Isabel Teixeira. Ela é uma mulher branca de cabelos cacheados e grisalhos, e olhos claros. Jane usa óculos de grau e veste uma blusa de manga comprida com listras verdes, azuis, brancas e amarelas. Ela está com a mão esquerda segurando o lado esquerdo do óculos." width="1600" height="954" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-300x179.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-1024x611.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-768x458.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-1536x916.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem7-1200x716.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19840" class="wp-caption-text">Um ponto alto da produção foi trazer rostos incomuns para a telinha, além das brilhantes Arieta e Clarissa, conhecemos Isabel Teixeira, que interpretou Jane, em seu papel de estreia no mundo das novelas, apesar de já acumular anos de carreira nos palcos (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A reta final de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda contou com uma sucessão de acontecimentos trágicos, e bem difíceis de serem digeridos em meio a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/04/08/brasil-bate-recorde-e-registra-4249-mortes-por-covid-19-em-24h"><span style="font-weight: 400;">triste realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que nos assola. Talvez a brusca redução de capítulos tenha condensado todas as catástrofes de uma vez só, e o surgimento de um equilíbrio foi imprescindível. Assim, emergiram alívios cômicos como a princesa unicórnio, protagonizada por Durval &#8211; o que com certeza não é uma reclamação, pois Enrique Díaz é genial em tudo que se propõe -, e a investida cada vez maior na construção de pares românticos, um clichê do qual não foi possível se isentar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da troca frequente de casais, outros acabaram surgindo inesperadamente, e em muitos momentos se tornaram a única motivação dos personagens. Érica (Nanda Costa) acaba se apaixonando por Davi, acompanhando a recuperação do mesmo após sofrer um atentado a mando de Álvaro. No mesmo passo que Lídia (Malu Galli) e Magno (Juliano Cazarré) se encontram e se unem para conseguirem curar a doença da filha Brenda (Clara Galinari). Enquanto Ryan (Thiago Martins) reata com a tenista Marina (Erika Januza), e protagonizam um enredo raso e banal sobre a </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-53537542"><span style="font-weight: 400;">cultura do cancelamento</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<figure id="attachment_19841" aria-describedby="caption-attachment-19841" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19841 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Nela vemos os personagens Lurdes, interpretada por Regina Casé, e Danilo, interpretado por Chay Suede, se abraçando em frente a um matagal na estrada. Lurdes é uma mulher branca, de cabelos escuros e compridos; ela veste uma blusa marrom de mangas compridas e usa óculos de grau. Danilo é um homem branco, de cabelos castanhos claros e cacheados; ele veste uma camiseta branca." width="1500" height="994" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem8-1200x795.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19841" class="wp-caption-text">O encontro entre mãe e filho foi a última cena gravada da novela, e Regina Casé e Chay Suede ficaram dias sem se ver para conseguirem entregar toda a tensão necessária  (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encontro mais aguardado da televisão nos últimos tempos demorou, demorou muito, mas finalmente aconteceu. Após sucessivas, e até arrastadas, tentativas de fugir da prisão criada por Thelma, Lurdes conseguiu encontrar seu filho Domênico. Uma cena que não precisa ser poupada de elogios, não somente pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m-UHo5VG9WQ"><span style="font-weight: 400;">entrega da atuação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Regina Casé e Chay Suede, mas por todo simbolismo que ela carrega. É o marco e representatividade da força materna. Uma verdadeira homenagem a todas as mães.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E se por um lado comemoramos a morte do cruel Álvaro da Nóbrega, encerrando de vez seu duelo com Raul (Murilo Benício), </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/amor-de-mae/noticia/final-feliz-de-lurdes-e-morte-de-thelma-confira-todos-os-desfechos-de-amor-de-mae.ghtml"><span style="font-weight: 400;">o fim da antagonista Thelma</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um tanto reflexivo. Mesmo com todas as atrocidades cometidas pela personagem, é questionável pensar que sua única motivação sempre foi o bem e o amor de seu filho, por mais excessiva que fosse. Após ter o aneurisma estourado, ela consegue encerrar sua trajetória com aquilo que se dedicou a vida inteira. Morreu sendo chamada de mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o laço criado pelas três protagonistas se finaliza de fato, e consolida os diversos papéis maternos explorados ao longo dos 125 capítulos de <em>Amor de Mãe</em>. Lurdes finalmente tem sua família completa, após anos de luta, com seus cinco filhos reunidos. Vitória se vê na posição de matriarca e profissional que sempre almejou, ao lado do seu marido Raul e seus três filhos. Sua irmã, Natália (Clarissa Kiste), deixa de ser mãe solo ao reatar seu casamento com Durval, enquanto, no mesmo páreo, Miranda (Débora Lamm) inicia um segundo relacionamento, após o divórcio com Matias (Milhem Cortaz). Por fim, Betina (Isis Valverde) está prestes a iniciar a vida materna ao lado de Sandro. </span></p>
<figure id="attachment_19842" aria-describedby="caption-attachment-19842" style="width: 1360px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19842 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9.jpg" alt="Cena da novela Amor de Mãe. Na imagem, as personagens Lurdes, Thelma e Vitória estão em uma sala do hospital. Lurdes, interpretada por Regina Casé, está ao lado esquerdo; ela é uma mulher branca, de cabelos compridos escuros, e veste um vestido florido e usa uma bolsa. Ao centro, está Thelma, interpretada por Adriana Esteves, internada em uma cama de hospital. Ela é uma mulher branca, de cabelos castanhos e está com avental de hospital. Ao lado direito, está Vitória, interpretada por Tais Araújo. Ela é uma mulher negra, com cabelos presos em um coque baixo; ela veste uma blusa branca de gola alta, um colete e calça brancos. " width="1360" height="850" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9.jpg 1360w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-300x188.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-1024x640.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/imagem9-1200x750.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19842" class="wp-caption-text">“Ser mãe é uma força muito estranha, meu filho” (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Manuela Dias não reinventou a roda ao trazer como narrativa principal a busca de uma mãe pelo seu filho perdido, algo já trabalhado por inúmeras vezes em telenovelas, como vimos de forma similar em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Sua inovação se dá pelo tratamento que ela atribuiu para um tema tão complexo e controverso, que é o Amor de Mãe. E fez isso sob o olhar brilhante e cinematográfico de José Luiz Villamarim, que assumiu a direção artística da obra. Dias errou e acertou, como todas novelas e produções fazem, mas proporcionou </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1381055775955693575"><span style="font-weight: 400;">momentos impactantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que poucos conseguem atingir. Que a autora continue a contar belas histórias, que nos façam entreter, refletir e também emocionar.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um verdadeiro divisor de águas na teledramaturgia brasileira. Com uma nova estética novelesca, a produção conseguiu entregar uma narrativa profunda e que traz temas importantes para a plataforma mais popular que qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, que é a televisão. E ainda nos presenteou com uma das personagens mais queridas da história das novelas. Dona Lurdes e sua família já deixam profundas saudades. </span></p>
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