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	<title>Arquivos heteronormatividade &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Essencial de Perigosas Sapatas é uma colher de chá para a solidão lésbica</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Jun 2023 13:32:40 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Cegatti Por que estamos lutando por um pedaço de torta se a torta está podre?  &#8211; Alison Bechdel O desastre de Chernobyl, a guerra Irã-Iraque e o corte mullet foram alguns episódios hediondos que fizeram dos anos 1980 um período inesquecível para o mundo. No entanto, o posto de maior atrocidade da década foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-essencial-de-perigosas-sapatas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Essencial de Perigosas Sapatas é uma colher de chá para a solidão lésbica"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31167" aria-describedby="caption-attachment-31167" style="width: 2235px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31167" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa.jpg" alt="Capa do livro O Essencial de Perigosas Sapatas. Fundo amarelo na parte superior e fundo rosa mais abaixo. Na parte superior, está o título do livro com “O Essencial de” escrito em preto e “Perigosas Sapatas” escrito em vinho. Abaixo do título, à esquerda, está o escrito “Da autora de Fun Home” na cor preta, e, à direita está escrito o nome da autora “Alison Bechdel” na cor preta. Ao centro, em destaque, aparecem Mo e sua namorada. Mo é uma mulher branca, jovem, tem cabelo curto e castanho, usa óculos redondos, está usando uma blusa listrada em preto e branco e uma calça jeans azul. Ela está com as mãos nos glúteos de sua namorada, que aparece de costas. A namorada de Mo é uma mulher branca, jovem, tem cabelo curto e loiro, usa óculos redondos, está usando uma blusa marrom de gola alta e uma calça branca. Do lado esquerdo da capa, está o escrito “Estrelando” em preto, seguido por 3 círculos, um embaixo do outro. Em cada círculo, há uma ilustração de uma personagem e seu respectivo nome. Na coluna do lado esquerdo, estão as personagens Toni, Harriet e Clarice. Na coluna do lado direito, estão as personagens Lois, Ginger e Sparrow. No canto inferior esquerdo, há a logo da editora Todavia." width="2235" height="2560" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa.jpg 2235w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-698x800.jpg 698w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-894x1024.jpg 894w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-768x880.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-1-capa-1341x1536.jpg 1341w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31167" class="wp-caption-text">O Essencial de Perigosas Sapatas apalpa regiões sensíveis do patriarcado (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Cegatti</b></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Por que estamos lutando por um pedaço de torta se a torta está podre?</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> &#8211; Alison Bechdel</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O desastre de Chernobyl, a guerra Irã-Iraque e o corte </span><i><span style="font-weight: 400;">mullet </span></i><span style="font-weight: 400;">foram alguns episódios hediondos que fizeram dos anos 1980 um período inesquecível para o mundo. No entanto, o posto de maior atrocidade da década foi designado à </span><a href="https://www.hypeness.com.br/2019/04/criadora-diz-que-teste-de-bechdel-era-apenas-uma-piada-sumiria-se-nao-fossem-as-feministas-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">Alison Bechdel</span></a><span style="font-weight: 400;">, cartunista estadunidense que ousou ganhar as páginas dos jornais com tirinhas sobre uma ameaça maior do que qualquer explosão nuclear: lésbicas. Em uma singela homenagem, a editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia </span></i><span style="font-weight: 400;">publica uma coletânea, traduzida por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kovEVpNLU_c"><span style="font-weight: 400;">Carol Bensimon</span></a><span style="font-weight: 400;">, das principais histórias da série </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;">, cuja essência está em um grupo de amigas lésbicas praticando atos tenebrosos tais como trabalhar e lavar a louça. No fim, elas são perigosas para quem?</span></p>
<p><span id="more-31164"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo de 40 anos, as tirinhas de Bechdel alugaram um espaço significativo tanto nas folhas impressas, quanto nas cabeças conservadoras que engoliram em seco os aperitivos da autora. Esta, por sua vez, também é o nome por trás de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-fun-home/"><i><span style="font-weight: 400;">Fun Home</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma autobiografia vencedora do prêmio </span><a href="https://www.comic-con.org/awards/eisner-awards-current-info"><span style="font-weight: 400;">Eisner</span></a><span style="font-weight: 400;"> e adaptada aos palcos da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gputc-vy_zg"><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Apesar dessas conquistas memoráveis, o legado de Alison Bechdel não começa em estatuetas nem termina quando as cortinas do teatro se fecham. Enquanto a maioria das pessoas encantava-se com HQs sobre homens mascarados com um bíceps relativamente grande, Bechdel era vista como figura materna, ou melhor, como uma </span><a href="https://lithub.com/on-finding-a-hero-in-alison-bechdel/"><span style="font-weight: 400;">heroína</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem capa por garotas lésbicas.</span></p>
<figure id="attachment_31168" aria-describedby="caption-attachment-31168" style="width: 4764px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-31168 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-2.jpg" alt="Foto de Alison Bechdel ao lado de uma ilustração autoral. No lado esquerdo da imagem, está um desenho de uma mulher de costas, com cabelo curto preto e um top preto. No lado direito da imagem, está Alison Bechdel, uma mulher branca adulta. Ela tem cabelo curto preto, está usando uma camisa azul e está com a mão direita levantada tocando na tela na qual está o desenho." width="4764" height="2974" /><figcaption id="caption-attachment-31168" class="wp-caption-text">Alison Bechdel usa, com propriedade, fontes da própria cabeça para escrever suas histórias (Foto: John D. &amp; Catherine T. Macarthur Foundation)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sabe-se que, em tempos recentes, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OEWXa5bSFuE"><span style="font-weight: 400;">cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está tentando abraçar a letra L, seja mostrando beijos homoafetivos de suma irrelevância, como em </span><a href="https://variety.com/2019/film/news/star-wars-gay-kiss-lgbtq-representation-hollywood-rise-of-skywalker-1203449661/"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou esbanjando lésbicas brancas de </span><a href="https://medium.com/@guzinskilaura/o-apagamento-da-bandeira-l%C3%A9sbica-e-a-cria%C3%A7%C3%A3o-de-novas-bandeiras-79d3d4ddf747"><span style="font-weight: 400;">batom</span></a><span style="font-weight: 400;"> em histórias medíocres. Héteros, gays ou bissexuais podem até tentar, mas nunca entenderão, de fato, o sentimento tão vazio quanto intenso de ver uma paixão se esvaindo pela inevitável priorização de um homem e o medo instintivo de ficar sozinha e ser, consequentemente, esquecida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de parecer óbvio, é preciso reiterar que não há ninguém melhor para retratar uma mulher lésbica do que uma mulher lésbica. Dessa forma, Alison Bechdel honra a </span><a href="https://www.matinaljornalismo.com.br/parentese/quadrinhos-em-revista/alison-bechdel-uma-jornada-em-torno-do-eu/"><span style="font-weight: 400;">própria realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e coloca nada além de puro amor em cada uma das personagens, talvez com um propósito empático de resgatar um amor que nunca recebeu. A autora transforma as protagonistas Mo, Toni, Harriet, Clarice, Louis, Ginger e Sparrow em companhias propositalmente imperfeitas diante da solidão imposta à </span><a href="https://periodicos.uff.br/revistagenero/article/download/30947/18036/106213"><span style="font-weight: 400;">mulher lésbica</span></a><span style="font-weight: 400;">, que não tem o luxo de errar, ou melhor, ser bagunçada e perigosa.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/BNKOdSkjXzo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/BNKOdSkjXzo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by @alisonbechdel</a></p>
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</blockquote>
<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As personagens de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Essencial de Perigosas Sapatas</span></i><span style="font-weight: 400;"> são verdadeiras agentes do caos. Embora não soltem teia pela mão ou saibam voar, elas são capazes de algo ainda mais impressionante: beijar mulheres. De fato, não é um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2k7TsDwL5qk"><span style="font-weight: 400;">superpoder</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas é um </span><a href="https://youtu.be/L0oeqAQ1qE8?t=75"><span style="font-weight: 400;">ato revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> cuja desenvoltura é atravessada por um eterno conflito entre o pessoal e o político. É nesse caminho contrastante e tortuoso pelo qual a protagonista Mo investiga suas facetas e as expõe de forma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=g7TWm2CPZCo"><span style="font-weight: 400;">íntima</span></a><span style="font-weight: 400;"> e genuína, de tal modo que os rabiscos e as palavras parecem ganhar vida a fim de acolher as leitoras lésbicas em uma forma da obra de dizer: “eu te entendo”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No imaginário tradicional, o significado de revolução jamais recairia sobre uma mulher de óculos redondos desesperada por atos carnais. Além disso, o que as pessoas veriam de tão </span><a href="https://monografias.ufma.br/jspui/bitstream/123456789/6092/1/BrendaCarolineSantosdaSilva.pdf"><span style="font-weight: 400;">inspirador</span></a><span style="font-weight: 400;"> nessa mesma mulher cujo nome poderia ser facilmente dado a um animal de estimação? Mo não nasceu para cumprir um propósito divino de emancipação lésbica, ou seja, ela não é uma figura inalcançável ou idealizada. Aliás, a graça está na possibilidade de encontrá-la fora das páginas, seja na famosa </span><a href="https://miscelaneaecia.com.br/bares-lgbt-vila-madalena/"><span style="font-weight: 400;">Vila Madalena</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou em algum bar de esquina interiorano. Afinal, existem muitas Mos mundo afora esperando por uma chance de serem vistas, ouvidas e lidas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande desafio de Mo em </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas </span></i><span style="font-weight: 400;">não envolve um ato descomunal físico ou político, mas </span><a href="https://vitralizado.com/hq/papo-com-alison-bechdel-autora-de-o-segredo-da-forca-sobre-humana-o-bem-individual-e-o-bem-coletivo/"><span style="font-weight: 400;">pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. A protagonista faz questão de expressar sua intelectualidade e consegue articular explicações para qualquer evento </span><a href="https://elle.com.br/materia/o-essencial-de-perigosas-sapatas-traz-o-melhor-das-tiras-de-alison-bechdel"><span style="font-weight: 400;">geopolítico</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, ela se desespera ao perceber que seu pragmatismo não passa de uma cortina de fumaça para um medo colossal do incontrolável: ter sentimentos. Assim, sua jornada é pautada pelo conflito entre conhecimento e ingenuidade, de tal modo que, eventualmente, a militante abaixa a guarda e consegue perceber o quão belo é se deixar levar pelo inexplicável.</span></p>
<figure id="attachment_31166" aria-describedby="caption-attachment-31166" style="width: 1098px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31166" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4.png" alt=" Ilustração da personagem Mo. Mo é uma mulher que tem cabelo curto, usa óculos redondos e uma blusa listrada. Ela está com uma expressão de confusão, com a sobrancelha direita levantada, olhos arregalados e a boca retraída." width="1098" height="645" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4.png 1098w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4-800x470.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4-1024x602.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-4-768x451.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31166" class="wp-caption-text">Mo não sabe diferenciar um encontro de um jantar entre amigas, mas mesmo assim se arrisca nas construções de intimidade (Arte: Alison Bechdel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Do começo ao fim, o grupo protagonista não cede à imparcialidade patética da esfera sociopolítica. Verdade seja dita: é um mundo muito pequeno para as palavras “lésbica” e “imparcial” coexistirem. Querendo ou não, o lema </span><a href="https://www.queridoclassico.com/2023/02/um-teto-todo-seu-virginia-woolf.html"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1960, “</span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/07/05/cultura/1562337766_757567.html"><i><span style="font-weight: 400;">o pessoal é político</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”,</span> <span style="font-weight: 400;">é uma aberração que nunca deixou de assombrar o indivíduo cujo rótulo só pode ser um: frouxo. Em suma, a autenticidade carregada por cada uma das personagens faz da obra uma bagunça linda demais para ser arrumada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante de representações miseráveis da letra L na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas </span></i><span style="font-weight: 400;">é um respiro, ainda que sua complexa doçura deixe qualquer um sem ar. Aliás, a obra reitera que ser doce não é usar esmalte ou andar de salto, isto é, Bechdel coloca uma lupa em mulheres cujos cabelos das axilas são mais longos que os da cabeça. Em suma, incluir a </span><a href="https://medium.com/@ellamouras/ser-uma-l%C3%A9sbica-desfeminilizada-%C3%A9-ser-odiada-por-todos-os-lados-e-eu-estou-exausta-23a83f0372ac"><span style="font-weight: 400;">desfeminilidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, assim como a </span><a href="https://www.raiolaser.net/home/para-ficar-de-olho-essencialismo-e-interseccionalidade-encarando-as-perigosas-sapatas"><span style="font-weight: 400;">interseccionalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, é um soco no estômago para quem acredita que postar “</span><i><span style="font-weight: 400;">girl power</span></i><span style="font-weight: 400;">” nas redes sociais enquanto divide quarto com racista e coleciona acusações de assédio é empoderador. </span></p>
<figure id="attachment_31165" aria-describedby="caption-attachment-31165" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31165" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-5.jpg" alt="Ilustração de diversas personagens criadas por Alison Bechdel. Elas estão na fila de uma bilheteria. Da esquerda para a direita, mostra-se a cobradora da bilheteria usando um uniforme rosa e uma gravata borboleta; Harriet usando uma jaqueta amarela e uma calça azul; Mo usando uma jaqueta jeans e uma calça jeans; Ginger usando um terno roxo e uma calça azul; Clarice usando um terno listrado verde e roxo e uma saia também listrada verde e roxa; Toni usando uma jaqueta roxa e uma calça rosa, e Jezanna usando uma jaqueta rosa e uma calça branca com detalhes roxos." width="800" height="496" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-5.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/Imagem-5-768x476.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31165" class="wp-caption-text">As personagens de Bechdel fazem fila para espantar perrecos, ou melhor, feministas liberais (Arte: Alison Bechdel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A lesbiandade não é um </span><a href="https://viltoreis.com/teste-de-bechdel/"><span style="font-weight: 400;">conto de fadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seria um erro retratá-la como tal. O fato é: há traições, medos e incertezas na narrativa cuja aliança com a realidade é um acerto de Alison Bechdel. Esta, em nenhum momento, abandona a verdade, de tal modo que as protagonistas da HQ estão despidas de filtros e se entrelaçam com cenários nos quais elas encaram suas interioridades e amadurecem. Em outras palavras, além das batalhas travadas com a conjuntura patriarcal e </span><a href="http://www.fg2013.wwc2017.eventos.dype.com.br/resources/anais/20/1373338752_ARQUIVO_IsabellaTymburibaElian.pdf"><span style="font-weight: 400;">heteronormativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, as protagonistas enfrentam conflitos internos, mas não o fazem sozinhas. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Perigosas Sapatas </span></i><span style="font-weight: 400;">é, sobretudo, um grito melódico o qual cumpre um nobre dever de espantar o maior medo de qualquer garota lésbica: a </span><a href="https://medium.com/revistahelenas/invisibilidade-l%C3%A9sbica-uma-arma-usada-contra-todas-n%C3%B3s-h21-2b435bea2d96"><span style="font-weight: 400;">solidão</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra de Bechdel é um lar que acolhe corações ansiosos por uma chance de disparar sem temor e expulsa mentes heterossexuais frustradas, as quais têm a pachorra de dizer que queriam ter nascido lésbicas. Diga-se de passagem: a obra é capaz de convencer qualquer um a dar o nome de “Mo” para o animal de estimação. No fim, ser lésbica é acordar todo dia com um impulso de sentir tudo o que há para sentir e ser perigosa é deixar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wvsP_lzh2-8"><span style="font-weight: 400;">Sol</span></a><span style="font-weight: 400;"> entrar em um ambiente que ama o frio &#8211; e ser revolucionária é ser os dois.</span></p>
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		<title>O amor não é óbvio é o retrato de um primeiro amor entre garotas</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Jul 2022 16:49:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Monique Marquesini Da busca por registrar e contar histórias felizes de amor entre garotas, origina-se O amor não é óbvio. Publicada em 2019, a obra é a estreia da admirável autora baiana Elayne Baeta e marca o primeiro best-seller lésbico nacional a atingir a lista de mais vendidos do país. Anteriormente lançado em formato digital &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-amor-nao-e-obvio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O amor não é óbvio é o retrato de um primeiro amor entre garotas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28131" aria-describedby="caption-attachment-28131" style="width: 556px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28131 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-556x800.jpg" alt="capa do livro O amor não é óbvio. No meio, em frente a um fundo rosa escuro, está a capa. A ilustração do livro, está em preto e branco, de duas garotas, no estilo colagem. A da direita tem o cabelo longo, liso e repicado, ela usa óculos redondos e está segurando um binóculo com as mãos. Ao lado dela está uma garota de cabelos curtos e lisos, vestida com uma jaqueta jeans cheia de bottons. Ainda, na parte superior, está o nome da autora e o do livro." width="556" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-556x800.jpg 556w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-711x1024.jpg 711w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-768x1106.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-1067x1536.jpg 1067w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-1422x2048.jpg 1422w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL-1200x1728.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/91Pu4WNKISL.jpg 1778w" sizes="auto, (max-width: 556px) 85vw, 556px" /><figcaption id="caption-attachment-28131" class="wp-caption-text">A capa de O amor não é óbvio, um dos principais romances lésbicos do país, também foi ilustrado pela talentosa autora Elayne Baeta (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><b>Monique Marquesini</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da busca por registrar e contar histórias felizes de amor entre garotas, origina-se </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicada em 2019, a obra é a estreia da admirável autora baiana Elayne Baeta e marca o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">best-seller</span></i><span style="font-weight: 400;"> lésbico nacional a atingir a</span> <a href="https://veja.abril.com.br/livros-mais-vendidos/"><span style="font-weight: 400;">lista de mais vendidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país. Anteriormente lançado em formato digital de forma independente, o romance  ganhou espaço na Literatura brasileira e foi lançado pela Editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Record</span></i><span style="font-weight: 400;">, sob o selo </span><i><span style="font-weight: 400;">Galera</span></i><span style="font-weight: 400;">. A escritora, ilustradora e </span><a href="https://entretetizei.com.br/5-livros-de-poemas-incriveis-para-conhecer/"><span style="font-weight: 400;">poeta</span></a> <span style="font-weight: 400;">só escreve sobre o que já sentiu no peito, e talvez por isso, suas narrativas sejam nada óbvias.</span></p>
<p><span id="more-28130"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de Elay (o apelido da autora) narra uma fase da adolescência de Íris e Édra, duas meninas no último ano do Ensino Médio que nunca conversaram. A doce Íris Pêssego é viciada em novelas e não perde um capítulo da sua favorita, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor em atos</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto de sua improvável amiga, a vizinha dona Símia, de 68 anos. Ainda, ela é apaixonada por Cadu Sena, o garoto de quem gosta desde a oitava série &#8211; e que finalmente está solteiro. Só que a narrativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DvvD5LyIYdM"><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é tão intuitiva quanto parece. </span></p>
<figure id="attachment_28132" aria-describedby="caption-attachment-28132" style="width: 639px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-28132" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-639x800.jpg" alt="Fotografia quadrada da autora Elayne Baeta. Na imagem está o rosto de Elayne Baeta, ela é branca, tem cabelos castanhos e curtos, usa um piercing no septo e na sobrancelha. Ela está com uma camiseta preta e um cachecol vinho, está em uma pose lateral, cobrindo metade do rosto com seus livros O amor não é óbvio e Oxe Baby. " width="639" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2-639x800.jpg 639w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-2-2.jpg 647w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28132" class="wp-caption-text">Elayne Baeta participou da Bienal do Livro 2022, em São Paulo, autografando livros, e também esteve na mesa do painel sobre personagens LGBTQIA+ em diferentes gêneros literários (Foto: Elayne Baeta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A próxima personagem &#8211; a quem somos apresentados de forma excêntrica &#8211; é Édra Norr. Isso não porque a garota se envolveu em um escândalo na escola ou por ter mudado de cidade &#8211; mas por ser a nova namorada de Camila Dourado, que deixou Cadu Sena. A partir daí, entre os cochichos e conversas, Íris começa um experimento para entender o motivo do relacionamento ter acabado e para descobrir mais sobre Édra. E ela não demora para desvendar o </span><a href="https://youtu.be/DNXfr5x5jl8"><span style="font-weight: 400;">charme da garota</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez um dos únicos pontos baixos da narrativa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DNXfr5x5jl8"><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">esteja nessa investigação: no começo, a protagonista pode soar um pouco obcecada com a vida da menina, mas, ao longo da história, o leitor consegue entender o motivo para tudo isso. Nesse momento, Íris pega sua bicicleta amarela e seu binóculo para observar sua colega de turma por toda cidade de São Patrique. Por mais estranho que pareça em um primeiro momento, a menina de 17 anos não entende o porquê de querer tanto saber da garota. Tudo só fica claro quando ela desvenda seu desejo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Tudo com Édra era dez vezes mais bonito. E eu queria saber o porquê. E não queria também. Nem tudo precisa ser compreendido.”</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_28133" aria-describedby="caption-attachment-28133" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28133" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2.jpg" alt="Fotografia quadrada da ilustração do poster da pré venda do livro. Na imagem está a mão de Elayne, ela é branca e tem uma tatuagem de lua no dedo do meio. Além da tatuagem de flores no braço,há uma mesa branca com alguns materiais escolares. A folha sulfite branca tem o desenho das personagens Íris e Édra se beijando, uma com uma camisa jeans e a outra com uma bandeira LGBTQIA+ nas costas." width="564" height="564" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-3-2-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-28133" class="wp-caption-text">A história de amor é uma colisão de asteroides, forte e intensa, e mostra que encontrar-se é extraordinário (Foto: Elayne Baeta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse cenário de uma cidade pequena, tardes assistindo novela, passeios de bicicleta, descobertas sobre sua sexualidade, medos, primeiras vezes e adolescência que a história das garotas se desenrola. Uma das partes mais curiosas de </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;"> se esconde justamente na </span><a href="https://herserendipity.medium.com/a-heteronormatividade-como-empecilho-no-desenvolvimento-de-hist%C3%B3rias-ou-porque-casais-h%C3%A9teros-s%C3%A3o-17f3c0d3cd66"><span style="font-weight: 400;">heteronormatividade</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivida pela  grande maioria dos jovens, já que Íris nunca tinha sequer pensado em enxergar outra menina com olhares românticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção da amizade e da </span><a href="https://www.google.com/amp/s/bookriot.com/sapphic-novels/amp/"><span style="font-weight: 400;">relação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Édra e Íris é muito aconchegante ao leitor, uma vez que, ao decorrer do experimento, elas acabam ficando mais próximas &#8211; e descobrem como são extremamente compatíveis. As personagens criadas por Elayne Baeta são um complemento perfeito: Íris, cheia de medos e inseguranças, se junta a uma garota autoconfiante como Édra. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi escrito quando Elay tinha apenas 19 anos &#8211; talvez seja essa a chave para tanta sensibilidade por parte da autora. A primeira publicação da obra foi feita pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Wattpad</span></i><span style="font-weight: 400;">, em partes, e aconteceu de forma independente, ou seja, sem o apoio de um grupo editorial: foi assim que ela alcançou um enorme e fiel público. Antes mesmo de conseguir reconhecimento nacional, o livro é fundamental por ser de autoria de uma </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/estante/favoritos/2022/5-livros-escritos-por-autoras-l%C3%A9sbicas"><span style="font-weight: 400;">mulher lésbica</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; que muitas vezes tem suas vivências esquecidas dos romances literários.</span></p>
<figure id="attachment_28134" aria-describedby="caption-attachment-28134" style="width: 588px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-28134" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/Imagem-4-1.jpg" alt="Fotografia quadrada do segundo livro publicado por Elayne. A capa do livro é rosa, tem uma Polaroid no meio com uma foto da autora, ao lado tem alguns fósforos e detalhes em preto. O fundo é de um tapete preto e branco, além de outras Polaroids no chão perto do livro. " width="588" height="732" /><figcaption id="caption-attachment-28134" class="wp-caption-text">A arte de contar e escrever histórias é antiga na vida da autora: sentindo falta de se enxergar nas histórias, ela deu vida a suas narrativas (Foto: Elayne Baeta)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio</span></i><span style="font-weight: 400;">, Elayne Baeta é responsável por diversos outros projetos, que têm a visibilidade e a representatividade lésbica como ponto central. A autora produziu alguns episódios de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast </span></i><a href="https://open.spotify.com/show/0aJUkr5kRwM3hL3sRWJ2wP?si=Fq85zPvYRWOAsriTcsUX8g"><i><span style="font-weight: 400;">Lésbica &amp; Ansiosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com histórias sobre seus sentimentos. Outro projeto de grande relevância foi </span><i><span style="font-weight: 400;">Sozinhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma mistura de </span><i><span style="font-weight: 400;">podcast</span></i><span style="font-weight: 400;"> com livro, que teve grande significância na vida de Elayne: o lucro das vendas foi utilizado para realizar o sonho da mudança da escritora para a capital paulista. Seu mais recente lançamento é o livro de poesias </span><a href="https://lesbout.com.br/resenha-oxe-baby-um-livro-de-poesias-para-garotas-que-amam-garotas/?amp=1"><i><span style="font-weight: 400;">Oxe, Baby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um relato muito mais pessoal sobre a sua vida, ou como ela mesmo diz, uma autobiografia poética. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As</span> <span style="font-weight: 400;">produções da autora são um</span> <span style="font-weight: 400;">retrato aconchegante e confortável para meninas que nunca se viram representadas nas páginas dos romances adolescentes. </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-12-04/elayne-baeta-livros.html"><span style="font-weight: 400;">Elayne</span></a><span style="font-weight: 400;"> é gigante, uma mulher lésbica nordestina, conquistando espaços jamais alcançados. Nós, garotas que gostamos de garotas, não podemos deixar de vê-la com olhar acolhedor. É lindo acompanhar </span><i><span style="font-weight: 400;">O amor não é óbvio, </span></i><span style="font-weight: 400;">com um primeiro amor cheio de erros, defeitos e acertos. A relação de Íris e Édra é humana e (em uma referência ao livro) é uma história “</span><i><span style="font-weight: 400;">laranja forte e cheia de </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=x2cnAWpiUs8"><i><span style="font-weight: 400;">aliens</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Essa coragem pulsante. Essa conquista&#8230; Em usar um vestido que ninguém rasga. Laranja forte. Laranja (extraordinariamente) forte.”</span></p></blockquote>
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