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	<title>Arquivos Hoyte van Hoytema &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você</title>
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					<description><![CDATA[<p>Leticia Stradiotto Estamos cansados de saber sobre o avanço da influência artificial e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme Ela não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/her-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Mesmo que se passem 10 anos, sempre haverá um pedaço dEla em você"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31646" aria-describedby="caption-attachment-31646" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31646" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo da imagem existem prédios com janelas e algumas luzes acesas, está de noite. No canto direito, tem uma mulher com vestido preto e sapatilha preta, com um cone laranja de trânsito na cabeça. Em sua frente tem um homem de roupa social marrom, com calça preta e sapato preto, também está com um cone laranja de trânsito na cabeça. Ambos estão no meio de uma rua vazia." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-800x432.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1024x553.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-768x414.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1536x829.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1-1200x648.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her1.jpeg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31646" class="wp-caption-text">“Ás vezes eu olho para as pessoas e tento senti-las [&#8230;], imagino o quão profundamente elas se apaixonaram ou por quanto sofrimento elas passaram” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure><b>Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Estamos cansados de saber sobre o </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/261353-ha-10-anos-her-imagivana-futuro-ia-cada-vez-real.htm"><span style="font-weight: 400;">avanço da influência artificial</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus impactos na realidade cotidiana – não soa incomum se apaixonar por alguém que conhecemos através de uma tela virtual. Por mais que pareça a um primeiro olhar, o filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hX09Kz7BAlU"><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não foca na evolução tecnológica e seus efeitos nas interações humanas. De fato, o diretor </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/her-joaquin-phoenix-e-a-ideia-maluca-de-spike-jonze"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> deu vida a um romance entre humanos e máquinas, mas ao finalizar a experiência da obra, é possível notar que esse não é o seu tema principal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) nada mais é do que um retrato subjetivo da solidão, sentimento esse compartilhado por todo e qualquer ser humano.</span></p>
<p><span id="more-31641"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Completando 10 anos de lançamento em 2023, o longa que levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Melhor Roteiro Original em 2014 cutuca aquela ferida dolorosa que, por algum motivo, não consegue cicatrizar: a ausência daquilo que ainda permanece. O enredo se ampara na história do personagem Theodore (Joaquin Phoenix, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), um homem solitário que vive em uma Los Angeles futurista, está na casa dos 40 e lida com a tristeza ocasionada pelo seu divórcio. O emprego de Theo, por si só, também é uma sátira à sua realidade. Ele escreve cartas manuscritas para clientes que desejam enviar mensagens à pessoa amada; assim, fica claro que a sociedade desaprende a se relacionar de forma </span><a href="https://newronio.espm.br/a-nostalgia-futurista-de-her/"><span style="font-weight: 400;">espontânea</span></a><span style="font-weight: 400;">. Logo, a solidão ganha espaço na vida do protagonista quando as suas necessidades não são mais atendidas pela quantidade e qualidade das relações sociais dentro de seu convívio.</span></p>
<figure id="attachment_31645" aria-describedby="caption-attachment-31645" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31645" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg" alt="Cena do filme Ela. Ao fundo existem vários prédios com luzes acesas, está de noite. A frente está o personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos, cabelo marrom e bigode, ele veste uma blusa social vermelha e está olhando para um monitor de computador branco que ilustra uma tela vermelha operando. Essa tela é o sistema operacional, Samantha. O computador está em cima de uma mesa de escritório marrom com vários papéis bagunçados e canetas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31645" class="wp-caption-text">“É difícil, com certeza, mas existe algo tão bom em compartilhar sua vida com alguém” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Claro, como seres humanos, precisamos de um ambiente social seguro para sobreviver. De maneira simples, após seu divórcio, Theodore se envolve emocionalmente com um sistema operacional chamado Samantha (com a voz de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2013/11/scarlett-johansson-recebe-premio-de-melhor-atriz-por-sua-voz-em-her.html"><span style="font-weight: 400;">Scarlett Johansson</span></a><span style="font-weight: 400;">), que tem a habilidade de desenvolver </span><a href="https://blog.hsm.com.br/o-que-o-filme-her-pode-nos-ensinar/"><span style="font-weight: 400;">personalidade e consciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de acordo com seu tempo de uso. Essa inteligência artificial também experimenta o florescimento de emoções humanas. No entanto, ela tem a capacidade de se relacionar com milhares de indivíduos simultaneamente, o que amplia suas possibilidades de se apaixonar. Quando questionada sobre a quantidade de pessoas que ela ama, Samantha menciona que está ‘amando’ 641 pessoas ao mesmo tempo, incluindo Theo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A paleta de cores é um elemento visual fundamental que contribui significativamente para a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pnk06an1upg"><span style="font-weight: 400;">atmosfera e as emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. Com a predominância de cores quentes, mas também em tons pastéis, são evocadas sensações de conforto e familiaridade em meio a um </span><a href="https://virgula.me/tvecinema/spike-jonze-mistura-romantismo-e-modernidade-em-seu-novo-filme-her/"><span style="font-weight: 400;">cenário tecnologicamente avançado</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os ângulos da câmera realizados pelo diretor de fotografia  Hoyte van Hoytema também são escolhidos cuidadosamente para destacar a solidão de Theodore. Muitas vezes, ele é enquadrado no centro da tela, destacando mais ainda a dimensão de seu isolamento perante os outros personagens da trama.</span></p>
<figure id="attachment_31644" aria-describedby="caption-attachment-31644" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31644" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her3.png" alt="Cena do filme Ela, em que o protagonista Theodore está olhando fixamente para frente, ele é um homem branco de cabelo marrom, bigode, olhos azuis e usa óculos redondos." width="740" height="401" /><figcaption id="caption-attachment-31644" class="wp-caption-text">A atmosfera imagética tem predominância de cores quentes, quase nunca utilizando o azul, o que garante proximidade dos sentimentos do personagem ao telespectador (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> martela um constante questionamento: o quão verdadeiramente estamos sozinhos? As pessoas deixam marcas em nós, quase como tatuagens emocionais que nunca desaparecem. Como ao fim em que Theo, em contrapartida com seu emprego de escrever mensagens de amor para desconhecidos, expressa em uma carta para sua ex-esposa Catherine (Rooney Mara, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">): &#8220;</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dkGJRAFvw_Q"><i><span style="font-weight: 400;">Haverá um pedaço de você em mim, sempre</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8220;. É quase impossível se relacionar com alguém e não carregar consigo algum </span><a href="https://bemditojor.com/a-ficcao-do-amor-em-her/"><span style="font-weight: 400;">vestígio</span></a><span style="font-weight: 400;"> de amor, alegria ou mesmo mágoa. O que arde é o processo de aceitação desses tantos resquícios permanentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas cicatrizes emocionais e resquícios de relacionamentos passados são representados de maneira poderosa no longa. Apesar de Theodore estar incomodado com a lembrança de um casamento fracassado, ele não consegue superar os vestígios dessa relação. O protagonista acaba tentando preencher o desconforto com distrações e gratificações momentâneas, como seu </span><a href="https://cinema.uol.com.br/noticias/efe/2013/10/13/joaquin-phoenix-se-apaixona-por-sistema-de-computador-no-filme-her.htm"><span style="font-weight: 400;">relacionamento com Samantha</span></a><span style="font-weight: 400;">, que oferece um refúgio temporário para a solidão.</span></p>
<figure id="attachment_31643" aria-describedby="caption-attachment-31643" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31643" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her4.jpg" alt="Cena do filme Ela. Os personagens de Theodore e sua melhor amiga estão em um terraço de costas observando a cidade com muitos prédios com algumas luzes acesas em um fim de tarde com cores predominantes azuis." width="750" height="392" /><figcaption id="caption-attachment-31643" class="wp-caption-text">É um privilégio viver tendo a experiência e a sorte de encontrar um amor verdadeiro – mesmo que ele não seja para sempre (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, não tem como fugir da realidade – ela está presente e explode constantemente na alma do personagem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> insiste em recordar o quão frágeis e medrosos ainda somos quando temos que lidar com as próprias emoções de maneira real: Theo se perde em prazeres efêmeros ao invés de enfrentar o doloroso processo de aceitação, e isso fica claro quando o protagonista rememora lembranças da paixão em seu casamento. Logo, ele descobre que relacionamentos superficiais não podem preencher o vazio deixado por quem já sentiu o que é o amor. E que o mesmo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FEqBwKvBtnA"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> jamais será sentido novamente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa realização, porém, não é motivo para desesperança. Ele compreende que teve a sorte de conhecer de perto o que é amar e, embora nunca possa reviver o amor que compartilhou com sua ex-parceira, ainda existe a possibilidade de encontrar outros amores em sua jornada. Amizades e novos relacionamentos também podem ser significativos de maneiras diferentes dentro da imensidão desse sentimento, e enquanto estiver nesse momento breve que é a vida, ele deve </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oU3D-iybwm8"><span style="font-weight: 400;">permitir-se sentir a felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31642" aria-describedby="caption-attachment-31642" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31642" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg" alt="Cena do filme Ela. O personagem principal, Theodore, um homem branco de óculos redondos, cabelo marrom e bigode está olhando para seu reflexo na janela do metrô que tem predominância de tons claros com um leve sorriso." width="800" height="434" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-800x434.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-1024x556.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5-768x417.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/her5.jpg 1172w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31642" class="wp-caption-text">“O passado é apenas uma história que contamos a nós mesmos” (Foto: Annapurna Pictures)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo após uma década de seu lançamento, mantém uma relevância notável por ressoar profundamente com os sentimentos mais </span><a href="https://canaltech.com.br/cinema/critica-ela-162476/"><span style="font-weight: 400;">intrínsecos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida humana. A obra é um lembrete atemporal de que, apesar de todas as mudanças externas em nosso mundo, as questões essenciais da vida e da humanidade ainda são muito pertinentes para a compreensão da racionalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme captura de forma sensível a busca universal pela conexão e pelo significado nas relações humanas e nos relembra que, apesar dos avanços tecnológicos, nossa necessidade de amar, compreender e pertencer permanece inalterada. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ela</span></i><span style="font-weight: 400;"> instiga uma reflexão sobre o que realmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v5IjF_vxsS8"><span style="font-weight: 400;">significa ser humano</span></a><span style="font-weight: 400;"> e como as complexas emoções, desafios e alegrias que experimentamos nas relações ainda são tão relevantes hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra transcende as expectativas convencionais sobre a relação entre humanos e tecnologia, afinal, estamos todos familiarizados com a crescente influência da inteligência artificial em nossas vidas diárias. Contudo, </span><a href="https://pordentrodatela.com.br/o-diversificado-cinema-de-spike-jonze/"><span style="font-weight: 400;">Spike Jonze</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos conduz a uma jornada emocional profunda que vai muito além do mero avanço tecnológico. </span><i><span style="font-weight: 400;">Her</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, acima de tudo, um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0uKfhchqKvI"><span style="font-weight: 400;">espelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nossas próprias solidões e anseios, um retrato sincero do humanismo que reside em todos nós. No desfecho do filme, a pergunta fundamental de Jonze não parece mais ser se as máquinas podem um dia amar, mas sim se elas poderão ser </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VAuXLu0gRwg"><span style="font-weight: 400;">mais capazes </span></a><span style="font-weight: 400;">de amar do que um ser humano.</span></p>
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		<title>Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Jan 2023 20:02:22 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Nos mais de 120 anos do Cinema, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nao-nao-olhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Não! Não Olhe! e o terror do desconhecido (que achamos que conhecemos)"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29604" aria-describedby="caption-attachment-29604" style="width: 1913px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29604 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela, vemos o personagem interpretado por Steven Yeun. Ele é um homem asiático de cabelos pretos. Ele veste um terno vermelho com detalhes bordados, uma camisa branca e uma gravata minimalista preta. Em sua bochecha,no lado esquerdo há um microfone. Ele olha para cima. Ao fundo, um chão de terra, típico de deserto americano. No lado esquerdo da imagem, é possível ver a extremidade de um tanque de acrílico." width="1913" height="867" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1.jpg 1913w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1024x464.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-768x348.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1536x696.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-1-1200x544.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29604" class="wp-caption-text">Jordan Peele começou sua carreira com esquetes de Comédia e, sempre que possível, traz esses elementos para suas obras (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos mais de </span><a href="http://m.estadao.com.br/tudo-sobre/120-anos-do-cinema"><span style="font-weight: 400;">120 anos do Cinema</span></a><span style="font-weight: 400;">, é natural que, uma hora ou outra, ideias se esgotem, seja pela saturação ou pelas fórmulas estabelecidas. É a partir daí que os gêneros nascem, com o intuito de guardar em caixas histórias que têm algo em comum. Filmes de ação, geralmente, são construídos sob a sombra dos brucutus com armas nas mãos, contra tudo e contra todos; romances, em sua maioria, são melodramáticos; biografias, quase sempre, endeusam os biografados; aventuras abusam da jornada do herói, e por aí vai. Em uma Arte tão vasta, o difícil é sair da homogeneidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o gênero que encontre mais dificuldade para escapar do ‘mais do mesmo’ seja o de </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> com extraterrestres. Muito porque, antes mesmo dele chegar de vez no Cinema, o tema já estava amplamente estabelecido na cultura popular, principalmente a norte-americana. Quando chegou às telas, o subgênero já vinha como um ponto fora da curva, a exemplo de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/icontatos-imediatos-do-terceiro-graui"><i><span style="font-weight: 400;">Contatos Imediatos do Terceiro Grau</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1977), </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/critica/filme/6896/marte-ataca"><i><span style="font-weight: 400;">Marte Ataca!</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996)</span><i><span style="font-weight: 400;">, Alien: O Oitavo Passageiro </span></i><span style="font-weight: 400;">(1979), </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-et/"><i><span style="font-weight: 400;">E.T. O Extraterrestre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1982), </span><i><span style="font-weight: 400;">Sinais </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002) ou, até mesmo, o recente </span><i><span style="font-weight: 400;">Distrito 9 </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009). Essa seara que, graças a originalidade, criou seu próprio conceito, merecia ser retrabalhada por uma das mentes mais originais da atualidade, e é isso que Jordan Peele busca com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou, aqui no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!.</span></i></p>
<p><span id="more-29603"></span></p>
<figure id="attachment_29605" aria-describedby="caption-attachment-29605" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29605 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg" alt="Cena de Não! Não Olhe! Nela temos o personagem principal OJ, interpretado pelo ator Daniel Kaluuya. Ele é um homem negro, veste uma camisa cinza e um boné na cor verde com um detalhe bordado na frente. Ele segura uma luva nas cores preto e amarelo com a boca. Ao fundo, um pouco de vegetação rasteira e uma cadeia de montanhas" width="1920" height="872" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-800x363.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1024x465.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-768x349.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1536x698.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-2-1200x545.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29605" class="wp-caption-text">Em sua segunda colaboração, Daniel Kaluuya já virou um queridinho do diretor (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A história gira em torno de um rancho que cria cavalos para serem usados na indústria do entretenimento, seja em filmes, clipes ou peças publicitárias. Após a morte do patriarca da família, depois de ser atingido por uma moeda que, misteriosamente, é arremessada do céu, seus filhos descobrem que aquele entorno do deserto rural californiano é habitado por um </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-62246921"><span style="font-weight: 400;">OVNI</span></a><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de uma premissa bem </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">spielbergiana, quase que um encontro entre Peele e Steven Spielberg, e de fato esse talvez seja o filme mais comercialmente aclamado da curta filmografia do diretor. Porém, com o cineasta sendo um dos mais famosos expoentes do simbolismo e da crítica social, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">é muito mais do que isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de símbolos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe! </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma crítica à indústria, estando ele inserido nela. O diretor e roteirista abusa da </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><span style="font-weight: 400;">sociedade do espetáculo</span></a><span style="font-weight: 400;"> para além daquela base teórica, pois aqui, de certa forma, quebra a quarta parede para analisá-la dos dois lados, e mesmo indo para o lado dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, também rompe com eles. Esse tipo de narrativa (mal) acostumou o espectador a ter todas as respostas, mas o filme não está nem um pouco preocupado em ser explicativo. Isso faz com que a obra seja a mais divisiva de Peele, visto que funciona de forma muito coesa como conjunto de simbolismos, mas não consegue os amarrar à trama, algo que </span><a href="https://personaunesp.com.br/corra-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Corra!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017) conseguiu. Dessa forma, a experiência, para ser melhor aproveitada, precisa sair das telas, numa espécie de paranoia conspiratória típica da temática.</span></p>
<figure id="attachment_29609" aria-describedby="caption-attachment-29609" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29609 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela vemos duas mãos. A do lado direito da imagem, é a de um chimpanzé e está toda ensanguentada. Do lado esquerdo, uma mão infantil. As duas estão fechadas, no intuito de se comprimentarem. Elas estão embaixo de uma mesa e a mão do macaco está passando por uma toalha de mesa na cor amarela" width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29609" class="wp-caption-text">Para tecer suas críticas, Nope usa de exemplos reais da cultura americana (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É em </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, nesse extenso amálgama de conceitos, Jordan Peele mais brinca e está livre, ao destrinchar essas interpretações em várias vertentes. Isso é um prato cheio para o mercado de </span><a href="https://www.youtube.com/results?search_query=nope+final+explicado"><span style="font-weight: 400;">finais explicados</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">YouTube</span></i><span style="font-weight: 400;"> e faz com que o debate seja tão vasto como o universo inexplorado. Por essa razão, cada um que assiste o longa pode tirar suas próprias conclusões, em um cenário de diálogo cada vez mais escasso em uma Hollywood enlatada, fazendo com que tal conjuntura seja extremamente benéfica para o próprio Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, as várias interpretações apontam para um mesmo céu: o entretenimento é a nova forma de opressão de minorias, o que faz com que essa violência vire um produto da sociedade capitalista, mas Peele não deixa de inserir a crítica racial na trama. Assim como </span><a href="https://personaunesp.com.br/us-jordan-peele-critica-2019/"><i><span style="font-weight: 400;">Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós, </span></i><span style="font-weight: 400;">2019), a obra também se inicia com uma passagem bíblica; dessa vez, Naum 3:6: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu jogarei imundice sobre você, a tratarei com desprezo e te tornarei um espetáculo</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Impossível não notar que a frase é essencialmente um resumo de Hollywood e da indústria do entretenimento &#8211; basta lembrar a relação de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2017/02/dez-anos-do-colapso-de-britney-spears-relembre-os-momentos-mais-polemicos.shtml"><span style="font-weight: 400;">Britney Spears</span></a></span><span style="font-weight: 400;"> com os </span><i><span style="font-weight: 400;">paparazzis</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou como os magnatas do Cinema trataram </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-06-27/a-ascensao-queda-e-ressurreicao-de-brendan-fraser-o-heroi-de-hollywood-dos-anos-90.html"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, além de ser, basicamente, todo o </span><i><span style="font-weight: 400;">plot </span></i><span style="font-weight: 400;">da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cena do massacre do </span><a href="https://pipocasclub.com.br/2022/08/24/nao-nao-olhe-o-ataque-de-gordy-e-baseado-em-uma-historia-real/"><span style="font-weight: 400;">chimpanzé Gordy</span></a><span style="font-weight: 400;">, toda a situação é esquecida pelo jovem ator do seriado noventista a partir do momento em que, sobrenaturalmente, o sapato para em pé, evidenciando como ficamos cegos para a barbárie que é a sociedade quando estamos comandados pelo instinto da curiosidade. Negamos o quão brutal foi uma tragédia a partir do momento que procuramos imagens dela. As próprias aparências do ‘OVNI’ retornam a essas formas de repressão. Primeiramente, ele lembra um chapéu de </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy</span></i><span style="font-weight: 400;">, que oprimiu o povo nativo daquela região e, em seguida, seu aparelho digestivo remete justamente a uma câmera de cinema.</span></p>
<figure id="attachment_29606" aria-describedby="caption-attachment-29606" style="width: 1801px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29606 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, vemos a personagem Emerald, interpretada por Keke Palmer. Ela é uma mulher negra, de cabelos médios cacheados. Ela veste uma camiseta verde e está em cima de uma moto. Em seu pescoço, uma faixa amarela com os dizeres “CRIME SCENE DO NOT CROSS”. A moto está deslizando de lado e faz uma poeira no chão de terra. Ao fundo, cenário de velho oeste, de um parque infantil " width="1801" height="839" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4.jpg 1801w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-800x373.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1024x477.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-768x358.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1536x716.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-4-1200x559.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29606" class="wp-caption-text">Amante do Cinema e da cultura nerd, Jordan Peele abusa de referências que vão desde Escorpião Rei até Akira (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não pense que Jordan Peele é hipócrita em sua crítica. Pelo contrário: ele usa a obra como um todo para fazer um </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/midia-e-poder-na-sociedade-do-espetaculo/"><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme. </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dividido em cinco capítulos: </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghost</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Clover</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Gordy</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Jean Jacket</span></i><span style="font-weight: 400;">. Três deles são os nomes dos cavalos oferecidos à ameaça, seguido pelo nome do chimpanzé morto após o surto; o último é o apelido que os personagens dão ao monstro, ou seja, cinco produtos que foram comidos e cuspidos por algum predador, seja ele literal ou metafórico. A questão é que todas essas cinco divisões são feitas nos mesmos moldes que o letreiro inicial do longa, colocando ele mesmo como esse primeiro produto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, a obra é muito mais que suas discussões, considerando que ela não viria tão forte se não fosse bem estruturada. O grande chamariz é o roteiro de Jordan Peele. Além de ambientar o subtexto de forma muito coesa, ele é certeiro ao </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">subverter</span></a><span style="font-weight: 400;"> o gênero. O </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que gira em torno da nave espacial não ter nenhum </span><i><span style="font-weight: 400;">alien,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas, ela sim, ser o próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">alien &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, além de ser inteligente por quebrar a expectativa apontando para um ponto micro e desconhecido quando, na verdade, ela já está no macro e não a percebemos (pois fomos condicionados a pensar do jeito que o filme quer que pensemos), coloca a obra em um pedestal único quando se fala nessa seara de histórias. O mais surpreendente é que todos esses pontos são tocados através de um roteiro simples, mas extremamente bem pensado.</span></p>
<figure id="attachment_29608" aria-describedby="caption-attachment-29608" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29608 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o personagem interpretado por Michael Wincott. Ele é um homem branco, de meia idade, com barba e cabelos grisalhos. Em sua frente, há uma câmera analógica na cor preta. Ele segura um walkie-talkie na altura da boca. Ele está sobre uma tenda no deserto americano." width="2560" height="1143" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-800x357.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1024x457.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-768x343.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1536x686.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-2048x914.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-5-1200x536.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29608" class="wp-caption-text">Com muita metalinguagem, Nope também é um filme sobre fazer filmes (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal escrita só poderia ser regida da forma certa com uma boa direção. Aqui, a decisão de Peele de só ter em sua filmografia filmes nos quais ele também escreve se prova, apesar de conservadora, extremamente acertada. Ele sabe conduzir cenas de suspense como ninguém e, na ambientação, até o marasmo do céu se torna assustador nas mãos dele, cujos aspectos técnicos convergem na criação de mundo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de som de </span><a href="https://open.spotify.com/artist/6LtPIflWxgyOxlKciQDgB4"><span style="font-weight: 400;">Johnnie Burn</span></a><span style="font-weight: 400;"> é impecável e consegue amplificar a ameaça do monstro sem abusar de rugidos, somente com o silêncio e o som do vento. Já a fotografia de </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/08/21/nao-nao-olhe-novo-filme-de-jordan-peele-subverte-classicos-do-cinema-americano-e-traz-elementos-da-historia-negra.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Hoyte van Hoytema</span></a></span><span style="font-weight: 400;">, aliada com o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> de produção de Ruth De Jong e o figurino de Alex Bovaird, criam uma atmosfera única e colorida, que às vezes parece até fantástica para o monocromático deserto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco também faz jus ao texto. Ele foi tão bem desenvolvido que apenas cinco personagens conseguem carregar as duas horas do longa sem cansar. Daniel Kaluuya e Steven Yeun repetem a parceria com Peele, o primeiro pelo excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Corra! </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017) </span><span style="font-weight: 400;">e o segundo pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://cinepop.com.br/alem-da-imaginacao-do-pior-ao-melhor-ranqueamos-a-1a-temporada-da-serie-264700/"><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Kaluuya mais uma vez entrega uma atuação primorosa, que vai crescendo com o passar do filme, e Yeun entende que seu papel é bagunçar a trama e faz isso de forma muito consciente. Mas quem rouba a cena é Keke Palmer (</span><i><span style="font-weight: 400;">Lightyear</span></i><span style="font-weight: 400;">) com a expansiva e comunicativa Emerald, que chama todos os holofotes para si e dá conta do recado. São adicionados a eles, também, Brandon Perea (</span><a href="https://ligadoemserie.com.br/2016/12/critica-por-que-the-oa-foi-uma-das-melhores-series-do-ano/"><i><span style="font-weight: 400;">The OA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que funciona como um alívio cômico muito pontual, e Michael Wincott (</span><a href="https://spdm.org.br/noticias/dica-cultural/o-escafandro-e-a-borboleta-a-historia-real-da-sindrome-do-encarceramento/"><i><span style="font-weight: 400;">O Escafandro e a Borboleta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), com sua presença em cena inconfundível.</span></p>
<figure id="attachment_29607" aria-describedby="caption-attachment-29607" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29607 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg" alt="Cena do filme Não! Não Olhe! Nela, temos o alienígena Jean Jacket em destaque. Ele tem o formato clássico de uma nave espacial, que se trata de uma espécie de círculo gigante e cinza com um círculo menor na parte de baixo, o que seria sua boca. Ele está perseguindo OJ, que está sobre um cavalo com um moletom laranja. OJ está pequeno devido ao tamanho do alien. No deserto, há cercas pretas dos lados direito e esquerdo. Também há vários bonecos de posto parcialmente inflados, nas cores vermelho, rosa, verde, amarelo e azul." width="1400" height="689" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-800x394.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1024x504.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-768x378.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/01/Nope-Imagem-6-1200x591.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29607" class="wp-caption-text">Chegando nas premiações mais enfraquecido que os últimos projetos do diretor, o filme vem correndo por fora com indicações ao People’s Choice Awards, Los Angeles Film Critics e New York Film Critics; esse último, com vitória de Keke Palmer como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Universal Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Extremamente bem pensado, inteligente, audacioso e subversivo, </span><span style="text-decoration: underline;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=In8fuzj3gck&amp;ab_channel=UniversalPictures"><i><span style="font-weight: 400;">Não! Não Olhe!</span></i></a></span> <span style="font-weight: 400;">é a empreitada mais original do Terror, no ano em que o gênero se provou com muita originalidade. A obra sabe trabalhar com o desconhecido no momento em que ela evidencia que tal desconhecido vai muito além do que conhecemos. Jordan Peele entende o papel do Cinema ao fazer com que a experiência cinematográfica ultrapasse as telas, sem a presunção e pedância de um ‘filme para refletir’, pois coloca o espectador para pensar &#8211; e essa talvez seja a parte mais empolgante da jornada &#8211; sem abrir mão da diversão que é assistir ao longa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez </span><i><span style="font-weight: 400;">Nope </span></i><span style="font-weight: 400;">não seja tão grandioso quanto os projetos anteriores de seu idealizador e isso também vale discussões, mas não por seus deméritos, e sim pelo diretor ser um viciado em acertar. Num futuro, ele pode cair na própria crítica e ser consumido e cuspido pela indústria, mas esquecido? Jamais. Pois essa pequena e significativa constelação da qual Peele construiu sua história nas telas sempre irá brilhar no Cinema.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Não! Não Olhe! | Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/77mwLBQ9XxQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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