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	<title>Arquivos Hebe Camargo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Rita Lee prova que era gente fina em sua autobiografia</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Jun 2023 20:52:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão &#8220;Ovelha Negra&#8221; Ana &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Rita Lee prova que era gente fina em sua autobiografia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31180" aria-describedby="caption-attachment-31180" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-31180" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita-800x420.png" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/wpcriticarita.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31180" class="wp-caption-text">Ovacionando a Padroeira da Liberdade e mergulhando em uma das mulheres mais importantes da cultura brasileira, o Clube do Livro de Abril celebrou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/Arte: Aryadne Xavier)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Quando eu morrer, posso imaginar as palavras de carinho de quem me detesta. Algumas rádios tocarão minhas músicas sem cobrar jabá, colegas dirão que farei falta no mundo da música, quem sabe até deem meu nome para uma rua sem saída. Os fãs, esses sinceros, empunharão capas dos meus discos e entoarão &#8220;Ovelha Negra&#8221;</span></i></p>
</blockquote>
<p><b>Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história da música brasileira é marcada por ícones inigualáveis que, ora choravam todas as suas dores de corno em versos expositivos, ora eram exilados do país, pedindo em súplica que </span><a href="https://www.culturagenial.com/musica-calice-de-chico-buarque/"><span style="font-weight: 400;">a censura fosse afastada</span></a><span style="font-weight: 400;">. Entre os titãs, está a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&amp;v=zbd_ObeUoZI&amp;embeds_referring_euri=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2Fsearch%3Fq%3Dovelha%2Bnegra%26oq%3Dovelha%2Bnegra%26aqs%3Dchrome.0.0i271j46i433i512j0i433i512j69i64j0i512l4.1830j0j7%26sour&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title&amp;ab_channel=Musicalidade"><span style="font-weight: 400;">Ovelha Negra</span></a><span style="font-weight: 400;">, Rita Lee. Pioneira do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro, compositora sincera e inconfundível, </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> era uma personalidade muito além do que a mídia massiva queria construir como a figura brasileira de mulher do lar. Adjetivos nunca serão suficientes para descrever essa mulher que colocou, sem dó, o dedo na ferida. No entanto, sua autobiografia deixa claro qual a melhor palavra para defini-la: humana.</span></p>
<p><span id="more-31174"></span></p>
<p><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> passeia por momentos que traçaram a rota da música brasileira. Ativa nos palcos desde a década de 1960 até 2012, Rita não apenas participou da imensa maioria dos períodos artísticos brasileiros, como fez história. Sua importância para a cultura permitiria tomar uma distância intelectual dos meros mortais que consomem seu livro, mas a leitura leve, divertida e, por vezes, irônica, faz com que o ato pareça um café da tarde ouvindo as histórias de vó Rita. A vida tão perfeitamente humana dessa mulher é contada com simplicidade e um tom muito único de se expressar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro foi lançado em 2016 pela </span><a href="https://globolivros.globo.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Globo Livros</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A edição vem da mão de seu maior fã, </span><a href="https://caras.uol.com.br/atualidades/amigo-confidente-parceiro-quem-foi-o-jornalista-que-virou-filho-postico-de-rita-lee.phtml"><span style="font-weight: 400;">Guilherme Samora</span></a><span style="font-weight: 400;">, que também cumpre o papel de filho do coração, afilhado, amigo e especialista da carreira de Lee. Esse trabalho feito com muito carinho reforça a naturalidade da escrita. As histórias contadas com certa liberdade artística, já que nem mesmo ela se lembra de tudo que viveu, ganham um tom de deboche ao inserir entre as páginas um fantasminha que, vez ou outra, aparece para corrigir um fato ou um feito que Rita tenha esquecido de mencionar.</span></p>
<figure id="attachment_31175" aria-describedby="caption-attachment-31175" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31175" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-800x533.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-2048x1365.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/rita04-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31175" class="wp-caption-text">A maior parte dos relatos em Rita Lee: uma autobiografia são inéditos (Foto: Gabriela Biló)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência de quase ouvir a voz da autora lendo os trechos da autobiografia se torna ainda mais plausível quando lembramos de sua própria discografia. Apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">la mais caliente de las mujeres</span></i><span style="font-weight: 400;">, a compositora de &#8220;</span><a href="https://blogletraemusica.com.br/rita-lee-lanca-perfume-por-tras-da-letra/"><i><span style="font-weight: 400;">me deixa de quatro no ato</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; poderia ser tão sincera em suas palavras. Não há burocracias, falso moralismo ou qualquer lenga-lenga. É a história nua e crua narrada por quem a vivenciou. Além disso, a cantora faz narra sua vida de forma cronológica, desmontando uma hierarquia de acontecimentos e colocando os fatos no mesmo patamar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rita Lee é filha de um americano e uma italiana, a mais nova das irmãs, e vivia com a família num casarão dos anos 1920, na rua Joaquim Távora, 670, na Vila Mariana. A própria artista nomeia o grupo de harém, afinal, um único homem rodeado de mulheres. Os relatos sobre sua infância são escritos como se tivessem sido vivenciados ontem mesmo. Dividido em capítulos curtos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia </span></i><span style="font-weight: 400;">ganha caráter de conto, viajando por mais de </span><a href="https://museuvirtualdodiscodevinil.com.br/portfolio/cilibrinas-do-eden/"><span style="font-weight: 400;">10 bandas que formou</span></a><span style="font-weight: 400;">, participando como cantora, artista e compositora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em paralelo, ela vivenciou os mais variados momentos sociopolíticos no país, usando a arte para causar estranheza e indagações. Em suas 296 páginas, vida e arte caminham lado a lado para formar o legado e a força de uma mulher autêntica. Uma história de vida contada com erros, acertos, altos e baixos. Para quem já conhece a padroeira da liberdade, uma autobiografia revela também a mulher, o grande amor da vida de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7dbhJ9Kzm_k&amp;ab_channel=PauloHenriqueLima"><span style="font-weight: 400;">Roberto de Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, mãe de Roberto Lee (ariano), João Lee (canceriano) e Antonio Lee (leonino).</span></p>
<figure id="attachment_31176" aria-describedby="caption-attachment-31176" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-31176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-800x535.jpg" alt="" width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02-768x513.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/82-18347-02.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31176" class="wp-caption-text">“Sendo mulher, eu escancaro os tabus, mas não revelo os mistérios” (Foto: Arquivo Rita Lee)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O absoluto deleite da obra fica nos bastidores. Gilberto Gil, Caetano Veloso, </span><a href="https://personaunesp.com.br/40-anos-sem-elis-regina-20-anos-carreira-maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina</span></a><span style="font-weight: 400;">, Hebe Camargo e outros personagens marcantes da Música brasileira são citados de maneira real, sem o glamour conquistado pela carreira vitoriosa. Com Hebe, Rita relembra com muito humor e paixão a diferença entre o estilo de vida das duas. O posto de diva ocupado pela apresentadora vem da ajuda que ela deu em tirar Rita Lee das drogas e abrigá-la em sua casa. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2BEjQrp2pyk&amp;ab_channel=Ziriguidum"><span style="font-weight: 400;">selinhos de Hebe</span></a><span style="font-weight: 400;">? Começaram com Rita, que dizia ir ao programa apenas para sentar ao seu lado e acompanhá-la.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior expectativa que pairava em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficou a cargo da trajetória da cantora em </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/a-razao-pela-qual-os-mutantes-optaram-por-nao-citar-rita-lee-em-show"><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Expulsa da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2BEjQrp2pyk&amp;ab_channel=Ziriguidum"><span style="font-weight: 400;">banda pelos irmãos Sérgio e Arnaldo Baptista</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse sempre foi o ponto da história digno de uma enxurrada de fofocas. O fato é que as viúvas da banda nunca aceitaram que Rita foi coroada a </span><a href="https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2023-05/rainha-do-rock-rita-reivindicava-o-titulo-de-padroeira-da-liberdade"><span style="font-weight: 400;">rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tornando-se a mulher que mais vendeu discos na história do Brasil. Sem méritos ou deméritos, Rita olha com muita sobriedade para o passado, encarando o patriarcado que criou uma barreira em sua carreira musical, contudo, a autora equilibra seus relatos mostrando admiração por Arnaldo, ainda completando que a relação da banda tinha mais a ver com a facilidade de se viver aventuras na casa dos meninos do que com uma identificação pessoal.</span></p>
<figure id="attachment_31177" aria-describedby="caption-attachment-31177" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31177" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-800x450.jpg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/06/epitafio-que-rita-lee-escreveu-em-sua-autobiografia-ela-nunca-foi-um-bom-exemplo-mas-era-gente-boa-40c5327f-024a-4f6c-96be-ed2e7a5d059f.large_.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31177" class="wp-caption-text">Rita revela que seu namoro com Arnaldo foi só uma paixonite de adolescente (Foto: Leila Lisboa)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Rita era a contraventora da moral e dos bons costumes, incitava a crítica, foi censurada e presa por isso. Ela exaltava a sexualidade da mulher em um momento em que isso era inaceitável. Em cima dos palcos, ela evidenciava a hipocrisia do país, desfilando uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6PpJTOXybwI&amp;ab_channel=ObservadorOculto"><i><span style="font-weight: 400;">Miss Brasil 2000</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 1970. De </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/video/rita-lee-muda-data-do-aniversario-e-escolhe-dia-de-santa-rita-de-cassia-entenda-9538022.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Santa Rita de Cássia</span></a><span style="font-weight: 400;"> a São Francisco, ela esteve à frente de sua época e defendeu os animais com unhas e dentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> com arte, talento, feminino, mãe e avó. Suas páginas ainda são preenchidas com fotografias de seu acervo pessoal e lista todos os álbuns lançados e as músicas de cada um.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, Rita se mostra uma mulher madura, consciente e orgulhosa de toda a intensidade que viveu. A sinceridade da cantora não abre brechas para um discurso de Maria Madalena arrependida das drogas, não há vergonha por ter experimentado todas, apenas orgulho por ter saído de cada uma delas. &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">A sorte de ser sido eu, de ter sido quem sou, de estar onde estou, não é nada comparada ao meu maior gol. Sim, acho que </span></i><a href="https://twitter.com/gshow/status/1655949668294217728"><i><span style="font-weight: 400;">fiz um monte de gente feliz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; </span></p>
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		<title>Inesgotáveis são os dramas que conduzem as seis décadas de Tangos</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Dec 2021 20:20:31 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário Se um segmento popular da Música brasileira é rotulado em consenso, hoje em dia, como sofrência, isso é sinal de que o público mais novo desconhece totalmente os tangos outrora gravados &#8211; e dramatizados &#8211; por Dalva de Oliveira. Brincadeiras à parte, em 1961, mesmo ano em que lançaria seu Jubileu de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dalva-de-oliveira-tangos-60-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Inesgotáveis são os dramas que conduzem as seis décadas de Tangos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25303" aria-describedby="caption-attachment-25303" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25303" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1.jpeg" alt="Capa do álbum Tangos. Fotografia quadrada, com fundo bege. No canto superior esquerdo, vemos o brasão do selo Imperial, formado pelo título Imperial, um fundo preto, um pássaro e uma coroa. No lado direito da parte superior, lemos Dalva de Oliveira em letras azuis. Abaixo, lemos Tangos em letras cor-de-rosa. Ainda mais embaixo, lemos Francisco Canaro em letras pretas. A letra G, de Tangos, tem uma seta voltada para a esquerda, apontando para o nome de Canaro. Mais ou menos no centro, vemos uma fotografia da cantora Dalva de Oliveira. Trata-se de um retrato oval, com uma espécie de filtro cor-de-laranja. Dalva tem cabelos curtos, sorri e está com a mão esquerda próxima do pescoço. Ao lado de seu retrato, lemos, em letras pretas, a lista de faixas pertencentes ao álbum Tangos. " width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-768x768.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25303" class="wp-caption-text">Assim como o Jubileu de Prata, Tangos completa 60 anos em 2021 (Foto: EMI Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se um segmento popular da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/musica-brasileira/"><span style="font-weight: 400;">Música brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> é rotulado em consenso, hoje em dia, como </span><a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/rodeio-de-jaguariuna/2017/noticia/especialista-analisa-historico-da-sofrencia-a-partir-de-versos-do-feminejo-veja-trechos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">sofrência</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso é sinal de que o público mais novo </span><a href="https://www.instagram.com/p/CWniD8hA8Dz/"><span style="font-weight: 400;">desconhece</span></a><span style="font-weight: 400;"> totalmente os tangos outrora gravados &#8211; e dramatizados &#8211; por Dalva de Oliveira. Brincadeiras à parte, em 1961, mesmo ano em que lançaria seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/dalva-de-oliveira-60-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Jubileu de Prata</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a grande estrela do rádio investigava magistralmente alguns dramas humanos, principalmente os passionais, reunindo-os de forma bastante coesa em outro daqueles seus álbuns mais memoráveis de toda a carreira: o quase teatral </span><a href="http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=089842_07&amp;pasta=ano%20196&amp;pesq=%22Odeon%22%20%22Tangos%22%20%22Dalva%20de%20Oliveira%22%20%22Modas%20e%20Modinhas%22&amp;pagfis=16928"><i><span style="font-weight: 400;">Tangos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esta abertura, por sinal, pode até parecer exagerada, mas uma única reprodução do mencionado </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue comprovar nítida e facilmente o contrário.      </span></p>
<p><span id="more-25302"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo mais um dos lançamentos da gravadora </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1006201131.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Odeon</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tangos</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, antes de tudo, uma reedição do disco </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7oPfTAq4GcA"><i><span style="font-weight: 400;">Os Tangos Mais Famosos na Voz de Dalva de Oliveira</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1957. Ultrapassando, no entanto, as oito faixas gravadas anteriormente com o músico uruguaio </span><a href="https://radios.ebc.com.br/todas-vozes/edicao/2017-01/da-argentina-para-o-brasil-o-tango-verde-e-amarelo-no-radio"><span style="font-weight: 400;">Francisco Canaro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Dalva agora incluía em seu repertório mais quatro </span><a href="https://www.instagram.com/p/CPgYxZQJcFt/"><span style="font-weight: 400;">canções estrangeiras</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, adaptadas para o Português, se transformavam, mesmo que minimamente, em obras com perceptíveis traços brasileiros. Na companhia da orquestra de </span><a href="https://www.museudatv.com.br/biografia/oswaldo-borba/"><span style="font-weight: 400;">Oswaldo Borba</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e, em um caso específico, do próprio Canaro, segundo consta a </span><a href="https://http2.mlstatic.com/D_NQ_NP_2X_13840-MLB4343001822_052013-F.webp"><span style="font-weight: 400;">contracapa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do vinil -, nasciam, dessa forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Dia Que Me Queiras</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">La Copa Del Olvido</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cristal (Christal)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Donde Estas Corazon</span></i><span style="font-weight: 400;">, que em nada destoavam do material mais antigo e </span><a href="https://www.instagram.com/p/CKUtJaXBER0/"><span style="font-weight: 400;">reaproveitado</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25304" aria-describedby="caption-attachment-25304" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25304 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-4.jpg" alt="Registro de Dalva de Oliveira com Francisco Canaro. Fotografia verticalmente retangular, em preto e branco. Ao fundo, observamos um estúdio. No lado esquerdo da imagem, um homem de terno toca um violoncelo. Entre o meio e o lado direito, Dalva de Oliveira canta diante de um microfone, enquanto o músico Francisco Canaro a observa. Eles vestem roupas formais e estão concentrados no trabalho. Sobre as mãos dos dois, vemos a marca d’água do perfil Dalva de Oliveira FC. Na parte inferior, sobre uma faixa preta, lemos “Dalva em flagrante preciso, soltando a voz, com supervisão de Francisco Canaro (direita)”. " width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-4.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-4-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-4-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-4-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25304" class="wp-caption-text">Sem o perfil <a href="https://www.instagram.com/dalvadeoliveira.fc/?hl=pt-br">Dalva de Oliveira FC</a>, algumas raridades dificilmente chegariam ao grande público (Foto: Dalva de Oliveira FC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi, inclusive, com a mesma sorte ou sensibilidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">Jubileu</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 1961 que </span><i><span style="font-weight: 400;">Tangos</span></i><span style="font-weight: 400;"> atingiu seus acertos desde o princípio, dando boa sustentação para uma jornada calorosa e intensa. Reservando à idealizada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oEe5N26oLWQ"><i><span style="font-weight: 400;">O Dia Que Me Queiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Gardel/Le Pera/vers.: Haroldo Barbosa) o posto de faixa de abertura, a Rainha da Voz tornava extremamente grandioso aquele primeiro passo poético. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A noite que me queiras/Do azul do firmamento/Estrelas radiosas/Virão nos ver passar</span></i><span style="font-weight: 400;">”, prometia a letra apaixonada. Não bastasse a excelência da composição, Dalva ainda alcançava, nesse primeiro contato, emoções e nuances que são, talvez, incomparáveis em toda a linha do tempo do mercado fonográfico nacional.    </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas as mágoas de amor eram inevitáveis, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oTXOlRTsCPQ"><i><span style="font-weight: 400;">La Copa Del Olvido</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (E. Delfino/Vacarezza/vers.: Tito Climent) chega afogando as tristezas em muito vinho, tentando, também, evitar um assassinato movido a ciúme doentio, assim como outros tipos de vingança extrema. Igualmente dentro de uma linha trágica, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U_9uvItZrzE"><i><span style="font-weight: 400;">Sus Ojos Se Cerraron</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Gardel/Le Pera/vers.: Ghiaroni) acompanha, por sua vez, o drama das temidas últimas despedidas, colocando em ênfase o sofrimento de quem, não sem inconformismo, diz adeus a uma grande paixão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Por que lutamos/Se a morte foi mais forte?/Por que ainda vivo/Se tu eras minha vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É até curioso pensar que, bem antes da existência do Sertanejo Universitário, uma cantora brasileira já amava e sofria na mesma intensidade, compartilhando, através de suas músicas, os sentimentos mais profundos e universais.</span></p>
<figure id="attachment_25305" aria-describedby="caption-attachment-25305" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-4.jpg" alt=" Capa do álbum Mulher. Fotografia quadrada, com fundo aparentemente preto. No canto superior esquerdo, lemos Hebe em letras formadas por estrelas, emitindo uma forte luz azul e provocando uma chuva de astros. Abaixo, lemos Mulher em letras cursivas brancas. Hebe Camargo ocupa principalmente o lado direito da foto. Ela é uma mulher loira, idosa, de maquiagem e joias, esmalte preto, mãos cruzadas sobre o peito e veste um vestido aveludado possivelmente azul ou roxo. " width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-4.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-4-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-4-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-4-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25305" class="wp-caption-text">No álbum Mulher, de 2010, Hebe Camargo gravou uma versão da música O Dia Que Me Queiras, com participação de Daniel Boaventura (Foto: Sony Music Entertainment Brasil)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em continuidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_3IayUG8Y68"><i><span style="font-weight: 400;">Yira… Yira</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (E. S. Discepolo/vers.: Ghiaroni) assume um tom bastante pessimista &#8211; ou seria realista? &#8211; em relação às indiferenças do mundo, concluindo que não se pode esperar o mínimo auxílio nesta trajetória inflexível e brutal que é a vida. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X4w-4njVEBA"><i><span style="font-weight: 400;">Confesion</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (E. S. Discepolo/L. C. Amadori/vers.: Lourival Faissal) expõe uma das mais interessantes narrativas destes </span><i><span style="font-weight: 400;">Tangos</span></i><span style="font-weight: 400;">, jogando luz sobre um indivíduo que, por amor incondicional e questionável espírito heroico, finge ser indiferente e resolve se afastar da pessoa amada. Para finalizar, então, o Lado A do vinil, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GOteLKhwYvk"><i><span style="font-weight: 400;">Tristeza Marina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Horácio Sanguinetti/Roberto Flores/José Dames/vers.: Haroldo Barbosa) resgata as melancolias do mar, dando forças a um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DK6yb0X-GLM"><span style="font-weight: 400;">tema não muito raro</span></a><span style="font-weight: 400;"> no repertório da Estrela Dalva.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Virando o disco, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_rg4FYyChoA"><i><span style="font-weight: 400;">Cristal (Christal)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> [Marianito Mores/J. M. Contursi/vers.: Haroldo Barbosa] fisga os corações mais dramáticos com seus versos exagerados e sonoridade marcante. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Tenho o coração feito em pedaços/Trago esfarrapada a alma inteira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, evidenciam as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Dkjn68Fsy9Q"><span style="font-weight: 400;">hipérboles</span></a><span style="font-weight: 400;"> iniciais. E é mais ou menos do mesmo tom a seguinte </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dlDobNbrmfU"><i><span style="font-weight: 400;">Donde Estas Corazon</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(L. Martinez Serrano/A. P. Berto/vers.: Ubirajara Silva), possivelmente um dos exemplos mais nítidos da “sofrência” sem medidas de Dalva. Mais uma vez, o eu-lírico encontra-se, aqui, diante da morte, temática que permeia o universo ora dançante, ora enlutado &#8211; mas sempre melancólico &#8211; do tango.  </span></p>
<figure id="attachment_25306" aria-describedby="caption-attachment-25306" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25306" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-3.jpg" alt="Cena da minissérie Dalva e Herivelto, Uma Canção de Amor. Fotografia horizontalmente retangular. Ao fundo, quase nada iluminado, observamos vários objetos, como estatuetas, um copo, um vaso e um telefone. No lado esquerdo, em destaque, observamos a capa do álbum Tangos, possivelmente com alterações feitas para a verossimilhança da obra audiovisual. Na frente dela, uma mão folheia uma agenda telefônica. " width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25306" class="wp-caption-text">Nesta cena da minissérie Dalva e Herivelto, Uma Canção de Amor, a capa do disco Tangos foi provavelmente alterada para estampar o rosto de Adriana Esteves (Foto: Globo/Som Livre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao chegar, contudo, à nona canção do álbum, a Rainha do Rádio atinge graus de beleza vocal e interpretação quase insuperáveis. É em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H6jXKnFRW3Q"><i><span style="font-weight: 400;">Lencinho Querido</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(J. D. Felisberto/C. G. Peñaloza/vers.: Maugeri Neto), portanto, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Tangos</span></i><span style="font-weight: 400;"> ergue um de seus incontestáveis auges, dando vida a uma cinematográfica história de traições e beijos perpetuados em um lenço branco. Aliás, justamente por causa dessa versão arrebatadora, não é exagero afirmar que poucos brasileiros conseguiriam dar tanto vigor ao </span><i><span style="font-weight: 400;">pañuelito</span></i><span style="font-weight: 400;"> de ilusão simbólico e estrangeiro. E se, para estar ao lado de uma lenda, é preciso ser uma figura igualmente lendária, Marisa Monte provou-se grandiosíssima ao gravar a mesma faixa em </span><a href="https://open.spotify.com/album/0NW6Z4aNFiaj2pN83d1fyg?si=aMBhitHbQSmqvuHjJeUlpQ"><i><span style="font-weight: 400;">O Que Você Quer Saber de Verdade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2011. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pouco antes do fim do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=i4lkQJj7aFs"><i><span style="font-weight: 400;">Fumando Espero</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (J. Viladomat/Felix Garso/vers.: Eugenio Paes) surge como uma das canções mais lembradas de todas as 12 faixas que compõem seu repertório, sobrevivendo com certo vigor até os dias de hoje. Também gravada pela estrela espanhola de Cinema </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rvgE16WVwwc"><span style="font-weight: 400;">Sara Montiel</span></a><span style="font-weight: 400;">, na </span><a href="https://open.spotify.com/album/758MDONBlZBcpl7ipTESj9?si=dobyGAODQz-4fEa9GPFyiw"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hiJ2lL0RVr0&amp;t=31s"><i><span style="font-weight: 400;">El Último Cuplé</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fumando Espero</span></i><span style="font-weight: 400;"> brilhou recentemente, assim como sua antecessora, na voz artisticamente sagrada de Marisa Monte &#8211; que deu um toque especial à música em 2016, ao lançar o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/45km4FUN3OHr7bqR5Evpyh?si=HQsVkyPpQrikzBOl8m0e8A"><i><span style="font-weight: 400;">Coleção</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Enquanto eu fumo/Depressa a vida passa/E a sombra da fumaça/Me faz adormecer</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz o trecho de uma das melhores adaptações feitas para nossa língua materna ao longo da História nacional. </span></p>
<figure id="attachment_25307" aria-describedby="caption-attachment-25307" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25307" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5.jpg" alt="Registro de Dalva de Oliveira gravando com a orquestra de Francisco Canaro. Fotografia horizontalmente retangular, em preto e branco. Ao fundo, notamos o estúdio da gravadora Odeon. Dalva encontra-se no lado direito da foto e aponta possivelmente para uma partitura ou uma letra de música. Ao redor da cantora, observamos seis homens. Aquele que está em pé no lado esquerdo da foto é, provavelmente, Francisco Canaro. " width="1080" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25307" class="wp-caption-text">Assim era Dalva de Oliveira gravando em estúdio (Foto: Dalva de Oliveira FC)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iv0Y9OFqbpE"><i><span style="font-weight: 400;">Che Papusa Oi!&#8230;</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (G. H. Matos Rodríguez/E. Cadícamo/vers.: Haroldo Barbosa) e seus relatos irônicos tornam-se, no</span><i><span style="font-weight: 400;"> Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;">, o fragmento menos reproduzido</span> <span style="font-weight: 400;">de todo o fervoroso álbum. Tendo isso em mente, o </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba promovendo um contraste drástico ao assumir, atualmente, a posição de faixa mais ouvida do disco na mesma plataforma. A propósito, além de receber destaques numéricos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-1RhQ-KJYd8"><i><span style="font-weight: 400;">La Ultima Copa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (Francisco Canaro/Juan A. Caruso/vers.: Tito Climent) exerce muito bem sua função de desfecho. E, descontextualizada, seria ainda capaz de fazer uma triste previsão para o futuro da Rainha da Voz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Será esta minha festa derradeira/Para depois no esquecimento mergulhar</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esta é, enfim, mais uma visão panorâmica sobre parte da discografia da extraordinária Dalva de Oliveira. Não tão aprofundada, já que focaliza um disco ainda mais difícil de ser pesquisado, mas construída em modesta celebração aos 60 anos da obra em destaque. Seis décadas essas que, totalmente multifacetadas, foram tempo suficiente para o </span><a href="https://immub.org/album/19526"><span style="font-weight: 400;">relançamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tangos</span></i><span style="font-weight: 400;"> por meio do selo</span> <a href="https://www.discogs.com/pt_BR/label/86658-Imperial-4"><i><span style="font-weight: 400;">Imperial</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na década de 1970. E que poderiam trazer análises detalhadas sobre como os termos “</span><i><span style="font-weight: 400;">negra</span></i><span style="font-weight: 400;">”, “</span><i><span style="font-weight: 400;">surdo</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">mudo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dentre outros, eram utilizados sem muitos cuidados em 1961. Recorte temporal vasto, marcado pelo sucesso, esses 60 anos trouxeram, inclusive, um </span><a href="http://www.toque-musicall.com/?p=7451"><i><span style="font-weight: 400;">Tangos &#8211; Vol. 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estreado </span><a href="https://www.instagram.com/p/CKg3qEnJ22t/"><span style="font-weight: 400;">com ousadia</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1963. Mas isso, meus caros, é assunto para um próximo texto.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Tangos" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/4APn17u3DxjBPj36xO4hXU?si=OJfU0_uLQaq1l6h1BNU1kQ&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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