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	<title>Arquivos João Paulo Miranda Maria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos João Paulo Miranda Maria &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Persona Entrevista: João Paulo Miranda Maria</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 19:23:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Diretor de “Casa de Antiguidades” comenta suas inspirações e o impacto do filme, único brasileiro na seleção de Cannes 2020, no exterior  Caroline Campos e Vitor Evangelista Como parte da cobertura da 44ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o Persona entrevistou realizadores de alguns dos filmes presentes no festival. Nos próximos dias, os &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entrevista-joao-paulo-miranda-maria/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: João Paulo Miranda Maria"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">Diretor de “Casa de Antiguidades” comenta suas inspirações e o impacto do filme, único brasileiro na seleção de Cannes 2020, no exterior </span></i></p>
<figure id="attachment_16761" aria-describedby="caption-attachment-16761" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-16761 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/casaDESTAQUE.jpg" alt="Arte com fundo vermelho, no lado esquerdo as palavras PERSONA ENTREVISTA aparecem na vertical, intercalando entre letras pretas e brancas, uma cor por linha, ao lado das 4 linhas, está uma colagem em preto e branco do diretor, seu busto, ele é um homem branco que usa óculos de grau e uma camiseta polo com os botões abertos. Ao lado do homem, está o pôster do filme Casa de Antiguidades, que tem o desenho de um homem usando uma cabeça de touro preta, acima do pôster, em letras pretas está escrito o nome do diretor, João Paulo Miranda Maria" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/casaDESTAQUE.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/casaDESTAQUE-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/casaDESTAQUE-768x404.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16761" class="wp-caption-text">O Persona entrevista João Paulo Miranda Maria, diretor do filme Casa de Antiguidades (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como parte da cobertura da 44ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o Persona entrevistou realizadores de alguns dos filmes presentes no festival. Nos próximos dias, os leitores do </span><i><span style="font-weight: 400;">site </span></i><span style="font-weight: 400;">poderão ter acesso na íntegra a essas conversas exclusivas (coordenadas pela nossa equipe), e que foram realizadas através de videochamadas. Assim, mesclamos o texto clássico narrativizado do Persona com as perguntas e respostas em forma de pingue-pongue, chegando à uma leitura mais fácil e menos carregada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se ficou curioso, é só acompanhar abaixo o resultado da nova empreitada da editoria: apresentamos o <strong>Persona Entrevista</strong>. E, para iniciar com o pé direito, que tal conhecer um pouco mais sobre o filme e o diretor que representaram o Brasil virtualmente em Cannes neste ano</span><i><span style="font-weight: 400;">?</span></i></p>
<p><span id="more-16760"></span></p>
<figure id="attachment_16762" aria-describedby="caption-attachment-16762" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16762" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/CannesJoaoPauloMiranda.jpg" alt="O diretor, um homem branco usando óculos e terno preto, está em pé em meio a uma plateia no Festival de Cannes, ele sorri" width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/CannesJoaoPauloMiranda.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/CannesJoaoPauloMiranda-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/CannesJoaoPauloMiranda-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/CannesJoaoPauloMiranda-768x461.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16762" class="wp-caption-text">O diretor João Paulo Miranda Maria em Cannes, quando seu curta recebeu uma menção especial do júri (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um sonho em uma casa abandonada com ares ancestrais e objetos vagamente familiares. Foi assim que surgiu </span><a href="https://personaunesp.com.br/casa-de-antiguidades-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidade</span></i><i><span style="font-weight: 400;">s</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, primeiro longa do diretor paulista João Paulo Miranda Maria. O horror de mal estar, inclusive, lutou pela oportunidade de representar o Brasil no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021 na categoria de Filme Internacional. A ideia foi amadurecendo, se desenvolveu, e, em 2015, o diretor já tinha a primeira versão do roteiro, praticamente a mesma do resultado final. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em Rio Claro, interior de São Paulo e berço do movimento integralista, não foi difícil para Miranda Maria retratar o </span><i><span style="font-weight: 400;">“cinema caipira”</span></i><span style="font-weight: 400;"> na sua carreira cinematográfica, que conta com curtas-metragens em vários festivais ao redor do mundo. Ele chegou a ser selecionado para a competição da Semana de Crítica em Cannes. Na visão do diretor, o conceito da arte caipira aborda </span><i><span style="font-weight: 400;">“um universo de personagens como pedras brutas, que têm marcas do tempo, história e sofrimento dentro deles e de outras gerações. (&#8230;) Eles não falam, quase guardam para si”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;">, essa tal </span><i><span style="font-weight: 400;">“pedra bruta”</span></i><span style="font-weight: 400;"> é Cristovam, um velho excluído pela sociedade racista e xenofóbica em que vive, e interpretado pelo veterano Antônio Pitanga, que contrastou com a estreante carreira de Miranda Maria.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu imaginava que o Pitanga era aquele que trazia a história do cinema nele, independente da cor da pele, porque ele tinha a história do cinema brasileiro”</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi a justificativa do diretor que, no roteiro, não especificava Cristovam como um homem negro ou com mais de 80 anos. No entanto, desde o início, João já imaginava Pitanga no papel do protagonista, e trabalhar com ele, logo na estreia do formato longa-metragem, foi como ser batizado na sétima arte.</span></p>
<figure id="attachment_16763" aria-describedby="caption-attachment-16763" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16763" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/maxresdefault.jpg" alt="Na foto, vemos uma cena do filme Casa de Antiguidades. Antonio Pitanga interpreta m homem negro e idoso, que olha diretamente para a câmera, ele usa camiseta amarela e blusa cinza, ele está numa sala, com quadros e uma mesa atrás, desfocados." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/maxresdefault.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16763" class="wp-caption-text">Antonio Pitanga tem no currículo O Pagador de Promessas, o único filme brasileiro que venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De família conservadora, João Paulo Miranda Maria trouxe muito de sua vida para o roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele estudou com bolsa em uma rígida escola alemã, cercado de um preconceito antigo que se esgueira para fora dos bueiros nos dias de hoje. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu acho que agora, infelizmente, nesse presente, eles [preconceitos] parecem que ganham autoridade, propriedade, coragem, para expor todas essas intolerâncias escondidas debaixo do tapete”</span></i><span style="font-weight: 400;">, lamenta o cineasta, que, mesmo atualmente residindo na França, enfatiza sua nacionalidade a todo momento e não deixa de acompanhar o cenário brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E falando na cena do Brasil, as inevitáveis comparações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o fenômeno de 2019, chegariam logo. O filme de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles também foi figurinha carimbada de Cannes, além de carregar muito do cinema de horror entrelaçado numa narrativa que sufoca o regionalismo e a figura do invasor. Quanto aos paralelos das obras, Miranda Maria enxerga pelo lado positivo. O paulista reconhece as aspirações conjuntas de revolta social que os filmes dividem, mas traça a linha definidora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> no apelo para com a audiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto usa o termo cinema de autor para definir o próprio filme, Miranda analisa </span><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau </span></i><span style="font-weight: 400;">como</span><i><span style="font-weight: 400;"> “um filme que tenta dialogar mais com a massa, tenta algo mais do pop, do popular”</span></i><span style="font-weight: 400;">. São propostas, entregas e abordagens distintas, é claro, mas é gratificante reconhecer o caráter evolutivo do cinema do Brasil. Que, ao mesmo tempo lida com narrativas familiares, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Que Horas Ela Volta?</span></i><span style="font-weight: 400;">, passa pela euforia dos bastidores televisivos com </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-bingo/"><i><span style="font-weight: 400;">Bingo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ainda encontra espaço para estudar o racismo e a desigualdade da </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;">. Esses exemplos rápidos são aquelas produções com mais apelo, as que chegam de modo mais fácil ao público, e para além dela, o país luta com voracidade a guerra contra o desmonte</span> <span style="font-weight: 400;">da cultura que o governo impõe.</span></p>
<figure id="attachment_16764" aria-describedby="caption-attachment-16764" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16764" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/54004284_101.jpg" alt="Foto dos bastidores do filme, onde Antonio Pitanga, um homem negro e idoso, está sentado à mesa, olhando para o diretor Miranda Maria, um homem branco que está de costas para a câmera. Ao lado deles, existe um tripé " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/54004284_101.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/54004284_101-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/54004284_101-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16764" class="wp-caption-text">“Eu precisava trazer pro filme alguém com o peso da história, da história do cinema brasileiro”, disse o diretor sobre a escalação de Pitanga (Foto: Carlos Eduardo Carvalho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em tempos de pandemia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> não recebeu os louros presenciais de um </span><i><span style="font-weight: 400;">red carpet</span></i><span style="font-weight: 400;">, já que, nesse ano, o Festival de Cannes não ocorreu.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “O destino preparou de ser um ano que não teve tapete vermelho, não teve foto, nenhum glamour. (&#8230;) O cinema não é glamour, é  qualidade”.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Aliás, João Paulo Miranda Maria recebeu todos os elogios e congratulações à distância e longe das salas de exibição. O filme, que além de ser parte da Seleção Oficial de Cannes 2020, marcou presença virtual no Festival de Toronto e ganhou o Prêmio Roger Ebert.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que surpreendeu o diretor, todavia, não foi nada disso. Por seu histórico em festivais internacionais, ele já esperava uma recepção positiva de seu primeiro longa. Miranda Maria revela que o choque se deu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> ser incluído numa lista prematura de apostas para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2021. A seleção foi feita pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Variety</span></i><span style="font-weight: 400;">, um veículo de respeito nos EUA, que contatou uma porção de críticos antes da publicação.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Eu nunca imaginei que era um filme de Oscar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, confidenciou o diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">“foi aí que começou o mundo virar e as pessoas começaram a criar uma expectativa sobre o filme”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Brasil escolheu o tocante documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Babenco: Alguém tem que ouvir o coração e dizer: parou</span></i><span style="font-weight: 400;"> como representante no país na cerimônia que acontecerá no fim de abril do ano que vem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa </span></i><span style="font-weight: 400;">estava acompanhado de outras produções que estrearam na Mostra de SP, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-passaro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Pássaro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Valentina</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sucessos de público, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Minha Mãe é uma Peça 3</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o recente </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice Junior</span></i><span style="font-weight: 400;">, também estavam no páreo. Por mais que </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tenha sido o selecionado, o que nos resta é aproveitar o melhor que o cinema do país tem a oferecer, e nos divertir com um jogo rápido de pergunta e resposta com João Paulo Miranda Maria. </span></p>
<figure id="attachment_16765" aria-describedby="caption-attachment-16765" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16765" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/15680703725d76dae4b3996_1568070372_3x2_md.jpg" alt="Bastidor do filme, o diretor, um homem branco e de camisa social e óculos, está ao lado de um homem mais alto que ele, de barba e calvo, que dá alguma indicação manual. O fundo da imagem é um campo verde" width="768" height="509" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/15680703725d76dae4b3996_1568070372_3x2_md.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/15680703725d76dae4b3996_1568070372_3x2_md-300x199.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16765" class="wp-caption-text">“Para mim, é importante trazer esse incômodo” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Quais são suas inspirações nacionais?</b></p>
<p><b>João:</b> <i><span style="font-weight: 400;">Do Brasil, o meu pilar com certeza veio com o Mário Peixoto, com “Limite”. Para mim, foi o início, ou seja, um cinema forte, autêntico, original, único (&#8230;), eu gosto daqueles filmes que se assumem, sabe? Que não ficam em cima do muro, que se assumem na forma e no conteúdo. Então Mário Peixoto com certeza.<br />
</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Outro, com certeza, é o Glauber Rocha, que até hoje tá aí no panteão dos grandes e, quem sabe, o maior cineasta brasileiro. E um outro nome que eu vejo que deu o próximo passo e que é do contemporâneo, infelizmente também falecido, é o Eduardo Coutinho. Ele, assim como quase ninguém, soube flagrar a alma do brasileiro.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>E as estrangeiras?</b></p>
<p><b>João: </b><i><span style="font-weight: 400;">Se eu falar de antes, dos italianos, é [Paolo] Pasolini e [Michelangelo] Antonioni. Para mim, são incríveis, é algo que me impressiona. Agnès Varda, Nouvelle Vague, e também Godard. Mas, atualmente, eu diria que esse grande cinema, que, às vezes, eu brinco, coloco com C maiúsculo, Cinema-História e tal, hoje em dia tá em Hong San Soo, com uma simplicidade, o menos. </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ele vai flagrando essa sociedade, esse ser humano, de uma maneira tão diferente que seu personagem pode gritar e chorar ao mesmo, e é muito sincero e único. Apichatpong [Weerasethakul], que também é uma grande referência, talvez Lav Diaz também é um nome que eu admiro muito.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Qual o papel das personagens mulheres no seu filme?</b></p>
<p><b>João:</b> <i><span style="font-weight: 400;">Olha, tanto a Jennifer e a Jandira são as personagens mais progressistas, que estão muito mais à frente do que o personagem do Pitanga, o Cristovam. Isso é nítido, porque ele tem esse machismo, preconceito, vários ranços. Já essas duas mulheres são essas guerreiras, em que elas procuram e querem assumir lugares do qual elas não seriam bem vistas, onde não seria permitido a presença e entrada delas.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><b>Por que você escolheu mostrar a cena de morte da cachorrinha daquela maneira?</b></p>
<p><b>João:</b> <i><span style="font-weight: 400;">Eu pensei “não, eu preciso que esse cachorro nos olhe, que a gente o veja, porque é o mesmo plano do Cristovam olhando pra câmera no final do filme. Então, eu preciso me conectar. Eu quero que esse cachorro me olhe, eu não quero ignorar, esconder”. O filme inteiro não esconde, entre aspas, só que o filme é fora de quadro, poucos planos, é isso que pra mim era importante conseguir alcançar, como eu consigo trazer o invisível em cena. [&#8230;] tudo é um ciclo nesse filme. [&#8230;] Eu precisava mostrar esse ranço, todos esses problemas de homem antigo, que precisa morrer pra renascer algo novo.</span></i></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem previsão para chegar aos cinemas brasileiros em 19 de novembro.</span></p>
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		<title>Na verdade, Casa de Antiguidades é um abatedouro</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Nov 2020 16:35:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos e Vitor Evangelista O burburinho que cercou Casa de Antiguidades não veio de graça. Considerando que temas como regionalismo e horror de mal estar estão em voga desde a explosão de Bacurau, em 2019, quaisquer obras que resvalem nesse espectro sem dúvidas chamariam atenção do público brasileiro. Parte da Seleção Oficial de Cannes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/casa-de-antiguidades-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na verdade, Casa de Antiguidades é um abatedouro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16517" aria-describedby="caption-attachment-16517" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16517" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1.jpg" alt="" width="2560" height="1696" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-1024x678.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-1536x1018.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-2048x1357.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_9882_Antonio-Pitanga-scaled-1-1200x795.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16517" class="wp-caption-text">Depois de ‘passar’ por Cannes, o filme estreou em território nacional na 44ª Mostra Internacional de SP (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos e Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O burburinho que cercou </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> não veio de graça. Considerando que temas como regionalismo e horror de mal estar estão em voga desde a explosão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bacurau-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Bacurau</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2019, quaisquer obras que resvalem nesse espectro sem dúvidas chamariam atenção do público brasileiro. Parte da Seleção Oficial de </span><a href="https://www.papelpop.com/2020/06/filme-brasileiro-casa-de-antiguidades-esta-em-lista-de-selecionados-pelo-festival-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Cannes 2020</span></a><span style="font-weight: 400;"> e exibido com exclusividade na 44ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, o primeiro longa de João Paulo Miranda Maria se mune de um misticismo tupiniquim para desconstruir e metamorfosear a vida e a humanidade de Cristovam, um homem abandonado pelo tempo e rejeitado pela comunidade em que habita.</span></p>
<p><span id="more-16516"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> já expõe seu argumento de cara: nesse assombrado sul do Brasil, o velho se recusa a morrer. A vaca idosa da fábrica leiteira demora a ser sacrificada, não só a arma está danificada, como todo o conceito de eliminar os elementos do passado. Conceito esse espelhado imediatamente no personagem principal do filme. Carrancudo e soturno, o trabalho de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/antonio-pitanga-vibra-com-casa-de-antiguidades-em-cannes-me-sinto-uma-crianca-dancando-dentro-de-mim-mesmo-24460853"><span style="font-weight: 400;">Antonio Pitanga</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o elemento </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a receita de Miranda Maria. </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe para nos incomodar.</span></p>
<figure id="attachment_16518" aria-describedby="caption-attachment-16518" style="width: 1099px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16518" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_0347_Antonio-Pitanga.-Saiba-mais..jpg" alt="" width="1099" height="827" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_0347_Antonio-Pitanga.-Saiba-mais..jpg 1099w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_0347_Antonio-Pitanga.-Saiba-mais.-300x226.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_0347_Antonio-Pitanga.-Saiba-mais.-1024x771.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Casa_de_Antiguidades_CEC_0347_Antonio-Pitanga.-Saiba-mais.-768x578.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16518" class="wp-caption-text">O filme, uma coprodução de Brasil e França, ganhou o título internacional de Memory House (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E não um incômodo bem vindo, se é que isso existe, mas uma sensação verdadeiramente ruim. O texto, escrito à quatro mãos pelo diretor e por Felipe Sholl, não toma senso nenhum da gratuidade que trabalha. Construindo longas sequências de câmera parada, com um forte trabalho de foco e </span><i><span style="font-weight: 400;">zoom</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> fetichiza a violência aos seres indefesos &#8211; nem o cachorro perneta de Cristovam tem paz na quase uma hora e meia de duração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa toada da falta de pudor, registrando desde a lenta morte do animal até a crueldade da fábrica de leite, </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa de lado uma máxima da arte de fazer cinema, a de que a sugestão é muitíssimo mais poderosa que a certeza. O terror é bode velho na manobra, gênero que sempre batalhou contra o orçamento e inventava mil e uma maneiras de passar sua mensagem de medo, mistério e morte, mas sem apelar para o choque pelo choque.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nem mesmo as relações que o velho protagonista tenta estabelecer recebem algum tipo de tratamento melhor construído. Jandira (Aline Marta Maia) e Jennifer (Ana Flávia Cavalcanti), mãe e filha, conseguem um pouco da atenção do espectador em momentos incômodos e rudes, reforçando o aspecto animalesco que é tão marcado pela atuação crua que Pitanga domina. O veterano, acostumado com papéis expansivos e alegres ao longo da sua trajetória pelas </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-01-26/a-familia-pitanga-e-a-urgencia-de-contar-a-historia-dos-negros-vencedores.html"><span style="font-weight: 400;">gerações do cinema brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, se desconstrói com Cristovam, que passa o filme calado e é agressivo com as únicas duas personagens femininas em destaque. Uma mudança de ares para um ator com 60 anos de carreira.</span></p>
<figure id="attachment_16519" aria-describedby="caption-attachment-16519" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16519" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1591467839195.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1591467839195.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1591467839195-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1591467839195-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1591467839195-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16519" class="wp-caption-text">Benjamín Echazarreta, cinematógrafo de Uma Mulher Fantástica, é quem fotografa os ambientes escuros e a ancestralidade de Cristovam (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A ideia de edificar a câmera como um monumento de cena respinga originalidade e irreverência, o diretor transporta (por bem ou por mal) o público para as salas de reuniões, cozinhas e para a Casa que dá nome ao filme. Enquanto filma as micro reações dos personagens, o espectador tem o tempo de absorver os acontecimentos, e o choque é maior pelo tempo que olhamos para algo. Sem tirar nem por, </span><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um </span><a href="https://whatculture.com/film/15-feel-bad-movies-that-make-you-feel-like-sh-t"><i><span style="font-weight: 400;">feel-bad movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um filme de mal estar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E a residência do título, pouco a pouco, se revela um verdadeiro abatedouro. No campo literal, quando vemos a morte nos olhar nos olhos e também no temático. Cristovam vai sendo dilacerado com o passar do tempo, perdendo toda a humanidade que uma vez habitou nele. A morte é espelho das escolhas criativas do filme, considerando que uma porção de boas ideias acabam capadas, seja pela inexperiência do diretor ou pela falta de tato na hora de contar uma história dessas.</span></p>
<figure id="attachment_16520" aria-describedby="caption-attachment-16520" style="width: 1908px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16520" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917.jpg" alt="" width="1908" height="1272" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917.jpg 1908w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1327046_memoryhousecelluloiddreams_668917-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16520" class="wp-caption-text">Até o momento, Casa de Antiguidades é o grande candidato para <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-156121/#:~:text=O%20longa%20Casa%20de%20Antiguidades,2021%20como%20representante%20do%20Brasil.">representar o Brasil</a> na categoria de Filme Internacional no Oscar 2021 (Foto: Divulgação Imprensa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Olhando para a programação da Mostra de SP, outra produção regionalista e protagonizada por negros acabou melhor sucedida que o filme brasileiro. Nos referimos ao magnânimo </span><i><span style="font-weight: 400;">Isso Não É Um Enterro, É Uma Ressurreição</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme do Lesoto escrito e dirigido por Lemohang Jeremiah Mosese. Pelas mãos de um homem negro, o longa lida com questões de sofrimento e desumanização, mas nunca partindo para chavões de gratuidade ou pro clássico e terrível clichê de lapidar um personagem moldado apenas por traumas, e nunca por camadas que respeitem sua construção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E é esse respeito, ou no caso a ausência dele, para com seus personagens que atrapalha um pouco a tentativa de Miranda Maria de explicitar seus objetivos em tela. Ao ser xingado, humilhado, ameaçado e violado, Cristovam se torna um objeto cuja única função é sofrer em prol da narrativa. Mesmo amparado e guardado pelas forças indígenas que habitam a </span><a href="https://44.mostra.org/filmes/casa-de-antiguidades"><i><span style="font-weight: 400;">Casa de Antiguidades</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do título, ainda assim o personagem é bestializado, chegando ao mesmo destino que os animais anteriores. Não há salvação para sua antiguidade. Há apenas o fim. E ele vem pela mira de uma hesitante criança em meio a um linchamento mais parecido com uma tourada de rua, onde nós constantemente duvidamos se o homem ainda existe embaixo da fantasia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MEMORY HOUSE by João Paulo Miranda Maria - Official Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/xm63773htIo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/casa-de-antiguidades-critica/">Na verdade, Casa de Antiguidades é um abatedouro</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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