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	<title>Arquivos Identidade de gênero &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 14:25:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Arthur Caires Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lorde-morre-simbolicamente-em-virgin-so-para-experimentar-a-ressurreicao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição"</span></a></p>
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<figure id="attachment_35434" aria-describedby="caption-attachment-35434" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png" alt="A capa do álbum Virgin é uma imagem de raio-X em tons de azul, mostrando uma pelve humana feminina em posição frontal. No centro da imagem, há um zíper e uma fivela metálica sobrepostos digitalmente à imagem anatômica, além da presença de um DIU (dispositivo intrauterino) visível no útero. A composição evoca temas de feminilidade, exposição e controle do próprio corpo, reforçando o caráter visceral e simbólico do álbum." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35434" class="wp-caption-text">Corpo como território, imagem como manifesto (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz mais dúvidas do que respostas. O corpo pesa, a cabeça gira, e o que era certeza vira </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60788360"><span style="font-weight: 400;">angústia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, há algo de libertador em se permitir esse mergulho: abandonar o automático, a complacência. O caos, quando acolhido, pode ser mais revelador do que qualquer solução conveniente.</span></p>
<p><span id="more-35432"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse lugar entre o instinto e a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2025/06/26/lorde-se-abre-sobre-transtorno-alimentar-em-novo-disco-parte-de-mim-gritava-nao-se-exponha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo álbum de Lorde, habita. Um projeto que soa como um grito íntimo, daqueles que não precisam de plateia, mas que, quando ouvidos, arrepiam. Ao invés de reconstruir uma imagem, a cantora a desmonta por completo. Sem buscar finais felizes ou metáforas rebuscadas, ela entrega um disco cru, tenso e, por isso mesmo, profundamente humano. Não é sobre ser pura, e sim sobre estar viva.</span></p>
<figure id="attachment_35435" aria-describedby="caption-attachment-35435" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, posa parcialmente despida contra um fundo azul suave e etéreo. Seu cabelo escuro está preso em um rabo de cavalo baixo, e ela usa um brinco longo e prateado em formato de espiral. Com os braços dobrados à frente do corpo e os olhos fixos na câmera, sua expressão transmite introspecção, força e uma certa melancolia. A iluminação azulada acentua a atmosfera sensorial e aquática que permeia o conceito visual de Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6.png 1122w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35435" class="wp-caption-text">Lorde se desfaz para renascer do caos e da carne (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após quatro anos de reclusão artística, a neozelandesa retorna em um momento de ruptura e reinvenção pessoal. Desde o lançamento polarizador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – descompassado com as ideias da época –, a artista passou por um período de profunda transformação. O que parecia distanciamento, na verdade, era ebulição interna: ela enfrentou o fim de um relacionamento, reconheceu um transtorno alimentar e passou a explorar com mais fluidez sua identidade de gênero. Não é surpresa, portanto, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">chegue como um trabalho denso e emocionalmente exposto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos estopins criativos dessa nova fase foi sua inesperada participação no remix de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Girl, so confusing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charli XCX. Mais do que uma colaboração no álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa serviu como catalisador de um novo desejo artístico: criar algo eletrônico, dançante e ao mesmo tempo confessional. A influência da britânica paira em </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem estar diretamente nos créditos. Desta vez, Lorde deixou de lado a parceria habitual com Jack Antonoff e escolheu trabalhar com Jim-E Stack – produtor conhecido por colaborações com nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Bon Iver. A troca trouxe consequências diretas para o som do álbum: mais texturizado, dissonante e desprovido do polimento típico do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro indício dessa nova direção surgiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">What Was That</span></i><span style="font-weight: 400;">, single de estreia do álbum. A faixa marcou o reencontro de Lorde com os sintetizadores eletrônicos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas agora com ainda menos controle e mais caos. As letras lembram a franqueza adolescente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, agora reconfigurada por uma maturidade que se expressa por meio de reações quase primitivas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estamos em uma tempestade de areia e isso me nocauteia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A artista faz disso uma exposição sem filtros, pulsante, contraditória e quase animalesca.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lorde - What Was That" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1UpoZpMBM9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar provocativo à primeira vista, o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">está longe de reforçar noções tradicionais de pureza. Lorde deixa isso claro em diversas faixas – em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EV5GGEkavLo&amp;list=RDEV5GGEkavLo&amp;start_radio=1&amp;pp=ygUPY2xlYXJibHVlIGxvcmRloAcB"><i><span style="font-weight: 400;">Clearblue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, ela canta sem rodeios: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentei em você até eu chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A ideia de virgindade aqui é ressignificada: aponta para um estado de descoberta, onde o instinto guia mais do que a razão, e onde o corpo, as emoções e os impulsos são ferramentas de aprendizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa entrega aparece simbolicamente na capa e no encarte do disco, que exibe um raio-X de uma pélvis adornada com zíper, fivela e um DIU. A imagem, desconcertante e direta, sintetiza o espírito do álbum: corpo como território, feminilidade como força bruta. A metáfora visual conversa com a própria fala de Lorde sobre o </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLaoe4izPo5/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">processo criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Este álbum me quebrou e me transformou em uma nova criatura. Tenho orgulho de estar diante de vocês como ela</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lorde - Man Of The Year" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ynrSkSYirB0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por experiência e expressão plena de identidade aparece já na faixa de abertura, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P7xnBdx70GU&amp;list=RDP7xnBdx70GU&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Hammer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela canta “Alguns dias eu sou uma mulher, outros dias eu sou um homem”. Essa fluidez – de gênero, de emoção, de linguagem – atravessa todo o álbum e ganha corpo na belíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Man Of The Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos momentos mais introspectivos e reveladores do projeto, em que Lorde se questiona “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem irá me amar desse jeito?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, de certa forma, o ponto de interseção entre os caminhos que Lorde percorreu ao longo de sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/as-melhores-musicas-de-lorde-segundo-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">discografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;"> a apresentou como uma observadora precoce e cética do mundo ao seu redor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama </span></i><span style="font-weight: 400;">a transformou em cronista das emoções adultas com uma intensidade quase operática e </span><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou encontrar uma espécie de fuga: menos sobre sentir, mais sobre respirar. Porém, foi no quarto disco da cantora que todas essas versões finalmente colidiram – não para formar uma síntese pacífica, mas para abrir espaço ao conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento aparece com força em faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6msW1iM7GFI"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Daughter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0-W6AQ0J1Zc&amp;list=RD0-W6AQ0J1Zc&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, Lorde canta sobre sua relação com a mãe, a poeta Sonja Yelich, e questiona se sua carreira seria, no fundo, a realização dos sonhos maternos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque de pânico só para ser sua filha favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há uma doçura ali, porém também uma exaustão que parece ecoar as pressões invisíveis da performance afetiva. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i><span style="font-weight: 400;">, parente próxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IXwVSUexFyM&amp;pp=ygUJI2xvcmRlZmFu"><i><span style="font-weight: 400;">The Path</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela escancara a desconexão com a própria imagem pública: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu estive no pedestal, mas esta noite eu só quero cair</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ambas, o que emerge é o peso de sustentar papéis – de filha exemplar, de artista bem-sucedida – e a vontade de simplesmente poder ser, mesmo sem forma definida.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35433" aria-describedby="caption-attachment-35433" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, aparece em close-up, vestindo um moletom cinza com capuz puxado sobre a cabeça. Seu cabelo preto está levemente bagunçado pelo vento e seus olhos encaram diretamente a câmera, transmitindo uma expressão séria e vulnerável. O fundo metálico e prateado cria um contraste frio com o tom da sua pele clara, reforçando a estética crua e intimista associada à era Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5.png 1122w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35433" class="wp-caption-text">“Estou orgulhosa e com medo deste álbum, não há onde se esconder” (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova fase, Lorde abandona a postura de quem tem todas as respostas para assumir a dúvida. Aos 28 anos, já distante da adolescente sabe-tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se apresenta mais vulnerável do que nunca. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estou pronta para sentir que não tenho as respostas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara, abrindo um disco que não busca soluções, e sim a liberdade de sentir sem censura. O álbum revela uma artista que não teme mais se perder – e que entende que o </span><a href="https://www.rnz.co.nz/life/music/lorde-s-ride-of-existential-crises-can-finally-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">inacabado</span></a><span style="font-weight: 400;"> também tem valor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aqz3PJFeMRM"><i><span style="font-weight: 400;">If She Could See Me Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se orgulha dessa coragem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nado em águas que afogariam tantas outras</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há beleza no desconforto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, antes de tudo, um retrato de quem escolhe continuar mesmo sem saber o destino. Como escreveu Clarice Lispector em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a personagem Macabéa: “Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Virgin" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/28bHj2enHkHVFLwuWmkwlQ?si=2-W30vZcR3iZwlhzW8SdFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>As Manhãs de Setembro em um país ensinado a odiar minorias</title>
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		<pubDate>Fri, 13 Aug 2021 17:09:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanne Ramos Estamos no país que mais mata transexuais e travestis no mundo. De acordo com um relatório anual publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (ANTRA), o país teve um total de 175 pessoas transexuais assassinadas em 2020. Esse número equivale a uma morte a cada dois dias, de vítimas que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/manhas-de-setembro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "As Manhãs de Setembro em um país ensinado a odiar minorias"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22053" aria-describedby="caption-attachment-22053" style="width: 1279px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22053" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Leide na esquerda, usando uma jaqueta jeans branca, blusa azul e batom vermelho. Seu cabelo está preso e sua expressão é de emoção, olhando para frente. Está sentada de braços cruzados. No meio, o personagem Gersinho, negro, de baixa estatura, usando blusa de frio aberta preta, blusa azul marinho e olhando para frente. Na direita, a personagem Cassandra. Negra, usando um casaco de lã laranja, blusa marrom, óculos e com expressão de emoção, também olhando para a frente. O ambiente é uma sala de aula." width="1279" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1.jpg 1279w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-800x328.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-1024x420.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-768x315.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-1200x493.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22053" class="wp-caption-text">Manhãs de Setembro brinca com a complexidade do conceito de família e emociona com elenco competente (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanne Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos no país que mais mata transexuais e travestis no mundo. De acordo com um </span><a href="https://antrabrasil.files.wordpress.com/2021/01/dossie-trans-2021-29jan2021.pdf"><span style="font-weight: 400;">relatório anual</span></a><span style="font-weight: 400;"> publicado pela Associação Nacional de Travestis e Transexuais do Brasil (</span><a href="https://antrabrasil.org/"><span style="font-weight: 400;">ANTRA</span></a><span style="font-weight: 400;">), o país teve um total de 175 pessoas transexuais assassinadas em 2020. Esse número equivale a uma morte a cada dois dias, de vítimas que eram mulheres trans/travestis, em sua maioria negras, pobres e prostitutas. E não, </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i><span style="font-weight: 400;"> não retrata a realidade de uma estatística, pelo contrário, a série nos permite vivenciar um drama que foge dessas fatalidades, mas sem esconder a dura realidade do que é pertencer a esse recorte num país como o Brasil.</span></p>
<p><span id="more-22050"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Luis Pinheiro e Dainara Toffoli, a série brasileira idealizada por Miguel de Almeida chegou ao catálogo do </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia 25 de junho, </span><a href="https://elle.com.br/cultura/liniker-estreia-como-atriz"><span style="font-weight: 400;">chamando atenção pela protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sua premissa. Liniker conquistou o país com sua voz e suas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=M4s3yTJCcmI&amp;ab_channel=LinikereosCaramelows"><span style="font-weight: 400;">músicas poéticas</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de sua trajetória única. Mas protagonizando algo tão grande? É uma novidade. Talvez a sua primeira vez no ramo </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Há um certo mito de que nem todos os cantores entregam uma boa atuação &#8211; </span><a href="https://observatoriodatv.uol.com.br/critica-de-tv/em-sequencia-importante-fiuk-deixa-a-desejar-em-a-forca-do-querer"><span style="font-weight: 400;">Fiuk que o diga</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, mas esse não foi o caso da artista. Dando vida à Cassandra, Liniker expressa uma realidade que é bem conhecida por muitos e não tanto por outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma temporada única dividida em cinco episódios, somos apresentados à história de Cassandra, transexual, negra, entregadora de aplicativo, aspirante à cantora e, de certa maneira, ranzinza. Logo no início do primeiro capítulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">É Só Por Hoje</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos a sua trajetória da aquisição de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">kitnet </span></i><span style="font-weight: 400;">na cidade de São Paulo. Não é nem preciso dizer que as condições são semelhantes a de um cortiço. Quem já teve a oportunidade de fazer uma passagem pela cidade, consegue notar a semelhança da paleta soturna e fria da obra com o </span><a href="https://www.nossasaopaulo.org.br/2020/01/22/64-das-pessoas-que-moram-em-sao-paulo-afirmam-que-se-pudessem-sairiam-da-cidade/"><span style="font-weight: 400;">local</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde é ambientada.</span></p>
<figure id="attachment_22054" aria-describedby="caption-attachment-22054" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Cassandra usando roupas estampadas e apoiada na varanda. A imagem possui tons dourados. A personagem está situada à direita da foto, olhando para o horizonte." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22054" class="wp-caption-text">O contexto de fundo colabora com o enriquecimento da trama, e a retratação de São Paulo a partir de quem está na base da pirâmide social é quase um soco de realidade (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um sortudo que não foi pego por </span><i><span style="font-weight: 400;">spoilers</span></i><span style="font-weight: 400;"> e caiu de paraquedas na série, a sensação é de que a trama central é a relação de Cassandra com o seu par romântico Ivaldo (interpretado por </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/thomas-aquino-de-boca-a-boca-conta-como-foi-atuar-na-nova-serie-da-netflix-169130/"><span style="font-weight: 400;">Thomas Aquino</span></a><span style="font-weight: 400;">) e os perrengues da vida afetiva de uma mulher transicionada. Mas a história vai além desse tipo de afetividade. O seu núcleo é a relação da nossa protagonista carrancuda com Leide (</span><a href="https://kogut.oglobo.globo.com/noticias-da-tv/critica/noticia/2021/01/karine-teles-atriz-sublime-numa-personagem-irresistivel-em-nova-serie-do-canal-brasil.html"><span style="font-weight: 400;">Karine Teles</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma paquera da vida antes da transição, e Gersinho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gersinho, interpretado pelo estreante Gustavo Coelho, é uma criança de 12 anos que nunca conheceu o pai. Ao mesmo tempo, mora em um carro carcomido com sua mãe Leide, vendedora </span><a href="https://www.metropoles.com/brasil/ambulantes-desafiam-fase-emergencial-e-seguem-nas-ruas-de-sao-paulo"><span style="font-weight: 400;">ambulante</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sem-teto, que, impulsionada pelo desejo do filho, decide ir atrás de Clóvis, o pai do garoto. Esse é o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i><span style="font-weight: 400;">, Clóvis agora é Cassandra, que se vê desesperada ao descobrir que a relação antiga com Leide resultou em um filho que desconhecia até então. Neste momento, é como se pudéssemos enxergar uma placa de negação na testa da personagem. Ela passa por um bom tempo rejeitando o garoto, que numa espécie de pureza, enxerga na pessoa feminina a imagem de seu pai.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O restante da série é de difícil descrição. É incrível o tanto de nuances que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro </span></i><span style="font-weight: 400;">em cinco episódios de 30 minutos cada. Mas alguns fatores são dignos de destaque, começando pela alusão à cantora Vanusa. A homenagem vem desde o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-az59cJi9dE&amp;ab_channel=Jos%C3%A9Almeida"><span style="font-weight: 400;">título da série</span></a><span style="font-weight: 400;">, até a importância dada para a artista, uma explícita inspiração de Cassandra. A narradora “fada madrinha”, uma voz oculta que aconselha &#8211; nem sempre no melhor sentido da coisa &#8211; a protagonista em diversos momentos, é um baita tributo à figura irreverente da musa brasileira que nos deixou em 2020. E as interpretações! Parte da discografia de Vanusa ganham uma roupagem incrível na voz de Liniker e costura diversos momentos em que é possível associar a riqueza lírica com a situação em cena.</span></p>
<figure id="attachment_22055" aria-describedby="caption-attachment-22055" style="width: 1331px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Cassandra está centralizada, sentada e cantando segurando um microfone. Usa roupas pretas. Ao lado esquerdo, o personagem Décio, senhor, branco, tocando instrumentos. O fundo é uma cortina vermelha de teatro." width="1331" height="749" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3.jpg 1331w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22055" class="wp-caption-text">Como um Ode à Vanusa, Liniker honra a artista fazendo o que sabe de melhor: cantar, se equilibrando numa atuação digna (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://revistacrescer.globo.com/Educacao-Comportamento/noticia/2021/01/maternidade-trans-e-resistencia-historias-de-mulheres-que-lutam-diariamente-pelo-direito-da-maternidade.html"><span style="font-weight: 400;">maternidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> é outro norte precioso da obra. Temos Leide, uma mulher que ama o seu filho mas não sabe como ser uma boa mãe e passa toda a sua história entre erros tentando ser a figura materna digna que Gersinho merece. Cassandra, por sua vez, custa a aceitar o pequeno, ainda mais pela criança chamá-la de pai, inocentemente sem conseguir discernir a imagem feminina da convenção de que, se Leide é sua mãe, Cassandra só pode ser o pai. Esse embate da criança carente por aceitação e da protagonista que nega aceitá-la torna tudo menos clichê e previsível, e de certa forma até prazeroso. É satisfatório notar os momentos que o pequeno gênio consegue penetrar a casca dura de Cass. Impossível ninguém se emocionar no momento </span><a href="https://pbs.twimg.com/media/E6TSoGVWYAclxyH?format=jpg&amp;name=medium"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você é muito bonita, pai</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para fechar o ciclo de abordagem familiar, somos também presenteados com algumas estruturas únicas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos apresenta ao casal Aristides (Gero Camilo) e Décio (Paulo Miklos), amigos de Cassandra e que protagonizam momentos memoráveis com Gersinho; à Grazy, colega de escola da estrela mirim, que, de maneira subentendida, é filha de uma garota de programa que confia na esperteza da filha; ao núcleo familiar de Ivaldo, onde sua filha bem resolvida pretende se assumir, chocando o pai com tanta confiança; e por último e não menos importante, também existe a rede afetiva de Cassandra, composta por outras mulheres negras transexuais &#8211; incluindo Pedrita, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y5rY2N1XuLI&amp;ab_channel=LinndaQuebrada"><span style="font-weight: 400;">Linn da Quebrada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_22056" aria-describedby="caption-attachment-22056" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4.jpg" alt="Cena da série “Manhãs de Setembro”. Na imagem, a personagem Pedrita à esquerda usando um top e mini saia com estampas de tigre. Ao seu lado, Cassandra, de regata estampada e short. Ambas estão se movimentando e sorrindo. O cenário é um quarto." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22056" class="wp-caption-text">A série é um dos poucos materiais nacionais que retratam tamanha diversidade em núcleos centrais, que sirva de incentivo para muitas outras (Foto: Amazon Prime Vídeo)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma daquelas séries que <a href="https://personaunesp.com.br/pose-segunda-temporada-critica/">não possui uma única mensagem, mas várias</a>. E se você pisca o olho, acaba perdendo alguma delas. É sobre as possibilidades de família, </span><a href="https://www.brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/25989"><span style="font-weight: 400;">precarização do trabalho</span></a> <span style="font-weight: 400;">e de moradias, pessoas em situação de rua, estratificação social, afetividade e acima de tudo, realidade. São tantos pontos, que alguns com certeza podem ter sido deixados de fora dessa crítica, e a visão de quem assiste pode ser distinta. Mas é isso que caracteriza um trabalho tão subjetivo. O texto foi aberto com a realidade trágica de muitas trans/travestis, mas a produção é preenchida com instantes de risos, tristezas, alegrias e prazeres, mostrando que essa não é, e nem deve ser o único aspecto a ser notado, muito menos, a única possibilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Manhãs de Setembro  | Trailer Oficial | Amazon Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/NoXyFvRjem0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/manhas-de-setembro-critica/">As Manhãs de Setembro em um país ensinado a odiar minorias</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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