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	<title>Arquivos Heather história &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Kid Krow: a matéria-prima de Conan Gray é a tristeza</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Apr 2020 20:54:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conan Gray definiu seu álbum de estreia como ‘chaotic neutral’ (Foto: Reprodução) Vitor Evangelista Conan Gray nunca foi de pedir muito. ‘Take me where the music ain&#8217;t too loud’, ele canta numa das faixas que abrem seu encantador debut. O californiano de 21 anos é filho do Youtube e da Geração Z, é filho também &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/kid-krow-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Kid Krow: a matéria-prima de Conan Gray é a tristeza"</span></a></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1000" height="1000" class="wp-image-13785" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/0001.jpg" alt="" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/0001.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/0001-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/0001-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/0001-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>Conan Gray definiu seu álbum de estreia como ‘chaotic neutral’ (Foto: Reprodução) </em></p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Vitor Evangelista </strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Conan Gray nunca foi de pedir muito. <em>‘Take me where the music ain&#8217;t too loud’</em>, ele canta numa das faixas que abrem seu encantador <em>debut</em>. O californiano de 21 anos é filho do <em>Youtube</em> e da <a href="https://www.consumidormoderno.com.br/2017/09/22/caracteristicas-fundamentais-geracao-z/">Geração Z</a>, é filho também de pais divorciados, mas disso falamos depois. Suas canções mantém uma máxima: são súplicas. O músico versa sobre corações partidos e amizades distantes. Temas <a href="https://open.spotify.com/album/7HnbhIDKXIBhMR4EPGuMgu">comuns</a> mas que ganham fôlego quando ele faz uso de suas vivências, seus respiros e, principalmente, a maneira como lida com a rejeição. No fim das contas, <em>Kid Krow</em> é uma prisão macia. Nunca seremos felizes? Não há resposta certa mas, se a incerteza vier com trilha sonora de Gray, tudo é suportável.</p>



<p><span id="more-13784"></span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Comfort Crowd</em>, que inaugura o CD, é a primeira investida na <a href="https://genius.com/Conan-gray-comfort-crowd-lyrics">solidão</a> que o cantor sublinha ao longo dos trinta e três minutos seguintes. Após o divórcios dos pais, Conan mudou para o Texas com a mãe, deslocando-se física e emocionalmente de seus amigos. Urge então uma necessidade avassaladora de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JLYkXpUbFa0&amp;feature=emb_title">dividir momentos</a> com qualquer pessoa que seja. <em>Kid Krow</em> reflete habilmente sobre essa nossa inevitabilidade de estar sempre em busca do outro, nunca satisfeitos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como bom jovem adulto que é, Conan Gray não sabe medir sentimentos e emoções. O compositor já declarou em <em>tweets</em> a repulsa por álcool e drogas e, na explosão de <em>Wish You Were Sober</em>, espelha angústia numa carta de amor às avessas. Apaixonado por alguém <a href="https://twitter.com/conangray/status/1215478028895080448?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1215478028895080448&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fgenius.com%2FConan-gray-wish-you-were-sober-lyrics">imprudente</a>, ele pede o mínimo, e se frustra ao não recebê-lo.<em> ‘Honestly, you always let me down, and I know we&#8217;re not just hanging out’</em>, choroso, canta, ele só queria o silêncio de casa, confessa.</p>



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<div class="wp-block-embed__wrapper">https://www.youtube.com/watch?v=hEDBZtmKPmg</div>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">O <a href="https://www.youtube.com/watch?v=hEDBZtmKPmg">clipe</a> de <em>Wish You Were Sober</em> aterrissou junto do lançamento do álbum e filma a insatisfação e o desconforto de Conan num ambiente aterrorizante. O cenário da festa universitária rende bons clichês visuais, que contrastam na medida certa com a composição ácida da música. Os videoclipes de Gray são potentes ao ilustrar a implosão que guarda no peito. É um trabalho extremamente criativo e pessoal. Ele chegou se envolver na direção dos clipes de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=aNFwldnMHk0"><em>Grow</em></a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BI5_hpUxDrM"><em>Idle Town</em></a>, do <em>EP</em> <em>Sunset Season</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com aptidão para o ramo do visual, Conan Gray surgiu com um <a href="https://www.youtube.com/channel/UCUKxvWVo8lmRXkbTOkqUhGg">canal</a> em 2013. No <em>‘ConanxCanon’</em>, o conteúdo variava de desafios até <em>covers</em> de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BSQ0OiGTB4Q">canções famosas</a>. Ele ainda gravava sobre inseguranças pessoais, como seu jeito afeminado de se portar. Vítima de <em>bullying</em> a vida toda, tanto por fugir dos padrões do masculino quanto por sua ascendência japonesa, Conan encontrou no bom humor e nas canções um refúgio de e para sua solidão.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, lançou o <em>EP Sunset Season</em>. Em músicas como <em>Idle Town</em> (escrita após ser expulso de casa), ele abraça a ideia mística de segurança da pequena cidade em que viveu. Dois anos depois, munido de um coração estilhaçado e muita energia acumulada, chegou <em>Kid Krow</em>. O título alude a personificação do animal que Conan adota para si. Na mitologia asiática, a figura do <a href="https://www.significados.com.br/corvo/">Yatagarasu</a> (Corvo de 8 Pernas) é sinônimo de supremacia e perfeição.</p>



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</figure>



<p class="wp-block-paragraph"><em>Kid Krow</em> conta com duas faixas interlúdio: <em>(Online Love)</em> e <em>(Can We Be Friends?)</em>. Nomeadas entre parênteses, ambas canções são linha direta entre artista e fãs, como ele mesmo disse em <a href="https://genius.com/Conan-gray-online-love-lyrics">entrevista</a> à <em>Apple Music</em>. Tiete de outros astros, Gray dá valor imenso a quem acompanha seu trabalho e vibra com suas conquistas. Esse é outro fator interessante do efeito do álbum: o trabalho de um amante de música para seus iguais. Conan nasceu na mesma faixa de anos que a maioria de seus <a href="https://twitter.com/conangray/status/1190663225429438465">admiradores</a>, chamados de <em>ratpack</em>, então essa confluência de sentimentos e vazios e inspirações se torna charmosa e genuína. </p>



<p class="wp-block-paragraph">A falta de clareza é consequência de nossas emoções e reações. Num primeiro momento, Conan esbraveja o <a href="https://genius.com/Conan-gray-maniac-lyrics">rancor</a> de <em>Maniac</em>, <em>‘Listen to yourself, think you need to get some help’</em>, e a arrogância de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5WsvJaUAWlU"><em>Checkmate</em></a>, <em>‘So cry me a river &#8216;til you drown in the lake’</em>. Para, logo na sequência cantar lamentos em <em>The Cut That Always Bleeds</em>. Além de multifacetar sua própria figura, ele admite que a cura não é linear. E nem deve ser.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desde seu <em>EP</em>, Conan já balançava a alegria e a tristeza no mesmo punho. Em <em>Lookalike</em>, de longe seu trabalho mais polido, ele brinca com essa dualidade. A calmaria da canção é um soco no estômago que brinda a superação, mas finaliza seus acordes com uma <a href="https://genius.com/Conan-gray-lookalike-lyrics">recaída colossal</a>. São relances, são momentos mínimos. O garoto corvo não esconde suas falhas e buracos na armadura. Mesmo tímido e retraído, cresce nele uma coragem para se expor dessa forma.</p>



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<div class="wp-block-embed__wrapper">https://www.youtube.com/watch?v=-E-_IRJU5w0</div>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Como bom filho de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=urKtxvvQ70s">cultura <em>pop</em></a>, Conan Gray é admirador <a href="https://twitter.com/conangray/status/973973529854058496">confesso</a> da neozelandesa <a href="http://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/">Lorde</a>. Dona de dois intensos álbuns, a ganhadora do <em>Grammy </em>já visitou os terrenos de juventude, medo do futuro e saco cheio que o cantor vive agora. Em <em>Pure Heroine (2013)</em>, a artista cantava sobre seu bairro, seus receios quanto ao mundo lá fora e sobre amar. Gray absorve, ventila e nos presenteia a ótima <em>Affluenza</em>. Prima distante de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=nlcIKh6sBtc"><em>Royals</em></a>, a canção é quase um escarro aos colegas bem afortunados do garoto. Um respiro empolgante num conjunto que carrega sons de melancolia e delicadeza. <a href="https://genius.com/Conan-gray-little-league-lyrics"><em>Little League</em></a> é outra faixa que rima com a Lorde de <em>Ribs</em>. Insegurança, medo de crescer e saudade da infância são temas convergentes nas duas composições.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E então chega <em>Heather</em>. O cantor já estraçalha com o comovente instrumental que demora a encontrar sua voz. Exemplo maciço da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=BiQIc7fG9pA&amp;lc=z12putozuzboydegj04cebopam3ef3lwnok0k.1499971347192128"><em>vibe</em></a><em> i hate u i love u</em> do álbum, a décima faixa nos transporta para aquele doloroso três de dezembro. A canção flutua acanhada, navega com temores e chega a conclusão nenhuma. Concordando, mais uma vez, com os sentimentos do mundo real. Conan Gray sabe que é errado odiar <a href="https://genius.com/Conan-gray-heather-lyrics">Heather</a>, mas reconhece a necessidade quase animalesca de direcionar algo à ela, mesmo que agressivo (ou maníaco).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="683" class="wp-image-13787" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/affluenza-1024x683.jpeg" alt="" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/affluenza-1024x683.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/affluenza-300x200.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/affluenza-768x512.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/affluenza-1200x800.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/04/affluenza.jpeg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph" style="font-size: 12px;"><em>Além da questão financeira, Affluenza coloca o holofote sobre o complicado divórcio dos pais de Conan (Foto: Reprodução)</em></p>



<p class="wp-block-paragraph">A decisão de dar fecho à <em>Kid Krow</em> com a aveludada <em>The Story</em> diz muito sobre como o artista enxerga essa fase de sua vida. Narrando o <a href="https://genius.com/Conan-gray-the-story-lyrics">conto de amor</a> das pessoas que passaram e partiram, o americano entona otimismos ao futuro. Conan lê com astúcia o padrão que molda nossa vivência. Tudo isso para arrematar ao voo uma mensagem benevolente:<em> ‘but I think that it could work for you and me, just wait and see’</em>.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se Conan Gray nos assegurar disso, é provável que o oposto acontecerá. Mesmo que suas estelares canções sejam causa e efeito de expectativas infundadas, sentimentos afogados e memórias que soam melhores que os momentos reais, elas também são macias a quem precisa. Às vezes, o necessário é o conforto de alguém com quem nos identificamos. E está tudo bem, não é o fim da história.</p>



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<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/kid-krow-critica/">Kid Krow: a matéria-prima de Conan Gray é a tristeza</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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