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	<title>Arquivos JJ Abrams &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A ousadia de sobreviver em Lovecraft Country</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Oct 2020 17:41:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Leonardo Teixeira Em Lovecraft Country, é constante o diálogo entre passado e futuro. “Quando meu neto nascer, ele será minha fé transformada em carne e osso”, uma personagem diz, em um dos muitos climaxes da trama. Aqui, ícones e referências da cultura negra dão liga a uma trama sobre ancestralidade. Não só sobre as qualidades &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lovecraft-country-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A ousadia de sobreviver em Lovecraft Country"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16079" aria-describedby="caption-attachment-16079" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-16079" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-1.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16079" class="wp-caption-text">Horrores cósmicos e sociais perseguem os protagonistas do show, que fez tremer os últimos dez domingos da HBO (Foto: Elizabeth Morris/HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Leonardo Teixeira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lovecraft Country</span></i><span style="font-weight: 400;">, é constante o diálogo entre passado e futuro. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Quando meu neto nascer, ele será minha fé transformada em carne e osso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma personagem diz, em um dos muitos climaxes da trama. Aqui, ícones e referências da cultura negra dão liga a uma trama sobre ancestralidade. Não só sobre as qualidades e ensinamentos passados de mãe para filha, mas também as feridas. A inspiração na obra de um babaca eugenista, em uma história protagonizada por pessoas pretas, adiciona mais força ao texto, que explora a monstruosidade como característica inerente ao ser humano. </span></p>
<p><span id="more-16078"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É a década de 50, em Chicago. Atticus, ou Tic (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4qAyefPV2lQ"><span style="font-weight: 400;">Jonathan Majors</span></a><span style="font-weight: 400;">), retorna ao distrito negro onde cresceu, para investigar o paradeiro de seu pai. Mas ele está diferente. Agora é um veterano da Guerra da Coréia, para a qual se alistou fugindo do ambiente familiar violento. Pistas do pai o colocam na estrada, em direção à cidade fictícia de Ardham, no interior de Massachusetts. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ele não vai sozinho. Letitia, ou Leti (Jurnee Smollett), é uma fotógrafa e ativista que também está de volta ao pedaço, depois de anos ausente do seio familiar. Sua mãe morreu há pouco tempo, mas ela não compareceu ao velório. George (Courtney B. Vance), tio de Tic, completa o trio de viajantes. Ele é editor do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Safe Negro Travel Guide</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em inglês, O Guia de Viagem do Negro Seguro), uma versão fictícia do guia editado por Victor Hugo Green entre 1933 e 1966 sobre locais seguros para hospedagem e alimentação de pessoas negras nos Estados Unidos. </span></p>
<figure id="attachment_16080" aria-describedby="caption-attachment-16080" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-2.jpg" alt="" width="1024" height="683" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-2-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-2-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16080" class="wp-caption-text">Traumas geracionais são determinantes nas relações familiares da série (Foto: Eli Joshua Ade/HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><i><span style="font-weight: 400;">road trip</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o ponto de partida de uma aventura macabra e emocionante. Em plena vigência do Jim Crow, as leis segregatórias do país que vigoraram até 1964, a narrativa dessas duas famílias negras passa por momentos em que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><span style="font-weight: 400;">tensão racial compete com o horror</span></a><span style="font-weight: 400;">. Fica difícil saber o que mais assusta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se segue são dez episódios explosivos que mesclam terror, ficção científica e aventura, com revisitações a fórmulas desses gêneros. Os heróis enfrentam monstros, rituais de magia, espíritos obsessores, entre outras entidades, mas pouco lhes é explicado. O ritmo rápido e cortante do texto não permite grandes exposições. Só que esses elementos não são estranhos aos personagens, todos grandes fãs de narrativas fantásticas.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lovecraft Country: Trailer Oficial | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/a7XlZJ4F3e0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Os autores dessas histórias, porém, não retribuem a admiração. No cinema de horror, é muito comum que os raros personagens negros presentes nas produções sejam o foco do medo ou os primeiros a morrer. A historiadora americana Robin R. Means Coleman disseca essa relação problemática no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Horror Noire: A Representação Negra no Cinema de Terror</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro exemplo é o próprio H.P. Lovecraft, tido como o criador da literatura de terror cósmico e inspiração para </span><a href="https://personaunesp.com.br/territorio-lovecraft-livro-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Território Lovecraft</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o livro que deu origem à série. Existem </span><a href="https://medium.com/the-speculative-hinterlands/lovecraft-and-the-language-of-eugenics-c28e8ff7977b"><span style="font-weight: 400;">evidências</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que o escritor, que morreu em 1937, acreditava nas teorias racistas do eugenismo e flertava com o nazismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Consciente do amor não-correspondido de seus personagens pela literatura fantástica, a produção liderada por Misha Green ressignifica a obra do racista americano, transformando-a num testamento da resiliência negra. Um exemplo é a cena inaugural do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, em que o jogador de beisebol Jackie Robinson, conhecido por ser o primeiro homem negro a jogar na liga principal americana, luta em uma batalha alienígena. </span></p>
<figure id="attachment_16081" aria-describedby="caption-attachment-16081" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-3.jpg" alt="" width="1024" height="680" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-3-300x199.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-3-768x510.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16081" class="wp-caption-text">“No terror, existe um extremo a que nossa ansiedade por chegar a qualquer momento. Essa é a experiência negra”, Misha Green explicou ao New York Times (Foto: Eli Joshua Ade/HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diversos outros ícones, como James Baldwin, </span><a href="https://cultura.uol.com.br/entretenimento/noticias/2020/09/28/154_lovecraft-country-elza-soares-e-inspiracao-para-vestido-de-personagem-em-serie-americana.html"><span style="font-weight: 400;">Elza Soares</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=L0w9Usktr8w"><span style="font-weight: 400;">Sonia Sanchez</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OJYTBWaLK84"><span style="font-weight: 400;">Zora Neale Hurston</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como alguns </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/lovecraft-country-revisita-o-massacre-de-tulsa-em-episodio-emocionante"><span style="font-weight: 400;">eventos históricos reais</span></a><span style="font-weight: 400;">, ajudam Green a desenvolver os episódios. É uma frase de Hurston, inclusive, que nos ajuda a entender a jornada desses personagens. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Se você ficar em silêncio sobre sua dor, eles irão te matar e dizer que você gostou”</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela escreveu. Os grandes momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lovecraft Country</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocorrem quando seus heróis se permitem demonstrar raiva pelas injustiças e horrores que vivem. E respondem aos ataques. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que a raiva e a desobediência civil são usadas como válvula de escape na exploração de tensões sociais na arte. A fúria pela injustiça racial é força motriz de trabalhos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-HM2S6TVYII"><span style="font-weight: 400;">Nina Simone</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yVAD4fYRcvA"><span style="font-weight: 400;">Spike Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">, Basquiat, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BTqNemB6mio"><span style="font-weight: 400;">Solange</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/lemonade-amor-confianca-empoderamento/"><span style="font-weight: 400;">Beyoncé</span></a><span style="font-weight: 400;"> Knowles, Linn da Quebrada, entre tantos outros.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Linn da Quebrada - Bomba Pra Caralho (Áudio-Vídeo Oficial)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZYOIvMyZ_GU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Entrar em contato com a própria indignação faz parte do processo de cura pelo qual passam. Montrose (interpretado pelo brilhante Michael K. Williams) protagoniza o arco em que isso mais se evidencia. Williams explora da forma mais crua possível a trajetória de um homem que nunca pôde processar os efeitos das violências que sofreu durante a vida. E foi para o filho o único pai que ele sabia ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hippolyta é outro destaque. Aunjanue Ellis interpreta uma mulher sufocada pela maternidade e pelo casamento, que embarca numa jornada solitária para descobrir quem é. Por sua vez, a irmã mais velha de Leti, Ruby (Wunmi Mosaku), já sabe quem é. Mas procura uma fuga da realidade, que é tão dura. </span></p>
<figure id="attachment_16083" aria-describedby="caption-attachment-16083" style="width: 3840px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1.png" alt="" width="3840" height="2160" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1.png 3840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1-300x169.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1-2048x1152.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/10/lovecraft-country-4-1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16083" class="wp-caption-text">Um dos momentos mais viajados e poéticos da jornada de Hippolyta, inspirado por um figurino de Elza Soares (Foto: HBO/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/"><span style="font-weight: 400;">Jordan Peele</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-j-abrams-prodigio-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">J.J. Abrams</span></a><span style="font-weight: 400;"> também assinam a produção executiva da série, que quase sempre tem um comentário sociopolítico inteligente a tecer sobre temas que pulsam há décadas. O sexto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Meet Me in Daegu</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, é um texto inteligentíssimo sobre o fenômeno do oprimido que se torna opressor. Narrativas LGBT, violência de gênero, afrofuturismo e colonialismo são alguns outros temas que o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">explora com elegância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma história de fantasia e terror com tantos pés fincados na realidade, quem realmente são os monstros? O primeiro ano de </span><i><span style="font-weight: 400;">Lovecraft Country</span></i><span style="font-weight: 400;"> não responde ao questionamento, mas levanta reflexões muito bem-vindas. E triunfa ao estudar como podemos superar essas perversidades, para que a herança que deixamos para nossos tataranetos seja a cura. E não nossos traumas.</span></p>
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		<title>Rua Cloverfield, 10: Tensão e suspense psicológico em uma rua sem saída</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2016 22:03:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fioravante Em 2008, com o lançamento de “Cloverfield – O Monstro”, o produtor J.J. Abrams lançou no mercado cinematográfico dois nomes que posteriormente seriam disputados pelas grandes produtoras. Matt Reeves e Drew Goddard, diretor e roteirista respectivamente do filme de 2008 (ambos são produtores executivos deste novo filme), assumiram grandes franquias no cinema, como “Planeta &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rua-cloverfield-10-tensao-suspense-psicologico-rua-sem-saida/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rua Cloverfield, 10: Tensão e suspense psicológico em uma rua sem saída"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-1518" src="https://criticapersona.files.wordpress.com/2016/04/10-cloverfield-lane.jpg" alt="10-cloverfield-lane" width="770" height="442" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/10-cloverfield-lane.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/10-cloverfield-lane-300x172.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2016/04/10-cloverfield-lane-768x441.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p><strong>Gabriel Fioravante</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2008, com o lançamento de “Cloverfield – O Monstro”, o produtor <a href="https://criticapersona.wordpress.com/2016/02/17/j-j-abrams-o-prodigio-de-hollywood/" target="_blank">J.J. Abrams</a> lançou no mercado cinematográfico dois nomes que posteriormente seriam disputados pelas grandes produtoras. Matt Reeves e Drew Goddard, diretor e roteirista respectivamente do filme de 2008 (ambos são produtores executivos deste novo filme), assumiram grandes franquias no cinema, como “Planeta dos Macacos” por Reeves e o indicado ao Oscar, “Perdido em Marte”, por Goddard. Alguns anos depois, com o sucesso dos realizadores e do filme, elogiado principalmente pela sua temática e seu estilo </span><i><span style="font-weight: 400;">found-footage, </span></i><span style="font-weight: 400;">depois de muito se tentar uma continuação, eis que surge “Rua Cloverfield, 10”, um parente próximo, com algumas referências bem leves a “Cloverfield- O Monstro”. Porém, que estruturalmente e essencialmente se difere muito com o seu antecessor, já que o propósito aqui é outro, mesmo ainda tendo uma temática específica que ambienta ambos.</span></p>
<p><span id="more-1506"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história começa com a jovem Michelle (Mary Elizabeth Winstead – a Ramona de “Scott Pilgrim Contra o Mundo”) que sofre um acidente e é resgatada por Howard (John Goodman). Ela acorda em uma espécie de esconderijo subterrâneo de Howard, com a alegação de que houve um possível ataque químico ou nuclear, espalhando radioatividade por todo território e matando a todos. Emmet, mais um confinado junto com os dois, e Michelle, não acreditando na conspiração de Howard procuram uma forma de escapar daquele lugar, já que ele não permite que ninguém saia. O que a sinopse nos mostra é um drama de confinamento &#8211; essa característica permeia durante quase toda a projeção, destoando apenas no clímax. Por mais que a trama deste filme seja completamente diferente daquela apresentada em 2008, são inevitáveis certas comparações. Existe um paralelismo em relação à tensão que os dois filmes exercem: enquanto o primeiro utiliza a cidade, com diferentes cenários, “Rua Cloverfield, 10” é focado e explorado em basicamente apenas um ambiente, de onde é trabalhado todo o suspense psicológico e interações entre os personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor Dan Trachtenberg, iniciante no ramo de cinema depois de ficar alguns anos dirigindo comerciais e canais de internet, apesar de alguns deslizes na condução do arco dramático dos personagens, demonstra saber lidar com uma tensão durante toda a projeção. Sua câmera por muitas vezes é de um estilo mais estático, porém em momentos cruciais da trama, ele opta por um estilo mais “câmera na mão”, principalmente onde há uma necessidade por motivos narrativos de ser mostrado o cenário em detalhes mais mórbidos. A direção de fotografia se mostra um tanto quanto engenhosa ao focar em alguns objetos que no decorrer da narrativa se tornam fundamentais para a resolução da mesma. Enquanto isso, o som em cenas onde há um constante aumento da tensão é trabalhado de forma precisa, especificamente na qual é definido o futuro do personagem Emmet. Com características de uma trilha sonora de um filme de ação, o sincronismo entre imagem e som é afetado e constantemente se torna algo exagerado e fora do tom apresentado pela trama.</span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">O ponto mais positivo do filme é a sua concepção como uma história fechada as pequenas ligações entre elementos que a tornam coerente. O roteiro, feito por Josh Campbell, Matthew Stuecken e Damien Chazelle, é bem completo e direto em desenvolver o suspense psicológico. A maior falha, no entanto, é o desenvolvimento dos personagens. Dificilmente o espectador sente empatia pelos personagens principais, pois quando a trama abraça o lado filosófico e emocional para representar as emoções e motivações dos personagens, não há um progresso. Por mais que as atuações de Mary Elizabeth Winstead, John Goodman e John Gallagher Jr., Michelle, Howard e Emmet respectivamente, sejam boas, a limitação de seus desenvolvimentos principalmente no âmbito emocional prejudica uma aproximação entre espectador e personagem. Entretanto, Goodman com uma atuação digna de indicação ao Oscar é um dos pontos centrais da trama, e expõe um personagem misterioso e que rouba a cena facilmente. Trachtenberg percebeu o bom nível de atuação e explora as nuances do personagem durante quase toda a trama. A carga de antagonismo repetida entre a paranóia do ser humano, representada por Howard e o mistério do desconhecido presente fora do esconderijo é uma tentativa acertada, mas que na prática não funciona da maneira mais correta, pois Howard rouba todo o antagonismo para si e é muito mais assustador do que o apresentado no clímax.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um final que poderia ser mais contido e menos rápido, “Rua Cloverfield, 10” não tem medo de arriscar em seus últimos minutos e abraça de vez a temática <em>alien</em> deixada por “Cloverfield – O Monstro”. É perceptível uma mudança de tom ao fim da projeção, com a história abandonando completamente o suspense psicológico. Apesar disso, a coesão que é apresentada a história e os momentos de tensão muito bem conduzidos são ganhos não só para o filme, mas também para o gênero de ficção científica. É um universo interessante e, por mais que  J.J. Abrams e seus pupilos  tentem mudar o caráter do filme, ainda assim ele é rodeado pela temática extraterrestre, grande foco desse universo, se assim podemos caracterizá-lo.  </span></p>
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