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	<title>Arquivos Guilherme Ferraz &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>5 anos de Marighella e a contestação de uma narrativa única</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Nov 2024 20:01:44 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Maria Clara Alves Tão emblemática quanto polêmica, Marighella, cinebiografia dirigida por Wagner Moura, completa cinco anos em Novembro de 2024. Inspirado no livro Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo, de Mário Magalhães, o filme foi o primeiro trabalho do ator como diretor de Cinema e emplacou como uma de suas produções mais complexas, desafiadoras &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/5-anos-de-marighella-e-a-contestacao-de-uma-narrativa-unica-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "5 anos de Marighella e a contestação de uma narrativa única"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_34479" aria-describedby="caption-attachment-34479" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34479" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-1-800x444.jpg" alt="[Texto alternativo: O ator Seu Jorge, interpretando Carlos Marighella, está localizado no centro da foto, olhando para seu filho Carlinhos, à esquerda. Ao fundo, há um céu nublado e acinzentado.]" width="800" height="444" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-1-800x444.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-1-768x426.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-1.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34479" class="wp-caption-text">A produção passa por quatro dos 58 anos vividos por aquele que era o ‘inimigo número um do Brasil’ (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure><b>Maria Clara Alves</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tão emblemática quanto polêmica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">, cinebiografia dirigida por Wagner Moura, completa cinco anos em Novembro de 2024. Inspirado no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Mário Magalhães, o filme foi o primeiro trabalho do ator como diretor de Cinema e emplacou como uma de suas produções mais complexas, desafiadoras e, sobretudo, emocionantes. A partir do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MEKNun7N9ns"><span style="font-weight: 400;">fascínio</span></a><span style="font-weight: 400;"> do cineasta por movimentos populares de resistência, fica claro que o longa-metragem</span> <span style="font-weight: 400;">foi pensado a partir da necessidade de recontar a história da Ditadura Militar por um ponto de vista mais </span><a href="https://www.significados.com.br/foice-e-o-martelo/"><span style="font-weight: 400;">vermelho</span></a><span style="font-weight: 400;"> e visceral.</span></p>
<p><span id="more-34474"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Carlos Marighella da história nasceu em Salvador e foi o mais velho de oito irmãos. Seu pai, Augusto Marighella, era um imigrante italiano que veio para o Brasil em uma das </span><a href="https://www.todamateria.com.br/imigracao-no-brasil/#:~:text=Com%20a%20proibi%C3%A7%C3%A3o%20do%20tr%C3%A1fico,de%20imigrantes%20europeus%20no%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">ondas de incentivo à imigração</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a abolição. No século XIX, sua mãe, Maria Rita dos Santos, era filha de escravos e tinha origem sudanesa, da etnia </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mvCzydN5kak"><span style="font-weight: 400;">haussá</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desde cedo, o menino se destacava pela </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/desventuras/e-ruim-em-exatas-faca-como-marighella-e-use-poesia-seu-favor.phtml"><span style="font-weight: 400;">habilidade com as palavras</span></a><span style="font-weight: 400;"> na escola. Anos mais tarde, ele teria se radicalizado e passado a militar como deputado federal pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB), com o qual </span><a href="https://memorialdademocracia.com.br/card/pcb-fecha-questao-contra-luta-armada"><span style="font-weight: 400;">rompeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a renúncia de João Goulart. Depois, juntou-se à Aliança Nacional Libertadora (ANL), pela qual lutou até o ano da sua morte (1969).</span></p>
<p><figure id="attachment_34478" aria-describedby="caption-attachment-34478" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34478" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-2-1-800x481.jpg" alt="[Texto alternativo: Na foto, há quatro pessoas enumeradas da esquerda para a direita, sendo elas Seu Jorge, Wagner Moura, Bruno Gagliasso e Bella Camero, segurando uma camiseta vermelha de tom vibrante com o rosto de Carlos Marighella. O fundo atrás é de cor azul e é do Festival Internacional de Cinema de Berlim.]" width="800" height="481" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-2-1-800x481.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-2-1-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-2-1-768x461.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-2-1-1200x721.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-2-1.jpg 1265w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34478" class="wp-caption-text">Marighella teve sua primeira aparição em terras estrangeiras frente a conflitos com a Ancine em 2019 (Foto: John Macdougall/AFP)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Desde a sua idealização, o filme enfrentou </span><a href="https://www.omelete.com.br/especiais/wagner-moura-o-que-aconteceu-com-lancamento-de-marighella-foi-censura/"><span style="font-weight: 400;">grandes dificuldades</span></a><span style="font-weight: 400;"> relacionadas à  propagação de conteúdos falsos, ameaças e falta de apoio financeiro. A carreira consolidada de Wagner Moura no ramo da atuação pouco serviu como fator de convencimento para muitas das grandes e tradicionais produtoras cinematográficas do país, que buscavam não se associar com a figura do guerrilheiro – tido como </span><a href="https://pcb.org.br/portal2/31046"><span style="font-weight: 400;">revolucionário</span></a><span style="font-weight: 400;"> para algumas pessoas e </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/saiba-quem-foi-carlos-marighella-guerrilheiro-comunista-adepto-do-terror-na-luta-contra-a-ditadura,d2f152d4cf43cc8c3b17372f52f5d20cskntyhar.html"><span style="font-weight: 400;">terrorista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para uma parcela muito maior dessas. </span><i><span style="font-weight: 400;">A </span></i><span style="font-weight: 400;">obra</span> <span style="font-weight: 400;">se desenrolou, de fato, sob o selo da produtora independente </span><i><span style="font-weight: 400;">O2 Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> e foi exibida, pela primeira vez, em Fevereiro de 2019, no </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2019/02/15/wagner-moura-lanca-marighella-no-festival-de-berlim-e-posa-com-placa-de-marielle-franco.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">69° Festival Internacional de Cinema de Berlim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, embora tenha estreado oficialmente nos cinemas brasileiros apenas em 2021.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, o longa tinha sido cancelado pela </span><a href="https://www.politize.com.br/ancine/#"><i><span style="font-weight: 400;">Agência Nacional de Cinema</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (Ancine)</span></i><span style="font-weight: 400;"> devido à produtora não ter entregue a documentação sobre os investimentos que custearam o filme dentro do prazo. Ao mesmo tempo, a agência era </span><a href="https://g1.globo.com/politica/noticia/2019/07/19/se-nao-puder-ter-filtro-nos-extinguiremos-a-ancine-diz-bolsonaro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">ameaçada de extinção</span></a><span style="font-weight: 400;"> caso o seu catálogo não fosse revisto. Isso foi mais uma adição à </span><a href="https://youtu.be/tnW3ErkJtO0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">lista de dificuldades</span></a><span style="font-weight: 400;"> que quase custaram a estreia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><figure id="attachment_34477" aria-describedby="caption-attachment-34477" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-34477" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-3-1-800x487.jpg" alt="[Texto alternativo: Ao centro da foto, nota-se Carlos Marighella (Seu Jorge) vestindo uma regata branca com uma blusa azul claro de manga por cima. Ele aparenta estar conversando, dada a abertura da boca e a direção dos seus olhos. No fundo, há uma parede de tom esverdeado, devido à iluminação, com alguns objetos encostados nela, como um lampião, dois bastões e um vaso de planta.]" width="800" height="487" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-3-1-800x487.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-3-1-1024x623.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-3-1-768x468.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-3-1-1200x730.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-3-1.jpg 1237w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34477" class="wp-caption-text">Os ideais de Marighella não morrem com ele, mas perseveram na rejeição (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Apesar da sua minutagem não comercial, o longa-metragem – distribuído em conjunto pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Paris Filmes e Downtown Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ganhou as salas de cinema por todo o Brasil e se consagrou como a </span><a href="https://blogdacidadania.com.br/2021/12/marighella-teve-1-16-do-publico-do-homem-aranha/"><span style="font-weight: 400;">maior bilheteria nacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2021. O roteiro, escrito por Wagner Moura em conjunto com o produtor Felipe Braga, trabalha com dois extremos do baiano: a afetuosidade com o filho e o desgosto, visível no olhar, com a figura dos militares. A expressividade do protagonista é, inclusive, um dos pontos de destaque da trama. Os olhos profundos e penetrantes de Seu Jorge se destacam nas cenas em que o ator está presente e conferem camadas de sensibilidade à personagem, cativando o público e instigando a afinidade dele com Marighella.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sucessão rápida e violenta das cenas fomenta sensações de ansiedade e tensão no espectador, com o objetivo de transmitir a adrenalina, o amor pelo próprio país e o medo das personagens. As câmeras são rápidas para acompanhar os momentos de embate e fuga dos combatentes, mas também conseguem </span><a href="https://youtu.be/OIxAan_abLw?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">captar fielmente a essência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de cenas mais paradas de diálogo, com sombreados sempre presentes e que se tornam responsáveis pela carga de seriedade. A narrativa progride com a execução de membros da ALN: primeiro Maria (Ana Paula Bouzas), depois Guilherme (Guilherme Ferraz), Rafael (Rafael Lozano), Humberto (Humberto Carrão), Jorge (Jorge Paz) e Jorge Salles (Herson Capri).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era questão de tempo para que as autoridades chegassem até o protagonista e a ambientação, marcada pelo maior contraste das cores e iluminação escurecida, também incita essa agonia. O </span><a href="https://youtu.be/PK8bJq4Qcx0?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">trabalho com as câmeras</span></a><span style="font-weight: 400;"> – com direção de Adrian Teijido – e o uso dos diferentes tipos de luz foram essenciais para acompanhar toda a dinamicidade da luta armada no ambiente urbano. Além disso, o trabalho de produção, coordenado por Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck, contou com muitas cenas gravadas no período da noite, quando a penumbra intensifica as expressões das personagens e as sensações incitadas no público.</span></p>
<p><figure id="attachment_34476" aria-describedby="caption-attachment-34476" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34476" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-4.gif" alt="[Texto alternativo: O GIF mostra um recorte do trailer oficial do filme Marighella, em que o guerrilheiro (Seu Jorge) está olhando fixamente para a câmera e se aproxima enquanto ela o grava. Há um fundo amarronzado, borrado e escuro por trás da personagem. Em seguida, os nomes do diretor e do longa são exibidos.]" width="480" height="254" /><figcaption id="caption-attachment-34476" class="wp-caption-text">Os olhos de Seu Jorge interpelam o espectador a não desviar o seu olhar nem por um segundo (GIF: O2 Filmes)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A cinebiografia trabalha com a ideia de contrastes que vai sendo retomada sucessivamente ao decorrer do filme, a exemplo da representação do baiano, que levava a frase ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">olho por olho</span></i><span style="font-weight: 400;">’ como um mantra para tomar decisões, até a memória dos momentos que a personagem compartilha com Carlinhos, seu único filho. A </span><a href="https://youtu.be/f-Ahp2_1Gcs?feature=shared"><span style="font-weight: 400;">conexão</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre pai e filho – mesmo com a distância e a perseguição política – é frequentemente retomada na trama, sendo fundamental para mostrar o </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/entrevista/wagner-moura-e-seu-jorge-falam-sobre--marighella-"><span style="font-weight: 400;">lado humano</span></a><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes, negado de Carlos Marighella, que se contrapõe à sua representação depreciativa no imaginário coletivo brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fardo da morte, em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;">, é tratado da forma mais fria possível. O lado amargo da luta armada é retratado a todo momento ao mostrar a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/repressao-e-violacao-de-direitos-humanos/"><span style="font-weight: 400;">discrepância</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre guerrilheiros e militares, esses que tinham todo o aparato bélico e midiático a seu favor. A ambientação sombria das cenas evidencia a solidão e desumanização dos combatentes que, enquanto questionadores, não eram vistos e nem tratados como brasileiros. A angústia e melancolia tomam conta do enredo e de quem o assiste como uma neblina, dificultando a digestão de cenas mais leves, que se tornam cada vez mais escassas frente às diversas cenas gráficas de violência.</span></p>
<p><figure id="attachment_34475" aria-describedby="caption-attachment-34475" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34475" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-5-1.jpg" alt="[Texto alternativo: À direita da fotografia, o ator Seu Jorge, interpretando Carlos Marighella, carrega seu filho nos braços, que os envolvem no pescoço. O adulto está de cabeça baixa, enquanto a criança observa a passagem de militares pelas ruas do Rio de Janeiro.]" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-5-1.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Imagem-5-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34475" class="wp-caption-text">A produção tem grande carga emocional por explorar os lados de um Carlos Marighella guerrilheiro, marido e pai (Foto: O2 Filmes)</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O lado humano de Marighella é explicitado, principalmente, nas trocas que ele tem com </span><a href="https://www.metro1.com.br/noticias/bahia/147837,tive-a-sorte-de-ser-filho-de-marighella-e-nao-pude-desfrutar-dele-diz-filho-do-guerrilheiro-morto-durante-a-ditadura-militar"><span style="font-weight: 400;">Carlinhos</span></a><span style="font-weight: 400;">, levando-o no peito e no pensamento. Ainda que vivesse como fugitivo, o guerrilheiro fez do amor de seu filho o seu norte, direção que seguiu até o final de sua vida. A narrativa não linear faz um trabalho excepcional ao retratar os acontecimentos com alguns pensamentos e comentários do protagonista, possibilitando a compreensão aprofundada das múltiplas faces de uma das figuras mais polêmicas do Brasil até hoje.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Marighella</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa obrigatoriamente pelo campo de debate político e dialoga com aqueles que têm interesse em conhecer os valores de uma das pessoas mais </span><a href="https://diplomatique.org.br/marighella-entre-o-fato-a-fake-news-e-a-ficcao/"><span style="font-weight: 400;">controversas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do país, seja para questioná-la ou admirá-la. Apesar do salto temporal do enredo para os dias atuais, muitas questões permanecem as mesmas, especialmente a distorção dos fatos sobre o revolucionário. A obra conseguiu entregar uma cinebiografia condizente com a história conturbada e mal interpretada de Carlos, permanecendo como uma crítica ácida à sociedade brasileira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Marighella | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fd8oX1u8gRA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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