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	<title>Arquivos Jhené Aiko &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Jhené Aiko &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Há 5 anos, Chilombo transformava a vulnerabilidade de Jhené Aiko em um ritual sonoro transcendental</title>
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		<pubDate>Thu, 05 Feb 2026 13:00:47 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila Se permitir mergulhar na angústia é, antes de tudo, o primeiro passo para uma jornada de cura. Lançado em março de 2020, Chilombo reflete a profundidade emocional presente nas facetas do processo de luto e da autodescoberta. Sendo este seu terceiro álbum de estúdio, a narrativa madura e autêntica de Jhené Aiko &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-5-anos-chilombo-transformava-a-vulnerabilidade-de-jhene-aiko-em-um-ritual-sonoro-transcendental/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Chilombo transformava a vulnerabilidade de Jhené Aiko em um ritual sonoro transcendental"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36727" aria-describedby="caption-attachment-36727" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36727" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1.png" alt="Na imagem, há uma mulher com expressão serena, usando um lenço amarelo vibrante na cabeça e tranças escuras. A luz do sol ilumina seu rosto, destacando a pele e os traços definidos. Ao fundo, há uma parede colorida em tons de amarelo e azul." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36727" class="wp-caption-text">Chilombo reflete a ancestralidade e proximidade de Jhené Aiko com sua arte e seu berço afetivo (Foto: Def Jam Recordings)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se permitir mergulhar na angústia é, antes de tudo, o primeiro passo para uma jornada de cura. Lançado em março de 2020, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chilombo</span></i><span style="font-weight: 400;"> reflete a profundidade emocional presente nas facetas do processo de luto e da autodescoberta. Sendo este seu terceiro álbum de estúdio, a narrativa madura e autêntica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KqwmoypuXo0"><span style="font-weight: 400;">Jhené Aiko</span></a><span style="font-weight: 400;"> transborda em sua musicalidade e reafirma seu local enquanto uma das vozes mais proeminentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indicado em três categorias na </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-vencedores-do-grammy-2021/"><span style="font-weight: 400;">63ª edição do Grammy</span></a><span style="font-weight: 400;">, incluindo Álbum do Ano, o disco é seu trabalho mais bem sucedido, tendo estreado em segundo lugar no Top 200 da Rolling Stone. Após o término com o rapper Big Sean, a artista adentra uma espiral emocional complexa, em que, ao longo de 20 faixas, transições entre raiva, solidão e tentação encontram um lugar fértil para se manifestar. Ao cantar sobre a dor da perda sob a ótica da espiritualidade, Jhené toma o enfrentamento como ferramenta para não ser paralisada pelas emoções tão bem acentuadas em sua obra. </span></p>
<figure id="attachment_36724" aria-describedby="caption-attachment-36724" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x590.jpg" alt="Na imagem, há uma mulher com tranças longas escuras vestindo um vestido vermelho-alaranjado translúcido de mangas compridas. Ela está apoiada sobre uma penteadeira de madeira ornamentada, com um espelho atrás que reflete parte de sua imagem. O ambiente tem decoração clássica com tons de verde e dourado." width="800" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-800x590.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1-768x567.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-1.jpg 851w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36724" class="wp-caption-text">A emancipação sexual e sensualidade são elementos fundamentais da obra da cantora (Foto: Gizelle Hernandez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado no Havaí, local onde a bisavó da cantora nasceu, o disco se destaca por sua ambientação tranquila e musicalidade suave. Com o uso de sons vibracionais e instrumentos relacionados à prática da meditação, Jhené Aiko cria uma sonoridade refinada e calma, sendo possível imergir em uma experiência sinestésica. Sem perder suas influências musicais, elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/chromakopia-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marcam presença no LP, que, combinados a novos ritmos, criam uma nova identidade para a arte da norte-americana. Junto à lírica explícita e sem filtros, é apresentado ao ouvinte uma viagem visceral e completamente avassaladora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre as diversas faixas, o single </span><i><span style="font-weight: 400;">Triggered (freestyle)</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca melodiosamente em catarse. Ao abordar sobre a dificuldade em se reconhecer para além de seu papel dentro do relacionamento, é apresentado os ciclos viciosos no qual a vocalista se encontra, em que tenta incessantemente enfrentar a dor através do distanciamento. Na busca por evitar com que seus gatilhos sejam disparados, Jhené se encontra em uma estrada emotiva em que o único caminho apresentado é através da angústia. Com vocais sutis e precisos que emolduram a lírica potente, a canção atinge um patamar de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XVMJXZYgNfc&amp;list=RDXVMJXZYgNfc&amp;start_radio=1"><span style="font-weight: 400;">poesia intimista</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se as palavras recitadas pertencessem a um diário escrito em um berço conflituoso e agoniante. </span></p>
<figure id="attachment_36725" aria-describedby="caption-attachment-36725" style="width: 638px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-638x800.jpg" alt="Na imagem, há um retrato de uma mulher com tranças longas presas em um penteado alto. Ela usa um top metálico prateado e tem tatuagens visíveis no ombro e na clavícula. O fundo é azul e desfocado, dando destaque ao rosto e à iluminação suave. " width="638" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-638x800.jpg 638w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-817x1024.jpg 817w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-768x963.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-1225x1536.jpg 1225w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2-1200x1505.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-2.jpg 1240w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36725" class="wp-caption-text">Apostando em instrumentos musicais voltados à meditação, Jhené Aiko cria uma sonoridade única e atemporal (Foto: Gizelle Hernandez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que uma parte da construção emocional do álbum seja pautada no padecimento, é importante destacar sua outra face igualmente marcante: a libertação sexual. Através do </span><a href="https://personaunesp.com.br/babygirl-critica/"><span style="font-weight: 400;">erotismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da sensualidade, a musicista destaca a excitação presente em se sentir desejada, mesmo que casualmente. Com a voz delicada e aveludada, é criado um aspecto sedutor através da doçura, no qual Jhené, apesar de expressar explicitamente o que almeja entre quatro paredes, permanece em um nível de delicadeza intocável. A canção </span><i><span style="font-weight: 400;">On The Way</span></i><span style="font-weight: 400;">, em parceria com sua irmã Mila J e presente na versão </span><i><span style="font-weight: 400;">deluxe </span></i><span style="font-weight: 400;">do disco, é uma expoente deliciosa dessa narrativa em que, sob a influência quase alcoólica da fantasia, a cantora transmite a ânsia de querer se tocar apenas por pensar em quem se deseja. Com êxito, a liberdade presente no sexo a auxilia a retomar o controle da sua feminilidade e autonomia, ainda que em meio ao caos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A perspectiva de cura e sexualidade se fundem em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">P*$$Y Fairy (OTW). </span></i><span style="font-weight: 400;">Pensada para além do entretenimento, ela possui mecanismos de restauração dentro da lógica espiritual. Em entrevista à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wXuX3MaJ1Cg"><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jhené Aiko comentou que tal música possui a melodia e a lírica em tom Ré, estando este ligado ao chacra sacal, governante dos órgãos sexuais. Sendo assim, para além do prazer em escutar a produção, a intérprete transmite intencionalidade na ternura de um processo terapêutico, responsável por trazer equilíbrio nessa área tão fundamental para seu trabalho enquanto artista. Assim, o sexo passa a ser interpretado quase como algo divino, responsável não apenas por um deleite momentâneo, mas também como algo a ser nutrido e celebrado. </span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Agora deite sua cabeça no travesseiro</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Eu vou te foder bem devagar </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Quero que você diga meu nome &#8211; P*$$Y Fairy (OTW)</span></i></p></blockquote>
<figure id="attachment_36726" aria-describedby="caption-attachment-36726" style="width: 675px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-675x800.jpg" alt="Na imagem, há uma mulher com longas tranças escuras usando um vestido longo vermelho-alaranjado com mangas longas. Ela está em um salão elegante com grandes janelas, cortinas luxuosas e um lustre de cristal ao fundo. A luz natural ilumina o ambiente, realçando a textura translúcida do vestido." width="675" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-675x800.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-864x1024.jpg 864w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-768x910.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2-1200x1422.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-2.jpg 1240w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36726" class="wp-caption-text">Os vocais doces e aveludados são traços marcantes da musicalidade da artista (Foto: Gizelle Hernandez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da destreza técnica e lírica empenhadas, o disco demonstra singularidade logo de imediato a partir de seu título. Jhené Aiko Efuru Chilombo decidiu utilizar seu último nome como identificação do trabalho para honrar suas raízes e sua família. Karamo Chilombo, seu pai, lhe concedeu o sobrenome aos 20 anos de idade e, combinada a uma série de significados presentes nas línguas africanas, é criada uma linhagem significativa e afetuosa: Chilombo representa a força da vida, novos começos e a perfeição. Assim, é materializado de imediato a intenção da produção, em que a cantora valoriza sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-critica/"><span style="font-weight: 400;">herança</span></a><span style="font-weight: 400;"> cultural, ao mesmo tempo que cria uma nova para si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A glória de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chilombo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se fundamenta em seu resultado, transmitindo coerência ao criar um processo de autoafirmação. Apesar de longo, o álbum se torna um regozijo a cada faixa, trazendo a </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><span style="font-weight: 400;">autenticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> atemporal que tanto desejamos ver na indústria fonográfica contemporânea. Para além do sucesso no </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jhené Aiko atesta seu papel enquanto artista de maneira majestosa ao provar sua maturidade artística e reformulando o papel da música, colocando esta como ferramenta de um processo de purificação, ainda que de maneira sutil. Expandindo sua musicalidade para a estética e a espiritualidade, a Jhené triunfa em criar uma teia duradoura que, mesmo após meia década, continua a transmitir sua narrativa de maneira intacta e consistente.  </span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Chilombo" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5jlE1zlhT3mEWw0mRpN920?si=YIzUnIkVQjGk0UXGgxzuiA&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Dec 2025 13:00:17 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Victor Hugo Aguila Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, It Was Good Until It Wasn’t abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-it-was-good-until-it-wasnt/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Após 5 anos, It Was Good Until It Wasn’t nos mostra que o que é bom, de fato permanece"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36541" aria-describedby="caption-attachment-36541" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36541" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-800x800.jpg" alt="No centro da imagem, há uma mulher em cima de um banco de palha; ela está descalça e de costas, olhando sobre um muro de tijolos e está vestindo um short jeans e uma camiseta regata branca. A mulher possui cabelos pretos curtos, tatuagens nos braços e pernas, e está segurando uma mangueira de água na mão esquerda." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-2.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36541" class="wp-caption-text">O álbum estreou em segundo lugar na Billboard 200 dos Estados Unidos, sendo o segundo disco de Kehlani a ficar no Top 5 do país. (Foto: TSNMI / Atlantic)</figcaption></figure>
<p><b>Victor Hugo Aguila</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Permitir ser vista em um contexto de isolamento é, definitivamente, um ato de coragem. Lançado em maio de 2020, durante a pandemia causada pela covid-19, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BIY_lEg8kBA"><i><span style="font-weight: 400;">It Was Good Until It Wasn’t</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abarca genuinamente as nuances e os desafios presentes entre o desejo e o afeto. Sendo o segundo álbum de estúdio da </span><i><span style="font-weight: 400;">performer</span></i><span style="font-weight: 400;">, a lírica intimista e os instrumentais comoventes reafirmam a identidade de Kehlani enquanto uma das maiores expoentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense.</span></p>
<p><span id="more-36539"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 15 faixas e contando com colaborações de artistas como Jhené Aiko, </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Megan Thee Stallion</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Lucky Daye, o disco se apoia em transmitir coerentemente um momento de incerteza sob a ótica de um relacionamento conturbado. Baseando-se na garantia de que, na verdade, nada é garantido, a cantora aborda as ansiedades que se manifestam em um campo de disputas entre o carnal e o sentimental. Sensual e autodestrutivo, a artista utiliza brilhantemente os recursos musicais como uma constante forma de provocação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no início, a personalidade do trabalho que vem a seguir é apresentada estrondosamente ao ouvinte. Com uma intensidade emocional muito bem marcada, a estadunidense traz um caráter confessional ao utilizar memórias afetivas para criar sua arte. Após o </span><a href="https://portalrapmais.com/kehlani-fala-sobre-traicao-de-yg-em-nova-musica-you-know-wassup/"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o rapper YG em fevereiro de 2020 e o lançamento da canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Valentine&#8217;s Day (Shameful)</span></i><span style="font-weight: 400;">, a californiana ainda explora o tom melancólico, porém combinado a sensualidade que apenas a paixão pode proporcionar.</span></p>
<figure id="attachment_36542" aria-describedby="caption-attachment-36542" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36542" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x450.jpg" alt="No centro da imagem, há uma mulher com tatuagens no pescoço, ombro e braços. Ela está com a mão levantada na altura do rosto enquanto veste um espartilho com detalhes de pérolas, brincos grandes e cabelo curto. Ela também possui um adorno de penas na cabeça." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-2.jpg 1735w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36542" class="wp-caption-text">Sempre íntima da sua própria Arte, Kehlani afirmou ao Apple Music que “este álbum foi muitos álbuns antes de ser este”. (Foto: Mia Andre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir do uso de elementos do </span><i><span style="font-weight: 400;">soul </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, além do óbvio e glamuroso </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">It Was Good Until It Wasn’t</span></i><span style="font-weight: 400;">, cria uma identidade própria e atemporal, mas sem perder a possibilidade de reconhecer suas referências. Grandes nomes da década de 1990, como </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/20-anos-sem-aaliyah-tragica-morte-da-princesa-do-rb-flashback/"><span style="font-weight: 400;">Aaliyah</span></a><span style="font-weight: 400;"> e TLC, ganham uma face contemporânea e podem ser reconhecidos nostalgicamente enquanto fortes influências do álbum, ainda que mantendo sua fidelidade aos anos 90. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mantendo esse caráter romântico da época e sem eufemismos, Kehlani apresenta vulnerabilidade ao expor uma relação fadada ao fracasso, porém sem perder a vontade quase </span><a href="https://personaunesp.com.br/mans-best-friend-reune-o-melhor-de-sabrina-carpenter-humor-acido-tensao-sexual-e-melancolia/"><span style="font-weight: 400;">animalesca</span></a><span style="font-weight: 400;"> de possuir e ser possuída. Em tom de súplica, a vocalista abre mão de sua racionalidade ao se isolar, mesmo que sem intenção, e prejudica não apenas sua individualidade, como também a relação que tenta incessantemente manter viva. Como ela mesmo afirma na canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Toxic</span></i><span style="font-weight: 400;">, “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu me torno muito responsável quando estou sozinha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que haja uma construção emocional ao longo do álbum, é possível reconhecer um dos pontos principais das composições: a liberdade sexual. Por meio de aspectos da astrologia como tabuleiro de sedução, a faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=18wdpwAg9P0"><i><span style="font-weight: 400;">Water</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">transpira deliciosamente o apetite sexual como ramificação da confiança. Ao permitir se entregar para o outro, a compositora encontra emancipação no poder da escolha de deixar ser dominada emocionalmente. É o contraste de uma relação paradoxal, na qual a sensação de liberdade, muitas vezes, está presente no ato de se acorrentar a um momento de fantasia quase que interminável.</span></p>
<figure id="attachment_36540" aria-describedby="caption-attachment-36540" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36540" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x534.jpg" alt="No centro da imagem, há uma mulher vestindo uma blusa e usando luvas e botas de cano alto. Ela está sentada de lado no chão de um palco enquanto olha para o lado esquerdo da foto. Ao fundo da imagem, é possível ver microfones, um teclado e partes de uma bateria. A iluminação da imagem é predominantemente laranja e amarela. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1536x1025.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2-1200x801.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-2.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36540" class="wp-caption-text">A importância da sensualidade no trabalho de Kehlani ultrapassa a lírica e se encontra também na estética, tornando-a uma referência visual. (Foto: Isha Shah)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ter a relação com o outro como tema central, a relação consigo mesma não fica em segundo plano. Ao mostrar outra face da mesma moeda, a estadunidense reconhece suas incoerências, principalmente ao se desfazer para construir outro alguém. É a parte </span><a href="https://personaunesp.com.br/sour-olivia-rodrigo-critica/"><span style="font-weight: 400;">azeda</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se manifesta na busca por amar e ser amada. Através de um lugar de racionalidade, ao cantar “</span><i><span style="font-weight: 400;">‘Eu te odeio se transforma em ‘eu te amo’ no quarto</span></i><span style="font-weight: 400;">” em </span><i><span style="font-weight: 400;">F&amp;MU</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela elabora suas incongruências deixando claro que reconhece a própria toxicidade e quem realmente é em um instante de carência, permitindo ter sua intimidade tocada apenas na casualidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em aspectos técnicos, é imprescindível destacar o casamento perfeito entre a voz áspera de Kehlani com a doçura melodiosa de Jhené Aiko na faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Change Your Life</span></i><span style="font-weight: 400;">. A vocalista de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t3aHdZfJckg"><i><span style="font-weight: 400;">Triggered (freestyle)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compõe uma teia harmoniosa ao ser adicionada a canção, tornando o álbum ainda mais completo. Na lírica, ambas afirmam saber o seu valor ao se colocarem em um patamar influente para tentar conquistar aquele que deseja. A ânsia pelo controle sobre o outro transparece na canção através da urgência de explorar suas potencialidades, querendo torná-lo melhor, mas sem perder o que se já tem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intensa e visceral, Kehlani representa inteiramente o que significa sentir e ser muito. A sensação de entrar em contato com letras tão bem escritas é um fôlego, e a musicista representa com êxito a familiaridade em </span><a href="https://personaunesp.com.br/how-big-how-blue-how-beautiful-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">mergulhar</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cabeça em alguém, sem se questionar o que pode haver no fundo. Ao analisar sua própria profundidade sob uma lente madura, ela destrincha o que é a intensidade e qual o seu papel em uma relação amorosa, desejando, em troca, apenas ser enxergada por ser quem realmente é.</span></p>
<figure id="attachment_36543" aria-describedby="caption-attachment-36543" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36543" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-800x533.png" alt="No centro da imagem, há uma mulher cantando enquanto segura o microfone. Ela está vestindo uma blusa e usando luvas que cobrem os braços, com o cabelo longo e ondulado solto. O fundo da imagem é predominantemente azul." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image4-2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36543" class="wp-caption-text">O sentimento conflituoso de desejar somar, mas sem invadir, escorre pela lírica da artista (Foto: Isha Shah)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando o disco em sua totalidade, os instrumentos utilizados emolduram perfeitamente a voz e a escrita, além de se destacar como um dos pontos fortes da produção. No </span><i><span style="font-weight: 400;">hit </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5dw5FWNmCi4"><i><span style="font-weight: 400;">Hate The Club</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em parceria com Masego, o saxofone suave do jamaicano proporciona a sensação do pós-balada que ainda nem ocorreu: íntimo, sedutor e trágico. A faixa representa o embate que é ter que lembrar quem se era antes de alguém. Kehlani canta lindamente a dor que é deixar de fazer algo que deseja por medo de sentir e se coloca em uma espiral de abstinência, no qual tenta encontrar conforto na possibilidade de recaída e no prazer do vício. Continuamente, é questionado: ir dançar para te esquecer ou para tentar te encontrar? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após tantos desencontros, Kehlani finaliza a </span><i><span style="font-weight: 400;">pièce de résistance</span></i><span style="font-weight: 400;"> da sua carreira com a coragem de enfrentar o luto de uma relação que não existe mais. Na tentativa de manter viva uma relação morta, a artista recai em consciência e percebe que, nesse momento, o único vínculo a ser salvo é o seu consigo mesma. Apesar da importância e facilidade que ela encontra ao falar sobre liberdade sexual, é necessário chegarmos ao final do projeto para que possamos ter contato com seu lado emocional completamente em estado de nudez. Respondendo diversos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I5s8SgjZb8g"><span style="font-weight: 400;">questionamentos</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela se permite ser vista e retoma para si o poder presente em ser vulnerável. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://www.billboard.com/pro/kehlani-good-until-it-wasnt-number-1-top-rb-albums-chart/"><span style="font-weight: 400;">triunfo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">It Was Good Until It Wasn’t</span></i><span style="font-weight: 400;"> se apresenta não apenas por conta de suas composições originais e produção tocante, mas também por sua atemporalidade. Ao ecoar de maneira tão genuína sobre paixão, inseguranças e sexualidade – temas ainda extremamente relevantes no cenário cultural atual – Kehlani deixou novamente sua marca no mundo da música e continua se consagrando enquanto alguém destinada ao sucesso. Ainda que não esteja tão presente no </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream </span></i><span style="font-weight: 400;">atualmente, a confiança no potencial do seu trabalho faz dela uma voz forte no campo artístico. Se relacionando com a opinião do público, é compreensível e ganha ainda mais sentido o que ela afirmou para a Apple Music em 2020: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não importa o que aconteça com este álbum, ele vai ser sempre o meu projeto favorito</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: It Was Good Until It Wasn&amp;apos;t" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6ROLwnmW9pOioLned0DaP3?si=ecdWyf4TTQabfUUn2oIuWw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>10 anos depois, Because The Internet ainda ecoa no cenário do hip-hop</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Dec 2023 20:37:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Amábile Zioli O mix de gêneros, ritmos e estilos pode ser uma ferramenta muito utilizada no meio musical. Encontrar o equilíbrio e não pender para o exagero, no entanto, é uma tarefa que poucos conseguem alcançar. Em 2013, Donald Glover, sob o pseudônimo de Childish Gambino, lançava seu segundo álbum de estúdio, Because the Internet, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/because-the-internet-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos depois, Because The Internet ainda ecoa no cenário do hip-hop"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32132" aria-describedby="caption-attachment-32132" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3.jpg" alt="Capa do álbum “Because The Internet” de Childish Gambino. A capa é uma fotografia do cantor. É um homem negro, de olhos escuros, e veste uma camisa em tons de rosa e laranja e coqueiros verdes. Ele está encarando a câmera, com uma feição séria. O fundo da foto é rosa, do lado direito, e laranja, do lado esquerdo." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-3-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32132" class="wp-caption-text">Childish Gambino foi uma das inspirações para a criação de <a href="https://www.omelete.com.br/quadrinhos/homem-aranha-como-donald-glover-colaborou-com-a-criacao-de-miles-morales">Miles Morales</a>, o Homem-Aranha (Foto: Glassnote Records)</figcaption></figure>
<p><strong>Amábile Zioli</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mix de gêneros, ritmos e estilos pode ser uma ferramenta muito utilizada no meio musical. Encontrar o equilíbrio e não pender para o exagero, no entanto, é uma tarefa que poucos conseguem alcançar. Em 2013, Donald Glover, sob o pseudônimo de Childish Gambino, lançava seu segundo álbum de estúdio, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i2uzq3A9YbU&amp;pp=ygUcY3JpdGljYSBiZWNhdXNlIHRoZSBpbnRlcm5ldA%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">e mostrava ao mundo que entendia de tudo um pouco.</span></p>
<p><span id="more-32129"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos depois de </span><a href="https://musicainstantanea.com.br/disco-camp-childish-gambino/"><i><span style="font-weight: 400;">Camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o disco </span><i><span style="font-weight: 400;">debut, </span></i><span style="font-weight: 400;">o cantor retornou aos </span><a href="https://www.billboard.com/artist/childish-gambino/chart-history/hsi/"><i><span style="font-weight: 400;">charts</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para se consagrar como uma potência emergente no cenário musical. Glover já estava presente em outros veículos: na TV, como Troy Barnes na série estadunidense </span><i><span style="font-weight: 400;">Community</span></i><span style="font-weight: 400;">; por trás das câmeras, roteirizou </span><i><span style="font-weight: 400;">30 Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, seriado protagonizado por Tina Fey; e nos palcos também fez comédia, com shows de </span><i><span style="font-weight: 400;">stand up </span></i><span style="font-weight: 400;">que refletiam o humor em sua trajetória de carreira.</span></p>
<figure id="attachment_32131" aria-describedby="caption-attachment-32131" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32131" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.jpg" alt="A foto é uma cena da série Community. O personagem de Childish Gambino, Troy Barnes, está sentado em uma mesa, onde apenas seu tronco e cabeça aparecem, além da mão direita apoiada na mesa. Ele veste um moletom cinza e usa sua mochila preta nas costas. O ator está olhando para o lado e tem o cenho franzido e a boca aberta, formando um sorriso" width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32131" class="wp-caption-text">O ator saiu do elenco de Community para iniciar um projeto solo, a hoje aclamada <a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-critica/">Atlanta</a> (Foto: NBCU)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dominado pelos instrumentais que soam como a marca registrada de Gambino, </span><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet </span></i><span style="font-weight: 400;">conta com uma produção majestosa. Mesmo que não seja lotado de colaborações, é isso que dá espaço para o cantor colocar sua genialidade nas faixas. Contando apenas com </span><a href="https://www.complex.com/music/a/cmplxjoshua-espinoza/chance-the-rapper-childish-gambino-friendship-timeline"><span style="font-weight: 400;">Chance The Rapper</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jhené Aiko e Azealia Banks para trazer novas vozes ao álbum, os </span><i><span style="font-weight: 400;">feats </span></i><span style="font-weight: 400;">se adaptam ao estilo do colaborador, sem perder a essência do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> contemporâneo e bem trabalhado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com melodias agressivas, como vemos em </span><i><span style="font-weight: 400;">I. Crawl</span></i><span style="font-weight: 400;">, é possível enxergar o que hoje </span><a href="https://portalpopline.com.br/tyler-aclamado-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tyler The Creator</span></a><span style="font-weight: 400;"> é famoso por fazer: transformar uma grande gritaria em Arte na sua mais pura forma. Os versos gentilmente cantados pela voz firme de Alessia De Gasperis, conhecida pela premiada, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U_h1NScp1_o"><i><span style="font-weight: 400;">Mind</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Jack Ü, contrastam da forma mais inusitada possível com as exclamações incompreensíveis de Gambino ao fundo, amarrando toda a produção e garantindo uma harmonia surpreendente. </span></p>
<figure id="attachment_32134" aria-describedby="caption-attachment-32134" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2.jpg" alt="A foto é uma cena do filme Guava Island. A cena mostra os dois protagonistas, Deni e Kofi, interpretados por Childish Gambino e Rihanna, respectivamente. Os dois estão se encarando, em uma cozinha. O homem está sem camisa, encostado na parede, com um short vermelho e uma faixa estampada na cabeça. A mulher está em sua frente, usando um vestido colorido. No fundo há uma janela onde algumas folhas podem ser  vistas." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-2-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32134" class="wp-caption-text">Donald Glover protagonizou o filme Guava Island ao lado da também cantora Rihanna (Foto: Regency Enterprises)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">2013 foi um ano difícil para se destacar no mundo do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tendo nomes como Kanye West, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Yeezus</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Drake, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nothing Was The Same</span></i><span style="font-weight: 400;">, no topo dos </span><a href="https://musica.uol.com.br/enquetes/2013/12/03/retrospectiva-2013-melhores-discos-do-ano.htm"><span style="font-weight: 400;">lançamentos mais esperados</span></a><span style="font-weight: 400;">, era presunçoso esperar que o segundo álbum de um artista em ascensão ia chegar longe. Mas chegou. </span><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou em sétimo lugar na </span><a href="https://www.billboard.com/charts/billboard-200/2013-12-28/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard 200</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dos Estados Unidos e foi indicado ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Álbum de Rap, trazendo o impulso que o cantor precisava para alavancar sua carreira musical de uma vez por todas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiando as faixas como se fossem um </span><i><span style="font-weight: 400;">stand up</span></i><span style="font-weight: 400;"> cantado, Childish Gambino se sente em casa e faz jus ao nome do disco, usando a internet como personagem principal de seus atos. Ele a atribui papel de responsável por todos os recentes acontecimentos de sua vida pessoal e profissional. Tudo é graças à internet. Cheia de gírias, trocadilhos e algumas referências, a obra se torna uma extensão da </span><a href="https://portalrapmais.com/donald-glover-elogia-seu-album-because-the-internet-e-fala-sobre-criticas-ao-projeto-camp/"><span style="font-weight: 400;">personalidade marcante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conquistadora do carismático cantor e produtor norte-americano. </span></p>
<figure id="attachment_32133" aria-describedby="caption-attachment-32133" style="width: 976px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3.jpg" alt=" A foto é uma cena do clipe da música This Is America, de Childish Gambino. Na cena, o cantor está de lado, sem camisa, simulando uma arma com as mãos. Seus braços estão esticados, como se estivesse preparado para atirar.]" width="976" height="549" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3.jpg 976w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32133" class="wp-caption-text">Childish Gambino levou o Grammy de Música do Ano por This Is America, em 2019 (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um divisor de águas para a carreira de Donald Glover enquanto Childish Gambino. Aqueles que se encontravam no seu </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> energético e, em outra parte do tempo, igualmente pacífico, passaram a admirar ainda mais a versatilidade do cantor. Isso não acabou no segundo álbum. Todo o seu trabalho contribuiu para a evolução de suas percepções musicais e o encontro do que mais combinava com a persona, sendo importante para o que muitos críticos chamam de sua obra prima: </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-awaken-my-love-childish-gambino/"><i><span style="font-weight: 400;">Awaken, My Love!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quarto álbum de estúdio do artista, que só seria lançado oficialmente em 2016. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após 10 anos do lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Because the Internet </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda reflete na indústria musical de forma perceptível. Trazendo um </span><i><span style="font-weight: 400;">hip-hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> cru, mas longe de incompleto, Gambino brinca com os interlúdios como se fossem acessórios de um produto maior, o que realmente são. É assim que o cantor se consolida como uma força em ascendência sem perder o foco de todos os outros </span><a href="https://culturadoria.com.br/quem-e-donald-glover/"><span style="font-weight: 400;">projetos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que o torna um dos artistas mais completos da atualidade.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/because-the-internet-10-anos/">10 anos depois, Because The Internet ainda ecoa no cenário do hip-hop</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Raya e o Último Dragão é o “como treinar o seu humano” que precisávamos</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2021 18:38:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Anna Clara Leandro Candido Não, a Disney não comprou os direitos de Avatar e fez um filme da Korra. Mesmo compartilhando muitas características com a personagem da Nickelodeon, Raya é, na verdade, a protagonista do mais novo filme da Disney+. Lançado simultaneamente nos cinemas e na plataforma de streaming no dia 05 de março, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/raya-e-o-ultimo-dragao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Raya e o Último Dragão é o “como treinar o seu humano” que precisávamos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19136" aria-describedby="caption-attachment-19136" style="width: 1484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19136" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1.jpg" alt="Cena do filme Raya e o Último Dragão com a personagem principal, Raya, no centro da imagem e de costas para a tela, veste uma capa vermelha e chapéu. Ela está segurando uma espada e apoiando-a em seu ombro. Ao seu lado esquerdo encontra-se Tuk Tuk, animal parte tatu, parte urso que é parceiro de Raya." width="1484" height="835" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1.jpg 1484w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/1-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19136" class="wp-caption-text">“Nós temos uma escolha; Construir ou destruir; Ou lutar para nos unirmos; O amor é uma ponte e a confiança é um presente; Nós a damos e ela fica melhor” &#8211; Jhené Aiko, Lead the Way (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Anna Clara Leandro Candido</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> não comprou os direitos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/15-anos-avatar/"><i><span style="font-weight: 400;">Avatar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e fez um filme da Korra. Mesmo compartilhando muitas características com a personagem da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nickelodeon</span></i><span style="font-weight: 400;">, Raya é, na verdade, a protagonista do mais novo filme da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney+</span></i><span style="font-weight: 400;">. Lançado simultaneamente nos cinemas e na plataforma de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">no dia 05 de março, o filme já conquistou o coração de muitos fãs e boas críticas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Raya e o Último Dragão</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz novos horizontes para o conceito de histórias de princesas que tanto conhecemos, assim como dá um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de representatividade e animação.</span></p>
<p><span id="more-19135"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história se passa no vasto reino de Kumandra, uma civilização ancestral formada por povos de diferentes culturas que compartilham a proteção e admiração pelos dragões. Um dia, o mundo foi atacado por sombrias e assustadoras criaturas chamadas Druums, que travaram uma árdua guerra contra os dragões. A batalha parecia perdida até que Sisu, o Último Dragão, utilizou uma pedra mágica para aprisionar os monstros e desapareceu. A cobiça pelo último resquício de poder dos dragões, a pedra mágica, fez com que a população de Kumandra se dividisse e lutassem entre si. 500 anos depois, um acidente faz com que os Druums sejam libertos e Raya decidi ir em busca do último dragão para salvar sua família.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Raya e O Último Dragão | Trailer Oficial Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/uF8w-6x61fc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Raya e Último Dragão</span></i><span style="font-weight: 400;"> já começa apresentando o que será um dos pontos altos da trama: a diversidade. Kumandra é um espelho do sudeste asiático e os personagens são claros reflexos de cada região que compõe o vasto território. Seja pelos traços físicos ou personalidade de cada um, o filme consegue apresentar cada detalhe naturalmente, tanto no roteiro e trilha sonora, quanto na história e animação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E não é só dentro da narrativa que essa diversidade se faz presente, fora dela também. Com o roteiro escrito por Qui Nguyen (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Society</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Adele Lim (</span><i><span style="font-weight: 400;">Podres de Ricos</span></i><span style="font-weight: 400;">) e o time de dubladores composto por </span><a href="https://www.bing.com/search?q=Kelly+Marie+Tran&amp;filters=ufn%3a%22Kelly+Marie+Tran%22+sid%3a%223a14d5da-6175-1b8c-d37e-e64d52e1ab3f%22+catguid%3a%225e9b4e00-0e67-8acb-9a3b-c5429c43f07a_8ad9c011%22+segment%3a%22generic.carousel%22&amp;FORM=SNAPST"><span style="font-weight: 400;">Kelly Marie Tran</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Raya), </span><a href="https://www.bing.com/search?q=Awkwafina&amp;filters=ufn%3a%22Awkwafina%22+sid%3a%22cefd3dc4-934c-4217-a458-55c485c5ecac%22+catguid%3a%225e9b4e00-0e67-8acb-9a3b-c5429c43f07a_8ad9c011%22+segment%3a%22generic.carousel%22&amp;FORM=SNAPST"><span style="font-weight: 400;">Awkwafina</span></a><span style="font-weight: 400;"> (dragão Sisu) e </span><a href="https://www.bing.com/search?q=Gemma+Chan&amp;filters=ufn%3a%22Gemma+Chan%22+sid%3a%226a04d6c2-c957-6f59-6726-de9779adf631%22+catguid%3a%225e9b4e00-0e67-8acb-9a3b-c5429c43f07a_8ad9c011%22+segment%3a%22generic.carousel%22&amp;FORM=SNAPST"><span style="font-weight: 400;">Gemma Chan</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Namaari), o filme conta sua história com propriedade. Infelizmente, a dublagem brasileira não segue a representatividade da original, tendo </span><a href="https://disney.fandom.com/pt-br/wiki/Lina_Mendes"><span style="font-weight: 400;">Lina Mendes</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Raya e </span><a href="https://disney.fandom.com/pt-br/wiki/Priscila_Concepcion"><span style="font-weight: 400;">Priscila Concepcion</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Sisu. Ainda assim, o time nacional não perde na hora de entregar um trabalho de qualidade e igualmente engraçado. Com sua dublagem, Priscila traz vida e muitas risadas ao último dragão de Kumandra, Sisu.</span></p>
<figure id="attachment_19137" aria-describedby="caption-attachment-19137" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19137" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1.jpg" alt=" Imagem mostrando o povo do reino de presa. No centro está a rainha vestida de branco, ao seu lado direito está sua filha Namaari, também com uma roupa branca. Ladeando ambas, na esquerda está uma guerreira do país e do lado direito um guerreiro. Ao fundo se encontram os outros súditos." width="640" height="263" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/2-1-300x123.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-19137" class="wp-caption-text">Quando os diferentes povos que compõem Kumanda são apresentados logos no início percebe-se os detalhes e cuidado colocado em suas composições (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no começo, a vastidão e diversidade de Kumandra enchem os olhos do espectador, mas ela de nada seria sem o trabalho maravilhoso do time de animadores. Por mais que tenha investido em diferentes gêneros e tipos de filmes nos últimos anos, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">é, e sempre foi, a casa das animações e </span><i><span style="font-weight: 400;">Raya e o Último Dragão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a prova disso. É lindo ver os detalhes da água que cortam os rios do mundo de Raya, ou mesmo a bela animação das cenas de lutas entre os personagens. Sem falar na dedicação colocada ao produzir os movimentos e fotografias dessas batalhas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A impressionante parte técnica do filme proporciona uma base firme para a apresentação e desenvolvimentos dos personagens, principalmente o de Raya. A mais nova princesa da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">chegou sem uma coroa na cabeça, mas com uma espada na mão e um grande espírito de luta. Desde a primeira cena, o espectador não duvida em nenhum momento que ela é uma guerreira forte e destemida que faria de tudo por aqueles que ama e pelo que acredita. Essa representatividade feminina não é apresentada com diálogos, mas sim com ações, posicionamentos e brilho no olhar. Praticando o famoso </span><i><span style="font-weight: 400;">“uma ação vale mais do que mil palavras&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, mais uma vez, demonstrando como uma representação dentro do audiovisual deve ser feita: naturalmente.</span></p>
<figure id="attachment_19138" aria-describedby="caption-attachment-19138" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19138" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/3.gif" alt="A personagem principal do filme, Raya, está usando um manto vermelho, com um chapéu de palha por cima de seu cabelo solto. Ela encara a câmera com uma expressão determinada e sorri de canto" width="650" height="488" /><figcaption id="caption-attachment-19138" class="wp-caption-text">Raya é uma guerreira antes de qualquer outra coisa, e isso é incrivelmente bem retratado no filme (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente da maioria das princesas </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, Raya inicia sua aventura não por um sonho ou desejo de unificar sua terra &#8211; que está dividida a muito tempo pelo remorso, ganância e traição -, mas sim pela esperança de salvar seu pai. A personagem constantemente alerta Sisu para não confiar em ninguém, é uma guerreira solitária, prática e com com fortes objetivos. Ela demonstra que nem toda ação heróica tem como origem um ato altruísta, que, no fim, o importante é aprender com sua jornada e fazer a melhor escolha, mesmo não sabendo se é a certa. Raya é para essa nova geração de meninas o que </span><a href="https://personaunesp.com.br/mulan-2020-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mulan</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi em sua época, uma revolução para o futuro das princesas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho da jornada de Raya e seu desenvolvimento não seria possível sem os personagens secundários que caminharam ao seu lado. Faz muito tempo que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney </span></i><span style="font-weight: 400;">acerta na hora de criar os coadjuvantes de seus filmes, desde dos hilários e despreocupados </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-rei-leao-critica/"><span style="font-weight: 400;">Timão e Pumba</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao fã de abraços quentinhos </span><a href="https://personaunesp.com.br/frozen-ii-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olaf.</span></a><span style="font-weight: 400;"> É, então, em seu mais novo filme que ela apresenta o adorável Tuk Tuk, parceiro de Raya; Boun, o garçom mais divertido; Noi, a bebê golpista e sua trupe de macacos; e Tong, o grandalhão mais sensível que você vai conhecer. Todos eles cumprem seu papel na trama e acrescentam apenas o que é pedido, cada um em seu momento.</span></p>
<figure id="attachment_19139" aria-describedby="caption-attachment-19139" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19139" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/4.gif" alt="GIF do filme Raya e o Último Dragão. Na esquerda, Raya vestida com uma calça marrom e uma blusa amarela está investindo um soco contra Namaari, que se defende e revida. Namaari está usando uma calça azul com um cinto vermelho e blusa branca." width="540" height="230" /><figcaption id="caption-attachment-19139" class="wp-caption-text">A relação de amigas para inimigas entre Raya e Namaari é muito bem construída e oferece as melhores cenas de luta do filme (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, não se pode falar do filme sem mencionar Namaari, a oponente de Raya e, claro, Sisu, o Último Dragão. A trajetória da princesa do reino de Presa é tão emocionante quanto a da protagonista. Ela é o reflexo puro do que Kumandra se tornou após a derrota dos dragões. Alguém machucada e desesperançosa pela situação em que seu povo se encontra e que toma decisões drásticas e egoístas para poder sobreviver. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo a personagem principal, Raya, compartilha de muitas semelhanças com sua adversária. Ambas são mulheres fortes e princesas guerreiras que fariam de tudo para defender seu povo. A diferença é que a protagonista teve a visão e sonho de seu pai passados a ela. No fundo, tudo que Namaari e o povo de Kumandra  precisavam era de um pouco de esperança e é isso que Sisu traz. Essas semelhanças e contrapontos  entre as duas fazem da princesa de Presa uma rival ideal para a narrativa da obra e peça fundamental para a moral da história. </span></p>
<figure id="attachment_19140" aria-describedby="caption-attachment-19140" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19140" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/5.gif" alt="No GIF o dragão Sisu, com um design semelhante ao dragão chinês, voa pelos ar sob a chuva. Ela possui uma pelagem azul clara com algumas mechas roxas." width="540" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-19140" class="wp-caption-text">O design de Sisu pode te fazer estranhar em alguns pontos, mas a animação de suas cenas e movimentos é linda (GIF: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E o que dizer de Sisu? O poderoso e hilário Último Dragão é, definitivamente, uma das principais fontes de risadas no filme. Por mais que seu </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">seja um pouco estranho e uma tentativa forçada de humanização exagerada, Sisu não deixa de ser um ponto alto da trama. A todo momento sua personalidade alegre e despreocupada passa uma impressão imatura, mas é ela quem carrega a mensagem mais importante da obra. É a caçula dos dragões que ensina Raya, Namaari e o povo de Kumandra o que a humanidade havia perdido 500 anos atrás: confiança e esperança uns nos outros. Um verdadeiro dragão treinando seus humanos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, a mensagem que </span><i><span style="font-weight: 400;">Raya e o Último Dragão</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa é uma das mais maduras de todos os filmes da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ele deixa o musical e contos de fadas de lado para apresentar uma narrativa política e recheada de questões morais. Um filme para crianças que fala sobre guerra, luto, traição e egoísmo humano de maneira suave mas impactante. Raya é um compilado de Mulan misturado à </span><a href="http://www.adorocinema.com/filmes/filme-225958/"><span style="font-weight: 400;">Moana</span></a><span style="font-weight: 400;">, que pode facilmente tornar-se um marco para uma nova leva de histórias dentro da Casa do Mickey Mouse.</span></p>
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