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	<title>Arquivos Heresia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 5 anos, Djonga roubava a cena com Ladrão e provava que um raio pode cair  mais que duas vezes no mesmo lugar</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Oct 2024 16:27:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Tharek Alves Em 2017, no lançamento de seu primeiro álbum, Heresia, Djonga havia carimbado seu nome no meio do rap nacional, com uma estreia abaladora o suficiente para alavancar as expectativas em cima de suas próximas obras. Porém, o rapper dobrou a aposta em 2018 e superou todas as expectativas com O MENINO QUE QUERIA &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ladrao-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Djonga roubava a cena com Ladrão e provava que um raio pode cair  mais que duas vezes no mesmo lugar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34110" aria-describedby="caption-attachment-34110" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34110" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image6.png" alt="" width="768" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image6.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image6-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34110" class="wp-caption-text">A capa e o título do álbum Ladrão fazem referência ao personagem Robin Hood, colocando o rapper mineiro roubando dos ricos para dar aos pobres (Foto: Gravadora Ceia)</figcaption></figure>
<p><b>Tharek Alves</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2017, no lançamento de seu primeiro álbum, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2Mlk1lNZ2pzDxvLhLDVUw2?si=VwrC0Eg3Q_S8me4DN4V0zA"><i><span style="font-weight: 400;">Heresia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Djonga havia carimbado seu nome no meio do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> nacional, com uma estreia abaladora o suficiente para alavancar as expectativas em cima de suas próximas obras. Porém, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> dobrou a aposta em 2018 e superou todas as expectativas com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/04iHzaSGrOo5MgBY7R2PbX?si=DzIx9fvySW6pLXrrfNac4g"><i><span style="font-weight: 400;">O MENINO QUE QUERIA SER DEUS</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tão abalador e marcante quanto seu antecessor. Visto na época como novo nome do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><a href="https://www.significados.com.br/mainstream/"><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o mineiro tinha uma árdua missão de manter a qualidade em seus próximos lançamentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como os antecessores e os que viriam posteriormente, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/djonga/"><span style="font-weight: 400;">Djonga</span></a><span style="font-weight: 400;"> também lançou seu terceiro álbum em 13 de Março e provou, mais uma vez, que raios podem sim cair no mesmo lugar. Intitulado </span><a href="https://personaunesp.com.br/djonga-ladrao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ladrão</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os discursos presentes nas músicas ficaram ainda mais objetivos, com críticas incisivas ao racismo e desigualdade social, além de assumir, de fato, o papel de protagonista não só na luta antirracista, como também, no </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">nacional.</span></p>
<p><span id="more-34107"></span></p>
<figure id="attachment_34111" aria-describedby="caption-attachment-34111" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34111" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1-800x369.png" alt="A imagem é uma fotografia do cantor Djonga. Djonga é um homem negro de cabelo descolorido, na branca, e bigode preto. A fotografia enquadra o cantor apenas do peito para cima. Ele usa camiseta branca e uma blusa de frio, com zíper aberto, também na cor branca. No rosto, Djonga usa um óculos de armação fina, na cor preta, com lentes ovais na cor laranja. Sua mão esquerda aparece na fotografia, levantada até a altura do queixo, fazendo um símbolo de OK, encostando o dedão e o dedo indicador e formando um círculo." width="800" height="369" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1-800x369.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1-1024x473.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1-768x354.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1.png 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34111" class="wp-caption-text">Djonga não poupa palavras e critica incisivamente a branquitude e suas estruturas nas letras de seu terceiro álbum (Foto: Marcelo Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na faixa-título, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1SoVbAACWECOhsVZY4M1Jb?si=7b2cdc2337104276"><i><span style="font-weight: 400;">LADRÃO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue sintetizar bem o sentimento do disco. Nela, o cantor fala sobre os lugares que conseguiu acesso graças a sua fama e dinheiro, além da maneira como ele usa disso para devolver ao povo preto e pobre. Contextualizada na realidade do mineiro, a letra o retrata como uma espécie de Robin Hood, um herói do povo retratado, obstinado a tirar dos </span><i><span style="font-weight: 400;">boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> e devolver aos seus. Por diversos momentos, a canção ainda faz críticas às apropriações culturais recorrentes na Música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hTUEjPmX0tE"><i><span style="font-weight: 400;">JUNHO DE 94</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Djonga questionou sua própria posição por diversas vezes durante seu segundo álbum, porém, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=trfuqjFx_XE"><i><span style="font-weight: 400;">HAT TRICK</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa debutante, demonstrou que, agora, o caminho adotado seria completamente oposto. Referenciando  um termo do futebol utilizado quando um jogador faz três gols na mesma partida, o cantor reconhece o novo disco como acerto e, ressoando um forte “</span><i><span style="font-weight: 400;">abram alas pro rei</span></i><span style="font-weight: 400;">” no refrão, deixa clara a mudança de visão que terá sobre si nas músicas. Encerrando-a com uma poesia, a primeira faixa demonstrava o golaço que Gustavo Pereira Marques (nome de nascença de Djonga) estava para fazer.</span></p>
<figure id="attachment_34112" aria-describedby="caption-attachment-34112" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34112" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image7.png" alt="A imagem é uma fotografia do cantor Djonga. Djonga é um homem negro de cabelo crespo na cor preta e bigode, também preto. Na imagem, o cantor está sentado em uma cadeira de madeira marrom escuro, semelhante a um trono. Ele está sem camiseta e usa uma capa vermelha de veludo, além de possuir diversos colares, correntes e pulseiras, todos em prata. Djonga também veste uma bermuda jeans com rasgos na região da coxa, além de um cinto com fivela. Na cabeça, o cantor usa uma coroa, na cor dourada." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-34112" class="wp-caption-text">Para muitos, Djonga é o principal nome dentre os que ascenderam no rap nacional no fim da década de 2010 (Foto: Naio Rezende)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">fiado nos versos, o cantor mineiro usa de um vasto repertório de referências, que bebem da Música, política, história, Literatura e Cinema. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1WG10G8jrqeLQlzBEsTBnd?si=efa3e9984c8245a8"><i><span style="font-weight: 400;">BENÉ</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5ZlkC10Zh6CoNBHuXfFT97?si=9269e8bb4c574c61"><i><span style="font-weight: 400;">DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> retratam bem essa criatividade, mesclando o título e tema das músicas com obras cinematográficas clássicas do imaginário brasileiro.</span> <span style="font-weight: 400;">Em referência ao personagem homônimo do filme </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade de Deus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a primeira faixa relata a proximidade do tráfico com a juventude periférica, mostrando os males do envolvimento nessa atividade e fazendo um apelo para que não sigam o mesmo caminho. No filme, o personagem que dá nome a faixa é um jovem preto periférico que se envolve com o tráfico e melhora suas condições financeiras, porém, acaba morto por sua ligação  com atividades criminosas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo a linha de referências ao Cinema nacional, Djonga, em parceria com o carioca </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/7gJN8W0589FisSYJS17K54"><span style="font-weight: 400;">Filipe Ret</span></a><span style="font-weight: 400;">, entrega </span><i><span style="font-weight: 400;">DEUS E O DIABO NA TERRA DO SOL</span></i><span style="font-weight: 400;">, com fortes críticas às desigualdades sociais do país. Entretanto, a música deve muito ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/deus-e-o-diabo-na-terra-do-sol-critica/"><span style="font-weight: 400;">filme de Glauber Rocha</span></a><span style="font-weight: 400;">, ficando cansativa em seus seis minutos de duração.Uma repetição sonora que tenta ser uma proposta diferente de métrica, mas acaba chata e enjoativa. Os versos que tentam ser divinos se chocam com um </span><i><span style="font-weight: 400;">beat</span></i><span style="font-weight: 400;"> diabólico dentro da terra ensolarada que é todo o álbum.</span></p>
<figure id="attachment_34113" aria-describedby="caption-attachment-34113" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34113" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-800x535.png" alt="A imagem é uma fotografia do cantor Djonga. Djonga é um homem negro de cabelo crespo na cor preta, e bigode, também preto. Na fotografia, o cantor está enquadrado apenas na região do busto. Ele não veste camiseta e usa correntes prateadas, junto com guias espirituais, colares usados em religiões de matriz africana, uma na cor azul e outra na cor branca. O cantor sorri e olha para cima de seus ombros, para o lado esquerdo da imagem. Aos fundos, na parte esquerda, há uma parede com alguns quadros de fotos, além de uma estante com porta-retratos, já na parte direita, há uma geladeira." width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-800x535.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1024x684.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-768x513.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-1200x802.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1.png 1224w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34113" class="wp-caption-text">Além de feats em suas próprias músicas e participações nas obras de outros artistas, Djonga criou o selo musical, A Quadrilha, para apoiar e dar mais visibilidade a artistas mineiros (Foto: Lucas Tomaz Neves)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Característica sempre presente em seus álbuns, Djonga convida para seus </span><i><span style="font-weight: 400;">feats</span></i><span style="font-weight: 400;"> artistas do cenário musical de Belo Horizonte, e com </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladrão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não foi diferente. Tendo o refrão cantado pelo mineiro MC Kaio, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3kGLn0fgxyVxLqW5Vv9B8U?si=8289bb88b6684069"><i><span style="font-weight: 400;">TIPO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fala sobre o padrão de mulher com quem o artista se relaciona, usando e abusando de um romantismo carnal e sensual. Além disso, a presença do </span><i><span style="font-weight: 400;">beatmaker</span></i><span style="font-weight: 400;"> JNR Beats na produção da faixa entrega algo que difere (muito positivamente) do restante das faixas do álbum, em um </span><i><span style="font-weight: 400;">beat</span></i><span style="font-weight: 400;"> leve e sedutor que conversa muito bem com a proposta da música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas as parcerias mineiras não se restringiram a apenas um som. Assim como seu título, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4gqRazNyuPZ2ivnnhwjZJy?si=90b20d13734c490a"><i><span style="font-weight: 400;">VOZ</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> deu a fala para que dois grandes nomes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> de BH, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/doug-now/"><span style="font-weight: 400;">DougNow</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Chris MC, se reunissem com Djonga e, assim, os três brincassem de fazer Música. Gustavo e Doug relatam em seus versos as violências que pretos e periféricos passam diariamente, refletindo sobre amizades já perdidas e, como, surpreendentemente, eles conseguiram se esquivar disso e permanecer vivos. Chris MC fica responsável pelo refrão, no qual reforça que, mesmo a visão da sociedade sobre pretos favelados não tendo mudado, eles resistirão sendo quem são, ainda que morram com isso.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Sua visão sobre mim ainda não mudou</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Não vai ser da forma que tu quer</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sempre faço questão de ser quem sou</span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mais honrado morrer sendo quem é e tamo aí</span></i></p>
<p style="text-align: right;">                                                                    -Chris MC em &#8220;Voz&#8221;</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos seus álbuns anteriores, as ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">love songs</span></i><span style="font-weight: 400;">’ foram pontos marcantes. Cantando amores cafajestes em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ARcw-IMYGXk"><i><span style="font-weight: 400;">Geminiano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5MjB4phpJsKhm8yCXdTIDN?si=f4756dcc03444e19"><i><span style="font-weight: 400;">Solto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Djonga assume o romantismo  apaixonado para ser, de fato, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7LC49U08KjfwzDMiGNkE1q?si=7552e091dbb84630"><i><span style="font-weight: 400;">LEAL</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com sua amada no </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de musa, o cantor não poupa palavras para demonstrar a admiração que sente pela parceira, assim como o gosto pelos laços que a relação do casal criou, seja através de brigas ou dos momentos de ternura sexual. No ápice de seu sentimento, o jovem mineiro usa do estribilho pedindo por lealdade e reciprocidade na relação, com a promessa de que tudo durará enquanto a paixão for uma realidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um resgate das raízes do </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, que bebeu e ainda bebe do samba, Djonga se apropria da música </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sbZ9ajjQAFQ"><i><span style="font-weight: 400;">Moleque atrevido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Jorge Aragão e presta uma homenagem ao grande musicista carioca. Recitando as rimas de maneira crua, sem nenhum acompanhamento instrumental, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n08FUL8k9gM"><i><span style="font-weight: 400;">MLK 4TR3VIDO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma releitura que fala sobre todo esforço e os caminhos percorridos para conseguir chegar onde chegou. A trajetória para Gustavo Pereira Marques ser reconhecido como Djonga não foi fácil, e ele reinvindica respeito por toda luta e história conquistada.</span></p>
<figure id="attachment_34115" aria-describedby="caption-attachment-34115" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34115" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-1-800x506.png" alt="A imagem é uma peça promocional. Na foto, Djonga, um homem negro de cabelo crespo na cor preta, e cavanhaque, também preto, abraça sua avó, Maria Viana, uma mulher negra idosa, com cabelos na cor branca. Djonga está sem camiseta, veste um shorts jeans na cor branca, e usa três guias da umbanda, que são colares que se estendem até a altura do umbigo. Sua avó veste um vestido verde claro, estampado com diversas flores rosas e brancas, além de alguns ramos verdes. Aos fundos, há uma parede marrom, além de alguns vasos pendurados, no canto direito da imagem." width="800" height="506" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-1-800x506.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-1-768x486.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4-1.png 870w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34115" class="wp-caption-text">Além da participação na música BENÇA, a avó de Djonga teve sua casa usada como estúdio para a gravação do álbum inteiro. (Foto: Ascom Coca-cola Bandeirantes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda buscando falar sobre suas raízes, Djonga volta sua atenção para a família, como fez anteriormente em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7Duqg6O18CTST0bJX3RQWQ?si=b6213a9ac7494c9f"><i><span style="font-weight: 400;">Canção Pro Meu Filho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Com extrema sensibilidade, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> rima sobre a vida de sua avó, Maria Viana, e dos duros caminhos enfrentados para construir e sustentar uma família sozinha, além de abordar a importância da valorização da ancestralidade para famílias pretas. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3GFF2ybvzJWteFci21mC1W?si=fb233c764bbe4fdf"><i><span style="font-weight: 400;">BENÇA</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> fala sobre não esquecer de onde você veio e saber que, em sua família, reside seu porto seguro. É saber que é possível sair para ganhar o mundo e encarar as dificuldades que a vida dá, mas também encontrar os momentos de recuar e voltar para a segurança do laço familiar.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já a música que encerra a obra, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2YSH4CHnZIyAEG7hXxMV1l?si=440a089f4cc14898"><i><span style="font-weight: 400;">FALCÃO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apresenta uma crítica do artista sobre aqueles que acabam por deixar a causa que lutavam e se renderam para produção de obras vazias, visando o retorno financeiro. Com essas condições, Djonga observa como as correntes e ‘ostentação’, retratadas por esses artistas, não adiantam de nada se os versos cantados não puderem mudar vidas. O </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda reflete, em forma de desabafo, sobre a ambiguidade de se enxergar tanto na situação de mais um corpo no chão, quanto como o de alguém sentado no trono, e encerra desejando que a violência contra corpos negros acabe de uma vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além dos diversos </span><i><span style="font-weight: 400;">feats</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum, é importante citar duas importantes presenças nas faixas. O </span><i><span style="font-weight: 400;">beatmaker</span></i> <a href="https://www.youtube.com/@coyotebeatz9110"><i><span style="font-weight: 400;">Coyote Beatz</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o responsável pela produção de todas as músicas e, novamente, mostra que sua parceria com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma deliciosa e sonora junção. A segunda participação é a de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/marina-sena/"><span style="font-weight: 400;">Marina Sena</span></a><span style="font-weight: 400;">, que empresta sua voz para o</span><i><span style="font-weight: 400;"> backing vocal</span></i><span style="font-weight: 400;"> em quatro registros, e oferece contraste entre sua suavidade vocal e o cantar ‘raspado’ presente na voz de Djonga.</span></p>
<figure id="attachment_34116" aria-describedby="caption-attachment-34116" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-1.png" alt="A imagem é uma fotografia do cantor Djonga. Djonga é um homem negro de cabelo crespo com a cor preta, e bigode, também preto. Na foto, o cantor está no meio da plateia de seu show, rodeado por centenas de pessoas e levantado por alguns dos presentes. Djonga veste uma camiseta e shorts na cor amarelo neon, e segura um microfone na mão direita." width="800" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-1.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-1-768x518.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34116" class="wp-caption-text">Djonga arrastou multidões com seus shows, ficando famoso por se jogar no meio das rodas punk que acontecem durante a performance (Foto: Rafael Strabelli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O ano de 2019 foi importante para a carreira do cantor. Com participação marcante no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=V9rOiABeeo4"><span style="font-weight: 400;">festival </span><i><span style="font-weight: 400;">João Rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, turnê de seu projeto recém-lançado e cada vez mais visibilidade na grande mídia, o período foi um grande pavimento para futuros </span><i><span style="font-weight: 400;">shows,</span></i><span style="font-weight: 400;"> como o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/lollapalooza/2022/noticia/2022/03/27/djonga-comanda-coro-de-fogo-nos-racistas-no-meio-da-plateia-em-show-explosivo-no-lollapalooza.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Lollapalooza</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que não seja sua obra mais aclamada e esteja abaixo de seus antecessores, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ladrão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um ótimo álbum e foi essencial para a consolidação de Djonga no cenário da Música nacional, confirmando para todos que os dias 13 seriam os dias em que ‘raios’ cairiam no mesmo lugar.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Ladrão" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4bVYzv8uj0wanD6BdwmdwM?utm_source=oembed"></iframe></p>
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