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	<title>Arquivos Inacreditável &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A comovente Unbelievable é a minissérie mais necessária da temporada</title>
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		<pubDate>Mon, 14 Sep 2020 13:24:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira A minissérie Unbelievable (no Brasil traduzida como Inacreditável), é o true crime mais inquietante do momento. Indicada ao Emmy 2020, a produção da Netflix que foi lançada ano passado, é tão poderosa, quanto sensível. Com grandes atuações e diálogos que partem o coração, a obra escancara um sistema que a décadas vitimiza milhares &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A comovente Unbelievable é a minissérie mais necessária da temporada"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_15219" aria-describedby="caption-attachment-15219" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-15219" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15219" class="wp-caption-text">A minissérie é uma adaptação de uma reportagem de 2015, publicada nas organizações ProPublica e Projeto Marshall (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p>A minissérie <i>Unbelievable</i> (no Brasil traduzida como <i>Inacreditável</i>), é o <a href="https://jovemnerd.com.br/direto-do-bunker/o-que-e-o-true-crime-e-como-ele-tem-aparecido-cada-vez-mais-na-cultura-pop/"><i>true crime</i></a> mais inquietante do momento. Indicada ao <a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy-2020/"><i>Emmy</i> <i>2020</i></a>, a produção da <i>Netflix </i>que foi lançada ano passado, é tão poderosa, quanto sensível. Com grandes atuações e diálogos que partem o coração, a obra escancara um sistema que a décadas vitimiza milhares de mulheres pela segunda vez.</p>
<p><span id="more-15218"></span></p>
<p>Em meio a tantos olhares sobre o mesmo tema, <i>Unbelievable </i>se destaca não só pela trama policial, mas pela carga emocional que desperta em quem assiste. A minissérie foi inspirada na reportagem <a href="https://www.propublica.org/article/false-rape-accusations-an-unbelievable-story"><i>“An Unbelivable Story of Rape”</i></a>, escrita pelos jornalistas  T. Christian Miller e Ken Armstrong, vencedora do prêmio <i>Pulitzer </i>em 2016<i>.</i> Tanto a série quanto a reportagem exploram a ineficiência do sistema policial, e a falta de proteção a sobreviventes de violência sexual.</p>
<figure id="attachment_15220" aria-describedby="caption-attachment-15220" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902.jpg" alt="" width="1000" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902-300x187.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/3f23a8b759d9b2858aedf269ed260902-768x478.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15220" class="wp-caption-text">Infelizmente a atuação maravilhosa da jovem atriz Kaitlyn Denver não foi considerada para o Emmy (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Nas entrelinhas a produção abrange muitos problemas silenciados pelas autoridades mas, principalmente, a dor de mulheres que foram ignoradas. Assim, também são tratados de maneira a decadência do sistema americano de adoção, o grande número de estupros nas universidades e a violência doméstica.</p>
<p>A história caminha em duas linhas temporais distintas, mas que se complementam num final impecável, e que alivia depois de oito episódios sufocantes. O primeiro arco acontece em Lynnwood, Washington no ano de 2008. Marie Adler (a protagonista Kaitlyn Denver) é uma sobrevivente de estupro desacreditada pela polícia, obrigada a retirar a denúncia algumas dias depois do abuso.</p>
<p>O impacto da situação da jovem é visto em depoimentos cansativos e traumáticos, esses exemplificam como uma abordagem errônea pode traumatizar pessoas já fragilizadas. Marie é levada a desacreditar na própria história, é exposta pela mídia e lida com investigadores hostis que a tratam como um problema. A incrível atuação de Kaitlyn Denver consegue expressar justamente a confusão e tristeza da personagem.</p>
<figure id="attachment_15221" aria-describedby="caption-attachment-15221" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-15221" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_.jpg" alt="" width="840" height="560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_.jpg 840w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/ca-times.brightspotcdn.com_-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15221" class="wp-caption-text">A dinâmica entre Wever e Collette representa bem a dualidade entre as personagens, enquanto Karen é mais idealista, a detetive Grace é mais prática (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A segunda trama paralela é mais policial, e acompanha as detetives Karen Duvall (Merritt Wever) e Grace Rasmussen (Toni Collette) investigando crimes recentes no Colorado. Nessa passagem de tempo, que ocorre de 2008 a 2011, é perceptível a diferença de abordagem das policiais mulheres. O cuidado em não pressionar ou aterrorizar a sobrevivente é exibido logo nos primeiros minutos do arco. A dupla não desiste em sua busca por justiça, mesmo nas ruas sem saída que a investigação tem e, sem nenhum sensacionalismo, a minissérie aborda uma apuração complexa e densa.</p>
<p>Os famosos <i>True Crimes</i> sempre conquistaram o público em seus variados formatos, visto que algo no ser humano sempre o atraiu para histórias sombrias e reais. <i>Unbelievable</i> não foi a primeira tentativa do gênero pela <i>Netflix</i>, que ano passado conquistou com a incrível <a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/critica-olhos-que-condenam-da-netflix/"><i>Olhos Que Condenam</i></a> (2019). Outras obras também se arriscam ao tratar sobre a violência sexual, sempre de formas muito contrastantes. Enquanto a eterna (com 21 temporadas e contando) <a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/o-fim-de-law-and-order-svu-em-meio-protestos-de-black-lives-matter-serie-perde-prestigio/"><i>Law and Order SVU</i></a> opta por idealizar policiais que lidam com os mais variados casos de abuso. A nova produção da <i>HBO</i> e dirigida pela maravilhosa Michaela Coel, <a href="http://personaunesp.com.br/i-may-destroy-you-critica/"><i>I May Destroy You</i></a>, escolhe explorar diversos meios do abuso sexual.</p>
<figure id="attachment_15222" aria-describedby="caption-attachment-15222" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15222" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/20190720-unbelievable-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-15222" class="wp-caption-text">Os extenuantes interrogatórios a qual Marie é submetida são exemplos de como muitas vítimas recebem perguntas ofensivas por policiais (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A obra acompanha uma extenuante investigação real, mas a coloca numa dramatização fictícia que convence por ser diferente de outros dramas policiais vistos por aí. O roteiro e a direção, realizada por  Lisa Cholodenko (<i>The Kids Are All Right</i>), complementam a potência da minissérie. Susannah Grant, Michael Chabon e Ayelet Waldman co-escreveram a obra, e tiveram o cuidado de propor diálogos fortes, mas não exagerados. Muito bem desenvolvido, o roteiro aborda tantas problemáticas com uma sutileza tamanha. E, principalmente, a força do piloto ainda rendeu uma indicação para Melhor Roteiro ao trio pelo episódio.</p>
<p>Contudo, apesar de ser uma das produções mais fortes dos últimos meses, <i>Unbelievable </i>está presente em só quatro categorias no <a href="https://www.emmys.com/shows/unbelievable"><i>Emmy 2020</i></a>. Além de concorrer na categoria Melhor Série Limitada, a obra também disputa Melhor Elenco. A veterana Toni Collette, já vencedora de um prêmio <i>Emmy</i> em 2009 pela série <i>United States of Tara, </i>concorre como Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel da centrada detetive Grace. Mas, apesar da performance sensacional de <a href="https://studentedge.org/article/kaitlyn-devers-emmys-snub-for-unbelievable-is-the-most-unbelievable-snub-of-all">Kaitlyn Denver</a>, a atriz que ano passado estrelou a comédia <a href="https://cinematologia.com.br/cine/critica-fora-de-serie-booksmart-2019/"><i>Booksmart</i></a>, não conseguiu uma indicação.</p>
<figure id="attachment_15223" aria-describedby="caption-attachment-15223" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-15223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Danielle-750x499-1.png" alt="" width="750" height="499" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Danielle-750x499-1.png 750w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/09/Danielle-750x499-1-300x200.png 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-15223" class="wp-caption-text">A participação de Danielle Macdonald (Dumplin’) também merece uma menção, em poucas cenas a atriz passa toda a vulnerabilidade de uma sobrevivente (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>A produção não conta apenas com performances impecáveis, mas entrega uma mensagem necessária e direta. E ao optar sabiamente por não utilizar cenas de estupro como um recurso vazio, a obra acaba por tecer uma narrativa onde todas as nuances sobre essa violência são abordadas com muita delicadeza. E, principalmente, retrata como diferenças de abordagem e um tratamento agressivo a sobreviventes criam inúmeras consequências na vida de mulheres pelo mundo todo. <i>Unbelievable </i>é uma forte história sobre traumas e erros, e como a personagem Marie mesma diz: <i>“(&#8230;) se a verdade é inconveniente, se a verdade não faz sentido, elas não acreditam”.</i></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/unbelievable-critica/">A comovente Unbelievable é a minissérie mais necessária da temporada</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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