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	<title>Arquivos Gotham Awards &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo realmente é o que diz ser</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2023 19:35:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Quanto vale entrar para a História? Quanto vale não ser esquecido jamais? Indo além, na questão cinematográfica, quanto vale fazer parte da História, seja como idealizador ou como mero telespectador? Não faltam exemplos em que essa visão não foi estimulada, como em Blade Runner (1982), The Rocky Horror Picture Show (1975) ou, até &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo realmente é o que diz ser"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29706" aria-describedby="caption-attachment-29706" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29706 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-800x419.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos Evelyn, interpretada por Michelle Yeoh. Ela é uma mulher asiática de meia idade e de cabelos pretos. Evelyn veste uma camisa florida e um colete vermelho. A câmera dá um close em seu rosto, onde há um sangramento no nariz e um corte do lado esquerdo de seu rosto, que também sangra. Há um googly eye, um olho típico de bonecos de pelúcia colado em sua testa. Ao fundo e desfocado, há uma repartição pública" width="800" height="419" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-800x419.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-1024x536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29706" class="wp-caption-text">Sendo a maior bilheteria do estúdio, Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo foi o responsável por fazer a produtora furar a bolha de vez (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WEoSlBUC4rI&amp;ab_channel=BigBrotherBrasil"><i><span style="font-weight: 400;">Quanto vale entrar para a História?</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Quanto vale não ser esquecido jamais?</span></i><span style="font-weight: 400;"> Indo além, na questão cinematográfica, quanto vale fazer parte da História, seja como idealizador ou como mero telespectador? Não faltam exemplos em que essa visão não foi estimulada, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner </span></i><span style="font-weight: 400;">(1982), </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-rocky-horror-picture-show-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Rocky Horror Picture Show</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1975) ou, até mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Room </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003) &#8211; obras injustiçadas ou que deram a volta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rEx5q5AOFkc"><span style="font-weight: 400;">sua própria ruindade</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas, a princípio, foram incompreendidas. Essa poderia ser a sina de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kULcXm9V7aY"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, longa lançado em Março mas que só chegou ao Brasil em Junho. Porém, tivemos a sorte de ver a História sendo (re)escrita no Cinema.</span></p>
<p><span id="more-29705"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Daniel Scheinert e Daniel Kwan, carinhosamente conhecidos como Os Daniels, já mostraram ser um ponto fora da curva com o excelente </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Cadáver para Sobreviver </span></i><span style="font-weight: 400;">(2016), mas foi com a obra mais recente &#8211; a segunda na filmografia da dupla &#8211; que eles consolidaram esse selo na Sétima Arte. Mais uma vez usando do absurdo &#8211; vale lembrar que são eles por trás do clipe do excêntrico fenômeno </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HMUDVMiITOU&amp;ab_channel=DJSnakeVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Turn Down for What</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; para tratar das relações humanas, os diretores fazem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Everywhere All at Once</span></i><span style="font-weight: 400;">, em qualquer realidade possível, o filme de 2022.</span></p>
<figure id="attachment_29707" aria-describedby="caption-attachment-29707" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29707 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-800x533.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos, da esquerda para a direita, os personagens de Joy, uma jovem asiática de cabelos pretos, Waymond, um homem de meia idade asiático, Evelyn, uma mulher de meia idade asiática e Gong Gong, um idoso asiático. Joy veste um moletom preto e uma calça jeans enquanto está apoiada com os braços em uma cadeira de escritório. Waymond está sentado na cadeira que Joy apoia e está vestindo uma camisa polo verde clara de mangas compridas. Evelyn está sentada ao lado de Waymond e veste uma camisa florida azul clara e um casaco roxo. Gong Gong está ao lado de Evelyn em sua cadeira de rodas, veste uma camisa bege claro, um colete verde escuro, um sobretudo e uma boina marrons. Todos estão de frente para uma mesa de escritório repleta de papéis bagunçados, olhando para a personagem Deidre, uma mulher idosa de camisa amarela florida manga curta, uma munhequeira na mão esquerda e uma caneta na mão direita. Ao fundo, um ambiente de repartição pública." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Nova-Imagem-2-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29707" class="wp-caption-text">Apesar da estética de blockbuster, o filme custou apenas 25 milhões de dólares (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contando a história de uma imigrante chinesa dona de uma lavanderia que, após ter problemas com a Receita Federal Americana, tem acesso ao multiverso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme de percepções. Isso já começa com seu elenco de atores principais. Tanto Michelle Yeoh como Ke Huy Quan tinham uma perspectiva estabelecida no imaginário ocidental: ela, por ser uma exímia artista marcial, que teve seu ápice em </span><a href="https://www.cinemaemcena.com.br/Critica/Filme/6990/o-tigre-e-o-dragao"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2000), e ele, sendo uma criança carismática em </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Goonies </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Indiana Jones: No Templo da Perdição </span></i><span style="font-weight: 400;">(1984). Aqui, além de entregar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QYw6i6MjZuA&amp;ab_channel=TheView"><span style="font-weight: 400;">papel da vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ambos, o longa também traz uma tocante e subversiva nova visão sobre esses profissionais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de ser uma cagação de regra, essa obra é do tipo que precisa ser vista mais de uma vez, justamente pela sua proposta de trabalhar nossa percepção de formas diferentes. Mais do que um filme, </span><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma experiência. Você pode ir a diversos jogos de futebol ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/primavera-sound-critica/"><span style="font-weight: 400;">festivais de música</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, ainda assim, cada um ser único. É exatamente essa a sensação que o longa provoca a cada </span><i><span style="font-weight: 400;">replay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29708" aria-describedby="caption-attachment-29708" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29708 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos o personagem Waymond, interpretado por Ke Huy Quan, um homem asiático de meia idade com cabelos pretos curtos. Ele veste uma camisa pólo de manga curta na cor verde, onde são intercaladas partes lisas e artes com listras brancas, uma calça cargo bege e uma pochete de couro marrom. Ele estica o braço direito para trás, que segura um pedaço de papel, enquanto olha para o mesmo. Em sua orelha, há um fone com um pequeno microfone integrado. Ao fundo, divisórias de uma repartição." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29708" class="wp-caption-text">A obra conta com Joe e Anthony Russo na produção, responsáveis por darem os primeiros lampejos de multiverso no Universo Cinematográfico Marvel (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fica até difícil definir </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Everywhere All At Once</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um gênero específico, pois, fazendo jus ao ‘tudo’ em seu título, a obra realmente se propõe a ser essa bagunça organizada. Do drama à comédia, do </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;"> às artes marciais, o longa tem sucesso em tudo o que explora. A produção sabe trabalhar em cima de sua </span><a href="https://screenrant.com/everything-everywhere-all-at-once-movie-genres-sci-fi-action-comedy/#comedy"><span style="font-weight: 400;">miscelânea de estilos</span></a><span style="font-weight: 400;">, não só os cinematográficos, mas também em suas formas de filmagem, conduzidas por Larkin Spike, na edição de Paul Rodgers e na montagem e composição de Jason Kisvarday, a fim de criar uma identidade única, poucas vezes vista e quase impossível de ser retomada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os Daniels são conscientes em utilizar a junção de formatos para discorrer sobre relações familiares. Recentemente, tratar esses tipos de confrontos virou uma tônica da Sétima Arte. </span><a href="https://personaunesp.com.br/minari-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Minari: Em Busca da Felicidade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020) e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Despedida </span></i><span style="font-weight: 400;">(2019), também trazem o assunto à tona através de perspectivas de famílias asiáticas. </span><a href="https://personaunesp.com.br/aftersun-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2022) atribui uma nova ótica para a relação pai e filha de forma muito singela e que se assemelha ao tema da obra de multiverso. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">EEAAO</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue atribuir novas camadas à discussão. Através do absurdo, os diretores usam de um pano de fundo para tratar algo muito difícil de traduzir para as telas: a depressão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a dupla, que também está por trás do roteiro, o texto demorou </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2022-04-14/everything-everywhere-all-at-once-explained-daniels-spoilers"><span style="font-weight: 400;">alguns anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ganhar forma, e, durante esse tempo, eles viram dois de seus principais cenários começarem a ser trabalhados na indústria: o niilismo e o multiverso. Os dois chegaram a audiência através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rick and Morty </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013 &#8211; atualmente),</span> <span style="font-weight: 400;">enquanto o emaranhado de realidades, após ser brilhantemente abordado em </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/01/10/cultura/1547142320_637784.html"><i><span style="font-weight: 400;">Homem- Aranha no Aranhaverso</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), foi apropriado pelo enlatado e cheio de fórmulas Universo Cinematográfico da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém,  sendo esse ponto fora da curva em Hollywood, os idealizadores conseguiram formar seu próprio multiverso nesse universo de multiversos.</span></p>
<figure id="attachment_29709" aria-describedby="caption-attachment-29709" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29709 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, há uma enorme cadeia de montanhas que contrasta com o céu azul. No centro inferior da imagem, duas pedras redondas estão de costas para a câmera, admirando a paisagem. No centro da imagem, um pouco deslocado para a esquerda, está escrito “fuck.” em letras brancas" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29709" class="wp-caption-text">Quem poderia imaginar que uma das cenas mais emocionantes de 2022 seria protagonizada por duas pedras? (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Deixando um pouco de lado Nietzsche e suas ideias, a obra usa mais de </span><a href="https://www.portaldaliteratura.com/autores.php?autor=2527"><span style="font-weight: 400;">Albert Camus</span></a><span style="font-weight: 400;"> como base teórica, quando o francês desenvolve um novo tópico ao conceito do alemão, aliado a uma vertente teorizada por </span><a href="https://www.ebiografia.com/jean_paul_sartre/"><span style="font-weight: 400;">Jean Paul-Sartre</span></a><span style="font-weight: 400;">. O niilismo, em letras gerais, é a afirmação da falta de objetivo no existir. Já o existencialismo de Sartre, vindo de uma raiz niilista, é o questionamento do por quê e pra quê da vida, enquanto o absurdismo se trata do desprendimento do niilismo e existencialismo, através da aceitação da vida como sem um propósito estabelecido. E fica evidente a aproximação à Camus quando os diretores usam de um recurso ironicamente chamado de absurdismo cômico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joy, interpretada por </span><a href="https://www.instagram.com/stephaniehsuofficial/"><span style="font-weight: 400;">Stephanie Hsu</span></a><span style="font-weight: 400;">, cujo o nome é uma tradução direta para alegria, é uma personificação niilista e, no momento em que suga todas suas versões e vê essa falta de propósito, perde seu nome para se tornar a vilã Jobu Tupaki. A jornada de Evelyn, de Michelle Yeoh, é justamente o existencialismo sartreano na busca por sentido para tudo aquilo através dos multiversos, enquanto a primeira versão gentil e afetuosa do Waymond de Ke Huy Quan funciona como uma espécie de absurdismo encapsulado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através disso, a escrita desenvolve um cerne emocional sólido para seus personagens que, apesar de um contexto totalmente pirado, aproxima o ser humano à frente das telas para o que está dentro dela. O próprio Camus dizia que “</span><i><span style="font-weight: 400;">A Arte não é para mim um prazer solitário. É uma maneira de comover o maior número possível de homens, oferecendo-lhes uma imagem privilegiada dos sofrimentos e alegrias comuns</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span> <span style="font-weight: 400;">Apesar da obra ter algumas poucas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=C5U-8v_NMr0&amp;ab_channel=Letterboxd"><span style="font-weight: 400;">críticas negativas</span></a><span style="font-weight: 400;"> (carinhosamente, de pessoas amarguradas), qualquer pessoa, de alguma forma, se enxerga nela, seja com uma sequência em um universo onde todo ser humano tem dedos de salsicha, seja em um diálogo mudo entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UXar2tNdG34&amp;ab_channel=Hup"><span style="font-weight: 400;">duas pedras conscientes</span></a><span style="font-weight: 400;">. E que privilégio é isso.</span></p>
<figure id="attachment_29710" aria-describedby="caption-attachment-29710" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29710 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela, vemos a personagem Jobu Tupaki, interpretada por Stephanie Hsu, uma jovem asiática. Ela veste um macacão branco com estrelas nas mangas e detalhes de pedraria no peito. Ela também está usando uma peruca rosa. Seu movimento remete ao andar em um corredor. Na cena também, há alguns papéis coloridos caindo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29710" class="wp-caption-text">Os Daniels disseram “take five”, mas Stephanie Hsu entendeu “change lives” (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Virou o queridinho do público e da crítica? Virou! </span><a href="https://youtu.be/yy3qWktuO20?t=382"><span style="font-weight: 400;">Virou o queridinho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas não é só do público e da crítica, é porque é bom mesmo. Em todos seus aspectos técnicos, a obra brilha. Sua montagem e edição são estupendas, evidenciadas pelo carinho de pensar em uma identidade própria para cada universo -, às vezes até mudando seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aoucLv95g3s&amp;ab_channel=CamberFilmSchool"><i><span style="font-weight: 400;">aspect ratio</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou alterando seu estilo de filmagem, indo do Cinema chinês à animação. Outro ponto a se destacar é a coreografia. O longa foi responsável por ressuscitar o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=psWUuuoYMy8&amp;ab_channel=Insider"><i><span style="font-weight: 400;">wire kung-fu</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e faz as cenas de luta de maneira primorosa, replicando mais uma vez a Sétima Arte chinesa, principalmente bebendo da fonte de </span><a href="https://collider.com/crouching-tiger-hidden-dragon-theater-returns/"><i><span style="font-weight: 400;">O Tigre e o Dragão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2000) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Matrix </span></i><span style="font-weight: 400;">(1999), referência clara dos idealizadores. O apreço pela arte cinematográfica oriental era tanto que o papel principal foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u73k3a7NfvI&amp;ab_channel=CBSSundayMorning"><span style="font-weight: 400;">pensado para Jackie Chan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas Yeoh, também sendo uma expoente das artes marciais, se encaixou perfeitamente na história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores, além de demonstrarem uma escrita criativa que tem êxito ao tratar da depressão de Joy, somada aos seus </span><a href="https://www.healthline.com/health/mommy-issues#:~:text=People%20usually%20apply%20the%20term,issues%20or%20difficulty%20showing%20vulnerability"><i><span style="font-weight: 400;">mommy issues</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> através de uma nova roupagem e ainda sim trazer uma enorme carga filosófica, mostram que conseguem manter as rédeas de uma ideia megalomaníaca. O fato de ser uma direção em dupla faz total sentido presenciando a grandiosidade que o projeto alcança em seu próprio </span><a href="https://www.themarysue.com/a24-multiverse-movie-posters-everything-everywhere-all-at-once/"><span style="font-weight: 400;">microcosmos</span></a><span style="font-weight: 400;">, que somente duas mentes poderiam conceber, cada uma completando a visão criativa da outra. Por essa razão, o par também enche o longa com pequenos detalhes deliciosos de se captar, fazendo do filme um gigantesco amontoado de pequenas coisas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto de convergência da bem estruturada produção se dá na performance de seu elenco. Apesar de outras performances terem chamado mais atenção no circuito de premiações, com somente Ke Huy Quan sendo uma unanimidade como Ator Coadjuvante, o elenco principal forma a trindade da atuação em conjunto em 2022. Michelle Yeoh constrói uma Evelyn baseada em sua própria vivência, em que as várias ramificações de sua carreira a levaram até esta obra. Quan e Hsu são gratas surpresas e ficam no mesmo patamar de Yeoh. Vale lembrar também de James Hong (</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/84223/aventureiros-do-bairro-proibido-os-1986-84223/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Aventureiros do Bairro Proibido</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Jamie Lee Curtis (</span><a href="https://personaunesp.com.br/halloween-2018-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Halloween</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) que constroem personas incríveis para estereótipos até que monótonos.</span></p>
<figure id="attachment_29711" aria-describedby="caption-attachment-29711" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29711 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-6.gif" alt="GIF de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nele, há várias versões de Evelyn que se alteram em uma edição rápida, incluindo uma com uma máscara de gás, uma com uma máscara branca que tampa somente a parte dos olhos, uma que segura uma espécie de led nas costas e uma que é um espectro no meio da noite estrelada" width="500" height="281" /><figcaption id="caption-attachment-29711" class="wp-caption-text">A obra é uma ode visual e rendeu as melhores cenas do ano (GIF: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sendo lançado somente em Março &#8211; o que, do ponto de vista das premiações, é uma data inoportuna -, vem fazendo a rapa na temporada. São incontáveis as nomeações e as premiações que o longa levou. Dentre as mais célebres, estão as vitórias no </span><a href="https://awards.thegotham.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, prêmio do cinema independente, e do </span><a href="https://www.criticschoice.com/2023/01/15/the-winners-of-the-28th-annual-critics-choice-awards/"><i><span style="font-weight: 400;">Critics Choice Award</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nas duas premiações, a produção levou os troféus de Melhor Filme. Sem contar os vários troféus espalhados entre os diretores, Yeoh e Quan nos incontáveis sindicatos e festivais, o que faz que o termômetro dessa obra para o careca dourado</span> <span style="font-weight: 400;">quase ferva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerando somente as indicações à 95ª edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=oscar"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">deste universo, que foram </span><a href="https://variety.com/2023/film/news/oscar-nominations-2023-list-1235495072/"><span style="font-weight: 400;">anunciadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 24 de janeiro, o longa assume a dianteira da corrida, acumulando onze nomeações. Algumas categorias são um pouco mais acirradas, como Melhor Atriz Coadjuvante, que, apesar da comemorada lembrança de Stephanie Hsu, vai ter seus votos divididos entre os votantes com Jamie Lee Curtis. O páreo também é duro em Melhor Atriz, categoria na qual Michelle Yeoh disputará com a imponente Cate Blanchett por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=neMq6nhR2xM"><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A situação é um pouco mais tranquila em Melhor Ator Coadjuvante, que sempre teve Ke Huy Quan como favorito; Melhor Diretor</span> <span style="font-weight: 400;">para Os Daniels; e Melhor Filme. Neste último, porém, por mais que tenha um enorme apelo, terá que lidar com o </span><a href="https://www.exibidor.com.br/artigo/386-em-guinada-conservadora-oscar-2022-premia-o-agua-com-acucar-no-ritmo-do-coracao"><span style="font-weight: 400;">conservadorismo da Academia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29712" aria-describedby="caption-attachment-29712" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29712 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-800x450.jpg" alt="Cena de Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo. Nela vemos Waymond de outro universo. Um homem asiático de meia idade, com cabelos penteados. Ele veste um terno preto e uma camisa branca acompanhada de uma gravata preta, além de um óculos na cor preta. Ele olha para a esquerda enquanto se vira como se estivesse partindo. A cena tem uma fotografia esverdeada." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/Tudo-em-Todo-Lugar-ao-Mesmo-Tempo-Imagem-7.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-29712" class="wp-caption-text">Após indicações ao Oscar, o filme retornou às salas de cinema americanas e brasileiras (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Tudo </span></i><span style="font-weight: 400;">que a obra se desafia a explorar alcança o êxito com maestria. O longa surpreende até a mais cética das audiências, que foi acostumada com tramas frenéticas ao passar dos anos. O filme abraça o caos e beira a anarquia, em uma abdicação das amarras do Cinema e, mesmo se inserindo em uma </span><a href="https://gshow.globo.com/podcast/cena-aberta/noticia/multiverso-e-o-assunto-da-vez-por-que-tantos-filmes-e-series-tem-abordado-a-tematica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">moda recorrente</span></a><span style="font-weight: 400;"> na indústria, cria uma fórmula própria e extremamente difícil de ser replicada, se colocando no panteão do multiverso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Todo Lugar </span></i><span style="font-weight: 400;">que você olha durante sua exibição do longa, este se preenche e se completa. Seja pelo espetáculo visual criado pela coreografia de Timothy Eulich, pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3ClP6gaXjio&amp;ab_channel=SilverScreens"><span style="font-weight: 400;">fotografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Spike, a edição de Rogers e a montagem de Kisvarday; pelo texto afiado em discorrer ansiedades modernas ou nas conscientes atuações de seu elenco. O conjunto de acertos converge em uma catarse propositalmente galhofa e tira da obra o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de filme para atribuir o de evento cinematográfico.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> Mesmo Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">em que é uma carta de amor ao Cinema, homenageando </span><i><span style="font-weight: 400;">2001: Uma Odisséia no Espaço </span></i><span style="font-weight: 400;">(1968), </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/wong-kar-wai"><span style="font-weight: 400;">Wong Kar-Wai</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill </span></i><span style="font-weight: 400;">(2003) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ratatouille </span></i><span style="font-weight: 400;">(2007), a obra também é uma declaração para nós mesmos. Esta coloca um ponto final na pergunta de um milhão de reais do ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/what-if-critica/"><span style="font-weight: 400;">E se</span></a><span style="font-weight: 400;">?’ ao responder que são esses pontos de inflexão em nossas vidas onde essa indagação é feita que fizeram quem somos hoje. Ainda assim, sobra espaço para nos lembrar o porquê devemos amar essas versões, por mais sem sentido que sejam. Mas a maior recordação que o longa traz é o porquê nós, do topo a base da indústria, amamos o Cinema.</span></p>
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		<title>Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Nov 2022 19:09:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de Aftersun. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: uma viagem de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/aftersun-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Cuidado: Aftersun causa enjoo emocional"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29143" aria-describedby="caption-attachment-29143" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29143 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha dançando abraçados. Ao fundo, vemos pessoas desfocadas. " width="1200" height="627" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-800x418.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-1024x535.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/1-768x401.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29143" class="wp-caption-text">Irlandesa radicada em Nova Iorque, Charlotte Wells impressionou Cannes e Toronto antes de trazer Aftersun para vencer a Competição Novos Diretores da 46ª Mostra de SP (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitor Evangelista</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Trabalhar o conceito da memória na Arte é uma artimanha e tanto. Para evocar o sentimento que viveu há cerca de duas décadas, é atrás das lembranças que vai a cineasta Charlotte Wells na confecção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">. A trama reflete um episódio experienciado pela irlandesa no fim dos anos noventa: </span><a href="https://a24films.com/notes/2022/10/a-note-from-charlotte-wells"><span style="font-weight: 400;">uma viagem de férias à Turquia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado do pai, e seu apreço pela imagem como instrumento de ternura e captura do tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A pequena Sophie (Frankie Corio) é a bússola do longa de estreia de Wells, parte da Competição Novos Diretores da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo e </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/aftersun-de-charlotte-wells-ganha-principal-premio-da-mostra-de-cinema-de-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">eleito o Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Júri com o Troféu Bandeira Paulista. Ao lado do pai Calum (Paul Mescal), ela comemora o aniversário de 11 anos entre o quarto de hotel, a piscina, o oceano e as muitas caminhadas pelo ensolarado país euro-asiático, gravando as aventuras por meio de uma filmadora </span><i><span style="font-weight: 400;">miniDV</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-29140"></span></p>
<figure id="attachment_29142" aria-describedby="caption-attachment-29142" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29142 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg" alt="Foto da diretora e de seu pai nas férias que inspiraram o filme. Está de noite e o flash ilumina o rosto deles. A menina sorri com um copo na mão e uma colher na boca e o pai também sorri, segurando um copo." width="1080" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/2-2-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29142" class="wp-caption-text">Sophie é escrita com a força e a curiosidade de uma criança nada estereotipada ou clichê, e elevada pela performance memorável de Frankie Corio; na foto, Charlotte Wells e seu pai nas férias que inspiraram o filme (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O aspecto </span><i><span style="font-weight: 400;">vintage </span></i><span style="font-weight: 400;">das gravações caseiras é o que aclima </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun</span></i><span style="font-weight: 400;">, com destaque imediato para o trabalho de mescla que o diretor de fotografia Gregory Oke realiza ao longo dos quase cem minutos. Aliado ao som etéreo de Jovan Ajder e a montagem sentimentalmente carregada de Blair McClendon, o texto e a direção de Wells tomam forma pela </span><a href="https://blockbusteronline.com.br/escrevendo-de-dentro-para-fora-charlotte-wells-em-aftersun-entrevistas/"><span style="font-weight: 400;">veia nostálgica</span></a><span style="font-weight: 400;"> da infância.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No tempo em que virou moda o exercício de transformar em filmes de ‘prestígio’ os  anos formadores da adolescência, tendência refletida no arrojado </span><a href="http://personaunesp.com.br/critica-roma/"><i><span style="font-weight: 400;">Roma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e no enfadonho </span><a href="https://personaunesp.com.br/belfast-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Belfast</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Charlotte realiza um trabalho de afeto nada gratuito. Para analisar sua guinada artística e o papel que ocupa aos 30 anos e em emergente estado de ebulição criativa, ela revisita as férias na Turquia, um conjunto isolado de eventos banais e corriqueiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fator decisivo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é a </span><a href="https://cinepop.com.br/normal-people-a-arte-de-levar-a-banalidade-a-serio-entrevista-258385/"><span style="font-weight: 400;">contratação de Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;"> no protagonismo e as escolhas de atuação que o astro irlandês opta por seguir na pele de Calum. Silencioso, extremamente observativo e calmo, também na casa dos trinta, ele transmite no olhar e na linguagem corporal retraída todo o medo que acumula.</span></p>
<figure id="attachment_29145" aria-describedby="caption-attachment-29145" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29145 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha numa piscina de lama, se sujando. Eles sorriem um para o outro e está de dia e ensolarado. " width="2560" height="1211" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-800x378.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1024x484.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-768x363.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1536x727.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-2048x969.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/3-1200x568.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29145" class="wp-caption-text">Com produção de Barry Jenkins e Adele Romanski, de Moonlight, <a href="https://personaunesp.com.br/the-underground-railroad-critica/">The Underground Railroad</a> e <a href="http://personaunesp.com.br/never-rarely-sometimes-always-critica/">Never Rarely Sometimes Always</a>, Aftersun tem dedo internacional da BBC e da A24 (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para a filha Sophie, Calum é farol de </span><a href="https://laestatuilla.com/columnas/entrevista-con-charlotte-wells-directora-de-aftersun/"><span style="font-weight: 400;">segurança, austeridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e companheirismo. Ela, que vive em um mundo constantemente povoado por figuras masculinas, enxerga na ternura e na amizade dele o exato oposto do que sua mãe viu. Presente em linhas rápidas do roteiro de Wells e numa sequência singela gravada no estiloso telefone público cor de tomate, a mãe do filme é ausente de espaço físico, mas presente na aura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando questionado pela garota o motivo de trocar alguns </span><i><span style="font-weight: 400;">“eu te amo” </span></i><span style="font-weight: 400;">com a ex-esposa, Calum justifica que, independente da separação, ela faz parte de sua família. Sentimento conjurado pela afetuosidade que Charlotte Wells dirige Paul Mescal, um profissional recente do mundo cinematográfico, mas que descolou em </span><a href="https://personaunesp.com.br/sally-rooney-pessoas-normais-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Normal People</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> uma vitrine de seus talentos e alcance, e mesmo com pinta de astro comercial, ainda pensa com carinho e cuidado a respeito dos papéis que escolhe dedicar seu tempo e ofício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As memórias da diretora, que perdeu o pai quando tinha dezesseis anos, não se curam com facilidade, tal qual o gesso molhado que Mescal empunha como armadura. Ele não se preocupa em mergulhar o braço no cloro da piscina ou nem mesmo liga de dar braçadas na água salgada do mar. A restauração da ferida, nebulosa nas explicações quando Sophie pergunta como aconteceu, se dá por meio da </span><a href="https://www.cinemadebuteco.com.br/criticas/aftersun-paul-mescal-entra-para-o-time-dos-grandes-pais-do-cinema-em-filme-pessoal-da-diretora-estreante-charlotte-wells/"><span style="font-weight: 400;">persistência e do esquecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29141" aria-describedby="caption-attachment-29141" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29141 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg" alt="Cena do filme Aftersun, mostra pai e filha posando para uma foto, sorrindo. Por trás da menina, ele faz “chifrinho” com a mão na cabeça dela." width="1920" height="1036" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1024x553.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-768x414.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1536x829.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/4-1-e1667501857381-1200x648.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29141" class="wp-caption-text">Grande lançamento independente do ano, o filme é uma co-produção entre EUA e Reino Unido e recebeu 4 indicações ao <a href="https://www.screendaily.com/news/aftersun-in-contention-for-four-prizes-as-us-gotham-awards-unveils-nominees/5175805.article">Gotham Awards</a>, destacando as performances de Mescal e Corio, e a direção de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma hora, ele corta a branquidão dura com uma tesoura sem ponta; na outra, o machucado sumiu, por mais que o aspecto cru da pele sem o calor do sol apareça. </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é assim: como maré branda, começa algo, termina outro, </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/m/aftersun"><span style="font-weight: 400;">não se atenta a linearidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assim como evoca os </span><i><span style="font-weight: 400;">flashes </span></i><span style="font-weight: 400;">temporais nas sequências noturnas de uma espécie de balada. Entre as luzes da boate, Calum e uma Sophie adulta (Celia Rowlson-Hall) se misturam como água e açúcar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistir a essa experimentação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/conversas-entre-amigos-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">20 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é prova do poder do filme de Wells. Aos 11, Sophie enxerga o pai como uma figura de autoridade e amparo. Aos 31, Calum vê na filha alguém a ser guiada e defendida, com muito a aprender na jornada. No meio termo entre as duas caminhadas da vida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">brinca com as expectativas e com os pontos de vista de um espectador no limiar entre a juventude e a vida adulta em sua complexa integridade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, por isso, evocar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9sfYpolGCu8"><span style="font-weight: 400;">enjoo emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> seja a maneira mais compatível para definir o sentimento. É como viajar de carro com os vidros fechados e sentir o estômago embrulhar, mas ao invés do motivo ser um sanduíche de presunto duvidoso, o mal-estar nasce de uma situação não resolvida, um amor esfarelado ou a mera sensação de crescer para além dos moldes em que nos encontramos.</span></p>
<figure id="attachment_29144" aria-describedby="caption-attachment-29144" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-29144 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png" alt="Cena do filme Aftersun, mostra o pai sozinho em um corredor vazio, segurando uma alça da mochila no ombro e olhando para a câmera." width="2000" height="1125" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5.png 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/5-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29144" class="wp-caption-text">“Eu tenho enjoo emocional, alguém abra as janelas, não existem palavras na língua inglesa que eu poderia gritar para te calar”, canta Phoebe Bridgers em Motion Sickness, numa passagem que muito se relaciona com o filme de Wells (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sophie não ressente propriamente o pai, mas entende que o homem que conhece não é Calum </span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">em sua totalidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, quando confessa para ele as artes que aprontou no local, desde a troca de primeiros beijos até uma pulseira com créditos infinitos no bar, a garota espera essa troca mútua de confidências. Ou, por mais que a menina do filme não espere, a mulher que dirige essa quase biografia o faz. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Forma de examinar o não tão distante ontem e compreender o muito ascendente hoje, o trabalho de Charlotte Wells em </span><i><span style="font-weight: 400;">Aftersun </span></i><span style="font-weight: 400;">é digno de menção nas proficiências que executa com ilustre e célebre aptidão. Um drama de amadurecimento, uma história sensorial sobre um pai e uma filha em constante processo de conexão e apego, uma aventura europeia com pique de verão e um </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/"><span style="font-weight: 400;">estudo sobre o luto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o que fazer com todo o amor que não possui mais remetente físico. O que vem depois do sol é tudo isso e um bocado mais, e fica a congratulação de Sophie: que mágico e virtuoso é poder viver tudo isso e, no processo, dividir com nossos queridos o mesmo céu.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AFTERSUN | Official Trailer | Now Streaming on MUBI" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vXKcWRu8K_U?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Quem são as mães das filhas perdidas?</title>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2022 15:40:59 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a descolada, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para encontrá-los no mundo. Pense em quantas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-filha-perdida-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quem são as mães das filhas perdidas?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26968" aria-describedby="caption-attachment-26968" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26968" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Jessie Buckley, que interpreta Leda, está abraçando duas meninas, em que não é possível ver seus rostos. Jessie é uma mulher branca, de cabelos castanhos claros. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/0534956.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26968" class="wp-caption-text">Após levar o Leão de Ouro de Melhor Roteiro em Veneza, A Filha Perdida garantiu 3 indicações no Oscar 2022 (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Silva</b></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">Dos tipos de representações que temos em relação à maternidade no Cinema e na TV, podemos citar vários. A mãe superprotetora, a mandona, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/gilmore-girls-20-anos/"><span style="font-weight: 400;">descolada</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, é claro, a clássica mãe que abdica de todas as suas vivências pessoais pelas conquistas dos filhos, ou até mesmo para </span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-de-mae-critica/"><span style="font-weight: 400;">encontrá-los no mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Pense em quantas personagens mães você conhece, e quantas delas não estão associadas diretamente ao papel materno que as nutre. E, quando o renegam, na maior parte das vezes são movidas por uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/carrie-a-estranha-45-anos/"><span style="font-weight: 400;">maldade sobrenatural</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou pela construção de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/enrolados-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">aspecto vilanesco</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua personalidade. Afinal, que tipo de mãe não amaria seus filhos incondicionalmente?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Transpondo para a realidade, a retórica continua a mesma. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/elena-ferrante-a-filha-perdida-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a misteriosa Elena Ferrante mergulha por inteiro neste que é apenas um dos papéis da feminilidade presentes em sua Literatura. E Maggie Gyllenhaal decide abraçar a mesma narrativa para construir o que seria a sua primeira obra na direção. A trama do filme homônimo segue Leda, interpretada pela magnífica </span><a href="https://personaunesp.com.br/meu-pai-critica/"><span style="font-weight: 400;">Olivia Colman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que decide passar um período em uma ilha paradisíaca da Grécia, após deixar suas duas filhas, Bianca e Martha, com o ex-marido no Canadá.</span></p>
<p><span id="more-26967"></span></p>
<figure id="attachment_26974" aria-describedby="caption-attachment-26974" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26974" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, a atriz Olivia Colman, que interpreta Leda, está olhando para trás, por cima do seu ombro direito. Leda é uma mulher branca de meia-idade, de cabelos castanhos curtos; ela veste um maiô azul-marinho. " width="800" height="453" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-800x453.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-1024x580.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2-768x435.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_2.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26974" class="wp-caption-text">Olivia Colman é uma das atrizes da atualidade que carrega uma das melhores carreiras pós-vitória no Oscar, somando 3 indicações e 1 vitória nos últimos 4 anos de premiação (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aproveitando o tempo consigo mesma, suas pacatas férias acabam sendo tomadas por lembranças antigas apenas pela súbita chegada de uma família no local. Nela, conhece Nina (Dakota Johnson) e sua filha Elena (Athena Martin Anderson), que de imediato desencadeiam memórias da protagonista em relação a sua própria experiência materna, o que a leva a uma estranha obsessão pela jovem mãe. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sinopse ou o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s63AZRGzUtc"><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do filme podem enganar, por também não ser simples traduzir em poucas palavras ou minutos a </span><a href="https://azmina.com.br/colunas/elena-ferrante-por-que-so-se-fala-nela/"><span style="font-weight: 400;">hipnotizante experiência que Elena Ferrante criou</span></a><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como o livro, a produção não tem grandes ganchos narrativos, que prendem a atenção pelo desfecho ou em acompanhar as conquistas da personagem. Aliás, o que a obra mais faz é deixar finais de seus capítulos em aberto, o que foi fidelizado nas cenas do longa. Se podemos definir o que de fato fixa nossos olhos na tela, só poderia ser o trabalho de Olivia Colman. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/retrato-omelete-olivia-colman-de-diarista-a-rainha-elizabeth-nas-telas"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> compõe a peculiar Leda de forma que parecemos estar lendo letra por letra das descrições de Ferrante. Unida à atuação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estou-pensando-em-acabar-com-tudo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jessie Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, que interpreta a versão mais jovem da protagonista, criam, juntas, um dualismo perfeito das mudanças sofridas nas fases da vida da professora. Tudo isso não seria possível sem a condução de Gyllenhaal, tanto pelas lentes quanto pela escrita do roteiro, que consegue traduzir até mesmo as entrelinhas da obra da escritora napolitana em frente aos nossos olhos. O que não é uma tarefa nem um pouco fácil, tendo em vista a composição de fluxos de consciência em que a história original foi construída. </span></p>
<figure id="attachment_26972" aria-describedby="caption-attachment-26972" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26972" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, está a atriz Dakota Johnson, que interpreta Nina, deitada em uma espreguiçadeira na praia, olhando para o lado. Nina é uma mulher branca, de cabelos escuros e compridos; ela veste um maiô colorido." width="800" height="475" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-800x475.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1024x608.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-768x456.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1536x912.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter-1200x712.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/The-Lost-Daughter.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26972" class="wp-caption-text">Enquanto Colman foi deixada para escanteio, Buckley conseguiu uma indicação ao BAFTA como Melhor Atriz Coadjuvante (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não demora muito para a aproximação entre Leda e Nina ter uma virada de chave, quando a protagonista decide roubar a boneca da pequena Elena. E, assim, engata no acontecimento que perdura como pano de fundo durante toda a produção. A recepção para quem assiste </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode vir como uma avalanche de quebras de expectativas, talvez por esperar que a família de Toni (</span><a href="https://personaunesp.com.br/residencia-hill-critica/"><span style="font-weight: 400;">Oliver Jackson-Cohen</span></a><span style="font-weight: 400;">), marido de Nina, apontada como perigosa por motivos nunca declarados, fosse realizar algum ato direto contra a personagem; alguma filha fosse ser, de fato, perdida, ou qualquer outra reviravolta que em concepções gerais seja considerada crucial para o desenrolar da narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas o resultado final não poderia ser outro. Tanto a obra de Ferrante quanto de Gyllenhaal é composta por dosagens significativas de simbolismos, que, no cerne da palavra, não precisam ser entregues de bandeja. Diante disso, a provocação pela busca de respostas é gritante. Afinal, por que Leda decidiu roubar a boneca? Foi por inveja da relação de Nina com Elena? Como forma de ensinamento por a jovem ter cometido os mesmos erros que ela durante seu casamento? Ou até mesmo para tirar de Elena a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=G3yLgETnBBo"><span style="font-weight: 400;">imposição do anseio materno</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ela tanto negou durante a vida? </span></p>
<figure id="attachment_26975" aria-describedby="caption-attachment-26975" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-26975" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, vemos uma boneca, que está sendo segurada pelas mãos de Leda. A boneca é branca, com cabelos castanhos claros e veste um vestido azul claro." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem_5.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26975" class="wp-caption-text">Maggie Gyllenhaal já havia sido indicada ao careca dourado anteriormente, mas por sua atuação em Coração Louco, em que interpreta uma mãe solo (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sentir qualquer empatia ou apego pela história da protagonista não é algo natural quando analisamos a narrativa apenas pelo que ela nos entrega explicitamente. Mesmo que com a frieza amenizada pela interpretação de Colman, Leda não é agradável, quem dirá simpática. Não podemos esperar qualquer afeição positiva por uma mulher de meia-idade que decide viajar sozinha apenas para gozar de sua liberdade. Ao decorrer da história, também descobrimos que afeto nenhum poderia vir por uma mãe que abandonou suas filhas por três anos e sentiu que </span><i><span style="font-weight: 400;">“foi maravilhoso”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mesmo que seu ex-marido tivesse realizado feito semelhante somando os finais de semana que precisava viajar a trabalho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A regra é clara, e a personagem Nora Fanshaw, que rendeu um </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">para Laura Dern em </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, resume bem: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Nós os amamos (os pais) por suas falhas, mas as pessoas absolutamente não aceitam essas mesmas falhas nas mães. Não a aceitamos estruturalmente e não a aceitamos espiritualmente. Porque a base da nossa baboseira judaico-cristão é Maria, Mãe de Jesus, e ela é perfeita”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Se formos avaliar a cinematografia como um todo, a figura da mulher adulta é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkM_kbZbRVY"><span style="font-weight: 400;">inerente à questão materna</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se ela não tem filhos, por que não quer ter? E, se tem, onde eles estão?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que isso, é algo intocável. E, é claro, que o mesmo não é comparável aos pais. Na Televisão, basta contestar o fato do porquê costumam estranhar a falta dos comentários ou ações de Midge (Rachel Brosnahan) em relação aos seus filhos em </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-marvelous-mrs-maisel-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Marvelous Mrs. Maisel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto personagens masculinos como Kendall Roy (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><span style="font-weight: 400;">Jeremy Strong</span></a><span style="font-weight: 400;">), de </span><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i><span style="font-weight: 400;">, sequer são lembrados como pai ou contestados por sua presença nada paterna. Mesmo com todas as suas questões, Bianca e Martha continuam sendo a principal referência de Leda para qualquer aspecto. Quando conversa com Will (</span><a href="https://personaunesp.com.br/normal-people-critica/"><span style="font-weight: 400;">Paul Mescal</span></a><span style="font-weight: 400;">) e ele conta a sua idade, a primeira coisa que ela faz é associar a de sua filha. O papel materno que lhe foi empurrado goela abaixo a vida inteira continua sendo intrínseco a ela. </span></p>
<figure id="attachment_26973" aria-describedby="caption-attachment-26973" style="width: 1400px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26973" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/the-lost-daughter-dancing-1.webp" alt="Cena do filme A Filha Perdida. Nela, Leda, interpretada por Olivia Colman, está dançando em uma festa com Lyle, interpretado por Ed Harris. Leda é uma mulher branca de meia-idade, com cabelos castanhos curtos e escuros, ela usa um vestido rosa de mangas compridas. Lyle é um senhor branco, ele usa uma boina marrom, um casaco marrom escuro, e calças bege claro. É possível ver outros casais dançando ao redor deles. " width="1400" height="700" /><figcaption id="caption-attachment-26973" class="wp-caption-text">Essa edição marca a primeira vez que duas atrizes concorrem ao Oscar pela mesma personagem em um mesmo filme (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua estreia, o que Maggie Gyllenhaal faz é digno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar+2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A primazia com que transpôs a narrativa de Ferrante, e até deu novos significados a ela, ganhou sua merecida indicação em Roteiro Adaptado. A profundidade de Leda em tela também, em dose dupla, com Olivia Colman, que já virou figurinha carimbada na premiação, e Jessie Buckley estreando na categoria. No circuito independente, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lost Daughter</span></i><span style="font-weight: 400;"> levou a melhor nas principais premiações do meio, o </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-162650/"><i><span style="font-weight: 400;">Spirit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://ew.com/awards/2022-gotham-awards-winners-list/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No </span><a href="https://www.omelete.com.br/festival-de-veneza/festival-veneza-vencedores"><span style="font-weight: 400;">Festival de Veneza</span></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora ainda ganhou Melhor Roteiro, sinalizando um vindouro reconhecimento da indústria para seu trabalho atrás das câmeras.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A genialidade da narrativa nós deixamos para Ferrante, mas o trabalho sagrado de popularizar ela tem o mérito total de Gyllenhaal. Das representações maternas que temos culturalmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Filha Perdida</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma das únicas que encara a questão com sinceridade e respeito a quem ocupa aquele lugar. Apesar da falta de representatividade no audiovisual, Leda está em todos os lugares, com as imperfeições, traumas e dificuldades que carrega. Daí a coragem de Olivia, Jessie, Dakota, Maggie e Elena em conseguirem retratar uma figura com tanta honestidade. De mães, e também filhas perdidas. </span></p>
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		<title>Às vezes, tudo que precisamos é seguir No Ritmo do Coração</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 11:59:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Andreza Santos Uma família de surdos onde há apenas uma única ouvinte, a filha mais nova. Essa é a descrição inicial de CODA, que ganhou no Brasil o título No Ritmo do Coração. Ruby – a protagonista – é vivida pela talentosa Emilia Jones (Locke &#38; Key), ela é a CODA (Child of Deaf Adults,  &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/no-ritmo-do-coracao-coda-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Às vezes, tudo que precisamos é seguir No Ritmo do Coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25700" aria-describedby="caption-attachment-25700" style="width: 1005px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25700" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. Os quatro personagens estão sentados em um sofá abraçados. No lado esquerdo está Leo Rossi, interpretado pelo ator Daniel Durant. Ele é um homem branco de cabelo castanho curto. Veste uma camiseta cinza com uma camisa xadrez cinza e marrom por cima e calça jeans azul médio. Ao lado dele está Jackie Rossi, personagem de Marlee Matlin. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Utiliza uma blusa azul petróleo e calça jeans azul. Ao lado dela está Frank Rossi, interpretado por Troy Kotsur. É um homem branco de cabelo grisalho e barba média. Ele veste uma blusa cinza escuro e calça jeans cinza claro. Na direita ao lado dele está Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Utiliza uma blusa de moletom verde e calça jeans azul médio." width="1005" height="670" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25700" class="wp-caption-text">O filme venceu duas categorias no Gotham Awards, e Troy Kotsur garantiu indicações ao Globo de Ouro, ao Critics Choice e ao SAG Awards (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Andreza Santos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma família de surdos onde há apenas uma única ouvinte, a filha mais nova. Essa é a descrição inicial de </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou no Brasil o título </span><a href="https://www.primevideo.com/detail/0NGHQZ30LKKJU738BAQHVHHU4Y/ref=atv_hm_hom_c_y3hZAQ_awns_9_1?language=pt_br"><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ruby – a protagonista – é vivida pela talentosa Emilia Jones (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U6mCkzv7WPM"><i><span style="font-weight: 400;">Locke &amp; Key</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), ela é a </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://wp.ufpel.edu.br/tesouro-linguistico/2020/11/09/ser-coda-voce-sabe-o-que-isso-significa/"><span style="font-weight: 400;">Child of Deaf Adults</span></a><span style="font-weight: 400;">,  filha de adultos surdos) da família. Trabalhando durante a manhã na pescaria, ela interpreta e traduz tudo o que seu pai, mãe e irmão querem dizer para as pessoas não-surdas. Tudo muda quando ela decide entrar para o coral da escola.</span></p>
<p><span id="more-25699"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme de 2021 é inspirado no longa alemão </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2VCixeH6e_g"><i><span style="font-weight: 400;">A Música e o Silêncio</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996) da diretora Caroline Link, que por sua vez ganhou uma versão francesa em 2014 com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y0pnVZLD4eU"><i><span style="font-weight: 400;">A Família Bélier.</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Nesta interpretação estadunidense, a diretora Sian Heder (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xCke0hXoCf8"><i><span style="font-weight: 400;">Little America</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) traz um ponto de vista inovador para uma narrativa convencional de filmes de </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/dramedia-o-que-e-isso/"><span style="font-weight: 400;">dramédia</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos fazendo observar como vive uma família de surdos na sociedade, acendendo uma luz sobre o problema de inclusão e a falta de acessibilidade de pessoas com deficiência em todos os lugares.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, acompanhamos a história através da perspectiva da ouvinte, e a partir dela vemos as inúmeras dificuldades enfrentadas pela família Rossi para se expressarem. No fim, todos acabam dependendo de Ruby, que sempre está na corda bamba segurando as pontas da família, através da maneira hábil de se comunicar e traduzir a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dzYVSlgHAew"><span style="font-weight: 400;">linguagem de sinais</span></a><span style="font-weight: 400;">, que está presente em pelo menos 50% dos acontecimentos.</span></p>
<figure id="attachment_25701" aria-describedby="caption-attachment-25701" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25701" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-2.gif" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem em movimento. Os dois personagens estão em um auditório no palco. No centro da imagem está Ruby Rossi, interpretada por Emilia Jones. Ela está em pé cantando uma música, enquanto faz a linguagem de sinais com as mãos. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Veste um suéter de tricô na cor vermelha e calça verde militar. No fundo da imagem está Bernardo Villalobos, personagem de Eugenio Derbez. Ele está sentado à frente de um piano preto. É um homem latino, de cabelos grisalhos. Utiliza uma camisa preta." width="800" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-25701" class="wp-caption-text">Emilia Jones estudou durante nove meses linguagem de sinais, canto e como operar um uma traineira de pesca (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;"> passou por diversos festivais antes de seu lançamento, incluindo o de </span><a href="https://www.filmelier.com/br/noticias/coda-sundance-2021"><span style="font-weight: 400;">Sundance, onde levou 4 prêmios</span></a><span style="font-weight: 400;"> dentre eles Melhor Filme do Júri. A produção de Heder é espontânea, sensível, afetuosa e muito engraçada. A aclamação de público e crítica, fez o longa chegar até o </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao Globo de Ouro, sendo indicado em duas categorias, Melhor Filme de Drama e em Melhor Ator Coadjuvante com Troy Kotsur (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TUTlOC4mVQ8"><i><span style="font-weight: 400;">Número 23</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), pai de Ruby na trama.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> destaca a qualidade de Sian Heder como diretora e roteirista, onde segue ganhando prêmios pela sua genialidade nas duas áreas. A  boa fotografia  – pelas lentes da brilhante Paula Huidobro  –, ótimas sacadas no roteiro e uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aH-f6-QaYGU&amp;list=PLVfChAjsg5xPt-GCxyXU9K8ZklSihAkto"><span style="font-weight: 400;">bela trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> – assinada por Marius De Vries  –, transformam o longa em algo imperdível. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história que gira em torno de Ruby mostra a adolescência dela, o preconceito de seus colegas perante a família surda e o primeiro amor. Emilia Jones brilha em cena, permitindo que sua família fictícia brilhe junto dela. O longa foi </span><a href="https://variety.com/2021/film/news/apple-studios-wins-coda-in-record-breaking-25-million-sale-1234896460/"><span style="font-weight: 400;">comprado pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><i><span style="font-weight: 400;">Sundance</span></i><span style="font-weight: 400;"> por 25 milhões de dólares, tornando esse o maior valor já pago por um filme no festival. Além disso, a canção original </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jG_XmVxb1Yo"><i><span style="font-weight: 400;">Beyond The Shore,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que descreve a vida dupla que Ruby leva entre a família e a Música, está na lista de pré-indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2022, e pode surpreender na categoria.</span></p>
<figure id="attachment_25702" aria-describedby="caption-attachment-25702" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25702" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. Os três personagens estão em um consultório médico. Da esquerda para a direita está Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Veste um moletom cinza e calça jeans. No centro da imagem está Frank Rossi, interpretado por Troy Kotsur. É um homem branco de cabelo grisalho e barba média. Utiliza uma camiseta cinza e uma camisa xadrez marrom por cima e bermuda cinza. No lado direito está Jackie Rossi, personagem de Marlee Matlin. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Veste uma blusa laranja, jaqueta jeans azul e calça cinza escuro." width="1024" height="508" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3-800x397.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-3-768x381.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25702" class="wp-caption-text">A produção do filme teve cuidado com a representatividade nas telas e escalou atores surdos, diferente do que aconteceu em <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/a-surdez-atuada-por-quem-ouve-nova-aposta-do-cinema-frances-causa-polemica-antes-da-estreia-14871128">A Família Bélier</a> (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após se juntar ao coral da escola, Ruby é incentivada por Bernardo Villasboas (Eugenio Derbez) – seu professor de canto – a fazer uma audição para a faculdade de Música de Berklee, o que gira a vida dela e de sua família de cabeça para baixo. Conforme a trama se forma, podemos ver o quão afetuosos e unidos são os Rossi, apesar de todas as adversidades da vida, o amor e a felicidade prevalece entre eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O paralelo mais importante do filme se dá quando Ruby informa aos pais que quer sair de casa e ir para uma faculdade de Música. Frank vê a decisão de Ruby como algo trivial. Já Jackie – a matriarca da família – vivida pela </span><a href="https://twitter.com/midianinja/status/1386495107130593284"><span style="font-weight: 400;">vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Marlee Matlin (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D9GAeB0i3lQ"><i><span style="font-weight: 400;">The Magicians</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) não aceita de maneira alguma essa decisão da filha. O filho mais velho, Leo (Daniel Durant), vê a escolha da irmã como uma oportunidade de poder tomar conta da família e não ter que depender da caçula para se comunicar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante o terceiro e último ato do filme, vemos Ruby se apresentar com o coral da escola onde sua família vai assisti-la, mesmo não ouvindo nada do que ela canta. Nesta sequência, experimentamos como seria a cena da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=etSTNBS-Ol8"><span style="font-weight: 400;">perspectiva dos surdos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que causa um estranhamento pois para nós, os não-surdos, isso é algo incomum. Mas para eles é a forma como eles veem a vida, o que traz uma grande reflexão. O olhar genial de Sian Heder nos permite observar como a família olha para as outras pessoas da plateia, buscando um modo de entender a música e de se encaixar na sociedade, mas sem sucesso.</span></p>
<figure id="attachment_25703" aria-describedby="caption-attachment-25703" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25703" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4.jpg" alt="Cena do Filme No Ritmo do Coração. Imagem estática. As quatro pessoas presentes na imagem. Da esquerda para a direita está Miles, interpretado por Ferdia Walsh-Peelo. Ele está de costas. É um homem branco de cabelo castanho curto. Utiliza um moletom cinza claro. Ao lado dele está a diretora do filme, Sian Heder. Ela é uma mulher branca de cabelo loiro, tamanho médio. Ela veste uma camisa azul claro e calça jeans azul médio. Também tem um fone de ouvido preto envolto ao pescoço. Ao lado dela, Ruby Rossi, personagem de Emilia Jones. Ela é uma mulher branca de cabelo castanho, tamanho médio. Utiliza uma camisa xadrez azul e mochila verde militar. Atrás de Ruby, está Bernardo Villalobos, interpretado por Eugenio Derbez. Ele é um homem latino, de cabelos grisalhos. Veste uma camisa xadrez azul médio. Também está com um relógio preto." width="1600" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/01/CODA-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25703" class="wp-caption-text">Sian Heder também escreveu e dirigiu o filme <a href="https://www.youtube.com/watch?v=8WSz2s-Gemc">Tallulah</a>, de 2016 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fórmula “batida” da narrativa é bem conduzida pela diretora, que explora mais a representação familiar, apresentando um divisor de águas entre o mundo de surdos e não-surdos, onde Ruby se destaca, enquanto se desdobra nesse conflito. É difícil não se apaixonar por </span><i><span style="font-weight: 400;">CODA</span></i><span style="font-weight: 400;">, o qual também conta com um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OZe25IEmNno&amp;t=18s"><span style="font-weight: 400;">elenco primoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">, nos levando do riso às lágrimas sem esforço, em um piscar de olhos, engrandecendo ainda mais a história.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">No Ritmo do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> não precisa se esforçar para ser bom, ele é autêntico e naturalmente envolvente, aquele tipo de filme que vale a pena ser visto. É encantador, divertido e emocionante de uma forma singular. Facilmente se tornou um </span><a href="https://www.therip.com/opinion/2021/04/08/the-meaning-of-comfort-films/#:~:text=Comfort%20films%20is%20a%20popular,show%20others%20their%20favorite%20films.&amp;text=To%20me%2C%20comfort%20films%20are,global%20pandemic%20currently%20going%20on."><i><span style="font-weight: 400;">comfort movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já que foi uma experiência incrível acompanhar a jornada da família Rossi e o início da independência de Ruby. Original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, o longa está disponível no Brasil pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="No Ritmo do Coração | Trailer Oficial | Amazon Prime Video" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/vVU2ixNLOt8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Relic queima devagar e intensamente</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Mar 2021 18:57:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Qual é a responsabilidade que possuímos com os idosos que nos cercam? Devemos inverter os papéis no futuro? Se eles cuidaram de nós antes, é de se entender que cuidaremos deles depois. A troca na hierarquia familiar, que assusta e magoa todos os envolvidos, é a base de Relic, filme de estreia da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/relic-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Relic queima devagar e intensamente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19116" aria-describedby="caption-attachment-19116" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19116 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Screen-Australia-Relic.jpg" alt="Cena do filme Relic. Robyn Nevin, uma mulher de 78 anos, está sentada na ponta de uma mesa. Ela está no centro da imagem e olha para frente, com os olhos vidrados. Seu cabelo é grisalho e comprido e ela usa uma blusa rosa embaixo de um casaco branco de crochê. A sua frente, a mesa está embaçada, assim como os patros e alimentos em cima dela. Atrás, encontra-se um móvel de madeira parecido com uma estante." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Screen-Australia-Relic.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Screen-Australia-Relic-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Screen-Australia-Relic-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/Screen-Australia-Relic-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19116" class="wp-caption-text">Robyn Nevin se torna irreconhecível ao final dos 90 minutos de Relic (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Caroline Campos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual é a responsabilidade que possuímos com os idosos que nos cercam? Devemos inverter os papéis no futuro? Se eles cuidaram de nós antes, é de se entender que cuidaremos deles depois. A troca na hierarquia familiar, que assusta e magoa todos os envolvidos, é a base de </span><a href="https://nerdizmo.uai.com.br/como-o-filme-relic-transforma-elementos-naturais-da-vida-em-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">Relic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de estreia da australiana </span><a href="http://almanaquevirtual.com.br/cineastas-do-fantastico-relic-de-natalie-erika-james/"><span style="font-weight: 400;">Natalie Erika James</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, com um carinho bizarro e violento, aborda o desmantelamento da mente humana e a vulnerabilidade que inevitavelmente acarreta.  </span></p>
<p><span id="more-19115"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência foi pessoal &#8211; a avó de James teve Alzheimer e, eventualmente, passou a não reconhecer mais a neta. A diretora, então, descreve o longa como o terror do luto por alguém que ainda não se foi, se colocando em tela através de Kay (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=c7-ofLiHzVs"><span style="font-weight: 400;">Emily Mortimer</span></a><span style="font-weight: 400;">) e sua filha Sam (</span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/professor-marston-e-as-mulheres-maravilhas-bella-heathcote-desvenda-as-dificuldades-de-um-relacionamento-a-tres-entrevista-exclusiva,335ecead346631c0980e6bbefac0fbacz82ldh4e.html"><span style="font-weight: 400;">Bella Heathcote</span></a><span style="font-weight: 400;">) que são alertadas quando Edna, matriarca da família, desaparece. Três dias se passam até a idosa retornar, como se nada tivesse acontecido, e começar a apresentar comportamentos estranhos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De início, a personagem de </span><a href="https://brieftake.com/interview-relic-emily-mortimer-bella-heathcote-robyn-nevin-natalie-erika-james/"><span style="font-weight: 400;">Robyn Nevin</span></a><span style="font-weight: 400;"> remete aos idosos decrépitos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uo5o_5tJKdk"><i><span style="font-weight: 400;">A Visita</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 2015 do diretor </span><a href="https://personaunesp.com.br/vidro-critica/"><span style="font-weight: 400;">M. Night Shyamalan</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o que se assemelha a uma possessão demoníaca ou entidade sobrenatural não é nada além de alusões pontuais que Natalie Erika James constrói </span><a href="https://www.latimes.com/entertainment-arts/movies/story/2020-07-09/relic-horror-natalie-erika-james"><span style="font-weight: 400;">para discutir a demência e a síndrome</span></a><span style="font-weight: 400;"> que havia experienciado com a própria avó. Kay e Sam encontram a casa repleta de bilhetes com tarefas básicas como </span><i><span style="font-weight: 400;">“tomar pílulas”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“dar descarga”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, quando Edna reaparece, passa a delirar e se torna agressiva.</span></p>
<figure id="attachment_19117" aria-describedby="caption-attachment-19117" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19117 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/relic-new.jpg" alt="À direita da imagem, Natalie Erika James, uma mulher branca e jovem, está sentada em uma cadeira. Ela está com as pernas cruzadas, e com o braço esquerdo apoiando sua cabeça. Ela tem cabelos pretos e compridos, usa uma blusa listrada preta e branca e calça jeans, assim como um tênis de corrida. Natalie olha a esquerda, em direção a Robyn Nevin, que está desfocada. Robyn é uma mulher de 78 anos com cabelos grisalhos, que estão presos atrás da cabeça. Ela usa um tipo de camisola roxa e rosa, brincos de pérola e olha em direção ao chão. De fundo, está um móvel baixo com prateleiras de livros. Em cima dele, uma televisão e um abajur bege." width="1280" height="853" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/relic-new.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/relic-new-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/relic-new-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/relic-new-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/relic-new-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19117" class="wp-caption-text">O terror de Natalie Erika James foi comparado com O Babadook, thriller de 2014 dirigido pela também australiana Jennifer Kent (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A sacada que engata </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-relic-168429/"><i><span style="font-weight: 400;">Relic</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é exatamente o fato de James, que escreveu o roteiro ao lado de Christian White, utilizar o terror para contar uma história que poderia ser apenas outro drama familiar ou, no máximo, uma </span><a href="https://www.infoescola.com/artes-cenicas/tragicomedia/#:~:text=Segundo%20a%20defini%C3%A7%C3%A3o%20do%20Grande,de%20acontecimentos%20tr%C3%A1gicos%20e%20ris%C3%ADveis."><span style="font-weight: 400;">tragicomédia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto a idosa definha, sua casa, herança mais viva do seu passado, começa a embolorar em resposta. O mofo toma conta das paredes e vitrais na mesma medida que reclama para si as lembranças e a mente de Edna. Enquanto isso, filha e neta se sentem impotentes e constrangidas, buscando saídas que, muitas vezes, passam por cima do direito de escolha da própria mulher. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Algumas das </span><a href="https://www.espinof.com/estrenos/relic-demoledor-drama-familiar-natalie-erika-james-esconde-su-interior-gran-pelicula-terror"><span style="font-weight: 400;">artimanhas clássicas do gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> estão presentes: o monstro debaixo da cama, a tentativa de sair da casa, portas abrindo misteriosamente no escuro. Nada disso é mal utilizado por James, que incorpora efeitos práticos ao criar suas “assombrações” e não cai em conclusões triviais ao encerrar o ciclo de Edna. Ciclo que apenas se reinicia na figura de sua filha &#8211; Sam e Kay são distantes assim como Edna e Kay eram. O excelente trio de protagonistas tenta, mas não consegue escapar do </span><i><span style="font-weight: 400;">looping</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, inconscientemente, estão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como uma vela, suas personagens queimam lentamente, mas sem nunca perderem a chama. Os labirintos que prendem Edna vão a sufocando e, se antes os lembretes eram simples, agora </span><i><span style="font-weight: 400;">“meu nome é Edna”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">“saia daqui”</span></i><span style="font-weight: 400;"> assombram as paredes infiltradas e podres a deixando perdida dentro de si e dentro de casa. Quando </span><a href="https://www.indiewire.com/2020/07/relic-horror-asian-natalie-erika-james-1234572660/"><span style="font-weight: 400;">finalmente se solta do peso do delírio</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kay a acolhe como a estranha que já conheceu. Como a carcaça mórbida e mumificada de uma pessoa que não está mais lá, mas um dia esteve &#8211; e não merece ser abandonada diante de tanta fragilidade. </span></p>
<figure id="attachment_19118" aria-describedby="caption-attachment-19118" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19118 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/i392558.jpg" alt="Cena do filme relic. A câmera olha de cima para baixo. Da esquerda para direita, deitadas em uma cama estão: uma figura mumificada, com a pele preta e ressecada; a personagen de Emily Mortimer, uma mulher branca de 49 anos, com o braço esquerdo no ombro da figura. Ela tem cabelos pretos e está de olhos fechados; por último, Bella Heathcote, uma mulher branca de 33 anos, está deitada com a mão esquerda embaixo da cabeça. Ela tem cabelo loiro e uma expressão assustada. " width="1024" height="427" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/i392558.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/i392558-300x125.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/03/i392558-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19118" class="wp-caption-text">A mancha nas costas de Kay reinicia Relic (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia gelada em parceria com a atmosfera fúnebre exaltam as visões na cabana que relembram a maldição da família com outro corpo contorcido e queimado, mas sozinho. Não houve conforto nem consolo nessa morte. E assim que Kay decide não fugir da responsabilidade afetiva com a mãe e a acolhe, </span><a href="https://www.forbes.com/sites/jeffewing/2020/08/13/interview-natalie-erika-james-discusses-the-inspirations-behind-relic-one-of-the-years-best-horror-films/?sh=6ee144a53eac"><span style="font-weight: 400;">Natalie Erika James</span></a><span style="font-weight: 400;"> recheia seu longa com o afeto que suas personagens merecem. Ao invés de ficarmos assustados &#8211; afinal, ainda é um filme de terror -, </span><a href="https://cartacampinas.com.br/2020/08/relic-um-filme-de-terror-em-que-o-elemento-de-desequilibrio-e-a-demencia/"><span style="font-weight: 400;">somos tocados e cutucados</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Relic</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve sua estreia mundial no badalado </span><a href="https://cinemacao.com/2020/02/03/festival-de-sundance-2020-veja-vencedores-e-destaques/"><span style="font-weight: 400;">Festival de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Sundance</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em janeiro de 2020 e conta com </span><a href="https://personaunesp.com.br/animais-noturnos/"><span style="font-weight: 400;">Jake Gyllenhaal</span></a><span style="font-weight: 400;"> como produtor e os </span><a href="https://personaunesp.com.br/vingadores-ultimato-critica/"><span style="font-weight: 400;">irmãos Russo</span></a><span style="font-weight: 400;"> como produtores executivos. No </span><a href="https://mulhernocinema.com/noticias/pela-primeira-vez-todos-os-indicados-a-melhor-filme-no-gotham-awards-sao-dirigidos-por-mulheres/"><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> James e seu filme concorreram na categoria de Melhor Filme ao lado de outras quatro obras dirigidas por mulheres. Apesar de não ser agraciado pelas estatuetas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Relic </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma das obras de terror mais bonitas e incisivas do assustador ano de 2020. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/O0DEP345E5Y?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></div>
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		<title>O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente</title>
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		<pubDate>Thu, 04 Mar 2021 16:52:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Fonseca O Som do Silêncio, da Amazon Prime Video, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de heavy metal que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-som-do-silencio-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Som do Silêncio nos ensina a olhar para a frente"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_18591" aria-describedby="caption-attachment-18591" style="width: 835px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18591" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1.png" alt=" Cena de O som do Silêncio. Vemos Riz Ahmed, que interpreta Ruben, dos ombros à cabeça, preenchendo quase totalmente o lado esquerdo e o centro da imagem. Ele é um homem de ascendência paquistanesa, pele marrom, olhos, barba, cabelo e bigode castanhos. Está levemente inclinado para a direita, olhando para a frente, de camiseta branca. Também vemos a sua prótese auditiva, um objeto pequeno em formato de gancho em sua orelha, à esquerda. Ela está conectada a um cabo preto que desaparece atrás da cabeça de Ruben. Podemos ver uma parede branca e o batente marrom desfocados atrás dele." width="835" height="557" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1.png 835w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1-300x200.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-1-1-768x512.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-18591" class="wp-caption-text">Riz Ahmed <a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZRCSqOpPD9A">se comprometeu a ter aulas de bateria e ASL</a>, a linguagem de sinais americana, durante a sua preparação para o personagem Ruben (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Fonseca</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VFOrGkAvjAE"><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, prega uma inteligência emocional que todos gostaríamos de ter. O longa independente conta a história de um baterista de </span><i><span style="font-weight: 400;">heavy metal </span></i><span style="font-weight: 400;">que descobre no meio de uma turnê, que está ficando surdo. Esta premissa já nos faz esperar por um clichê de superação da deficiência, ou de obsessão artística, como em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5jaI1XOB-bs"><i><span style="font-weight: 400;">Cisne Negro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas, o que torna as coisas interessantes é a oposição do protagonista à própria adaptação.</span></p>
<p><span id="more-18590"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O co-criador e diretor de primeira viagem (no cinema), Darius Marder, escolheu Riz Ahmed para dar vida ao protagonista Ruben Stone. Depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">boom </span></i><span style="font-weight: 400;">na carreira com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I5dzReIxdSo"><i><span style="font-weight: 400;">O Abutre</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=am7DEDT07p8"><i><span style="font-weight: 400;">Rogue One</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Riz sujou a carteira de trabalho com </span><a href="https://personaunesp.com.br/venom-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Venom,</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e agora é um dos produtores do longa que coleciona elogios da crítica sobre as atuações e a narrativa simples, mas funcional. Imagine o trabalhão em preparar o protagonista para tocar bateria, aprender a língua dos sinais e fazer o tipo esquentado, que não se enquadra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O esforço do elenco rendeu indicações importantes a </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;">. A performance de </span><a href="https://deadline.com/2021/02/riz-ahmed-sound-of-metal-golden-globes-nominations-diversity-inclusion-representation-1234686342/"><span style="font-weight: 400;">Riz foi indicada ao Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, que também indicou Paul Raci para a categoria de Melhor Ator Coadjuvante. A dupla está aquecendo para &#8211; provavelmente &#8211; dar as caras no </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2021</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, desde o lançamento do filme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Prime Video,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em dezembro. </span></p>
<figure id="attachment_18592" aria-describedby="caption-attachment-18592" style="width: 1176px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18592" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2.png" alt="Foto de uma entrevista com o diretor de O Som do Silêncio. Vemos Darius Marder, diretor e roteirista, ao centro da imagem, do peito para cima. Ele é um homem branco de pouco mais de quarenta anos, cabelo loiro, barba grisalha e camisa de botão azul claro. Está sorrindo, enquanto segura um microfone com a mão direita na altura do queixo. O microfone é preto, com um bloco amarelo, onde está escrito IMDB. Ao fundo, há uma janela desfocada com uma luz branca e bordas acinzentadas e pretas. " width="1176" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2.png 1176w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-300x174.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-1024x594.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-2-2-768x445.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18592" class="wp-caption-text">Em entrevistas, o diretor estreante Darius Marder conta que a <a href="https://www.youtube.com/watch?v=JruqNGF22B8&amp;t=83s">inspiração para Sound of Metal</a> nasceu quando gravou um protodocumentário sobre uma banda (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">De cara, vemos um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">de Ruben e Louise, interpretada por Olivia Cooke &#8211; com um ar mais adulto do que em </span><a href="https://personaunesp.com.br/jogador-n1-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Jogador Nº 1</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os dois tocam em uma boate escura, com gente curtindo a barulheira, até vermos a outra parte de suas vidas. Eles namoram e vivem juntos em um </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não é descolado mas tem organização, é um cantinho só deles. O diretor Darius Marder é objetivo, numa hora estamos no </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, depois no </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos a rotina do casal, marcas de corte nos pulsos de Louise, nos perguntamos se ela está bem, depois voltamos à turnê.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de começar o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ruben fica parcialmente surdo. Sem explicações, somos sugestionados a acreditar que a exposição ao barulho da música é a causa, mas o filme não liga muito para isso. A </span><a href="https://super.abril.com.br/cultura/oscar-qual-a-diferenca-entre-edicao-e-mixagem-de-som/"><span style="font-weight: 400;">mixagem de som</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparece aí, ou nós percebemos a sua função, porque começamos a variar entre os sons dentro e fora da cabeça do baterista. Quando Ruben perde oitenta por cento de sua audição, nós perdemos com ele, ouvimos sons abafados e as batidas secas dos objetos ao redor. Mesmo com a perda parcial do sentido, ele toma a decisão de começar o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas, depois abandona o palco por causa da experiência assustadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais tarde, Ruben descobre que sua audição só vai diminuir até a surdez completa, e que, a única maneira de voltar a ouvir é fazer uma cirurgia caríssima para colocar próteses. O seu primeiro plano é juntar dinheiro com a turnê para fazer a tal cirurgia, mas Louise rejeita a ideia por completo. Então as coisas ficam assim: ela parte para a casa do pai, mesmo com os problemas familiares, enquanto ele vai a contragosto para uma comunidade de surdos. A química entre Riz e Olivia é interessante, o relacionamento deles é real, ótimo e péssimo, ao mesmo tempo. Talvez por causa da dependência dele. </span></p>
<figure id="attachment_18593" aria-describedby="caption-attachment-18593" style="width: 1238px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-18593" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2.png" alt="Cena de O Som do Silêncio. Vemos uma roda de doze pessoas em pé. Eles estão ao centro da imagem, com uma luz que parte de cima e ilumina os rostos de quem está ao fundo, de frente para nós. Quem mais próximo de nós está de costas, vemos as suas silhuetas. Eles estão em uma sala escura, com muita sombra na cortinas amarelas e nas prateleiras pretas, cheias de livros. " width="1238" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2.png 1238w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-300x135.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-1024x462.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-768x347.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/02/imagem-3-2-1200x542.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-18593" class="wp-caption-text">Parte do elenco do longa é composto por pessoas surdas (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio &#8211; e podemos dividir </span><i><span style="font-weight: 400;">Sound of Metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> em três atos tranquilamente -, Rubem tenta se adaptar à vida como surdo. Aos poucos ele se relaciona com as pessoas dentro da comunidade e se aproxima de Joe, o mentor interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RgVto6dhZBM"><span style="font-weight: 400;">Paul Raci</span></a><span style="font-weight: 400;">. O obstáculo para o jovem baterista é a própria aceitação, ele passa os dias preso ao seu passado e parece não aprender a lição essencial de Joe: </span><i><span style="font-weight: 400;">“não precisa consertar nada aqui”</span></i><span style="font-weight: 400;">. O veterano tenta ensinar que a surdez não é um problema, e que as pessoas da comunidade precisam ser lembradas constantemente disto. Por isso, quando vende o </span><i><span style="font-weight: 400;">trailer </span></i><span style="font-weight: 400;">e a bateria para fazer a cirurgia, Ruben é mandado embora.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É neste momento, quando é vendida, que nos lembramos da bateria. Não era para este ser um </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-whiplash-em-busca-da-perfeicao/"><i><span style="font-weight: 400;">Whiplash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com um protagonista surdo? A importância da carreira musical não desaparece, mas é deixada de lado, quase substituída pela relação entre ele e sua namorada, o que não é um problema pois </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma um rumo interessante a partir daí, começando pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KCU9f6NUvps"><span style="font-weight: 400;">visibilidade da cultura de pessoas surdas</span></a><span style="font-weight: 400;">, a adaptação de quem não nasce surdo e a problemática da visão capacitista. A obsessão de Rubem em retornar à sua vida com Louise só revela o quanto ele está se enganando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por fim, Rubem cai na real, depois de visitar Louise na casa do pai ricaço. A namorada já está em outra fase de sua vida e as próteses não funcionam como o esperado, são ruidosas, não há beleza na música e a direção de Darius Marder nos passa a percepção de desarmonia ao redor do personagem. Então, terminamos a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Som do Silêncio</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a impressão de que algo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=omtFcSoY6g0"><span style="font-weight: 400;">pode ser aprendido, sem os clichês de superação da deficiência</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas com a ideia de auto aceitação e até a visibilidade de uma comunidade que o cinema quase não ouve. </span></p>
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