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	<title>Arquivos História Real &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>NYAD nada contra a corrente</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 21:16:20 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Uma travessia de 180 km, Annette Bening e Jodie Foster, a soma equaliza uma das maiores produções inspiradas em histórias da vida real dos últimos anos: NYAD. A trama lançada pela Netflix em 2023 traz um combo de veracidade, suspense e uma atuação de primeira, com um equilíbrio bastante acertado. Dirigido por Jimmy &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nyad-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "NYAD nada contra a corrente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32687" aria-describedby="caption-attachment-32687" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32687" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad1-fgzj-superJumbo.jpg 2048w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32687" class="wp-caption-text">Inspirado na história real da nadadora Diana Nyad, NYAD encontra abrigo em vencer à contragosto (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma travessia de 180 km, <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/annette-bening-indicada-ao-oscar-agradece-apoio-dos-fas-indignados/">Annette Bening</a> e Jodie Foster, a soma equaliza uma das maiores produções inspiradas em histórias da vida real dos últimos anos: </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama lançada pela</span><i><span style="font-weight: 400;"> Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2023 traz um combo de veracidade, suspense e uma atuação de primeira, com um equilíbrio bastante acertado. Dirigido por Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi, o longa-metragem mixa tons de persistência e uma ousadia quase negligente.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme conta a história da nadadora <a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/a-controversa-historia-real-por-tras-do-filme-nyad-da-netflix/mobile">Diana Nyad</a> (Annette Bening) que, aos 60 anos, vai em busca de refazer um feito que tentou aos 28: atravessar o oceano de Cuba até a Flórida nadando. O sonho que já parecia completamente insano na juventude, quando a protagonista persistiu por 42 horas no trajeto com uma gaiola de tubarão, mas não conseguiu aguentar, agora soa impossível. No entanto, quebrar as regras do lógico é uma das características desta história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><span id="more-32679"></span></p>
<figure id="attachment_32684" aria-describedby="caption-attachment-32684" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-32684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nyad-credito-Kimberley-French-netflix.jpg-1.jpg" alt="" width="720" height="440" /><figcaption id="caption-attachment-32684" class="wp-caption-text">“Diga-me, o que você planeja fazer com sua única, selvagem e preciosa vida?” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão de correr riscos não se limita a Nyad enquanto pessoa ou personagem, mas também é compartilhada pelas escolhas de roteiro do longa. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> decidem seguir por um caminho que poderia dar completamente errado, já que juntam cenas da <a href="https://youtu.be/hkViDuTs8fo?si=XzuTds6JG9w1XCJp">verdadeira</a> nadadora quando estava na casa dos 20 anos com a atuação impecável de Bening a interpretando na terceira idade. Em uma completa imprevisibilidade, o recurso funciona perfeitamente bem. As duas definitivamente são uma e não há como questionar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O movimento entrega quem está por trás do enredo, que tem como nomes responsáveis o de <a href="https://youtu.be/C2gvwFE5_1k?si=EmCVqN-AiNrWirSN">Julia Cox</a> e o da própria Diana Nyad. Assim, percebemos o motivo da narrativa tratar tudo com tantos detalhes e conseguir levar a atleta para a tela em literalidade. Sobra também a sensação de que assistir a produção é uma experiência entre invadir os bastidores de um dos maiores feitos da história do Esporte e ver </span><i><span style="font-weight: 400;">flashs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de um documentário bem embasado. </span></p>
<figure id="attachment_32692" aria-describedby="caption-attachment-32692" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-32692 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Nyad2.jpg 960w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32692" class="wp-caption-text">NYAD é baseado na autobiografia de Diana Nyad, Find a Way (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma jornada como a de </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD</span></i><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser feita em papel solo e aí entra a presença de <a href="https://recortelirico.com.br/2023/sabrinasantos/nyad/">Bonnie Stoll</a> (Jodie Foster). A treinadora e a nadadora são sublimes juntas, completamente capazes de encantar os espectadores mais exigentes. O companheirismo, a cumplicidade e a comicidade na relação entre as duas são completamente intoxicantes – na melhor das versões do termo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica um lembrete de que a atuação de <a href="https://www.termometrooscar.com/cinema-eacute-tudo-isso---blog/os-5-motivos-que-darao-o-oscar-2024-de-melhor-atriz-coadjuvante-para-jodie-foster-por-nyad">Foster</a> é totalmente acertada. Ela passeia entre ser dura, como são as treinadoras, e emocionada, como são as amigas, resultando em alguém que se compara a quem está do lado de fora. Ao apoiar a protagonista nessa aventura ‘fora da caixinha’, há o cumprimento do ideal de que, sim, podemos fazer qualquer coisa. Entretanto, também sobra preocupação e uma jornada de desespero e medo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É essa dualidade que talvez cause o maior dos incômodos ao assistir o filme. Por um lado, é muito inspirador ver uma mulher que aos 60 anos não desistiu do seu sonho, luta por ele e o conquista. Por outro, é extremamente agoniante testemunhar a jornada de alguém que simplesmente se joga aos tubarões por uma conquista que, talvez, nem seja tão relevante quando você já foi uma das maiores de sua <a href="https://correnteza.substack.com/p/as-mares-da-vida">época</a>.</span></p>
<figure id="attachment_32695" aria-describedby="caption-attachment-32695" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32695 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/equipe-nyad-e1700850769621-1.jpeg" alt="" width="600" height="399" /><figcaption id="caption-attachment-32695" class="wp-caption-text">NYAD foi exibido no 48° Festival de Toronto (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dos pesares, </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD </span></i><span style="font-weight: 400;">vem do real e não cabe a nós questionar um sonho. Ainda mais quando ele resulta em uma história que já é incrível fora do audiovisual e, dificilmente, se tornaria menos interessante no vídeo. É claro que o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2024 também não discorda e a obra concorre nas duas categorias femininas de atuação, com Jodie Foster indicada a Melhor Atriz Coadjuvante e Annette Bening a Melhor Atriz. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">As atrizes também foram notadas por outras premiações de peso, como o <a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/">Globo de Ouro</a>, nas categorias Melhor Atriz em Filme de Drama e Melhor Atriz Coadjuvante. Afinal, elas de fato merecem ser reconhecidas, já que encarnaram suas personagens. Além disso, a produção concorre como Melhor Filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">GLAAD Media Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, que acontece no dia 14 de Março de 2024, pouco após a cerimônia do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> no dia 10. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/3anCgVSQb3Q?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim, não existem dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">NYAD</span></i><span style="font-weight: 400;"> vale mais que a pena. Do dinamismo ao <a href="https://personaunesp.com.br/oppenheimer-critica/">suspense</a>, tudo é bem feito o suficiente para merecer uma apreciação com direito a pipoca e ‘gritinhos’ de incentivo a Nyad como se aquilo estivesse acontecendo ao vivo. Também é o tipo de história que com certeza precisa ser conhecida e não há nada melhor do que fazer isso por meio de uma boa produção audiovisual. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Por aqui não costumamos datar os textos, mas seria impossível a crítica sobre uma grande mulher sair no dia oito de Março e não lembrar do Dia Internacional das Mulheres. Diana Nyad é gigante, apesar das <a href="https://www.historyvshollywood.com/reelfaces/nyad/">controvérsias</a>, e é sempre um prazer assistir obras que contemplam figuras femininas donas de si e, com certeza, representam essa data com destreza. Nem a fúria de um oceano conseguiu parar uma mulher determinada, porque na narrativa de quem se escreve, não existem obstáculos capazes de impedir a vitória. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Aug 2021 21:30:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Livremente inspirada no livro-reportagem Holocausto Brasileiro de Daniela Arbex, Colônia é a nova aposta do Canal Brasil. A série produzida e dirigida por André Ristum é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Colônia: a tocante releitura de Holocausto Brasileiro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22379" aria-describedby="caption-attachment-22379" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22379" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem os personagens Gilberto e Eliza centralizados entre outras duas figuras que estão desfocadas nos cantos. Todos usam a camisola cinza do hospício e tem aparência cansada, a imagem está em preto e branco. " width="1200" height="650" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-800x433.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-1024x555.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-1-2-2-768x416.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22379" class="wp-caption-text">Colônia foi lançada no dia 25 de junho e está disponível na plataforma Globoplay (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Livremente inspirada no livro-reportagem </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-holocausto-brasileiro-de-daniela-arbex/"><i><span style="font-weight: 400;">Holocausto Brasileiro</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Daniela Arbex, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a nova aposta do </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série produzida e dirigida por </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/colonia-andre-ristum-entrevista"><span style="font-weight: 400;">André Ristum</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um retrato sensível sobre o hospício em Barbacena, Minas Gerais, que vitimou mais de 60 mil pessoas no último século. Dividida em 10 episódios, a produção explora personagens ficcionais que reconstroem o horror vivido pelos internos do </span><a href="https://memoria.ebc.com.br/cidadania/2015/08/mais-de-60-mil-pessoas-morreram-no-maior-manicomio-do-brasil"><span style="font-weight: 400;">maior manicômio do país</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-22378"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um vagão de carga escuro e sem ventilação leva os “doidos” para um destino cruel. Jogados no assoalho, alguns vomitam, urinam, gritam ou choram – ninguém entra ali e volta a ser como era antes. O </span><i><span style="font-weight: 400;">frame </span></i><span style="font-weight: 400;">remete à forma como os </span><a href="https://amp.dw.com/pt-br/h%C3%A1-75-anos-come%C3%A7avam-as-deporta%C3%A7%C3%B5es-de-judeus-para-os-campos-nazistas/a-36078857"><span style="font-weight: 400;">judeus</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram encaminhados aos campos de concentração, e o aspecto degradante e impiedoso animaliza cada figura presente na cena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama nos convida a enxergar pelos olhos de Elisa (Fernanda Marques), uma jovem que foi colocada naquele vagão a mando do próprio pai como castigo por ter engravidado do namorado e recusado se casar com um homem 40 anos mais velho. Desorientada, ela pensa ter sido alvo de um engano, já que seu diagnóstico de esquizofrenia era falso, mas logo percebe que ninguém ia para o Colônia por engano.</span></p>
<figure id="attachment_22380" aria-describedby="caption-attachment-22380" style="width: 645px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-2-2-1.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na fotografia a personagem Valeska está sentada em uma das camas do hospício, a personagem veste a camisola cinza e a imagem é em preto e branco. " width="645" height="388" /><figcaption id="caption-attachment-22380" class="wp-caption-text">Andréia Horta contou que parte do processo de preparação para a série consistia em fazer limpezas no ambiente das gravações (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na verdade, os internos eram escolhidos a dedo. O prédio descuidado era um depósito de internações injustificadas, a maioria não tinha nenhum problema psiquiátrico, apenas era mais cômodo para os conservadores da sociedade taxá-los de doidos e mantê-los longe de vista. Gilberto (Arlindo Lopes) foi mandado para o hospício por ser </span><a href="https://danielaarbex.com.br/serie-colonia-minha-mae-quer-que-eles-me-curem/"><span style="font-weight: 400;">gay</span></a><span style="font-weight: 400;">; Raimundo (Bukassa Kabengele), um alcoólatra; Valeska (<a href="https://heloisatolipan.com.br/tv/andreia-horta-vive-prostituta-em-colonia-limpava-um-comodo-inteiro-com-um-pano-e-um-balde-com-agua-suja/">Andréia Horta</a>), uma prostituta apaixonada pelo prefeito de Barbacena, e Wanda (Rejane Faria) tinha uma história muito parecida com a de Elisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não serem protagonistas, os arcos dos personagens são super bem desenvolvidos, pois os pacientes se tornam a ponte de apoio um do outro e impedem que a loucura de viver naquele lugar os consuma completamente. Em certos momentos, as conversas e sorrisos soltos que eles compartilham amenizam o clima acinzentado.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A interpretação de </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/magazine/uma-trajetoria-de-solidez-1.1473244"><span style="font-weight: 400;">Rejane Faria</span></a><span style="font-weight: 400;"> constrói a representação mais marcante da série. Wanda já estava aprisionada no Colônia há quase 30 anos, internada pelo patrão por estar grávida e com seu filho arrancado de seus braços dentro daquele edifício frio, ainda sim seu olhar é capaz de transmitir uma serenidade reconfortante. A personagem ajuda Elisa a não tomar decisões precipitadas e é o ponto de paz da protagonista ao longo da trama. As duas criam um laço praticamente maternal que torna impossível não gostar de como as atuações se complementam. </span></p>
<p><figure id="attachment_22381" aria-describedby="caption-attachment-22381" style="width: 790px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg" alt="Cena da série Colônia. Na imagem aparecem as personagens Wanda e Elisa sentadas em uma cama, ambas vestem a camisola cinza da internação e a fotografia é em preto e branco. " width="790" height="474" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2.jpg 790w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Imagem-3-4-2-768x461.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22381" class="wp-caption-text">À esquerda Wania (Rejane Faria) e à direita Elisa (Fernanda Marques) [Foto: Globoplay]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Dentro do Colônia, a rotina fazia questão de tirar qualquer traço de humanidade de quem sobrevivia lá. Os internos passavam fome, frio, eram torturados, dopados e até levados para sessões de eletrochoque que, muitas vezes, deixavam sequelas permanentes. Os funcionários do hospício não ouviam opiniões e a direção não se preocupava com quantos iriam morrer, afinal, nenhum deles tinha alguém que se importasse e era fácil se livrar dos corpos como objetos de </span><a href="https://tribunademinas.com.br/noticias/cidade/22-11-2011/comercio-da-morte-so-parou-na-decada-de-80.html"><span style="font-weight: 400;">pesquisa em Universidades</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das críticas visíveis aos comportamentos machistas e racistas da época, </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de incluir o período da </span><a href="https://www.politize.com.br/ditadura-militar-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;"> nesses desabafos. Como a produção se ambienta na década de 70, parte dos rejeitados levados para o hospício eram opositores do governo autoritário da época. Um trato entre os militares e a coordenação do hospital permitia que alguns protestantes recebessem um destino diferente da morte e fossem levados para o hospital como punição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa também nos entrega reflexões sobre a ética médica com o confronto interno do médico da instituição, que se sente encurralado pela frustração de tantos anos de contribuição com o sistema. E com a enfermeira Laura, interpretada pela atriz Naruna Costa, que ainda vive com a esperança de fazer do Colônia um hospital que cuidasse dos pacientes com seriedade – esse desejo de mudança faz com que ela colabore com Elisa e Wanda ao longo dos episódios. </span></p>
<figure id="attachment_22382" aria-describedby="caption-attachment-22382" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22382" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png" alt="Imagem da série Colônia. Na fotografia aparecem os personagens Natalia, Eduardo e Ivan sentados no porta malas de um carro. Ivan é careca, tem pele clara e usa óculos, camiseta escura e calça jeans. Eduardo é um homem negro e usa camisa de botões branca estampada com uma calça de tom claro. Natalia é branca e tem cabelos médios e castanhos, suas roupas não aparecem na imagem." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/Colonia-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22382" class="wp-caption-text">“Apesar de você, amanhã há de ser outro dia” (Foto: Globoplay)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia é um dos pontos que se destacam, as cenas foram produzidas em preto e branco e isso carrega toda uma genialidade, já que o peso daquelas paredes não poderia ser representado com cores. A trilha sonora e a locação escolhida como cenário também somam os tons sombrios e dramáticos de que a trama precisa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Títulos nacionais, como </span><a href="https://diariodorio.com/critica-os-ultimos-dias-de-gilda/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Últimos Dias de Gilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/amazon-prime-video/criticas/manhas-de-setembro-critica-primeira-temporada"><i><span style="font-weight: 400;">Manhãs de Setembro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=f-WR_Tugips"><i><span style="font-weight: 400;">Onde Está Meu Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, têm chamado atenção e trazido a esperança de mais reconhecimento para o audiovisual brasileiro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia </span></i><span style="font-weight: 400;">não fica de fora dessa lista e facilmente poderia ser classificada como um dos melhores lançamentos de 2021. Tudo é ambientado de forma coerente, com trabalhos de atuação impecáveis que emocionam pelos detalhes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Colônia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais que uma produção audiovisual, é um alerta para a questão da valorização da saúde mental e para o cuidado com os </span><a href="https://estanciabelavista.org.br/saude-mental-e-direitos-humanos-do-debate-a-implementacao/"><span style="font-weight: 400;">direitos humanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Brasil. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">script </span></i><span style="font-weight: 400;">sensível e delicado remonta com louvor o marco histórico de uma tragédia brasileira muitas vezes esquecida.</span></p>
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