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	<title>Arquivos Índia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A opressão do amor em Tudo Que Imaginamos Como Luz</title>
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		<pubDate>Wed, 13 Nov 2024 20:00:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes, Tudo Que Imaginamos Como Luz chegou com muita expectativa na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ao ponto de lotar as sessões. Dirigido por Payal Kapadia, o longa, que fez parte das seções Foco Índia e Competição Novos Diretores, fala sobre a opressão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-que-imaginamos-como-luz-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A opressão do amor em Tudo Que Imaginamos Como Luz"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34387" aria-describedby="caption-attachment-34387" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1-800x295.jpg" alt="Cena do filme Tudo Que Imaginamos Como Luz. A imagem está em plano detalhe, captando apenas do ombro para cima das personagens. No centro está Prabha observando algo que Anu está segurando. Ela está atrás de Anu. Anu está segurando e observando uma air fryer vermelha." width="800" height="295" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1-800x295.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1-1024x378.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1-768x284.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1-1536x567.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1-1200x443.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/all-we-imagine-as-light-1.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34387" class="wp-caption-text">Uma Noite Sem Saber Nada é o primeiro filme de Payal Kapadia (Foto: Petit Chaos)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Grand Prix</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Cannes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Que Imaginamos Como Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou com muita expectativa na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao ponto de lotar as sessões. Dirigido por </span><a href="https://midianinja.org/conheca-payal-kapadia-cineasta-indiana-vencedora-do-grand-prix-do-festival-de-cannes-2024/"><span style="font-weight: 400;">Payal Kapadia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa, que fez parte das seções Foco Índia e Competição Novos Diretores, fala sobre a opressão do amor de diferentes formas nos grandes centros urbanos indianos.</span></p>
<p><span id="more-34386"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história é baseada em duas mulheres, Prabha (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xsgRrgh5MH0"><span style="font-weight: 400;">Kani Kusruti</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Anu (</span><a href="https://www.instagram.com/divya_prabha__/"><span style="font-weight: 400;">Divya Prabha</span></a><span style="font-weight: 400;">), que dividem um apartamento e trabalham no mesmo hospital. A primeira é mais velha e está casada com um homem que precisou se mudar para a Alemanha a trabalho; a segunda é mais jovem e está namorando às escondidas com Shiaz (Hridhu Haroon). Esses relacionamentos guiam o filme, ao mesmo tempo em que são afetados pelo meio em que vivem: Mumbai. A cidade se torna um lugar de opressão, com a sociedade de olho nas duas e impondo o conservadorismo de maneira discreta. Nesse sentido, Anu não pode assumir seu romance com o namorado, que segue outra religião, e nem viver um amor mais liberal em relação ao sexo, já Prabha está </span><a href="https://feitoporelas.com.br/48a-mostra-de-sao-paulo-tudo-que-imaginamos-como-luz-all-we-imagine-as-light/"><span style="font-weight: 400;">presa</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu marido, quem ela não vê há mais de um ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Feita por Ranabir Das, a construção imagética sobre os espaços é muito interessante para reforçar essas ideias. Enquanto estão na </span><a href="https://cinemacomcritica.com.br/2024/05/all-we-imagine-as-light/"><span style="font-weight: 400;">cidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a escuridão e o tom acinzentado tomam conta, com uma iluminação </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;">, por vezes, estouradas e uma imagem granulada que reflete o isolamento, a tristeza e o cansaço. Além disso, os espaços apertados geram uma sensação de claustrofobia e não permitem que as personagens saiam de suas respectivas situações. No momento em que a cenografia muda para a praia, a diretora mostra total controle da narrativa ao utilizar os mesmos elementos, porém, gerando emoções diferentes. Toda composição começa a permitir que Prabha e Anu possam se emancipar. O mar aberto, a iluminação clara e estourada na caverna e o espaçamento criam os sentimentos de liberdade e leveza.</span></p>
<figure id="attachment_34388" aria-describedby="caption-attachment-34388" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/All-We-Imagine-as-Light-2.jpg" alt="Cena do filme Tudo Que Imaginamos Como Luz. No fundo, uma quadra com vários garotos jogando futebol. O ambiente é escuro, com uma iluminação baixa. Mais próximo a câmera, como se fosse em um outro plano, estão Anu e Shiaz abraçados em frente a uma árvore. Anu veste uma roupa florida, com tons mais escuros. Shiaz veste uma roupa com tons azulados e detalhes em forma de árvore." width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-34388" class="wp-caption-text">“Você terá que esperar até a noite para me ver. Mas agora, eu te mando beijos através das nuvens” (Foto: Petit Chaos)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A problemática do marido precisar trabalhar afastado da esposa para sustentar a família já era retratado desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NyEWAYw7Bog"><i><span style="font-weight: 400;">A Canção da Estrada</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1955)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Satyajit Ray. Contudo, Payal Kapadia prefere seguir um caminho diferente ao comparar esse amor esquecido de Prabha com o romance impossível de Anu. É no diálogo entre as duas relações que o longa ganha força. Enquanto a mais nova busca concretizar o seu romance de toda forma, a mais velha, magoada pelo sumiço de seu esposo, tenta proteger Anu dessa dor.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo Que Imaginamos Como Luz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme muito bonito em todos os sentidos. Talvez tenha sido um dos mais chamativos da seção Foco Índia, o que levou a Mostra a proporcionar, em uma das sessões no Espaço Petrobrás, um </span><a href="https://www.instagram.com/blocobollywood/"><span style="font-weight: 400;">Bloco Bollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">, como forma de se aprofundar na cultura do país e homenageá-lo. Com o prêmio de Cannes em mãos é possível esperar que venham muito mais filmes de Payal Kapadia pela frente, trazendo novamente um pouco dos valores indianos para o resto do mundo.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="All We Imagine as Light Trailer #1 (2024)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/TEL7GEkCUFQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Em Nova Deli, dois irmãos curam Tudo o Que Respira</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 16:34:12 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Freire Tudo o Que Respira começa com uma paisagem escura enquanto uma câmera se move sobre o solo repleto de lixo na cidade de Nova Deli. Enquanto outros animais se espreitam no fundo, a imundície da rua serve como alimento para os ratos que se apressam em uma moldura desfocada, e o barulho que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-o-que-respira-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Nova Deli, dois irmãos curam Tudo o Que Respira"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29907" aria-describedby="caption-attachment-29907" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29907" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1.jpg" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, vemos Salik Rehman de frente com um milhafre-preto, uma ave de rapina preta com o peito branco, e os dois se encaram. Ambos estão dentro de um depósito, que serve como um espaço de trabalho. O animal está em cima de uma bancada com vários utensílios utilizados pelos homens que se dedicam ao cuidado dessa espécie. Salik tem cabelos e barba na cor preta e veste uma camisa social preta com listras brancas e óculos de grau." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-2-11-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29907" class="wp-caption-text">Com estreia no Festival Sundance de Cinema, Tudo o Que Respira é o segundo documentário do cineasta indiano Shaunak Sen (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Freire</b></p>
<p><a href="https://www.allthatbreathes.com/trailer"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">começa com uma paisagem escura enquanto uma câmera se move sobre o solo repleto de lixo na cidade de Nova Deli. Enquanto outros animais se espreitam no fundo, a imundície da rua serve como alimento para os ratos que se apressam em uma moldura desfocada, e o barulho que eles fazem fica mais alto à medida que mais deles se alimentam. Ao que o ruído faminto cresce em volume, os faróis dos carros ficam mais brilhantes à distância – um sinal de humanidade que impacta diretamente a existência deles, e a cena termina ao passo que é dominada pela ultrapassagem de uma luz branca. Essa é apenas a primeira de muitas imagens de tirar o fôlego que estão presentes no mais recente documentário de Shaunak Sen.</span></p>
<p><span id="more-29905"></span></p>
<p><a href="https://thefilmstage.com/all-that-breathes-director-shaunak-sen-on-capturing-new-delhi-bird-rescuers-with-a-majestic-cinematic-vision/"><span style="font-weight: 400;">Sen</span></a><span style="font-weight: 400;"> foca no cotidiano de Nadeem Shehzad e Mohammad Saud, dois irmãos que têm dedicado duas décadas de suas vidas ao cuidado de aves feridas, especificamente daquelas conhecidas como milhafre-preto. Nova Deli é uma das cidades </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/fotografia/2017/06/como-e-viver-na-cidade-mais-poluida-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">mais poluídas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do planeta e a presença da indústria, juntamente com o processo de urbanização, são fatores que afetam profundamente a vida selvagem. Com a qualidade e a visibilidade do ar extremamente impróprias, os milhafres foram obrigados a se esforçar para fazer o que nunca exigiu esforço: voar. O diretor enquadra regularmente as aves contra uma nuvem de fumaça ou uma paisagem urbana coberta pela névoa, de forma a tornar essa situação tão visível como observar um animal que se afoga.</span></p>
<figure id="attachment_29908" aria-describedby="caption-attachment-29908" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29908" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8.jpg" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, fotografada de baixo para cima, vemos um homem vestido inteiramente de branco à distância, quase no topo da escadaria de um monumento. Ele está alimentando as aves, e muitas delas voam no céu. Há algumas outras construções ao redor. O céu está azul e é um dia ensolarado." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-1-8-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29908" class="wp-caption-text">A Wildlife Rescue, organização dos dois irmãos, cuidou de mais de vinte mil aves e animais desde seu surgimento em 2010 (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O destaque do documentário gira totalmente em torno da direção e fotografia. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é uma produção tradicional sobre a vida selvagem ou sobre a mudança climática e não conta com a presença de especialistas nem com fatos dispostos na tela. As informações obtidas sobre a situação dos milhafres vêm de </span><a href="https://www.nytimes.com/2020/02/07/science/kites-birds-conservation-india.html"><span style="font-weight: 400;">Nadeem e Saud</span></a><span style="font-weight: 400;">, que enfrentam seus próprios desafios ao mesmo tempo que tentam permanecer alertas em uma região do mundo cada vez mais tensa quando se trata de questões sociais, políticas e de classe. A obra entende profundamente que cuidar de tudo o que respira não é tão fácil quanto uma boa intenção faz parecer. Muitas vezes, o cuidado requer sacrifício e compromisso intensos; apesar de tudo, isso não é uma tarefa impossível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante todo o documentário, os diretores de fotografia Ben Bernhard e Riju Das fazem uso da técnica conhecida como </span><a href="https://www.backstage.com/magazine/article/what-is-cinema-verite-examples-75673/"><i><span style="font-weight: 400;">cinéma vérité</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou cinema verdade, que combina a improvisação com o uso da câmera para mostrar a verdade ou enfatizar assuntos que se escondem por trás da realidade. Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">All That Breathes </span></i><span style="font-weight: 400;">(no original)</span> <span style="font-weight: 400;">é formalmente projetado em uma horizontal, para que se possa ver panoramicamente o que acontece quando toda a natureza se reúne ao nível da rua. Essa junção faz com que aquilo que está sendo observado dê lugar a algo a mais, seja em primeiro ou segundo plano, enfatizando como, em nenhum momento, é insinuado uma hierarquia de importância entre o </span><a href="https://www.raptorrescue.org/"><span style="font-weight: 400;">trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Nadeem e Saud e as crises enfrentadas pelo país, como a poluição crônica do ar e a crescente violência islamofóbica.</span></p>
<figure id="attachment_29906" aria-describedby="caption-attachment-29906" style="width: 1873px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29906" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1.png" alt="Cena do documentário Tudo o Que Respira. Na imagem, vemos Mohammad Saud dentro de uma das gaiolas voltadas para o cuidado dos milhafres-preto, feitas de pedaços de cano e tecido. Ele está agachado no chão e veste uma camiseta cinza, uma calça bege e óculos de grau. Ao seu redor, podemos ver seis aves de rapina. Apesar da foto estar um pouco escura, ainda é dia e é possível ver a silhueta de prédios através do tecido." width="1873" height="985" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1.png 1873w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-800x421.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-1024x539.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/imagem-3-1-1536x808.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29906" class="wp-caption-text">All That Breathes teve uma ótima recepção pela crítica e conquistou os principais prêmios da temporada (Foto: Submarine Deluxe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo o primeiro a ganhar o prêmio de Melhor </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/"><span style="font-weight: 400;">Documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto em Sundance quanto em Cannes, não é de se surpreender que a direção de Shaunak Sen esteja na disputa pelo mesmo reconhecimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TJ73sYkpisY"><i><span style="font-weight: 400;">A House Made of Splinters</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&amp;v=kTKL5P_69e8"><i><span style="font-weight: 400;">All The Beauty and The Bloodshed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/navalny-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Navalny</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kz95Xjd3l00"><i><span style="font-weight: 400;">Vulcões: A Tragédia de Katia e Maurice Krafft</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são os longas que também buscam levar a estatueta dourada para casa. Apesar de não ser o favorito ao troféu, os poéticos 96 minutos de duração de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo o Que Respira </span></i><span style="font-weight: 400;">são essenciais e de extrema importância na medida em que uma história micro é utilizada para fazer uma crítica relevante e valiosa sobre um contexto macro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há muitas boas razões para que o documentário seja considerado como um dos </span><a href="https://variety.com/lists/best-documentaries-2022/"><span style="font-weight: 400;">melhores</span></a><span style="font-weight: 400;"> lançados no ano de 2022. A obra leva seu próprio tempo para passar por todo o conteúdo apresentado, e a paciência de Sen é essencial para capturar momentos tão mundanos (e tão bonitos) que fazem da obra o que ela é. Apesar do esgoto que inunda o chão dos irmãos e a ameaça de uma guerra nuclear que ecoa das televisões, o longa se mostra como um retrato vivo de que a vida deve continuar. E continua, deixando uma faísca de esperança sobre o futuro, no que eles continuam a marchar e resgatar aves que caem do céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Tudo O Que Respira | Trailer Legendado | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZdBd8xjXgKA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>RRR faz o colonialismo dançar ao som da Revolta, Rebelião e Revolução indiana</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 16:16:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Das raízes do imperialismo inglês, a ocupação, exploração e opressão floresceram em uma árvore de tronco imponente. Neste cenário, a violência permitiu o sequestro da cultura de comunidades nativas, porém, incoerentemente, os frutos venenosos dos caules suculentos alimentaram a Revolta, Rebelião e Revolução indiana que colocou fim ao período conhecido como o “Raj &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rrr-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "RRR faz o colonialismo dançar ao som da Revolta, Rebelião e Revolução indiana"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29901" aria-describedby="caption-attachment-29901" style="width: 1296px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7.jpg" alt="Cena do filme RRR. Da esquerda para a direita na imagem, o protagonista Komaram Bheem enfrenta um tigre. A câmera captura ambos cara a cara, a partir do busto e da mandíbula, respectivamente. Bheem é um homem indiano de cabelos e olhos escuros, ele aparece todo ensanguentado vestindo apenas um artefato tradicional de seu povoado no pescoço. Tanto Bheem quanto o tigre estão com a boca aberta. O tigre, por sua vez, tem dentes longos e afiados. O animal também está com a pelagem branca, preta e amarela ensanguentada. Ao fundo, o cenário é uma floresta repleta de verde.]" width="1296" height="730" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7.jpg 1296w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-800x451.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-1024x577.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-768x433.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-1-7-1200x676.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29901" class="wp-caption-text">Naatu Naatu concorre ao Oscar 2023 pela estatueta de Melhor Canção Original, feito inédito para um longa indiano (Foto: Pen Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das raízes do imperialismo inglês, a ocupação, exploração e opressão floresceram em uma árvore de tronco imponente. Neste cenário, a violência permitiu o sequestro da cultura de comunidades nativas, porém, incoerentemente, os frutos venenosos dos caules suculentos alimentaram a </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolta, Rebelião e Revolução</span></i> <a href="https://personaunesp.com.br/pedro-critica/"><span style="font-weight: 400;">indiana</span></a><span style="font-weight: 400;"> que colocou fim ao período conhecido como o “</span><a href="https://www.infoescola.com/historia/imperio-colonial-britanico/"><span style="font-weight: 400;">Raj Britânico</span></a><span style="font-weight: 400;">” na primeira metade do século XX. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da luta pela independência, líderes se tornaram seres mitológicos para o povo e, em 2022, dois deles ganharam as telas do Cinema com </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa </span><a href="http://www.nossocinema.com.br/rrr-revolta-rebeliao-revolucao-tollywood-e-logo-ali-ou-quase/"><i><span style="font-weight: 400;">tollywoodiano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dirigido por </span><span style="font-weight: 400;">S. S. Rajamouli não somente </span><span style="font-weight: 400;">surpreendeu pela leitura épica de um evento histórico, como também </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/rrr-musica-indicada-oscar/"><span style="font-weight: 400;">fez história</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao emplacar a indicação de Melhor Canção Original no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;">, dádiva alcançada pelo feito de </span><a href="https://variety.com/2023/artisans/news/rrr-song-naatu-musical-number-composer-director-1235483148/"><span style="font-weight: 400;">M.M Keeravaani e Chandrabose</span></a><span style="font-weight: 400;"> em colocar o colonialismo para dançar com a eletrizante </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OsU0CGZoV8E"><i><span style="font-weight: 400;">Naatu Naatu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29900"></span></p>
<figure id="attachment_29902" aria-describedby="caption-attachment-29902" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29902" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3.jpg" alt="Cena do filme RRR. Da esquerda para a direita na imagem, os protagonistas Komaram Bheem e Alluri Sitarama Raju aparecem sorridentes. Eles são homens indianos de cabelos e olhos escuros. A câmera captura ambos a partir do busto. Bheem olha diretamente para Raju que, por sua vez, olha para algo ao seu lado. Bheem veste uma camiseta social de botões na cor azul escuro e está com marcas de ferida e ensanguentado. Raju veste um uniforme militar do exército britânico na cor vermelha, com detalhes e ornamentos predominantemente dourados. Ao fundo, o cenário está desfocado." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-2-10-3-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29902" class="wp-caption-text">Durante a pré-produção, o nome do filme fez jus as iniciais ‘R’ do diretor e dos dois atores principais (Foto: Pen Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Divididos entre dois mundos, os </span><a href="https://mixdeseries.com.br/a-historia-real-do-filme-rrr-na-netflix-a-verdade-por-tras/"><span style="font-weight: 400;">libertadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> Komaram Bheem e Alluri Sitarama Raju, </span><span style="font-weight: 400;">ainda que </span><span style="font-weight: 400;">que tenham existido na mesma época, se encontraram pela primeira vez na ficção de</span> <span style="font-weight: 400;">V. Vijayendra Prasad. Através das </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/07/31/interna_cultura,1383456/rrr-o-exageradamente-exagerado-sucesso-que-vem-da-india.shtml"><span style="font-weight: 400;">interpretações vorazes</span></a><span style="font-weight: 400;"> de N. T. Rama Rao Jr. e Ram Charan, o roteiro mirabolante do diretor Rajamouli conseguiu unir duas figuras destoantes pelo mesmo propósito e, por incrível que pareça, as três horas que eles demoram para descobrir isso passam voando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De um lado, um originário da floresta em busca de sua irmã sequestrada pelos membros do alto escalão britânico e, do outro, um indiano defendendo a farda do exército da Inglaterra. Bheem e Raju foram, respectivamente, como água e fogo, fazendo da </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-rrr-revolta-rebeliao-revolucao-voce-nunca-viu-um-filme-como-este-386103/"><span style="font-weight: 400;">união fantástica</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos seus elementos em </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;"> algo que nem mesmo a ciência explicaria. Tamanha audácia refletiu também nos efeitos especiais de Prakash Kotha, nada preocupados com uma aparência realista, mas investidos na </span><a href="https://www.blogdehollywood.com.br/streaming/rrr/"><span style="font-weight: 400;">grandiosidade plástica</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferentemente da utopia de </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/a-revolucao-dos-bichos-de-orwell-quem-sao-os-porcos,a01d3c5a64bf8a9c2c88a84145426b00q16fhbge.html"><span style="font-weight: 400;">George Orwell</span></a><span style="font-weight: 400;">, a revolução do longa não foi dos bichos, porém, eles participaram ativamente das cenas que arrancaram o fôlego do público e dos imperialistas. Entre lobos e tigres selvagens, o homem branco foi quem mais ansiou pelo sangue: Ray Stevenson e Alison Doody foram brutais o suficiente como o governador Scott Buxton e Catherine, a esposa fascinada pelo canto da menina Malli (Twinkle Sharma) a ponto de arrancá-la a força de sua mãe.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RRR | Tiger Fight Scene - Jr NTR Entry | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DDAHHPGcLzo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Dinâmica, a fotografia assinada por </span><a href="https://collider.com/rrr-cinematographer-senthil-kumar-comments/"><span style="font-weight: 400;">K.K. Senthil Kumar</span></a><span style="font-weight: 400;"> atingiu o ápice com o embate entre animal e humano, em especial, quando os colonizadores são devorados durante o belo banquete de uma festa aristocrática. Encarando a Arte como instrumento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolta, Rebelião e Revolução</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a composição audiovisual da obra é sentida como uma ode aos movimentos de independência e ao próprio Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, em entrevista à revista </span><a href="https://ascmag.com/articles/shooting-stars-for-rrr"><i><span style="font-weight: 400;">American Cinematographer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Senthil exprimiu o sentimento evocado por </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quando as pessoas vão assistir filmes, elas querem que as estrelas se pareçam com estrelas. Elas querem que o Cinema seja Cinema</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em um ano marcado pelo retorno do grande público para filmes que não sejam </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de super-heróis como </span><a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/#:~:text=36%20anos%20ap%C3%B3s%20tirar%20o,mais%20conhecidos%20do%20Cinema%2C%20Maverick."><i><span style="font-weight: 400;">Top Gun: Maverick</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: O Caminho da Água</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção indiana</span> <span style="font-weight: 400;">arrecadou uma das maiores bilheterias da Índia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Donas de parte fundamental da narrativa, as mulheres ditaram o ritmo da montagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NSkwSb4Y4EQ"><span style="font-weight: 400;">A. Sreekar Prasad</span></a><span style="font-weight: 400;"> com atuações esplêndidas. Se Twinkle Sharma transmitiu toda a angústia da menina Malli, longe de sua família e presa em um castelo, Olivia Morris deu o ar da graça como Jenny, a única pessoa com alma da família Buxton e interesse amoroso de Komaram Bheem. Personagem destacada, a noiva de Alluri Sitarama Raju, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B_zvL2UHIp_/"><span style="font-weight: 400;">Sita</span></a><span style="font-weight: 400;">, conduziu os minutos finais com a sensibilidade de </span><span style="font-weight: 400;">Alia Bhatt.</span></p>
<figure id="attachment_29903" aria-describedby="caption-attachment-29903" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29903" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.jpeg" alt="Cena do filme RRR. Da esquerda para a direita na imagem, as personagens Komaram Bheem, Sita e Alluri Sitarama Raju unem os braços enquanto dançam. Bheem e Raju são homens indianos de cabelos e olhos escuros e Sita é uma mulher indiana de cabelos e olhos escuros. A câmera captura todos a partir do joelho. Bheem usa uma vestimenta tradicional preta com estampa circular branca e um adorno na cintura também em branco. Sita usa uma na cor rosa com brilhantes. Raju usa outra laranja com a mesma estampa. Ao fundo, o cenário é uma celebração com confetes coloridos.]" width="1600" height="1130" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-800x565.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1024x723.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-768x542.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1536x1085.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Imagem-3-1200x848.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29903" class="wp-caption-text">O trio formado pelos personagens Bheem, Sita e Raju brilhou na sequência de encerramento dançante (Foto: Pen Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Disponível na </span><a href="https://www.ign.com/articles/why-and-how-you-should-watch-rrr"><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;"> transita pelos diferentes gêneros. Em meio ao drama dos momentos de sofrimento, a ação das sequências de combate e a comédia das entregas pontuais de falas que beiram a sátira, nada se tornou tão característico do filme do que a trilha sonora adornada por coreografias. Por isso, tido principalmente como um musical, o conjunto da obra proporcionou que a sensação de contagia da luta pela independência de seus protagonistas ultrapassasse as telas.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Deixando os seus heróis atirarem no final, a direção de </span><span style="font-weight: 400;">S. S. Rajamouli construiu um rumo atraente para </span><i><span style="font-weight: 400;">RRR</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, após levar para a Índia um </span><a href="https://www.thehindu.com/entertainment/movies/rrr-naatu-naatu-singer-rahul-sipligunj-reacts-to-golden-globe-win/article66364830.ece"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> e arrematar uma indicação ao </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/entenda-como-rrr-se-destaca-nas-trilhas-sonoras-e-vence-ate-gaga-e-rihanna-1.2795950"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma sequência confirmada. Ao som da premiada canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Naatu Naatu</span></i><span style="font-weight: 400;">, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Revolta, Rebelião e Revolução</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez o colonialismo dançar, tropeçando em seus próprios pés e provando do veneno que alimentou a sua derrota. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="RRR Trailer (Telugu) - NTR, Ram Charan, Ajay Devgn, Alia Bhatt | SS Rajamouli | 25th March 2022" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NgBoMJy386M?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A beleza de Pedro repousa no retrato bruto da vida</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Nov 2022 17:41:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner Obra do Cinema indiano, Pedro conta a história de um homem de casta inferior que se vê perdido ao acidentalmente matar uma vaca, símbolo sagrado da sua cultura. O ato somente ocorre porque o protagonista tenta incessavelmente encontrar o responsável pelo assassinato de seu cachorro e fiel escudeiro, em uma das tragédias envolvendo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A beleza de Pedro repousa no retrato bruto da vida"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29187" aria-describedby="caption-attachment-29187" style="width: 1134px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7.jpg" alt="Cena do filme Pedro. Na imagem, o personagem Pedro, um homem indiano de cabelos e olhos escuros, aparece contemplando algo com um olhar longínquo. A suas vestes são tecidos de cores neutras como o marrom. O cenário é um matagal verde iluminado por uma chama no período noturno. A fotografia captura a cintura, sentado no matagal onde apoia as mãos para trás." width="1134" height="1034" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7.jpg 1134w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7-800x729.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7-1024x934.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-1-7-768x700.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29187" class="wp-caption-text">Originário da Índia, Pedro participa da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo na seção Perspectiva Internacional (Foto: Rishab Shetty Films)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Obra do Cinema indiano, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta a história de um homem de casta inferior que se vê perdido ao acidentalmente matar uma vaca, símbolo sagrado da sua cultura. O ato somente ocorre porque o protagonista tenta incessavelmente encontrar o responsável pelo assassinato de seu cachorro e fiel escudeiro, em uma das tragédias envolvendo animais mais tristes desde a cadela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WriQmEI_EGI"><span style="font-weight: 400;">Baleia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Graciliano Ramos. Estreia do diretor </span><a href="https://www.cinestaan.com/articles/2022/may/30/34611/nothing-is-apolitical-for-me-says-pedro-filmmaker-natesh-hegde"><span style="font-weight: 400;">Natesh Hegde</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a longa-metragens, a obra foi exibida no festival IndieLisboa e, agora, participa da seção Perspectiva Internacional na 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29186"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A origem do título do filme &#8211; e do nome de seu personagem principal &#8211; é grega e admite como significado os termos “pedra” e “rochedo”. De certa forma, o roteiro, também de Hegde, converge para a dureza com um </span><a href="https://indianexpress.com/article/express-sunday-eye/natesh-hegde-pedro-extraordinary-story-of-an-ordinary-man-shubhra-column-7569267/"><span style="font-weight: 400;">retrato bruto</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida nos vilarejos da Índia. Se Pedro é um dos chamamentos mais disseminados da história do mundo, o criador enxerga a oportunidade de tratar do universal a partir de um recorte local, que se reflete como um microcosmo. Em comparação a </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-estranho-caso-de-jacky-caillou-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Estranho Caso de Jacky Caillou</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra película que compõe a 46ª Mostra, aqui a </span><a href="https://www.filmcompanion.in/reviews/pedro-kannada-movie-review-is-a-breath-of-fresh-air-raj-b-shetty"><span style="font-weight: 400;">beleza do comum</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue ser registrada.</span></p>
<figure id="attachment_29188" aria-describedby="caption-attachment-29188" style="width: 819px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7.jpg" alt="Cena do filme Pedro. Na imagem, o personagem Pedro, um homem indiano de cabelos e olhos escuros, aparece deitado em um matagal enquanto ainda há raios de Sol. A fotografia captura todo o seu corpo, as suas vestimentas são tecidos de cores neutras como o marrom. O cenário é a mata verde por onde há barrancos e um fio de água do rio que corta a paisagem." width="819" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7-800x422.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-2-7-768x405.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29188" class="wp-caption-text">As passagens de longa duração são o calcanhar de Aquiles de Pedro (Foto: Rishab Shetty Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio às cenas que parecem nunca acabar, a produção do cineasta </span><a href="https://variety.com/2022/film/news/rishab-shetty-natesh-hegde-busan-tigers-pond-1235392397/"><span style="font-weight: 400;">Rishab Shetty</span></a><span style="font-weight: 400;"> comete o erro de se </span><a href="https://www.thenewsminute.com/article/its-slow-paced-narrative-pedro-manages-tell-scary-reality-162268"><span style="font-weight: 400;">alongar</span></a><span style="font-weight: 400;"> o bastante para desintegrar o raciocínio do público. Mesmo com poucos diálogos, é nítido que a proposta não mira no contemplativo e, por isso, a trama de </span><a href="https://variety.com/2021/film/news/pedro-natesh-hegde-busan-london-festival-1235075008/"><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> seria melhor absorvida com alguns minutos a menos. Até porque os próprios atores são amadores: Gopal Hegde é pai do diretor e o guia atordoante dos acontecimentos na pele do protagonista, uma grata surpresa e a escolha certa para viver tais cenários. Em adição a entrega do elenco, o jogo de câmeras e a fotografia de Vikas Urs são peças fundamentais para a ilustração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Meu cachorro de ouro morreu</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Com a relação entre homem e animal em mente, o filme remete à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=btm67Cr8lnc"><span style="font-weight: 400;">problemática</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Literatura de Graciliano Ramos em </span><a href="https://todoprosa.com.br/que-cena-a-morte-de-baleia-em-vidas-secas/"><i><span style="font-weight: 400;">Vidas Secas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, afinal, quanto vale a vida de um homem? Na pequena comunidade que cerca a fazenda onde o povoado trabalha, certamente menos que a figura divina de uma vaca; Pedro é obrigado a se afastar de tudo e de todos após atingir o animal com um tiro enquanto embriagado. Assim como na prosa do escritor brasileiro, em momentos o personagem é animalizado, permitindo, em contrapartida, a humanização da </span><a href="https://www.deccanherald.com/entertainment/entertainment-news/decoding-the-natural-sounds-of-pedro-a-film-festival-hit-1088091.html"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;"> indomável. </span></p>
<figure id="attachment_29189" aria-describedby="caption-attachment-29189" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Imagem-3-9.jpg" alt="Cena do filme Pedro. Na imagem, o personagem Pedro, um homem indiano de cabelos e olhos escuros, olha para cima enquanto segura a mão de seu filho pela janela posicionada a suas costas. A fotografia captura a sua face, sua mão e a mão de seu filho. Ao fundo, o cenário é uma casa de parede simples, repleta de rupturas." width="728" height="385" /><figcaption id="caption-attachment-29189" class="wp-caption-text">Gopal Hegde carrega o drama de Pedro nos olhos (Foto: Rishab Shetty Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fazendo jus ao microcosmo particular de sua ambientação, o núcleo familiar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca grande parte dos conflitos do enredo. Com a forte camada de casos amorosos clandestinos entre castas, a montagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t90RxVuE-X4"><span style="font-weight: 400;">Natesh Hegde</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Paresh Kamdar ganha a </span><a href="https://www.deccanherald.com/entertainment/entertainment-news/pedro-review-when-the-unsaid-haunts-you-1142649.html"><span style="font-weight: 400;">dramaticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> necessária para conduzir os eventos, em especial, as ótimas sequências iniciais. No entanto, o ápice é alcançado com a abordagem única da </span><a href="https://personaunesp.com.br/magdala-critica/"><span style="font-weight: 400;">religiosidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem estereótipos ou sensibilidade excessiva, fato que a faz transbordar pela narrativa ao atingir o pico de autenticidade e ritmo no terceiro ato.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pedro</span></i><span style="font-weight: 400;"> captura a vivência de um vilarejo tradicional indiano, mas, ao mesmo tempo, diz muito sobre o </span><a href="https://www.ottplay.com/interview/exclusive-my-films-have-flaws-a-reflection-of-how-we-are-as-human-beings-pedromaker-natesh-hegde/55c43e7bf8699"><span style="font-weight: 400;">planeta Terra</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um todo. Desde os costumes sagrados, passando pela desigualdade social até o uso da violência em nome de algo maior, a obra consegue se adaptar a diferentes </span><a href="https://www.ndtv.com/entertainment/pedro-review-natesh-hegdes-film-is-a-sharp-cut-gem-that-shines-bright-4-stars-2569729"><span style="font-weight: 400;">realidades</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o retrato bruto da vida, no qual repousa a sua beleza. Através do olhar carregado de um homem simples, a </span><a href="https://www.cinemaexpress.com/kannada/news/2022/jul/30/critically-acclaimed-pedro-to-premiere-in-australia-at-the-indian-film-festival-of-melbourne-2022-33230.html"><span style="font-weight: 400;">direção</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hegde faz a presença de um protagonista como Pedro na seção Perspectiva Internacional da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo ser vital.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pedro - Official Trailer | Natesh Hegde | Gopal Hegde | Rishab Shetty Films" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/YVjBp5pOOi0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A revolução será escrita com fogo</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Mar 2022 14:58:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra Em Uttar Pradesh, estado do norte da Índia que é um dos mais populosos do mundo, níveis endêmicos de violência atravessam a vida das mulheres que ali habitam. No sistema de castas que define a organização social do país e reforça suas profundas desigualdades, elas estão com os Dalits, o extremo inferior da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escrevendo-com-fogo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A revolução será escrita com fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27007" aria-describedby="caption-attachment-27007" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27007" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra uma mulher indiana filmando algo com o celular apontado para cima." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-1-10-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27007" class="wp-caption-text">Escrevendo com Fogo é o primeiro documentário indiano a ser indicado ao Oscar (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Uttar Pradesh, estado do norte da Índia que é um dos mais populosos do mundo, </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/10/13/machismo-na-india-dossie-ressalta-o-arduo-caminho-das-mulheres-que-lutam-por-igualdade"><span style="font-weight: 400;">níveis endêmicos de violência</span></a><span style="font-weight: 400;"> atravessam a vida das mulheres que ali habitam. No </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55452675#:~:text=O%20sistema%20de%20castas%20divide,o%20deus%20hindu%20da%20cria%C3%A7%C3%A3o."><span style="font-weight: 400;">sistema de castas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que define a organização social do país e reforça suas profundas desigualdades, elas estão com os Dalits, o extremo inferior da hierarquia de classes da cultura indiana ainda vigente, estabelecido 1500 anos antes de Cristo. Da população que compõem a interseção das </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/03/07/classe-casta-e-genero-violencia-contra-a-mulher-nao-para-de-crescer-na-india"><span style="font-weight: 400;">maiores opressões do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, surgiu, em 2002, uma forma de expressão urgente através do jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;"> com uma expectativa de fracasso. Mas ao invés disso, ele resiste, 20 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma revolução social, política e cultural através das mãos mais rejeitadas da sociedade indiana.</span></p>
<p><span id="more-27006"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A motivação de retratar a história das mulheres que foram contra todos os padrões, preconceitos, violências e segregações partiu de </span><a href="https://www.instagram.com/mentalsyrup/"><span style="font-weight: 400;">Sushmit Ghosh</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/rintuthomas/"><span style="font-weight: 400;">Rintu Thomas</span></a><span style="font-weight: 400;">. A partir de 2016, a diretora e o diretor, ambos conterrâneos das jornalistas revolucionárias, passaram acompanhar o dia a dia da redação independente de </span><a href="https://www.instagram.com/khabarlahariya/"><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (traduzido para o inglês como “</span><i><span style="font-weight: 400;">News Wave</span></i><span style="font-weight: 400;">”, no português livre, “Onda de Notícias”), que na época, vivia a inevitável adaptação para o digital ao mesmo tempo que também expandia seu alcance exponencialmente e fortalecia sua relevância e influência na região &#8211; mesmo assim, ainda brigando muito pelo mero respeito.</span></p>
<figure id="attachment_27008" aria-describedby="caption-attachment-27008" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27008 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra 4 mulheres adultas, de pele marrom e roupas com echarpes ao redor do pescoço. As 4 são indianas, estão na rua à luz do dia e sorriem para a câmera." width="1500" height="844" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2-11-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27008" class="wp-caption-text">O filme teve sua estreia no Festival de Sundance 2021, onde foi celebrado duas vezes nas categorias de documentário: com o Prêmio do Público e o Prêmio Especial do Júri (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Writing With Fire</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original, em inglês) não só se dedica ao honroso trabalho de registrar a história do único jornal liderado </span><a href="https://www.istoedinheiro.com.br/o-compromisso-das-jornalistas-feministas-indianas-chega-ao-oscar/"><span style="font-weight: 400;">unicamente por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> da Índia e um dos maiores do país, nem mesmo se restringe a grande tarefa de analisar a questão de gênero, econômica e social do país. Em meio a todas as camadas de grande importância da sua história, o filme constrói também um poderoso relato da prática do jornalismo alternativo e de gênero, assim como contempla as mudanças comunicacionais propostas pela era digital em uma das esferas mais importantes para </span><a href="https://www.nytimes.com/2022/02/01/opinion/all-women-newspaper-india.html"><span style="font-weight: 400;">a vida em sociedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o jornalismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não à toa, o documentário indiano conquistou os críticos do </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/25/movies/writing-with-fire-review.html"><i><span style="font-weight: 400;">The New York Times</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o título de “</span><i><span style="font-weight: 400;">filme sobre jornalismo mais inspirador de todos</span></i><span style="font-weight: 400;">” pelo </span><a href="https://www.washingtonpost.com/opinions/2021/02/01/india-writing-with-fire-khabar-lahariya-journalism/"><i><span style="font-weight: 400;">The Washington Post</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que inclusive já protagonizou uma das obras mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k-tiJlEm76A"><span style="font-weight: 400;">referenciais do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;">. Abarcando a complexidade do seu tema em instigantes 94 minutos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue renovar o ideal do Jornalismo e compreender a sua grandeza e importância como ele essencialmente é: uma forma de transformar o(s) mundo(s) em que vivemos.</span></p>
<figure id="attachment_27009" aria-describedby="caption-attachment-27009" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27009" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra uma mulher debruçada sobre um caderno, olhando a tela de um celular e anotando algo no papel." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-3-14-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27009" class="wp-caption-text">“Eu acredito que jornalismo é a essência da democracia&#8221; (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior responsável por desenvolver essa visão no documentário é </span><a href="https://navayana.org/uncategorized/2021/10/07/meera-jatav/?v=19d3326f3137"><span style="font-weight: 400;">Meera Jatav</span></a><span style="font-weight: 400;">, co-fundadora e editora-chefe do jornal durante o período compreendido pelo filme. Apresentada como a liderança mais ativa no ambiente, ela logo abre a sua história de vida que, ao contrário do que sua posição transgressora pode sugerir, tem trechos que em nada se diferem das vivências das demais </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/cultura/2018/05/noivas-criancas-esquecidas-da-india"><span style="font-weight: 400;">mulheres de seu contexto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Professora graduada em Ciências Políticas, ela se casou aos 14 anos e concluiu sua formação depois de vencer a resistência do marido e da sociedade local, até atingir sua posição de destaque e inspiração para as mulheres da comunidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao seu lado e sob a sua liderança, Suneeta Prajapati é a repórter que defende o jornalismo das mulheres indianas na </span><a href="https://www.washingtonpost.com/world/2022/03/25/india-khabar-lahariya-oscars/"><span style="font-weight: 400;">linha de frente</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na câmera trêmula que Sushmit Ghosh divide com Karan Thapliyal a fim de acompanhar a rotina agitada do jornal, ela aparece cobrindo questões políticas, criminais, ambientais e locais, denunciando casos de violência sexual, desamparo da polícia e até mesmo abuso de autoridade, assim demonstrando o alcance e importância do trabalho para o espectador de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através da personagem que o documentário também mostra o maior desafio enfrentado pelas jornalistas: </span><a href="https://catarinas.info/o-jornalismo-e-a-superacao-das-desigualdades-de-genero/"><span style="font-weight: 400;">o preconceito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que as coloca como alvo de muitas perguntas quando estão ali para fazê-las. Mas para as mulheres do </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;">, abaixar a cabeça diante das opressões nunca é uma opção. Nos momentos capturados pelo documentário, é comum encontrar Suneeta enfrentando seus obstáculos, sejam eles concretos ou simbólicos, e observar Meera criticando assiduamente o modelo de jornalismo que </span><a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/primeiras-edicoes/uma-crtica-ao-jornalismo-de-mercado/"><span style="font-weight: 400;">sufocou sua missão</span></a><span style="font-weight: 400;"> fundamentalmente coletiva num fim comercial individual. Aos olhos daquelas mulheres, não é só um veículo de reportagem, mas sim um meio de se fazer justiça.</span></p>
<figure id="attachment_27010" aria-describedby="caption-attachment-27010" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27010" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1.png" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra 4 mulheres indianas sentadas no chão, escrevendo num papel e sorrindo umas para as outras." width="1024" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-800x563.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-4-1-768x540.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27010" class="wp-caption-text">Os laços são tão profundos que vão além da relação profissional, e o documentário também sabe observar suas singelas manifestações de amizade e apoio (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E em momento algum, o idealismo das jornalistas significa ingenuidade. As lentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> capturam nos olhos de suas personagens o entendimento que elas têm sobre a dimensão prática de seus atos. Sem perder tempo com críticas culturais preconceituosas e rasas, a ótica próxima dos diretores compreende que o sucesso das mulheres Dalit redefinem </span><a href="https://www.cnn.com/2022/03/24/movies/rintu-thomas-writing-with-fire-khabar-lahariya-as-equals-intl-cmd/index.html"><span style="font-weight: 400;">o significado de poder</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentro daquela sociedade. Principalmente como profissionais e cidadãs na era da informação, elas sabem como ninguém que o jornalismo pode ser o melhor meio para recuperar o que lhes foi roubado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o documentário toma como principal marco temporal o sucesso. Alcançando um público, influência, recursos e acessos cada vez maiores, elas também reformulam a noção comum do profissional como um homem de casta superior, </span><a href="https://www.bbc.com/news/world-asia-india-60804420"><span style="font-weight: 400;">triunfando</span></a><span style="font-weight: 400;"> com um jornalismo realizado por mulheres da mais baixa classe da sociedade. O filme se transforma, muito felizmente, numa espécie de jornal do jornal, fazendo questão de apreciar cada conquista da equipe </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;"> na tela de </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas como já é sabido, o acesso aos meios não é suficiente para se livrar completamente dos </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/onu-90-da-popula%C3%A7%C3%A3o-mundial-tem-preconceito-contra-mulher/a-52652634"><span style="font-weight: 400;">problemas sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Humanizando suas personagens e distanciando qualquer impressão de retrato romantizado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esquece dos motivos que fundaram o jornal e que, por consequência, levaram a sua equipe de filmagem até ali. Entre o dia a dia impressionante das jornalistas, ainda existem abusos maritais, violências domésticas, perseguições e a insuportável pressão para ceder aos padrões, razões pelas quais algumas até deixam seus maridos e mantém a si mesmas e seus filhos através do seu trabalho, ou, em outro extremo, se desligam de suas ocupações profissionais no </span><i><span style="font-weight: 400;">Khabar Lahariya</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27011" aria-describedby="caption-attachment-27011" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27011" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7.jpg" alt="Cena do documentário Escrevendo com Fogo. A cena mostra uma mulher filmando com o celular em um ambiente escuro e cheio de outras pessoas ao redor." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-5-7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27011" class="wp-caption-text">&#8220;Meu coração me dá a coragem para seguir em frente&#8221; (Foto: Music Box Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É impossível nomear a importância de tudo o que é apresentado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;"> através da história das jornalistas indianas. Seu principal efeito, no entanto, é fácil de identificar: o documentário parece existir para mostrar que, a partir do reconhecimento de um contexto específico e revolucionário, aquelas mulheres não estão sozinhas. No dia 8 de outubro de 2021, a jornalista filipina </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/internacional/2021/12/10/interna_internacional,1330055/maria-ressa-premio-nobel-da-paz-critica-gigantes-digitais-por-alimentarem.shtml"><span style="font-weight: 400;">Maria Ressa</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi uma das honradas com o Prêmio </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/10/08/nobel-da-paz-2021-vai-para-maria-ressa-e-dmitry-muratov.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Nobel </span></i><span style="font-weight: 400;">da Paz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que apresentou sua decisão como forma de reconhecer a luta pela liberdade de expressão, “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma pré-condição para a democracia e para uma paz duradoura</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a mesma questão de valorização ao jornalismo e o reconhecimento de que um dos ofícios mais perigosos do mundo é especialmente difícil para as mulheres tem seu lugar ideal de visibilidade no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. A premiação da Academia já tem a tendência de reconhecer obras documentais de concepções femininas em sua </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/melhor-documentario/"><span style="font-weight: 400;">categoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> reservada ao gênero, e elas sabem como ninguém que existem </span><a href="https://personaunesp.com.br/ascensao-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> a serem ditas e </span><a href="https://personaunesp.com.br/time-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">fogo</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ser consumido por todos os lados. Quando as duas condições se convergem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Escrevendo com Fogo</span></i><span style="font-weight: 400;">, nós temos a oportunidade de criar o momento ideal para voltar a nossa atenção às pessoas que, através da sua expressão contundente, estão transformando o mundo.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/escrevendo-com-fogo-critica/">A revolução será escrita com fogo</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Pedregulhos e o poder silencioso dos oprimidos</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Oct 2021 20:30:19 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Um pai, um filho, e uma árida paisagem. Estes são os três protagonistas de Pedregulhos, longa indiano selecionado para representar o país na corrida pelo Oscar de Melhor Filme Internacional em 2022, e que está em exibição na programação da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. O filme parte de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pedregulhos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pedregulhos e o poder silencioso dos oprimidos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24245" aria-describedby="caption-attachment-24245" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1.jpg" alt="Cena do filme Pedregulhos. A imagem mostra um homem e um menino, ambos indianos, em pé sobre um chão de areia, a uma certa distância um do outro. No fundo há uma pequena cabana com diversos produtos pendurados. O cenário é seco, mas com verde nas copas de algumas árvores." width="1200" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1-800x445.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1-1024x569.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-1-768x427.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24245" class="wp-caption-text">Pedregulhos integra a Competição Novos Diretores da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Rowdy Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um pai, um filho, e uma árida paisagem. Estes são os três protagonistas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pedregulhos</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa indiano selecionado para representar o país na </span><a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/india-escolhe-pebbles-como-seu-representante-ao-oscar-2022-de-melhor-filme-internacional"><span style="font-weight: 400;">corrida pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Filme Internacional em 2022, e que está em exibição na programação da 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo. O filme parte de um pai alcoólatra que retira o filho da escola, forçando-o a acompanhá-lo na procura da mãe, que fugiu de casa devido à violência doméstica sofrida pelas mãos do marido. </span></p>
<p><span id="more-24244"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem longe dos domínios de Bollywood, </span><span style="font-weight: 400;">o longa de estreia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oONq4J75FCQ"><span style="font-weight: 400;">P.S. Vinothraj</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi realizado no estado de Tamil Nandu, situado no extremo sul do país, e que tem uma grande potência cinematográfica própria no idioma tamil, conhecida como </span><a href="https://www.thehindu.com/entertainment/movies/the-commerce-of-kollywood/article30451817.ece"><i><span style="font-weight: 400;">Kollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Periférico à própria indústria regional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pebbles </span></i><span style="font-weight: 400;">foi realizado entre amigos, fruto de uma intensa dedicação do diretor em contar uma história que funciona como uma espécie de vingança para uma experiência vivida por sua irmã. Com elenco de não-atores e locações na região de uma minúscula vila no interior do estado, a produção transborda de realidade e verossimilhança, preservando o legado de mestres do Cinema indiano como </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/satyajit-ray-100-anos/"><span style="font-weight: 400;">Satyajit Ray</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_24246" aria-describedby="caption-attachment-24246" style="width: 1376px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2.jpg" alt="Cena do filme Pedregulhos. A foto mostra uma menina junto a uma mulher adulta, ambas de pele escura, e cabelos pretos, vestindo roupas coloridas. Elas se encontram agachadas em meio a um mato seco. Ao fundo, vemos um morro com pedras marrons. " width="1376" height="774" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2.jpg 1376w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24246" class="wp-caption-text">Embora a personagem da mãe nunca nos seja apresentada, diversas figuras femininas enriquecem a jornada (Foto: Rowdy Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com algumas longas cenas em plano sequência, onde a câmera na mão persegue os atores de um lado para o outro, a fotografia de </span><span style="font-weight: 400;">Jeya Parthiban e Vignesh Kumulai</span> <span style="font-weight: 400;">se alterna entre acrescentar intensidade aos conflitos, como quando o pai encontra a família da esposa, e capturar a vastidão e a solidão das paisagens. No trabalho de sonorização, Hari Prasad optou com o diretor por captar o som diretamente nas locações, o que levou a fazer com que a </span><a href="https://filmmakermagazine.com/111316-everybody-had-to-work-barefoot-p-s-vinothraj-on-his-tiger-award-winning-pebbles/#.YXlZfp7MLIU"><span style="font-weight: 400;">equipe tivesse que ficar descalça</span></a><span style="font-weight: 400;"> para que o ruído dos passos sobre os pedregulhos do chão não pudesse ser ouvido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais seco que a natureza semi-desértica que ocupa a tela do </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/noticias/festival-de-roterda-2021-indiano-pebbles-vence-o-premio-principal-do-evento/"><span style="font-weight: 400;">vencedor do </span><i><span style="font-weight: 400;">Tiger Award</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">no Festival de Roterdã, é o coração do pai (Karuththadaiyaan, o único do elenco com experiência prévia em atuação). Inconformado de não ter mais controle sob sua família, e incapaz de enxergar para além de seu próprio desejo de preservar a posição de poder que acreditava ser legítima, ele se afunda na frustração potencializada pelo calor e a secura. Já o menino (</span><span style="font-weight: 400;">Chellapandi</span><span style="font-weight: 400;">), é um observador silencioso, que às vezes foge, outras segue, ou mesmo enfrenta,  transparecendo em seu olhar e em suas ações a indecisão de não saber o que fazer diante daquela figura raivosa que o obriga a caminhar sob o sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas ainda há uma quarta protagonista em <em>Pedregulhos</em>, uma que nunca aparece em tela, mas cuja presença sempre permanece pairando no ar. A personagem da mãe é muito mais que mero </span><a href="https://ambrosia.com.br/filmes/entenda-o-que-e-um-macguffin-com-11-exemplos-classicos/"><i><span style="font-weight: 400;">MacGuffin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para levar o pai do ponto A ao ponto B, pois não apenas sabemos de algumas de suas ações dramáticas em determinados momentos, como podemos claramente perceber seus obstáculos e motivações a partir das ações do pai e de outros personagens. Para compensar a sua ausência física, o filme guarda a sua carta mais preciosa para o final inconclusivo.</span></p>
<figure id="attachment_24247" aria-describedby="caption-attachment-24247" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24247" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3.jpg" alt="Cena do filme Pedregulhos. A foto mostra ao longe um menino em pé, sob a sombra escassa de uma grande árvore seca. Do outro lado da árvore, ao fundo, vemos a silhueta de uma mulher conduzindo uma vaca. A paisagem é seca, com árvores visíveis ao fundo. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/pedregulhos-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24247" class="wp-caption-text">Koozhangal foi aclamado em diversos festivais ao redor do mundo (Foto: Rowdy Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nele, </span><span style="font-weight: 400;">P.S. Vinothraj não opta por dar todas as respostas para o conflito acompanhado até então, mas sim por oferecer um retrato do outro lado daquela moeda, onde percebemos que todo o ódio de um homem como aquele protagonista não seria suficiente para a manutenção de sua posição dominante. Em um longo e paciente plano estático, o mais impactante do filme, vemos um fio de esperança ser tecido a partir de uma das muitas atividades que dão a aquelas mulheres mostradas uma possibilidade de exercer um poder silencioso sobre a opressão de homens como o pai que acompanhamos, assim como o menino o fez em seus pequenos atos de rebeldia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como aquele homem poderia sobreviver sem ter aquela mulher para lhe buscar água no poço e lhe preparar comida? Aquele que acreditava estar no controle passa a ser assombrado pelo medo ao se descobrir em uma relação de dependência. E aquela, outrora oprimida, resolve sua própria posição anterior de submissão como arma. A imagem final não representa essa transformação em si, mas profetiza o potencial para que ela possa acontecer. Enquanto o homem sofre com o calor e a sede da região semi-árida, a mulher já sabe onde conseguir água. E assim, aos poucos cresce o silencioso poder dos oprimidos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pebbles | Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rGD0D5NtFBw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O Tigre Branco nos mostra a Índia das carteiras cheias e barrigas vazias</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Apr 2021 17:37:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Tenca O sistema de castas sócio-religiosas perdura em território indiano há mais de 2600 anos. A estranha e embaraçada divisão populacional configura uma sociedade baseada em preconceito e desigualdade, que acaba por perpetuar um privilégio às castas superiores em detrimento da injustiça e regressão às inferiores, independente do fato desses costumes  terem sido erradicados &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-tigre-branco-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Tigre Branco nos mostra a Índia das carteiras cheias e barrigas vazias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19989" aria-describedby="caption-attachment-19989" style="width: 1440px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19989" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-1.jpg" alt="A imagem retangular é uma montagem do filme O Tigre Branco. Da esquerda para direita vemos três pessoas encarando a câmera, com um filtro em preto e branco. Centralizado e à esquerda, Priyanka Chopra, uma mulher indiana de cabelos lisos e curtos e possui um semblante sério. Ela usa um vestido decotado com um cinto na altura da cintura, além de usar um relógio em seu pulso direito e apoiar sua mão direita nos ombros de Adarsh Gourav. À sua direita e centralizado na foto, vemos Adarsh Gourav sentado, ele é um homem indiano de cabelo liso e jogado para o lado com um bigode longo e barba rala. Ele sorri enquanto utiliza uma camisa social clara. À sua direita centralizado à direita da foto vemos Rajkummar Rao, um homem indiano de topete liso com um semblante sério. ele usa uma jaqueta longa e aberta com uma camiseta por baixo. O plano de fundo da foto é um azul vibrante e sobre a cabeça de Adarsh há uma montagem de uma coroa amarela." width="1440" height="810" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-1.jpg 1440w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/4-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19989" class="wp-caption-text">O Tigre Branco abocanhou uma indicação na categoria de Melhor Roteiro Adaptado no Oscar 2021 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Tenca</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O sistema de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-55452675"><span style="font-weight: 400;">castas sócio-religiosas</span></a><span style="font-weight: 400;"> perdura em território indiano há mais de 2600 anos. A estranha e embaraçada divisão populacional configura uma sociedade baseada em preconceito e desigualdade, que acaba por perpetuar um privilégio às castas superiores em detrimento da injustiça e regressão às inferiores, independente do fato desses costumes  terem sido erradicados por lei desde 1950. </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/em-o-tigre-branco-licoes-sao-aprendidas-e-reaprendidas-sobre-o-sistema-de-castas-da-india/"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre Branco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">dirigida por Ramin Bahrani, nos mostra essa realidade de uma Índia que vive na luz e nas trevas ao mesmo tempo.</span></p>
<p><span id="more-19985"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de cara, o filme aborda um fator recorrente nas camadas mais pobres da sociedade indiana: a descontinuação dos estudos devido ao trabalho precoce. O então prodígio Balram (Adarsh Gourav), que passa a trabalhar como faz-tudo na casa de chá da família, vê uma solução para seu problema: virar o motorista de uma das famílias mais ricas de toda a Índia. Sendo assim, somos devidamente apresentados aos costumes antiquados do sistema de castas ali presente.</span></p>
<figure id="attachment_19991" aria-describedby="caption-attachment-19991" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19991 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I.jpg" alt="A imagem retangular é uma cena do filme O Tigre Branco. Da esquerda para direita vemos três pessoas. Mais atrás e para a esquerda vemos Rajkummar Rao sentado numa cama olhando para frente. Ele usa um moletom azul e preto por cima de uma camiseta preta. Mais à frente e centralizada na imagem vemos Priyanka pela metade, enquanto ela olha e apoia suas mãos em Adarsh Gourav. Ela usa roupa de academia preta. Adarsh está à direita da foto à frente dos dois enquanto olha para cima . Ele usa uma camisa social azul clara. De fundo podemos ver um quarto com uma grande cortina transparente e uma cama com colchas vermelhas." width="2000" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/47Z6NEHD6BGA7BX2R2MZXYNT7I-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19991" class="wp-caption-text">Apesar de Pinky parecer mais amigável, várias vezes ela também desumaniza Balram de forma grosseira e prepotente (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar e endeusar aqueles que são responsáveis por extorquir sua família, que já vive em situação de miséria, serve para refletir um valor intrínseco da maneira como os </span><i><span style="font-weight: 400;">servos</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">mestres</span></i><span style="font-weight: 400;"> se relacionam. O filme traduz isso de maneira simples, porém certeira: os súditos não passam de galinhas presas em seu galinheiro, reconhecendo seu destino cruel, sem cogitar a hipótese de rebelarem-se. Ou seja, um fruto histórico de uma submissão e lealdade desnecessária.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É dentro da família Shah que conhecemos Pinky (</span><a href="https://www.indiatoday.in/movies/hollywood/story/priyanka-chopra-says-announcing-the-white-tiger-oscars-nomination-made-it-more-special-1779794-2021-03-16"><span style="font-weight: 400;">Priyanka Chopra Jonas</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Ashok (Rajkummar Rao), o casal que sentiu um pouco do gosto da </span><i><span style="font-weight: 400;">liberdade</span></i><span style="font-weight: 400;"> americana. Você provavelmente já ouviu falar dos </span><i><span style="font-weight: 400;">white saviors,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas o longa nos introduz a um novo segmento dessa classe, os </span><i><span style="font-weight: 400;">american saviours</span></i><span style="font-weight: 400;">. O que seria de um filme que trata dos costumes de um país asiático sem a inserção dos valores ocidentais, não é mesmo? Essa visão é nítida nos diálogos do casal, que considera o serviçal um mero atraso da sociedade, e que eles serão os responsáveis por colocar fim a desigualdade na Índia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, obviamente esse pensamento só prevalece até certo ponto. Quando a dupla atropela uma criança em meio a uma madrugada regada à álcool, vemos uma quebra da narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre Branco</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ao mesmo tempo em que Balram se torna ainda mais submisso &#8211; a ponto de assumir a culpa do ocorrido (com direito a contrato) -, vemos seus empregadores o tratarem de forma cada vez pior, culminando no fim do relacionamento entre Pinky e Ashok.</span></p>
<figure id="attachment_19992" aria-describedby="caption-attachment-19992" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19992 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/GPL3PHCR6ZEUDIXX7CM4K2VVEI.jpg" alt="A imagem é uma cena de O Tigre Branco. Ao fundo vemos Adarsh Gourav, um homem indiano de bigode longo, barba rala, olhos pretos, sobrancelhas grossas e cabelo liso e comprido. Ele encara a câmera de frente enquanto usa um paletó preto e por baixo uma camisa social florida e correntes de ouro. Ao fundo vemos 10 homens desfocados, todos usam camisas sociais brancas e possuem os braços colados ao corpo. Ainda mais atrás é possível ver uma vitrine azul." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/GPL3PHCR6ZEUDIXX7CM4K2VVEI.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/GPL3PHCR6ZEUDIXX7CM4K2VVEI-300x158.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/GPL3PHCR6ZEUDIXX7CM4K2VVEI-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/GPL3PHCR6ZEUDIXX7CM4K2VVEI-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19992" class="wp-caption-text">Tentando quebrar o ciclo da miséria, o protagonista subverte as relações patrão-funcionário ao inaugurar sua empresa de motoristas (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante da temporada de premiações, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">não perdeu tempo em produzir filmes estratégicos que pudessem concorrer nas mais diversas categorias. A obra baseado no </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">New York Times</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Aravind Adiga, foi indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Roteiro Adaptado, e, por mais que não possamos necessariamente classificá-lo como um produto de </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/duas-industrias-dois-mundos-o-que-hollywood-tem-a-ver-com-bollywood/"><i><span style="font-weight: 400;">Bollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The White Tiger</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; título original em inglês &#8211; tenta reproduzir o feito de Bong Joon-Ho e </span><a href="http://revistadecinema.com.br/2021/01/tigre-branco-indiano-tenta-repetir-sucesso-de-parasita-no-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Parasita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do ano anterior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, o otimismo em relação à vitória do filme de Ramin Bahrani recebe panos quentes. O roteiro de Bahrani ficou longe de ser o favorito, já que a categoria está nas mãos de Chloé Zhao com </span><a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nomadland</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ou Florian Zeller com </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-indicados-ao-oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Meu Pai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, apenas a participação do filme já foi uma surpresa interessante, principalmente indicando a narrativa fluida e agitada do cineasta. No fim, o importante movimento de transição que dá cada vez mais espaço para a população sub representada agradece</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa pode ser classificado de forma episódica, visto que são perceptíveis os atos que dividem a trajetória do personagem principal. A primeira virada de chave ocorre logo em seguida da mudança citada acima. </span><i><span style="font-weight: 400;">Odiamos nossos mestres atrás de uma fachada de amor, ou os amamos sob uma fachada de ódio? </span></i><span style="font-weight: 400;">Esse é o questionamento que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tTt9Ik8teA4"><span style="font-weight: 400;">Balram</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz para finalmente começar a passar a perna em quem o tratou como lixo por mais de 120 minutos de tela. Vem daí o novo objetivo principal: a bolsa vermelha.</span></p>
<figure id="attachment_19987" aria-describedby="caption-attachment-19987" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19987" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1.jpeg" alt="A imagem é uma cena do filme O Tigre Branco. Ao centro, vemos Adarsh Gourav, um homem indiano de bigode longo, barba rala, olhos pretos, sobrancelhas grossas e cabelo liso e comprido. Ele olha pra câmera como se estivesse olhando de frente para um espelho. Ela escova os dentes e abre um sorriso cheio de pasta na boca e no bigode. Ao fundo a imagem fica desfocada numa coloração azul escuro." width="1024" height="553" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-300x162.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/1-768x415.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19987" class="wp-caption-text">O trabalho e carisma de Gourav &#8211; responsável por indicá-lo como Melhor Ator ao BAFTA 2021 &#8211; mantém a atenção do espectador durante as mais de duas horas de filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que os mocinhos ricos não são tão bonzinhos assim, e a maleta cheia de propina de Ashok prova tudo isso &#8211; se o público brasileiro não havia se identificado com a desigualdade, com certeza a corrupção deu conta do recado. Assim, vemos o terceiro ato se desdobrando, juntamente da aparição fantasmagórica do pai de Balram. As trapaças, roubos e aproveitamentos em cima do patrão já não bastam mais, é preciso trocar de posição, não há mais espaço para o antigo Ashok.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A etapa final retoma o início de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre Branco</span></i><span style="font-weight: 400;">, logo que voltamos a ver Balram com seu terno elegante e cartazes de procurado. Em meio a tudo isso, uma dúvida se levanta no ar: o rosto estampado nos folhetos é resultado da morte arranjada ou do assassinato real? Nada disso importa, já que a criatura que nasce uma vez a cada geração &#8211; o tigre branco &#8211; está novamente entre nós, e, assim como o grande </span><a href="https://www.aa.com.tr/en/culture/muhammad-iqbal-greatest-intellectual-of-islamic-culture-/2037163"><span style="font-weight: 400;">Iqbal</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos conta, </span><i><span style="font-weight: 400;">quando você reconhece o que é belo neste mundo, você deixa de ser escravo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Tigre Branco | Trailer oficial | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/igsPME8oEO0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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