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	<title>Arquivos Godspeed You! Black Emperor &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Godspeed You! Black Emperor e o anarquismo simbólico</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 27 Sep 2017 19:45:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Deus]]></category>
		<category><![CDATA[Godspeed You! Black Emperor]]></category>
		<category><![CDATA[Nilo Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nilo Vieira Em 1997, o rótulo post-rock era recente e até fazia sentido em bandas diferenciadas como o Godspeed You! Black Emperor. Os pilares centrais do rock (guitarra, baixo e bateria) estavam ali, mas eram utilizados em composições mais próximas a Steve Reich e Ennio Morricone &#8211; riffs e solos eram substituídos por texturas e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/godspeed-you-black-emperor-luciferian-critica-resenha/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Godspeed You! Black Emperor e o anarquismo simbólico"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_8588" aria-describedby="caption-attachment-8588" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-8588" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/tumblr_maq2gwZI3G1rb4rqao1_1280-1024x640.png" alt="" width="840" height="525" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/tumblr_maq2gwZI3G1rb4rqao1_1280-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/tumblr_maq2gwZI3G1rb4rqao1_1280-300x188.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/tumblr_maq2gwZI3G1rb4rqao1_1280-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/tumblr_maq2gwZI3G1rb4rqao1_1280-1200x750.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/tumblr_maq2gwZI3G1rb4rqao1_1280.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-8588" class="wp-caption-text">O Canadá de 1997 resumido em uma foto</figcaption></figure>
<p><strong>Nilo Vieira</strong></p>
<p>Em 1997, o rótulo <em>post-rock </em>era recente e até fazia sentido em bandas diferenciadas como o Godspeed You! Black Emperor. Os pilares centrais do rock (guitarra, baixo e bateria) estavam ali, mas eram utilizados em composições mais próximas a Steve Reich e Ennio Morricone &#8211; riffs e solos eram substituídos por texturas e orquestrações, peças de longa duração eram regra.<span id="more-8587"></span> Após essa descrição, soa contraditório sugerir que o noneto canadense represente também um novo capítulo na história do <a href="http://personaunesp.com.br/joao-gordo-para-o-bem-geral-um-traidor/" target="_blank" rel="noopener">movimento</a> <a href="http://personaunesp.com.br/35-anos-bad-brains-punk-negro/" target="_blank" rel="noopener"><em>punk</em></a>. Ao considerar este termo como conjunto de ideias (e não estilo musical baseado em três acordes), a comparação fica mais palpável: o nome do grupo veio de um <a href="http://www.imdb.com/title/tt0261555/" target="_blank" rel="noopener">documentário homônimo</a> sobre gangues motociclistas do Japão &#8211; <a href="https://www.youtube.com/watch?v=n-2bVOpE_zU&amp;feature=youtu.be" target="_blank" rel="noopener">assista aqui</a>, os integrantes se declaram anarquistas publicamente e lançam material pela gravadora <em>underground</em> Constellation desde sempre.</p>
<p><img decoding="async" class="alignnone size-large wp-image-8589" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997-1024x1024.jpg" alt="" width="840" height="840" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/godspeed-1997.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /></p>
<p>A influência da estética punk é nítida no disco de estreia do Godspeed You! Black Emperor, <em>F♯ A♯ ∞</em> (1997). <a href="https://www.facebook.com/cstrecords/videos/1585359998183396/" target="_blank" rel="noopener">A versão em vinil é feita de modo artesanal até hoje </a>e inclui uma moeda amassada em trilhos de trem, ao passo em que o livreto que acompanha CD parece uma zine. Se os <a href="http://personaunesp.com.br/40-anos-ramones-reacionarismo-revolucao/" target="_blank" rel="noopener">Ramones</a> romperam os padrões setentistas ao encapsular a energia do rock em canções curtas de três acordes, o GY!BE propõe o oposto. Apesar da presença de mais instrumentos, o núcleo permanece minimalista mas, entre trechos falados, <em>drones</em> e tons de <em>blues</em>, as composições se assemelham a longas colagens fragmentadas. Uma exaltação visceral da anarquia, junta do lembrete de como individualidades distintas constroem um coletivo poderoso ao longo dos tempos &#8211; como denota a capa, o processo demorou.</p>
<p>O desafio não era mais criar hinos instantâneos para a revolução, e sim prender o ouvinte por mais de quinze minutos em peças de emoção pungente. Ao invés de versos sobre destruir o sistema, encartes elaborados com ilustrações, diagramas e anotações poéticas serviam como alicerce reflexivo. Explicitar a noção de que mesmo um álbum &#8220;instrumental&#8221; não se resume à escolha de timbres é radical até hoje, ainda mais de maneira tão incisiva. Vinte anos após seu lançamento, <em>F♯ A♯ ∞</em> permanece como uma obra-prima, política em todos os aspectos.</p>
<p><iframe src="https://open.spotify.com/embed/album/7sh2Z8jj1iySpHRAnGd9w5" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
<p>Corta para setembro de 2017. Cinco anos após o retorno do Godspeed com o excelente <em>&#8216;Allelujah! Don&#8217;t Bend! Ascend!</em> (2012) &#8211; responsável junto de <a href="https://open.spotify.com/album/6cl6u3OMuyObk20qBb1jbx" target="_blank" rel="noopener"><em>The Seer</em></a> (2012), dos também pioneiros <a href="http://personaunesp.com.br/melhores-discos-junho-2016/" target="_blank" rel="noopener">Swans, </a>a injetar energia criativa de volta ao pós-rock &#8211; a onda conservadora ganha força ao redor de todo o planeta. O caos é generalizado, Donald Trump e Michel Temer rendem manchetes vexatórias a toda semana. O futuro é nebuloso.</p>
<p>Neste cenário, é lançado o sexto álbum da banda, <em>Luciferian Towers</em> (2017) e a posição política está mais demarcada que nunca. A capa remete diretamente ao <em>debut, o</em>s títulos das canções são agressivos. &#8220;Bosses Hang&#8221; (patrões enforcados), &#8220;Anthem for no State&#8221; (hino por nenhum estado), &#8220;Fam / Famine&#8221; (família e fome). Como protesto, o disco não será enviado para Israel e o <a href="http://cstrecords.com/cst126/" target="_blank" rel="noopener"><em>release</em> oficial</a> termina de maneira pragmática:</p>
<blockquote><p><b><br />
</b>finally and in conclusion;<br />
the “luciferian towers” L.P. was informed by the following grand demands:<br />
+ an end to foreign invasions<br />
+ an end to borders<br />
+ the total dismantling of the prison-industrial complex<br />
+ healthcare, housing, food and water acknowledged as an inalienable human right<br />
+ the expert fuckers who broke this world never get to speak again<b> </b></p></blockquote>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-full wp-image-8590" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/luciferian-towersc2a0artwork.jpg" alt="" width="806" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/luciferian-towersc2a0artwork.jpg 806w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/luciferian-towersc2a0artwork-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/luciferian-towersc2a0artwork-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2017/09/luciferian-towersc2a0artwork-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /></p>
<p>Tudo caminhava para um LP coerente com os tempos atuais, não pecassem os pouco mais de 40 minutos pela falta de inspiração e, pior, por jogar na zona de conforto. O noneto acerta ao voltar para composições menos lineares e não se basear em <em>crescendos</em> catárticos, mas a abordagem ambiental não funciona. Enquanto registros como <em>Lift Yr. Skinny Fists Like Antennas to Heaven!</em> (2000) e <em>Yanqui U.X.O. </em>(2002) utilizam de camadas silenciosas para imergir o ouvinte dentro da música, <em>Luciferian Towers </em>se mostra acomodado na função de trilha de fundo externa. As nuances existem, mas a falta de variação (esqueça <em>drones</em>, gravações de campo, <em>spoken word</em> e distorções massivas) torna as coisas etéreas além do recomendado.</p>
<p>Considerando que boa parte do frescor de <em>&#8216;Allelujah! Don&#8217;t Bend! Ascend!</em> (2012), marcado por composições pré-hiato, vem da guinada agressiva colocada em primeiro plano, é quase irônico que o disco mais recente tenha o som mais esperançoso da carreira do Godspeed. Talvez a mensagem seja de que, antes de ir à luta, um indivíduo precisa recuperar a própria força interior; é notável que a banda ainda preza pela construção acima da destruição, como ferramenta de emancipação espiritual e política.</p>
<p>O contraste entre texturas serenas e títulos violentos é uma interessante subversão de conceitos, e denuncia que o senso teatral que tornou o GY!BE diferenciado nos anos 90 ainda está ali. O erro fica por conta de achar que apenas a sugestão de anarquia basta. São tempos de discussões inflamadas entre quadrantes políticos, onde até memes que deveriam ir pra vala do esquecimento em horas ganham holofotes: a insistência na carga simbólica não só parece ter se confundido à carga prática, como muitas vezes aparenta ser prioridade.</p>
<p>Para um grupo que sabe conciliar críptico e sólido, faltou dosar melhor a balança desta vez. A possibilidade de <em>Luciferian Towers</em> ganhar outro sentido em cima do palco (com as tradicionais projeções de fundo e timbres mais crus) existe, mas não melhora a sensação amarga de que <em>F♯ A♯ ∞</em>, com duas décadas de idade recém completas, soa muito mais atual em 2017.</p>
<p><iframe loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2eOMttZbB9lBc9LLMj56xj" width="300" height="380" frameborder="0" allowtransparency="true"></iframe></p>
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