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	<title>Arquivos Joe Pimentel &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores não faz jus ao artista</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Apr 2025 14:31:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo A execução de um filme é guiada, por muitas vezes, pela noção de unidade entre forma e conteúdo, ou seja, de que maneira o diretor e demais artistas transpõem história ou roteiro através da linguagem do Cinema. O documentário Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores é um exemplo de insucesso quando pensamos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores não faz jus ao artista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35136" aria-describedby="caption-attachment-35136" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-35136" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-meio-amargo-capa-770x513-1.jpg" alt="Cena do filme Antônio Bandeira - O Poeta das CoresNa imagem, o pintor Antônio Bandeiras está pintando um quadro abstrato com o fundo azul claro e linhas pretas da obra. Ele é um homem negro, na faixa dos 40 anos, de cabelos curtos e grisalhos. Usa um cavanhaque e bigode que está brancos. Nas mãos ele segura um pote e um pincel da cor vermelha. Está vestindo uma blusa de manga comprida, que está arregaçada nos cotovelos, da cor vermelha e uma calça marrom. O cenário é um quarto, do lado esquerdo há uma porta com quadros em branco dentro e outros desenhos que estão pendurados em uma parede. No canto direito, há uma mesa com potes e pinceis.
" width="770" height="513" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-meio-amargo-capa-770x513-1.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-meio-amargo-capa-770x513-1-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35136" class="wp-caption-text">O pintor viveu anos na Europa e retornou para o Brasil no final dos anos 1950 (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A execução de um filme é guiada, por muitas vezes, pela noção de unidade entre forma e conteúdo, ou seja, de que maneira o diretor e demais artistas transpõem história ou roteiro através da linguagem do Cinema. O documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um exemplo de insucesso quando pensamos nessa ideia. Dirigido por </span><a href="https://mapacultural.secult.ce.gov.br/agente/10074/"><span style="font-weight: 400;">Joe Pimentel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e apoiado pelo sobrinho do biografado, o longa não consegue transmitir por suas imagens a grandiosidade de Bandeira &#8211; e às vezes nem pelo conteúdo. </span></p>
<p><span id="more-35135"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pintor cearense é conhecido mundialmente e, de acordo com pesquisadores, é metódico e singular: um </span><a href="https://www.escritoriodearte.com/artista/antonio-bandeira"><span style="font-weight: 400;">gênio da arte</span></a><span style="font-weight: 400;">. A personalidade disruptiva dele não tem presença no filme: sem estilização, montagem criativa ou qualquer elemento que possa se assemelhar com o brasileiro. O produto final é opaco e frio. Se vários quadros ficam na mente de quem conhece as produções abstratas do desenhista, por aqui as imagens serão perecíveis. Com exceção de uma, que consegue sobreviver no emaranhado de entrevistas realizadas.</span></p>
<figure id="attachment_35138" aria-describedby="caption-attachment-35138" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/20250403-antonio-bandeira-papo-de-cinema-1-1.png" alt="Cena do filme Antônio Bandeira - O Poeta das CoresNa imagem, Antônio Bandeira olha para cima, sorrindo e posando para a fotografia enquanto pinta um quadro. Ele está fumando um charuto. Antônio é um homem negro, na faixa dos 35 anos, de cabelos pretos e que estão repartidos ao meio. Usa bigode no rosto. A fotografia é em preto e branco, por isso, não dá para observar o quadro que pinta e nem detalhes do cenário, a luz só está no pintor. Ele veste uma camiseta xadrez.
" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/20250403-antonio-bandeira-papo-de-cinema-1-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/20250403-antonio-bandeira-papo-de-cinema-1-1-768x576.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35138" class="wp-caption-text">Antônio Bandeira ilustrou cartazes da Cartaz da IIª Bienal Internacional de São Paulo (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o único feito que aplique a grandiosidade de Bandeira ao </span><a href="http://personaunesp.com.br/xuxa-o-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">, seja  a quantidade de especialistas entrevistados, alguns que aparecem já próximos do final, como se fosse um aviso de “</span><i><span style="font-weight: 400;">aguarde, tem mais para contar sobre ele</span></i><span style="font-weight: 400;">”. O longa é salvo pela erudição dos depoentes, que, além de serem eloquentes, possuem um rico conhecimento sobre a história da Arte, do Brasil e da Europa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se o filme não conseguisse atingir as margens do que de fato é Cinema, partindo de linguagens muito próximas de uma entrevista para o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/audiencias/com-especial-sobre-evangelicos-fantastico-alcanca-o-maior-publico-de-2025-134619"><i><span style="font-weight: 400;">Fantástico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; comparação que não menospreza o programa, inclusive que possui ótimas reportagens, porém distingue as diferentes mídias. Há uma edição travada no clássico entrevistas e imagens que ilustram o que está sendo dito, se Antônio Bandeira rompe com o clássico e com o produzido no país, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Poeta das Cores </span></i><span style="font-weight: 400;">sequer tenta algum tipo de expressão expoente. É obrigação? De forma alguma, mas sem dúvidas um exercício formal mais interessante.</span></p>
<figure id="attachment_35139" aria-describedby="caption-attachment-35139" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35139" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Antônio Bandeira - O Poeta das CoresNa imagem, Francisco Bandeira, no lado direito, é filmado no ângulo de baixo para cima. Ele veste um cachecol branco e uma blusa escura. Francisco observa o horizonte com um olhar sério. Atrás dele, no canto esquerdo, em desfoque, há uma torre. Francisco é um homem negro, na faixa dos 40 anos, de bigode preto e cavanhaque comprido na cor grisalha. Seus cabelos são curtos e também grisalhos. O cenário é noturno. 
" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Artista-Francisco-Bandeira-scaled-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35139" class="wp-caption-text">O sobrinho Francisco Bandeira também seguiu carreira artística (Foto: Sereia Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro terço narra o começo da vida do </span><a href="https://arteref.com/movimentos/o-que-e-arte-abstrata-tudo-o-que-voce-precisa-saber/"><span style="font-weight: 400;">abstracionista</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante seus anos de estudo na Europa. Alguns participantes dão ênfase na vida urbana dele, apontando que frequentava bares e convivia com classes marginalizadas pela sociedade, como profissionais do sexo. No entanto, o filme não rompe o cordão com o clássico e abraça uma abordagem contraditória: tudo é pomposo e distante de uma representação mundana. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao invés de entrar com a câmera nesse mundo noturno, Joe Pimentel prefere filmar o sobrinho do artista, </span><a href="https://www.portalin.com.br/inexpress/francisco-bandeira-faz-releitura-das-obras-dos-pintores-antonio-bandeira-e-aldemir-martins/"><span style="font-weight: 400;">Francisco Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;">, perambulando pela Europa, dando destaque a monumentos e prédios, enquanto uma música que tocaria em um restaurante Francês está ao fundo. Ora, se a história é sobre seguir os passos do tio, deveria então dar mais ênfase a essa questão e assumir que haverá um abandono da humanidade &#8211; e jeito de viver &#8211; do pintor. São raros os momentos em que se cria um elo de proximidade com o artista, o mais próximo é no trecho de sua morte. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta crítica sobre o afastamento da persona humana não surge do nada, o longa começa com uma carga dramática e termina tentando emular sentimentos, porém não preenche a lacuna de uma hora entre o começo e o fim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma experiência rasa e sem a libido necessária para ficar na memória ou suscitar uma admiração pelo artista &#8211; quem ganha destaque são os entrevistados. As cenas finais são gravações em preto e branco de </span><a href="https://especiais.opovo.com.br/acervo/2017/antoniobandeira/index.html"><span style="font-weight: 400;">Bandeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela praia: os pigmentos do Poeta das Cores se ausentaram em um documentário que desbota seu personagem. </span></p>
<p><a href="https://youtu.be/8LUnHgG0CXU?si=8icrvtt8BKC_rhqP"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Antonio Bandeira | O Poeta das Cores l Trailer | 2025&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://youtu.be/8LUnHgG0CXU?si=8icrvtt8BKC_rhqP&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Antonio Bandeira | O Poeta das Cores l Trailer | 2025</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/antonio-bandeira-o-poeta-das-cores-critica/">Antônio Bandeira &#8211; O Poeta das Cores não faz jus ao artista</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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