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	<title>Arquivos Guantánamo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Mauritano: essa é uma história real</title>
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		<pubDate>Thu, 22 Jul 2021 17:57:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Lopes Gomez “Essa é uma história real” é a frase que ocupa a tela enquanto Mohamedou Ould Slahi, interpretado por Tahar Rahim, caminha em uma praia no que seriam seus últimos momentos de liberdade por 14 anos. O quarto longa exibido no Festival do Rio 2021, O Mauritano traz à tona a história de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-mauritano-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Mauritano: essa é uma história real"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21754" aria-describedby="caption-attachment-21754" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21754" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-1.jpg" alt="Cena do filme O Mauritano. Da esquerda para a direita na imagem, sentados frente a frente à mesa de uma sala de interrogatórios de uma prisão, vemos Mohamedou, interpretado por Tahar Rahim, um homem de ascendência muçulmana, de cabelos e barba castanhos curtos, aparentando ter cerca de 30 anos, vestindo um uniforme bege de prisioneiro, e Nancy, interpretada por Jodie Foster, uma mulher branca, de cabelos grisalhos lisos na altura do ombro, aparentando ter cerca de 60 anos, vestindo uma camisa social preta e com um envelope em sua frente." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-21754" class="wp-caption-text">Presente na seleção do Festival do Rio 2021, O Mauritano escancara os abusos e violações que o governo estadunidense tenta esconder em Guantánamo (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Lopes Gomez</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Essa é uma história real” </span></i><span style="font-weight: 400;">é a frase que ocupa a tela enquanto Mohamedou Ould Slahi, interpretado por Tahar Rahim, caminha em uma praia no que seriam seus últimos momentos de liberdade por 14 anos. O quarto longa exibido no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-do-rio-2021/"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio 2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz à tona a história de Slahi, que, suspeito de recrutar terroristas para o atentado às Torres Gêmeas, foi capturado e enviado à Prisão de Guantánamo, onde permaneceu por anos sem nenhuma prova apresentada contra ele.</span></p>
<p><span id="more-21753"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado no livro </span><a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/07/preso-relata-em-livro-torturas-que-teria-sofrido-em-guantanamo.html"><span style="font-weight: 400;">autobiográfico</span></a><span style="font-weight: 400;"> do próprio Mauritano, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Diário de Guantánamo</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme vai e volta entre os anos para </span><a href="http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2015/07/preso-relata-em-livro-torturas-que-teria-sofrido-em-guantanamo.html"><span style="font-weight: 400;">contar os percalços</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Mohamedou. Um estudante promissor, que saiu do seu país de origem no noroeste da África para estudar engenharia na Alemanha, Slahi foi mandado à base estadunidense devido a sua associação com membros da Al Qaeda. Por anos, ele foi mantido preso mesmo sem nenhuma evidência do envolvimento ou acusação formal contra ele. Quando o caso chega aos ouvidos da advogada Nancy Hollander, interpretada pela </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/filmes-na-tv/vencedora-do-oscar-jodie-foster-ira-receber-palma-de-ouro-honoraria-em-cannes-58630"><span style="font-weight: 400;">brilhante Jodie Foster</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela passa a trabalhar para garantir a justiça e tirá-lo de lá.</span></p>
<figure id="attachment_21755" aria-describedby="caption-attachment-21755" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21755" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-2-2.jpg" alt="Cena do filme O Mauritano. Ao centro, Mohamedou Slahi, interpretado por Tahar Rahim, um homem de ascendência muçulmana, com cabelos e barba castanhos curtos, aparentando ter cerca de 30 anos, veste um uniforme bege de prisioneiro e tem sua mão direita levantada, em um juramento." width="800" height="566" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-2-2.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-2-2-768x543.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-21755" class="wp-caption-text">Slahi se distanciou de sua história no filme: o roteiro de O Mauritano é de M.B. Traven, Rory Haines e Sohrab Noshirvani (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Guantánamo, um complexo penitenciário militar dos Estados Unidos em Cuba, foi usado pelo país para trancafiar supostos terroristas após o atentado de 11 de Setembro. Assim como Slahi, muitos prisioneiros foram </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/06/prisioneiro-de-guantanamo-alega-abuso-sexual-e-tortura-da-cia.html"><span style="font-weight: 400;">torturados e abusados</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto mantidos lá sem provas ou indiciamentos. Eles foram </span><a href="https://www.nbcnews.com/id/wbna38588813"><span style="font-weight: 400;">negados do seu direito</span></a><span style="font-weight: 400;"> a um julgamento, o governo norte-americano sequer chegou a acusá-los formalmente. Como os letreiros no filme lembram, dos 779 encarcerados, somente 8 foram julgados e condenados culpados &#8211; e 3 conseguiram recorrer à sentença. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Prisão de Guantánamo, que é até hoje </span><a href="https://www.amnistia.pt/guantanamo-o-legado-de-17-anos-de-tortura-e-injustica/"><span style="font-weight: 400;">conhecida pelas violações</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos direitos humanos, é quase um personagem em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AFB2eqX2ovo&amp;t=87s"><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e representa a ‘guerra ao terror’ travada pelos Estados Unidos após o atentado. Em seu interior, as atrocidades e abusos cometidos pelos </span><a href="https://www.terra.com.br/noticias/mundo/estados-unidos/ex-guarda-de-guantanamo-denuncia-abusos-na-prisao,acc8fa2aa9aea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html"><span style="font-weight: 400;">oficiais norte-americanos</span></a><span style="font-weight: 400;"> eram justificados somente pelas suspeitas e pelo ‘dever moral’ do combate ao terrorismo, sem a menor consideração aos direitos constitucionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Alternando entre o presente do longa e os diversos momentos do passado de Mohamedou, em janelas diferentes e em um ritmo dinâmico, sequências chocantes e indignantes expõem as violações por parte do governo. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=afzRW-pRoYk&amp;t=323s"><span style="font-weight: 400;">Para recriar algumas das torturas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Slahi enfrentou na prisão, Tahar Rahim chegou a ficar sem comer por três semanas e usou algemas e correntes nos pés até que sangrassem, em uma performance espetacular que não por menos foi reconhecida com uma indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro-2021/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_21756" aria-describedby="caption-attachment-21756" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-21756" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3.jpg" alt="Cena do filme O Mauritano. Na imagem, à esquerda, vemos um soldado em uniforme militar, de costas. Ao centro, encarando o soldado por trás de grades, vemos o protagonista Mohamedou Slahi, interpretado por Tahar Rahim, um homem de ascendência muçulmana, aparentando ter cerca de 30 anos, careca e vestindo um uniforme de prisioneiro laranja." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-3-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21756" class="wp-caption-text">Apesar de ainda ter problemas com seu passaporte, Slahi esteve presente no set de filmagem de O Mauritano, junto de Nancy (Foto: Topic Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks </span></i><span style="font-weight: 400;">do passado servem no seu propósito de só aprofundar o personagem de Rahim e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> acerta em </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2021/mar/26/we-dont-live-in-a-world-of-goodies-and-baddies-do-we-the-true-story-behind-the-mauritanian"><span style="font-weight: 400;">não culpar ou inocentar Slahi</span></a><span style="font-weight: 400;">. A assistente de Nancy, Teri Duncan (Shailene Woodley), quer saber se o cliente cometeu os crimes, ele insiste que não. O militar </span><a href="https://www.democracynow.org/2013/2/22/torture_at_guantnamo_lt_col_stuart"><span style="font-weight: 400;">Stuart Couch</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/benedict-cumberbatch-interview-mauritanian-b1825194.html"><span style="font-weight: 400;">Benedict Cumberbatch</span></a><span style="font-weight: 400;">) e seus compatriotas não precisam de evidências para afirmarem que sim, o julgamento é meramente um meio para o fim para os oficiais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É Nancy quem lembra: sem provas concretas, suspeitas são suspeitas e a luta é para que a Constituição seja seguida. O prisioneiro só pode cumprir sua pena após o julgamento, mas Slahi, inocente ou culpado, havia sido sentenciado sem um. </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-silencio-dos-inocentes-30-anos/"><span style="font-weight: 400;">Na sua volta à cela</span></a><span style="font-weight: 400;">, a performance da veterana Jodie Foster </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SF-XQJNCLYI"><span style="font-weight: 400;">a rendeu um Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> como Melhor Atriz Coadjuvante. Isso porque os critérios se pautam no tempo de tela: em cena, a Nancy de Foster exala a competência da advogada, misturando confiança e sensibilidade, e se faz o centro das atenções em toda aparição.</span></p>
<figure id="attachment_21757" aria-describedby="caption-attachment-21757" style="width: 1189px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-21757" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4.jpg" alt="Foto dos bastidores do filme O Mauritano. Na foto, sentados à uma mesa de madeira e sorrindo para a câmera, vemos, à esquerda, Mohamedou Slahi, um homem muçulmano, careca, aparentando ter cerca de 40 anos, vestindo uma camisa e um xale azuis; a atriz Shailene Woodley, uma mulher branca, de cabelos castanhos lisos e longos, aparentando cerca de 30 anos, vestindo uma camiseta preta; à direita, a atriz Jodie Foster, uma mulher branca, de cabelos loiros e lisos na altura do ombro, aparentando ter cerca de 60 anos, vestindo uma camiseta azul e óculos pretos; e Nancy Hollander, uma mulher branca, de cabelos brancos lisos na altura do ombro, aparentando ter cerca de 80 anos, vestindo uma camiseta cinza." width="1189" height="739" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4.jpg 1189w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4-800x497.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4-1024x636.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/o-mauritano-4-768x477.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21757" class="wp-caption-text">Na foto, as atrizes Jodie Foster e Shailene Woodley estão acompanhadas de Mohamedou Slahi e Nancy Hollander; a <a href="https://fbdlaw.com/our-attorneys/nancy-hollander/">advogada</a> e seu ex-cliente se mantém próximos e ela continua trabalhando por justiça pelos prisioneiros de Guantánamo (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um elenco famoso e talentoso à disposição, o diretor escocês </span><a href="https://news.letterboxd.com/post/643873555695747072/life-detained-kevin-macdonald"><span style="font-weight: 400;">Kevin Macdonald</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Último Rei da Escócia</span></i><span style="font-weight: 400;">, trabalha com seus três protagonistas. Enquanto Slahi é vítima das violências do governo estadunidense, expostas em sequências tristes e chocantes, Hollander deixa de lado qualquer falso moralismo nacionalista e se atém aos princípios que norteiam sua profissão. Do lado oposto, o militar e advogado de acusação Couch, religioso, conservador, próximo às vítimas do atentado, é a perspectiva do </span><a href="https://pt.euronews.com/2014/12/09/a-adocao-da-lei-patriotica-que-permite-a-tortura-antiterrorismo"><span style="font-weight: 400;">americano patriota</span></a><span style="font-weight: 400;"> na narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a potência da </span><a href="https://www.sabado.pt/entrevistas/detalhe/mohamedou-ould-slahi-tenho-guardas-e-ex-interrogadores-que-me-ligam"><span style="font-weight: 400;">história de Mohamedou</span></a><span style="font-weight: 400;"> acaba diluída nos conflitos morais dos seus companheiros de tela, os diferentes pontos de vista agregam à crítica que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano </span></i><span style="font-weight: 400;">tem, por obrigação, de ter. Com uma tradição em filmes de guerra, até as produções americanas mais incisivas não fogem do seu patriotismo velado, mas a escolha de contar a história (ou pelo menos a maior parte dela) pela </span><a href="https://collider.com/how-the-mauritanian-succeeds-with-non-american-perspective/"><span style="font-weight: 400;">visão do prisioneiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, um homem muçulmano detido injustamente, foge do maniqueísmo usual. Ainda que eventualmente perca o foco entre tantas datas e lados, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Mauritanian</span></i><span style="font-weight: 400;"> usa das reflexões e dos questionamentos de Couch, de Teri e de outros personagens secundários para ressoar sua importância para </span><a href="https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2017/03/06/ex-guarda-de-guantanamo-conta-como-e-a-vida-na-prisao-uma-parodia-do-sistema-de-justica.htm"><span style="font-weight: 400;">além do caso de Mohamedou</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O Mauritano • Trailer Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/v36AeYnaY8o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se pode tomar uma adaptação cinematográfica da vida real ou de um </span><a href="https://www.theguardian.com/books/audio/2015/jan/24/guantanamo-diary-benedict-cumberbatch-podcast"><span style="font-weight: 400;">livro </span></a><span style="font-weight: 400;">autobiográfico como a realidade, mas, fato é, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano </span></i><span style="font-weight: 400;">traz à tona eventos e discussões importantes. Talvez em um filme que denuncie casos e instituições reais, </span><a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-03-15/jodie-foster-adoro-falar-de-politica-nao-gosto-do-cinema-politico.html"><span style="font-weight: 400;">essencialmente político</span></a><span style="font-weight: 400;"> como é, discutir seus méritos importe menos do que discutir sua relevância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Conhecer a história de Slahi importa, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mauritano</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe que o buraco ainda é mais embaixo: como o monólogo do protagonista de Rahim atesta, ‘a maior democracia do mundo’ está longe do exemplo de liberdade e justiça que se gaba de ser. Os letreiros finais mostram como só 7 anos após ser absolvido, </span><a href="http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/10/eua-enviam-preso-autor-de-o-diario-de-guantanamo-mauritania.html"><span style="font-weight: 400;">Mohamedou finalmente deixou Guantánamo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e não foi o único a ter uma estadia injusta por lá. Pior ainda, as sequelas da era Bush e da ‘guerra ao terror’ continuam, do preconceito e das ofensivas à população muçulmana, </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2019/09/09/por-que-a-guerra-no-afeganistao-se-tornou-a-mais-longa-ja-travada-pelos-eua.ghtml"><span style="font-weight: 400;">até em seus países</span></a><span style="font-weight: 400;">, à </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2021/02/12/biden-retoma-projeto-de-fechamento-da-prisao-de-guantanamo-anuncia-casa-branca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">continuidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> das atividades em Guantánamo. </span><span style="font-weight: 400;">Ao final, seja qual for o saldo da experiência cinematográfica, o que fica é o que importa: essa é uma história real.</span></p>
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