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	<title>Arquivos Gustave Courbet &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 15:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori &#8220;Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto.&#8221; Em uma sala, num outro universo que não é, naquele momento, o Rio de Janeiro que estardalhaça do lado de fora, ela está furiosa. Em silêncio, mas nunca quieta. Cautelosamente desajeitada. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas-critica/">No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28137" aria-describedby="caption-attachment-28137" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS.png" class="size-full wp-image-28137" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28137" class="wp-caption-text">O livro Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, leitura do Clube do Livro do Persona em Maio, publicado pela editora Companhia das Letras, não é sobre garotas de programa, mas sim sobre relações interpessoais e suas tensões (Foto: Companhia das Letras/ Arte: Bruno Alvarenga)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p>&#8220;Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto.&#8221;</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Em uma sala, num outro universo que não é, naquele momento, o Rio de Janeiro que estardalhaça do lado de fora, ela está furiosa. Em silêncio, mas nunca quieta. Cautelosamente desajeitada. Uísque caubói, também raivoso, em um copo plástico. Escuta um homem, que nem conhece direito, narrar seus encontros com putas. Mulheres sem nomes</span><span style="font-weight: 400">, pois são tantas que, no fim, se juntam até se tornarem um único ser com várias cabeças e braços. Rasura. Na verdade, são as estórias que se juntam incessantemente até formarem, gota a gota, gigantes estruturas, como aquelas pedras, em cavernas. Gota a gota. Rígidas. Estalagmites. Que prendem, nos espaços vazios e ocos, o que realmente se quer dizer. E não foi dito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">E é isso – o que não foi dito –&nbsp; que mais pulsa na escrita visceral de Elvira Vigna no brutal </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535927399/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</a></i></span><span style="font-weight: 400"> (2016), um de seus últimos livros publicados </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/muito-a-dizer/">em vida</a></span><span style="font-weight: 400">. Em uma crueza avassaladora, que partilha de um humor </span><span style="font-weight: 400"><i>blasé</i></span><span style="font-weight: 400"> e de uma catártica raiva feminina, a</span><span style="font-weight: 400"> autora não traz suas discussões necessariamente na superfície de seu enredo e no desenrolar de suas personagens, mas sim em uma psicologia que está atrás dos eventos narrativos – localizada no que realmente move os acontecimentos – </span><span style="font-weight: 400">criando uma </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1853553-elvira-vigna-rasga-ferocidade-em-romance.shtml">dualidade</a></span><span style="font-weight: 400"> acerca do que se diz mas, não necessariamente, é o que </span><span style="font-weight: 400"><i>quer</i></span><span style="font-weight: 400"> ser dito. Nessa narrativa, a única verdade está naquilo que é engolido pela língua e reside no escuro. Na ausência. No negativo.</span></p>
<p><span id="more-28106"></span></p>
<figure id="attachment_28107" aria-describedby="caption-attachment-28107" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-scaled.jpg" class="size-full wp-image-28107" alt="foto em preto e branco. A escritora Elvira Vigna, vestindo uma jaqueta escura, um colete preto e uma camisa branca, posa quase que em perfil, com a cabeça levemente levantada para o canto superior esquerdo. Seus cabelos, grisalhos, estão soltos" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28107" class="wp-caption-text">A incômoda e gutural escrita da autora se envereda em uma narrativa de embates entre as tensões da insurgência da emancipação feminina com a misoginia das tradições masculinas (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Tradutora, artista plástica, escritora e jornalista, Elvira Vigna prova-se, em um rápido olhar biográfico, uma transeunte entre as mais diversas maneiras de construção da expressão. </span><span style="font-weight: 400">Formada em Literatura pela Universidade de Nancy, na França, e mestre em Teoria da Significação pela</span><span style="font-weight: 400"> Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a carioca é vencedora, por sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://eraoutravez.blogfolha.uol.com.br/2018/12/15/livros-infantis-mostram-a-literatura-transgressora-de-elvira-vigna/">Literatura infantojuvenil</a></span><span style="font-weight: 400">, do Prêmio Jabuti e, por seus romances, do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, e do </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.itaucultural.org.br/conheca-os-vencedores-do-oceanos-premio-de-literatura-em-lingua-portuguesa#:~:text=O%20primeiro%20colocado,artista%20Regina%20Silveira.">prêmio Oceanos</a></span><span style="font-weight: 400">. Em sua releitura dos contos de Franz Kafka, ilustrada por seus próprios desenhos e destinada ao público jovem, teve publicado postumamente </span><span style="font-weight: 400"><i>Kafkianas </i></span><span style="font-weight: 400">(2018)</span><span style="font-weight: 400"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400">que levou o prêmio da Biblioteca Nacional, em 2019.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400">&#8220;Eu não penso em impactos. Eu faço uma linha.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Em sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.bpp.pr.gov.br/Candido/Pagina/Um-Escritor-na-Biblioteca-Elvira-Vigna#:~:text=Prefiro%20romances.%20N%C3%A3o,fa%C3%A7o%20uma%20linha.">prosa de fôlego</a></span><span style="font-weight: 400">, a autora abandona o romance convencional com um fluxo de escrita que, nesse livro, beira o que seria uma epopeia com ecos </span><span style="font-weight: 400"><i>beckettianos</i></span><span style="font-weight: 400">, negando uma temporalidade única de eventos. Com uma estrutura </span><span style="font-weight: 400">anárquica, em que os parágrafos são desmembrados em uma leitura crua e cheia de contrastes, o leitor vai se deparar, no primeiro momento, com algo que parece mais um amontoado de mantras, com frases desprovidas de pleno sentido e que flutuam nos blocos do texto. T</span><span style="font-weight: 400">udo em seu universo literário deve se misturar para uma compreensão de suas longas significações, que exigem um papel ativo de montagem de quem as lê. Não se esmiúça a Literatura de Vigna, só é possível entendê-la por suas totalidades.</span></p>
<p><figure id="attachment_28108" aria-describedby="caption-attachment-28108" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3-1.jpg" class="wp-image-28108" alt="a escritora Elvira Vigna olha, em um retrato em preto e branco, à câmera. Com os cabelos soltos, um pouco acima da altura dos ombros, ela usa um vestido preto de gola aberta." width="800" height="1146"><figcaption id="caption-attachment-28108" class="wp-caption-text">Nas histórias de Elvira Vigna, como afirmado pela própria, ‘‘(&#8230;) tudo é real. Eu não invento uma vírgula’’ [Foto: Renato Parada]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400">Nesse texto, essa é uma linha que tece inúmeros enfrentamentos que, em suas tramas, vão deixando espaços vazios, os quais justamente fazem a narradora construir essa estória. Nos ares do que se pensa ser o fim dos anos 80 e início da década de 90, ela, sem nome, é uma </span><span style="font-weight: 400"><i>designer</i></span><span style="font-weight: 400"> desempregada que se encontra, em um prédio de uma </span><span style="font-weight: 400"><a href="http://elvira.vigna.com.br/vigna-e-as-vaginas-alienigenas/#:~:text=Elvira%20Vigna%20(2011,neg%C3%B3cios%20da%20editora%3A">editora beirando a falência</a></span><span style="font-weight: 400">, com João, </span><span style="font-weight: 400">um ex-funcionário da Xerox </span><span style="font-weight: 400">responsável pela informatização dos sistemas da empresa. Nesses encontros, ele discorre, no que quase são confissões, atravessadas por diversas digressões, sobre seus encontros com prostitutas, enquanto, no silêncio, o qual sua ouvinte mais se fixa, lida com a separação de sua mulher, Lola. No entanto, o que move esse homem a contar essas histórias é um mistério.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez, em primeiro lugar, o reconhecimento, na aparência da narradora, de uma falta de feminilidade que seria cúmplice de sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/acida-e-sulfurica/">masculinidade exibicionista</a></span><span style="font-weight: 400"> e de seu orgulho em contornar o que, no sexo com prostitutas, seria uma simples relação de trabalho, algo </span><span style="font-weight: 400"><i>significativo. </i></span><span style="font-weight: 400">Mas, na monotonia desses falatórios, a narradora, entediada, dá largada a um jogo de preencher as lacunas dessas histórias com as mais mirabolantes teorias que, nunca realmente expostas para João, são uma maneira silenciosa, compartilhada apenas com o leitor, de contestação e de, essencialmente, tirar o sarro. Nessa ironia, tudo que ela pretende é desmobilizá-lo enquanto sujeito que controla a narrativa desses encontros e desses mundos.</span></p>
<figure id="attachment_28109" aria-describedby="caption-attachment-28109" style="width: 583px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4.jpg" class="size-full wp-image-28109" alt="um desenho em preto e branco, retratando uma pessoa, com uma toalha amarrada na cintura, olhando, pela janela, uma cidade, com seus prédios" width="583" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4.jpg 583w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4-557x800.jpg 557w" sizes="auto, (max-width: 583px) 85vw, 583px" /><figcaption id="caption-attachment-28109" class="wp-caption-text">A corporeidade, o estranho e o avesso atravessam a expressão de Vigna mesmo em seus desenhos, como nas ilustrações de Kafkianas (Foto: Elvira Vigna)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Lola, Mariana, Lurien. As outras personagens que a </span><span style="font-weight: 400"><i>designer</i></span><span style="font-weight: 400"> posiciona em seu entendimento logo são tiradas de uma planicidade para serem preenchidas de humanidade. Desde a desorganização da figura submissa de Lola até quando presencia o desmontar íntimo e brutal de Mariana, sua colega de quarto e trabalhadora do sexo, ela acessa toda a subjetividade negada pelo homem que tanto escuta. No exercício dessa história, no ressoar de </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-em-lingua-francesa/a-solidao-da-escrita">Marguerite Duras</a></span><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://elvira.vigna.com.br/suplemento-pernambuco-3/#:~:text=Seus%20personagens%20e,da%20mesma%20diretora).">Sofia Coppola</a></span><span style="font-weight: 400">, e </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.letras.mus.br/pj-harvey/17590/traducao.html">PJ Harvey</a></span><span style="font-weight: 400">, se desafia até mesmo a Literatura, na qual as prostitutas sempre ocuparam um imaginário exoticizado e atravessado por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/?utm_source=ig_web_copy_link">olhares masculinos</a></span><span style="font-weight: 400"> acerca de suas trajetórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Esse livro conta, na montagem de seu infindável palimpsesto, trajetórias de personagens sem rumo, distantes de suas casas, descendo e subindo </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.gazetasp.com.br/noticias/memoria-a-historia-da-augusta-uma-das-ruas-mais-famosas-de-sao-paulo/1091906/">ruas augustas</a></span><span style="font-weight: 400">. Homens cheios de si que, em suas idas aos bares e baladas, querem o escuro dos asfaltos e recebem as lufadas das luzes coloridas da cidade. Nas mãos em cinturas de mulheres que limitam seus movimentos, por segurança, encontram o poder de serem si mesmos, mesmo imaginando, naquele momento, serem outros.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Como se estivéssemos em palimpsesto de putas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/azQFN4LCqjM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400">Envoltos nos braços das trabalhadoras do sexo, João e seus amigos, mesmo que tentem esconder, estão desesperados. Nas trepadas, com seus </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://artebrasileiros.com.br/cultura/ira-de-vigna/">vergonhosos silêncios</a></span><span style="font-weight: 400">, falam muito mais do que nos relatos egocêntricos que tanto proclamam. No universo de </span><span style="font-weight: 400"><i>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</i></span><span style="font-weight: 400">, que também é o mesmo que existe fora das duzentas e poucas páginas do livro, figuras como João querem transgressões. Anseiam pela chance de, em uma noite, conseguir ocupar outro mundo que não seja a pacata vida cotidiana que eles mesmos impõem, em seus falatórios sobre a tradição, à moral e, claro, os bons costumes.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Toda essa caça pelo profano, pelo escuro, pela sarjeta, pelo seio que não é o de sua mãe e nem o de sua mulher, mas sim do corpo que carrega opressões de toda a História, é, no fim, uma busca pelo divino. Como dito em alto e bom tom, pela poeta </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/O-obsceno-sim-de-Hilda-Hilst">Hilda Hilst</a></span><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400"><i>‘‘a natureza do obsceno é a vontade de converter’’</i></span><span style="font-weight: 400">. Nas voltas dessas empreitadas, esses homens querem seus espaços de segurança e moralidade, numa nostalgia da santidade suscitada por seus encontros. Tanto que, no fim, </span><span style="font-weight: 400"><i>“há algo de Jesus Cristo em toda prostituta”</i></span><span style="font-weight: 400">, como colocado pela escritora e ativista travesti </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://buzzfeed.com.br/post/dando-o-truque-pra-falar-de-sexo">Amara Moira</a></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Hilda Hilst TV Cultura" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/5yeFhO4G2OQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400">Para a narradora é claro: esses homens não conhecem </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://s2.glbimg.com/HpnOaX3Qn1I-_cX0IqAN2ofkHXQ=/0x0:2250x1497/1008x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/9/e/gMGZXtQPGlWONZsHQZXA/000-19e36c.jpg">Courbet</a></span><span style="font-weight: 400">. </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.pariscityvision.com/pt/paris/museus-de-paris/museu-de-orsay/origem-do-mundo">Não sabem as origens desses mundos</a></span><span style="font-weight: 400"> que tanto pensam dominar. Pois, em </span><span style="font-weight: 400"><i>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, </i></span><span style="font-weight: 400">quem monta o mundo é o afago de uma puta. É a manutenção do lar por uma esposa. É a escuta rebelde, cheia de atrito, de uma jovem em um escritório quase abandonado em um prédio na Rua Marquês de Olinda, no Botafogo. Tudo que o patriarcado assume como seus feitos só existe pois essas mulheres, que, nessa discursividade masculina, são todas as mesmas, estão submetidas a uma compulsória escuta. Mas, em um ponto dessa narrativa, construído em um gigante </span><span style="font-weight: 400"><i>crescendo,</i></span><span style="font-weight: 400"> um som surdo toma os ouvidos. E as mulheres gritam. É onde a história termina. Mas não acaba.</span></p>
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