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	<title>Arquivos HBO Max &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres</title>
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		<pubDate>Wed, 25 Feb 2026 13:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-angela-dinizassassinada-e-condenada/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Na pele de Marjorie Estiano, Ângela Diniz não pede para ser amada, mas exige liberdade – assim como todas as mulheres"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36802" aria-describedby="caption-attachment-36802" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Ângela, uma mulher de pele clara aparece em ambiente externo, durante o dia. Ela tem cabelo castanho ondulado e solto. Ela sorri enquanto ergue um dos braços, parecendo estar dançando. Na outra mão, segura uma taça com Champagne. Usa um vestido bege com listras brilhosas, sem mangas e com decote profundo, além de brincos grandes e um cordão. Ao fundo, há outras pessoas desfocadas e árvores e plantas que compõem a paisagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-3.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36802" class="wp-caption-text">A série foi inspirada na história de Ângela Diniz, a socialite a frente de seu tempo vítima de feminicídio (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final de 2025 foi marcado por um clima de luto. Enquanto as festividades se aproximavam, as histórias de alguns nomes femininos começaram a ocupar as redes sociais e ganharam mais tempo de audiência nos jornais. Infelizmente, os comentários e matérias não se tratavam do sucesso profissional dessas mulheres, ou de alguma história curiosa ou cativante de suas vidas; não ouvimos sobre o brilho delas ou sobre suas paixões. Isso só foi ouvido depois, e das bocas dos amigos e familiares que, em busca de justiça, relembram a coragem, os sorrisos e sonhos daquelas mulheres que tiveram as vidas roubadas pelo </span><a href="https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2025/12/01/brasil-tem-mais-de-mil-casos-de-feminicidio-registrados-em-2025.ghtml"><span style="font-weight: 400;">feminicídio</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36801"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mesmo período, estreou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;">. A série retrata a história da </span><i><span style="font-weight: 400;">socialite</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileira conhecida como ‘A Pantera de Minas’, que nos anos 1970 ocupava os tabloides com narrativas sobre a sua beleza avassaladora e seu jeito livre de ser. A produção é baseada no podcast </span><a href="https://radionovelo.com.br/originais/praiadosossos/"><i><span style="font-weight: 400;">Praia dos Ossos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da Rádio Novelo, cujo título carrega o nome do local onde o brilho de Ângela (Marjorie Estiano) chegou ao fim. Em 30 de dezembro de 1976, ela foi assassinada pelo namorado Raul Fernando do Amaral Street (Emílio Dantas) com quatro tiros na Praia do Ossos, na Armação de Búzios, no Rio de Janeiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Pantera teve sua história interrompida pela maldade e possessividade do companheiro, mas, ainda que não parecesse ter consciência disso, construiu um legado eterno; a lembrança de sua figura irreverente foi marcante no julgamento do crime: mais determinado a condená-la por seu estilo de vida do que em punir de forma efetiva o seu assassino. Sem metáforas ou eufemismos: em um tribunal cujo juiz era homem, os advogados eram homens e a maior parte do júri também, a defesa, baseado na legislação da época, afirmou que Doca matou Ângela em um ato de </span><a href="https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/tese-da-legitima-defesa-da-honra-e-inconstitucional/"><span style="font-weight: 400;">legítima defesa de sua honra</span></a><span style="font-weight: 400;">, como se ela fosse a verdadeira culpada.</span></p>
<figure id="attachment_36804" aria-describedby="caption-attachment-36804" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e condenada. Ângela, uma mulher de pele clara está próxima a uma porta azul. Ela tem cabelo castanho escuro, veste um biquíni e apresenta uma expressão tensa, olhando para um homem à sua frente. Doca, de costas para a câmera, tem cabelo escuro e veste uma camisa marrom escuro. O cenário inclui alguns móveis e objetos ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36804" class="wp-caption-text">O roteiro faz um bom trabalho ao criar uma narrativa completa sobre a relação violenta de Ângela e seu assassino, afim de esclarecer a sequência de abusos que termina em tragédia (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cinco décadas depois, pensando com otimismo, era de se esperar que a série ressoasse como um olhar ao passado, uma lembrança do que não se pode repetir. No entanto, o luto e a revolta que ainda levam milhares de mulheres às ruas, especialmente nos últimos meses de 2025, mostraram que a misoginia enfrentada por Ângela – ainda em vida e após a sua morte – segue mais viva do que nunca. Diante disso, a pertinência da produção seria suficiente para instigar os espectadores, contudo, além disso, de antemão, o elenco da obra agregou um grande valor a ela. Mais uma vez, Marjorie Estiano entrega uma performance da mais alta qualidade, acompanhada de nomes como Emílio Dantas, </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/foi-dificil-dormir-a-noite-diz-atriz-de-angela-diniz/"><span style="font-weight: 400;">Camila Mardila</span></a><span style="font-weight: 400;">, Renata Gaspar, Thiago Lacerda e Antônio Fagundes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, dividida em 6 episódios, é absolutamente honesta, não deixa nada de fora; as polêmicas, as atitudes intempestivas, as festas, os casos, o divórcio e a sede por diversão e liberdade de Ângela. Ao fazer isso, o roteiro de Elena Soárez, Pedro Perazzo e Thais Tavares e a direção de Andrucha Waddington – que dirigiu Marjorie no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Sob Pressão</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) – constroem uma narrativa extremamente coerente, que nos fazem compreender todo o contexto que tornava a protagonista </span><i><span style="font-weight: 400;">persona non grata</span></i><span style="font-weight: 400;"> no imaginário social coletivo </span><a href="https://youtu.be/UIA2V7W8a3c?si=4D9sLtqtbmF9V0Z9&amp;t=136"><span style="font-weight: 400;">conservador</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradicional da época. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quero Me Separar</span></i><span style="font-weight: 400;">, é retratado o divorcio da protagonista, que representou uma significativa ruptura dos padrões da época. Para Ângela, não era importante manter as aparências, mas sim ser genuinamente feliz, e é claro que ela pagou as consequências emocionais e sociais pelo pensamento à frente de seu tempo. Nesse sentido, a ambientação e as discussões trazidas foram delicadamente pensadas para construírem a atmosfera do período e a complexidade de Ângela, sem deixar que a sua imagem caísse no discurso estereotipado que assassina repetidamente as vítimas de violência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> mesmo após a sua morte.</span></p>
<figure id="attachment_36805" aria-describedby="caption-attachment-36805" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Duas mulheres estão em um ambiente interno bem iluminado, com quadros pendurados na parede ao fundo. À esquerda, Ângela, uma mulher de pele clara e cabelo castanho ondulado preso lê um livro, olhando para baixo. Ela usa um vestido azul-marinho sem mangas. À direita, um pouco mais ao fundo, outra mulher de pele clara e cabelos castanhos curtos observa a leitura. Ela usa óculos e veste uma camisa clara com um colete em tons de vermelho e laranja. No fundo, aparece uma parede branca com quadros pendurados. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-800x390.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-1024x500.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-768x375.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4.jpg 1178w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36805" class="wp-caption-text">Renata Gaspar interpreta Gilda Ribeiro, uma amiga de Ângela, intelectual e feminista, que representa a diferenca entre uma suposta imagem militante com a verdadeira figura da protagonista (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ela era livre, e também era uma mãe, filha e amiga apaixonada; ela era tudo isso, e, ao mesmo tempo, também era intempestiva e, pode ser vista como insensível pelas esposas dos homens casados com os quais se envolveu. Era independente, no entanto, também foi refém de uma relação essencialmente abusiva. Ângela é uma revolução, que vivia sua sexualidade livremente, como queria e com quem queria, mas não era uma </span><a href="https://elle.com.br/cultura/marjorie-estiano-angela-diniz"><span style="font-weight: 400;">feminista</span></a><span style="font-weight: 400;"> convicta, não se importava com a teoria, ou com as intelectuais que discutiam o porque mulheres como ela mesma podiam viver como viviam. Apenas queria viver conforme desejasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade do roteiro, diga-se de passagem, é acompanhada de uma curadoria musical feita a dedo, que embala a narrativa assertivamente. Além disso, o figurino (</span><a href="https://www.imdb.com/name/nm1315505/?ref_=ttfc_fcr_10_1"><span style="font-weight: 400;">Marcelo Pies</span></a><span style="font-weight: 400;">) também merece destaque. Desde o glamour das festas no Rio de Janeiro até a funebridade do julgamento de Doca – ou de Ângela. Tudo colabora para que essa seja uma produção primorosa e quase resolutiva para a protagonista e para todas as mulheres: criou-se uma imagem poderosa e repleta de camadas para a personagem de Marjorie, contudo, nunca pejorativa, e ainda, sem se dar ao trabalho de forjar uma figura imaculada. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Ângela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> diz, ou melhor, grita tão alto quanto as vítimas de violência é: por que a sua régua moral determina se eu </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/sandra-raquew-azevedo/estereotipo-e-feminicidio"><span style="font-weight: 400;">merecia</span></a><span style="font-weight: 400;"> morrer ou não?</span></p>
<figure id="attachment_36803" aria-describedby="caption-attachment-36803" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg" alt="Cena de Ângela Diniz: Assassinada e Condenada. Grupo de mulheres reunidas em protesto em frente a um prédio com colunas. Ao fundo, uma grande faixa com os dizeres &quot;Quem ama não mata&quot;. No centro, uma mulher abraça outra emocionada. Algumas manifestantes aplaudem e uma segura um cartaz escrito ‘Eu não quero ser a próxima’ em vermelho." width="800" height="539" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-800x539.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3-768x518.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36803" class="wp-caption-text">A série recria cenas de protestos organizados nos anos 1980 (Fonte: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Doca Street saiu do Tribunal de Cabo Frio após o primeiro julgamento em 1979, o fez como um homem livre, pois já havia cumprido um terço da pena decretada pelo juiz. Cinco anos depois, o Ministério Público recorreu e Doca e o novo </span><span style="font-weight: 400;">veredicto</span><span style="font-weight: 400;"> foi uma pena de 15 anos que foi cumprida em sua totalidade. Nessa época, o movimento feminista, fortemente atuando e em processo de organização, foi essencial para essa decisão. Elas carregavam o lema “</span><a href="https://catarinas.info/quem-ama-nao-mata-40-anos-de-luta/"><i><span style="font-weight: 400;">Quem ama, não mata</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, uma referência à tese jurídica do crime passional. Na série, Camila Márdila e Renata Gaspar entregam performances emocionantes, carregadas de dor e revolta, como amigas de Ângela que estariam à frente de manifestações. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Angela Diniz: Assassinada e Condenada</span></i><span style="font-weight: 400;"> – e os boletins de ocorrência brasileiros – escancaram que, na realidade em que vivemos, toda e qualquer mulher pode ser considerada merecedora de sofrimento e que não há nenhuma tentativa de rendição aos padrões que possa salvá-la. </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Machado de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1899, no clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">Dom Casmurro</span></i><span style="font-weight: 400;">, já nos alertava sobre isso: em uma história narrada por homens, é fácil criar a imagem da “</span><i><span style="font-weight: 400;">cigana dos olhos de ressaca</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ou seja, é urgente celebrar a liberdade, parar de tentar justificar o injustificável e tomar as rédeas do ponto de vista.</span></p>
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		<title>O adeus da Ovelha Negra &#8211; Rita Lee: Mania de Você é mais do que um documentário</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Oct 2025 13:00:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Luana Brusiano Em Rita Lee: Mania de você, longa-metragem documental lançado dois anos após a morte da eterna rainha do rock, acompanhamos um pouco da vasta trajetória de Rita Lee Jones, suas conquistas, perdas, vícios e virtudes. Dirigido por Guido Goldberg, o documentário revive memórias pela lente de amigos, familiares e expõe a carta inédita &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/rita-lee-mania-de-voce/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O adeus da Ovelha Negra &#8211; Rita Lee: Mania de Você é mais do que um documentário"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35881" aria-describedby="caption-attachment-35881" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rita-lee-doc.jpg" alt="" width="800" height="566" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rita-lee-doc.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rita-lee-doc-768x543.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35881" class="wp-caption-text">Rita Lee: Mania de Você traz à tona a carta inédita que a cantora escreveu para os filhos pouco antes de sua morte (Foto: Max)</figcaption></figure>
<p><b>Luana Brusiano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Mania de você</span></i><span style="font-weight: 400;">, longa-metragem documental lançado dois anos após a morte da eterna rainha do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, acompanhamos um pouco da vasta trajetória de </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee Jones</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas conquistas, perdas, vícios e virtudes. Dirigido por Guido Goldberg, o documentário revive memórias pela lente de amigos, familiares e expõe a carta inédita deixada pela artista aos seus filhos antes de sua morte.</span></p>
<p><span id="more-35880"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Polêmica desde a infância, Rita sempre rompeu padrões e foi pioneira ao abordar temas considerados tabus na sociedade brasileira, como o </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/musica/historia-da-musica-banho-de-espuma-2-anos-sem-rita-lee"><span style="font-weight: 400;">desejo feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, a sexualidade e a liberdade individual. Com um enorme acervo de imagens de arquivos, o longa destrincha a trajetória da cantora desde os primeiros passos até a consagração de sua carreira solo, contando com entrevistas de nomes de peso na cultura nacional como Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Ronnie Von, entre outros compõem a narrativa do longa.</span></p>
<figure id="attachment_35882" aria-describedby="caption-attachment-35882" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/rita-lee-doc-max01-696x499-1-1.webp" alt="" width="696" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-35882" class="wp-caption-text">Momento íntimo de Rita Lee com os filhos, em uma cena que revela o lado mais afetuoso e cotidiano da artista (Foto: Acervo pessoal Rita Lee)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma estética que remonta os anos 70 e 80, além de imagens da casa em que Rita viveu até os seus últimos dias, o documentário apresenta uma trilha sonora nostálgica. Desde os tempos com a banda </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/tutti-frutti-celebra-50-anos-de-fruto-proibido-rita-lee-com-show-especial-em-sp/"><i><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> até sua carreira solo, o longa conta com sucessos inesquecíveis que moldaram e ainda moldam gerações, entre eles </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyveLQfO9XA&amp;pp=0gcJCfwAo7VqN5tD"><i><span style="font-weight: 400;">Ovelha Negra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mania de Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Agora Só Falta Você</span></i><span style="font-weight: 400;">. As músicas constroem uma atmosfera íntima e saudosista, e entre lembranças acompanhamos o que ficou da ‘ovelha negra’, como a própria artista se intitula, sempre cheia de contradições, rebeldia e coragem, fazendo juz a imagem de Rita Lee no cenário da música brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além da cronologia de sua vida no mundo da música, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mania de você</span></i><span style="font-weight: 400;"> também revela as fragilidades, embates midiáticos e o conservadorismo, além de sua grande história de amor com </span><a href="https://www.youtube.com/shorts/uxv5zZmSCHQ"><span style="font-weight: 400;">Roberto de Carvalho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não apenas mencionando a relação de Rita e Roberto, o documentário abrange os fios condutores desse amor: um romance marcado por cumplicidade, parceria afetiva e artística, símbolo da vida pessoal e criativa da cantora. </span></p>
<figure id="attachment_35883" aria-describedby="caption-attachment-35883" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35883" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-Fruto-proibido-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-Fruto-proibido-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-Fruto-proibido-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-Fruto-proibido-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-Fruto-proibido.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35883" class="wp-caption-text">Capa do álbum Fruto Proibido (1975), de Rita Lee &amp; Tutti Frutti, um dos discos mais importantes da carreira da artista e um marco do rock brasileiro (Foto: Som Livre)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa não se detém em contar apenas a trajetória da cantora com a fama, mas expõe cicatrizes emocionais – como o período em que esteve presa durante a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cioXufb0Ip8"><span style="font-weight: 400;">ditadura</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a câmera foca no rosto de Rita durante a época com um rosto sereno, marcado pela dor, mas repleto de força. A</span><span style="font-weight: 400;">o trazer à tona essas dores, o filme abre espaço para algo ainda mais potente: a percepção de quem assiste. Tocante, emocionante e surpreendente, Rita é retratada como mais do que uma artista consolidada, sendo um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=q8IQLYs8hOU"><span style="font-weight: 400;">símbolo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de resistência em meio a uma sociedade opressora, principalmente durante um momento de censura e repressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A relação de Rita com as </span><a href="https://gauchazh.clicrbs.com.br/cultura-e-lazer/musica/noticia/2023/05/rita-lee-falou-de-sua-relacao-com-drogas-em-entrevista-a-pedro-bial-em-2017-clhgrwruq00at016xpopfbbpc.html"><span style="font-weight: 400;">drogas</span></a><span style="font-weight: 400;"> também teve espaço no documentário e foi tratada de maneira direta, sem sensacionalismo e romantização. Em cenas de arquivo exibidas, Rita reflete sobre os excessos que teve, a experiência, sensação e os momentos de isolamento. O longa mostra como o uso de substâncias foi, por um período, parte da busca da artista por liberdade e experimentação e, ao mesmo tempo, como isso a levou a momentos de escuridão e isolamento. Rita Lee fala abertamente, em entrevistas de arquivo, sobre os excessos e as consequências sem recorrer a justificativas. A abordagem é honesta e contribui para humanizar ainda mais a figura da estrela, revelando uma mulher que não teve medo de expor suas fragilidades ao mundo.</span></p>
<figure id="attachment_35884" aria-describedby="caption-attachment-35884" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-615x800.webp" alt="" width="615" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-615x800.webp 615w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-788x1024.webp 788w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee-768x998.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/Rita-Lee.webp 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35884" class="wp-caption-text">Icônico figurino de tela transparente coberto por estrelas prateadas de lantejoulas, uma das produções mais marcantes de Rita (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme constrói uma atmosfera nostálgica e a comovente </span><a href="https://www.otempo.com.br/entretenimento/2025/5/10/leia-a-carta-que-rita-lee-deixou-para-o-marido-e-os-tres-filhos-antes-de-morrer"><span style="font-weight: 400;">carta</span></a><span style="font-weight: 400;"> de despedida transforma </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Mania de Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um adeus apaixonado e uma homenagem à mulher que revolucionou o papel feminino no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas deixa uma dúvida incômoda: será que Rita gostaria que esse momento íntimo fosse compartilhado com o mundo? A exposição desse conteúdo íntimo faz com que os limites entre a memória pública e a privacidade sejam questionados, uma vez que a artista sempre buscou controlar a própria narrativa e ser mais reservada quanto a certos aspectos de sua vida pessoal. Mesmo com a autorização dos filhos e do marido – e parceiro de composição –, Roberto de Carvalho, a divulgação da íntima carta deixa a sensação de que a linha tênue entre homenagem e exposição excessiva é atravessada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a narrativa do documentário deixa de fora momentos cruciais, como a passagem da compositora pelos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xDsrXStq6y0"><span style="font-weight: 400;">Mutantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. O grupo é praticamente ignorado, talvez em respeito à antiga ruptura com Arnaldo Baptista e Sérgio Dias, e a ausência de registros fundamentais faz falta. Transmitir uma trajetória artística como a de Rita Lee em apenas 80 minutos é extremamente complexo e a profundidade em alguns momentos foi sacrificada, principalmente aspectos de sua vasta carreira no mundo da música, que são contados pela própria no livro </span><a href="https://rollingstone.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessas limitações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Mania de Você</span></i><span style="font-weight: 400;"> desempenha com maestria o papel de eternizar a memória e a relevância de uma das maiores artistas da </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1WN3eZOVfULIjZfxdsfoMO?si=t7Mur6bcQp2Qoed7-1wUmA"><span style="font-weight: 400;">música</span></a><span style="font-weight: 400;"> brasileira. O documentário emociona e celebra a ousadia de uma mulher que falou abertamente sobre prazer, liberdade e feminismo, além de deixar um legado impossível de apagar. O adeus da ovelha negra pode não ter sido perfeito, mas é, sem dúvida, digno de ser ouvido.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Rita Lee: Mania de Você | Trailer Oficial | Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/QBdXVSLU5LA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Pegue o desfibrilador, pois a primeira temporada de The Pitt irá reviver o gênero</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Sep 2025 15:00:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal O dia a dia turbulento de profissionais da área de saúde se popularizou nos anos 90, com Plantão Médico. Drama procedural, o sucesso era considerado a maior série médica até 2019, quando Grey’s Anatomy ultrapassou o número de temporadas ao bater a marca de 332 episódios, antes conquistada pela trama protagonizada por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-1a-temporada-the-pitt/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pegue o desfibrilador, pois a primeira temporada de The Pitt irá reviver o gênero"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35806" aria-describedby="caption-attachment-35806" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35806" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-9-800x450.png" alt="Cena da série The Pitt. Nela, há um homem branco de cabelos castanhos escuros com barba e bigode. Ele veste um moletom azul e segura uma garrafa de inox. O homem está na área de trauma de um hospital." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-9-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-9-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-9.png 1014w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35806" class="wp-caption-text">O rosto de Noah Wyle não é novo aos amantes de séries médicas (Foto: Max/Warrick Page)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O dia a dia turbulento de profissionais da área de saúde se popularizou nos anos 90, com </span><a href="https://escotilha.com.br/televisao/serie-er-resenha-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Plantão Médico</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Drama procedural, o sucesso era considerado a maior série médica até 2019, quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Grey’s Anatomy</span></i><span style="font-weight: 400;"> ultrapassou o número de temporadas ao bater a marca de 332 episódios, antes conquistada pela trama protagonizada por George Clooney. A partir da consolidação da produção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bridgerton-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">Shonda Rhimes</span></a><span style="font-weight: 400;">, inúmeros produtos televisivos focados em médicos lançaram e conquistaram o público. No entanto, o gênero se tornou obsoleto, previsível e não mais impactante como ocorria em seus anos de ouro. Dito isso, o que faz </span><i><span style="font-weight: 400;">The Pitt</span></i><span style="font-weight: 400;">, produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, ser um frescor?</span></p>
<p><span id="more-35804"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De primeira, Noah Wyle – protagonista da Melhor Série de Drama do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">2025</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e os produtores John Wells e R. Scott Gemmill são a resposta. A </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/the-pitt-er-serie-explicado"><span style="font-weight: 400;">ideia</span></a><span style="font-weight: 400;"> era retomar a história finalizada em 2009, mas as negociações para deter a propriedade intelectual não foram à frente. Conhecido pelo papel de John Carter durante os 11 primeiros anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">ER</span></i><span style="font-weight: 400;">, o veterano se juntou aos colegas, que também fizeram parte do sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;">, e criou o cotidiano caótico localizado em Pittsburgh, na Pensilvânia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia na maior premiação da televisão norte-americana, </span><a href="https://www.televisionacademy.com/shows/the-pitt"><span style="font-weight: 400;">13 indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcaram o início da vida profissional conturbada de Dr. Michael Robinavitch. Com a premissa de acompanhar a duração de um plantão médico, cada episódio aborda uma hora do plantão dos profissionais do Pittsburgh Trauma Medical Hospital. A partir das sete da manhã, o corpo de médicos, enfermeiros e atendentes se concentram nas suas respectivas funções. Aqui, o trabalho de equipe é como um jogo de dominós, pois as peças precisam fazer sentido em prol de um bem maior: salvar vidas.</span></p>
<figure id="attachment_35807" aria-describedby="caption-attachment-35807" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35807" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9-800x534.png" alt="Cena da série The Pitt. Nela, há um homem branco de cabelos castanhos escuros com barba e bigode e uma mulher negra de cabelo crespo e raspado. Enquanto ele veste um moletom azul, ela usa um conjunto preto. Os dois estão com expressões sérias. A mulher apoia sua cabeça no ombro do homem." width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9-800x534.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9-1536x1025.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9-1200x801.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-9.png 1584w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35807" class="wp-caption-text">A relação entre Robby e Heather Collins (Tracy Ifeachor) é algo entre a amizade, o sentimento amoroso e o respeito mútuo (Foto: John Johnson/HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma semana antes da 77ª edição, os primeiros prêmios de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Pitt</span></i><span style="font-weight: 400;"> ocorreram no </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/emmy-2025-premia-categorias-tecnicas-veja-vencedores/"><i><span style="font-weight: 400;">Creative Arts Emmys Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, isto é, o evento que premia as categorias técnicas e não televisionadas. Concorrendo com </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-2a-temporada-de-ruptura/"><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Slow Horses</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-white-lotus-critica-terceira-temporada/"><i><span style="font-weight: 400;">The White Lotus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a obra foi a vencedora em Melhor Elenco de Série de Drama com reconhecimentos para Cathy Sandrich Gelfond e Erica Berger. Ao terminar as 15 horas do primeiro ano, é evidente um dos maiores trunfos do drama médico: os atores que o encabeçam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja pela competência da enfermeira Dana Evans (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nglfWLXTMNw"><span style="font-weight: 400;">Katherine LaNasa</span></a><span style="font-weight: 400;">, que derrotou nomes como Carrie Coon e Parker Posey em Melhor Atriz Coadjuvante em Série de Drama) ou pela liderança inspiradora do chefe do pronto-socorro (Noah Wyle), os personagens altamente relacionáveis abraçam o público – desde os mais aventurados pelo gênero àqueles que colocaram a produção na lista de maratonas. Já no o episódio piloto, </span><i><span style="font-weight: 400;">7:00 A.M.</span></i><span style="font-weight: 400;">, indicado a Melhor Direção em Série de Drama para John Wells e a Melhor Roteiro em Série de Drama para R. Scott Gemmill, a produção obtém sucesso ao apresentar aos espectadores o </span><i><span style="font-weight: 400;">mise in place</span></i><span style="font-weight: 400;"> de como será o plantão médico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os traumas da vida pessoal, os ferimentos graves e a alta demanda de pacientes equiparam-se ao tormento psicológico que acomete alguns dos funcionários do hospital. O protagonista, por exemplo, não conseguiu salvar o seu mentor, o Dr. Montgomery Adamson, que morreu durante a pandemia do Coronavírus. O </span><a href="https://cineset.com.br/critica-the-pitt-2025/"><span style="font-weight: 400;">tema</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive, é abordado por meio das crises de pânico que tomam uma parte do dia de Robby. Além da perda de um amigo, o luto se transforma na sina do doutor. No plantão, ele não pode errar. Caso algo dê errado, o homem se martiriza e relembra do momento trágico que o fez se despedir de seu veterano. </span></p>
<figure id="attachment_35805" aria-describedby="caption-attachment-35805" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-10-800x400.png" alt="Cena da série The Pitt. Nela, há um homem branco de cabelos castanhos escuros com barba e bigode. Ele veste um moletom azul e está na sacada do terraço do hospital. Ele está com uma expressão de tristeza e olha para baixo." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-10-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-10-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-10-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-10-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-10.png 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35805" class="wp-caption-text">Mesmo que seja um símbolo de competência para os funcionários e pacientes, o protagonista não encontra paz interna; ele se culpa por todos os erros que já cometeu (Foto: Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de momentos dramáticos, a superlotação dos hospitais, a indignação com os leitos insuficientes para a quantidade de pacientes e o desespero no olhar daqueles que irão perder os entes queridos se encarregam das cenas tensas e de tirar o fôlego. Além disso, o sentimento de culpa dos funcionários do</span> <span style="font-weight: 400;">Pittsburgh Trauma Medical Hospital também atuam com a carga exigida do caos provocado por uma área especializada em trauma médico. Nesse sentido, o trabalho de maquiagem – comandado por Lee Traum Key, Marie-Flore ‘Ri’ Beaubien e Leesa Simone – entrega o incômodo sentido ao ver uma fratura exposta ou órgão aberto. Não à toa o </span><a href="https://www.instagram.com/p/DOUczYSAdh8/"><span style="font-weight: 400;">departamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi reconhecido na premiação ao receber uma nomeação em Melhor Maquiagem Contemporânea (Não-Protética). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar do gênero médico se concentrar nos casos dos pacientes e nas cirurgias realizadas, o formato possui um apelo e uma demanda que funcionam até a atualidade. Personagens bem escritos, tramas inusitadas – muitas das quais de fato ocorrem fora das telas – e o frenesi típico desse ambiente são algumas das características que conferem à produção o sentimento de frescor no catálogo da </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/hbo-recorde-indicacoes-emmy-2025"><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Por esse lado, a escolha de 15 episódios em tempos de streamings e maratonas é um alívio nostálgico, já que o modelo não é mais o padrão da televisão norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocasionalmente, há obras que recebem a aclamação necessária ao longo dos anos em que estão no ar, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/game-of-thrones-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">que levou o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Série Dramática à altura de sua quinta temporada em 2015. Há também histórias completamente esnobadas, a exemplo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/better-call-saul-6a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Better Call Saul</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: o </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://personaunesp.com.br/breaking-bad-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Bad</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> possui 53 indicações e nenhuma vitória. Bom, para </span><i><span style="font-weight: 400;">The Pitt</span></i><span style="font-weight: 400;">, o caminho será mais fácil, visto que o drama original </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> ganhou a maior honraria da noite em sua estreia. Por agora, esterilizaram os bisturis e dispensaram os cirurgiões. Mas não se preocupem, pois as próximas 15 horas já foram </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/the-pitt-hbo-max-revela-trailer-da-segunda-temporada-"><span style="font-weight: 400;">confirmadas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Pitt | Official Trailer | Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ufR_08V38sQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Pinguim mostra que Gotham é mais cruel quando o Batman não está por perto</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Sep 2025 14:40:54 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso Se The Batman (2022) já tinha mostrado uma Gotham encharcada de corrupção e sombras, Pinguim – seu spin-off na HBO Max – vai além do que era esperado: mergulhando no fundo do submundo, onde não existem ‘mocinhos’, somente aqueles que lutam para sobreviver ou dominar. A série mergulha no caos e mostra que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pinguim-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Pinguim mostra que Gotham é mais cruel quando o Batman não está por perto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35746" aria-describedby="caption-attachment-35746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35746" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-800x450.png" alt="Cena da série Pinguim. A imagem mostra Oswald Cobblepot de frente, vestindo um casaco de couro preto, camisa branca e gravata escura, em um ambiente de arquitetura gótica com arcos de pedra e janelas altas. Ele encara algo fora de cena com uma expressão rígida e desconfiada, transmitindo tensão e autoridade. A luz suave que entra pelas janelas destaca o contraste entre a frieza do cenário e o tom sombrio do personagem, reforçando o clima dramático da narrativa." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35746" class="wp-caption-text">Em Pinguim conhecemos um vilão que dá pena — curiosamente, o que ele mais odeia que sintam dele (Foto: Macall Polay/HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022) já tinha mostrado uma Gotham encharcada de corrupção e sombras, </span><i><span style="font-weight: 400;">Pinguim</span></i><span style="font-weight: 400;"> – seu </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i><span style="font-weight: 400;"> na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> – vai além do que era esperado: mergulhando no fundo do submundo, onde não existem ‘mocinhos’, somente aqueles que lutam para sobreviver ou dominar. A série mergulha no caos e mostra que o verdadeiro medo não está na máscara, mas na ausência dela, entre as conversas frias onde o poder é vendido em pedaços e a lealdade vale menos que um dólar sujo.</span></p>
<p><span id="more-35744"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No centro disso está Oswald Cobblepot, o Pinguim. Colin Farrell aparece irreconhecível, diante de um trabalho incrível da equipe de </span><a href="https://youtu.be/tpY1NL5Pmzk?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;"> – liderada pelo maquiador protético Mike Marino. Porém, é no jeito de ser do personagem que o enredo fica mais sério. Oz, como é conhecido por todos, é um vilão que dá medo e pena ao mesmo tempo – um gângster que mistura astúcia de rua com a vulnerabilidade de quem sabe que o mundo pode virar do avesso em um piscar de olhos. O primeiro episódio,</span><i><span style="font-weight: 400;"> After Hours</span></i><span style="font-weight: 400;">, já deixa isso claro, provando que o clima é sombrio, pesado e íntimo demais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Falcone, interpretada com uma pegada feroz e elegante por </span><a href="https://personaunesp.com.br/how-i-met-your-mother-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Cristin Milioti</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é uma antagonista típica – se é que poderia chamá-la assim. Ela é o contraponto perfeito para Oz, uma mulher que visa reivindicar o trono da máfia com uma combinação de charme letal e inteligência cortante. A tensão entre eles cresce lentamente, cheia de olhares atravessados e interesses cruzados. Enquanto Oswald é o malandro que conquistou seu espaço na marra, </span><a href="https://variety.com/2025/tv/news/cristin-milioti-the-penguin-black-mirror-how-i-met-your-mother-1236420840/"><span style="font-weight: 400;">Sofia</span></a><span style="font-weight: 400;"> quer resgatar um passado que já não existe e a justiça que lhe foi negada. O embate dos dois vira o motor que faz a série pulsar, é um duelo de ambições, ego e poder que redefine o jogo.</span></p>
<figure id="attachment_35747" aria-describedby="caption-attachment-35747" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35747 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-800x450.png" alt="Cena da série Pinguim. Na imagem, os personagens Sofia Falcone e Oswald Cobblepot estão em pé, lado a lado, sob um teto arqueado de pedra, em um ambiente que remete a uma catedral de construção gótica. Sofia, uma mulher jovem de pele clara e cabelo escuro preso em uma trança, cruza os braços e mantém uma expressão séria e desafiadora. Ela veste um sobretudo preto. Ao seu lado, Oswald, um homem de meia-idade com aparência rude, cabelo penteado para trás e expressão severa, usa um casaco de couro preto por cima de terno e gravata. A luz entra pelas janelas ao fundo, reforçando a atmosfera sombria e imponente." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem2.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35747" class="wp-caption-text"><span style="font-weight: 400;">Sofia e Oz têm um passado, que se torna uma das tramas principais dos episódios (Foto: </span><span style="font-weight: 400;">Macall Polay/HBO Max)</span></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a história não trata somente da briga pelo comando. O segundo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Inside Man</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Craig Zobel, intensifica o clima de conspiração e segredos. Os diálogos são secos, certeiros e cheios de silêncios que ‘gritam’. É nesse momento de desconfianças que Oswald se infiltra no </span><a href="https://collider.com/the-penguin-falcone-family-tree-explained"><span style="font-weight: 400;">Império Falcone</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando que, em Gotham, o sorriso largo quase sempre esconde uma faca na manga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a série acerta em cheio. A cidade parece um organismo vivo, pulsando em seus espaços decadentes, como bares úmidos, escritórios com a tinta descascando e ruas que parecem nunca ver o Sol. Em cada detalhe é criado uma atmosfera suja e crua, quase palpável. A </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/5PwHxdFuIggkmxeI7BTHSG?si=382a84e4edf7487c"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> também é outro personagem quando traz uma mistura de música clássica, ruídos urbanos e pausas estratégicas, ajudando a moldar o ritmo entre acelerações e momentos de reflexão. É um </span><i><span style="font-weight: 400;">cocktail</span></i><span style="font-weight: 400;"> que junta a </span><i><span style="font-weight: 400;">vibe</span></i><span style="font-weight: 400;"> de máfia tradicional com um toque moderno, similar a produções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Sopranos </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-poderoso-chefao-ainda-uma-oferta-irrecusavel/"><i><span style="font-weight: 400;">O Poderoso Chefão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1972).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No quarto episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cent’Anni</span></i><span style="font-weight: 400;">, mergulhamos a fundo nas feridas de </span><a href="https://www.menshealth.com/entertainment/a62670392/the-penguin-sofia-falcone-gigante/"><span style="font-weight: 400;">Sofia Falcone</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sofre da traição de sua própria família — um golpe que a leva direto para Arkham, um lugar que funciona como prisão e é símbolo da humilhação que ela carrega. Essa trama revela como a personagem ainda é refém do passado e das armadilhas construídas pelos seus entes queridos, tornando a sua sede de poder ainda mais desesperada. A emblemática cena do jantar dela com seus familiares, é um retrato tenso dessa traição. O ambiente elegante contrasta com o clima pesado, repleto de olhares cortantes e promessas quebradas. É ali que entende-se o quão frágil e traiçoeira era a posição dela dentro da dinastia Falcone, e como isso a impulsiona a uma guerra particular que também envolve seu embate constante com Oswald Cobblepot.</span></p>
<figure id="attachment_35746" aria-describedby="caption-attachment-35746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35748" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-800x450.png" alt="Cena da série Pinguim. Em um ambiente escuro iluminado por luz esverdeada, Oswald Cobblepot segura o rosto de uma jovem com ambas as mãos, olhando fixamente em seus olhos. Ele usa um casaco grosso com gola de pele e está com cabelo penteado para trás. Em suas mãos, ele exibe um anel dourado e um relógio de pulso da mesma tonalidade. A jovem, de pele escura e cabelo crespo, encara de volta com seriedade. A cena transmite tensão e emoção contida, sugerindo uma conversa íntima ou momento de confronto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem3.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35746" class="wp-caption-text">A relação entre Victor e Oz mostra que não se pode confiar em ninguém, até mesmo em sua ‘família’ (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos personagens, um que merece destaque é Victor, figura menor que ganha peso ao mostrar as ramificações do caos deixado pelo final de </span><a href="https://youtu.be/761uRaAoW00?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Sua trajetória é um retrato das consequências reais das inundações na cidade e do vácuo de poder deixado. Ele representa o lado mais afetado de toda a situação, a população comum que acabou esmagada e corrompida pela disputa brutal dos grandes poderosos. Sua história traz uma camada extra de tensão, lembrando que em Gotham ninguém sai ileso, nem mesmo os personagens que ficam às margens do jogo de poder.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chegamos ao oitavo episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Great Or Little Thing</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série fecha a temporada com uma reviravolta que tira qualquer resquício de pena que seria possível ter nutrido por Oswald Cobblepot. Até ali, a narrativa consegue equilibrar a linha tênue entre a vilania e a vítima, explorando suas fraquezas e motivações. Entretanto, a revelação final explode essa bolha pois Oz não é um coitado preso nas circunstâncias, mas sim um manipulador frio, que não hesita em pisar em quem for para garantir o seu espaço no topo. Essa virada de perspectiva nos força a encarar o personagem com mais realidade – sem romantismos ou desculpas. </span><a href="https://youtu.be/0AJm2jEnc_U?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">O Pinguim</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um vilão puro e essa complexidade sombria é justamente o que faz a produção ser tão impactante. A trama não quer o amor ou ódio da plateia, e sim o entendimento do preço do poder – e o que acontece quando você aceita pagá-lo.</span></p>
<figure id="attachment_35746" aria-describedby="caption-attachment-35746" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35749" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-800x400.png" alt="Cena da série Pinguim. Uma mulher e um menino estão sentados juntos em um sofá, cobertos por uma manta laranja. A mulher envolve o menino com os braços, enquanto ele sorri levemente, demonstrando conforto e afeto. Ambos observam algo fora de cena. Ao fundo, em uma prateleira escura, há uma fotografia emoldurada com a imagem de três meninos. A cena transmite um momento íntimo de conexão familiar, segurança e ternura." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-2048x1024.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/Imagem4-1200x600.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35746" class="wp-caption-text">O último episódio de <em>Pinguim</em> revela a história de origem de Oz, e como isso influenciou o seu relacionamento com a mãe (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final do episódio, no </span><i><span style="font-weight: 400;">gran finale</span></i><span style="font-weight: 400;">, fica óbvio que a produção não é somente um </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/o-que-e-prequel-sequel-e-spin-off/"><i><span style="font-weight: 400;">spin-off</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O roteiro fecha suas lacunas com precisão cirúrgica dos confrontos – tanto emocionais quanto físicos –, e a cidade do Batman, mais do que nunca, parece prestes a desmoronar. Não há redenções fáceis nem finais açucarados, restam apenas as escolhas, o cheiro de pólvora e o gosto amargo do poder.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pinguim</span></i><span style="font-weight: 400;"> também não passou despercebido ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/emmy-2025/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Foram 24 nomeações, incluindo as categorias de Melhor Minissérie, Roteiro, Direção e as atuações centrais de </span><a href="https://youtu.be/lqT-WEaXnRo?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">Colin Farrell</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Cristin Milioti – que levou para casa o prêmio – contudo, a disputa foi pesada contra <a href="https://personaunesp.com.br/critica-adolescencia/">Adolescência</a>, a grande vencedora na categoria de minisséries</span><span style="font-weight: 400;">. Mesmo assim, quando a temporada de premiações terminar e os nomes deixarem os </span><i><span style="font-weight: 400;">trending topics</span></i><span style="font-weight: 400;">, será difícil apagar da memória aquele sujeito de olhar torto que subiu no trono de Gotham sem ninguém perceber.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Pinguim | Trailer Oficial | Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DPwSRV1XFyM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jun 2025 16:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Pitta Mesmo que o tempo ande a passos lentos ou corra com avidez, a vingança nasce e renasce no coração humano. A cada ciclo vingativo fechado, ao menos um novo é aberto e a humanidade se perde em desesperança. Apesar de a violência já ser esperada em um mundo apocalíptico, no fundo, as próprias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A segunda temporada de The Last of Us é um apocalipse estarrecedor, mas que tem medo de fogo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35367" aria-describedby="caption-attachment-35367" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35367" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-800x575.jpg" alt="Ellie é uma mulher branca de 19 anos com os cabelos morenos parcialmente presos em um coque. A mulher, localizada na extremidade direita da foto, utiliza uma blusa de frio preta e carrega, na mão esquerda, uma fonte de luz em formato de cano, que se assemelha a uma lanterna, apontada para o lado esquerdo do quadro. Ao lado esquerdo, fungos em formatos cilíndricos “agarram” um cadáver destruído e tomado pelo mesmo ser vivo, que é iluminado pela lanterna da personagem à direita. " width="800" height="575" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-800x575.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-1024x736.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1-768x552.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-1.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35367" class="wp-caption-text">A segunda temporada de The Last of Us diminui o ritmo do seriado (Foto: MAX )</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Pitta</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o tempo ande a passos lentos ou corra com avidez, a vingança nasce e renasce no coração humano. A cada ciclo vingativo fechado, ao menos um novo é aberto e a humanidade se perde em desesperança. Apesar de a violência já ser esperada em um mundo apocalíptico, no fundo, as próprias pessoas são a principal fonte das atrocidades consideradas, desumanas. Porém, sem o ódio e o amor, o que sobra na essência humana? A segunda temporada de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">The Last Of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> chegou, em abril deste ano, às telas dos assinantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">MAX </span></i><span style="font-weight: 400;">com medo de mergulhar de cabeça na essência dual e complexa de Ellie. </span><span id="more-35365"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, os corações ansiosos dos fãs do universo distópico adaptado por Craig Mazin  tiveram que esperar mais de um mês para poder assistir à obra em sua completude, já que os poucos sete episódios foram lançados semanalmente aos domingos. Embora a franquia tenha prendido o público para um segundo ano, a audiência na estreia do primeiro episódio demonstra queda significativa até o capítulo final, mesmo que tenha registrado recordes na TV a cabo. O despencamento observado nos números se expande para os índices de </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/tv/the_last_of_us/s02"><span style="font-weight: 400;">aprovação do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não passa do reflexo de um roteiro que se depara com a própria ruína com o andar da história.</span></p>
<figure id="attachment_35370" aria-describedby="caption-attachment-35370" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-640x800.jpg" alt="Ao lado esquerdo da imagem, existe uma claquete entreaberta com os números das tomadas que são gravadas no momento da foto e possui, na parte inferior do objeto, o nome do seriado, “The Last of Us” e “temporada 2”, escrito em inglês. Ao fundo, no lado direito da fotografia, Pedro Pascal, um homem chileno-americano com cabelos curtos, caracterizado de Joel, com um óculos no rosto, agasalhado com jaqueta de couro e cabelos grisalhos, interpreta o personagem da produção da MAX, que permanece sentado diante de uma mesa enquanto parece consertar algo com as mãos apoiadas sob a mesa. Atrás dele, há uma janela grande, iluminada por uma luz ensolarada." width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35370" class="wp-caption-text">Pedro Pascal passa o protagonismo para Bella Ramsey na segunda temporada de The Last of Us (Foto: MAX )</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a pandemia global do fungo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps </span></i><span style="font-weight: 400;">assole a realidade e sejam travadas eternas batalhas humanas em busca de poder, uma coisa é capaz de fazer a realidade ainda valer a pena: o amor. Os protagonistas, Joel (Pedro Pascal) e Ellie, no decorrer do primeiro arco do enredo, encontram, um no outro, a razão de viver após terem perdido tudo que os mantinha vivos. A garota, que ganha vida pela crua e intensa atuação de </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2025/04/23/bella-ramsey-desativou-redes-sociais.htm#:~:text=A%20atriz%20decidiu%20desativar%20as,ent%C3%A3o%20est%C3%A1%20tudo%20perfeitamente%20bem.%22"><span style="font-weight: 400;">Bella Ramsey</span></a><span style="font-weight: 400;">, após uma passagem de tempo entre as temporadas, é uma jovem adulta de 19 anos que se afasta cada vez mais do pai adotivo. Sem um motivo aparente, o relacionamento entre os personagens principais é intensamente cheio de mágoa e, ainda assim, marcado pelo silêncio. Nada é dito, mas tudo é sentido. Com rapidez, as desavenças tomam forma e ganham origem em um ato de brutalidade, seguido por uma afirmação desonesta. Há 5 anos, antes de firmarem as raízes na comunidade de Jackson, Joel massacrava sem piedade 19 pessoas em um hospital para salvar a menina que havia se tornado seu mundo. Cego pelo amor e pelo ódio, o protagonista do primeiro ano da série carrega um segredo, guardado a sete chaves: as atrocidades que cometeu. E se pudesse, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">faria tudo de novo</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um </span><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/the-last-of-us-o-que-significa-o-relogio-quebrado-de-joel/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">relógio quebrado</span></a><span style="font-weight: 400;"> no pulso, cabelos grisalhos, dores nas juntas e um óculos na ponta do nariz, Joel sente o tempo correr diante de seus olhos. Já que não pode consertar o relacionamento desgastado com a filha, parece buscar arrumar tudo ao redor, como disjuntores, uma janela ou um violão. Porém, no fim do dia, aguarda calmamente, vendo o tempo passar da varanda de casa, a única coisa que importa na vida: ver a filha regressar a salvo. A velhice o alcança rápido demais e as mágoas perduram até o tempo chegar ao fim. Os protagonistas se estranham e, ao mesmo tempo, vivem diante de espelhos. São iguais, faces de uma mesma moeda, mas com abismos de julgamentos e rancores que os distanciam física e emocionalmente. Quando cegos pela rotina, pela calmaria da vida ou por sentimentos repulsivos, os seres humanos esquecem que o tempo passa sem piedade e que, além disso, as consequências de cada escolha chegam na porta mais rápido do que imaginam. </span></p>
<figure id="attachment_35372" aria-describedby="caption-attachment-35372" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-640x800.jpg" alt="Ao lado esquerdo da imagem, Isabela Merced, uma mulher peruana-americana com cabelos morenos presos em um coque e olhos castanhos, veste uma blusa de lã vermelha enquanto coloca os braços ao redor do pescoço de uma mulher branca, de maneira sensível e delicada, e estampa uma expressão de felicidade, acompanhada dos lábios cerrados em um sorriso largo. Já ao lado direito da composição, há Bella Ramsey que, com os braços de Isabela Merced ao redor do pescoço como em um abraço, olha para a parceira com um sorriso pequeno no rosto. A atriz de Ellie veste uma camisa xadrez azul e branca e permanece com os cabelos presos em um coque baixo. " width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35372" class="wp-caption-text">Isabela Merced dá vida a Dina, o par romântico de Ellie durante a segunda parte da série (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of U</span></i><span style="font-weight: 400;">s trata de temas profundos e complicados, tais como luto, vingança, violência e tempo. Entretanto, um roteiro amedrontado é o que guia o enredo para um desenvolvimento maçante e apressado. Com uma escolha tortuosa e difícil, </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-junho-2019/"><span style="font-weight: 400;">Craig Mazin</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Neil Druckmann tiveram que contar o segundo momento da história de Joel e Ellie em apenas sete episódios. Os capítulos apresentam durações que variam entre 34 e 58 minutos e, apesar de enriquecer a trama com nuances e detalhes, a narrativa entra em encruzilhadas que desvalorizam a linha principal a ser contada. Novos nomes importantes são apresentados aos telespectadores, como Dina (</span><a href="https://personaunesp.com.br/alien-romulus-critica/"><span style="font-weight: 400;">Isabela Merced</span></a><span style="font-weight: 400;">), Jesse (Young Mazino) e Isaac (Jeffrey Wright), porém tudo soa fora de ordem e sem propósito, já que deixam a protagonista de Bella Ramsey de escanteio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma garota que perdeu tudo, bem antes do que muitos considerariam justo e que reencontrou as graças da vida novamente em uma jornada que tinha como objetivo final o seu destino, seu propósito e sua morte. Ellie é imune e pagou preços altos por isso na própria trajetória. Ver pessoas morrerem por algo que não é capaz de lhe atingir e que, mesmo assim, seu sangue não é suficiente para salvar, da infecção, as pessoas que ama. A personagem principal perdeu a mãe durante o parto, assistiu a melhor amiga e primeira paixão se tornar um monstro, presenciou a morte de dois companheiros, fugiu habilidosamente de um homem </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/gi-com-tonica/the-last-of-us-exibe-episodio-visceral"><span style="font-weight: 400;">canibal pedófilo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e salvou a vida do ‘pai’ mais de uma vez. No segundo ano, agora adulta, a protagonista perde a essência furtiva, violenta e sagaz para se tornar um fardo nos planos esquematizados por outros indivíduos. Em plena luz do dia ou na calada da noite, quem deveria ser a estrela do seriado precisa ser orientada e salva por coadjuvantes e pelo acaso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As coincidências enfraquecem a adaptação, que conta com um enredo original minuciosamente pensado. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k6rPf_t1rv8&amp;pp=0gcJCdgAo7VqN5tD"><span style="font-weight: 400;">clichês</span></a><span style="font-weight: 400;"> entram em ação e os personagens andam à deriva e encontram, sem querer, seus objetivos; são derrubados por uma onda gigante e aparecem em uma ilha ao lado do barco que haviam perdido; dão tiros no escuro por impulso e acertam alvos que nem imaginavam. Não são pequenas eventualidades comuns e inofensivas, mas sim acontecimentos improváveis e inexplicáveis que tomam forma para que a trama prossiga. </span></p>
<figure id="attachment_35375" aria-describedby="caption-attachment-35375" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-640x800.jpg" alt="Ao lado esquerdo da imagem, Isabela Merced, interpreta Dina. Ela possui cabelos morenos soltos e uma touca nas cores azul vivo e laranja queimado. Ao lado esquerdo, com os cabelos grisalhos e jaqueta de frio com pelos no gorro, Pedro Pascal interpreta Joel. Ambos os personagens estampam feições preocupadas, com sobrancelhas franzidas e bocas entreabertas tensas. " width="640" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6-768x960.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image6.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35375" class="wp-caption-text">A segunda temporada conquistou, de maneira geral, o coração da crítica e deixou a audiência decepcionada (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que, em certos momentos, fique cega pela vingança, Ellie, com suporte das casualidades do roteiro, torna-se uma heroína injustiçada que comete atrocidades acidentalmente. Apesar da atriz dar vida com primor ao sentimento de angústia diante das atitudes da protagonista, a trama coloca panos quentes em momentos de tensão e violência. Com medo do fogo, os escritores tornam a segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> morna e, no fundo, distante de sensações vívidas e inquietantes, como a </span><a href="https://forbes.com.br/forbeslife/2023/02/quanto-custou-the-last-of-us-hbo-aposta-alto-na-serie/"><span style="font-weight: 400;">primeira produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> entregou ao público. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se apenas o acaso fosse o responsável por defender a narrativa e a protagonista, o remédio seria menos pior de engolir. Contudo, em uma trama que deveria ser sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/adoraveis-mulheres-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;">, a história precisa que os homens salvem o dia. Uma personagem feminina que, originalmente, se apaixona pela melhor amiga, deixa o conforto de casa para executar uma vingança, assassina a sangue-frio quem cruza seu caminho, planeja, minuciosamente, suas ações e enfrenta uma missão suicida para aquietar a revolta e o vazio dentro do peito. A heroína que deveria carregar, na maior parte do tempo, a narrativa nas costas, precisa que homens viajem atrás dela para defendê-la dos monstros que enfrenta ao lado da amada. Além de vulnerável e indefesa, os criadores buscam reforçar, em todos os momentos, a incapacidade da protagonista, que leva broncas, é tratada como criança e tem atitudes desconexas com a personalidade e com a trama em si.</span></p>
<figure id="attachment_35371" aria-describedby="caption-attachment-35371" style="width: 618px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-4.png" alt="Pedro Pascal, um homem chileno-americano com cabelos curtos, caracterizado de Joel, veste uma camiseta preta e usa um relógio no pulso esquerdo. Na mão esquerda, segura uma fita cassete pequena preta com adesivo branco e detalhes de arco-íris. O personagem se encontra deitado em um assento enquanto olha para o lado direito e oferece o objeto. O cenário é metálico, como uma cápsula." width="618" height="668" /><figcaption id="caption-attachment-35371" class="wp-caption-text">The Last of Us é um apocalipse que recorre a artistas de músicas das décadas de 1980 e 1990, como Pearl Jam e A-Ha (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cenários da mega produção são vivos e carregam parte da história, seja de uma civilização morta que lutava por direitos de minorias e escutava músicas controversas, ou de duas garotas que enfrentam uma missão suicida para concretizar a solidão que encaram dentro de si. Enquanto caminham no cenário do fim do mundo, a dupla se encontra com o passado anacrônico e vislumbra momentos que, quando guardados na memória, dão sentido à vida e ao futuro. Mergulhar em uma nova paixão, andar em ruas desertas de uma remota vivência urbana agora tomada pelo tempo e pela natureza, ouvir melodias antigas saírem dos acordes de um instrumento conservado em meio ao caos, acordar ao lado de quem sabe seus piores segredos e, mesmo assim, não quer viver sem você. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas sutilezas, a beleza da humanidade entra em conflito com os demônios que acometem o planeta. O </span><a href="https://butantan.gov.br/noticias/fungo-de-the-last-of-us-nao-e-perigoso-na-vida-real-e-alguns-do-mesmo-genero-sao-remedios"><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></a><span style="font-weight: 400;">, com certeza, revela faces maléficas com uma maquiagem horripilantemente realista, mas as trombetas do apocalipse soam quando </span><a href="https://personaunesp.com.br/twd-10a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">comunidades humanas</span></a><span style="font-weight: 400;"> diferentes ocupam o mesmo espaço e, no dilema do ovo e da galinha, digladiam-se em um ciclo eterno de brutalidades. No contexto de uma pandemia fúngica e de um caos generalizado, a vivacidade de sentimentos traz à tona o melhor e o pior do ser humano. Entretanto, a série, se entrega aos momentos felizes e reluta em mergulhar de cabeça na depressão, no luto, no ódio e na vingança. Além do receio de concretizar uma protagonista brutal, vingativa e, em certos momentos, desumana, os mecanismos de aprofundamento da trama são mal aproveitados. Com uma primeira temporada louvável e tantas brechas temporais deixadas fora do alcance dos olhos do público, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lqgceEqINPo"><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são elementos poderosos para a segunda temporada.</span></p>
<figure id="attachment_35376" aria-describedby="caption-attachment-35376" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-35376 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-800x451.webp" alt="Ellie, que ganha vida pela atuação de Bella Ramsey, está no lado esquerdo da imagem. Com os cabelos presos, uma camiseta listrada off white e vermelho queimado e uma expressão de dor estampada, enquanto mantém os olhos fechados e encosta a cabeça no ombro de Joel. Ele, ao lado direito da foto, veste uma camisa azul claro e usa o ombro como apoio e consolo para o sofrimento de Ellie. " width="800" height="451" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-800x451.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-1024x578.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada-768x433.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/the-last-of-us-episodio-6-o-preco-2-temporada.webp 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35376" class="wp-caption-text">A segunda temporada de The Last of Us gerou polêmica nas redes sociais e Bella Ramsey, que foi alvo de ataques, desativou as redes sociais para não receber o ódio (Foto: MAX)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, com um roteiro apressado e preguiçoso, o encaixe das memórias permanece integralmente concentrado em um único episódio. Apesar das inúmeras referências subentendidas às lembranças de Ellie, as cenas retroativas não são encontradas em paralelo ao enredo como uma maneira explicativa e desenvolvida de adentrar a psiquê da garota, mas sim apenas como uma pausa narrativa para os telespectadores assistirem a trechos do passado em cores quentes por quase uma hora. Por melhor que sejam as atuações em dueto de Bella Ramsey e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">Pedro Pascal</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ritmo narrativo, que já enfrenta oscilações, simplesmente permanece estagnado para que uma sequência de recordações seja apresentada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com poucos episódios, a dupla de escritores decide alternar entre calmaria e ansiedade para o desenvolvimento da história. Entretanto, a escolha de produzir apenas sete capítulos ganha tom controverso quando, em </span><a href="https://collider.com/the-last-of-us-series-length-season-3-showrunner-craig-mazin/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">, o criador da narrativa afirma a necessidade de uma possível 4ª temporada. Além da história principal ter pouco tempo de tela, o enredo, muitas vezes, depara-se com construções desinteressantes e irrelevantes para a trama. Talvez com um controle de console nas mãos, as pequenas “</span><i><span style="font-weight: 400;">tasks</span></i><span style="font-weight: 400;">” façam sentido na lógica de jogo, porém, em uma constituição quase cinematográfica, construções paralelas de cinco minutos com começo, meio e fim são desgastantes e tiram o foco do que realmente importa. Novamente, os acontecimentos são desordenados e sem propósito, enquanto Ellie continua sem o devido palco para poder tocar os acordes estridentes de uma caminhada tortuosa que parece nunca ter fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de contar com uma mega produção digna das grandes telonas, apresentar grandes atuações e tratar de temas densos e complexos, entrega, aos assinantes da </span><i><span style="font-weight: 400;">MAX</span></i><span style="font-weight: 400;">, um arco mediano e morno. A narrativa é sobre vingança, mas tudo é feito sem intenções. Os personagens são profundos e intensos, porém, os desenvolvimentos são soltos e sem propósito aparente. A história é cheia de referências e mensagens subliminares, contudo depende do acaso em situações decisivas. Ao som de Pearl Jam, a trama caminha aos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pxPbZ-dogT8"><span style="font-weight: 400;">dias futuros</span></a><span style="font-weight: 400;"> com medo de estabelecer Ellie como um ser dúbio que carrega dentro de si a perda daquilo que um dia foi o único motivo de querer estar viva. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last Of Us - Temporada 2 | Trailer Dublado Oficial | Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/0vB2lHQim3Q?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Weeknd tenta a redenção audiovisual em Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes, mas escorrega em um roteiro no escuro</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jun 2025 19:09:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém spoilers Eduardo Dragoneti Após sua atuação amplamente criticada na série The Idol, da HBO Max, o multiartista Abel Tesfaye (The Weeknd) volta a se arriscar no mundo audiovisual e protagoniza  seu primeiro longa-metragem: Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes. Contracenando com nomes de peso como Jenna Ortega e Barry Keoghan, o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/hurry-up-tomorrow-alem-dos-holofotes/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Weeknd tenta a redenção audiovisual em Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes, mas escorrega em um roteiro no escuro"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> O texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_35325" aria-describedby="caption-attachment-35325" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35325" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao-800x450.jpg" alt="A imagem mostra o artista musical Abel Tesfaye (The Weeknd) com uma expressão aflita, em meio a partículas de chamas e faíscas em um cenário escuro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/tudo-o-que-sabemos-sobre-o-novo-filme-estrelado-por-the-weeknd_divulgacao.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35325" class="wp-caption-text">O filme foi lançado no Brasil em 15 de maio de 2025 (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após sua atuação amplamente criticada na série </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-idol-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, o multiartista Abel Tesfaye (</span><a href="https://personaunesp.com.br/the-weeknd-starboy-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">The Weeknd</span></a><span style="font-weight: 400;">) volta a se arriscar no mundo audiovisual e protagoniza  seu primeiro longa-metragem: </span><i><span style="font-weight: 400;">Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Contracenando com nomes de peso como Jenna Ortega e Barry Keoghan, o filme parece buscar redenção para a imagem audiovisual do cantor. No entanto, o que se desenha é um desastre narrativo embalado por trilhas de seu último álbum homônimo.</span></p>
<p><span id="more-35319"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo nos primeiros minutos, a obra estabelece seu foco: o delírio de um músico atormentado por drogas, álcool, insônia e assombrado por fãs obsessivos e memórias distorcidas. A </span><a href="https://youtube.com/shorts/1WBaOSka4iY?si=C48ntcr5b3uyZMIo"><span style="font-weight: 400;">cinematografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> intimista, comandada por Chayse Irvin, tenta dar densidade a um roteiro que, embora ambicioso, é desarticulado. Há momentos em que o espectador não sabe se está testemunhando um episódio real, um delírio ou apenas uma alegoria sem amarras. A pergunta que ecoa durante todo o longa – &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Ele passou por tudo aquilo ou não passou por nada?</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; – infelizmente nunca encontra resposta.</span></p>
<figure id="attachment_35321" aria-describedby="caption-attachment-35321" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35321" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-800x450.png" alt="A imagem mostra o ator Barry Keoghan (loiro, usando um casaco de lã claro) com a cabeça apoiada no ombro de Abel Tesfaye (The Weeknd) (cabelo escuro, barba e corrente dourada, com os braços cruzados e olhos marejados) em um camarim com espelhos e luzes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-2.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35321" class="wp-caption-text">Além de contar com 8 músicas do último álbum de The Weeknd, o longa também resgata o hit global Blinding Lights, do álbum After Hours, e Gasoline, de Dawn FM (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa gira em torno das letras do álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Hurry Up Tomorrow</span></i><span style="font-weight: 400;">, transformando cada cena em um videoclipe autorreferente. Apesar de visualmente estiloso, com  enquadramentos experimentais que são marca registrada do diretor </span><a href="https://youtu.be/notYm0SDueU?si=QpXBkljAqGMHVtpW"><span style="font-weight: 400;">Trey Edward Shults</span></a><span style="font-weight: 400;">, a produção falha ao tentar construir uma narrativa sólida: são muitas ideias jogadas, simbolismos rasos e conexões forçadas. O resultado é uma experiência arrastada, pretensiosa e, por vezes, involuntariamente cômica, como nas cenas em que The Weeknd tenta entregar emoção e só consegue despertar desconforto. Se a intenção era mostrar vulnerabilidade, o efeito foi oposto, uma vez que suas expressões vazias comprometem qualquer impacto dramático.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abel, que além de atuar também fez parte da produção e assinou o roteiro com o diretor e Reza Fahim, parece nunca ter definido com clareza o rumo da narrativa, tampouco o tom ou o estilo da obra. O espectador é lançado de um drama a um suspense, até ser surpreendido por um terror estranho e desconexo, inserido no meio de uma verdadeira </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2025/05/17/critica-hurry-up-tomorrow-the-weeknd-filme/"><span style="font-weight: 400;">disforia audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;">. A impressão que fica é a de que o cantor tentou experimentar livremente elementos de seu imaginário, mas falhou ao tentar harmonizá-los, comprometendo a experiência de fãs que esperavam ver sua redenção no Cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem realmente salva a produção de um colapso completo é </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jenna Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sua atuação como Anima, a jovem misteriosa que invade a vida do protagonista, é intensa e enigmática. Há camadas em sua performance que o texto jamais se dá ao trabalho de explorar. Ela sustenta as poucas cenas que funcionam, mesmo quando sua personagem toma decisões inexplicáveis, como incendiar a casa da própria mãe, sem que o filme se preocupe em oferecer qualquer desenvolvimento psicológico ou justificativa narrativa para essas atitudes. O resultado é mais uma pergunta solta em um mar de metáforas mal amarradas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ela é louca? Ou só parte de mais um delírio do protagonista?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<figure id="attachment_35323" aria-describedby="caption-attachment-35323" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35323" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2-800x450.png" alt="A imagem mostra a atriz Jenna Ortega em um cenário de inverno com neve no chão, vestindo uma jaqueta marrom com gola de carneiro e jeans, enquanto carrega uma bolsa preta e um galão de gasolina vermelho. Ao fundo, uma estrutura em chamas produzindo muita fumaça, e montanhas distantes." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-2.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35323" class="wp-caption-text">Negative Six (música no estilo progressive house) de Threestripes, marca a introdução explosiva da intensa e desequilibrada Anima (Foto: Lionsgate Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora, como era de se esperar, é um dos pontos altos. As canções do </span><a href="https://youtu.be/R4UUEf2XuWg?si=J5F0um4dxPVGAwOx"><i><span style="font-weight: 400;">álbum homônimo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> embalam o longa com qualidade técnica inegável, criam atmosferas hipnóticas e, em certos momentos, quase salvam a experiência. Mas quando a música é o que mais funciona em um filme, talvez ele devesse ser só um álbum visual e não uma obra cinematográfica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outros cantores já se aventuraram no Cinema, com resultados mais bem-sucedidos. Em 1988, Michael Jackson levou fãs às salas com </span><a href="https://youtu.be/muOfjiMAIKw?si=tmh9heNGeXLOdLIr"><i><span style="font-weight: 400;">Moonwalker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em 2016, Beyoncé elevou o padrão com </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/beyonce-tudo-que-voce-precisa-saber-sobre-ilemonadei-novo-album-visual-da-cantora/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um álbum visual coeso e premiado. A diferença é que esses projetos sabiam o que queriam dizer, algo que a obra de The Weeknd não consegue definir. Falta direção, falta roteiro e sobra pretensão. O que poderia ser uma expansão criativa para o artista vira apenas um experimento confuso, envolto por uma trilha sonora boa demais para a produção que a acompanha.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta falar sobre fama, obsessão, identidade e trauma. No entanto, seu maior pecado é não conseguir dizer nada. A estética sufoca a substância, e o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/05/16/hurry-up-tomorrow-e-filme-egotrip-de-the-weeknd-e-poderia-ser-um-clipe-g1-ja-viu.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ego</span></a><span style="font-weight: 400;"> do protagonista se impõe como a verdadeira força por trás da câmera. A pergunta que Abel Tesfaye parece fazer ao espectador – &#8220;Você me entende?&#8221; – encontra uma resposta amarga: Não, e pela experiência, nem valeria a pena tentar.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Hurry Up Tomorrow: Além dos Holofotes | Trailer 2 Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jcvSpRpnkvY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>PCC: Poder Secreto apresenta a irmandade envolvida entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Apr 2024 16:02:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Lavorato e Rebecca Ramos Em 1997, ao lançar o álbum Sobrevivendo no Inferno, os Racionais MC&#8217;s propuseram, pela primeira vez na grande mídia, uma reflexão acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas na periferia, além de questionar o que leva certos indivíduos neste contexto ao dilacerante sistema carcerário. Embora seja incerto o número de participantes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/pcc-poder-secreto-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "PCC: Poder Secreto apresenta a irmandade envolvida entre os integrantes do Primeiro Comando da Capital"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33241" aria-describedby="caption-attachment-33241" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33241" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-800x450.png" alt="A imagem foca num grupo de 9 integrantes, com camisas e shorts lisos em tons claros, em cima de um telhado, levantando uma bandeira com as iniciais da facção Primeiro Comando da Capital (PCC). Ao lado inferior esquerdo há o logo da série documental escrito “PCC Poder Secreto”." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/1.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33241" class="wp-caption-text">“Cadeia um cômodo do inferno, seja no outono no inverno”: PCC: Poder Secreto desdobra a história do Primeiro Comando da Capital em narrativas antes ocultadas (Foto: Max)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Lavorato e Rebecca Ramos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1997, ao lançar o álbum </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/1UzrzuOmZfBgXyS3pgKD10?si=P4y7mlYCS0WaTumxf2Y9rg"><i><span style="font-weight: 400;">Sobrevivendo no Inferno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os </span><a href="https://personaunesp.com.br/racionais-mcs-documentario-critica/"><span style="font-weight: 400;">Racionais MC&#8217;s</span></a><span style="font-weight: 400;"> propuseram, pela primeira vez na grande mídia, uma reflexão acerca das dificuldades enfrentadas pelas pessoas na periferia, além de questionar o que leva certos indivíduos neste contexto ao </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7wglwZzZoWUr8sOECwpu6L?si=1c4fc380acfe43fb"><span style="font-weight: 400;">dilacerante</span></a><span style="font-weight: 400;"> sistema carcerário. Embora seja incerto o número de participantes de facções dentro de presídios, certamente é algo a ser discutido. O Primeiro Comando da Capital, popularmente conhecido como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c03x57z15l6o"><span style="font-weight: 400;">PCC</span></a><span style="font-weight: 400;">, tem uma presença enorme dentro e fora das prisões, mas continua-se a ignorar este fato, uma vez que é de extrema delicadeza debater sobre como são tratados indivíduos periféricos num contexto prisional e seus efeitos na sociedade civil.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A cadeia é um moedor de ser humano</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A frase dita pelo ex-agente penitenciário Diorgeres Victorio é o ponto de partida que a direção de </span><a href="https://fontesegura.forumseguranca.org.br/uma-pesquisa-que-virou-serie-sobre-pcc-poder-secreto-2/#:~:text=Nesse%20caso%2C%20a%20s%C3%A9rie%20PCC,primeiros%20documentos%20a%20ser%20consultados."><i><span style="font-weight: 400;">PCC: Poder Secreto</span></i></a><span style="font-weight: 400;">  – exibida pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, antiga </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;"> –  evidencia durante os quatro capítulos da obra. Entre Carandiru, Pedro Juan Caballero, Taubaté e Presidente Venceslau, os presídios são idênticos – não há nenhuma atividade de ressocialização; há somente o trancafiamento. E é a partir daí que começamos a entender o surgimento da facção.</span></p>
<p><span id="more-33240"></span></p>
<figure id="attachment_33242" aria-describedby="caption-attachment-33242" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-33242" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-800x559.png" alt="A imagem foca na parte da entrada da Casa de Custódia e Tratamento de Taubaté, onde há um portão marrom com detalhes em prata no centro da imagem. Acima do portão, tem os dizeres sinalizando o presídio. Ao lado do portão, há duas árvores, uma para direita e outra para a esquerda, na qual há algumas pessoas sentadas em volta." width="800" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-800x559.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2-768x537.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33242" class="wp-caption-text">O PCC foi criado depois de uma partida de futebol dentro do presídio (Foto: André Nieto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De que forma pode-se ressocializar grupos que nunca de fato foram inseridos numa sociedade por si só? Existe quase um misticismo acerca do motivo pelo qual as pessoas cometem crimes, ignorando completamente a individualidade, subjetividade e história de cada um que adentra este mundo. Somos seres grupais e necessitamos de validação externa, seja isso algo bom ou ruim. Espelhamo-nos na realidade mais próxima a nós mesmos. Precisamos ter um </span><a href="https://palestraemroda.com.br/a-teoria-dos-grupos-de-wilfred-bion/"><span style="font-weight: 400;">modelo de comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> a ser seguido, que nos dê esperança de algo no fim do dia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção, baseada no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Irmãos: Uma história do PCC</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://youtu.be/3UVY-BUaFAY?si=NjuVKVaPmz1PKh02"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Feltran</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenvolveu os capítulos a partir de fatos e não de achismos. A obra demonstra que o sistema prisional brasileiro é o motor das facções, que surgem de dentro para fora e como diz o autor, o PCC e a polícia vivem um ciclo de “ação e reação”. No final, essas reações sempre recaem sobre as regiões periféricas. </span></p>
<figure id="attachment_33243" aria-describedby="caption-attachment-33243" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33243" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/3.jpg" alt="Capa do livro Irmãos: Uma história do PCC, escrito por Gabriel Feltran, e publicado pela editora Companhia das Letras. Num fundo preto, as frases “Irmãos: Uma história do PCC” são dispostas como se estivessem escritas num papel amassado." width="334" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-33243" class="wp-caption-text">Numa nova interpretação acerca de facções paulistas em comparação a de outros estados e países, a obra se faz de suma relevância no contexto nacional (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao tentarmos encontrar um sentido e significado para a própria existência, além da questão do iminente sentimento de vínculo com algo que necessitamos, entende-se porque diversas pessoas penetram a vida do crime e a sua </span><a href="https://www12.senado.leg.br/noticias/especiais/especial-cidadania/desconfianca-e-preconceito-da-sociedade-dificultam-ressocializacao-de-presos"><span style="font-weight: 400;">dificuldade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ver outras possibilidades. Seja na tentativa de obtenção de direitos básicos supostamente garantidos por lei ou na idealização de uma vida longe da própria realidade, fazer parte de instituições de acolhimento, chegando até mesmo no absurdismo de uma facção criminosa, não aparenta ser algo tão incoerente assim. É sobre pertencer e somente pertencer. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De Sapopemba a Ermelino Matarazzo, são mostradas imagens e depoimentos impactantes. O relato da mãe e educadora </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/miriam-duarte-pereira/"><span style="font-weight: 400;">Miriam Duarte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é dilacerante e mostra a realidade de muitas famílias brasileiras. Dois de seus filhos foram assassinados e seu único filho vivo enfrenta as consequências das violências sofridas no presídio. O desenvolvimento da obra fortalece ainda mais o que o documentário quer apresentar: relatos pessoais sem relativização do tema.</span></p>
<figure id="attachment_33244" aria-describedby="caption-attachment-33244" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33244" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/4.png" alt="Na imagem há os dizeres “paz, justiça e liberdade” escritos em branco, um embaixo do outro, e no chão. Do lado da palavra “paz” há uma bandeira do Brasil. Embaixo dos dizeres há algumas pessoas." width="615" height="300" /><figcaption id="caption-attachment-33244" class="wp-caption-text">O PCC criou o seu próprio Estatuto e tem como lema “Paz, Justiça, Liberdade, Igualdade e União acima de tudo ao Comando” (Foto: Eduardo Knapp)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O documentário, finalista do </span><a href="https://www.instagram.com/p/CwqjZCnOr5f/?igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Grande Prêmio do Cinema Brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2023 na categoria de Melhor Série Documental Nacional, tem a trilha sonora como ponto alto. Nas passagens dos blocos, há a presença de inúmeras músicas com temáticas que envolvem o assunto e, seja de Racionais MC’s a Detentos do Rap, as composições – organizadas pela produtora LOUD+ – acompanham a trama construída de uma maneira poderosa, sensibilizando o espectador.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seja um irmão do PCC, </span><a href="https://noticias.uol.com.br/colunas/josmar-jozino/2021/02/12/justica-nega-beneficio-a-ex-pcc-que-ligou-da-cela-para-o-190-pedindo-ajuda.htm"><span style="font-weight: 400;">ex-integrante</span></a><span style="font-weight: 400;">, agente penitenciário, promotor ou uma mãe que perdeu seu filho, os depoimentos presentes trazem um aspecto crucial: o de querer construir o enredo e mostrar como o poder da facção foi constituído e entrelaçado para nunca se quebrar. A obra traz esse quesito específico de escutar diversas vozes e, com o acréscimo de imagens de arquivos – seja por manchetes de jornais, rebeliões, intercepções telefônicas ou fala de políticos –, constrói muito bem a cronologia do Primeiro Comando da Capital nesses 30 anos –  de lutas contra a opressão penitenciária a um dos maiores grupos de tráfico internacional. </span></p>
<figure id="attachment_33245" aria-describedby="caption-attachment-33245" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33245" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/5.png" alt="Um prédio amarelado e antigo com muitas janelas e roupas penduradas de forma desorganizada. Presos demonstram luto com cartazes após o Massacre." width="620" height="465" /><figcaption id="caption-attachment-33245" class="wp-caption-text">O massacre do Carandiru teve 111 mortos, todos detentos (Foto: Itamar Miranda)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que se compreende a importância de ser reconhecido enquanto pessoa, especialmente em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ys60iknYy9E"><span style="font-weight: 400;">contexto violento</span></a><span style="font-weight: 400;"> como pode ser o da periferia, finalmente abre-se um diálogo acerca do porquê é preciso representar, dar voz e espaço para outras narrativas num contexto geral, por mais dolorosas que sejam. De que forma acolhe-se alguém que nunca é visto, especialmente num âmbito maior do que a subjetividade individual? Constantemente esquece-se do potencial que cada indivíduo marginalizado possui, indo além do quesito trabalhista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Profissões como as de </span><a href="http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2019/images/trabalhos/trabalho_submissaoId_649_6495cc6faff4c535.pdf"><span style="font-weight: 400;">assistente social</span></a><span style="font-weight: 400;">, psicólogo e sociólogo, ainda que cada vez mais sucateadas, tentam constantemente construir um mundo mais igualitário para pessoas que são tão apagadas e que merecem ser levadas a sério. Acolhimento é algo coletivo e, de fato, profissionais como estes acabam por diminuir a incidência de vidas perdidas para instituições como estas.</span></p>
<figure id="attachment_33246" aria-describedby="caption-attachment-33246" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33246" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6.png" alt="Com vista aérea, é possível ver o Complexo Penitenciário do Carandiru sendo demolido e subindo uma fumaça avermelhada pelo entorno da região." width="800" height="492" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/04/6-768x472.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33246" class="wp-caption-text">Carandiru foi demolido parcialmente em 2002 (Foto: João Wainer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como sugestão, </span><a href="https://apostiladecinema.com.br/justica/"><i><span style="font-weight: 400;">Justiça</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2004) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Juízo </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007) – da diretora Maria Augusta Ramos – são produções documentais dos anos 2000 que dialogam de uma maneira narrativa muito parecida com </span><i><span style="font-weight: 400;">PCC: Poder Secreto</span></i><span style="font-weight: 400;">. Colocando sobre a mesa assuntos em que todos palpitam, mas ninguém toma iniciativa, entendemos que o sistema prisional brasileiro não vai mudar. Movido por racismo, ideologias punitivistas e outros problemas sistêmicos, os relatos da década dos anos 1990 continuam os mesmos em relação à atualidade. E é isso que a obra mostra: a cadeia é realmente um moedor de ser humano.</span></p>
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		<title>Do esgoto de Hollywood a suas telas: The Idol prova que polêmicas não trazem um hit e qualidade</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Nov 2023 12:17:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Talita Cardoso Abusos da mídia, dores físicas e psicológicas de artistas, transtornos desencadeados pelo meio e todos os bastidores podres da indústria musical de forma nunca antes vista. Foi o que The Idol prometeu explorar ao narrar a perspectiva de Jocelyn (Lily-Rose Depp), uma cantora mentalmente instável e fisicamente ferida pela profissão, que tem sua &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-idol-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Do esgoto de Hollywood a suas telas: The Idol prova que polêmicas não trazem um hit e qualidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31937" aria-describedby="caption-attachment-31937" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31937" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6.jpg" alt="Cena da série The Idol. Na imagem há Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira à frente, com a cabeça levemente virada para a direita e uma camiseta regata branca com decote, ela é abraçada por trás por Tedros, The Weeknd, um homem negro, com barba, óculos escuros e camisa branca com alguns detalhes triangulares em preto. Ambos estão sorrindo. Ao fundo, é possível enxergar algumas pessoas dançando. A fotografia foi tirada em uma balada." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image6-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31937" class="wp-caption-text">No Festival de Cannes, o diretor Sam Levinson afirmou que as controvérsias fariam de The Idol a maior série do verão (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Talita Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abusos da mídia, dores físicas e psicológicas de artistas, transtornos desencadeados pelo meio e todos os bastidores podres da indústria musical de forma nunca antes vista. Foi o que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> prometeu explorar ao narrar a perspectiva de Jocelyn (Lily-Rose Depp), uma cantora mentalmente instável e fisicamente ferida pela profissão, que tem sua vida e a forma como enxerga a arte alterada ao conhecer um problemático produtor musical, Tedros (The Weeknd).</span></p>
<p><span id="more-31931"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de abordar muitos dos temas os quais se propõem, a qualidade na forma como eles são retratados é desprezível, mas o que o público poderia esperar de uma série que antes mesmo de estrear já estava banhada de polêmicas e, após uma exibição prévia no </span><a href="https://www.festival-cannes.com/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi massacrada pela crítica especializada. Isso fez com que a obra, dirigida e roteirizada por Sam Levinson, </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/269083-the-idol-serie-polemica-hbo-the-weeknd-cancelada.htm"><span style="font-weight: 400;">fosse cancelada</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a recepção negativa do público, por mais que, previamente, a segunda temporada estivesse sendo cotada pela produtora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A promessa de problematizar um meio por si só problemático ficou só em sonho e, apesar do elenco e a produção terem dado as caras em Cannes sorridentes e orgulhosos, com Sam Levinson chorando e fazendo declarações ousadas de que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> iria hitar, a aceitação do público não foi a das melhores. Já no primeiro episódio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cara Melada e Contos do Malandro</span></i><span style="font-weight: 400;">, a audiência ficou atrás de outro sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, também dirigida por Levinson, </span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-part-1-rue-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31934" aria-describedby="caption-attachment-31934" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8.jpg" alt="Cena da série The Idol. Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira, com cabelos longos e The Weeknd, homem negro, de barba, que está usando um óculos escuros, se abraçam olhando para a esquerda da imagem. A imagem é escura, quase preta, com uma luz vermelha destacando ambos. Ao fundo há uma mulher desfocada e sorrindo." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image3-8-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31934" class="wp-caption-text">A <a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/the-idol-hbo-next-euphoria-torture-porn-the-weeknd-sam-levinson-lily-rose-depp-blackpink-jennie-1234688754/">revista Rolling Stones</a> divulgou que o orçamento da série foi de, no mínimo, US$ 75 milhões de dólares (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O fracasso de público pode ser explicado por uma junção de muitos fatores. O roteiro se assemelha a um </span><a href="https://manasemanos.com.br/soft-porn-virou-sinonimo-de-empoderamento-feminino/"><i><span style="font-weight: 400;">soft porn</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, exatamente o que se espera de algo criado sem a perspectiva feminina: </span><a href="https://comunidadeculturaearte.com/a-sexualizacao-e-objetificacao-de-personagens-femininas-no-cinema-uma-visao/"><span style="font-weight: 400;">sexualização e degradação feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> disfarçada de crítica e arte, pode ser um dos principais. Logo no piloto, tudo é sobre sexo, desde o enredo principal do até os diálogos mais banais. A monotemática de um texto que não se aprofunda em nada se torna mais sutil ao longo da série, mas a trama nunca evolui para algo a mais. Além de misógina, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é rasa e tudo o que era suposto para problematizar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, é perceptível a tentativa de captar a indústria musical. O sofrimento de Jocelyn é palpável para o público, mostrando as dificuldades em controlar suas emoções para parecer perfeita aos olhos dos outros, as dores de ter que fingir que está bem mesmo quando está prestes a desmoronar e de ter que continuar tentando mesmo que seu corpo já não aguente mais e possua demasiadas feridas abertas. Suas dores são físicas e psicológicas, claramente muito </span><a href="https://wwd.com/pop-culture/culture-news/the-idol-britney-spears-selena-gomez-inspiration-1235684986/"><span style="font-weight: 400;">inspiradas em divas </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> verdadeiras</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tiveram suas angústias sexualizadas e tiradas de contexto ao longo do programa. </span></p>
<figure id="attachment_31936" aria-describedby="caption-attachment-31936" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1.jpg" alt="Cena da série The Idol. Na imagem há Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira, com cabelos longos, olhando para si mesma em um espelho, virada para o lado esquerdo da imagem. Ela está com uma maquiagem preta no olho e um batom neutro. É possível enxergar apenas de seu ombro para cima e da para ver alguns detalhes de sua roupa rosa. Ao fundo, a imagem é quase totalmente preta e desfocada." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image5-1-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31936" class="wp-caption-text">Em <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/the-idol-episode-5-lily-rose-depp-b2368224.html">entrevista para a Vogue Austrália</a>, Lily-Rose Depp afirmou que The Idol não é uma série para qualquer pessoa e que “toda melhor arte é polarizante” (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além de um roteiro preguiçoso, os visuais, os figurinos e as cores não funcionam. Mesmo com a clara tentativa de criar uma </span><a href="https://www.inglesnapontadalingua.com.br/2010/07/o-que-significa-o-termo-it-girl.html"><i><span style="font-weight: 400;">it girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que se torne inspiração, nada é memorável e acaba se tornando esquecível. Ainda sobre a estética, o único ponto alto e que merece destaque são as cenas em que Tedros aparece e as imagens se tornam escuras, com alguns tons em vermelho, trazendo a ideia de corrupção da personagem. Além disso, o jogo de câmera, idealizado por Marcell Rév, se torna mais inquieto e ansioso, sendo interessante em uma primeira análise. Entretanto, essa é uma tática visual que enjoa facilmente e se assemelha a uma mera extensão dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ORVz_qeKgvg&amp;list=PLPWfqOiEsaWSx3tNonuFZ4CVxSQYaqqFG"><span style="font-weight: 400;">videoclipes de The Weeknd</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no elenco, Lily-Rose Depp não faz uma atuação terrível e tem seus bons momentos, claramente evoluindo ao longo dos episódios. O cantor é inexpressivo e consegue a proeza de fazer e falar os maiores absurdos sem esboçar nenhuma reação, não se conectando nem ao menos com seus parceiros de cena. </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/jennie-kim-musa-chanel"><span style="font-weight: 400;">Jennie Kim, interpretando Dyanne</span></a><span style="font-weight: 400;">, rouba a atenção sempre que está na tela. Apesar de aparecer em poucos momentos, a cantora foi dona de uma das únicas, senão única, cena viral da série, a </span><a href="https://www.tiktok.com/@_jenlily_/video/7241197226956000539?_r=1&amp;_t=8e4WCfKQAMw"><span style="font-weight: 400;">coreografia de </span><i><span style="font-weight: 400;">World Class Sinner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_31933" aria-describedby="caption-attachment-31933" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8.jpg" alt="Cena da série The Idol. Jennie é uma mulher coreana de cabelos pretos e longos, com alguns fios amarrados em um coque e o resto solto. Ela está sentada e olhando para a direita de forma fixa. Suas roupas são completamente pretas, sendo uma camiseta com manga de um lado só e uma calça. A imagem é bem escura e tem tons amarelados nas partes iluminadas. O fundo possui luzes e uma cortina." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image2-8-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31933" class="wp-caption-text">Jennie foi um dos <a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/k-pop/noticia/2023/05/jennie-kim-do-blackpink-rouba-a-cena-em-cannes.ghtml">destaques em Cannes</a> quando apareceu com o restante do elenco de The Idol no tapete vermelho (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Há claras tentativas falidas e ridículas de inserir um suposto </span><a href="https://www.institutoalgar.org.br/o-empoderamento-feminino/"><span style="font-weight: 400;">empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;"> na protagonista, que evidenciam ainda mais um roteiro em que nenhuma mulher colocou os dedos. O feminismo liberal representado não traz pauta relevante, se limitando à ideia de um movimento aliado ao capitalismo, ambos incentivando Jocelyn a lucrar com seu corpo, mesmo que a própria cantora se mostre descontente em se expor nua visando lucros. Todos a tratam como inocente e a julgam por não querer fazer isso consigo mesma. No fim, isso apenas reforçou o ideal machista do</span><i><span style="font-weight: 400;"> script</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, o ‘relacionamento’ representado entre Jocelyn e Tedros é repugnante e desnecessariamente romantizado. De início, o homem a utiliza como bem entende, o que gerou </span><a href="https://www.omelete.com.br/hbo-max/the-idol-reacoes-critica-cannes"><span style="font-weight: 400;">severas críticas à série</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim, houve uma tentativa de amenizar todo o abuso mostrado ao longo dos episódios, trazendo um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem noção e mal construído para a personagem de Lily-Rose Depp. Repentinamente, um roteiro que foi todo construído na ideia do abuso de uma mulher claramente quebrada psicologicamente faz com que ela se torne uma vilã e o abusador, um coitado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fácil relacionar o final da série a uma tentativa de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">girl boss</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><a href="https://frenezirevista.com/2022/08/24/female-rage-conheca-a-furia-feminina-na-literatura/"><i><span style="font-weight: 400;">female rage</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou um ‘</span><a href="https://pixelnerd.com.br/literalmente-eu-saiba-quais-personagens-da-cultura-pop-constantemente-sao-associadas-a-personalidades-de-pessoas/"><span style="font-weight: 400;">literalmente eu</span></a><span style="font-weight: 400;">’ para conquistar o público e viralizar no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Claramente, não funciona. Personagens assim, atualmente, só conquistam o público feminino quando não são construídas sob o </span><a href="https://claudemirpereira.com.br/2022/03/o-olhar-masculino-por-elen-biguelini/"><span style="font-weight: 400;">olhar masculino</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao contrário do que parece ter sido desejado, o final só tornou tudo mais misógino e inconsequente. Além disso, muitos dos abusos cometidos são tidos como ‘método de trabalho’ por Tedros e em nenhum momento há uma reflexão sobre isso. Uma produção que se propõe a fazer análises sobre a toxicidade de uma indústria parece, na verdade, normalizar abusos inaceitáveis e deixar passar claras problemáticas.</span></p>
<figure id="attachment_31935" aria-describedby="caption-attachment-31935" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5.jpg" alt="Cena da série The Idol. The Weeknd, como Tedros. Ele é um homem negro, de barba e cabelo preto curto que está sentado e apoiando seu braço direito no sofá enquanto olha para a direita da imagem. Ele usa uma camisa branca com alguns detalhes em rosa que está aberta e é possível ver uma camiseta preta por dentro. Ele também usa um colar. Ao fundo, é possível ver algumas luzes." width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image4-5-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31935" class="wp-caption-text">The Weeknd negou, em entrevista, que Tredos tenha sido criado para seduzir a audiência, mas o define como portador de uma “vibração sinistra” e “aesthetic” (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O único aspecto genuinamente competente da série é sua trilha sonora. Afinal, The Weeknd como roteirista e ator é um ótimo músico. Quase todas as melodias que compõem o enredo têm seu dedo nas produções e composições, o que não é ruim, já que ele entrega qualidade. Merecem destaque </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7CyPwkp0oE8Ro9Dd5CUDjW?si=83061f188f18422f"><i><span style="font-weight: 400;">One Of The Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma das mais ouvidas no </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;">, com seus vocais e ritmo marcantes, e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6WzRpISELf3YglGAh7TXcG?si=73da166e89794e16"><i><span style="font-weight: 400;">Popular</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com uma batida notável e a participação especial da lendária </span><a href="https://personaunesp.com.br/madonna-ray-of-light-critica/"><span style="font-weight: 400;">Madonna</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que poucos sabem é que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou um conjunto de desastres após a demissão da </span><a href="https://musicaecinema.com/a-polemica-demissao-de-amy-seimetz-de-serie-da-hbo/"><span style="font-weight: 400;">diretora inicial, Amy Seimetz</span></a><span style="font-weight: 400;">, que saiu repentinamente quando quase todos os episódios da série já estavam finalizados. </span><a href="https://uproxx.com/music/the-weeknd-the-idol-overhaul-female-perspective/"><span style="font-weight: 400;">Burburinhos disseram</span></a><span style="font-weight: 400;"> que The Weeknd, co-criador, acreditava que o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> tinha uma perspectiva feminista muito forte e por isso substituiu Seimetz por Levinson, que reescreveu e regravou praticamente tudo.</span></p>
<figure id="attachment_31932" aria-describedby="caption-attachment-31932" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7.jpg" alt="Na imagem há Lily-Rose Depp, uma mulher branca e loira à frente, com a cabeça levemente inclinada para esquerda, repousando-a sobre o braço de um homem atrás dela. Ela usa um óculos escuro. O homem atrás dela é The Weeknd, um homem negro, que está com o braço direito levantado, óculos escuros e um palito entre os dentes. Ambos têm suas cabeças viradas em direção a foto e estão dentro de um carro conversível com estofado vermelho e, ao fundo, é possível enxergar o céu azul e algumas palmeiras" width="1999" height="756" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7.jpg 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-1024x387.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-768x290.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-1536x581.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/11/image1-7-1200x454.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31932" class="wp-caption-text">Fotos dos bastidores da <a href="https://www.filmfare.com/news/hollywood/bts-pics-from-the-first-version-of-the-idol-reveal-a-shockingly-different-show-59651.html">antiga versão de The Idol</a> vazaram, revelando Jocelyn como uma artista pop estilo anos 2000, muitas cores e uma série completamente diferente da entregue por Sam Levinson e The Weeknd (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tanta coisa negativa, não tinha um ser humano para avisar que </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> era uma péssima ideia? Na verdade, tinha sim. Com a clara mudança de perspectiva, vários membros da produção foram contra a produção e, em </span><a href="https://www.rollingstone.com/tv-movies/tv-movie-features/the-idol-hbo-next-euphoria-torture-porn-the-weeknd-sam-levinson-lily-rose-depp-blackpink-jennie-1234688754/"><span style="font-weight: 400;">entrevista para a </span><i><span style="font-weight: 400;">Rolling Stones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, contaram sobre as polêmicas no </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um deles ressaltou que a série saiu de uma sátira para se tornar exatamente o que eles queriam satirizar; já outro problematizou as cenas romantizadas de abuso, mas mesmo com diversos avisos, o seriado saiu do papel e ganhou vida.</span><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma enxurrada de controvérsias e uma baixa qualidade, a obra foi </span><a href="https://www.nationalworld.com/culture/television/the-idol-cancelled-the-weeknd-lily-rose-depp-sam-levinson-hbo-4202455"><span style="font-weight: 400;">encerrada com um episódio a menos</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que a ideia inicial da antiga diretora. Com cinco atos de 50 minutos cada, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Idol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma tortura de 275 minutos legalizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> e  um drama angustiante de se assistir. Não há história, não é artístico. Por mais que Sam Levinson considere o acúmulo de comentários negativos uma forma de</span><i><span style="font-weight: 400;"> marketing</span></i><span style="font-weight: 400;">, a série continua podre e não precisava nem ao menos ter passado do primeiro episódio.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: The Idol Official Playlist" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/37i9dQZF1DX6JvB1I8cgKT?si=da5519034cd94df8&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Barry não redime Barry: a quarta e última temporada concebe um manifesto anti-anti-herói</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Oct 2023 20:56:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Giovanna Freisinger A quarta e última temporada de Barry responde às perguntas existenciais levantadas pela obra até então e leva a história, que parecia estar em uma rua sem saída, ao seu desfecho. Seus momentos finais a consolidam como uma das melhores produções de televisão dos anos recentes. Os fãs da série estão na torcida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/4a-temp-barry-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Barry não redime Barry: a quarta e última temporada concebe um manifesto anti-anti-herói"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31563" aria-describedby="caption-attachment-31563" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31563" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.png" alt="Cena da série Barry. Imagem em close do protagonista olhando para frente, dos ombros para cima e à frente de um fundo preto. O rosto dele está com sangue e machucados espalhados, além de um curativo sobre o nariz e um dos olhos inchado, quase fechado." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1.png 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31563" class="wp-caption-text">Barry chegou ao fim em uma nota fria, dura e irônica, que garantiu o lugar da série na corrida pelo Emmy 2023 (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta e última temporada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> responde às perguntas existenciais levantadas pela obra até então e leva a história, que parecia estar em uma rua sem saída, ao seu desfecho. Seus momentos finais a consolidam como uma das melhores produções de televisão dos anos recentes. Os fãs da série estão na torcida para que esse seja o ano em que ela finalmente conquiste o título de Melhor Série de Comédia no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-sobre-os-vencedores-do-emmy-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">2023, após três indicações nesta categoria, mas nenhuma vitória até então. O obstáculo é a concorrência pesadíssima da categoria, com </span><a href="https://personaunesp.com.br/abbott-elementary-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Abbott Elementary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Maravilhosa Sra. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Jury Duty</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/only-murders-in-the-building-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-bear-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/wandinha-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Wandinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-31562"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A premissa boba da série, sobre um assassino de aluguel que descobre uma paixão avassaladora pelo teatro, não deixa transparecer as profundidades que Bill Hader, protagonista e co-criador, é capaz de levar a narrativa nos anos seguintes. A conclusão assume um tom bem mais sombrio do que quando começou &#8211; sem clima nem para manter a música de abertura descontraída. </span><a href="https://personaunesp.com.br/barry-3a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> aproveita ao máximo a tragédia e a comédia de seu niilismo, orquestrando metodicamente os sentimentos infligidos na audiência para transitar, de um instante para outro, dos altos da sua natureza cômica à tensão e angústia consequentes da sua violência, sem parecer apática com o conteúdo nem comprometer seu ritmo impaciente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma </span><a href="https://www.vogue.com/article/barry-season-four-bill-hader-interview"><span style="font-weight: 400;">comédia ácida</span></a><span style="font-weight: 400;">, com elementos de suspense, drama psicológico e crime, poderia facilmente se perder, mas a produção</span> <span style="font-weight: 400;">prova que revelar as nuances e contradições da vida e da condição humana, quando bem feito, pode criar algo que transcende as restrições dos gêneros narrativos. A série evoluiu ano após ano, com o estilo e o tom se tornando mais bem definidos e ambiciosos conforme progredia, caminhando em direção ao surrealismo, que acrescenta para uma experiência audiovisual ainda mais imersiva. </span></p>
<figure id="attachment_31564" aria-describedby="caption-attachment-31564" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31564" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2.png" alt=" Cena da série Barry. A esquerda, Sally Reed e a direita, Barry. O casal está sentado à mesa de jantar, olhando para frente com expressões vazias. Sally está usando uma peruca de cor castanha e Barry um óculos junto a sua barba rala e grisalha." width="620" height="420" /><figcaption id="caption-attachment-31564" class="wp-caption-text">Enquanto pode parecer uma história com um rumo completamente diferente de quando começou, Barry mantém os temas originais e os explora de modo mais amplo e reflexivo do que poderia, preservando o escopo inicial (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A temporada anterior introduziu a linguagem mais introspectiva que a série adotou em diante. Isso aconteceu quando Hader começou a dirigir mais do que apenas alguns episódios e começamos a ter contato com as montagens surreais e minimalistas que ele aperfeiçoa nesse novo ano &#8211; ele dirige a totalidade dos oito capítulos. Podemos observar o diretor pegando gosto pela prática, desenvolvendo e aperfeiçoando o seu estilo próprio por trás das câmeras. Com razão, já recebeu, por </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;">, três indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas categorias de Melhor Direção em Série de Comédia e Melhor Roteiro em Série de Comédia. Esse ano, ele concorre novamente às duas categorias, ambas pelo episódio final da série, </span><a href="https://youtu.be/CIBekdhTrdA?si=B6pGkPEh_rABCFOT"><span style="font-weight: 400;">wow</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A liberdade tomada por Hader com as sequências experimentais é restrita ao seu comprometimento com os 30 minutos semanais. A quarta temporada pode ser considerada apressada, por vezes até atropelada, principalmente em consequência do divisivo </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/barry-bill-hader-time-jump-season-4-1235481717/"><span style="font-weight: 400;">salto temporal</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, esse foi o melhor caminho para manter o passo da história e a resolução de todos os conflitos em um ritmo rápido que acompanha a urgência da narrativa. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">é a estreia diretorial do ator e comediante e, agora que acabou, fica a ansiedade para ver o que ele planeja fazer em seguida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, a performance de Bill Hader é mais brutal do que nunca, interpretando Barry como uma bomba relógio. Com sua entrega ao personagem, o ator se provou desde o primeiro momento, foi indicado ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">como Melhor Ator em Série de Comédia por todas as temporadas e ganhou em </span><a href="https://youtu.be/_9agY_xyuyc?si=WVGy6sbDHcTavpCJ"><span style="font-weight: 400;">2018</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/n0BUUGzPjIg?si=Mk3JibOm8Iw7tYax"><span style="font-weight: 400;">2019</span></a><span style="font-weight: 400;">. Agora, para fechar a série com um terceiro troféu em casa, concorre com Jason Segel (</span><i><span style="font-weight: 400;">Shrinking</span></i><span style="font-weight: 400;">), Martin Short (</span><i><span style="font-weight: 400;">Only Murders in the Building</span></i><span style="font-weight: 400;">), Jason Sudeikis (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ted Lasso</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Jeremy Allen White (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Bear</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<figure id="attachment_31565" aria-describedby="caption-attachment-31565" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31565" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.png" alt="Foto dos bastidores das filmagens. A esquerda, Bill Hader, de camiseta vermelha e máscara preta sobre a boca e o nariz, está voltado para Henry Winkler (Gene Cousineau) e com a mão sobre seu ombro. Henry está caracterizado, com uma camisa roxa e uma jaqueta cinza, e voltado para o diretor. Eles estão em uma calçada, durante o dia." width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31565" class="wp-caption-text">Bill Hader dirigiu, ao todo, mais da metade dos episódios da série (Foto: Merrick Morton/HBO Max)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">desenvolveu uma marca registrada com a sua </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/tv/tv-features/bill-hader-interview-barry-final-season-emmys-2023-1235559455/"><span style="font-weight: 400;">linguagem visual</span></a><span style="font-weight: 400;"> que prende o olhar do espectador na tela, mesmo diante de cenas violentas ou perturbadoras: uma câmera impessoal e observadora, que tende a enfatizar as reações dos personagens, independente do quão mirabolante os acontecimentos ao seu entorno sejam. Isso dá aos atores mais espaço para explorar suas performances. Grande parte do que eleva a série a algo realmente especial são as interpretações que eles entregam a essas figuras, contemplando as dualidades e conflitos internos de cada um. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse ano, Anthony Carrigan (NoHo Hank) e Henry Winkler (Gene Cousineau) disputam novamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy </span></i><span style="font-weight: 400;">de Melhor Ator Coadjuvante em Série de Comédia. É a terceira indicação para ambos e Winkler levou o troféu em 2018 pela primeira temporada. Vale notar, contudo, a inexplicável insistência da Academia de Televisão em esnobar a contribuição de </span><a href="https://www.theguardian.com/tv-and-radio/2023/jul/12/emmy-nominations-2023-snubs-surprises"><span style="font-weight: 400;">Sarah Goldberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Sally Reed), desde 2019 sem a indicar, apesar de seu imenso talento e inegável impacto para o sucesso da série. </span></p>
<figure id="attachment_31566" aria-describedby="caption-attachment-31566" style="width: 959px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31566" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.png" alt="Cena da série Barry. Dentro de uma casa, com duas janelas amplas, à esquerda, um homem coberto inteiro de preto está parado de pé atrás da Sally Reed, a observando. Ela está de costas para o homem, olhando por uma das janelas." width="959" height="612" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-800x511.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-768x490.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31566" class="wp-caption-text">Em seus episódios finais, a narrativa leva o elenco mais adentro do caminho sombrio que Barry Berkman os colocou (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A quarta temporada chegou para subverter expectativas, reunindo todos os temas abordados nos anos anteriores da obra de maneira mais audaciosa e definitiva. Sua abordagem mais intensa não vai ser para todos, mas as decisões ousadas, performances estelares e habilidades técnicas fazem desse encerramento uma inegável jogada de mestre. Os primeiros episódios demoram um pouco para pegar no embalo, mas, quando as coisas começam a sair dos eixos, a produção te prende e não solta mais. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">sempre foi boa em manter a audiência na beirada do sofá e, caminhando para a sua conclusão, domina isso em seu potencial máximo. Nunca se sabe qual o </span><a href="https://youtu.be/77pHZ0crXV0?si=ETm5IguSqnLmoyIG"><span style="font-weight: 400;">próximo passo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de nenhum dos personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série rejeita as nossas tendências de simpatizar com </span><a href="https://www.diariodocentrodomundo.com.br/por-que-ha-tantos-anti-herois-na-televisao/"><span style="font-weight: 400;">anti-heróis</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em sua reta final, apresenta uma exploração angustiante dos danos causados por um homem violento. A essa altura, Barry já não é mais o protagonista. O drama se dá ao examinar todas as vidas que ele comprometeu, direta ou indiretamente. A escolha ousada de descentralizá-lo da narrativa tem um efeito em fazer a audiência enxergá-lo por quem ele é, assim como os outros personagens começam a fazer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A angústia da história vem da vontade que o personagem expressa em mudar, mas nunca muda. No último episódio, ele enfim toma uma decisão que pode ser considerada uma mudança, mas já é tarde demais. Ele não é oferecido redenção, nem vingança: o roteiro não recompensa Barry de qualquer maneira. Há um argumento, desde a terceira temporada, de que o arrependimento, não importa o quão sincero, não têm valor algum sem </span><a href="https://www.npr.org/2019/06/20/734356166/on-hbos-barry-bill-hader-asks-can-you-change-your-nature"><span style="font-weight: 400;">mudanças de comportamento</span></a><span style="font-weight: 400;">. O protagonista cruza todos os limites que traça para si mesmo. Ele sente culpa, mas, ainda assim, prefere cometer atos injustificáveis a sacrificar a vida que reivindica para si. </span></p>
<figure id="attachment_31567" aria-describedby="caption-attachment-31567" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31567" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5.png" alt="Cena da série Barry. A imagem mostra as costas de Barry, que está carregando duas armas apoiadas em seus ombros, enquanto ele anda entre corredores de uma loja cheios de brinquedos infantis." width="540" height="367" /><figcaption id="caption-attachment-31567" class="wp-caption-text">Barry nunca perde a sua comédia, com muitas de suas melhores sacadas graças às articulações visuais que Hader conquista por trás da câmera (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Barry se agarra a suas boas intenções &#8211; apesar de autocentradas &#8211; para não ter que admitir para si mesmo que tem controle sobre essas situações, e os danos que causa são uma escolha egoísta e calculada. Ele é definido por suas ações e, nesse sentido, é uma resposta a todos os anti-heróis. O </span><a href="https://www.writersroom51.com/post/diferen%C3%A7a-entre-convences-e-tropos-narrativos"><i><span style="font-weight: 400;">trope</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é dominado por histórias de homens que fazem coisas terríveis, só para depois serem representados como vítimas mal compreendidas de más circunstâncias. É nesse ponto que </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry </span></i><span style="font-weight: 400;">escolhe seguir por outro caminho e, fazendo isso, configura uma história anti-anti-heróis, que não deixa o seu protagonista, nem a audiência, escapar das duras consequências da realidade. A série finalmente responde a sua questão central: o remorso é o suficiente para a redenção? Claro que não.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O final, apesar de imprevisível, é anticlimático &#8211; de propósito. Em seus últimos momentos, a série</span> <span style="font-weight: 400;">compõe sua última piada, ao mesmo tempo que consegue sintetizar a sua mensagem, retornando os temas que expandiu nesta temporada para onde tudo começou: a indústria do teatro, cinema e televisão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Barry</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre usou a paixão do personagem pela atuação como sua </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/streaming/hbo-max/barry-nasceu-da-inseguranca-e-sindrome-de-impostor-de-bill-hader/"><span style="font-weight: 400;">metáfora central</span></a><span style="font-weight: 400;">, para tratar das mentiras que contamos a nós mesmos. A tese da série é expressa, surpreendentemente, por Fuches (Stephen Root), quando ele compreende que ninguém se torna melhor do que é por negar a verdade.  </span></p>
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		<title>Em The Last of Us, nós continuamos pela família</title>
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		<pubDate>Fri, 19 May 2023 19:20:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes Ecoando sua celebrada minissérie Chernobyl, Craig Mazin nos inicia em The Last of Us com um prólogo: em um talk show dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em The Last of Us, nós continuamos pela família"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30909" aria-describedby="caption-attachment-30909" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30909" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) estão no alto de um edifício em ruínas, olhando na direção da câmera para o nascer do Sol. Joel, à esquerda da tela, é um homem latino de meia idade, com cabelos curtos e barba preta, já com vários fios grisalhos. Ele usa uma jaqueta verde clara por cima de uma camisa cinzenta. Podemos ver as alças de uma mochila passando por seus ombros, além de uma alça transversal que vai de seu ombro esquerdo até sua cintura. Joel segura essa alça com sua mão esquerda, deixando exposto um relógio analógico preso em seu pulso. Ellie, à direita da tela, é uma menina caucasiana de cabelos negros presos em um rabo de cavalo. Ela usa uma jaqueta encapuzada aberta por cima de uma camiseta cinza-clara. Em seu ombro esquerdo, já uma lanterna tubular presa na alça de sua mochila, apontada para frente. A câmera os captura da cintura para cima, e atrás deles podemos ver edifícios arruinados, tomados por vegetação e caindo aos pedaços, e uma massa de água ainda mais ao fundo do horizonte." width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/1-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30909" class="wp-caption-text">“Não pode ser em vão” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda e Nathália Mendes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ecoando sua celebrada minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Chernobyl</span></i><span style="font-weight: 400;">, Craig Mazin nos inicia em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lA3gaTGT2EY"><span style="font-weight: 400;">prólogo</span></a><span style="font-weight: 400;">: em um </span><i><span style="font-weight: 400;">talk show</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1960, acompanhamos um biólogo carismático (John Hannah) que avisa tanto o entrevistador (Josh Brener) quanto a plateia que o verdadeiro perigo para a extinção da raça humana não são vírus ou bactérias, mas os fungos. Quando questionado sobre o que aconteceria no evento destes organismos evoluírem para nos infectar, ele responde com um simples “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nós perderíamos</span></i><span style="font-weight: 400;">”. E, pelas próximas nove semanas, fomos convidados a imaginar como seria um mundo onde é justamente isso o que aconteceu: nós perdemos.</span></p>
<p><span id="more-30908"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseada no aclamado </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2013, a nova série da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas a mais recente adição ao cânone de narrativas dedicadas à imaginar o que vem depois que o mundo acaba. Ao longo da última década, com a </span><a href="https://www.omelete.com.br/walking-dead/walking-dead-quebra-recordes-de-audiencia-pela-terceira-vez"><span style="font-weight: 400;">ascensão de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na televisão norte-americana, entre outras produções, tivemos a popularização do </span><a href="https://www.avclub.com/15-best-post-apocalyptic-tv-shows-1850157129"><span style="font-weight: 400;">cenário pós-apocalíptico</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um modelo para a formação de questionamentos pertinentes à natureza humana: o que acontece depois que nós “perdemos”? Quem nos tornamos quando não há mais o que salvar, quando as estruturas sociais estão irrevogavelmente arruinadas e agora é cada um por si? O quão mais obcecados podemos ficar pelo ator Pedro Pascal?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">, a resposta a essas perguntas está na jornada de Joel (Pascal) e Ellie (Bella Ramsey) por um Estados Unidos devastado pela </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cx795x3v7q0o"><span style="font-weight: 400;">infecção fúngica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que destruiu todo o planeta 20 anos atrás, responsável por transformar a maior parte da população em monstros zumbificados e macabros. Ao longo de nove capítulos, testemunhamos personagens sofrendo perda atrás de perda, tragédias de proporções bíblicas e alegrias tão passageiras que sua mera existência se torna milagrosa. Até o final, somos relembrados repetidamente de que, nesse mundo, não há como vencer.</span></p>
<figure id="attachment_30915" aria-describedby="caption-attachment-30915" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30915" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpeg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) segura sua filha, Sarah (Nico Parker) em seus braços. Os dois olham para frente, assustados, enquanto a câmera os captura da cintura para cima, em um plano médio. Joel é um homem latino de meia idade, com cabelos e barba pretos e curtos, usando uma camiseta acinzentada. Sarah é uma menina negra de cabelos pretos longos e encaracolados, usando uma camiseta rosa e uma calça jeans clara. Ela segura o ombro direito de Joel com sua mão esquerda, e podemos ver a mão esquerda de Joel, adornada com um relógio, segurando seu torso. A cena se passa à noite e, no plano de fundo, podemos distinguir apenas vagamente um campo aberto. Ambos personagens são iluminados por uma luz branca forte vindo de frente." width="1366" height="767" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2.jpeg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-800x449.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1024x575.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-768x431.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/2-1200x674.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30915" class="wp-caption-text">“Pode até não ser pai dela, mas foi pai de alguém” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após esse prólogo arrepiante, saltamos para 2003 e somos apresentados à família Miller, composta por Joel, sua filha Sarah (Nico Parker) e seu irmão Tommy (Gabriel Luna). Dirigido por Mazin, produtor executivo e co-</span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seriado,</span> <span style="font-weight: 400;">o primeiro capítulo da temporada, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Estiver Perdido na Escuridão</span></i><span style="font-weight: 400;">, é uma introdução não apenas ao apocalipse pessoal de seu protagonista, mas à característica fundamental da tragédia que parece perseguir todos aqueles que sobreviveram ao surto do fungo </span><a href="https://br.ign.com/the-last-of-us-the-series/105158/feature/the-last-of-us-quais-sao-os-estagios-dos-infectados"><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: a memória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer dos episódios, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">constrói uma linguagem de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que expandem a dimensão do luto da narrativa, originalmente restrita apenas à </span><a href="https://www.naughtydog.com/blog/the_last_of_us_ellie_and_joe_story_game_show"><span style="font-weight: 400;">perspectiva de Joel</span></a><span style="font-weight: 400;">, um sobrevivente marcado por um passado trágico e violento, e Ellie, uma garota  que aparenta ser imune à infecção. Juntos, eles atravessam os Estados Unidos à procura dos Vagalumes, um grupo rebelde que ainda procura pela cura e luta contra a tirania imposta pela </span><i><span style="font-weight: 400;">FEDRA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Agência Federal de Resposta à Desastres, em tradução livre), uma organização militar composta pelos remanescentes do governo norte-americano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas essa expansão não ocasiona perda da </span><a href="https://canaltech.com.br/series/como-serie-de-the-last-of-us-expande-o-que-vimos-no-jogo-242956/"><span style="font-weight: 400;">perspectiva original</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim a direciona para outros formatos através da condução genial de Mazin. A câmera, por exemplo, quase sempre está junto de seus personagens, levada conforme os próprios descobrem o desenrolar da narrativa. Aqui, a direção é notável de duas maneiras: a primeira por criar uma imersão profunda no drama e a outra pelo paralelo com a posição dos jogadores de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">, no qual se é ativamente o protagonista. Tais características contribuem fortemente para que a série seja uma experiência completa, mesmo aos antigos fãs da franquia.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us Episode 1: TV Show vs Game Comparison" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Me0EadJQPvQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Neil Druckmann, criador da franquia e co-</span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner </span></i><span style="font-weight: 400;">ao lado de Mazin, tira proveito do formato serializado ao transformar as maneiras com que encaramos suas personagens. Joel, que antes tinha sua capacidade física atrelada a habilidade do jogador que o comanda, agora recebe permissão para falhar. Acabaram as hordas de inimigos interpostas como obstáculos entre o jogador e seu objetivo: o uso da violência na série é clínico, humanizando tanto os infectados quanto os sobreviventes que antagonizam o </span><i><span style="font-weight: 400;">duo </span></i><span style="font-weight: 400;">ao longo da viagem, ecoando algumas das sensibilidades e temas que só veríamos na sequência de 2020, </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us Part II</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maioria das </span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-last-of-us-diferencas-entre-serie-e-jogo/"><span style="font-weight: 400;">adições às tramas</span></a><span style="font-weight: 400;"> são breves e servem para ampliar a história de personagens já conhecidos. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esconde sua devoção ao material original, recriando algumas das cenas mais famosas do jogo quadro a quadro, em um exercício de fidelidade que poderia até ser banal ou uma mera tentativa de manter laços firmes com sua obra precursora, não fosse a paixão com que cada um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> é performado por seus novos intérpretes. Tanto Pascal quanto Ramsey preenchem belamente seus arquétipos e os inferem com suas próprias vulnerabilidades, criando entre si uma sintonia que carrega a narrativa adiante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o Joel de Pascal parece ser mais frágil que o dos jogos, a Ellie de Ramsey (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aOGz1YDuOvg"><span style="font-weight: 400;">Bellie</span></a><span style="font-weight: 400;">, para os íntimos) desenvolve sua própria relação com a violência nesse mundo sem lei, e um dos arcos narrativos mais claros é a perda de sua inocência: ela nasceu nesse mundo condenado e, portanto, ainda não sabe o que é perder da mesma maneira que seu companheiro. Joel, em contrapartida, é obrigado a reaprender a agonia da esperança.</span></p>
<figure id="attachment_30919" aria-describedby="caption-attachment-30919" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30919 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-scaled.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Frank (Murray Bartlett) e Bill (Nick Offerman) ceiam em sua casa. Os dois se sentam em lados adjacentes de uma mesa de madeira longa. Frank, à esquerda, está virado de perfil, olhando para Bill, à direita, que está de frente para a câmera, em um plano médio. Bill e Frank são ambos homens caucasianos mais velhos, com cabelos e barbas grisalhos. Frank é mais esguio, usando um paletó preto por cima de uma camisa branca, enquanto Bill usa um paletó cinza por cima de uma camisa bege, abotoada até o pescoço. Frank segura a mão direita de Bill com a sua esquerda, sobre a mesa. Os dois tem pratos vazios com guardanapos em cima, com duas taças vazias de vinho à seus lados. Na extremidade direita do plano, uma garrafa de vinho está ao lado esquerdo de Bill, iluminada por uma vela acesa. Atrás deles, podemos ver uma parede azul clara. À esquerda, uma janela entreaberta deixa aparecer o escuro da noite, adornada em ambos os lados por uma cortina de tecido florido, enquanto à direita vemos um vaso com uma planta verde repousando sobre a moldura de uma lareira. A cena é iluminada por uma luz branca vinda do canto superior direito da tela, acima da lareira." width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3-1-1536x1024.jpg 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30919" class="wp-caption-text">“Eu odiava o mundo e adorei quando todos morreram. Mas me enganei. Tinha uma pessoa que valia a pena ser salva” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após feitas as apresentações, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> rapidamente estabelece o padrão intermitente de sua narrativa, introduzindo em cada episódio novos personagens que cruzam física e emocionalmente com a jornada dos protagonistas, mas que nunca permanecem por mais de um capítulo. Joel e Ellie são repetidamente confrontados com uma </span><a href="https://fugitives.com/the-last-of-us-season-1-love-as-major-driving-force-2023-sci-fi-series/"><span style="font-weight: 400;">nova versão do amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sentimos uns pelos outros e suas terríveis e maravilhosas consequências. Mazin faz questão de examiná-lo não como a salvação ou a perdição da humanidade, mas como algo tão intrínseco, essencial e humano que é praticamente impossível separá-lo de nós mesmos. Amamos, independente das consequências, até no fim do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E talvez nenhum episódio capture tão bem esse conflito primordial quanto o terceiro, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Muito, Muito Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Apesar de começar nas alças do episódio anterior, o roteiro de Mazin rapidamente salta no tempo para 20 anos no passado, quando acompanhamos Bill (Nick Offerman, em uma das grandes performances de sua carreira), um “</span><a href="https://www.ecycle.com.br/sobrevivencialismo/"><span style="font-weight: 400;">sobrevivencialista</span></a><span style="font-weight: 400;">” que já se preparava para o fim do mundo bem antes dos fungos começarem à nos perseguir. Após alguns anos sozinho, ele conhece Frank (Murray Bartlett), um homem gentil à procura de abrigo que, mesmo após uma introdução nada amistosa, consegue se conectar com Bill em um nível íntimo e sensível.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por </span><a href="https://www.metfilmschool.ac.uk/articles/blogs/meet-industry-peter-hoar-director-david-katznelson-cinematographer/"><span style="font-weight: 400;">Peter Hoar</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedor do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bafta/"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por seu trabalho na minissérie </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tumQJ4qrJrg&amp;pp=ygUSaXQncyBhIHNpbiB0cmFpbGVy"><i><span style="font-weight: 400;">It’s a Sin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o capítulo marca o maior desvio do material original até o momento, e é uma lição de adaptação por si só. Ao se debruçar tão fixamente sobre a vida de dois personagens coadjuvantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela sua própria sensibilidade e nos conta, com rigor absoluto, uma das histórias de amor mais comoventes entre as obras recentes da televisão. Apesar de se desviar do caminho original da narrativa, o texto ainda funciona para espelhar a jornada dos protagonistas, fazendo uma ponte com a dificuldade de Joel em se abrir com Ellie e ecoando o luto que ainda permeia seu personagem. </span></p>
<figure id="attachment_30910" aria-describedby="caption-attachment-30910" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30910" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2.png" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Sam (Keivon Montreal), à esquerda, é um menino preto de cabelos curtos crespos e corte moicano, veste moletom mostarda e está sentado olhando atentamente para seu irmão. Henry (Lamar Johnson), à direita, é um homem preto de cabelos crespos, veste jaqueta cinza escuro com estofamento e calças jeans, e está de lado, na direção de Sam. O fundo é um sótão de tijolos marrons claros com diversos desenhos coloridos de super-herói pelas paredes." width="1920" height="1280" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/4-2-1536x1024.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30910" class="wp-caption-text">“Existia um grande homem. Ele nunca sentia medo, não era egoísta e sempre perdoava. Já viu alguém assim?” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do casal, Joel e Ellie se deparam com uma dupla de narrativa completamente oposta em seus meios e fins, mas semelhante na intensidade de seu amor. Se o destino de Sam (Keivonn Montreal) e Henry (Lamar Johnson), dois irmãos sobrevivendo na Zona de Quarentena do Kansas sob uma organização de Estado diferente da </span><i><span style="font-weight: 400;">FEDRA,</span></i><span style="font-weight: 400;"> já era avassalador no </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele ganha uma nova perspectiva ao ser contada após um romance. Para além da adição inclusiva de colocar Sam como uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8R7IiUvpKG4&amp;t=2s"><span style="font-weight: 400;">criança surda</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o conflito moral que levou Henry a ser um dedo duro, o mais importante é o contraste de ambos com Bill e Frank. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As histórias paralelas de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> irão, mais de uma vez, modelar a visão que nós espectadores teremos ao acompanhar o desenrolar dos protagonistas, mas a função principal delas, no entanto, é transformar como Joel compreende o amor e a esperança. Por amor, tanto Bill quanto Henry não encontraram </span><a href="https://www.esquire.com/uk/culture/tv/a42856228/the-last-of-us-henry-and-sam/"><span style="font-weight: 400;">saída para continuar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que suas ações finais tenham sido semelhantes, o motivador para suas escolhas e as situações em que se encontravam eram completamente diferentes. Aos poucos, Joel passa a questionar se há contexto em que seu futuro seja outro, e por isso foi de extrema importância encontrar Tommy em sua vila comunista na sequência.</span></p>
<figure id="attachment_30914" aria-describedby="caption-attachment-30914" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Joel (Pedro Pascal) olha suplicante para a esquerda. Joel é um homem latino puxando para o lado mais velho, com grande parte dos cabelos escuros e barba já grisalhos. Ele usa uma camisa xadrez verde com listras vermelhas, captado pela câmera da cintura para cima. Atrás dele, fora de foco, podemos discernir o que parece ser uma marcenaria, com várias ferramentas espalhadas em mesas e paredes. A cena é iluminada por uma luz branca vinda da parte superior da tela." width="2560" height="1439" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1536x863.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-2048x1151.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/5-2-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30914" class="wp-caption-text">“Ao acordar, sinto que perdi algo. Eu fracasso até dormindo. É o que faço. É o que sempre fiz: falhar com ela, vez após vez” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Joel enxerga na comunidade em que seu irmão vive muito mais do que a mera possibilidade de segurança em meio ao apocalipse. </span><a href="https://variety.com/2023/tv/news/the-last-of-us-jackson-part-2-explained-1235524398/"><span style="font-weight: 400;">Jackson</span></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma  sociedade alternativa onde a vida deixa de ser sobrevivência, a cura para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></i><span style="font-weight: 400;"> é dispensável e a luta contra novas organizações de Estado está distante. Ali, Joel vê uma chance. Não para ele, à princípio, não para um homem que havia fracassado inúmeras vezes, alguém transformado pela crueldade da tragédia em seu entorno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma jornada de conflito interno, nosso protagonista atinge o ápice ao fim do sexto episódio, </span><a href="https://youtu.be/-wzCvVfr2Kk"><i><span style="font-weight: 400;">Parentesco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ele resiste à esperança e ao sentimento de amor paterno intrínseco em cada músculo de seu corpo, mas é impossível abandonar aquilo que o define em essência, mesmo que a memória de Sarah ainda o paralise por completo. Na performance de Pascal, contemplamos um Joel que revive o trauma da perda toda vez que olha para Ellie, </span><a href="https://youtu.be/vNiptUg78OY?t=420"><span style="font-weight: 400;">tão vulnerável</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao ponto de nos sufocar com a intensidade da dor e frustração que carrega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entendemos o significado de “</span><i><span style="font-weight: 400;">continuar pela família</span></i><span style="font-weight: 400;">” em um mundo onde a perda é inevitável neste momento crucial da história. Quando Joel assume que não pode desistir da esperança que acaba de tomá-lo por completo, ele também permite que Ellie tenha a chance de explicitar sua vontade. Para ouvidos atentos, seu querer por Joel já estava declarado ao final do primeiro episódio, nas linhas musicais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=snILjFUkk_A"><i><span style="font-weight: 400;">Never Let Me Down Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do Depeche Mode, quando a garota deu seus primeiros passos para fora da quarentena de Boston. Agora, o gesto de escolhê-lo sentencia a separação entre Ellie e Sarah como indivíduos. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us | Abertura | HBO Max" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/S2O7xQMdRZM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como era no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, a trilha sonora do compositor argentino Gustavo Santaolalla (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-segredo-de-brokeback-mountain-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Segredo de Brokeback Mountain</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Babel</span></i><span style="font-weight: 400;">) não preenche os espaços silenciosos da série, mas reflete as emoções das personagens quando palavras não são mais suficientes. O icônico tema da franquia, tocado num </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7Z0TPseiuss&amp;pp=ygUbZ3VzdGF2byBzYW50YW9sYWxsYSByb25yb2Nv"><span style="font-weight: 400;">ronroco</span></a><span style="font-weight: 400;">, faz presença na abertura e nos prepara para a fragilidade potente do mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;">. Puxando algumas faixas e inspirações da trilha do segundo jogo, Santaolalla parece querer fazer uma ponte temática entre o presente e o futuro, o que não havia sido possível em 2013, quando a primeira iteração da narrativa foi apresentada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para intensificar essa ponte, Mazin e Druckmann fazem uso deliberado e criativo das faixas licenciadas, especialmente com </span><a href="https://open.spotify.com/track/1khA4hwhZD4HMecyE1e9U1?si=43fe0b4270204447"><i><span style="font-weight: 400;">Long Long Time</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a balada melancólica de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/efeito-the-last-of-us-serie-ressuscita-cancao-country-dos-anos-70/"><span style="font-weight: 400;">Linda Ronstadt</span></a><span style="font-weight: 400;"> no terceiro episódio, e a </span><a href="https://mashable.com/article/the-last-of-us-episode-6-ending-song-depeche-mode"><span style="font-weight: 400;">repetição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Never Let Me Down Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao final do sexto capítulo. Jessica Mazin, filha de Craig, faz um </span><a href="https://open.spotify.com/track/2Tw463vi8DMqkr2EiLYfZM?si=1e612e6a189f4cc8"><i><span style="font-weight: 400;">cover</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">sóbrio da música que ecoa não só a narrativa, mas a conexão entre pais e filhas que está no cerne da premissa do seriado. Além dela, canções de </span><a href="https://open.spotify.com/track/4o7SYOv7mNJAPe0tsxgbHc?si=58e93b35eaec421b"><span style="font-weight: 400;">Pearl Jam</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/track/2wfpV9gUNaTN1gkct0RUNz?si=1f10923b2c874d1e"><span style="font-weight: 400;">a-ha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/6BUJtgTJT9YTDkiB81maFQ?si=6f91449a5210484b"><span style="font-weight: 400;">Lotte Kestner</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazem referência à vindoura segunda parte da série, mas que aqui são ressignificadas e retrabalhados para desatar o nó de emoções das personagens.</span></p>
<figure id="attachment_30916" aria-describedby="caption-attachment-30916" style="width: 2048px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6.jpg" alt=" Foto dos bastidores da primeira temporada de The Last of Us. Pedro Pascal e Bella Ramsey, caracterizados como seus respectivos personagens, conversam em meio a um cenário nevado. Pedro, à esquerda, é um homem latino de meia idade, com cabelos e barba escuros e grisalhos, usando um casaco marrom claro fechado e calças azuis escuras. Em seus ombros, podemos ver uma arma longa pendurada por um cinto em seu ombro direito. Bella é uma pessoa jovem de cabelos escuros cobertos por uma touca branca, usando um casaco azul aberto por cima de um moletom encapuzado cinza e calças jeans. Podemos ver uma mochila verde em suas costas, com um saco de dormir azul claro preso na parte inferior. Pedro segura o pulso direito de Bella com sua mão esquerda, ambas enluvadas. Do lado esquerdo da tela, uma claquete segurada por um par de mãos agasalhadas está prestes a bater, exibindo o logo de produção e diversas informações da filmagem." width="2048" height="1152" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/6-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30916" class="wp-caption-text">“É interessante como algo tão grande e transformador aconteceu tão cedo na sua vida e tão tarde na minha.” &#8211; Carta de Pedro Pascal para Bella Ramsey (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood </span></i><span style="font-weight: 400;">tem investido em adaptações de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o audiovisual: séries animadas como </span><a href="https://personaunesp.com.br/castlevania-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Castlevania</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem forjado um novo patamar nos últimos anos, enquanto produções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Uncharted: Fora do Mapa</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Halo</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostram o quanto os grandes estúdios estão dispostos a gastar nessas ideias. Apesar de à primeira vista não parecer tão grandioso quanto estas produções, realizar o mundo de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maneira crível foi um </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2023/01/02/can-the-last-of-us-break-the-curse-of-bad-video-game-adaptations"><span style="font-weight: 400;">esforço milionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> por parte da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">&#8211; custando quase tanto quanto algumas das últimas temporadas de </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-casa-do-dragao-1a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com o uso de diversos efeitos práticos (principalmente na maquiagem e prostéticos dos seres infectados pelo fungo), construir o mundo pós-apocalíptico da desenvolvedora </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;"> não teria sido possível sem o trabalho dos artistas digitais do estúdio </span><i><span style="font-weight: 400;">DNEG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (responsáveis também pelos filmes do cineasta Christopher Nolan). Dispensando sequências de ação bombásticas, o trabalho desses artistas é focado em preencher o mundo idealizado por Druckmann e Bruce Straley, </span><a href="https://www.theenemy.com.br/playstation/tlou-hbo-bruce-straley-nao-creditado"><span style="font-weight: 400;">co-criador do jogo original</span></a><span style="font-weight: 400;">. Quando Ellie encara o mundo fora da Zona de Quarentena pela primeira vez, somos apresentados às ruínas de Boston e aos 20 anos de não-interferência humana em uma grande metrópole: narrativas que, assim como no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, são contadas puramente através do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_30911" aria-describedby="caption-attachment-30911" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30911 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Riley (Storm Reid) e Ellie (Bella Ramsey) estão sentadas, encostadas em um balcão de loja com vidros. Riley, à esquerda, é uma jovem preta de pele clara, usa camisa de manga curta cinza chumbo e calça jeans, faixa verde escura no cabelo, que está preso para trás, e segura uma arma com as duas mãos entre os joelhos, enquanto chora. Ellie, à direita, é uma jovem branca de cabelos castanhos presos em rabo de cavalo, tem o olho direito ligeiramente roxo e o lábio inferior cortado, com sangue, usa camiseta branca com mangas vermelhas e calças jeans." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/7-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30911" class="wp-caption-text">“Você não faz ideia do que é perder” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O elenco ainda conta com nomes como Anna Torv (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mindhunter-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mindhunter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Fringe</span></i><span style="font-weight: 400;">), Melanie Lynskey (</span><a href="https://personaunesp.com.br/yellowjackets-1a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Yellowjackets</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Merle Dandridge, que reprisa o papel de Marlene, líder dos Vagalumes. Troy Baker e Ashley Johnson, atores originais de Joel e Ellie, participaram do seriado em novos papéis, novamente demonstrando o apreço de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">por seu material original, uma das características que o separa drasticamente de grande parte das adaptações cinematográficas de </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos últimos 30 anos. Jogador assumido, Craig Mazin não poupa elogios para o jogo de </span><i><span style="font-weight: 400;">PlayStation</span></i><span style="font-weight: 400;">, orgulhosamente descrevendo-o como a “</span><a href="https://jovemnerd.com.br/nerdbunker/the-last-of-us-melhor-historia-dos-videogames/#:~:text=S%C3%A9ries%20e%20TV-,Craig%20Mazin%20diz%20que%20The%20Last%20of,a%20melhor%20hist%C3%B3ria%20dos%20videogames&amp;text=Craig%20Mazin%20(Chernobyl)%2C%20co,a%20melhor%20hist%C3%B3ria%20dos%20videogames."><i><span style="font-weight: 400;">melhor estória já contada em um videogame</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com a </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO </span></i><span style="font-weight: 400;">bancando a produção, havia uma boa dose de ceticismo na recepção do anúncio da série, já que para muitos a narrativa do jogo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa um dos pináculos absolutos do meio. Após anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">fancasts</span></i><span style="font-weight: 400;"> que iam desde Hugh Jackman e Josh Brolin até Maisie Williams e Kaitlyn Dever, a escalação de Pedro Pascal e Bella Ramsey foi recebida num espectro de entusiasmo e absurdo. Apesar de Pascal ter marcado seu nome na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">nos últimos anos com suas participações em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-mandalorian-2a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Mandaloriano</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Game of Thrones</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Kingsmen</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele não combinava com a ideia que muitos tinham de Joel como o contrabandista texano durão e barbudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bella, por outro lado, teve que lidar com uma série de insultos à sua aparência de pessoas clamando que elu (Ramsey se identifica como não-binárie e atende por todos os pronomes) não era “atraente” o suficiente para interpretar Ellie, uma personagem de 14 anos. Mal disfarçado de crítica, esse tipo de comentário misógino foi sendo aos poucos ofuscado pela atuação virtuosa de Ramsey, chegando ao seu auge interpretativo nos episódios finais da temporada. No sétimo capítulo, intitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Deixamos Para Trás</span></i><span style="font-weight: 400;">, elu contracena com a talentosa Storm Reid (</span><a href="https://personaunesp.com.br/euphoria-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Euphoria</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e sintetiza as melhores qualidades do seriado em uma história sobre amor jovem e a perda da inocência que, apesar de trágica, vêm acompanhado do que talvez seja o mote da narrativa:</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">Todo mundo vai terminar assim, cedo ou tarde, né? Acontece mais rápido pra alguns. Mas nós não desistimos. Sejam dois minutos ou dois dias, nós não abrimos mão disso. Eu não quero abrir mão disso.</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Com </span><i><span style="font-weight: 400;">Quando Mais Precisamos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o oitavo episódio da série, podemos interpretar a premissa da frase a partir de outra ótica. Mazin destaca que o capítulo se trata integralmente sobre depravação humana e é nele que temos o ápice de maturação de Ramsey em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us. </span></i><span style="font-weight: 400;">Sua personagem ainda não havia precisado agir com as próprias mãos, mas elu consegue exprimir de maneira exímia o desespero de Ellie ao precisar sobreviver sozinha. A crueldade do outro obriga a personagem a enxergar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W8Mg-P8Jpss"><span style="font-weight: 400;">o que há de obscuro nela própria</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a abrir mão de outras partes de sua inocência para que possa continuar. No fim, vemos uma Ellie completamente transformada por sua própria violência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob a direção de Ali Abbasi, o caráter violento da série</span> <span style="font-weight: 400;">assume sua forma mais genuína na brilhante composição do episódio. O diretor prova que sabe as relações profundas e divergentes que os seres humanos possuem com a violência, pois, diferentemente da perspectiva que adotou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/holy-spider-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Holy Spider</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, aqui ele amplia o impacto que ações brutais proporcionam nas personagens e não enfoca sua exposição. De fato, Abbasi foi a pessoa certa para criar essa atmosfera, que também funciona como contraponto à perspectiva de jogador do </span><i><span style="font-weight: 400;">videogame</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se ao jogarmos, a nossa vontade e habilidade irão medir a proporção da agressividade com que combatemos inimigos, no seriado somos obrigados a assistir os resultados dessas ações.</span></p>
<figure id="attachment_30913" aria-describedby="caption-attachment-30913" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30913 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8.jpg" alt="Cena da primeira temporada de The Last of Us. Anna (Ashley Johnson) segura sua filha recém-nascida. Anna é uma mulher caucasiana de cabelos castanhos longos. Ela está à direita da tela, olhando para o bebê em seus braços, à esquerda. Ela usa uma jaqueta verde e está encharcada de suor, mas sua expressão é de alívio. O bebê que ela segura está coberto de líquidos orgânicos e com uma das mãos estendida para cima. Ao fundo, fora de foco, podemos ver um quarto abandonado, com paredes brancas descascadas e um móvel azul claro no espaço entre Anna e sua filha. Uma janela aberta na extremidade esquerda da tela deixa a luz do dia entrar e ilumina as personagens." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/8-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30913" class="wp-caption-text">“Diz pra eles, Ellie. Você é tão durona” (Foto: HBO)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">verdadeiramente transcende o material de origem ao respeitá-lo, enquanto busca contar uma história tão querida da melhor maneira possível em outro  meio. A tragédia de Joel e Ellie adquire novos contornos quando vista por uma lente teatral, em que atores de produções anteriores são convidados para reprisar seus papéis ou introduzir novas personagens. Somos convidados não só a acompanhá-los por esse mundo sombrio, mas a entender o porquê de ser assim e, consequentemente, aceitar a escuridão que traz consigo. Perdemos junto com os personagens e voltamos toda semana para vê-los perderem mais um pouco, ao ponto em que a narrativa interroga o próprio espectador: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Porquê seguir em frente se você não tem esperança?</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há uma resposta simples ou ao menos satisfatória. Continuamos porque, seja nas últimas 10 horas ou nos últimos 10 anos, nos apaixonamos por esses personagens, porque amamos Ellie tanto quanto Joel a ama e, portanto, entendemos o que ele deve fazer para mantê-la viva. Apesar de não controlarmos mais suas ações, ainda sentimos que estamos ao seu lado durante todos os passos da jornada. Compartilhamos as misérias e as risadas com eles de maneira particular e continuamos, apesar de tudo. Não desistimos desses personagens nem quando eles desistem de si mesmos e, quando paramos para pensar no motivo, é realmente difícil elaborar algo além do amor.</span></p>
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