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	<title>Arquivos I Saw The TV Glow &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Eu Vi o Brilho da TV! Ou tudo que você podia ser</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Oct 2024 19:00:54 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo A produção da A24, Eu Vi o Brilho da TV (I Saw The TV Glow, no original), longa dirigido e escrito por Jane Schoenbrun, faz parte da seção Perspectiva Internacional na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Na trama, Owen (Justice Smith) é um garoto tímido que faz amizade com Maddy &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/eu-vi-o-brilho-da-tv-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Eu Vi o Brilho da TV! Ou tudo que você podia ser"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34186" aria-describedby="caption-attachment-34186" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34186" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-800x450.png" alt="Cena do filme I Saw The Tv Glow. Na imagem, a versão na infância do personagem Owen está dentro de uma coberta com cores rosa, roxa, branca e azul marinho. O garoto está centralizado, de pé, enquanto outras crianças estão sentadas ao fundo. Owen é um garoto na faixa dos 10 anos, de pele escura, cabelos curtos e crespos em tranças. Ele veste uma camiseta manga longa listrada de azul marinho, verde escuro e branco." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-1-1.png 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34186" class="wp-caption-text">O longa fez parte do Festival Sundance nos Estados Unidos (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><strong>Davi Marcelgo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Eu Vi o Brilho da TV </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">I Saw The TV Glow,</span></i><span style="font-weight: 400;"> no original), longa dirigido e escrito por Jane Schoenbrun, faz parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na trama, Owen (Justice Smith) é um garoto tímido que faz amizade com Maddy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/atypical-4a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Brigette Lundy-Paine</span></a><span style="font-weight: 400;">), uma garota com muita personalidade, que apresenta a ele um programa de televisão sobre duas amigas com uma conexão psíquica. Anos depois, o protagonista  questionará o que é ficção e realidade. Pode parecer que essa história é um suspense, mas, na verdade, é um drama </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-34185"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa TV não só saiu o brilho, como também o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i><span style="font-weight: 400;">, posto que muitos elementos remetem às produções da empresa. Músicas lentas, estética atraente – lembrando </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-as-ondas-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">As Ondas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) – e conversas existencialistas marcam presença no longa. Tematicamente, é um prato cheio para a Geração Z, o público LGBTQIAP+ e apreciadores das novas comédias </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> com protagonistas deslocados de suas realidades, como</span> <a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Lady Bird: A Hora de Voar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Booksmart </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A coloração em </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa </span><i><span style="font-weight: 400;">I Saw The TV Glow</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente charmoso, parecendo uma série da década de 1990, e constroem a narrativa </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> com cores de bandeiras da </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/conheca-as-bandeiras-lgbtqia-e-saiba-seus-significados/"><span style="font-weight: 400;">comunidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"> A história abre mão da linearidade, vai para passado e futuro, é narrado em primeira pessoa e mistura recursos visuais do programa que eles assistem com o mundo real, causando a sensação de confusão de Owen e Maddy, os personagens principais  do longa.</span></p>
<figure id="attachment_34188" aria-describedby="caption-attachment-34188" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-800x428.png" alt="Cena do filme I Saw The Tv Glow. Na imagem, a cantora Phoebe Bridgers está prestes a cantar, cabisbaixa e de olhos fechados, há um microfone na sua frente. Ela é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos claros. A foto toda possui uma luz vermelha. Atrás de Bridgers há membros da banda, desfocados pela imagem." width="800" height="428" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-800x428.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-1024x548.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-768x411.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-1536x822.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3-1200x643.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-3.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34188" class="wp-caption-text">A cantora Phoebe Bridgers faz uma pequena participação no filme (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a câmera estática, usando de planos ora abertos, ora fechados, ou colocando os protagonistas separados ou juntos, a direção de Schoenbrun não é tão marcante. Embora suas cores possam dar uma sensação de autoralidade, o coração do filme é o enredo e seus diálogos, estes com uma excelente interpretação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2023/"><span style="font-weight: 400;">Justice Smith</span></a><span style="font-weight: 400;">, que solta um sorriso volta e meia, como se soubesse que suas falas são ridículas – no sentido mais dramático que um adolescente pode ser. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa história em que a Televisão provoca identificação e de certa forma desconforto para mudar a realidade, existe uma metalinguagem, mas não explícita, nem dentro da história. Quem assiste ao filme tem os mesmos sentimentos que Owen e Maddy, não com uma série televisionada e, sim, com o Cinema. A garota diz que vai “</span><i><span style="font-weight: 400;">morrer se continuar nessa cidade</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e o garoto, morador do </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/viver-em-um-suburbio-americano-461647285"><span style="font-weight: 400;">subúrbio americano</span></a><span style="font-weight: 400;">, experimenta a sensação de ficar e sentir a deterioração do corpo e de um destino – que ele nunca soube verdadeiramente qual era. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pelo menos no Brasil, crescer em uma pequena cidade do interior provoca os mesmos sentimentos, principalmente sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;">, como cita James N. Green em </span><a href="https://adiadorim.org/noticias/2022/12/livro-alem-do-carnaval-sobre-a-cultural-gay-brasileira-vai-virar-serie-documental/"><i><span style="font-weight: 400;">Além do Carnaval</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Para muitos jovens que fugiram do controle e condenação da família, dos parentes e de uma cidade pequena em busca do anonimato das metrópoles</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreve.</span></p>
<figure id="attachment_34187" aria-describedby="caption-attachment-34187" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-800x433.png" alt="Cena do filme I Saw The Tv Glow. Na imagem, as personagens Owen e Maddy estão de costas, num campo de futebol americano. Na frente deles há várias árvores. Eles estão do lado direito e já é noite. O céu parece pintado e há uma lua achatada, com um rosto e língua para fora. Owen veste um vestido longo na cor roxa e Maddy uma jaqueta e calças escuras. Owen é um homem na faixa dos 30 anos, de pele escura e cabelos enrolados e curtos. Maddy é uma mulher na faixa dos 30 anos, de pele clara e cabelos claros na altura do ombro." width="800" height="433" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-800x433.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2-768x416.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/imagem-2.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34187" class="wp-caption-text">A série fictícia do filme é The Pink Opaque (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse </span><i><span style="font-weight: 400;">glow </span></i><span style="font-weight: 400;">perpassa gêneros, faz o masculino querer ser o feminino, criar vínculos com mulheres protagonistas e com </span><a href="https://esqrever.com/2016/09/17/a-importancia-das-referencias-femininas-nos-gays/"><span style="font-weight: 400;">divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, assim como laços de amizade tendem a solidificar através de vivências comuns de gênero e sexualidade. Entretanto, Schoenbrun dá um salto maior e comenta sobre vida adulta e exaustão, invisibilidade e a ausência de brilho em coisas que no passado podiam se confundir com o sol. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Afinal, qual é o destino de uma pessoa LGBTQIAP+? O que foi </span><a href="https://melhoresfilmes.sescsp.org.br/obras-e-personagens-lgbt-desafiam-as-narrativas-convencionais-no-cinema-%EF%BB%BF/#:~:text=Al%C3%A9m%20das%20narrativas%20de%20Me,Mercury%20em%20Bohemian%20Rhapsody%2C%20de"><span style="font-weight: 400;">escrito</span></a><span style="font-weight: 400;">, definido e o que ela pode ser? Cabe a eles decidir e traçar as rotas; fugir de casa, se enterrar, dar um sumiço para então assumir gêneros, histórias malucas sobre poderes psíquicos e um vilão chamado Senhor Melancolia, que tira seu coração e põe em um </span><i><span style="font-weight: 400;">freezer</span></i><span style="font-weight: 400;"> industrial. O enredo não sai do convencional, porém conceitualmente se apodera de um lado mais fantasioso para criar alusões sobre a vivência </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma maneira interessante, principalmente porque cria monstros com maquiagens e </span><i><span style="font-weight: 400;">designs</span></i><span style="font-weight: 400;"> impactantes. A reflexão que fica é a respeito de quais caixas e gêneros a comunidade está pertencendo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe uma parcela que vai assistir </span><a href="https://screenrant.com/i-saw-the-tv-glow-filming-locations-explained/"><i><span style="font-weight: 400;">I Saw The TV Glow</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e se identificar com a narrativa. No entanto, sem grandes momentos ou grandes inspirações, o filme, assim como seus personagens, poderia ser muito mais, sem medo algum de misturar em um grau maior ficção e realidade, apelando para um lado lúdico. De propósito ou não, o longa parece querer emular para o sentimento de tédio e falta de prazer que Owen sente ao passar trinta anos em sua cidade – mas veja só, apenas passou 100 minutos.</span></p>
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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/eu-vi-o-brilho-da-tv-critica/">Eu Vi o Brilho da TV! Ou tudo que você podia ser</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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