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	<title>Arquivos Há Dez Mil Anos Atrás &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>30 anos sem Raul Seixas: o legado do maluco beleza</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Aug 2019 21:38:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos No dia 21 de agosto de 1989, sozinho em seu apartamento na cidade de São Paulo, Raul Seixas – para muitos, o pai do rock nacional – encontrou a morte, surda, que caminhava ao seu lado. Após 44 anos de uma vida de excessos, loucuras, esoterismo e rebeldia, o rockeiro baiano foi vítima &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/30-anos-sem-raul-seixas/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "30 anos sem Raul Seixas: o legado do maluco beleza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12577" aria-describedby="caption-attachment-12577" style="width: 797px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-12577" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-1.jpg" alt="" width="797" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-1.jpg 797w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12577" class="wp-caption-text">Raul Seixas e sua barba costumeira, que virou um dos símbolos do cantor  (Foto: Raul Seixas)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 21 de agosto de 1989, sozinho em seu apartamento na cidade de São Paulo, Raul Seixas – para muitos, o pai do <em>rock</em> nacional – encontrou a morte, surda, que caminhava ao seu lado. Após 44 anos de uma vida de excessos, loucuras, esoterismo e rebeldia, o <em>rockeiro</em> baiano foi vítima de uma pancreatite aguda fulminante resultada do alcoolismo, que era agravado pelo fato de Raul ser diabético e não ter tomado sua insulina na noite anterior. Passados 30 anos deste baque na música brasileira, o <em>“raulseixismo”</em> ainda é uma filosofia de vida para sua legião de fãs, e os gritos de <em>“Toca Raul!”</em>, uma pedida clássica em bares e <em>shows</em>. </span></p>
<p><span id="more-12576"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em Salvador, capital da Bahia, no ano de 1945, ou, muito provavelmente, trazido por um disco voador há 10 mil anos atrás, Raul Santos Seixas foi apresentado ao <em>rock</em> desde pequeno, morando perto do consulado norte-americano. Influenciado diretamente por Elvis Presley, Chuck Berry e Beatles, Raul bateu de frente com a onda da bossa nova em plenos anos 60, mesclando seu <em>rock</em> marginalizado de </span><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/04/03/raul-seixas-e-os-panteras-1968/"><span style="font-weight: 400;">Raulzito e os Panteras</span></a><span style="font-weight: 400;"> com ritmos tradicionais nordestinos, como o baião e o xaxado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Raulzito sempre foi tudo, menos típico. Suas músicas são marcadas por uma forte presença mística – em <em>Tente Outra Vez</em>, incentiva a fé em Deus; em <em>Sociedade Alternativa</em>, homenageia o líder ocultista </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/a-vida-e-os-estudos-de-aleister-crowley-mago-do-ocultismo/"><span style="font-weight: 400;">Aleister Crowley</span></a><span style="font-weight: 400;">; em <em>Gita</em>, remete a uma passagem de um </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas-blogs/bela-jornada/a-inspiracao-da-letra-da-musica-gita"><span style="font-weight: 400;">livro sagrado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do hinduísmo. Além do seu tempo, o cantor não se prendia a convenções tradicionais e rótulos, sejam eles de religião ou do próprio convívio social. </span><em>“Faz o que tu queres, há de ser tudo da lei”.</em></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Raul Seixas - Gita" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/RezuYwS0ngI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Os anos 70 foram decisivos em sua trajetória. Em 1972, Raul conhece o seu mais importante parceiro musical: Paulo Coelho. Na versão fictícia, concedida em </span><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/06/26/confira-a-entrevista-de-raul-seixas-para-o-jornal-o-pasquim-em-1973/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao jornal </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 1973, o baiano diz que ambos <em>“viram um disco voador”</em> enquanto meditavam, na Barra da Tijuca. A versão real, no entanto, também envolve discos voadores – Paulo publicou um artigo sobre as naves na revista </span><i><span style="font-weight: 400;">A Pomba</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Raul se interessou em conhecê-lo. Independentemente da história, nasceu aí uma das parcerias mais valiosas da música brasileira, tão icônica quanto Lennon e McCartney para o contexto nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Suas primeiras músicas em conjunto foram registradas em </span><em><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/04/03/krig-ha-bandolo-1973/"><span style="font-weight: 400;">Krig-Ha, Bandolo!</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, álbum de 1973 que é tido como o melhor trabalho do cantor. Com tiradas a classe média brasileira e ao “Milagre Econômico” da ditadura militar, a música mais genial do disco é uma composição solo de Raul &#8211; <em>Ouro de Tolo</em> cutuca diretamente uma sociedade consumista e inebriada por uma falsa sensação de felicidade, em um Brasil tomado por militares que tentavam enfiar goela a baixo um <em>“american dream”</em> nacionalizado. </span><i>“Eu devia estar sorrindo e orgulhoso por ter finalmente vencido na vida, mas eu acho isso uma grande piada e um tanto quanto perigosa”.</i></p>
<figure id="attachment_12578" aria-describedby="caption-attachment-12578" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-12578" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1.jpg" alt="" width="700" height="466" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/Foto-2-1-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12578" class="wp-caption-text">&#8220;Inimigos íntimos&#8221; e “casamento sem sexo” foram formas de como Paulo Coelho caracterizava sua relação conturbada com Raul (Foto: Raul Seixas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma postura multifacetada e um porte quase esquelético, Raul conquistou o país e incomodou seus comandantes. Por causa da ideia e da divulgação da Sociedade Alternativa, baseada nos princípios de Crowley e desenvolvida com Paulo Coelho, o cantor e o escritor desagradaram ao </span><a href="https://www.infoescola.com/historia/dops/"><span style="font-weight: 400;">DOPS</span></a><span style="font-weight: 400;"> e foram obrigados a deixar ao país e se exilarem nos EUA. Lá, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XM5SHRG1pvE"><span style="font-weight: 400;">reza a lenda</span></a><span style="font-weight: 400;">, Raul conheceu John Lennon e os dois discutiram as ideias de uma sociedade esotérica e dos <em>“malucos belezas”</em> que balançaram a história. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de uma série de sucessos, Raul teve uma carreira conturbada e instável. Discos como </span><em><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/04/03/ha-10-mil-anos-atras-1976/"><span style="font-weight: 400;">Há Dez Mil Anos Atrás</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, </span><em><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/04/03/novo-aeon-1975/"><span style="font-weight: 400;">Novo Aeon </span></a></em><span style="font-weight: 400;">e </span><em><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/04/04/o-dia-em-que-a-terra-parou-1977/"><span style="font-weight: 400;">O Dia Em Que A Terra Parou</span></a></em> <span style="font-weight: 400;">ora eram fracassos de público, ora eram fracassos de crítica. Transitando entre muitas gravadoras, Raul vai chegando ao fim de sua carreira cada vez mais deprimido e afundado no alcoolismo. Seu último disco lançado foi </span><em><a href="https://memorialraulseixas.com/2018/04/11/a-panela-do-diabo-1989/"><span style="font-weight: 400;">A Panela do Diabo</span></a></em><span style="font-weight: 400;">, dois dias antes de sua morte, em parceria com o vocalista da banda Camisa de Vênus, Marcelo Nova. <em>“É uma pessoa que tem a mesma metafísica que eu”</em>, afirmou Raulzito sobre Nova em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qtgB9pb4lyg"><span style="font-weight: 400;">entrevista ao Jô Soares</span></a><span style="font-weight: 400;">. De fato, os dois se entendiam – o álbum tem tons melancólicos em relação a morte e críticas ao cenário pop brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_12579" aria-describedby="caption-attachment-12579" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12579" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-3.jpg" alt="" width="740" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-3.jpg 740w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/FOTO-3-300x162.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-12579" class="wp-caption-text">Marcelo Nova foi o responsável pela volta de Raul aos palcos, em uma turnê de 50 shows pelo Brasil (Foto: Raul Seixas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se estivesse vivo, no auge de seus 74 anos, Raul provavelmente estaria aposentado das músicas, porém não de sua rebeldia. Em meio ao caos político vigente, o maluco beleza continuaria sendo uma mosca na sopa, criticando descaradamente os rumos do país e seus condutores, como um bom e velho <em>rockeiro</em> que viveu os anos de chumbo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sempre um ferrenho crítico à caretice e às amarras da vida social, Raul preferia ser a própria metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo. Sua obra hoje tem um valor imenso para a música popular e passou a ter o devido reconhecimento que merece. Suas músicas continuam sendo atemporais, dialogando com as massas e com os acadêmicos, com seus fãs fiéis e com os da nova geração, associando a verdade do universo e a prestação que vai vencer. </span>Um legado imensurável de um artista tão rico e complexo que já flutuou pelo início, fim e meio dessa louca aventura que é a vida.</p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: This Is Raul Seixas" width="100%" height="380" allowtransparency="true" frameborder="0" allow="encrypted-media" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/37i9dQZF1DWVA9kMrUBHsP"></iframe></p>
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