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	<title>Arquivos Ilze Scamparini &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O que Ser Jornalista no Brasil tem a ver com a Bienal do Livro?</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2022 21:08:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nathália Mendes  No segundo sábado da 26ª Bienal Internacional do Livro, dia 9 de julho de 2022, em São Paulo, três mulheres foram convidadas para falar no painel Ser Jornalista no Brasil. Ainda que Miriam Leitão, Ilze Scamparini e Daniela Arbex sejam notórias escritoras, não parecia ser aquele o objetivo de trazê-las ao debate. Enquanto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O que Ser Jornalista no Brasil tem a ver com a Bienal do Livro?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28296" aria-describedby="caption-attachment-28296" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-28296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1.png" alt="" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/1-1-1200x675.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28296" class="wp-caption-text">A 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo exaltou a democracia brasileira ao possibilitar um painel que discutiu a importância do livre exercício jornalístico (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Nathália Mendes </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No segundo sábado da </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cf-CIbUFTOb/"><span style="font-weight: 400;">26ª Bienal Internacional do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, dia 9 de julho de 2022, em São Paulo, três mulheres foram convidadas para falar no painel </span><i><span style="font-weight: 400;">Ser Jornalista no Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda que Miriam Leitão, Ilze Scamparini e Daniela Arbex sejam notórias escritoras, não parecia ser aquele o objetivo de trazê-las ao debate. Enquanto apresentavam seus formidáveis projetos no mundo dos livros, centenas de olhos e ouvidos aguardavam atentamente por outra discussão: por que diabos suas profissões jornalísticas tinham ganho destaque numa das maiores feiras literárias da América Latina?</span></p>
<p><span id="more-28293"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa não é uma pergunta simples de responder. Muito pelo contrário, é mais fácil, a princípio, conhecer os livros que trouxeram as três jornalistas até a Bienal. Ilze Scamparini veio direto da Itália, onde é correspondente da Globo há mais de 20 anos, para divulgar seu romance </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/10108940/"><i><span style="font-weight: 400;">Atirem direto no meu coração</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021). Segundo ela, a narrativa é “</span><i><span style="font-weight: 400;">livremente inspirada</span></i><span style="font-weight: 400;">” em fatos reais, ou seja, numa outra história que, de fato aconteceu, mas nunca havia recebido o olhar de alguém que quisesse entendê-la e levá-la para o mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já Daniela falou do recém-lançado </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/literatura/daniela-arbex-narra-em-livro-a-tragedia-humana-ocorrida-em-brumadinho"><i><span style="font-weight: 400;">Arrastados</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), que conta o desastre ambiental de Brumadinho. Aproveitou, ainda, para dar um </span><i><span style="font-weight: 400;">spoiler</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/boate-kiss-netflix-anuncia-serie-ficcional-sobre-a-tragedia-em-2023,85081a5e7a8a2a9d369b0bd815776d5ffswhcndu.html"><span style="font-weight: 400;">futura série</span></a><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">inspirada em seu próprio livro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gWz9B1XdVs8"><i><span style="font-weight: 400;">Todo Dia a Mesma Noite: A História Não Contada da Boate Kiss</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018). Enquanto isso, Miriam trouxe justamente o emblemático cenário político brasileiro que ameaça a democracia &#8211; e o Jornalismo. Em </span><a href="https://portalimprensa.com.br/noticias/entrevista+da+semana/84666/miriam+leitao+a+democracia+brasileira+esta+sendo+agredida+e+o+agressor+e+o+presidente"><i><span style="font-weight: 400;">A democracia na armadilha: Crônicas do Desgoverno</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021), há uma reunião de textos produzidos durante seis anos por ela, formando uma visão histórica a partir do trabalho jornalístico.</span></p>
<figure id="attachment_28297" aria-describedby="caption-attachment-28297" style="width: 1448px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28297" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3.jpg" alt="" width="1448" height="916" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3.jpg 1448w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-800x506.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-1024x648.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-768x486.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/3-1200x759.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28297" class="wp-caption-text">Série da Netflix sobre a tragédia da Boate Kiss narrada por Daniela Arbex tem previsão de estreia para 2023 (Foto: Bienal do Livro de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E o que, então, é notável que essas obras têm para merecerem estar na Bienal Internacional do Livro? Respondo: As histórias que contam são difíceis e dolorosas, distantes da pura ficção que parte do misterioso imaginário de um escritor. Para além de abordarem duras realidades, elas próprias falam do que é ser jornalista, e essa característica não é simples de ser notada. Da mesma forma, é difícil enxergar o motivo disso ser tão necessário para a sociedade brasileira neste momento. Mas, a </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2022/07/09/leitores-lotam-a-bienal-do-livro-em-sao-paulo-no-ultimo-fim-de-semana-do-evento.ghtml"><span style="font-weight: 400;">multidão que lotou</span></a><span style="font-weight: 400;"> a Arena Cultural precisava &#8211; com urgência &#8211; de uma resposta. Uma que gritasse ainda mais alto a necessidade desesperadora, angustiante e desconsolada de defender a existência do Jornalismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Esquecer é negar a História</span></i><span style="font-weight: 400;">”, respondeu </span><a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/"><span style="font-weight: 400;">Daniela Arbex</span></a><span style="font-weight: 400;"> no painel. E, com isso, apontou duas coisas: a primeira é que nós parecemos sofrer de amnésia instantânea. Isso se dá por termos uma História contada às claras? De jeito nenhum. Ser jornalista no Brasil é enfrentar, justamente, o péssimo hábito que temos &#8211; e cultivamos &#8211; de </span><a href="https://blogfca.pucminas.br/colab/narrativa-em-disputa-estudiosos-criticam-exaltacao-do-golpe-de-64/"><span style="font-weight: 400;">transformar a tragédia em glória ao longo do tempo</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e esse é um comportamento um tanto quanto complexo, difícil de ser compreendido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda coisa é que o Jornalismo está em crise &#8211; e isso não é um problema de agora, nem só do Brasil. Ilze definiu a perseverança como algo necessário, quase intrínseco, para atuar na profissão em qualquer lugar do mundo. Mais do que isso, ela exemplificou como a crise democrática está entrelaçada com os desafios do trabalho, até em terras tão desenvolvidas e europeias quanto as italianas. Não só os </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/extra/2022/03/22/Ataques-contra-jornalistas-no-Brasil-crescem-22-em-2021"><span style="font-weight: 400;">ataques físicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cibernéticos aos profissionais aumentaram, mas enfrentamos um movimento que busca desacreditar o trabalho. Por isso é tão importante que se compreenda o que é </span><i><span style="font-weight: 400;">Ser Jornalista no Brasil.</span></i></p>
<figure id="attachment_28298" aria-describedby="caption-attachment-28298" style="width: 1448px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-28298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2.jpg" alt="" width="1448" height="832" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2.jpg 1448w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-800x460.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-1024x588.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-768x441.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/2-1200x690.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28298" class="wp-caption-text">Durante o painel, Miriam Leitão falou sobre os ataques que recebe da família do presidente Jair Bolsonaro, destacando que sua luta não é pessoal, e sim de uma mulher jornalista (Foto: Bienal do Livro de São Paulo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande diferença entre a obra de um escritor literário e um jornalista é procurar as histórias sempre no outro, naquilo que já existe e deve ser levado a conhecimento. Esse é um trabalho que as três convidadas fazem com excelência, principalmente Daniela Arbex, que </span><a href="https://midianinja.org/news/esquecer-e-negar-a-historia-daniela-arbex-fala-sobre-colocar-evidencia-historias-que-precisam-ser-contadas/"><span style="font-weight: 400;">adota tal função para si mesma</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ela nomeou a construção que tem feito através de seus livros como parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">“memória coletiva”</span></i><span style="font-weight: 400;"> que falta ao Brasil. Isto é, tudo aquilo que não foi contado, as pessoas que foram marginalizadas e as histórias que foram ignoradas. Construímos ao longo do tempo um ciclo de catástrofes e destruição que nasceram, foram cultivadas e negadas, enfiadas debaixo dos panos da História. Sem revisitar o passado tenebroso que nos fez chegar ao presente, os repetiremos para sempre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção de uma memória coletiva brasileira se daria, então, como Miriam Leitão pontuou: partindo do primeiro rascunho da História produzido por ele mesmo, o Jornalismo. É uma condição de existência &#8211; mas essa é uma opinião minha. Miriam apontou, ainda, a profissão como responsável por “</span><i><span style="font-weight: 400;">olhar para onde o vento está indo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, uma alusão ao seu </span><a href="http://hdl.handle.net/11422/4381"><span style="font-weight: 400;">caráter único de observação</span></a><span style="font-weight: 400;">, de enxergar aquilo e aqueles que mais ninguém consegue. É por isso que as obras dessas mulheres merecem o destaque não só literário, mas por sua função de construção da sociedade ao longo do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você já se perguntou quais são as histórias escolhidas para serem contadas a nós? Ou, até mesmo, se a sua vida está na caixinha do que vai para as próximas gerações? Não queremos conhecer aquilo que nos arrepia a espinha, mas está lá, justamente no mais indigesto, a pulguinha que nos lembra, e relembra, e lembra. Está tudo entrelaçado. </span><a href="https://abraji.org.br/publicacoes/relatorio-monitoramento-de-ataques-a-jornalistas-no-brasil"><span style="font-weight: 400;">Sem a profissão</span></a><span style="font-weight: 400;"> que visita &#8211; e revisita &#8211; aquilo que se deseja esquecer, é impossível existir democracia e liberdade. E, assim, estaríamos fadados ao esquecimento de nós mesmos.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/ser-jornalista-bienal-do-livro-artigo/">O que Ser Jornalista no Brasil tem a ver com a Bienal do Livro?</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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