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	<title>Arquivos José Loreto &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Dec 2023 17:19:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o retrato de diversas brasileiras. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32290" aria-describedby="caption-attachment-32290" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-800x450.jpg" alt="Foto de Sheron Menezzes como a personagem Sol, de Vai na Fé. A personagem sorri, tem cabelos cacheados em tons castanhos e veste uma blusa vermelha, além de um par de brincos e um colar. O cenário da foto é a entrada de uma casa e um portão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32290" class="wp-caption-text">Folhetim é o mais lucrativo da faixa das sete na história da Globo, de acordo com a Folha de S. Paulo (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12308/-vai-na-fe--e-a-novela-que-reflete-a-historia-de-muitas-brasileiras"><span style="font-weight: 400;">retrato de diversas brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade de forma tão livre. Lançada em Janeiro de 2023, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xQQgyMbLohc"><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">surge em uma era dificultosa para a teledramaturgia, que, aos trancos e barrancos, não retornou ao lugar magistral que ocupava na vida dos espectadores televisivos antes do contexto pandêmico. Subestimada inicialmente, a produção superou as expectativas de todos, incluindo da própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32282"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trunfo da superação é de </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/rosane-svartman/"><span style="font-weight: 400;">Rosane Svartman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sabe bem como transformar narrativas consideradas simples em situações profundas e cativantes. Afinal, toda história, até mesmo a mais disruptiva e inovadora, parte de um lugar-comum e trivial. O encanto não é gerado apenas pelo conteúdo – na verdade, é, em grande parte, ocasionado por quem conta essas histórias e, também, por quem as interpreta. Nesse caso, pela sintonia de Svartman e Sheron Menezzes, que brilharam juntas ao longo dos 179 capítulos. O texto escrito pela novelista conflui ao tom da interpretação dada pela atriz e o sucesso da obra se deve muito a isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, a trajetória de Sol (Menezzes) se mostra bem mais peculiar do que a apresentada na sinopse inicial. Perder o esposo, Carlão (Che Moais); virar dançarina do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballet</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Lui Lorenzo (José Loreto); reencontrar o grande amor, Benjamin (Samuel de Assis); revisitar os </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/07/24/novela-vai-na-fe-muda-retrato-da-violencia-contra-a-mulher-na-teledramaturgia"><span style="font-weight: 400;">traumas do abuso</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreu de Theo (Emilio Dantas); e descobrir que a primogênita, Jennifer (Bella Campos), é resultado de um estupro, são arcos intensos e super importantes na construção da personagem. Menezzes passeou com destreza por todas essas fases, mostrando que há tempos merecia um </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/sheron-menezzes-celebra-primeira-protagonista-e-representatividade-em-vai-na-fe-sol-e-encantadora.ghtml#:~:text=H%C3%A1%20quase%2021%20anos%2C%20Sheron,%2C%20e%20a%20personagem%2C%20J%C3%BAlia."><span style="font-weight: 400;">papel de destaque</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32289" aria-describedby="caption-attachment-32289" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-800x500.jpeg" alt="Cena de Vai na Fé. Sol (Sheron Menezzes), que veste blusa preta e tem cabelos castanhos cacheados com luzes loiras, abraça Jennifer (Bella Campos), que tem cabelos castanhos cacheados e veste blusa amarela." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe.jpeg 990w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32289" class="wp-caption-text">Mãe e filha na ficção, Sheron Menezzes e Bella Campos vivenciaram o tema mais sensível, que versou sobre o abuso sexual que Sol sofreu e do qual Jenifer foi gerada (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Torcer pela ‘mocinha’ não foi um sacrifício como acontece frequentemente em produções que colocam as protagonistas como figuras bobas repletas de ações pautadas em bondades hiperbólicas, burras e irreais. Sol não é ingênua. Pelo contrário, é forte, combatente, decidida e corajosa. Acompanhá-la, nos momentos bons ou ruins, é como procurar notícias de uma velha amiga. A mescla entre ganhos e perdas também é um fator considerável, porque mostra como a vida é: cheia de reviravoltas. A trama quebra o paradigma constante de que um personagem principal precisa sofrer do início ao fim. Em gêneros longos como novelas, isso, na verdade, é torturante. É por esse motivo que foi tão emocionante ver </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/personagem/sol/"><span style="font-weight: 400;">Sol</span></a><span style="font-weight: 400;"> conquistando um sonho de cada vez ao decorrer da obra, mesmo que enfrentasse percalços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O carisma da mocinha, além da entrega de Menezzes, foi gestado já pelo texto de Svartman e de sua equipe de colaboradores: </span><span style="font-weight: 400;">Sabrina Rosa, Fabrício Santiago, Renata Sofia, Mário Viana, Renata Corrêa e Pedro Alvarenga. Inquestionavelmente, a multiplicidade de vozes de cada colaborador foi impressa no roteiro, tornando-o fresco. A concentração textual novelística em apenas um autor foi realidade nos antigos folhetins, mas </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/televisao/noticia/2023/07/12/autora-de-vai-na-fe-rosane-svartman-nao-sonha-com-a-novela-das-21h-estou-fazendo-o-que-gosto.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a colaboração é o futuro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com ela, os temidos furos não são tão recorrentes e as sequências ganham novas roupagens. Monotonia passa longe quando diversos olhares estão envolvidos na contação de uma história, e o alcance do folhetim foi alicerçado nesse pilar.</span></p>
<p><a href="https://mundonegro.inf.br/representatividade-e-autenticidade-de-vai-na-fe-novela-protagonizada-por-sheron-menezzes-conquistam-o-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Representativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> contou não apenas com protagonistas pretos, mas com grande parte do elenco como um todo. De acordo com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/18/samuel-de-assis-comemora-representatividade-em-vai-na-fe-globo.htm"><span style="font-weight: 400;">Samuel de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável pelo advogado e galã Benjamin, 70% dos atores da novela são pretos. A representação transcende o eixo temático do racismo, que, embora tenha sido abordado na narrativa, não foi o único – o que é uma enorme conquista. Tratar do tema é essencial, porém os personagens pretos não estão lá apenas para essa função. Diante disso, acompanhá-los em outros dramas do cotidiano e vê-los em posição de destaque na história foi um ponto positivo que quebra os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2021/09/podcast-discute-racismo-na-teledramaturgia-e-a-novela-nos-tempos-do-imperador.shtml"><span style="font-weight: 400;">estigmas impregnados na teledramaturgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a qual, por muito tempo, deu espaço aos intérpretes negros somente para coadjuvantes, ou em papéis de empregados e ladrões.</span></p>
<figure id="attachment_32288" aria-describedby="caption-attachment-32288" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-800x450.jpg" alt="Parte do elenco de atores pretos da novela Vai na Fé. Na foto há intérpretes como Sheron Menezzes, Samuel de Assis, Jean Paulo Campos, Isacque Lopes, Jê Soares, Clara Moneke e Orlando Caldeira, que aparecem sorrindo para a foto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32288" class="wp-caption-text">Personagens pretos bem construídos e em destaque foram a maior conquista da novela, sem sombra de dúvidas (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O minucioso trabalho da escalação de elenco foi a mola propulsora para essa representatividade. Antes nunca vista em folhetins, </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/07/30/sucesso-em-vai-na-fe-conheca-a-trajetoria-de-clara-moneke-muito-orgulho-de-ter-comecado-em-um-curso-de-teatro-gratuito.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Clara Moneke</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, de longe, uma grata revelação e exemplo da importância da negritude em obras culturais audiovisuais. Coube a ela vivenciar a engraçada, intensa, sensível e carismática </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A5YVDkAPDTM"><span style="font-weight: 400;">Kate</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que como coadjuvante, ganhou maior tempo de tela e se consolidou como uma das melhores personagens. O mesmo vale para Carla Cristina Cardoso como Bruna, mãe de Kate na ficção. Isso porque, se no início ela era apenas o apoio de Sol, nos desdobramentos do arco maternal pôde brilhar através da relação construída com a filha e teve, enfim, uma trama para chamar de sua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, vale ressaltar que veteranos também foram ‘revelados’ outra vez. É o caso de </span><a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/tv-e-novelas/vai-na-fe/noticia/2023/07/carolina-dieckmann-sobre-lumiar-em-vai-na-fe-pessoas-passaram-pano-para-as-maiores-loucuras.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Carolina Dieckmann</span></a><span style="font-weight: 400;">, que viveu seu melhor papel na teledramaturgia brasileira como Lumiar Lorenzo. Eternizada como a Lindalva, de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/senhora-do-destino/"><i><span style="font-weight: 400;">A Senhora do Destino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Camila, de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz se consagrou entre as complexidades da dúbia, porém profunda, professora universitária e advogada Lumiar. É característico de Rosane Svartman criar esse tipo de personagem, com camadas que misturam as piores e as melhores facetas da humanidade: egoísmo, arrogância e crueldade entrelaçadas com bondade, intensidade e passionalidade. Também criada pela autora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> com Paulo Halm, </span><a href="https://tvhistoria.com.br/carolina-castilho-foi-a-melhor-personagem-de-totalmente-demais/"><span style="font-weight: 400;">Carolina Castilho (Juliana Paes)</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/totalmente-demais/"><i><span style="font-weight: 400;">Totalmente Demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ilustra essa tipologia de personagem e se assemelha ao papel defendido por Dieckmann.</span></p>
<figure id="attachment_32287" aria-describedby="caption-attachment-32287" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-800x500.jpg" alt="Cena de Totalmente Demais, novela das sete de Rosane Svartman para a Globo. Na direita, está a atriz Juliana Paes como a personagem Carolina Castilho, a vilã da novela. A personagem tem cabelos pretos castanhos, usa batom vermelho escuro e um roupão marrom. Na cena, ela sorri." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe.jpg 990w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32287" class="wp-caption-text">Carolina Castilho e Lumiar são criadas a partir da mesma receita: contraditórias, intensas, dúbias, emocionais e, sobretudo, humanas (Fotos: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, os arcos, de forma geral, são bem equilibrados. É como se, além da narrativa central, micronarrativas ganhassem espaço a cada bloco de capítulos semanais, garantindo que cada parte do elenco tenha seu momento de esplendor. Regiane Alves como a volátil Clara; </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-06-20/caio-manhente-fala-de-tecnicas-para-interpretar-caio-em-vai-a-fe.html"><span style="font-weight: 400;">Caio Manhente</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele do traumatizado Rafa; Claudia Ohana na interpretação da bondosa Dora; e Renata Sorrah, que representou a atriz decadente Wilma Campos, balanceiam a trama sem invadir o espaço do enredo principal. Essa ampliação escancara o talento dos atores, é óbvio, mas não deixa de demonstrar a destreza da autora e dos colaboradores em não se perderem nos núcleos paralelos, o que acontece com outras produções novelísticas, como em </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12105/todas-as-flores-reforca-a-importancia-do-anticapacitismo-na-teledramaturgia"><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Flores</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou na TV aberta após ser disponibilizada no </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As sequências também foram embaladas com uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1afCc1xdNSmnxO6wG52IEW?si=3fdb39504f1c4989"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> irretocável; aliás, a Música foi um dos fios condutores de todas as histórias. A abertura com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=spkM__G1iLI"><i><span style="font-weight: 400;">Vai Dar Certo (Vai na Fé)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Negra Li e MC Liro é um espetáculo à parte e virou </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como as canções de Lui e Sol. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=svUp8isgmes&amp;pp=ygUiYXBlbmFzIG1haXMgdW1hIGRlIGFtb3IgdmFpIG5hIGbDqQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Apenas Mais uma de Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/13132/aos-70-anos-lulu-santos-celebra-inicio-de-novo-ciclo-com-lancamento-de-sua-nova-turne-baritono-"><span style="font-weight: 400;">Lulu Santos</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v8DOybU8eEM&amp;pp=ygUPaGVsbG8gc3Vuc2hpbmUg"><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Aretha Franklin; e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wi5pah0DYpM&amp;pp=ygUVbHVtaWFyIHJvYmVydGEgY2FtcG9z"><i><span style="font-weight: 400;">Lumiar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Roberta Campos, também imperam na trama. Contudo, é impossível não citar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p70o2XWlZ7A&amp;pp=ygUQZ2Fyb3RhIG5vdGEgMTAwIA%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Nota 100</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hUj_hwsIrSU&amp;pp=ygUQZ2Fyb3RhIG5vdGEgMTAwIA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">reinterpretada por Ludmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cantada originalmente pelo pioneiro no funk MC Marcinho. A faixa, responsável pelos momentos românticos do casal principal, fica eternizada como uma homenagem ao funkeiro, que, após sofrer uma parada cardíaca, </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/08/26/mc-marcinho-o-principe-do-funk-morre-no-rio-aos-45-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">morreu, aos 45 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, no dia 26 de agosto, duas semanas após o fim da novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora a competência dos atores, a direção de Paulo Silvestrini é outro acerto que equilibrou a novela. Conhecido pelos trabalhos em obras de sucesso na emissora, como </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/a-favorita/"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/avenida-brasil-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor entregou cenas catárticas e emocionantes na bela parceria com a autora da produção. Dentre elas, destacam-se o término de Lumiar e Ben; a morte de Dora; a prisão de Kate; a </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2023/08/vai-na-fe-renata-sorrah-e-disputada-por-gloria-perez-joao-emanuel-e-walcyr-carrasco-e-emociona-web.shtml"><span style="font-weight: 400;">reunião</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilma Campos com os novelistas João Emanuel Carneiro, Gloria Perez e Walcyr Carrasco; o incêndio promovido por Theo; e o casamento dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_32286" aria-describedby="caption-attachment-32286" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32286" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-Vai-na-Fe.png" alt="Carla Cristina Cardoso e Clara Moneke caracterizadas como as personagens Bruna e Kate, de Vai na Fé. Bruna, com expressão séria, usa camiseta preta e tem cabelos pretos trançados. Já Kate, que faz bico para a foto, usa uma blusa estampada nas cores amarela, azul e rosa. Ela tem cabelos pretos longos cacheados. As personagens estão em uma sala de estar." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-32286" class="wp-caption-text">Do humor ao drama, Carla Cristina Cardoso e Clara Moneke ganharam espaço na narrativa devido a imensa popularidade que conquistaram com o público (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/vai-na-fe-viaje-por-dentro-da-cidade-cenografica-da-novela-das-7.ghtml"><span style="font-weight: 400;">núcleo do Icaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, faculdade fictícia da trama, também mostra a familiaridade do diretor e da escritora com tramas juvenis. Nesse enredo paralelo, a dupla abordou com profundidade eixos temáticos relacionados a cotas universitárias, desigualdades sociais, racismo e sexualidade. Silvestrini trabalhou em </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/malhacao-viva-a-diferenca/"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação: Viva a Diferença</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ganhadora do </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Kids</span></i><span style="font-weight: 400;"> Internacional como </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/04/09/malhacao---viva-a-diferenca-vence-emmy-awards-maior-premio-de-tv-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">Melhor Série</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já Svartman é responsável pelas célebres temporadas: </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/malhacao-2012/"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação: Intensa como a Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2021/02/malhacao-sonhos-relembre-quem-e-quem-na-novela.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação Sonhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio de tantas bonanças e acertos, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé </span></i><span style="font-weight: 400;">é manchada pela </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/o-que-ha-por-tras-da-censura-ao-beijo-lesbico-em-vai-na-fe"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da direção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma das subtramas mais potentes, a de Clara, que após anos de abuso do marido se apaixona pela </span><i><span style="font-weight: 400;">personal trainer</span></i><span style="font-weight: 400;"> Helena (Priscila Sztejnman), foi subalternizada. Cenas homoafetivas de beijos das personagens foram </span><a href="https://gente.ig.com.br/celebridades/2023-06-20/globo-censurou-5-beijos-homoafetivos-vai-na-fe-revoltou-publico.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">cortadas inúmeras vezes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que prejudicou o folhetim e mostrou o retrocesso da emissora em retratar narrativas LGBTQIAP+. </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-05-26/regiane-alves-expoe-reacao-censura-beijo-vai-na-fe-senti-baque.html"><span style="font-weight: 400;">Regiane Alves</span></a><span style="font-weight: 400;">, que deixou a empresa televisiva</span> <span style="font-weight: 400;">após a novela, não se isentou frente ao conservadorismo e à censura. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Um passo de cada vez para a construção de um futuro onde todas as formas de amor possam ser aceitas e celebradas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreveu via </span><a href="https://x.com/RegianeAlves/status/1656425698192416770?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a pressão popular, tendo em vista as inúmeras desaprovações dos espectadores, críticos especializados e do próprio elenco, novas cenas foram gravadas e liberadas. No entanto, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/01/reta-final-de-vai-na-fe-nao-faz-jus-ao-que-sol-merece.htm"><span style="font-weight: 400;">outros erros</span></a><span style="font-weight: 400;"> se somam ao que não foi tão bom na novela. As famigeradas ‘barrigas’ – períodos em que nada catártico acontece e as tramas parecem monótonas – dominaram a obra. Do meio ao final, a história se tornou cansativa. O interminável julgamento de Theo durou quase um mês e é o maior exemplo, assim como as situações envolvendo o exame de DNA de Jenifer, a gravidez de Guiga (Mel Maia) e muitas outras.</span></p>
<figure id="attachment_32285" aria-describedby="caption-attachment-32285" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-6-Vai-na-Fe.jpg" alt="Cena do beijo de Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman). Helena, que está do lado esquerdo, tem cabelos castanhos curtos e veste uma blusa com listras brancas e verdes. Clara, que está do lado direito e tem cabelos loiros, veste uma blusa roxa. As personagens estão se beijando em uma sala." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32285" class="wp-caption-text">Adesão popular foi fundamental para que as cenas de beijos homoafetivos das personagens Clara e Helena fossem liberadas (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado o folhetim ficou lento, por outro, alguns arcos foram concluídos com superficialidade e correria. A carreira musical de Sol, infelizmente, é um desses casos. Depois de uma longa jornada como cozinheira e dançarina, a protagonista alcançou o sonho de ser cantora solo somente na reta final da trama e, como outras situações também precisavam ser abordadas, a trajetória profissional foi jogada para escanteio. A inserção de Ângelo Paes Leme como um novo </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-07-31/novo-vilao-entra-em-vai-na-fe.html#:~:text=Os%20cap%C3%ADtulos%20finais%20de%20%E2%80%9CVai,de%20Sol%20(Sheron%20Menezzes)."><span style="font-weight: 400;">vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foi bem aproveitada pelo pouco tempo destinado ao enredo, por exemplo. Na pele de Mauro Vieira, um empresário abusador, Paes Leme poderia ter trazido frescor ao folhetim caso sua entrada não tivesse sido tão tardia, visto que ele integrou o elenco somente na última semana da novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança na linearidade é uma das inovações do folhetim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> são pouco usados nas novelas e quando aparecem são breves, padrão que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> rompeu. De forma geral, a fase atual é mais presente, mas isso não impediu que a narrativa principal estivesse totalmente </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/conheca-as-versoes-mais-jovens-de-samuel-de-assis-e-sheron-menezzes-em-vai-na-fe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">interligada com o passado</span></a><span style="font-weight: 400;">. O relacionamento de Sol e Ben, inclusive, não caiu no clichê de amor à primeira vista e foi construído, principalmente, na fase jovem dos personagens, assumidos por Jê Soares e Isacque Lopes. A escalação e a caracterização foram condizentes. Em diversas cenas passado e presente se misturam, recurso narrativo que reflete a modernidade de Rosane Svartman para escrever novelas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas sequências temporais, Ben e Theo se destacam em ambas as fases. A relação conturbada por eles é percebida logo nos primeiros capítulos. Entretanto, quando o rompimento – motivado pela revelação do estupro do vilão contra Sol – acontece no meio da novela, a obsessão do personagem de Emilio Dantas é aprofundada. O ator vivenciou o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/dissimulado-dubio-e-aterrorizante-como-theo-virou-o-vilao-perfeito-da-tv-104360"><span style="font-weight: 400;">pior vilão da faixa das sete</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desprezível, nojento, abusador e cruel são características rasas para definir o que ele representa. Já Ben é o exato oposto, o contraponto que liquefaz a maldade. Samuel de Assis sustentou o carisma do galã sem perder as complexidades e representatividades que o personagem carregava. Ele e Dantas fizeram uma ótima dupla.</span></p>
<figure id="attachment_32284" aria-describedby="caption-attachment-32284" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-7-Vai-na-Fe.jpg" alt="Cena de Vai na Fé. Emilio Dantas, que está ao lado esquerdo, é segurado por Samuel de Assis. Emilio é branco, tem cabelos e barbas loiras e veste uma camisa azul escura. Samuel de Assis está de costas para a câmera, é negro, tem cabelos pretos e veste uma blusa azul clara, enquanto segura o personagem de Emilio Dantas. Os personagens estão em uma rua." width="730" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-32284" class="wp-caption-text">Obcecado, Theo atormentou Ben até o último capítulo (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Leve e, ao mesmo tempo, intensa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca a teledramaturgia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um dos </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2023/08/vai-na-fe-supera-recorde-de-cheias-de-charme-e-se-torna-o-maior-faturamento-da-globo-as-19h.shtml"><span style="font-weight: 400;">maiores fenômenos novelísticos do horário</span></a><span style="font-weight: 400;">. A particularidade em retratar temas sérios sem perder a essência clássica dos folhetins mostra que, embora seja composta por um texto moderno, a produção não tem medo de ser novela e é o que se cumpre a ser. Ao longo de 179 capítulos, retrata histórias profundas e reais, com o apoio de uma direção e um elenco em total sintonia. Ancorada na musicalidade, a obra, que tropeçou na reta final, reforça a importância de seguir em frente e ir na fé, até mesmo quando fazer isso pode parecer uma missão impossível em meio às turbulências da vida. Sucesso estrondoso, a trama mostra que, sim, os brasileiros amam novelas; mais do que isso: eles sempre vão amar.</span></p>
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		<title>Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Apr 2023 18:40:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner A história contada por Pantanal é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “ele tinha um cavalo preto por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o remake em 2022, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pantanal-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os filhos dos nossos filhos também verão Pantanal"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30704" aria-describedby="caption-attachment-30704" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30704" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Juma e Jove se posicionam frente a frente. Juma, uma mulher branca de cabelos e olhos castanhos, está de olhos fechados enquanto Jove, um homem branco de cabelos castanhos e olhos claros, a observa. A câmera captura ambos apenas a partir dos ombros. O cenário ao fundo é uma parede branca iluminada pelos raios de sol." width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-1-768x384.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30704" class="wp-caption-text">Juma e Jove retornaram às televisões brasileiras 32 anos depois da primeira exibição da novela Pantanal (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história contada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I9caf45izB0"><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é atemporal e se confunde com uma moda sertaneja que há décadas emociona peões: “</span><i><span style="font-weight: 400;">ele tinha um </span></i><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/06/22/com-pantanal-cavalo-preto-cresce-quase-1000percent-em-plays-e-vira-hit-75-anos-apos-lancamento.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">cavalo preto</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> por nome de Ventania e um laço de doze braças do couro de uma novilha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Desde a primeira exibição da novela, em 1990, até o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2022, a trama pouco mudou, ainda que o Brasil, acumulador de uma </span><a href="https://www.canalrural.com.br/noticias/pecuaria/brasil-tem-mais-boi-e-vaca-do-que-gente/"><span style="font-weight: 400;">quantidade exorbitante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YwqoeKlaJQs"><span style="font-weight: 400;">gado</span></a><span style="font-weight: 400;">, tenha sofrido grandes transformações. Ao som da mesma canção, o ‘Véio’ Joventino cavalgou país afora até um dia sumir e deixar seu filho José Leôncio para trás. Ele, bicho do mato, se meteu com uma moça da cidade e da união nasceu Jove, o primeiro herdeiro sem padrão de boiadeiro que chegou para “</span><i><span style="font-weight: 400;">cutucar a onça com vara curta</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Da luta entre humano e felino, a novela reviveu o seu destino. </span></p>
<p><span id="more-30703"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Originalmente, a música responsável pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hfth1z2rHB8"><span style="font-weight: 400;">abertura icônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi entoada por Marcus Viana e sua voz pulsante. Dessa vez, no entanto, Maria Bethânia e Almir Sater adicionaram frescor e serenidade ao instrumental, atribuindo, assim, um sentimento de pertencimento em um futuro que constantemente clama pela nostalgia do enredo; se os nossos pais assistiram o folhetim há 32 anos e nós no ano passado, “</span><i><span style="font-weight: 400;">os</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">filhos dos filhos…dos nossos filhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” certamente também verão </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mantendo o sentido da árvore genealógica, a nova roupagem foi adaptada por </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/bruno-luperi-autor-do-remake-de-pantanal-comenta-cenas-da-novela.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Bruno Luperi</span></a><span style="font-weight: 400;">, neto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/velho-chico-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Benedito Ruy Barbosa</span></a><span style="font-weight: 400;">, o escritor da versão que virou um clássico e se mantém atual graças a ambientação, feita em um bioma que traduz tão bem a resiliência e diversidade da nação através de sua fauna e flora.</span></p>
<figure id="attachment_30705" aria-describedby="caption-attachment-30705" style="width: 990px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30705" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg" alt=" Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Marruá caminha com um semblante de desmotivação. Ela é uma mulher de cabelos e olhos escuros. A câmera captura Marruá a partir do busto. Ela segura uma bolsa nos ombros com uma das mãos. O cenário ao fundo é um ambiente florestado com diversos tons de verde e marrom." width="990" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2.jpeg 990w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-2-768x480.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30705" class="wp-caption-text">A mãe-onça Maria Marruá conduziu o embate entre humano e felino com maestria (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente do contexto de consolidação das telenovelas na época em que o texto estreou &#8211; quando a extinta </span><a href="https://www.zappeando.com.br/televisao/8-novelas-da-tv-manchete-que-deixaram-muita-saudade-qual-voce-gostava-mais"><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> emplacava clássicos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Dona Beija</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kananga no Japão</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, a refilmagem da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> herdou o fracasso de Lícia Manzo com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=myARx4ufX9E"><i><span style="font-weight: 400;">Um Lugar ao Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, drama inédito em dois anos e o primeiro a ir ao ar totalmente gravado após uma sequência de repetições causada pela pandemia de coronavírus. E, por isso, assumiu a árdua tarefa de reerguer a audiência e chamar o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/remake-de-pantanal-atrai-o-publico-jovem-para-televisao-aberta.phtml"><span style="font-weight: 400;">público jovem</span></a><span style="font-weight: 400;"> para sentar no sofá e assistir à Televisão &#8211; um desafio para os dias atuais. A tentativa não foi falha: a direção composta pelos nomes </span><span style="font-weight: 400;">Davi Lacerda, Noa Bressane, Roberta Richard, Walter Carvalho e Cristiano Marques soube desde a claquete inicial como atingir em cheio o seu público-alvo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um ato que soou como o cantar de um passarinho recém-nascido, que fez sentir a brisa fresca que sopra à beira-mar, o núcleo central da faixa nobre foi finalmente deslocado do ciclo vicioso fundado no uso de cenários divididos apenas entre as grandes capitais da economia e do entretenimento brasileiro, São Paulo e Rio de Janeiro. Com audição e tato apurados, a direção artística de </span><span style="font-weight: 400;">Rogério Gomes e Gustavo Fernandez capturou em cena as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_Qqkt4-Cues"><span style="font-weight: 400;">cores vívidas</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda não totalmente descobertas </span><span style="font-weight: 400;">pelo espectador e, desse modo, os prédios cinzentos da Avenida Paulista e as enormes mansões do Leblon foram deixados para trás em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JPRpxH33wIM"><span style="font-weight: 400;">resgate de um passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> mais simples e condizente com a realidade sociocultural do país.</span></p>
<figure id="attachment_30706" aria-describedby="caption-attachment-30706" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30706" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Madeleine e Filó se encontram na primeira fase da novela, quando jovens. A câmera captura ambas a partir do joelho. Madeleine é uma mulher branca de cabelos e olhos claros que veste uma calça jeans preta, uma camiseta de estampa colorida e uma mochila marrom nas costas. Filó é uma mulher branca de cabelos e olhos escuros que veste um shorts jeans claro e uma regata vermelha. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira da família Leôncio." width="976" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-3-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30706" class="wp-caption-text">O talento do elenco da primeira fase surpreendeu e fidelizou o público em poucas semanas (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda novela de respeito, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi dividida em </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/vem-por-ai/noticia/pantanal-veja-as-transformacoes-de-5-personagens-da-primeira-para-a-segunda-fase.ghtml"><span style="font-weight: 400;">duas fases</span></a><span style="font-weight: 400;"> não somente com a intenção de demonstrar a passagem de tempo, mas também de desenvolver o conflito principal da trama e transformar as suas personagens. Acontece que a atuação excepcional do elenco jovem conseguiu surpreender e fidelizar o público em poucas semanas de exibição, sendo extremamente difícil se desapegar das faces que se tornaram tão familiares. Renato Góes e Bruna Linzmeyer nos corpos de José Leôncio e Madeleine construíram uma tensão cortante digna de protagonistas imponentes. Já Letícia Salles, estreando como atriz, roubou os holofotes e entregou uma Filó forte para Dira Paes. Por outro lado, Malu Rodrigues e Gabriel Stauffer carregaram a melhor versão dos antagonistas Irma e Gustavo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, se a região pantaneira ainda não havia sido habitada por camaleões, tudo mudou com a chegada de </span><span style="font-weight: 400;">Irandhir Santos, a quem</span><span style="font-weight: 400;"> se deve a maior aclamação artística. Na pele do ‘Véio’ </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SeqvU-9ppOc"><span style="font-weight: 400;">Joventino</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ator externou as marcas de uma trajetória vivida no lombo de cavalos com um berrante em mãos e, em uma escalação tão peculiar quanto a linhagem da série </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele voltou para a segunda fase do enredo como o neto bastardo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mI9PHXo2bPE"><span style="font-weight: 400;">José Lucas de Nada</span></a><span style="font-weight: 400;">, dono de uma personalidade completamente distinta e, não por isso, mal interpretada.</span><span style="font-weight: 400;"> Mesmo que apegados aos atores, </span><span style="font-weight: 400;">a brilhante transição não deixou a animosidade dos noveleiros cair. Marcos Palmeira, Karine Teles, Camila Morgado e Caco Ciocler conduziram o texto até o seu clímax.</span></p>
<figure id="attachment_30707" aria-describedby="caption-attachment-30707" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30707" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o personagem ‘Véio’ Joventino se posiciona no lombo de seu cavalo enquanto leva o berrante à boca. Joventino é um homem branco de cabelos e olhos escuros, ele veste uma camiseta de manga longa na cor laranja, uma calça jeans clara e botas em tom barroso. A câmera captura todo o seu corpo e metade de seu cavalo. Ao fundo, o cenário é composto das águas e do mato verde do pantanal." width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30707" class="wp-caption-text">Como esperado, a paisagem deslumbrante do pantanal encantou (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> do clássico trouxe de volta os clichês intrínsecos ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/novo-mundo-novela/"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que, há tempos, estavam sumidos. Isso porque as produções sofreram uma mudança brusca de tom e passaram a adaptar a estrutura para o drama ‘pé no chão’ das séries, modelo repercutido pelo avanço dos </span><i><span style="font-weight: 400;">streamings</span></i><span style="font-weight: 400;">, incluindo a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">. Exibida em 2019, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H-znj_njIu4"><i><span style="font-weight: 400;">A Dona do Pedaço</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Walcyr Carrasco, foi a última obra antes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> que teve direito a coincidências improváveis e uma dose de humor cavalar. Para a surpresa de quem subverteu o formato novela, o carisma um tanto quanto utópico da mulher que vira onça, do homem que é possuído por uma entidade muito boa de viola e do senhor de idade que se transforma em sucuri foram suficientes para eternizar os personagens em memes nas redes sociais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a irritação de José Leôncio com “</span><i><span style="font-weight: 400;">larga a mão, Filó</span></i><span style="font-weight: 400;">”, passando por Ari na comunicação com a fazenda em “</span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal, na escuta? Câmbio</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a vontade de fugir de Juma com “</span><i><span style="font-weight: 400;">querimbóra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os jargões ganharam espaço no cotidiano. Foi graças às expressões marcantes dos protagonistas e a adesão da juventude, agente controlador da popularização pelos meios, que a novela se tornou um fenômeno multimídia. O retorno das cenas dos próximos capítulos nos minutos finais também ajudou no resgate do gênero de folhetim. O aspecto foi </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/andre-santana/de-volta-cenas-do-proximo-capitulo-foram-abolidas-no-passado-por-causa-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">extinto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">TV Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> justamente pela exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Manchete</span></i><span style="font-weight: 400;">. A sua volta diminuiu a pressão para encaixar um gancho e aumentou o desejo de continuar assistindo com apenas alguns relances, mantendo uma ordem natural dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_30708" aria-describedby="caption-attachment-30708" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30708" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, as personagens Juma e Muda observam com desconfiança o peão Tibério. A câmera captura ambas a partir do tornozelo, enquanto a figura do peão está desfocada por ele estar de costas. Juma é uma mulher branca de cabelos e olhos claros. Muda é uma mulher negra de cabelos e olhos escuros. Tibério é um homem branco de cabelos e olhos escuros. Juma veste uma regata de estampa amarela e verde, uma saia de estampa branca e carrega em suas mãos uma arma de fogo que aponta na direção de Tibério. Muda veste uma regata branca e um shorts legging azul. Tibério veste uma camiseta de mangas longas branca com listras pretas e uma calça jeans. Ao fundo, o cenário é a tapera de Juma." width="984" height="656" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5.jpeg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-5-768x512.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30708" class="wp-caption-text">Alanis Guillen e Bella Campos foram uma dupla imbatível como Juma e Muda (Foto: Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor geral Walter Carvalho também assinou a </span><a href="https://buzzfeed.com.br/post/fotografia-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. Vívida, esplendorosa e natural, a ilustração da região manteve uma característica autoral por todos os cenários, tenham sido eles a grande fazenda dos Leôncios ou a simples tapera dos Marruá. Ainda que rodeado de beleza, Carvalho não deixou de demonstrar o drama da violência no campo, tópico recorrente do enredo, com a mesma sensibilidade. Por meio de tons frios, o ciclo de destruição causado pela especulação latifundiária, que se alastrou pela trajetória de Gil </span><span style="font-weight: 400;">(Enrique Diaz) </span><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ODIW-zC2LTA"><span style="font-weight: 400;">Maria Marruá</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Juliana Paes), colocou em debate a luta pela terra. É tal composição visual que une as duas famílias principais da novela, quando os agricultores se apropriam de um canto abandonado pelos peões.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Juma (Alanis Guillen) chegou ao mundo tida como uma maldição pela mãe, desorientada depois da perda de três filhos para os senhores da agropecuária brasileira. Porém, o destino em forma de sucuri despertou a onça que defendeu a sua cria até a sua segunda morte, quando já encantada no corpo do felino pintado. Em busca de vingança pelo pai, dono de um pedaço de terra vendido ilegalmente, Muda entrou na trama para confundir os sentimentos da filha de Marruá, criada para se defender de tudo, menos do amor. Assustada pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lQnJugdmqsQ"><span style="font-weight: 400;">instinto animal</span></a><span style="font-weight: 400;"> que farejava as suas mentiras, incluindo a farsa acerca da falta de voz, a personagem falou através do olhar intenso da intérprete Bella Campos e, em sincronia com Guillen, consagraram-se em uma dupla imbatível: “</span><i><span style="font-weight: 400;">não fala nada, Muda</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30709" aria-describedby="caption-attachment-30709" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30709" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, a personagem Maria Bruaca acaricia um cavalo. A câmera captura Maria a partir do busto e somente parte da cabeça do animal. Maria Bruaca é uma mulher branca de cabelos castanhos e olhos claros. Ela veste uma camisa na cor roxa e um colar, O cavalo é marrom e está equipado. Ao fundo, o cenário é composto pelo céu azul e pelas árvores verdes do pantanal." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-6-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30709" class="wp-caption-text">Carinhosamente apelidada pelo público como Mary Bru, a personagem protagonizou cenas importantes (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra forma de violência que pautou o roteiro foi a agressão física e psicológica enfrentada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YKl0byt3QSI"><span style="font-weight: 400;">Maria Bruaca</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Isabel Teixeira) nas mãos do seu esposo e grande vilão de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ji-Q75q9aBs"><span style="font-weight: 400;">Tenório</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Murilo Benício). Ao contrário da ficção, em que o apelido pejorativo marcou as falas das personagens, no ‘dia a dia’, os noveleiros se simpatizaram com a representação brutal e adotaram um apelido carinhoso, ‘Mary Bru’. Ela, inicialmente tida como uma personagem secundária, ganhou espaço de protagonista graças à interpretação fascinante de Teixeira ao lado de Benício, ambos incoerentemente unidos no mesmo tom em cena. Galã de muitas gerações, ele se desfez da face icônica de ‘mocinho’ e se transformou em um ser humano cruel. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, se os pais causaram uma mistura de sentimentos, os filhos do casal e da outra família do antagonista foram insuportáveis, não havendo a mínima chance do público nutrir algo por eles para além do desprezo, com destaque para a chatice apoteótica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lJAx29O635Q"><span style="font-weight: 400;">Guta ‘regatinha’</span></a><span style="font-weight: 400;">. Bruno Luperi, na tentativa de modernizar a narrativa, errou a mão na construção da personalidade da jovem e deu uma bomba para a atriz Julia Dalavia segurar. Ainda nessa questão, o autor conseguiu </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/zaquieu-dessa-versao-e-mais-empoderado-diz-ator-do-remake-de-pantanal-84237"><span style="font-weight: 400;">reescrever</span></a><span style="font-weight: 400;"> a trajetória de </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/colunas/clara-ribeiro/doenca-grave-o-levou-quem-era-o-zaqueu-na-primeira-versao-de-pantanal"><span style="font-weight: 400;">Zaquieu</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Silvero Pereira), mordomo que se apaixona pelo peão Alcides (Juliano Cazarré). Mas a assombração da </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/pantanal-peao-gay-heteronormatividade"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> permaneceu no discurso, no qual ele e Jove (Jesuíta Barbosa) foram frequentemente enquadrados como ‘frozô’ e o repúdio de José Leôncio ao ato dos boiadeiros não colou.</span></p>
<figure id="attachment_30710" aria-describedby="caption-attachment-30710" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30710" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Trindade observa Irma. A câmera captura Trindade a partir da cintura e Irma a partir do busto. Ele, um homem branco de cabelos escuros e olhos claros, veste uma camiseta de botões e mangas longas cinza e uma calça bege com um cinto de couro marrom repleto de adereços prateados. Trindade também carrega uma viola coberta por uma capa e um chapéu de peão. Irma veste uma regata vermelha enquanto contempla o rio do pantanal. Ao fundo, o cenário é a limpidez do rio e o verde da paisagem de mata recheada de árvores." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30710" class="wp-caption-text">Os romances de Pantanal tiveram seus altos e baixos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HXvzBASDivE"><span style="font-weight: 400;">Assustadoramente encantador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possuído por um ‘cramulhão’ que fez magia com as cordas da viola, o peão Trindade (Gabriel Sater) parou o coração do público e de Irma (Camila Morgado). O casal, no entanto, foi injustiçado por um fim desanimador motivado pelo interesse da ruiva em José Lucas de Nada. O ator, filho de Almir Sater, repetiu o papel que na versão original era do pai e dividiu a cena uma última vez com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">; dessa vez, na pele do chalaneiro Eugênio, em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gYKymNXoRhI"><span style="font-weight: 400;">batalha de Música fervorosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> que arrancou lágrimas e arrepios. Em meio a simplicidade deslumbrante da natureza, momentos como este jogaram de um precipício as passagens tenebrosas no urbano do Rio de Janeiro, felizmente deixadas de lado ao longo dos meses.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mergulhando nos altos e baixos dos romances de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;">, é perceptível o quanto o </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esforçou para provar que “</span><i><span style="font-weight: 400;">a maior força da natureza é o amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. José Leôncio e Filó provaram que o tempo realmente cura tudo. Já Muda e Tibério se encontraram em um cenário nada esperançoso e trouxeram para as telas a doçura de um enlace verdadeiro. Por outro lado, Tadeu (José Loreto) e Zefa (Paula Barbosa) superaram as diferenças de valores que os separavam para ficarem juntos. Entretanto, nenhum casal expressou com tanta fidelidade o </span><i><span style="font-weight: 400;">slogan</span></i><span style="font-weight: 400;"> apaixonado quanto Maria Bruaca e Alcides em busca da liberdade que somente o bioma fértil pode proporcionar, após a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9So0xzZJz-Y"><span style="font-weight: 400;">violência covarde</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Tenório contra o peão que protagonizou o momento mais chocante da trama. </span></p>
<figure id="attachment_30711" aria-describedby="caption-attachment-30711" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30711" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, Filó e Jove observam um confronto entre Tadeu e José Leôncio. A câmera captura todo o corpo de Filó e Jove, posicionados ao fundo de Tadeu e Leôncio, capturados a partir do joelho. Filó é uma mulher de cabelos e olhos escuros que veste uma regata amarela em conjunto com uma saia longa florida e sandálias de salto pequeno. Jove é um homem branco de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas branca, calça jeans, botas de couro e um chapéu de peão branco. Tadeu é um homem brano de cabelos escuros e olhos claros que veste uma camiseta de mangas longas em xadrez vermelho, calça jeans com cinto de couro, um chapéu de peão e duas malas. José Leôncio é um homem de cabelos e olhos escuros que veste uma camiseta de mangas longas azul e uma calça jeans com cinto de couro. Ao fundo, o cenário é o casarão de madeira dos Leôncios." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-8-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30711" class="wp-caption-text">Os Leôncios facilmente poderiam participar do programa Casos de Família do SBT (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele de Tadeu, José Loreto surpreendeu com uma atuação que fez parecer que o personagem foi escrito especialmente para ele. Ao lado de Dira Paes, o ator concretizou o feito extremamente difícil de não ser engolido pela aura de uma das veteranas mais experientes da dramaturgia. Confrontados com diálogos duros e secos, Loreto e Paes afloraram o lado sentimental de quem assistiu diariamente a relação genuína entre mãe e filho. De filho bastardo a sucessor natural do legado de boiadeiro do avô Velho Juventino, Tadeu muitas vezes </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2XYEAh0sws"><span style="font-weight: 400;">brigou sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela atenção do pai até o seu </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/pantanal/noticia/ultimo-capitulo-de-pantanal-encontro-de-tadeu-e-velho-do-rio-emociona-espectadores.ghtml"><span style="font-weight: 400;">encontro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o ‘Véio do Rio’ no último cápitulo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não ganharia a minha sela de prata se não fosse um Leôncio. [&#8230;] Diz pra ele que eu disse que ocê é o meu neto de amor</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsáveis por manter o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> batendo forte, Juma e Jove foram, mais do que nunca, os grandes protagonistas da novela. Em 2022, assistir o encontro do casal foi como presenciar o embate entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=605ywPGYiec"><span style="font-weight: 400;">felino e humano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela, nascida livre como um ser selvagem na imensidão da natureza, e ele, criado na redoma de vidro de uma mansão luxuosa, mas sem vida. Embalados pela música-tema </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j-Z9IJAgvxs"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de índio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Gabriel Sater, a união desses dois opostos fez o amor se consagrar como sagrado. Em harmonia com o verde do bioma e o vermelho da paixão, a dupla Alanis Guillen e Jesuíta Barbosa trouxe o frescor da descoberta de algo novo: uma química delirante, estrondosa e arrebatadora digna de reportagem do </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/05/26/juma-e-jove-fantastico-prepara-reportagem-para-todos-que-estao-na-torcida-pelo-casal-de-pantanal.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_30712" aria-describedby="caption-attachment-30712" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30712" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg" alt="Cena da novela Pantanal. Na imagem, o ‘Véio do Rio’ aparece contemplando o horizonte. Ele é um homem branco de cabelos brancos e olhos claros. ‘Véio’ veste uma manta marrom, um chapéu de palha e carrega em uma de suas mãos um cajado feito da madeira de um galho de árvore. Ao fundo, o cenário é a mata verde do Pantanal." width="1224" height="816" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/Imagem-9-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30712" class="wp-caption-text">Osmar Prado fez da sabedoria do ‘Véio do Rio’ a maior força de sua atuação (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“O homem é o único animal que cospe na água que bebe. O homem é o único animal que mata para não comer. O homem é o único animal que corta a árvore que lhe dá sombra e frutos. Por isso, está se condenando à morte…” &#8211; Benedito Ruy Barbosa</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A entidade </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cN1NlihUaw0"><span style="font-weight: 400;">‘Véio do Rio’</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a personificação do </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;">. O ator Osmar Prado trouxe para a composição a força da sabedoria de quem conhece o bioma, fala com os animais e espalha o amor. Único capaz de laçar um marruá, espécie de boi feroz, ele também foi o fator responsável por arrematar as histórias das famílias Leôncio e Marruá em uma só trajetória. Entre as paisagens belas e o desmatamento impiedoso, a novela de Bruno Luperi reergueu a audiência do gênero, fez jus a versão original de seu avô e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SecT4r0-BqE"><span style="font-weight: 400;">reviveu o destino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Atemporal, é um dever que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pantanal</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja adaptada novamente no futuro, assim, repetindo um ciclo fundamental: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Redescobrindo as Américas quinhentos anos depois/Lutar com unhas e dentes pra termos direito ao depois/Fim do milênio, resgate da vida, do sonho, do bem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
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