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	<title>Arquivos Jimmi Simpson &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Matéria Escura, de Blake Crouch, tenta matar a saudade de Dark</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 17:56:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Laura Lopes Escrita e produzida por Blake Crouch, a produção de Matéria Escura foi baseada no livro homônimo escrito pelo mesmo autor norte-americano. A trama de ficção científica, lançada pela Apple TV+ em Maio de 2024, traz consigo elementos primordiais da filosofia ocidental, como a discussão proposta pelo existencialista francês Jean Paul-Sartre (1905 &#8211; 1980) &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/materia-escura-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Matéria Escura, de Blake Crouch, tenta matar a saudade de Dark"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34507" aria-describedby="caption-attachment-34507" style="width: 585px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34507" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image2-1.png" alt="Da esquerda para a direita: Jason Dessen (Joel Edgerton), um homem branco, com olhos claros, cabelo loiro escuro, barba rala e vestido com um casaco preto olha para sua frente com a boca aberta e expressão facial de alguém impressionado. Ao seu lado, está Amanda (Alice Braga), uma mulher branca, com cabelo castanho escuro, olhos escuros e vestida com um casaco cinza. Ela carrega a mesma expressão facial impressionada de Jason. No fundo, há uma parede de concreto e uma paisagem arborizada, que dividem a cena com um céu azul acinzentado." width="585" height="390" /><figcaption id="caption-attachment-34507" class="wp-caption-text">Lançada em Maio de 2024, a série Matéria Escura presenteia o público com uma mistura de ciência e filosofia, com esplêndida atuação da atriz brasileira Alice Braga (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Laura Lopes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrita e produzida por Blake Crouch, a produção de </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/criticas/materia-escura-dark-matter-apple-tv"><i><span style="font-weight: 400;">Matéria Escura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi baseada no livro homônimo escrito pelo mesmo autor norte-americano. A trama de ficção científica, lançada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Maio de 2024, traz consigo elementos primordiais da filosofia ocidental, como a discussão proposta pelo existencialista francês Jean Paul-Sartre (1905 &#8211; 1980) e, principalmente, pela teoria do pessimista alemão Arthur Schopenhauer (1788 &#8211; 1860). Enquanto o primeiro se debruça sobre o fato de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gNltpdCX8ks"><span style="font-weight: 400;">a liberdade humana ser angustiante</span></a><span style="font-weight: 400;">; o segundo, em sua ilustre obra literária </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo como Vontade e Representação </span></i><span style="font-weight: 400;">(1818), estuda, a grosso modo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4IMSYDGo6mA&amp;t=61s"><span style="font-weight: 400;">como o ser humano sempre deseja aquilo que não tem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark Matter</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) é uma mistura de tudo isso.</span></p>
<p><span id="more-34505"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início do primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Você está feliz com a sua vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">, o público se depara com Jason Dessen (Joel Edgerton), um professor universitário de física frustrado, em uma aula em que fala quase com as paredes sobre o famigerado ‘</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z4uIBLHs3_E"><span style="font-weight: 400;">Gato de Schrödinger</span></a><span style="font-weight: 400;">’, cuja teoria pode ser definida como o substrato da série toda. O mesmo ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/dark-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Dark</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção consagrada pela audiência e conhecida como uma das ‘queridinhas’ da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. A diferença é que, na série alemã, a famosa teoria do gato, que existe e não existe ao mesmo tempo dentro de uma caixa, aparece apenas no final. </span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“Eu costumava pensar que o objetivo da vida era chegar a um destino perfeito. Como ainda não tinha chegado lá, eu me sentia incomodado. Mas já tinha visto a perfeição. Já tinha chegado lá, e estou começando a suspeitar que são as imperfeições da vida que equivalem a um tipo de perfeição”.  </span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Essa é uma das frases mais marcantes de Jason Dessen, protagonista da série. A conclusão que tal sentença carrega, todavia, não é alcançada pelo professor no começo da temporada.</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessen vive uma vida de classe média baixa em Chicago, com sua esposa Daniela (Jennifer Connelly) e o filho Charlie (Oakes Fegley). O professor vê seu grande sonho profissional ser vivido pelo seu melhor amigo Ryan (Jimmi Simpson), um físico renomado e premiado. Com uma pegada de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7cLqwm3zQZI"><i><span style="font-weight: 400;">Efeito Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2004), Jason tinha a liberdade sartriana para escolher entre dois caminhos no seu passado: casar-se com Daniela, o amor da sua vida, e criar os filhos que eles estavam esperando, de modo a deixar sua carreira de lado ou abandoná-la, obrigando a abortar seus filhos e seguir sua promissora carreira de físico que, certamente, levá-lo-ia à fortuna. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele escolhe a primeira opção, que, embora tenha o levado à felicidade no amor, implicou, por outro lado, uma carreira amargurada, que pouco ou nada o recompensa nas esferas econômica e emocional, e sem qualquer perspectiva de melhora a curto e longo prazo. O que ele ainda não sabe, porém, é que sua realidade pode ser bem diferente – para a alegria dos telespectadores que acompanham a trama que discorre ao longo de nove episódios bem construídos e pensados para fazer o público maratonar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma realidade paralela, dentro do multiverso de Schrödinger, Jason tomou a opção que privilegiava sua carreira e, por conseguinte, tornou-se um endinheirado empresário, que vive um relacionamento com a sedutora psicóloga Amanda (</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2024/05/11/com-alice-braga-dark-matter-prova-multiverso-alem-de-herois-da-marveldc.htm"><span style="font-weight: 400;">Alice Braga</span></a><span style="font-weight: 400;">). Ao contrário do primeiro Jason, no entanto, esse segundo é infeliz por ter ficado sem Daniela, seu verdadeiro e único amor. </span></p>
<figure id="attachment_34506" aria-describedby="caption-attachment-34506" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34506" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/image1.png" alt="Da esquerda para a direita: Jason Dessen (Joel Edgerton), um homem branco, com olhos claros, cabelo loiro escuro, barba rala e vestido com uma blusa preta está cabisbaixo, com um olhar de tristeza. Ao seu lado, está sua esposa Daniela (Jennifer Connelly), uma mulher branca, de olhos  claros, cabelo preto e curto, vestida com uma blusa de manga comprida preta, de gola v. Ela olha para o marido com um olhar de desconfiança. Ao fundo, há uma sala de estar borrada, com luzes baixas, que entram predominantemente pela janela localizada do lado esquerdo, atrás de Jason." width="681" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-34506" class="wp-caption-text">Jason Dessen, interpretado por Joel Edgerton, tenta superar as escolhas do seu próprio ‘eu’ para ficar com o amor de sua vida, vivida por Jennifer Connelly (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal infelicidade impulsiona o segundo Jason a construir uma caixa de Schrödinger gigante e ir em busca de sua amada na realidade do primeiro Dessen, professor frustrado, o que irá embaralhar a vida de todos aqueles que estão ao redor dos Jasons. Como previu </span><a href="https://cultura.uol.com.br/noticias/46045_conheca-arthur-schopenhauer-conhecido-como-filosofo-da-vontade.html"><span style="font-weight: 400;">Schopenhauer</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ser humano nunca está satisfeito com aquilo que está em suas mãos. Destaca-se aqui a atuação impressionante de Joel Edgerton ao dar vida aos dois principais Jasons da produção: o ator, apesar de continuar com o mesmo rosto e demais características físicas, encarna personagens cujas personalidades são diametralmente opostas, o que faz com que a audiência perceba a diferença entre um e outro apenas pelo olhar de cada um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Drama, física quântica, filosofia e reviravoltas fazem parte do enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Matéria Escura</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com menção à atuação espetacular da atriz brasileira Alice Braga – que prova, mais uma vez, que seu talento está indiscutivelmente no sangue – e ao cenário soturno, que beira as distopias clássicas. A capacidade do enredo de fazer com que os telespectadores entendam teorias complexas sem quebrar a cabeça também é digna de nota. A série tenta matar a saudade de </span><i><span style="font-weight: 400;">Dark </span></i><span style="font-weight: 400;">e faz com que reflitamos sobre a insaciabilidade dos nossos desejos e sobre onde nossa liberdade de escolha pode nos levar – e isso é bom. Com um final dominado pelo ‘gostinho’ de quero mais, </span><a href="https://macmagazine.com.br/post/2024/08/16/apple-tv-renova-serie-materia-escura-para-a-segunda-temporada/"><span style="font-weight: 400;">a série foi renovada</span></a><span style="font-weight: 400;">, com lançamento da segunda temporada ainda sem data certa. Que seja tão boa quanto a primeira.</span></p>
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