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	<title>Arquivos Hedwig: Rock Amor e Traição &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Hedwig: Rock Amor e Traição &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Quem é Hedwig?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2022 18:01:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caio Machado A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma figura execrável em Brasília certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hedwig-rock-amor-e-traicao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem é Hedwig?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27942" aria-describedby="caption-attachment-27942" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-27942" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher transgênero cantando, com um microfone em mãos. Ela é branca, usa uma peruca loira, usa sombra azul ao redor dos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Ela usa um colar prateado no pescoço. No fundo, desfocados, estão dois membros da banda dela. À direita, vemos um homem branco com cabelo vermelho arrepiado e à esquerda vemos um homem branco com cabelo preto mais longo. Ele usa óculos escuros. Mais ao fundo, podemos ver luzes neon do bar onde estão se apresentando. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27942" class="wp-caption-text">Hedwig: Rock, Amor e Traição foi o primeiro filme dirigido por John Cameron Mitchell, lançado em 2001 (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><b>Caio Machado</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira divisão binária que um ser humano encontra ao chegar no mundo é a de gênero. Menino e menina. O primeiro brinca de carrinho, a segunda brinca de casinha. Um veste azul, outra usa rosa, como disse uma </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/01/03/em-video-damares-alves-diz-que-nova-era-comecou-no-brasil-meninos-vestem-azul-e-meninas-vestem-rosa.ghtml"><span style="font-weight: 400;">figura execrável em Brasília</span></a><span style="font-weight: 400;"> certa vez. Mas por que essa divisão existe? Quem foi que a criou? Deus ou o ser humano? São todos questionamentos que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig: Rock, Amor e Traição </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig and the Angry Inch</span></i><span style="font-weight: 400;">), filme que quebra esse muro tão precário com ousadia, Música e revolta.  </span></p>
<p><span id="more-27941"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos Hedwig (John Cameron Mitchell), uma mulher transgênero que lidera uma banda de </span><a href="https://personaunesp.com.br/punk-rock-nao-e-so-pro-seu-namorado/"><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a The Angry Inch. Enquanto percorrem os Estados Unidos, seguindo a turnê do astro Tommy Gnosis (Michael Pitt), temos um vislumbre do passado da protagonista, passando pela infância vivida na Berlim Oriental, sua cirurgia de redesignação de gênero forçada (e mal-sucedida) e a vinda aos EUA.  </span></p>
<figure id="attachment_27943" aria-describedby="caption-attachment-27943" style="width: 1100px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27943" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher com a cabeça enfiada no que parece um forno de um fogão. Ela usa uma peruca loira, tem delineado nos olhos e um batom vermelho intenso na boca. Dentro do forno, vemos algumas imagens de artistas do rock famosos nos anos 80 e alguns objetos. A mulher utiliza aquele local como um refúgio. " width="1100" height="619" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4.jpg 1100w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_4-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27943" class="wp-caption-text">A Música sempre esteve presente na vida da protagonista, desde a infância (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como Todd Haynes fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Velvet Goldmine</span></i><span style="font-weight: 400;">, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hedwig</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> o ator e diretor John Cameron Mitchell compreende a Música, especificamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um meio de acolhimento para vidas </span><a href="https://personaunesp.com.br/crush-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> carregados de delicadeza e humor, o filme mostra a importância que figuras importantes do gênero, como Lou Reed e Iggy Pop, tiveram na formação da protagonista e seu autodescobrimento. O sentimento de identificação com essas personalidades foi fundamental para que se aceitasse como alguém fora do padrão heteronormativo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através de uma cena curta, onde Hedwig ainda criança dança na cama enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gGfkLp9Lb6k"><i><span style="font-weight: 400;">we are freaks</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> ecoa do rádio, o filme consegue demonstrar a melhor sensação que a Música é capaz de proporcionar: a de pertencimento. Sentir que você não está só no mundo e que aqueles versos, naquela melodia, estão conversando diretamente contigo. É um sentimento tão poderoso que devolve cor e força para vidas cinzentas e monótonas. </span></p>
<figure id="attachment_27944" aria-describedby="caption-attachment-27944" style="width: 2075px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca cantando em um bar. Ela usa uma peruca loira, tem glitter ao redor dos olhos e batom vermelho na boca. Ela veste uma blusinha branca onde lê-se “punk rock” em preto com contorno vermelho e uma calça com a estampa de zebra. Ao fundo, vemos dois membros de sua banda tocando e as luzes do bar onde apresentam, desfocadas. " width="2075" height="1376" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3.jpg 2075w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1024x679.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-768x509.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1536x1019.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-2048x1358.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/hedwig_3-1200x796.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27944" class="wp-caption-text">Independentemente da quantidade de pessoas na plateia, Hedwig dá tudo de si em cada apresentação (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A própria vida de Hedwig não foi nada fácil. Desde a infância, o sofrimento e a decepção sempre se mantiveram presentes. Mesmo assim, ela colocava a peruca, passava a maquiagem e seguia em frente, com a cabeça em pé e liderando sua banda. Nenhum personagem precisa falar para ela o quanto é forte pois qualquer momento onde Hedwig canta já diz isso. Performa sempre com uma intensidade capaz de mover multidões, mas seu público é pequeno. O filme faz questão de ressaltar o quanto ela e a banda destoam do ambiente e de quem frequenta o lugar onde se apresentam, mas não entende isso como motivo para chacota. Pelo contrário, vê como símbolo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">força</span></a><span style="font-weight: 400;">, de resistência. Não só Hedwig, mas todos do grupo têm uma confiança que é muito inspiradora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse espírito tão vibrante, tão corajoso permeia os 93 minutos da produção. Nela, as diferenças, sejam elas de aparência, comportamento ou o que for, são vistas como algo mágico. A magia, repleta de </span><a href="https://personaunesp.com.br/drag-race-uk-canada-italia-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">glitter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, está presente tanto na vivacidade da fotografia quanto nas cenas onde a obra abraça seu lado fantasioso, como na inserção das letras de uma das músicas para que o espectador cante junto, igual a um karaokê, e nas animações, cheias de personalidade e que servem para ilustrar  as canções e histórias de vida da protagonista. </span></p>
<figure id="attachment_27945" aria-describedby="caption-attachment-27945" style="width: 1775px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27945" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg" alt="Cena do filme Hedwig: Rock, Amor e Traição exibe uma mulher branca e um homem branco loiro cantando juntos em um mesmo microfone. Ela usa uma peruca loira longa e veste uma blusa preta com linhas douradas. Está com os olhos fechados enquanto canta. O homem veste uma blusa preta com letras brancas na frente. " width="1775" height="1331" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2.jpg 1775w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Hedwig_2-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27945" class="wp-caption-text">O envolvimento da protagonista com Tommy Gnosis traz parte das cenas mais tocantes do longa (Foto: New Line Cinema)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre essas histórias, está o relacionamento conturbado com Tommy Gnosis. Há uma inocência muito bonita que acompanha as cenas no início da relação dos dois, onde o amor dela faz com que descubra mais sobre ele. À medida que Gnosis desbrava a própria </span><a href="https://personaunesp.com.br/benedetta-critica/"><span style="font-weight: 400;">sexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não a aceita, o clima das interações entre os dois se torna profundamente melancólico e o filme se aproveita do drama gerado para ressaltar a ironia: é o que Tommy carrega no nome artístico, o conhecimento (gnosis), que causou a ruína de seu relacionamento com Hedwig. Mais uma vez, dor e decepção passaram pela vida da protagonista.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">À medida que a narrativa avança, a cantora e a banda têm seu instante de fama. A própria montagem do filme fica mais frenética para acompanhar a maior atenção que o grupo passa a receber. O ambiente onde apresentam muda, o antigo </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-sublime-amor-critica/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Hedwig retorna, desta vez para pedir desculpas pelo erro do passado. A linearidade da trama é abandonada e a obra toma para si o caos, cheio de guitarras raivosas e ruído de amplificadores, para representar outra metamorfose da protagonista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem a peruca loira e sem roupas, a aceitação desta nova fase é chocante, mas também traz a liberdade. Agora, é um homem? Mulher? Nenhum dos dois e ambos. Definir sua existência nesses termos é muito simplista. De qualquer forma, continua caminhando. No Mês do Orgulho, sua história é uma incrível fonte de inspiração para todos que fazem parte da comunidade LGBTQIA+. É um incentivo maravilhoso para ser quem você é, sem medo, porque viver de acordo com as divisões que a sociedade impõe desde a infância só traz angústia. Somente abandonando esses “padrões” do século passado é que seremos </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2019/06/hedwig-and-the-angry-inch-criterion-release-john-cameron-mitchell-interview"><span style="font-weight: 400;">livres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de verdade. </span></p>
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