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	<title>Arquivos Heart and Guts &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Delírio e desobediência em Das Tripas Coração</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Oct 2022 20:56:52 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Juliana Boaventura As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em Das Tripas Coração (1982) &#8211; em inglês, Heart and Guts &#8211;, a cineasta Ana Carolina &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/das-tripas-coracao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Delírio e desobediência em Das Tripas Coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29033" aria-describedby="caption-attachment-29033" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem1.jpg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração (1982), em frente ao prédio da escola, na foto estão algumas alunas, vestidas de saia e camisa escolar, entre outros personagens, aglomerados, sem olhar para a câmera. Na direita da imagem, Guido (Antônio Fagundes) segura a professora de química do colégio enquanto ela vomita, abaixada, vestindo uma saia xadrez e camisa branca" width="512" height="267" /><figcaption id="caption-attachment-29033" class="wp-caption-text">Das Tripas Coração foi exibido na seção Apresentação Especial da 46ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo juntamente com outras produções da cineasta Ana Carolina, vencedora do Prêmio Humanidade (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><b>Juliana Boaventura</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As transformações físicas, descobertas sexuais e emoções intensas que fazem parte da transição da infância para a adolescência povoam e intrigam o imaginário popular. Muitos artistas buscam examinar isso em suas obras, partindo de suas experiências íntimas. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982) &#8211; em inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Heart and Guts &#8211;</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cineasta Ana Carolina constrói um microcosmo que expõe aspectos dessa transição de forma cômica e teatral, valendo-se de uma narrativa onírica não-linear, declamações inflamadas e murmúrios fora de cena. Uma inclinação à rebeldia e à desobediência permeia o longa-metragem, que desenrola-se dentro de um colégio feminino, austero, religioso e falido. O filme compõem a seção Apresentação Especial na programação da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29032"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A diretora e roteirista iniciou sua produção cinematográfica com um documentário sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Getúlio Vargas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1974). Em seguida, ela concebe </span><i><span style="font-weight: 400;">Mar de Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1977) e mais dois longas que abordam a condição feminina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sonho de Valsa</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1987); compondo uma trilogia. Seu trabalho mais recente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixões Recorrentes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2022), também foi exibido na Apresentação Especial  da 46ª Mostra. Ao longo de sua carreira, ela tem exposto acerca da dificuldade em financiar e executar seus projetos, como em uma entrevista ao </span><a href="https://youtu.be/lphpUOvuH3I"><i><span style="font-weight: 400;">Roda Viva</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1994. Ela menciona também a necessidade de renovação do aparato de produção cinematográfico brasileiro e suas perspectivas e ideias para o cinema nacional, colocando-o como um meio de mudança social.</span></p>
<figure id="attachment_29034" aria-describedby="caption-attachment-29034" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29034 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg" alt="Fotografia que retrata a cineasta Ana Carolina, olhando para o lado, ela segura a gola de um casaco cinza com as duas mãos, de punhos cerrados. No fundo está o pôster do filme Mar de Rosas, no qual há uma ilustração de uma menina com as mãos na cintura, usando um vestido com a tipografia do título do filme. Trata-se de uma das personagens principais do longa, Betinha (Cristina Pereira), e em seu nariz há o que parece ser um prendedor de roupas vermelho" width="800" height="604" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-800x604.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1024x773.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-768x580.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1536x1160.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2-1200x906.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem2.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29034" class="wp-caption-text">Ana Carolina em frente ao pôster de Mar de Rosas, estrelado por Norma Bengell e Cristina Pereira como mãe e filha (Foto: Tasso Marcelo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i><span style="font-weight: 400;">, há um uso provocativo de superposição das vozes dos atores, os sons se misturam espacialmente conforme a câmera se move. Isso evoca uma rejeição à ordem, como durante a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><span style="font-weight: 400;">aula</span></a><span style="font-weight: 400;"> do professor Guido (Antônio Fagundes), em que os murmúrios das alunas vão de provocações a questionamentos sobre o estado civil do professor. A confusão de vozes agrega à comicidade dos diálogos e ao aspecto surreal do filme, um recurso que a diretora reconhece causar estranhamento no público. Em </span><a href="http://memoria.bn.br/docreader/DocReader.aspx?bib=154083_04&amp;pagfis=1114"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à Tribuna da Imprensa em 1980, afirma: “</span><i><span style="font-weight: 400;">o delírio, as coisas que a gente pensa e não diz, aquelas de que a gente ri e outros não, isto é o que vale no meu cinema. Interesso-me pelo não-dito, pelo mal-dito, que tem mais graça, é mais possível e mais interessante</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O colégio em que a trama se passa é como um espaço fechado que encapsula os fenômenos da sociedade, conflitos geracionais, de classe social e a sexualidade em todas as fases da vida. Alguns diálogos entre as faxineiras, as inspetoras, o professor e as diretoras da escola, Miriam (Xuxa Lopes) e Renata (Dina Sfat), reforçam a ideia de que as alunas adolescentes representam uma força da natureza, incontroláveis. Há um </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra67312/das-tripas-coracao"><span style="font-weight: 400;">espírito de rebelião</span></a><span style="font-weight: 400;">, de desobediência à ordem vigente, que atinge seu ponto máximo quando uma das alunas (Maria Padilha) urina em meio à uma missa, sendo punida em seguida.</span></p>
<figure id="attachment_29035" aria-describedby="caption-attachment-29035" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29035 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg" alt="Cena do filme Das Tripas Coração em que Renata abraça Guido. Ela usa um vestido cinza de mangas compridas, tem o cabelo cacheado na altura dos ombros e olha para além da câmera, assim como Guido, que usa uma blusa cinza, tem cabelos pretos e barba cheia" width="800" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-800x544.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1024x696.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-768x522.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1536x1044.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3-1200x816.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/10/imagem3.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29035" class="wp-caption-text">As diretoras do colégio Renata e Miriam vivem um triângulo amoroso com Guido (Foto: Crystal Cinematográfica)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio ao ritmo acelerado dos acontecimentos, o desejo sexual dos personagens é a força motriz dos conflitos. Tanto revelações íntimas das personagens quanto declamações poéticas e reflexões filosóficas evocam o inconsciente, as classes sociais e as estruturas políticas. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=90QrscVHL0k"><i><span style="font-weight: 400;">Das Tripas Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Ana Carolina explora o estranhamento, e a maneira como a narrativa acontece acrescenta ao aspecto delirante e cômico da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo filme da trilogia sobre a condição feminina, </span><a href="https://www.prppg.ufpr.br/siga/visitante/trabalhoConclusaoWS?idpessoal=79015&amp;idprograma=40001016001P0&amp;anobase=2021&amp;idtc=1703"><span style="font-weight: 400;">segundo ela</span></a><span style="font-weight: 400;">, traz uma tentativa de explorar o sexo e a culpa, a visão masculina do desejo feminino. Em um discurso que explora tanto a insubmissão e a desobediência características da transição da infância para a adolescência quanto diversas contradições ao longo das gerações, a produção acaba por abarcar (quase) toda a vida.</span></p>
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