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	<title>Arquivos Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 14:19:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes e Arthur Caires Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por Sepideh Farsi, nasce no centro de uma das maiores tragédias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-o-filme-em-que-sepideh-farsi-rompe-a-fronteira-que-nos-separa-de-gaza/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36495" aria-describedby="caption-attachment-36495" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36495" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36495" class="wp-caption-text">A diretora iraniana utilizou do Cinema como uma forma de ponte para um conflito que não parece chegar ao fim (Foto: Sepideh Farsi; Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por </span><a href="https://letterboxd.com/director/sepideh-farsi/"><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi</span></a><span style="font-weight: 400;">, nasce no centro de uma das maiores tragédias humanas deste século: a ofensiva militar israelense em Gaza, que desde 2023 transformou ruas, casas e escolas em escombros e submeteu toda uma população ao cerco, à fome e ao apagamento sistemático de suas vozes.</span></p>
<p><span id="more-36493"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi a partir desse silêncio forçado que a produção encontrou seu caminho. De Paris, do lado de fora de uma fronteira militarizada que impede a entrada de jornalistas e cineastas, ela buscava uma maneira de testemunhar o que estava acontecendo. Do outro lado, em Gaza, estava Fatima Hassouna, jovem fotógrafa, poeta e sobrevivente de um bombardeio diário que reconfigurava a vida a cada amanhecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Separadas por um bloqueio que não permitia que se encontrassem, mas unidas por videochamadas que rasgavam o isolamento imposto, a diretora iraniana e Fatem (nome artístico) construíram uma relação que ultrapassa o gesto documental. A cada ligação, entre falhas de conexão, cortes de energia e a possibilidade constante da interrupção final, as duas criavam uma narrativa que nasceu como registro, mas se transformou em ponte: uma forma de vencer o cerco que mantinha Sepideh do lado de fora e Fatima do lado de dentro – e de afirmar, contra a lógica da guerra, que a vida insiste.</span></p>
<h3><b>Entre a dor e a luminosidade </b></h3>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra cercada de escuridão, mas que encontra luz no sorriso de Fatima. Apesar do seu entorno cada vez pior, a fotógrafa encontrava um motivo para se alegrar toda vez que falava com sua amiga, o que trazia uma beleza mesmo nos momentos mais tristes.</span></p>
<blockquote><p><b>“Eu sinto que é um filme difícil de ver, pois, como espectador, você sente empatia por Fatima. O espectador se sente na minha posição, o que é muito íntimo. É claro que é triste, pois você sabe desde o início o que está passando com ela, mas ela é tão vibrante e tem tanta luz, então eu acho que o filme vai mais em direção a vida do que a tragédia ou a morte.”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi também comentou sobre o ponto de vista que ela emprega, de forma que não resuma Fatima apenas a condição de vítima, e também da força que a amiga demonstra, para que em nenhum momento isso seja considerado.</span></p>
<blockquote><p><b>“Ela não é uma vítima, ela não se considera uma vítima, assim como eu também não. É claro que ela é vítima do genocídio, do cerco militar, assim como todos os outros palestinos. Ainda assim, ela tem tanta força e resiliência que consegue ir além dessas limitações, e foi isso que tentamos mostrar juntas.”</b></p></blockquote>
<h3><b>O impacto que ela sentiu</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme como este sempre causará impacto, principalmente por aqueles que fizeram e pela maneira como foi feita. Mesmo com a distância em relação a sua ‘personagem’, o contato recorrente da diretora com Fatima e o vínculo que se formou entre as duas, certamente a modificou de alguma forma. Sepideh falou um pouco sobre como tudo o que aconteceu na produção do longa está afetando-a.</span></p>
<blockquote><p><b>“Nós realmente nos tornamos amigas, então, quando eu a perdi, quando ela foi assassinada pelo exército israelense, isso obviamente me impactou. O filme mudou, o significado mudou, e o sentido de fazê-lo mudou também. Mas eu acho que junto com ela, nós fizemos algo muito especial. Isso realmente transmite seu testemunho para o mundo à fora. Eu acho que eu ainda preciso de tempo para entender como me modificou, foi muito recente, mas com certeza me mudou.”</b></p></blockquote>
<figure id="attachment_36494" aria-describedby="caption-attachment-36494" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36494" class="wp-caption-text">O olhar de Fatem sobre sua própria realidade compõe o eixo emocional do filme (Foto: Filmes do Estação/Divulgação)</figcaption></figure>
<h3><b>A história conduzida por uma relação improvável</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando perguntada sobre o equilíbrio delicado entre documentar e não forçar uma narrativa sobre alguém que vive sob um constante risco de morte, Sepideh responde com a sinceridade de quem se permitiu confiar no fluxo.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Não estava pensando em quem guiava o filme. Foi um processo muito fluido. Eu a questionava, claro, mas cortei a maior parte das minhas perguntas na montagem. Era muito mais interessante ouvir as respostas dela.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O pacto entre elas era simples: Fatem enviaria vídeos, textos, fotografias – aquilo que desejasse dividir. Sepideh conduziria o resto.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Ela não estava envolvida no processo de filmagem como cineasta. E ela também não queria assistir às imagens. Acho que queria se proteger. É complicado estar sob bombas e ainda refletir sobre como você dirige a si mesma.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira videochamada do filme, comenta, foi o primeiro encontro entre as duas. Não havia preparação, apenas o acaso que cria destino. </span><b><i>“Eu nunca esperava me aproximar dela tão rápida e profundamente”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><b><i>“Aconteceu. É humano. Foi um milagre, de certa forma.”</i></b></p>
<h3><b>O que permanece após o fim</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto à mensagem final, Sepideh responde que já sabe exatamente o que irá permanecer. </span><b><i>“O que vai ficar é a luz dela. O sorriso dela, que é inesquecível. Você não esquece seu rosto depois de encontrá-la.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, Sepideh vai além: deseja que o filme ajude o público a compreender a força do povo palestino e a necessidade urgente de agir. </span><b><i>“Os palestinos são extremamente resilientes. Não se colocam no lugar de vítima. Estão sempre olhando adiante, com esperança, mesmo sob cerco, mesmo durante o genocídio.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema, para ela, pode ser um ponto de virada. Um convite à responsabilidade. </span><b><i>“Espero que o filme funcione como um gatilho para que as pessoas encontrem maneiras de lutar, de mudar a narrativa dominante. Temos o dever de ajudar os palestinos a superar isso.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de encerrar, ela recupera algo que Fatem lhe disse: </span><b><i>“Se o conflito na Palestina terminar, muitos outros terminarão.” </i></b><span style="font-weight: 400;">Na época, Farsi duvidou. Hoje, acredita.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Agora vejo que é um conflito central no nosso tempo. Ele está na encruzilhada entre capitalismo, colonialismo e dominação cultural ocidental. Se conseguirmos mudar essa história – se houver justiça, se houver um fim digno para os palestinos – isso se tornará um precedente para outras lutas. É isso que eu quero que as pessoas levem do filme.”</i></b></p></blockquote>
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		<title>Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um notebook ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em Guarde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36446" aria-describedby="caption-attachment-36446" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-800x533.jpg" alt="Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, há um celular em chamada de vídeo com Fatima Hassouna. O celular está apoiado em uma mesa de madeira e atrás dele há uma outra tela, logada em um e-mail. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos. Ela usa óculos arredondados, o lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor verde, e uma roupa estampada. Ela está sorrindo. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36446" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no Festival do Rio (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um </span><i><span style="font-weight: 400;">notebook </span></i><span style="font-weight: 400;">ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em </span><a href="https://revistaogrito.com/o-agente-secreto-recebe-duas-indicacoes-ao-gotham-awards-importante-premiacao-pre-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora iraniana Sepideh Farsi constrói afinidade com Fatima Hassouna, fotojornalista da Palestina, para saber seu ponto de vista sobre os ataques de Israel na Faixa de Gaza. </span><span id="more-36444"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação não tem a ver com qual aparato tecnológico Farsi usa para filmar sua personagem, que logo se tornaria amiga, mas com o fato de que ambas as mulheres são do Oriente Médio e possuem países atravessados por períodos históricos violentos. O que vai coincidir com a fala da minha professora é que as condições em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/yalla-parkour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Hassouna se encontram aludem a uma carência de liberdade, alimentos, moradia, limitações de deslocamento e outras mazelas que ferem os direitos humanos, portanto o documentário também está desprovido de qualquer enfeite ou equipamentos robustos: para gravar, basta um aparelho celular captando outro dispositivo móvel. Essa conversa guiada pelo telefone, sem uma equipe presente em um </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, estimula o encontro.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O último filme da cineasta foi uma animação, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Siren</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021), que aborda a guerra Irã-Iraque. A disparidade entre essa forma de contar uma história e a de seu lançamento revela um traquejo diverso em fazer Cinema por gêneros, processos e formatos diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> se adapta à realidade, para além de uma barreira geográfica provocada por uma guerra, e confronta o pensamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nouvelle-vague-critica/"><span style="font-weight: 400;">François Truffaut</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a não existência de um “</span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20140710-can-a-film-be-truly-anti-war"><i><span style="font-weight: 400;">filme antiguerra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_36442" aria-describedby="caption-attachment-36442" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-800x450.jpg" alt="Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, Fatima Hassouna está no canto direito, sentada em uma cadeira. O ambiente é o interior de um prédio, que foi destruído por bombardeios. Há vários escombros no chão. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos, ela usa uma roupa inteira preta, mochila preta nas costas e está sentada com as pernas cruzadas. Nos pés, usa um tênis branco. Suas mãos estão apoiadas no joelho e em uma delas há uma câmera. Na cabeça, usa um lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor branca e estampado. Hassouna olha para a frente, encarando a câmera. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36442" class="wp-caption-text">O filme foi indicado para o Gotham Awards 2025 na categoria de Melhor Documentário (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o francês, as obras que abordam a guerra, a relação dos soldados e tudo o que há de violento nesse universo, de alguma forma, criam prazer naquelas imagens. De fato, isto acontece. Vejamos </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/oscar-1917-positiva"><i><span style="font-weight: 400;">1917</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), que ao pretender gravar em plano sequência, cria uma mística em torno da batalha, fazendo um espetáculo – por mais crítico ao confronto que ele queira ser. Sepideh Farsi não faz um documentário que ovaciona os atentados e os </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/autoridades-da-onu-acusam-israel-de-atos-genocidas-e-crimes-sexuais-em-gaza/"><span style="font-weight: 400;">crimes cometidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Israel, tampouco eles são exibidos. Tudo o que cruza o cotidiano de Fatima Hassouna, ou seja, sua ótica e seu mundo – isto é confirmado quando a diretora utiliza fotografias feitas pela fotojornalista para compor as cenas – é o que será visto sobre o conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a cineasta não vai reduzir Hassouna a uma vítima ou uma pessoa que só convive com a destruição. A amizade delas será tema central e, o que elas possuem em comum, a família da palestina, seu apreço por fotos, entre outras características do que compõe ser uma pessoa, são temas fundamentais tanto para a aproximação de entrevistador e entrevistado, quanto para o espectador se conectar com a personagem. Por exemplo, após Farsi elogiar os olhos da amiga, ela não aparece mais usando óculos nas chamadas de vídeo. Assim, sem precisar mostrar corpos mortos, a oscilação da conexão, a dificuldade em entrar em contato, o barulho constante de hélices de helicóptero e o rosto abatido pela fome e tristeza, identificados por haver acesso ao jeito de </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/guerra-israel-x-palestina/mais-de-350-artistas-do-cinema-mundial-condenam-genocidio-em-gaza-as-vesperas-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Fatima Hassouna</span></a><span style="font-weight: 400;">, são maneiras do público perceber e compreender os enfrentamentos da cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fatima Hassouna </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/04/19/saiba-quem-era-fotografa-morta-pouco-apos-filme-em-que-atuou-ser-selecionado-para-festival-em-cannes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">foi morta</span></a><span style="font-weight: 400;">, junto à família, em um ataque coordenado por Israel no dia 16 de abril de 2025, um dia após ser informada por Farsi de que o documentário tinha sido selecionado para o Festival de Cannes. Elas planejavam ir juntas para a França. Este último contato foi inserido no corte final. O assassinato de Hassouna só é mencionado no longa em seu desfecho, fazendo com que</span><i><span style="font-weight: 400;"> Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> não manifeste uma romantização de um final trágico, mas a transformação em objeto de denúncia e memória da amiga por meio das características já mencionadas anteriormente. O sorriso quase inabalável da fotojornalista ficou eternizado nas imagens caseiras de Farsi. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe | Trailer Nacional" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KIZ957T49AU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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