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	<title>Arquivos Hugo Prata &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Marginal Alado, os dias de luta e glória de Chorão ganham um lugar ao Sol</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Sep 2021 17:41:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner “O Chorão era tipo uma carreta, com um monte de problema que ele ia carregando, está ligado? De várias pessoas, assim. Nessa carreta, velho, cheia de problema, eu não sei se sobrava espaço para os dele, velho”. A declaração de Glauco Veloso, a quem o músico ajudou a ser liberto da prisão, resume &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chorao-marginal-alado-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Marginal Alado, os dias de luta e glória de Chorão ganham um lugar ao Sol"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22722" aria-describedby="caption-attachment-22722" style="width: 680px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-22722" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-1.jpg" alt="Foto de Chorão. Ele, um homem branco, cruza os braços enquanto exibe as suas tatuagens. Uma delas escreve “marginal alado”, nome do documentário sobre sua vida." width="680" height="453" /><figcaption id="caption-attachment-22722" class="wp-caption-text">“O fato de eu ter tatuado em mim, no meu braço, “marginal”, não quer dizer que eu sou um marginal que faz várias fitas, que assalta os outros, não. Quer dizer que eu estou à margem de muita coisa que eu acho que é hipócrita, que é mentirosa”, disse Chorão <a href="https://www.youtube.com/watch?v=XkKymOan9M4">durante um show</a> (Foto: Roberto Selton)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“O Chorão era tipo uma carreta, com um monte de problema que ele ia carregando, está ligado? De várias pessoas, assim. Nessa carreta, velho, cheia de problema, eu não sei se sobrava espaço para os dele, velho”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A declaração de </span><a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2013/03/ele-falava-que-queria-morrer-diz-amigo-skatista-de-chorao.html"><span style="font-weight: 400;">Glauco Veloso</span></a><span style="font-weight: 400;">, a quem o músico ajudou a ser liberto da prisão, resume a narrativa sobre os dias de luta e glória do vocalista da banda Charlie Brown Jr., presente no documentário </span><a href="https://www.uai.com.br/app/noticia/cinema/2021/04/14/noticias-cinema,271222/chorao-marginal-alado-ocupa-o-primeiro-lugar-nas-plataformas-digitais.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esse tipo de apelo emocional faz o espectador desconsiderar os defeitos técnicos da direção de </span><a href="https://www.radiorock.com.br/2021/04/08/exclusivo-conversamos-com-felipe-novaes-diretor-do-filme-chorao-marginal-alado-que-estreia-nesta-quinta-feira/"><span style="font-weight: 400;">Felipe Novaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, que acabou se perdendo na riqueza dos arquivos pessoais disponibilizados pela equipe de Alexandre Magno Abrão.</span></p>
<p><span id="more-22721"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história do cantor e de seu grupo de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional é contada de maneira confusa até mesmo para os familiarizados com a trajetória do </span><a href="https://www.omelete.com.br/melhores-musicas-discos/chorao-charlie-brown-jr-10-musicas-marcaram-geracao#26"><span style="font-weight: 400;">Charlie Brown Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou seja, grande parte dos brasileiros nascidos nos anos 90 e 2000. Entre as entrevistas excepcionais com personalidades da música, amigos próximos, membros da família e do CBjr, a participação do baixista </span><a href="https://epipoca.com.br/ultima-entrevista-de-champignon-antes-de-morrer-foi-uma-das-mais-importantes-do-documentario-chorao-marginal-alado/"><span style="font-weight: 400;">Champignon</span></a><span style="font-weight: 400;"> se destaca.</span></p>
<figure id="attachment_22723" aria-describedby="caption-attachment-22723" style="width: 599px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-22723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-2.jpg" alt="Foto de Chorão e Champignon no palco de um show. Ambos os homens são brancos e vestem bonés enquanto se abraçam. Chorão segura um microfone e Champignon estampa um sorriso." width="599" height="351" /><figcaption id="caption-attachment-22723" class="wp-caption-text">Champignon passou seis anos fora do Charlie Brown Jr. pelas desavenças com Chorão e o empresário da banda (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabisbaixo e visivelmente abalado, Champignon, que cometeria </span><a href="https://claudia.abril.com.br/famosos/viuva-de-champignon-do-charlie-brown-jr-fala-sobre-suicidio-com-bial/"><span style="font-weight: 400;">suicídio</span></a><span style="font-weight: 400;"> sete dias depois dessa entrevista, revela um pouco mais sobre a sua relação de amor e ódio com Chorão, morto seis meses antes, por uma overdose. Descoberto quando tocava baixo pelas ruas de Santos, Champs, como era apelidado, entrou para a formação original da banda aos 12 anos. A partir dessa interação, a obra explora a amizade intensa entre essas duas figuras que protagonizaram diversos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ob3voDauEY8"><span style="font-weight: 400;">confrontos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a personalidade forte e a intimidade são os principais focos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i><span style="font-weight: 400;">. Onde a sequência de momentos controversos e descontraídos propõem a dualidade do vocalista, expressada de forma genial pelo relato cômico de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/joao-gordo-relembra-treta-e-porrada-no-escuro-com-chorao-escondi-uma-faca/"><span style="font-weight: 400;">João Gordo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Segundo ele, Alexandre pediu paz após agredi-lo no bastidor de uma premiação. As falas de </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/noticia/2021/04/livro-de-viuva-de-chorao-retrata-o-amor-por-tras-do-idolo.html"><span style="font-weight: 400;">Graziela Gonçalves</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kw-v-obdSzo"><span style="font-weight: 400;">Alexandre Ferreira Lima Abrão</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua ex-esposa e seu filho, também demonstram um lado do músico até então desconhecido pelo público.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Charlie Brown Jr. - Proibida pra Mim (Grazon) (Ao Vivo - Chegou Quem Faltava)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/liUFyz_sXLE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em sua vida particular Chorão escondia a sua </span><a href="https://istoe.com.br/281553_AMOR+DROGAS+E+SOLIDAO/"><span style="font-weight: 400;">dependência química</span></a><span style="font-weight: 400;"> até da própria esposa, o documentário faz diferente. Ainda que Felipe Novaes bagunce a ordem cronológica dos </span><a href="https://revista.cifras.com.br/artigo/chorao-charlie-brown-jr-causa-da-morte"><span style="font-weight: 400;">eventos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levariam ao falecimento, nada impede a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kJ64u-L19No"><span style="font-weight: 400;">comoção</span></a><span style="font-weight: 400;"> causada pelos depoimentos dos convidados e pelas gravações em que o cantor diz estar cansado do sucesso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, como acabar com tudo, quando centenas de famílias são sustentadas pelo trabalho do Charlie Brown Jr.? Não tão complicado demais, mas nem tão simples assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i><span style="font-weight: 400;"> desenvolve a dificuldade do compositor em resolver seus problemas pessoais, principalmente após a morte de seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7bkCLxaurg"><span style="font-weight: 400;">pai</span></a><span style="font-weight: 400;">. Uma equipe gigantesca, milhares de fãs e discos vendidos, nada impediu Alexandre Magno Abrão de sofrer uma overdose de cocaína e </span><a href="http://g1.globo.com/sao-paulo/musica/noticia/2013/03/cantor-reclamava-de-solidao-diz-sonia-abrao-prima-de-chorao.html#:~:text=Chor%C3%A3o%2C%20que%20segundo%20ela%20passava,de%20depress%C3%A3o%20muito%20profunda%20mesmo."><span style="font-weight: 400;">morrer sozinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu apartamento no dia 6 de março de 2013.</span></p>
<figure id="attachment_22724" aria-describedby="caption-attachment-22724" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3.jpg" alt="Foto de Chorão de costa para a praia e segurando um skate personalizado com a imagem de uma caveira. Ele, um homem branco, veste uma camisa preta, uma calça jeans azul clara e uma touca xadrez." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/09/Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22724" class="wp-caption-text">Confisco, música de Charlie Brown Jr., integrou a trilha sonora do videogame de skate Tony Hawk’s Pro Skater graças ao movimento dos fãs (Foto: Jerri Rossato Lima)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><i><span style="font-weight: 400;">skate</span></i><span style="font-weight: 400;"> também é uma peça fundamental do legado de Chorão, o que torna perfeita a escolha da filmagem do músico limpando sua </span><a href="https://www.vice.com/pt/article/7xmzbe/chorao-skate-park"><span style="font-weight: 400;">própria pista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a abertura da obra. Essa cena torna explícita a sua conexão com o esporte referenciado em suas tatuagens e, até mesmo, nas </span><a href="https://www.vagalume.com.br/news/2021/07/26/5-musicas-do-charlie-brown-jr-que-celebram-o-skate.html"><span style="font-weight: 400;">músicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do CBjr. O </span><i><span style="font-weight: 400;">skatista</span></i><span style="font-weight: 400;"> que costumava chorar ao errar manobras, se transformou em uma referência para os seus fãs que se recordam dos seus </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/chorao-aconselha-fa-sem-dinheiro-para-comprar-cds-do-charlie-brown-jr-nao-compra-essa-prra-baixa-o-som/"><span style="font-weight: 400;">momentos</span></a><span style="font-weight: 400;"> juntos com carinho.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Chorão: Marginal Alado</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata Alexandre não só como um dos maiores nomes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional, mas também, como o menino que se apresentou pela primeira vez em um bar, quando o vocalista da banda que ali cantava deixou o palco para ir ao banheiro e, ao voltar, se deparou com o público querendo o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6o2aPUYShT4"><span style="font-weight: 400;">Chorão</span></a><span style="font-weight: 400;">. Emocionando e cativando a audiência apesar das falhas técnicas, o documentário narra os problemas vividos pelo músico para além das </span><a href="https://www.ombrelo.com.br/entretenimento/7-composicoes-de-chorao-para-matar-a-saudade-do-charlie-brown-jr/"><span style="font-weight: 400;">letras cheias de reflexões</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Charlie Brown Jr..</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Chorão - Marginal Alado | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1q05D1GO4eo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Reviver Elis é melhor que sonhar</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 15:46:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Reviver Elis é melhor que sonhar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16725" aria-describedby="caption-attachment-16725" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1.jpg" alt="Na imagem Andréia Horta está caracterizada como Elis Regina. Ela está de lado, com a mão esquerda sobre um microfone, o qual encosta na lateral do seu rosto. Sua face está virada para a câmera e ela tem um largo sorriso estampado, olhos fechados e os cabelos castanhos escuros cortados bem curtos. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16725" class="wp-caption-text">“Porque liberdade e ar são duas coisas que a gente sente que são essenciais para a vida. Sobretudo quando fazem falta” (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de um dos gêneros musicais mais brasileiros dentre os nascidos em terras tupiniquins não seria diferente, como ilustra a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu retrato da origem da Música Popular Brasileira protagonizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elis Regina. A produção indicada a Melhor Minissérie/Telefilme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Internacional 2020</span></i><span style="font-weight: 400;"> mergulha no cenário efervescente da música nacional entre os anos de 1960 e 1980 ao mesmo tempo em que fragmenta a gaúcha, mãe da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, em muitas mulheres para além da artista.</span></p>
<p><span id="more-16648"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona de um poder vocal inigualável e de canções atemporais, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/10/vida-e-obra-de-elis-regina/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina Carvalho Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> iniciou sua carreira ainda criança em Porto Alegre, mas foi em 1964, aos 19 anos, que atraiu a atenção de importantes empresários do meio artístico da época. É nesse momento da vida da cantora que a minissérie se inicia, contextualizando brevemente o cenário em que o país se encontrava naquele momento: o início do regime militar. Através de depoimentos de jornalistas, recortes de jornais, falas de outros artistas e da própria Elis, a minissérie baseada na vida da artista assume também um caráter documental, que falha em alguns momentos ao ilustrar levianamente a realidade difícil que o país passava na época, mas triunfa em criar um resumo do que foi a música brasileira daquele período. </span></p>
<figure id="attachment_16649" aria-describedby="caption-attachment-16649" style="width: 1381px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972.jpg" alt="Imagem em branco e preto de Elis Regina sorrindo de perfil. Ela tem a mão direita apoiando o rosto e ao fundo a imagem desfocada de uma pessoa." width="1381" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972.jpg 1381w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-1024x667.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-1200x782.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16649" class="wp-caption-text">No dia 22 de Outubro de 2020, o Ballet Stagium apresentou, no projeto Em Casa Com Sesc, o espetáculo &#8220;Sonhos Vividos&#8221; inspirado na música de Elis Regina, ex-aluna da companhia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Destacando a identidade ousada de Elis que conflitava com os gêneros musicais bem-sucedidos na época, a trama pinta a artista com a importância devida: a mãe da Música Popular Brasileira, que na contramão do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> suave da bossa nova dominante naquele tempo, cantava com </span><i><span style="font-weight: 400;">“o coração sangrando”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa divergência de estilos foi inclusive motivo de desentendimento entre a cantora e Tom Jobim e Vinícius de Moraes, &#8216;os donos&#8217; do movimento que é considerado um dos mais influentes da música brasileira, produzindo uma arte que ia de encontro aos ideais desenvolvimentistas e modernos da presidência de Juscelino Kubitschek.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os conflitos que a artista encontrava na época com o cenário musical e do próprio país e a química da cantora com a sua arte são impressos na personagem de Andréia Horta e destacados pela direção de Hugo Prata. Elis não economizava sentimentos e encontrou um povo que clamava por uma cantora de peito aberto. Junto a outros movimentos que já iam numa direção mais denunciante, como o </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-10-09/tropicalia.html"><span style="font-weight: 400;">Tropicalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é que Elis dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando protagonizou o extremamente bem-sucedido programa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=suDRd_sJxbs"><i><span style="font-weight: 400;">Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado de Jair Rodrigues (Ícaro Silva). Mesmo com uma passagem rápida pela série, a dupla revive a química espirituosa que os artistas transbordavam na televisão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sucesso esse que cobrou dela muito trabalho, e ainda reconstituindo as movimentações da música brasileira na época, o roteiro que o diretor escreveu junto de Vera Egito e Luiz Bolognesi relembra todas as vezes que a artista teve de se renovar. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver É Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontua a novidade da década de 60: a Jovem Guarda. O gênero nasceu do encontro da música brasileira com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> provocado por figuras como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa e roubou a atenção das gravadoras e do povo brasileiro, forçando Elis a se reinventar e repensar sua arte e sua carreira.</span></p>
<figure id="attachment_16652" aria-describedby="caption-attachment-16652" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed.jpg" alt="Imagem da série Elis: Viver é melhor que sonhar na qual Andréia Horta, caracterizada como Elis regina aparece de braços abertos cantando em frente a um microfone antigo. Ela usa um vestido que tem a parte de cima em branco e a saia em preto, seus cabelos pretos chegam aos ombros. Ao lado dela, Ícaro Silva está caracterizado como Jair Rodrigues e usa um terno preto. Ele está de perfil com os braços abertos em direção a ela e ao fundo a imagem desfocada do baterista." width="512" height="215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed-300x126.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-16652" class="wp-caption-text">Cinco décadas depois de sua última transmissão, O Fino da Bossa voltou a ser exibido em 2018 na edição especial em comemoração aos 65 anos da Record TV (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando os cenários externos para mergulhar na intimidade da artista, a minissérie nos dá acesso à “Elis mãe” e à “Elis esposa”. Embarcando nos altos e baixos de seu primeiro casamento com o produtor e compositor Ronaldo Bôscoli, entre os anos de 1967 e 1972, conhecemos seu emocional e suas inseguranças ao assumir aquele novo papel. Até ingênua, de certa forma, a Elis de Andréia Horta se mostra muito menos voraz e explosiva do que ela era nos palcos. Se entregando aos vários lados da multifacetada artista é que a atriz nos leva de encontro com as inseguranças e fragilidades de Regina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em meio ao turbilhão de emoções que <em>Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</em> inicia um aprofundamento na realidade externa da bolha que contempla a cantora. Assim como Chico Buarque, Milton Nascimento e Gilberto Gil, Elis também foi alvo de censura por parte do regime militar. Pressionados pela ditadura, muitos artistas e intelectuais brasileiros foram obrigados a se </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/03/17/interna_diversao_arte,743311/artistas-exilados-ha-50-anos.shtml"><span style="font-weight: 400;">exilar fora do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, como única alternativa para evitar a tortura. No caso de Regina, somos puxados para o drama ao qual sua vida é submetida quando ela se vê obrigada a cantar nas Olimpíadas do Exército de 1973, sob ameaça. Os atos de repúdio dirigidos a cantora a condenaram por se submeter ao &#8216;diálogo&#8217; com os militares, mas a série deixa claro como o medo falou mais alto naquela situação e em como ela se sentiu ao perceber que ele havia atropelado seus ideais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após seu </span><a href="https://vermelho.org.br/2011/01/19/sergio-luz-henfil-a-ditadura-e-os-dois-enterros-de-elis-regina/"><span style="font-weight: 400;">enterro simbólico</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenhado pelo cartunista Henfil para o semanário alternativo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se manteve em meio aos holofotes. Temos então, pela primeira vez em <em>Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</em>, o ponto de vista e a opinião do público quanto a cantora. As vaias que invadem o teatro e a abalam completamente se opõem a melodia entoada, e então a perspectiva da trama se altera completamente e migra de vez para o íntimo de Elis. Marcada pelo fim do primeiro casamento e o início da relação da artista com o pianista César Camargo Mariano, a calmaria toma conta da minissérie, que segue sem se preocupar em mostrar devidamente o frenesi que invadia o país. </span></p>
<figure id="attachment_16650" aria-describedby="caption-attachment-16650" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli.jpg" alt="Imagem de Elis regina com seus filhos. Ela está sentada em uma cadeira e segura Maria Rita, ainda pequena, em seu colo. Ao lado dela estão seus dois filhos mais velhos." width="564" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli-300x229.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-16650" class="wp-caption-text">Em entrevista a GZH, Andréia Horta afirmou sobre Elis: “Uma das coisas que mais mexeram com a minha cabeça é essa noção tão clara diante da história dela, de que o corpo, o coração e a vida podem parar a qualquer momento” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A madura e sossegada relação de cumplicidade entre Regina e César ganha ainda mais veracidade graças à sintonia trazida por Andréia e Caco Ciocler. Muito mais do que apenas um casal, podemos sentir e quase tocar aquela amizade pura que é acalentada por melodias como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EIyyFyZtQzE"><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De tão profunda, eles não tem escolha se não se entregarem de vez àquele amor construindo uma nova vida juntos. É a partir de então que a “Elis mãe” volta a aparecer, mas de uma forma bem diferente, mais serena e madura. Somos levados junto a ela em devaneios sobre seu papel como mulher e suas preocupações em fazer uma diferença real no mundo, agora que ela é mãe de </span><a href="http://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sabe dos percalços que sua filha vai enfrentar por conta do gênero. Essa perspectiva passa a dominar outros aspectos de sua vida, como sua carreira e até mesmo sua consciência política. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa direção é que a minissérie volta a pincelar a potência política de Elis, quando chegamos na década de 70 e a ousadia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brillhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa a se acender em seu coração. O </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70098/falso-brilhante"><span style="font-weight: 400;">projeto</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio num outro momento de renovação da carreira da artista, que depois de encarar duras críticas e consequências pelo episódio das Olimpíadas Militares, juntou toda sua coragem para denunciar a situação que o artista brasileiro enfrentava naquele momento. Misturando críticas sociais com a sua própria história, Regina apostou todas as suas fichas ao colocar na estrada um espetáculo circense montado a partir do disco, e Andréa Horta, mais uma vez, imprime a alegria de Elis ao ver o projeto mirabolante se transformando em um sucesso, trazendo de volta sua aura característica enquanto o hino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2qqN4cEpPCw"><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toca ao fundo.</span></p>
<figure id="attachment_16651" aria-describedby="caption-attachment-16651" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3-.jpg" alt="Imagem da série na qual vemos Andréia Horta caracterizada de Elis. Ela está de perfil e veste um blazer preto e uma calça jeans estilo pantalona. Seus cabelos encaracolados estão soltos na altura do ombro e ela dá as mão a atriz Mel Lisboa, caracterizada como Rita Lee. A personagem de Mel está de perfil, tem os cabelos ruivos compridos e veste uma blusa vermelha e branca e uma calça marrom. " width="984" height="546" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3-.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3--300x166.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3--768x426.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16651" class="wp-caption-text">Fica claro na cena em que ela e Rita Lee se encontram que a arte de Elis excede as qualidades musicais para fazer parte de toda uma geração de artistas e mulheres que lutam por seus direitos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar das diversas facetas as quais temos acesso,</span> <i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i> <span style="font-weight: 400;">peca em sua constante necessidade de se apresentar da forma mais polida possível. Sem adentrar a fundo nos vícios em álcool e drogas da cantora e no contexto político em que ela e o país viviam, a série busca ao máximo trazer ao espectador uma Elis idealizada, e portanto, irreal. Os esforços da produção para entregar uma narrativa suavizada e um ambiente estéril alongam o caminho entre o público e a protagonista, que só se conectam graças à interpretação surreal de Andréa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os lapsos de tempo que constroem a minissérie são ao mesmo tempo fluidos e abruptos, edificando uma estrutura episódica que nos leva até o trágico desfecho da vida da cantora. Infelizmente, até mesmo neste momento de caos e emoções exacerbadas, o roteiro se prende a sua polidez. O que por um lado retira a visceralidade da situação &#8211; que poderia ser muito bem empregada ao se ater ao realismo dos fatos &#8211; , por outro acrescenta uma poesia e um romantismo dignos de Shakespeare a conclusão da história.</span></p>
<figure id="attachment_16726" aria-describedby="caption-attachment-16726" style="width: 627px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4.jpg" alt="A imagem em branco e preto mostra Elis Regina cantando com um largo sorriso nos lábios e os olhos fechados. Seu cabelo preto está cortado bem curto e ela segura um microfone com a mão direita, na altura da boca." width="627" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4.jpg 627w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4-300x191.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16726" class="wp-caption-text">A versão longa metragem da minissérie ganhou 8 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2017, entre eles Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz para Andréia Horta (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona quase como um epílogo para a conturbada vida e carreira de Elis Regina. O recorte cintilante e envernizado entregue pela minissérie não cumpre com o acordo de veracidade firmado entre obra e espectador em seu início. A pitada de documentalismo, que é logo substituída pela licença poética, abre margem para que vejamos uma versão utópica, mas igualmente encantadora, da <em>Pimentinha do Brasil</em>, que completaria 75 anos neste ano de 2020. Mas ainda bem que nossa memória de Elis transcende qualquer retrato, se abrigando em cada verso e melodia que são até hoje criados e entoados a partir da influência de sua personalidade artística inesquecível, acendendo nossa lembrança fidedigna da artista que mudou a música brasileira para sempre. </span></p>
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