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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 14:25:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Arthur Caires Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lorde-morre-simbolicamente-em-virgin-so-para-experimentar-a-ressurreicao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição"</span></a></p>
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<figure id="attachment_35434" aria-describedby="caption-attachment-35434" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png" alt="A capa do álbum Virgin é uma imagem de raio-X em tons de azul, mostrando uma pelve humana feminina em posição frontal. No centro da imagem, há um zíper e uma fivela metálica sobrepostos digitalmente à imagem anatômica, além da presença de um DIU (dispositivo intrauterino) visível no útero. A composição evoca temas de feminilidade, exposição e controle do próprio corpo, reforçando o caráter visceral e simbólico do álbum." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35434" class="wp-caption-text">Corpo como território, imagem como manifesto (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz mais dúvidas do que respostas. O corpo pesa, a cabeça gira, e o que era certeza vira </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60788360"><span style="font-weight: 400;">angústia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, há algo de libertador em se permitir esse mergulho: abandonar o automático, a complacência. O caos, quando acolhido, pode ser mais revelador do que qualquer solução conveniente.</span></p>
<p><span id="more-35432"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse lugar entre o instinto e a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2025/06/26/lorde-se-abre-sobre-transtorno-alimentar-em-novo-disco-parte-de-mim-gritava-nao-se-exponha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo álbum de Lorde, habita. Um projeto que soa como um grito íntimo, daqueles que não precisam de plateia, mas que, quando ouvidos, arrepiam. Ao invés de reconstruir uma imagem, a cantora a desmonta por completo. Sem buscar finais felizes ou metáforas rebuscadas, ela entrega um disco cru, tenso e, por isso mesmo, profundamente humano. Não é sobre ser pura, e sim sobre estar viva.</span></p>
<figure id="attachment_35435" aria-describedby="caption-attachment-35435" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, posa parcialmente despida contra um fundo azul suave e etéreo. Seu cabelo escuro está preso em um rabo de cavalo baixo, e ela usa um brinco longo e prateado em formato de espiral. Com os braços dobrados à frente do corpo e os olhos fixos na câmera, sua expressão transmite introspecção, força e uma certa melancolia. A iluminação azulada acentua a atmosfera sensorial e aquática que permeia o conceito visual de Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6.png 1122w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35435" class="wp-caption-text">Lorde se desfaz para renascer do caos e da carne (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após quatro anos de reclusão artística, a neozelandesa retorna em um momento de ruptura e reinvenção pessoal. Desde o lançamento polarizador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – descompassado com as ideias da época –, a artista passou por um período de profunda transformação. O que parecia distanciamento, na verdade, era ebulição interna: ela enfrentou o fim de um relacionamento, reconheceu um transtorno alimentar e passou a explorar com mais fluidez sua identidade de gênero. Não é surpresa, portanto, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">chegue como um trabalho denso e emocionalmente exposto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos estopins criativos dessa nova fase foi sua inesperada participação no remix de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Girl, so confusing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charli XCX. Mais do que uma colaboração no álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa serviu como catalisador de um novo desejo artístico: criar algo eletrônico, dançante e ao mesmo tempo confessional. A influência da britânica paira em </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem estar diretamente nos créditos. Desta vez, Lorde deixou de lado a parceria habitual com Jack Antonoff e escolheu trabalhar com Jim-E Stack – produtor conhecido por colaborações com nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Bon Iver. A troca trouxe consequências diretas para o som do álbum: mais texturizado, dissonante e desprovido do polimento típico do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro indício dessa nova direção surgiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">What Was That</span></i><span style="font-weight: 400;">, single de estreia do álbum. A faixa marcou o reencontro de Lorde com os sintetizadores eletrônicos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas agora com ainda menos controle e mais caos. As letras lembram a franqueza adolescente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, agora reconfigurada por uma maturidade que se expressa por meio de reações quase primitivas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estamos em uma tempestade de areia e isso me nocauteia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A artista faz disso uma exposição sem filtros, pulsante, contraditória e quase animalesca.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lorde - What Was That" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1UpoZpMBM9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar provocativo à primeira vista, o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">está longe de reforçar noções tradicionais de pureza. Lorde deixa isso claro em diversas faixas – em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EV5GGEkavLo&amp;list=RDEV5GGEkavLo&amp;start_radio=1&amp;pp=ygUPY2xlYXJibHVlIGxvcmRloAcB"><i><span style="font-weight: 400;">Clearblue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, ela canta sem rodeios: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentei em você até eu chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A ideia de virgindade aqui é ressignificada: aponta para um estado de descoberta, onde o instinto guia mais do que a razão, e onde o corpo, as emoções e os impulsos são ferramentas de aprendizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa entrega aparece simbolicamente na capa e no encarte do disco, que exibe um raio-X de uma pélvis adornada com zíper, fivela e um DIU. A imagem, desconcertante e direta, sintetiza o espírito do álbum: corpo como território, feminilidade como força bruta. A metáfora visual conversa com a própria fala de Lorde sobre o </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLaoe4izPo5/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">processo criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Este álbum me quebrou e me transformou em uma nova criatura. Tenho orgulho de estar diante de vocês como ela</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lorde - Man Of The Year" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ynrSkSYirB0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por experiência e expressão plena de identidade aparece já na faixa de abertura, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P7xnBdx70GU&amp;list=RDP7xnBdx70GU&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Hammer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela canta “Alguns dias eu sou uma mulher, outros dias eu sou um homem”. Essa fluidez – de gênero, de emoção, de linguagem – atravessa todo o álbum e ganha corpo na belíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Man Of The Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos momentos mais introspectivos e reveladores do projeto, em que Lorde se questiona “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem irá me amar desse jeito?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, de certa forma, o ponto de interseção entre os caminhos que Lorde percorreu ao longo de sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/as-melhores-musicas-de-lorde-segundo-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">discografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;"> a apresentou como uma observadora precoce e cética do mundo ao seu redor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama </span></i><span style="font-weight: 400;">a transformou em cronista das emoções adultas com uma intensidade quase operática e </span><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou encontrar uma espécie de fuga: menos sobre sentir, mais sobre respirar. Porém, foi no quarto disco da cantora que todas essas versões finalmente colidiram – não para formar uma síntese pacífica, mas para abrir espaço ao conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento aparece com força em faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6msW1iM7GFI"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Daughter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0-W6AQ0J1Zc&amp;list=RD0-W6AQ0J1Zc&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, Lorde canta sobre sua relação com a mãe, a poeta Sonja Yelich, e questiona se sua carreira seria, no fundo, a realização dos sonhos maternos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque de pânico só para ser sua filha favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há uma doçura ali, porém também uma exaustão que parece ecoar as pressões invisíveis da performance afetiva. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i><span style="font-weight: 400;">, parente próxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IXwVSUexFyM&amp;pp=ygUJI2xvcmRlZmFu"><i><span style="font-weight: 400;">The Path</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela escancara a desconexão com a própria imagem pública: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu estive no pedestal, mas esta noite eu só quero cair</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ambas, o que emerge é o peso de sustentar papéis – de filha exemplar, de artista bem-sucedida – e a vontade de simplesmente poder ser, mesmo sem forma definida.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35433" aria-describedby="caption-attachment-35433" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, aparece em close-up, vestindo um moletom cinza com capuz puxado sobre a cabeça. Seu cabelo preto está levemente bagunçado pelo vento e seus olhos encaram diretamente a câmera, transmitindo uma expressão séria e vulnerável. O fundo metálico e prateado cria um contraste frio com o tom da sua pele clara, reforçando a estética crua e intimista associada à era Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5.png 1122w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35433" class="wp-caption-text">“Estou orgulhosa e com medo deste álbum, não há onde se esconder” (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova fase, Lorde abandona a postura de quem tem todas as respostas para assumir a dúvida. Aos 28 anos, já distante da adolescente sabe-tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se apresenta mais vulnerável do que nunca. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estou pronta para sentir que não tenho as respostas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara, abrindo um disco que não busca soluções, e sim a liberdade de sentir sem censura. O álbum revela uma artista que não teme mais se perder – e que entende que o </span><a href="https://www.rnz.co.nz/life/music/lorde-s-ride-of-existential-crises-can-finally-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">inacabado</span></a><span style="font-weight: 400;"> também tem valor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aqz3PJFeMRM"><i><span style="font-weight: 400;">If She Could See Me Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se orgulha dessa coragem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nado em águas que afogariam tantas outras</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há beleza no desconforto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, antes de tudo, um retrato de quem escolhe continuar mesmo sem saber o destino. Como escreveu Clarice Lispector em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a personagem Macabéa: “Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Virgin" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/28bHj2enHkHVFLwuWmkwlQ?si=2-W30vZcR3iZwlhzW8SdFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>A subversão em camadas de Brat and it&#8217;s completely different but also still brat</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Oct 2024 14:20:28 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Von dutch a. g. cook remix featuring Addison Rae]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34151</guid>

					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Não é novidade que ‘ser brat’ é sobre quebrar regras. Charli XCX não só entende isso como vive essa filosofia há um bom tempo. Brat and it&#8217;s completely different but also still brat é paradoxal e só poderia ser assim. A coletânea de remixes – se é que podemos definir assim – não &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A subversão em camadas de Brat and it&#8217;s completely different but also still brat"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34153" aria-describedby="caption-attachment-34153" style="width: 886px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34153" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-4.png" alt="Capa do álbum de remixes de brat. Imagem quadrada com fundo verde vibrante contendo texto em preto, exibido de forma invertida (espelhada). A frase é: 'Brat and it's completely different but also still Brat', traduzindo-se para 'Brat e é completamente diferente, mas ainda assim Brat'." width="886" height="886" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-4.png 886w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-4-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-4-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-4-768x768.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34153" class="wp-caption-text">Em entrevista à Apple Music, Charli XCX revelou que o motivo da simplicidade da capa de Brat foi para economizar na sessão de fotos (Foto: Atlantic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é novidade que ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i><span style="font-weight: 400;">’ é sobre quebrar regras. Charli XCX não só entende isso como vive essa filosofia há um bom tempo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Brat and it&#8217;s completely different but also still brat</span></i><span style="font-weight: 400;"> é paradoxal e só poderia ser assim. A coletânea de </span><i><span style="font-weight: 400;">remixes</span></i><span style="font-weight: 400;"> – se é que podemos definir assim – não se trata da adição de versos ou uma versão estendida; é uma desconstrução completa do </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><span style="font-weight: 400;">álbum original</span></a><span style="font-weight: 400;">, completamente diferente e, ainda assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-34151"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais lento, impregnado de colaborações e profundamente diferente, ele chega a soar como a versão primária quando aplicamos o que comumente consumimos como </span><i><span style="font-weight: 400;">remix</span></i><span style="font-weight: 400;">. O álbum conta com a produção de A. G. Cook e Danny L Harle, mestres do experimentalismo eletrônico que moldaram o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/hyperpop/"><i><span style="font-weight: 400;">hyperpop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/pc-music-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">PC Music</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como os conhecemos. Com um toque etéreo, as faixas são mergulhadas em novas camadas de distorção e vulnerabilidade. Ironicamente, com sua atmosfera eletrônica frenética e caótica, </span><i><span style="font-weight: 400;">Brat</span></i><span style="font-weight: 400;"> poderia facilmente ser o verdadeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">remix</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charli xcx - 360 featuring robyn and yung lean (official lyric video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/bvy6aox2Sgw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Por que mudar todas as músicas? Porque ela quer e pode. E quem quiser a versão original, que volte para ela. Reclamar disso é como resmungar sobre um </span><i><span style="font-weight: 400;">buffet</span></i><span style="font-weight: 400;"> que oferece dezenas de opções: escolha o que quiser e vá em frente. XCX nos dá </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">fartura sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> e liberdade total. O </span><i><span style="font-weight: 400;">remix</span></i><span style="font-weight: 400;"> não substitui, ele expande, amplia e destrói ao mesmo tempo. É completamente diferente. Ela sabe disso e nós sabemos disso, não foi falta de aviso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para alguns, pode soar frustrante, mas essa é exatamente a graça: não entregar ao público o que ele espera – algumas vezes funciona, outras nem tanto. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sympathy is a klnife featuring ariana grande</span></i><span style="font-weight: 400;">, a aguardada colaboração com a ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">dangerous woman</span></i><span style="font-weight: 400;">’, é para quem alcançou o topo e descobriu que a vista é solitária. Enquanto todos esperavam que Grande assumisse o protagonismo, ela surge como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">backing vocal</span></i><span style="font-weight: 400;"> quase imperceptível, jogando contra as expectativas e deixando um gosto agridoce. É o desconforto em forma de som e do que ele poderia ser.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lp8TaMWU-Ho"><i><span style="font-weight: 400;">B2b featuring tinashe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, segunda colaboração com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/quantum-baby-critica/"><span style="font-weight: 400;">intérprete de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nasty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é um dos momentos mais iluminados do projeto. A química entre as duas se renova e brilha </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oqtunQ4yd30"><span style="font-weight: 400;">mais uma vez</span></a><span style="font-weight: 400;">, celebrando a trajetória de ambas. As artistas relembram sucessos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-s7TCuCpB5c"><i><span style="font-weight: 400;">2 On</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AOPMlIIg_38"><i><span style="font-weight: 400;">Boom Clap</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto a faixa carrega a energia pulsante de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4qyUb4OU_P8"><i><span style="font-weight: 400;">5 In The Morning</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É como se as duas se reconhecessem e abraçassem nesse reencontro, celebrando anos de luta, perseverança e evolução artística em uma indústria implacável.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DAuEpiXPaQA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/DAuEpiXPaQA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/DAuEpiXPaQA/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Charli (@charli_xcx)</a></p>
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</blockquote>
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<p><span style="font-weight: 400;">A campanha visual foi um espetáculo à parte. </span><i><span style="font-weight: 400;">Outdoors</span></i><span style="font-weight: 400;"> espalhados pelos Estados Unidos anunciaram as colaborações como se fossem atrações de um festival: Ariana Grande, Tinashe, </span><a href="https://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/notes-on-a-conditional-form-critica/"><span style="font-weight: 400;">The 1975</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lorde, Troye Sivan, </span><a href="https://personaunesp.com.br/when-we-all-fall-asleep-where-do-we-go-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish</span></a><span style="font-weight: 400;">, shygirl e muitos outros. Cada um, cuidadosamente escolhido, foi encaixado em faixas que potencializam o tema original. Essas escolhas foram estupidamente precisas.</span></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, traz uma sensibilidade quase espectral à faixa em que participa, com vocais suaves que pairam como uma névoa e ressoam sobre polêmicas de anos: a rivalidade feminina encontra sua redenção em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0q3K6FPzY18"><i><span style="font-weight: 400;">Girl, so confusing</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">featuring lorde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Já </span><i><span style="font-weight: 400;">365</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">featuring shygirl</span></i><span style="font-weight: 400;">, é pura insanidade sonora. Um frenesi eletrizante que invade os sentidos, como se cada batida fosse uma chicotada, com menos batidas por minuto em relação à primeira versão, mas tão potente quanto.</span></p>
<figure id="attachment_34152" aria-describedby="caption-attachment-34152" style="width: 886px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34152" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-3.png" alt="Fotografia de uma apresentação ao ar livre da cantora Charli Xcx, uma mulher  de cabelos pretos e blusa branca que está atrás de uma mesa de som verde, tocando para uma grande multidão. Ao fundo, uma estrutura verde-limão exibe textos pretos invertidos e desordenados. A luz do sol ilumina o ambiente, e várias pessoas na plateia parecem estar aproveitando o evento, usando óculos escuros e roupas casuais." width="886" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-3.png 886w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image1-3-768x511.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34152" class="wp-caption-text">Poliglota: os áudios em espanhol e francês de Talk talk featuring troye sivan são da Dua Lipa (Foto: Henry Redcliffe)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a melancólica</span><i><span style="font-weight: 400;"> I might say something stupid</span></i><span style="font-weight: 400;"> featuring</span><i><span style="font-weight: 400;"> The 1975 &amp; Jon Hopkins</span></i><span style="font-weight: 400;"> captura o peso do arrependimento, a agitada </span><i><span style="font-weight: 400;">B2b featuring tinashe</span></i><span style="font-weight: 400;">, celebra as garotas </span><i><span style="font-weight: 400;">workaholics. Enquanto Talk talk featuring </span></i><a href="https://personaunesp.com.br/something-to-give-each-other-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">troye sivan</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">provoca: “</span><i><span style="font-weight: 400;">vamos para minha casa?</span></i><span style="font-weight: 400;">”, </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything is romantic</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">featuring Caroline Polachek</span></i><span style="font-weight: 400;">, desacelera em uma balada trágica e esperançosa. Lado a lado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Von dutch a. g. cook remix featuring</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Addison Rae</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=huGd4efgdPA"><i><span style="font-weight: 400;">Guess</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">featuring</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Billie Eilish </span></i><span style="font-weight: 400;">são </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;">, clássico, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, e brincam com calcinhas deixadas para trás. Essas e outras faixas têm seu momento: o que hoje é um </span><i><span style="font-weight: 400;">skip</span></i><span style="font-weight: 400;">, amanhã é o </span><i><span style="font-weight: 400;">repeat</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo é sobre fartura e liberdade, que não agradam a todos e tampouco se preocupam em ser previsíveis. A dinâmica das colaborações não é só complementar; elas expandem o que as primeiras versões tinham a dizer. Definitivamente não são enfeites, mas peças-chave e indispensáveis, na maioria dos casos. Mesmo que algumas faixas não tenham suprido as expectativas de alguns, ainda sobram 16 no original e mais três na </span><a href="https://open.spotify.com/album/316O0Xetgx2NJLRgJBw4uq"><span style="font-weight: 400;">versão </span><i><span style="font-weight: 400;">deluxe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote class="instagram-media" data-instgrm-captioned data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/DA_sO1WvX1k/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14" style=" background:#FFF; border:0; border-radius:3px; box-shadow:0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width:658px; min-width:326px; padding:0; width:99.375%; width:-webkit-calc(100% - 2px); width:calc(100% - 2px);">
<div style="padding:16px;"> <a href="https://www.instagram.com/p/DA_sO1WvX1k/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" background:#FFFFFF; line-height:0; padding:0 0; text-align:center; text-decoration:none; width:100%;" target="_blank"> </p>
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<p></a></p>
<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/DA_sO1WvX1k/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Charli (@charli_xcx)</a></p>
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<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Brat and it&#8217;s completely different but also still brat </span></i><span style="font-weight: 400;">é um manifesto sobre liberdade criativa e uma rejeição declarada à ideia de que algo precisa ser definitivo. A artista nos convida a abraçar </span><a href="https://personaunesp.com.br/nimona-critica/"><span style="font-weight: 400;">o imprevisível</span></a><span style="font-weight: 400;">, aceitando que a Arte nunca está pronta e, sim,  em constante construção, como nós. No fim, o álbum é uma metáfora para a própria vida: nada é imutável e cada versão é só mais uma entre tantas outras possíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não gostou? Sem problemas. A versão original ainda está disponível, esperando por você. Agora temos mais opções. Podemos comparar, escolher ou simplesmente nos perder em todas elas. Em um mundo obcecado por estabilidade e nostalgia, Charli XCX nos lembra que a verdadeira diversão está na transformação constante. Afinal, ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i><span style="font-weight: 400;">’ é isso: </span><a href="https://personaunesp.com.br/curtindo-a-vida-adoidado-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">viver sem pedir permissão</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Brat and it’s completely different but also still brat" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/36P07bti6xD99o7S1acmin?utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/">A subversão em camadas de Brat and it&#8217;s completely different but also still brat</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Garota, Mulher, Outras e a sonoridade de cada pessoa</title>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2021 14:20:14 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabella Siqueira A partir de uma narrativa quase poética e única, Garota, Mulher, Outras já pode (e deve) ser considerado um clássico da literatura britânica. Sua autora, Bernardine Evaristo, traça com cuidado as histórias de 12 protagonistas diferentes, que são ligadas por um fio condutor que compreende todo o século XX no Reino Unido. Indo além &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Garota, Mulher, Outras e a sonoridade de cada pessoa"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/">Garota, Mulher, Outras e a sonoridade de cada pessoa</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_19611" aria-describedby="caption-attachment-19611" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19611" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Garota, Mulher, Outras. A capa do livro apresenta um desenho de uma mulher negra que veste uma roupa preta e cinza estampada com flores e plantas. A mulher possui olhos pretos e cabelos pretos curtos, e usa ainda um brinco de pérola. O título do livro está no canto inferior direito em branco, e o nome da autora, Bernardine Evaristo, está na cor verde água. O cenário atrás da mulher é uma parede verde com estampa de folhas, e uma moldura de quadro. O selo da editora, Companhia das Letras, está em escritos brancos no canto superior esquerdo. " width="550" height="824" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-200x300.jpg 200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/91UMqMH8NsL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-19611" class="wp-caption-text">Garota, Mulher, Outras foi trazido ao Brasil pela Companhia das Letras com a cuidadosa tradução de Camila Von Holdefer (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><b>Isabella Siqueira</b></p>
<p>A partir de uma narrativa quase poética e única, <i>Garota, Mulher, Outras</i> já pode (e deve) ser considerado um clássico da literatura britânica. Sua autora, <a href="https://brasil.elpais.com/babelia/2020-06-12/bernardine-evaristo-o-black-lives-matter-e-o-metoo-ja-mudaram-a-sociedade.html">Bernardine Evaristo</a>, traça com cuidado as histórias de 12 protagonistas diferentes, que são ligadas por um fio condutor que compreende todo o século XX no Reino Unido. Indo além da riqueza de referências culturais, políticas e sociais que a obra apresenta, é no âmbito sentimental que a trama floresce.</p>
<p><span id="more-19610"></span></p>
<p>O livro vencedor do <a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2019/10/15/sem-conseguir-decidir-juri-do-booker-prize-escolhe-duas-ganhadoras"><i>Booker Prize</i></a> de 2019, e que consagrou Evaristo como a primeira e única mulher negra a ser contemplada com o prêmio, entrega uma envolvente trama sobre pluralidade. Nomes como <a href="https://www.thebookseller.com/news/barack-obama-hails-girl-woman-other-and-normal-people-his-favourite-books-2019-1144076">Barack Obama</a> e <a href="https://lithub.com/roxane-gays-favorite-book-of-2019-was-girl-woman-other/">Roxane Gray</a> já fizeram referência a obra, que contempla sob uma nova ótica assuntos como sexualidade, classe, racismo e opressão.</p>
<p>Lançado no Brasil em 2020, <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/detalhe.php?codigo=14850"><i>Garota, Mulher, Outras</i></a> tem uma divisão marcada em 5 partes &#8211; as quatro primeiras focadas nas <a href="https://www.otempo.com.br/diversao/garota-mulher-outras-de-autora-que-vem-a-flip-reflete-bem-a-atualidade-1.2413604">12 protagonistas</a> centrais e a quinta parte consistindo no último evento que relaciona todas as histórias &#8211; se descobre que cada relato é possivelmente mais interessante que o anterior. Assim, talvez, o único defeito da obra esteja no próprio leitor, que em muitos momentos espera algumas páginas a mais de cada história, uma continuação do envolvente retrato apresentado.</p>
<figure id="attachment_19612" aria-describedby="caption-attachment-19612" style="width: 1240px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-19612" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bernardine-1240x698-1.jpg" alt="Foto da autora Bernardine Evaristo. A autora é uma mulher negra, com cabelos castanhos crespos médios, ela utiliza no cabelo uma tiara estampada e brincos de argola prateados. Ela veste um blazer pink, uma camisa branca e uma gravata frouxa preta O cenário atrás contém muitas pessoas em desfoque." width="1240" height="698" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bernardine-1240x698-1.jpg 1240w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bernardine-1240x698-1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bernardine-1240x698-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bernardine-1240x698-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/bernardine-1240x698-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-19612" class="wp-caption-text">Em 2019, Bernardine dividiu o prêmio Booker Prize com a autora canadense Margaret Atwood, premiada pelo livro Os Testamentos (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Ainda, a <a href="https://afroliteraria.com.br/garota-mulher-outras-uma-obra-unica-e-plural/">narrativa</a> brilhante da autora não ajuda. O aspecto fluído, composto por versos livres, curtos, sem letras maiúsculas ou ponto final, dão um ar poético à obra, sendo difícil não recitar algumas passagens mais emotivas. <a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/literatura,garota-mulher-outras-traz-uma-escrita-engenhosa-sobre-raca-identidade-e-sexualidade,70003477139"><i>Garota, Mulher, Outras</i></a> possui uma sonoridade própria mesmo sem rimas, tornando memoráveis até as cenas mais incômodas, como as de tortura piscologica e abusos sexuais, sem a necessidade de descrições diretas. De início, é até difícil situar quando está acontecendo um diálogo ou não, dado que a autora navega entre os dois sem deixar claro, o que produz o tipo de livro que exige, muitas vezes, uma segunda leitura.</p>
<p>Também é perceptível em sua escrita, como ela interpreta a vivência, personalidade e classe social da personagem sem a necessidade de uma narrativa em primeira pessoa, por meio de expressões, sotaque estrangeiro e gírias. A exemplo da parte de Yazz, representada pelo tom moderno da jovem que vive no mundo das <i>hashtags</i> e de expressões como <i>Squad</i>, ao invés de grupo de amigas.</p>
<p>Ou, até, quando é possível diferenciar o discurso otimista de LaTisha, personagem que brinca até em momentos traumáticos, em comparação com a narrativa séria de Carole, que adquiriu aos poucos o tom formal do seu novo círculo social durante a faculdade, e acaba negando os costumes nigerianos da mãe, Bummi. Nota-se também o cuidado da autora <a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/A-experiencia-de-traduzir-e-ler-Bernardine-Evaristo">(e da tradutora)</a> em utilizar <a href="https://medium.com/@pedrosttv/sistema-elu-linguagem-neutra-em-g%C3%A9nero-pt-pt-9529ed3885cf">pronomes adequados</a> ao escrever a narrativa da <i>twitteira </i>e <i>influencer</i> Morgan, que foi criade como menina, mas que se identifica com <a href="https://revistamarieclaire.globo.com/Comportamento/noticia/2020/12/lingua-para-todes-um-ensaio-sobre-o-genero-neutro.html">gênero neutro</a> a alguns anos.</p>
<blockquote><p><i>“Megan decidiu testar Elu e Delu, o mais importante pra mim é que eu sei como me sinto, e um dia o resto do mundo vai poder me alcançar, mesmo que seja uma revolução silenciosa e mais longa que minha vida, se é que vai acontecer.”</i></p></blockquote>
<p>O estilo único da narrativa de Evaristo encaixa perfeitamente com as histórias contadas, a diversidade de experiências apresentadas casa com a semelhança entre todas as personagens. Se propondo a trazer 11 mulheres, em sua maioria negras, e uma pessoa não binárie, mesmo que separadas pela geração ou pelo espaço, é impossível negar que todas são ligadas pela independência.</p>
<p>Com idades variando entre a protagonista mais jovem, Yazz, de 19 anos, e a mais velha, Hattie, de 93 anos, cada personagem se recusa a ser subjugada pelo ambiente hostil em que vive, seja na Inglaterra, Nigéria e Barbados, sendo elas imigrantes ou filhas de imigrantes. A pluralidade de histórias forma uma conversa entre gerações, a trama traz aos poucos como a opressão, a <a href="https://www.brasildefato.com.br/2020/01/31/brexit-muda-as-relacoes-pessoais-e-imigrantes-relatam-incertezas">imigração</a> e a estrutura da sociedade ajudou a formar uma nova realidade, um novo Reino Unido, para cada uma delas.</p>
<p>Embora as temáticas abordadas deem a impressão de uma trama forte sobre militância social, a autora opta por não transformar cada protagonista em apenas uma voz de um discurso comum. Questões de raça, classe e sexualidade são levantadas no romance sem qualquer pretensão panfletária. Ainda com um humor refinado, Evaristo ironiza, mas sem desrespeitar, os grupos militantes, que hoje estão em tantas subdivisões que fica até difícil acompanhar.</p>
<blockquote><p><i>“As feministas radicais queriam alojamentos só de mulheres, autogeridos por uma cooperativa</i></p>
<p><i>As feministas radicais lésbicas queriam alojamentos separados das feministas radicais não lésbicas, também autogeridos por uma cooperativa</i></p>
<p><i>As feministas radicais lésbicas e negras queriam a mesma coisa, mas que nenhum branquelo de qualquer gênero entrasse lá”</i></p></blockquote>
<p>Ainda que aborde assuntos que não são novos para a <a href="https://personaunesp.com.br/serie-napolitana-critica/">literatura contemporânea</a>, mas que são inovadores tendo em vista os anos de antiquados romances clássicos, Evaristo dá um passo além. Ousando levantar pautas ainda não muito exploradas até para os mais progressistas, como no capítulo sufocante de Dominique, que aborda desde o início um relacionamento abusivo e a violência entre um casal homoafetivo, tendo como pano de fundo uma curiosa comunidade de mulheres nos Estados Unidos.</p>
<p>Em diversos momentos, as personagens se questionam sobre suas atitudes e posicionamentos, o que é feminista o bastante ou o que não é &#8211; cada uma com apenas o espaço e tempo em que está inserida para guiar suas decisões. Indo de mulheres que desde jovens foram iniciadas em um contexto empoderado, até outras que viveram o conflito familiar gerado pela diferença de décadas, é muito insensível julgar as atitudes de cada protagonista, analisando <a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/resenhas/literatura/estar-juntas"><i>Garota, Mulher, Outras</i></a> sob uma ótica unificada do que é ser mulher.</p>
<figure id="attachment_19613" aria-describedby="caption-attachment-19613" style="width: 532px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-19613" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-667x1024.jpg" alt="Capa da edição em inglês do livro. A capa é amarela, com uma mulher negra desenhada, ela está de perfil e utiliza um lenço no cabelo, que é estampado com as cores: vermelho, azul e rosa claro. O título do livro e o nome da autora estão em letras brancas ao centro da capa. E o símbolo da editora, Penguin, está no canto inferior direito. " width="532" height="817" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-667x1024.jpg 667w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-195x300.jpg 195w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-768x1179.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-1001x1536.jpg 1001w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-1334x2048.jpg 1334w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL-1200x1842.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/04/81BBjotEQHL.jpg 1668w" sizes="auto, (max-width: 532px) 85vw, 532px" /><figcaption id="caption-attachment-19613" class="wp-caption-text">Edição em inglês do livro, publicada pela Penguin (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p>Com o passar da obra, fica claro que o laço que relaciona cada conjunto de histórias é de amizade ou familiar, a autora dá ênfase em relacionamentos entre amigas e mães e filhas. O próximo relato tem origem no anterior, a perspectiva que precede a outra é questionada em razão da nova, e cada história encontra dois lados.</p>
<p>Apesar de mostrar experiências traumáticas e se concentrar em personagens cujas vidas não foram confortáveis, <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/trump-a-ultima-pessoa-que-leria-meu-livro-diz-bernardine-evaristo-atracao-da-flip-virtual-24771987">Bernardine Evaristo</a> não se concentra no horror e na miséria. Muito pelo contrário, o que sua obra deixa é a singularidade de cada personagem, e como ela consegue com muita sutileza relacionar cada narrativa. O cuidado e respeito caracterizam <i>Garota, Mulher, Outras</i>, a oitava obra da escritora anglo-nigeriana, que se tornou um fenômeno editorial por sua coragem e sensibilidade extrema.</p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/garota-mulher-outras-critica/">Garota, Mulher, Outras e a sonoridade de cada pessoa</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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