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	<title>Arquivos Here &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Here olha para o que ninguém vê</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 20:37:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez Para Bas Devos, fazer filmes é uma desculpa para ser curioso. Here, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° Festival do Rio &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Here olha para o que ninguém vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31715" aria-describedby="caption-attachment-31715" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-31715" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png" alt="Cena do filme Here. A cena se passa em uma floresta, com o solo verde coberto por musgos e troncos de árvores ao fundo. Em um primeiro plano, os dois personagem estão mal iluminados e é possível ver, à esquerda, uma mulher adulta com cabelo preso em um coque, ajoelhada no chão, segurando uma planta na mão. À sua frente, à direita, é possível ver um homem curvado sobre uma pedra, encarando o que ela tem em mãos." width="1536" height="1012" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-800x527.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1024x675.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-768x506.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-4-1200x791.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31715" class="wp-caption-text">Here venceu os prêmios de Encounters e FIPRESCI do Festival de Berlim e participou do Festival do Rio 2023 na seção Expectativa (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para Bas Devos, </span><a href="http://www.sensesofcinema.com/2023/interviews/here-an-interview-with-bas-devos/"><span style="font-weight: 400;">fazer filmes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma desculpa para ser curioso. </span><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i><span style="font-weight: 400;">, seu quarto longa-metragem, usa essa curiosidade para observar a relação de dois estranhos consigo mesmos, um com o outro e com o país que habitam, estrangeiro tanto quanto eles mesmos ali. A produção desembarcou no Brasil no 25° </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/here"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;"> depois de conquistar dois troféus no </span><a href="https://www.berlinale.de/en/2023/programme/202314178.html"><span style="font-weight: 400;">Festival de Berlim</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, olhando para o ordinário, torna até o comum fantástico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, o diretor belga segue Stefan (Stefan Gota), um trabalhador romeno da </span><a href="https://personaunesp.com.br/distopia-critica/"><span style="font-weight: 400;">construção civil</span></a><span style="font-weight: 400;"> morando em Bruxelas, na Bélgica. Quando a temporada de obra acaba e ele e seus colegas &#8211; igualmente estrangeiros &#8211; poderão aproveitar as férias em seus países de origem, o protagonista encontra uma mulher que o fará pensar duas vezes se deve ou não voltar. O grande porém é que ela sequer sabe o nome dele.</span></p>
<p><span id="more-31712"></span></p>
<figure id="attachment_31714" aria-describedby="caption-attachment-31714" style="width: 1380px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31714" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante a noite em um restaurante, onde é possível ver mesas e cadeiras vazias. Ao fundo, através de uma janela, é possível ver fachadas de outros restaurantes com as luzes acesas. No primeiro plano, à esquerda, vemos uma mulher branca, aparentando cerca de 40 anos, com cabelos castanhos na altura do ombro, sentada à mesa do restaurante com uma xícara de café a sua frente. Ela segura a mão do homem que está a sua frente, sentado na mesa à direita do quadro. Ele é branco, com cabelos curtos, aparenta ter cerca de 30 anos, tem uma xícara de café a sua frente e um casaco pendurado na cadeira." width="1380" height="921" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-5-1200x801.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31714" class="wp-caption-text">Como em longas anteriores, Bas Devos aborda sutilmente a imigração, dessa vez de trabalhadores romenos para a Bélgica, algo que ele observou como um fenômeno no país (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O encanto de </span><i><span style="font-weight: 400;">Here </span></i><span style="font-weight: 400;">se faz na </span><a href="https://personaunesp.com.br/carvao-critica/"><span style="font-weight: 400;">simplicidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Stefan não pode ir para casa &#8211; neste caso, seu país de origem, não a residência onde mora &#8211; porque seu carro quebrou e ficará pronto em alguns dias. Nesse meio tempo, a preocupação do rapaz é cozinhar uma sopa com tudo que há na geladeira para que nada estrague. A segunda tarefa é distribuir o alimento para conhecidos, já que nem ele conseguirá consumi-lo antes de voltar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nessa normalidade que o roteiro &#8211; também confeccionado por Devos &#8211; se desenvolve: a relação do protagonista com a cidade e com as pessoas à sua volta é um exercício de enxergar a </span><a href="https://personaunesp.com.br/paloma-critica/"><span style="font-weight: 400;">humanidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Filmados poeticamente por Grimm Vandekerckhove, os altos prédios de Bruxelas, as linhas de trem e a movimentação dos transportes criam uma sensação de solitude e barulho em meio ao concreto, ressoando a condição de distanciamento, como se ali ele fosse um estrangeiro em todos os sentidos. Stefan repete a si mesmo que ali é sua casa, mas nem ele parece acreditar na afirmação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal cenário é o contrário da </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/"><span style="font-weight: 400;">natureza</span></a><span style="font-weight: 400;">. O personagem principal, assim como o diretor, é um grande curioso e, com os dias livres enquanto espera seu carro, explora os arredores da cidade. Movido por sementes que encontrou no bolso, ele visita uma horta comunitária, um bosque perto do mecânico e uma pequena floresta local. Ao contrário dos momentos no âmbito urbano, nos quais as conversas são breves e o silêncio interno prevalece, em todos os encontros cercados por natureza ele se depara com pessoas e trava diálogos tão mundanos quanto as situações ali propostas. São nesses ambientes, a princípio quietos, que a </span><a href="https://personaunesp.com.br/past-lives-critica/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> acontece, a grandiosidade é preenchida com vida e a sensação de pertencimento e completude impera.</span></p>
<figure id="attachment_31713" aria-describedby="caption-attachment-31713" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-31713" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg" alt="Cena do filme Here. A cena se passa durante o dia em uma floresta, em que é possível ver o solo marrom, coberto por musgos verdes em alguns trechos, troncos e árvores ao fundo. Em um primeiro plano, à esquerda, vemos uma homem branco, de aparentemente 30 anos, loiro de cabelo e barba curtos, vestindo uma jaqueta azul escura, um shorts roxo e uma bota preta ajoelhado no chão, observando uma planta em suas mãos. A sua frente, há um caderno aberto apoiado no chão. A direita do quadro, observando o que há nas mãos do homem, vemos uma mulher chinesa, aparentando cerca de 30 anos, com cabelos pretos presos em um coque, vestindo uma jaqueta com estampa militar, calã jeans e bota preta, sentada no chão." width="1536" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31713" class="wp-caption-text">Here é projetado em uma janela 4:3, menor do que o tradicional nos cinemas; para Devos, além de fugir ao que o espectador está acostumado, esse formato é o mais próximo de como ele vê a realidade (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo muda quando Stefan conhece Shuxiu (Liyo Gong) em um restaurante chinês na cidade. Se por lá as relações são rápidas e corriqueiras, o reencontro acidental dos dois na floresta acende uma conexão instantânea enquanto observam musgos e líquens. Ela, uma professora de microbiologia e botânica descendente de chineses, parece se sentir tão alheia a um cotidiano apático e desconexo quanto ele. Em mandarim, a personagem revela ter tido um sonho, em que de uma hora para outra esquece palavras, mostrando como se sente uma forasteira ali, como ele. Ambos parecem apenas esperar por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/her-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">conexão humana</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e a encontram entre seres microscópicos no solo da mata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por lá, os diálogos não são necessários para explicitar a ligação que passa a se desenvolver: os atores dão conta de expressar a diferença entre o </span><a href="https://personaunesp.com.br/sobre-a-terra-somos-belos-por-um-instante/"><span style="font-weight: 400;">estranhamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> inicial e a familiaridade que se estabelece aos poucos, se não com a cidade, um com o outro. Assim, partindo da grandiosidade da paisagem de Bruxelas e dos altos prédios em construção, a câmera se volta ao solo, ao micro dos organismos na base de tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31716" aria-describedby="caption-attachment-31716" style="width: 1536px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31716" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg" alt="Cena do filme Here. Na imagem, vemos um zoom ou close-up de dois dedos de uma pessoa branca segurando um pequeno pedaço de planta verde." width="1536" height="1121" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-800x584.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1024x747.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-768x561.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-5-1200x876.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31716" class="wp-caption-text">Passe um café e encare os musgos de olhos bem abertos (Foto: Rediance Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança do panorama macro para o micro, da vastidão para seres microscópicos, acontece de forma lenta, quase imperceptível. Porém, por mais encantador que seja, para explorar esse comum </span><a href="https://c7nema.net/entrevistas/item/119433-bas-devos-o-maior-privilegio-da-minha-vida-e-que-posso-fazer-filmes.html"><span style="font-weight: 400;">Devos</span></a><span style="font-weight: 400;"> propõem um verdadeiro exercício de paciência: se a geração atual não vive sem estímulos audiovisuais, vencer um ato completo de musgos, líquens e paisagens verdes sem nenhuma &#8211; ou pouca &#8211; troca de palavras é uma verdadeira batalha. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c-6qcdbs6os&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ordinário de Bas Devos, ampliado pela fotografia de Vandekerckhove e pela montagem mansa de Dieter Diependaele, se torna completo, mas, para isso, passa por uma calmaria beirando o entediante. Ao final, Stefan e Shuxiu parecem mais conectados após uma tarde quieta na floresta do que no diálogo completo que tiveram na cidade. Ela sequer sabe o nome dele e, quem comprar o desafio de não se render à inquietude e se entregar à tranquilidade, pode encontrar o fantástico no habitual e a beleza em um encontro mais do que comum.</span></p>
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		<title>Quem somos e para onde vamos: a Utopia de David Byrne</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Aug 2021 18:05:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>João Batista Signorelli Quem precisa de cabos? Eles enrolam, estragam, dão nó, e não te deixam sair do lugar. Se isso já é um pesadelo pra mim, que tenho que lidar com um computador que não funciona com internet sem fio e precisa ficar ligado na tomada pra não morrer, imagina para um grupo musical &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/david-byrnes-american-utopia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem somos e para onde vamos: a Utopia de David Byrne"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_22552" aria-describedby="caption-attachment-22552" style="width: 1998px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22552" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra David Byrne, um homem branco de meia-idade, sentado à uma carteira escolar e segurando um modelo de um cérebro de plástico. Ele o estende à sua frente segurando-o com sua mão esquerda, enquanto aponta para ele com a mão esquerda apoiada. Ao fundo desfocada, há uma cortina feita de correntes finas prateadas. " width="1998" height="1129" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1.jpg 1998w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-800x452.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-1024x579.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-768x434.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-1536x868.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-1-1200x678.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22552" class="wp-caption-text">O especial foi responsável por 6 das 130 indicações da HBO no Emmy 2021 (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>João Batista Signorelli</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem precisa de cabos? Eles enrolam, estragam, dão nó, e não te deixam sair do lugar. Se isso já é um pesadelo pra mim, que tenho que lidar com um computador que não funciona com </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">sem fio e precisa ficar ligado na tomada pra não morrer, imagina para um grupo musical que precisa enfrentar todo dia uma teia de aranha no palco? David Byrne também se questionou, e chegou à conclusão de que dividir o palco com um emaranhado de cabos definitivamente </span><a href="https://www.prosoundweb.com/american-utopia-behind-the-scenes-on-a-technologically-challenging-tour/"><span style="font-weight: 400;">não estaria mais em seus planos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O resultado dessa simples decisão foi o gigantesco </span><i><span style="font-weight: 400;">David Byrne’s American Utopia</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> que lotou teatros em 2018 e 2019, em uma aclamada turnê ovacionada pela crítica e pelo público, e que marcou passagem inclusive pelo Brasil, com apresentações</span> <span style="font-weight: 400;">em Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, e no </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/lollapalooza/2018/noticia/david-bryne-faz-espetaculo-e-deixa-novinhos-com-cara-de-ahn-em-show-impressionante-no-lolla.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Lollapalooza</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 2018 em São Paulo. Paralisada pela pandemia, a performance já tem </span><a href="https://broadwaydirect.com/david-byrnes-american-utopia-returns-to-broadway-new-theatre-announced/"><span style="font-weight: 400;">data marcada</span></a><span style="font-weight: 400;"> para voltar aos palcos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Broadway</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-22551"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Impelido a registrar a performance, Byrne </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1CsrhM5sv4Y"><span style="font-weight: 400;">contatou</span></a><span style="font-weight: 400;"> outro nome de peso para transformar em filme o espetáculo: Spike Lee. A então parceria produzida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">entre o ex-vocalista do Talking Heads e o diretor de </span><a href="https://personaunesp.com.br/destacamento-blood-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Destacamento Blood</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> rendeu seis indicações ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><i><span style="font-weight: 400;">. American Utopia </span></i><span style="font-weight: 400;">marca presença ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bo-burnham-inside-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bo Burnham</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <a href="https://personaunesp.com.br/hamilton-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Hamilton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/friends-the-reunion-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na concorrida categoria de Melhor Especial de Variedades (Pré-Gravado),  além de Melhor Direção em Especial de Variedades para Spike Lee, Direção Musical e mais quatro categorias técnicas em Especial de Variedades: Iluminação, Mixagem</span> <span style="font-weight: 400;">de Som, e Direção Técnica/Trabalho de Câmera.</span></p>
<figure id="attachment_22553" aria-describedby="caption-attachment-22553" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22553" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2.jpg" alt="Cena do especial David Byrne's American Utopia. Cinco pessoas vestindo ternos cinzas e descalços se encontram em pé, voltados para a mesma direção. A ambientação se encontra toda escura, com exceção de cinco quadrados iluminados posicionados logo abaixo das pessoas. Da esquerda para a direita são vistos um homem branco tocando um tambor, uma mulher jovem e negra, um jovem branco e ruivo, e um homem branco de meia idade, os três com os braços paralelos ao corpo, e por fim um homem branco calvo tocando um teclado suspenso em seu próprio corpo. Todos têm sua fisionomia ofuscada pela ausência de luz frontal, com exceção do homem de meia idade, que é David Byrne, que recebe uma luz frontal criando uma sombra atrás de si para além do quadrado." width="2048" height="1365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22553" class="wp-caption-text">O elaborado jogo de luz nunca desvia a atenção do elemento principal: os seres humanos (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é a primeira vez que David Byrne é destaque em um filme de um diretor consagrado documentando um concerto seu. </span><a href="https://www.rogerebert.com/reviews/stop-making-sense-1984"><i><span style="font-weight: 400;">Stop Making Sense</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de 1986, considerado um dos mais importantes filmes-concerto da história, trazia Byrne à frente dos Talking Heads vestindo o icônico terno gigante, com direção de Jonathan Demme, que alguns anos mais tarde subiria a um outro palco para receber o </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Direção por </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">O Silêncio dos Inocentes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i><span style="font-weight: 400;">Spike Lee, por sua vez, já é um veterano dos videoclipes, tendo trabalhado com artistas como Stevie Wonder, Public Enemy, e até Michael Jackson no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QNJL6nfu__Q"><span style="font-weight: 400;">icônico clipe</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">They Don’t Care About Us, </span></i><span style="font-weight: 400;">gravado no Brasil. O encontro destas duas mentes brilhantes resulta em uma das mais expressivas realizações artísticas do passado recente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O espetáculo se inicia com Byrne sozinho no palco, sentado à uma carteira escolar, trocando uma caveira por um cérebro e cantando o seu próprio </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5ks-NbCHUns&amp;t=116s"><i><span style="font-weight: 400;">To be or not to be</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kP58AVjZCqE"><i><span style="font-weight: 400;">Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas ao invés de refletir sobre o propósito do existir aos moldes de Shakespeare, ele faz uma descrição da geografia do órgão principal do sistema nervoso. O que parece a princípio uma aula de biologia logo aponta para seus desdobramentos mais humanos: através do telencéfalo, nós entendemos o mundo, sentimos, amamos, vivemos. A partir daí, o artista nos leva a uma jornada através da experiência humana, buscando entender aquilo que nos conecta uns aos outros como semelhantes.</span></p>
<figure id="attachment_22554" aria-describedby="caption-attachment-22554" style="width: 780px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22554" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-3.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra de perto um homem branco de meia-idade, David Byrne, vestindo um terno cinza e cantando com um microfone na lateral de seu rosto. Em seus dois lados, há bem próxima uma cortina formada por correntes prateadas finas." width="780" height="439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-3.jpg 780w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-22554" class="wp-caption-text">Lançado em 2020 no HBO Max norte-americano, o especial ainda não tem previsão de chegada ao Brasil (Foto:HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco se passa até que ele não se encontre mais sozinho no palco, agora acompanhado por uma legião de músicos e uma dupla de dançarinos-cantores, todos descalços, vestindo ternos cinzas, e sempre ocupando o palco à frente de um único cenário. Em contraponto aos concertos de </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">tradicionais, com a tentativa de compensar o tédio de ver os músicos em uma mesma disposição por duas horas com telões cheios de projeções com imagens pra lá de óbvias, Byrne se esvazia de todos os elementos distrativos, e chama a atenção para aquilo que importa até mais do que a própria música: as pessoas. Pois afinal, se existe a música para ser tocada e ouvida, é porque também há, inevitavelmente, seres humanos com o impulso criativo de comunicá-la para seus semelhantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As músicas escolhidas são uma mistura de uma seleção de clássicos do Talking Heads como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_3eC35LoF4U"><i><span style="font-weight: 400;">Burning Down the House</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JccW-mLdNe0"><i><span style="font-weight: 400;">This Must Be the Place (Naive Melody)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com canções de seu mais recente álbum solo, que também leva o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">American Utopia</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Ainda que carreguem conteúdos tão variados em suas letras, elas ainda parecem se encaixar com certa coerência, representando a longa busca que é fruto da tentativa de entender quem somos, como nos relacionamos, ou o que é de fato um lar. Muitas das canções parecem funcionar ainda melhor ao vivo, como é o caso das perguntas retóricas de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/veja-tudo-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-marielle-dois-anos-depois.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Once in a Lifetime</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que ganham um novo sentido ao ter a plateia como interlocutora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="David Byrne&#039;s American Utopia (2020): Creating American Utopia | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1CsrhM5sv4Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Não por acaso, o possível desconhecimento do repertório de canções do cantor pouco interfere no aproveitamento da experiência. Voltando ao formato de </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> convencional, este tende a funcionar com suas limitações em grande parte devido ao engajamento do público com a </span><i><span style="font-weight: 400;">setlist</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">A relação entre os artistas e a plateia é intermediada pela música, luzes e pirotecnia, mas Byrne nos mostra que não precisa ser assim. Ele nos pega pela mão, e convida a participar daquela sua Utopia junto com sua trupe, cuja humanidade nunca sai do foco. Mesmo o elaborado jogo de luzes, merecedor de sua indicação ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">mantém-se fiel à sua missão de dar destaque às pessoas, nunca roubando seu protagonismo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro aspecto que colabora para enriquecer o aspecto humano de <em>David Byrne&#8217;s American Utopia</em></span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i><span style="font-weight: 400;">é a abolição dos cabos, substituídos por tecnologias sem fio, o que se torna o maior catalisador de possibilidades criativas para o espetáculo. Livrando-se das amarras limitadoras impostas pelo sistema de som, os músicos têm agora a possibilidade de movimentar-se por todas as direções. As </span><a href="https://www.vulture.com/2019/11/american-utopia-broadway-annie-b-parson-david-byrne.html"><span style="font-weight: 400;">coreografias desenhadas por Annie-B Parson</span></a><span style="font-weight: 400;"> exploram todo o espaço do palco, dando uma unidade àquele grupo de indivíduos tão diversos, e que mesmo vestindo um mesmo uniforme e marchando em conjunto ordenadamente, não deixam de transparecer suas cores e modo de ser, em um raro contexto onde a homogeneidade de um coletivo não ofusca as identidades individuais.</span></p>
<figure id="attachment_22556" aria-describedby="caption-attachment-22556" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-scaled.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra parte do elenco do musical no palco enfileirada à esquerda, todos de terno cinza e descalços, com os instrumentistas voltados para o centro do palco onde David Byrne, um homem branco de meia-idade, faz um passo de dança com as pernas torcidas e os braços suspensos no ar. Da frente para trás à esquerda, são vistos um homem e uma mulher negros tocando respectivamente baixo e guitarra, uma mulher negra com cabelo preso cheio de tranças executando um passo de dança com um braço estendido para cima, quatro instrumentistas, e ao fundo um homem branco e ruivo executando o mesmo passo que a mulher negra. O palco é cercado por uma alta cortina formada por correntes prateadas finas. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-4-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22556" class="wp-caption-text">A energia de American Utopia é contagiante (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre o elenco oriundo de diversos países, em <em>David Byrne&#8217;s American Utopia</em> figuram dois brasileiros: o baiano </span><a href="https://www.instagram.com/gustavodidalva/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Gustavo Di Dalva</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/maurorefosco/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Mauro Refosco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Santa Catarina. Com eles, berimbaus, atabaques, e outros instrumentos nacionais marcam presença no palco. O carinho de Byrne com o Brasil é antigo, já tendo</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/blog/musica-popular-brasileira/era-uma-vez-caetano-veloso-e-david-byrne-ha-8-anos-no-carnegie-hall/"><span style="font-weight: 400;"> gravado um disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao vivo com Caetano Veloso, além de ser um dos principais responsáveis pela popularização de Os Mutantes fora do Brasil através do seu selo </span><a href="https://www.luakabop.com/artists"><span style="font-weight: 400;">Luaka Bop</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de ter levado para o exterior diversos nomes da música brasileira como </span><a href="https://personaunesp.com.br/tim-maia-o-sonho-todo-azul-que-se-tornou-realidade/"><span style="font-weight: 400;">Tim Maia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Tom Zé. Reunindo diferentes culturas através de seu elenco diverso, David Byrne nos dá um gostinho do como seria essa sua utopia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tornar o mundo um lugar para todos viverem é um dos principais ideais que movem a performance. E do mesmo modo que a simples rejeição aos fios possibilita uma infinitude de novas perspectivas para a expressão artística no palco, é nas pequenas coisas que fazem grande diferença que Byrne alicerça sua utopia. Exemplo disso é o segmento onde ele, educadamente, demonstra o quão importante é a participação de todos nas eleições, determinantes para o futuro daquele e de todos os países. O engajamento social também se faz presente na canção </span><i><span style="font-weight: 400;">Hell You Talmbout</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma homenagem respeitosa e solene à </span><a href="https://www.history.com/this-day-in-history/eric-garner-dies-nypd-chokehold"><span style="font-weight: 400;">Eric Garner</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.bbc.com/news/world-us-canada-32400497"><span style="font-weight: 400;">Freddie Gray</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2020/03/veja-tudo-o-que-se-sabe-sobre-a-morte-de-marielle-dois-anos-depois.shtml"><span style="font-weight: 400;">Marielle Franco</span></a><span style="font-weight: 400;">, e às tantas outras vidas negras perdidas para o sistema que deveria protegê-las.</span></p>
<figure id="attachment_22557" aria-describedby="caption-attachment-22557" style="width: 1917px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-22557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5.jpg" alt="Cena do especial David Byrne’s American Utopia. A imagem mostra o elenco aglomerado no palco, doze pessoas vestindo ternos cinzentos e descalços, grande parte deles tocando diferentes instrumentos. Há três berimbaus à esquerda, além de guitarra, baixo, e instrumentos percussivos. Ao centro e à frente, David Byrne, um homem branco de meia-idade, faz um gesto de dança com os braços. Atrás deles, algumas das pessoas levantam os braços com os punhos fechados. O palco é cercado por uma alta cortina formada por correntes prateadas finas." width="1917" height="1078" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5.jpg 1917w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/08/american-utopia-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-22557" class="wp-caption-text">“Como eu não sou como meu irmão? Como você não é como eu?” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Tal posicionamento justifica ainda mais a escolha de Spike Lee para a direção do projeto. Lee, que vem chacoalhando o </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo </span></i><span style="font-weight: 400;">desde que </span><a href="https://www.indiewire.com/2019/06/do-the-right-thing-spike-lee-30-anniversary-1202154208/"><i><span style="font-weight: 400;">Faça a Coisa Certa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">estreou em </span><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1989, oferece sempre um olhar certeiro para os conflitos sociais. O diretor enriquece através de sua lente um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">que por si já era espetacular, transportando toda a sua vivacidade para as telas daqueles que não tiveram a oportunidade de testemunhar este evento ao vivo, e eternizando a utopia que, caso não fosse registrada, seria apenas um acontecimento passageiro. O encontro entre David Byrne e Spike Lee, duas vozes tão marcantes de uma mesma geração, não poderia ter sido tão bem-sucedido. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">David Byrne&#8217;s American Utopia </span></i><span style="font-weight: 400;">nos mostra que é possível fazer muito com pouco, e que certos excessos podem se tornar elementos limitadores para a liberdade criativa. Sem cabos e sem amarras, testemunhamos a enormidade de coisas que podem ser feitas em um palco, ou mais do que isso, a enormidade de coisas que podem ser feitas em um palco</span><i><span style="font-weight: 400;"> por pessoas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pois no final, o que buscamos em uma obra de arte, nos relacionamentos, ou na própria vida, vai muito além de meras emoções ou sensações satisfatórias. Buscamos aquilo que é humano em si mesmo, e que nos revela que também o somos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="David Byrne&#039;s American Utopia (2020): Official Trailer | HBO" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lg4hcgtjDPc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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