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	<title>Arquivos Girl So Confusing &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 14:25:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Arthur Caires Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lorde-morre-simbolicamente-em-virgin-so-para-experimentar-a-ressurreicao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição"</span></a></p>
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<figure id="attachment_35434" aria-describedby="caption-attachment-35434" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png" alt="A capa do álbum Virgin é uma imagem de raio-X em tons de azul, mostrando uma pelve humana feminina em posição frontal. No centro da imagem, há um zíper e uma fivela metálica sobrepostos digitalmente à imagem anatômica, além da presença de um DIU (dispositivo intrauterino) visível no útero. A composição evoca temas de feminilidade, exposição e controle do próprio corpo, reforçando o caráter visceral e simbólico do álbum." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35434" class="wp-caption-text">Corpo como território, imagem como manifesto (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz mais dúvidas do que respostas. O corpo pesa, a cabeça gira, e o que era certeza vira </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60788360"><span style="font-weight: 400;">angústia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, há algo de libertador em se permitir esse mergulho: abandonar o automático, a complacência. O caos, quando acolhido, pode ser mais revelador do que qualquer solução conveniente.</span></p>
<p><span id="more-35432"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse lugar entre o instinto e a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2025/06/26/lorde-se-abre-sobre-transtorno-alimentar-em-novo-disco-parte-de-mim-gritava-nao-se-exponha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo álbum de Lorde, habita. Um projeto que soa como um grito íntimo, daqueles que não precisam de plateia, mas que, quando ouvidos, arrepiam. Ao invés de reconstruir uma imagem, a cantora a desmonta por completo. Sem buscar finais felizes ou metáforas rebuscadas, ela entrega um disco cru, tenso e, por isso mesmo, profundamente humano. Não é sobre ser pura, e sim sobre estar viva.</span></p>
<figure id="attachment_35435" aria-describedby="caption-attachment-35435" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, posa parcialmente despida contra um fundo azul suave e etéreo. Seu cabelo escuro está preso em um rabo de cavalo baixo, e ela usa um brinco longo e prateado em formato de espiral. Com os braços dobrados à frente do corpo e os olhos fixos na câmera, sua expressão transmite introspecção, força e uma certa melancolia. A iluminação azulada acentua a atmosfera sensorial e aquática que permeia o conceito visual de Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6.png 1122w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35435" class="wp-caption-text">Lorde se desfaz para renascer do caos e da carne (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após quatro anos de reclusão artística, a neozelandesa retorna em um momento de ruptura e reinvenção pessoal. Desde o lançamento polarizador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – descompassado com as ideias da época –, a artista passou por um período de profunda transformação. O que parecia distanciamento, na verdade, era ebulição interna: ela enfrentou o fim de um relacionamento, reconheceu um transtorno alimentar e passou a explorar com mais fluidez sua identidade de gênero. Não é surpresa, portanto, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">chegue como um trabalho denso e emocionalmente exposto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos estopins criativos dessa nova fase foi sua inesperada participação no remix de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Girl, so confusing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charli XCX. Mais do que uma colaboração no álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa serviu como catalisador de um novo desejo artístico: criar algo eletrônico, dançante e ao mesmo tempo confessional. A influência da britânica paira em </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem estar diretamente nos créditos. Desta vez, Lorde deixou de lado a parceria habitual com Jack Antonoff e escolheu trabalhar com Jim-E Stack – produtor conhecido por colaborações com nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Bon Iver. A troca trouxe consequências diretas para o som do álbum: mais texturizado, dissonante e desprovido do polimento típico do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro indício dessa nova direção surgiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">What Was That</span></i><span style="font-weight: 400;">, single de estreia do álbum. A faixa marcou o reencontro de Lorde com os sintetizadores eletrônicos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas agora com ainda menos controle e mais caos. As letras lembram a franqueza adolescente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, agora reconfigurada por uma maturidade que se expressa por meio de reações quase primitivas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estamos em uma tempestade de areia e isso me nocauteia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A artista faz disso uma exposição sem filtros, pulsante, contraditória e quase animalesca.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lorde - What Was That" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1UpoZpMBM9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar provocativo à primeira vista, o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">está longe de reforçar noções tradicionais de pureza. Lorde deixa isso claro em diversas faixas – em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EV5GGEkavLo&amp;list=RDEV5GGEkavLo&amp;start_radio=1&amp;pp=ygUPY2xlYXJibHVlIGxvcmRloAcB"><i><span style="font-weight: 400;">Clearblue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, ela canta sem rodeios: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentei em você até eu chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A ideia de virgindade aqui é ressignificada: aponta para um estado de descoberta, onde o instinto guia mais do que a razão, e onde o corpo, as emoções e os impulsos são ferramentas de aprendizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa entrega aparece simbolicamente na capa e no encarte do disco, que exibe um raio-X de uma pélvis adornada com zíper, fivela e um DIU. A imagem, desconcertante e direta, sintetiza o espírito do álbum: corpo como território, feminilidade como força bruta. A metáfora visual conversa com a própria fala de Lorde sobre o </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLaoe4izPo5/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">processo criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Este álbum me quebrou e me transformou em uma nova criatura. Tenho orgulho de estar diante de vocês como ela</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lorde - Man Of The Year" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ynrSkSYirB0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por experiência e expressão plena de identidade aparece já na faixa de abertura, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P7xnBdx70GU&amp;list=RDP7xnBdx70GU&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Hammer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela canta “Alguns dias eu sou uma mulher, outros dias eu sou um homem”. Essa fluidez – de gênero, de emoção, de linguagem – atravessa todo o álbum e ganha corpo na belíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Man Of The Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos momentos mais introspectivos e reveladores do projeto, em que Lorde se questiona “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem irá me amar desse jeito?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, de certa forma, o ponto de interseção entre os caminhos que Lorde percorreu ao longo de sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/as-melhores-musicas-de-lorde-segundo-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">discografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;"> a apresentou como uma observadora precoce e cética do mundo ao seu redor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama </span></i><span style="font-weight: 400;">a transformou em cronista das emoções adultas com uma intensidade quase operática e </span><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou encontrar uma espécie de fuga: menos sobre sentir, mais sobre respirar. Porém, foi no quarto disco da cantora que todas essas versões finalmente colidiram – não para formar uma síntese pacífica, mas para abrir espaço ao conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento aparece com força em faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6msW1iM7GFI"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Daughter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0-W6AQ0J1Zc&amp;list=RD0-W6AQ0J1Zc&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, Lorde canta sobre sua relação com a mãe, a poeta Sonja Yelich, e questiona se sua carreira seria, no fundo, a realização dos sonhos maternos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque de pânico só para ser sua filha favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há uma doçura ali, porém também uma exaustão que parece ecoar as pressões invisíveis da performance afetiva. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i><span style="font-weight: 400;">, parente próxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IXwVSUexFyM&amp;pp=ygUJI2xvcmRlZmFu"><i><span style="font-weight: 400;">The Path</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela escancara a desconexão com a própria imagem pública: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu estive no pedestal, mas esta noite eu só quero cair</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ambas, o que emerge é o peso de sustentar papéis – de filha exemplar, de artista bem-sucedida – e a vontade de simplesmente poder ser, mesmo sem forma definida.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35433" aria-describedby="caption-attachment-35433" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, aparece em close-up, vestindo um moletom cinza com capuz puxado sobre a cabeça. Seu cabelo preto está levemente bagunçado pelo vento e seus olhos encaram diretamente a câmera, transmitindo uma expressão séria e vulnerável. O fundo metálico e prateado cria um contraste frio com o tom da sua pele clara, reforçando a estética crua e intimista associada à era Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5.png 1122w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35433" class="wp-caption-text">“Estou orgulhosa e com medo deste álbum, não há onde se esconder” (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova fase, Lorde abandona a postura de quem tem todas as respostas para assumir a dúvida. Aos 28 anos, já distante da adolescente sabe-tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se apresenta mais vulnerável do que nunca. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estou pronta para sentir que não tenho as respostas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara, abrindo um disco que não busca soluções, e sim a liberdade de sentir sem censura. O álbum revela uma artista que não teme mais se perder – e que entende que o </span><a href="https://www.rnz.co.nz/life/music/lorde-s-ride-of-existential-crises-can-finally-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">inacabado</span></a><span style="font-weight: 400;"> também tem valor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aqz3PJFeMRM"><i><span style="font-weight: 400;">If She Could See Me Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se orgulha dessa coragem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nado em águas que afogariam tantas outras</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há beleza no desconforto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, antes de tudo, um retrato de quem escolhe continuar mesmo sem saber o destino. Como escreveu Clarice Lispector em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a personagem Macabéa: “Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Virgin" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/28bHj2enHkHVFLwuWmkwlQ?si=2-W30vZcR3iZwlhzW8SdFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>BRAT não reinventa a roda, ele queima pneu</title>
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		<pubDate>Fri, 27 Sep 2024 19:50:03 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Provando por ‘A+B’ que opera nas margens do mainstream, não por falta de talento ou oportunidade, mas porque simplesmente quis assim, Charli XCX tornou-se uma força motriz na Arte contemporânea. Um álbum. Um movimento. Um estilo de vida. BRAT é quase inadjetivável e não tem espaço para introspecções ou profundidades poéticas excessivas. É &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/brat-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "BRAT não reinventa a roda, ele queima pneu"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34058" aria-describedby="caption-attachment-34058" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34058" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1.png" alt="Capa do álbum brat, da cantora Charli xcx. A capa é totalmente verde neon com o escrito “brat” em letras minúsculas, em preto e pixeladas." width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image5-1-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34058" class="wp-caption-text">Uma jogada de marketing e tanto: qualquer um pode fazer o que quiser com o conceito de BRAT em bratgenerator.com (Foto: Atlantic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Henrique Marinhos</strong></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provando por ‘A+B’ que opera nas margens do </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream,</span></i><span style="font-weight: 400;"> não por falta de talento ou oportunidade, mas porque simplesmente quis assim, Charli XCX tornou-se uma </span><a href="https://www.marceloponzoni.com.br/forca-motriz-o-que-isto-tem-a-ver-com-as-nossas-vidas-3/#:~:text=Um%20l%C3%ADder%2C%20sem%20d%C3%BAvida%2C%20%C3%A9%20a%20for%C3%A7a%20motriz%20de%20um%20grupo"><span style="font-weight: 400;">força motriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Arte contemporânea.</span> <span style="font-weight: 400;">Um álbum. Um movimento. Um estilo de vida. </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;"> é quase inadjetivável e não tem espaço para introspecções ou profundidades poéticas excessivas. É o agora.</span></p>
<p><span id="more-34053"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das noites de Londres para o mundo, o álbum não se limita aos clubes e </span><i><span style="font-weight: 400;">raves</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegais em que se inspira. É uma injeção de ânimo ao acordar, um saudosismo em relação a década de 2000, um manifesto do próprio Id – conceito freudiano da natureza humana – e sua primitividade. A</span><a href="https://valor.globo.com/empresas/noticia/2024/06/11/conheca-o-efeito-brat-verde-que-viralizou-na-internet.ghtml"><span style="font-weight: 400;"> internet</span></a><span style="font-weight: 400;"> o abraçou com todo coração, tanto em seus momentos mais agressivos quanto vulneráveis, afinal, até cortar a ‘brisa’ encaixa no conceito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O termo que costumava descrever uma pessoa teimosa ou malcriada, que não segue regras e trilha seu próprio caminho, consagrou-se como algo muito maior do que qualquer um esperava. Ele é representado por uma capa verde </span><i><span style="font-weight: 400;">neon</span></i><span style="font-weight: 400;"> com fonte preta pixelada e transcende seu sentido. É, inegavelmente, a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/brat-album-que-pintou-web-de-verde-e-o-mais-bem-avaliado-de-2024/"><span style="font-weight: 400;">obra mais memorável de 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">, tendo como produtores principais </span><a href="https://music.apple.com/us/playlist/a-g-cook-na-produ%C3%A7%C3%A3o/pl.fd6d188a8ee94c36bbe4d546d24d386e?l=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">A. G. Cook</span></a><span style="font-weight: 400;"> e EASYFUN, parceiros de longa data de XCX no </span><a href="https://personaunesp.com.br/pc-music-artigo/"><i><span style="font-weight: 400;">PC Music</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34056" aria-describedby="caption-attachment-34056" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34056" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-7.png" alt="Capa da revista Vogue da australia. Ao topo está o nome da revista em verde neon com australia escrito dentro do primeiro “o”. A frente está a cantora Charli xcx, uma mulher branca com cabelos pretos ondulados e longos. Ela está com um vestido bege florido. com três dobras pretas com bolinhas brancas. Suas sobrancelhas são grossas e ela está encarando a câmera de cima para baixo enquanto segura seu vestido. Abaixo está escrito em verde e maiúsculo “Charli xcx, that’s brat” em tradução livre, isso é brat." width="768" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-7.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image3-7-600x800.png 600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34056" class="wp-caption-text">Charli XCX era era seu nome de usuário no MSN (Foto: Vogue Australia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma </span><a href="https://vogue.sg/charli-xcx-cover-story/"><span style="font-weight: 400;">entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à </span><i><span style="font-weight: 400;">Vogue Singapura</span></i><span style="font-weight: 400;">, Charli XCX conta que queria algo ofensivo, um tom de verde fora de moda para despertar a ideia de que algo estava errado. Ela queria provocar as pessoas e conseguiu. </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;"> passa longe de ser só uma audição passiva. É um convite – ou melhor, um desafio –  a participar de uma narrativa transmídia, conectando diferentes plataformas e públicos, cruzando estéticas visuais, sonoras e comportamentais para criar algo maior do que a soma de suas partes, como bem dizia </span><a href="https://henryjenkins.org/aboutmehtml"><span style="font-weight: 400;">Henry Jenkins</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa estética tão fora de moda acabou sendo o lançamento mais moderno de 2024, virou </span><i><span style="font-weight: 400;">meme</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://gpsbrasilia.com.br/brat-summer-a-trend-de-comportamento-que-pode-mudar-o-rumo-da-eleicao-americana/"><i><span style="font-weight: 400;">trend</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, se tornou viral no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i><span style="font-weight: 400;"> (antigo </span><i><span style="font-weight: 400;">Twitter</span></i><span style="font-weight: 400;">), e tudo isso não foi à toa. Orquestrar esses efeitos de sentido, criando uma rede colaborativa entre ela e seus fãs é uma jogada precisa, pensada, que vai muito além de soltar uma música e esperar que aconteça algo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois disso, ela nunca mais poderia </span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/pop/cantora-britanica-charli-xcx-faz-passeio-por-metro-de-sao-paulo-e-viraliza"><span style="font-weight: 400;">andar de metrô</span></a><span style="font-weight: 400;"> com seus fãs em SP, mas os palcos da </span><a href="https://www.instagram.com/p/C8xSSIUvthw/"><i><span style="font-weight: 400;">ZIG</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estão reservados para quando quiser voltar. Seu alterego Partygirl veio ao Brasil e evocou a pirralha – tradução literal de </span><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i><span style="font-weight: 400;"> – de 15 anos que conheceu um cara no </span><a href="https://myspace.com/charlixcx/music/songs"><i><span style="font-weight: 400;">MySpace</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a chamou para tocar em suas </span><i><span style="font-weight: 400;">raves</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilegais em Londres, marcando o início de sua carreira.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charli xcx - Von dutch (official video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/cwZ1L_0QLjw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de tudo que a mídia a faz sentir, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Von dutch, </span></i><span style="font-weight: 400;">produzido por EASYFUN, Charli XCX sabe seu valor. O  batidão do primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> dita o tom sonoro e visual do álbum, a artista – com ‘A’ maiúsculo – repetidamente agride câmeras no clipe, as joga de escadas, sobe em </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/charli-xcx-drops-von-dutch-video-1234978454/"><span style="font-weight: 400;">asas de aviões</span></a><span style="font-weight: 400;">, se lança em carrinhos de mala e ‘dá </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;">’. Longe de qualquer prepotência, ela sabe que pode fazer tudo isso porque “</span><i><span style="font-weight: 400;">É óbvio, sou sua número um</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Creditada como compositora de todas as faixas, Charlotte Aitchison  traz pensamentos rápidos, ‘bobeiras’ que falamos bêbados e exageros deliciosos que nos fazem rir. </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT </span></i><span style="font-weight: 400;">não é o lugar de procurar qualquer comparação com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas nem por isso deixa de ser extremamente inteligente. Não é surpresa alguma que provocar efeitos de sentido intencionais e usar a convergência midiática com tamanha maestria exige um trabalho extremamente minucioso, e traz </span><a href="https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/autocuidado/moda/angelica-aposta-no-verde-brat-para-anunciar-novo-50-uns,8f2381461f2c53bfa89c5555604b87fauo54w6rc.html"><span style="font-weight: 400;">resultados mais eficazes</span></a><span style="font-weight: 400;"> que lançar vários trabalhos em curtos espaços de tempo; </span><i><span style="font-weight: 400;">cof</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">cof</span></i><span style="font-weight: 400;">, Taylor Swift, Ariana Grande&#8230;</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Charli xcx - 360 (official video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/WJW-VvmRKsE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Tudo aqui é uma narrativa interligada, mesmo que introspecção e críticas não sejam o foco, podemos discorrer sobre elas por um período de tempo. Em suma, essa nova era explora </span><a href="https://moodgate.com.br/2024/06/14/charli-xcx-brat/"><span style="font-weight: 400;">as pressões da vida moderna</span></a><span style="font-weight: 400;">, especialmente para mulheres que estão na casa dos 30. Temas como maternidade, amizade, fama e a constante busca por autenticidade são costurados ao longo das faixas e nos clipes, às vezes, com remendos, porém se propondo a quebrar os moldes da identidade feminina criados pelas expectativas sociais. No clipe de </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/charli-xcx-360-music-video-cast-chloe-sevigny-julia-fox"><i><span style="font-weight: 400;">360</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Aidan Zamiri,</span> <span style="font-weight: 400;">XCX chama todas as </span><a href="https://www.portaldomarketing.com.br/Artigos5/O_que_e_uma_It_Girl.htm"><i><span style="font-weight: 400;">It Girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para provar seu ponto: Rachel Sennott, Julia Fox (mencionada em versos), Chloe Cherry, Gabriette (do Nasty Cherry) e Richie Shazam, ainda com a participação de A.G. Cook, produtor e precursor do </span><i><span style="font-weight: 400;">PC Music</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maternidade, por exemplo, surge de forma sensível em </span><i><span style="font-weight: 400;">I Think About It All the Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde a cantora reflete sobre o desejo de ser mãe. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Mas finalmente conheci meu amor/E um bebê pode ser meu [&#8230;] Se eu não ficar sem tempo/Isso daria um novo propósito à minha vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Pensando sempre em </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/alem-de-brat-charli-xcx-e-a-rainha-do-hyperpop-e-dos-desajustados"><span style="font-weight: 400;">sua carreira</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conquistas pessoais frente às expectativas de terceiros, é uma das faixas que, sonoramente, mais destoam do tom de </span><i><span style="font-weight: 400;">rave</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://revistaogrito.com/charli-xcx-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">hyperpop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Paralelamente, existe </span><i><span style="font-weight: 400;">So I</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa feita em luto. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sempre na minha mente/Todo dia, toda noite/Sua estrela é a mais brilhante de todas</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i> <span style="font-weight: 400;">Nessa música, Charli se permite chorar e sentir tudo o que tem para sentir. É uma faixa menos acelerada e muito mais pessoal. É como se abrissem seu diário, citando seus momentos no palco e os pensamentos que a levam a fazer homenagem à Sophie, assim como </span><a href="https://portalpopline.com.br/charli-xcx-dedica-novo-album-a-sophie-nunca-conheci-alguem-como-ela/"><i><span style="font-weight: 400;">Crash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dedicado à ela em 2021.</span></p>
<figure id="attachment_34055" aria-describedby="caption-attachment-34055" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34055" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11.png" alt="Foto das cantoras Charli xcx e Lorde em meados de 2013. Elas estão fazendo sinal de paz com seus dedos indicador e do meio. Elas são mulheres brancas de cabelos escuros ondulados. Charli está com um batom vermelho, e uma jaqueta de cor salmão felpuda. Lorde está com um batom roxo e roupas completamente pretas com detalhes em prata na gola. Elas estão em um evento noturno rodeadas de pessoas." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image2-11-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34055" class="wp-caption-text">Em tempos de Boom Clap e Royals, Charli XCX era frequentemente confundida com Lorde (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">As nuances entre admiração e competição também são muito bem exploradas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Girl, So Confusing</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">As vezes penso que você me odeia/Às vezes penso que te odeio</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Indireta ou não, associaram à Lorde. Seja pela tensão entre ser comparada constantemente ou pelo desafio de preservar a autenticidade no meio. Em mais uma polêmica, todo conflito se dissolveu nos versos do </span><i><span style="font-weight: 400;">feat</span></i><span style="font-weight: 400;"> sugerido pela estrela de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você me contou como estava se sentindo/Vamos resolver isso no remix</span></i><span style="font-weight: 400;">”; </span><span style="font-weight: 400;"> a troca de indiretas em </span><i><span style="font-weight: 400;">stories</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve uma </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/lorde-charli-xcx-brat-girl-so-confusing-1235034454/"><span style="font-weight: 400;">interpretação dúbia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O mesmo aconteceu com </span><i><span style="font-weight: 400;">Sympathy is a knife</span></i><span style="font-weight: 400;">, outra situação em que seus fãs foram na contramão à mensagem que XCX quis passar, tecendo uma crítica à polidez forçada e às rivalidades escondidas. Isso foi o suficiente para a </span><i><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></i><span style="font-weight: 400;">, que mordeu a isca. O alvo da vez? a ‘loirinha’ mais polida do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, Taylor Swift. A suposta dona de uma simpatia que parece amigável, carregada de intenções negativas junto a julgamentos ocultos disfarçados de elogios, reforçando o tema de vulnerabilidade em meio à fama. Mas logo os fãs se calaram (</span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;"> e presencialmente). Em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2024/06/24/charli-xcx-repreende-fas-brasileiros-que-gritaram-taylor-swift-morreu-em-show.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pronunciamento</span></a><span style="font-weight: 400;">, Charli XCX afirmou ser contra manifestos que ‘enterravam’ sua possível rival, “</span><i><span style="font-weight: 400;">A Taylor morreu</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_34054" aria-describedby="caption-attachment-34054" style="width: 1581px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10.png" alt="Cena da turnê Sweat Tour. Nela está o cantor australiano Troye Sivan, um homem branco de 30 anos e cabelos loiros. Ele está com uma calça aberta no centro e um short jeans por baixo, e uma camiseta branca. Ele segura um microfone e pula com a boca aberta. Ao seu lado direito está a cantora Charli xcx, uma mulher branca com cabelos pretos ondulados. Ela está cantando com seu microfone na boca e outra mão levantada, vestindo uma saia, jaqueta e meia calça pretas." width="1581" height="1054" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10.png 1581w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image1-10-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34054" class="wp-caption-text">Troye Sivan e XCX saíram em turnê conjunta para divulgar BRAT, a Sweat Tour (Foto: Katja Ogrin)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cultivando profundo senso de nostalgia pela década de 2000, as referências à estética e cultura </span><a href="https://www.vogue.pt/tendencia-y2k-o-que-e"><i><span style="font-weight: 400;">Y2K</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> permeiam todo o álbum, se concentrando em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Club Classics,</span></i><span style="font-weight: 400;"> literal e intencionalmente intitulada. A faixa evoca tanto o espírito despreocupado quanto a rebeldia e estética do período, sem celulares, só com a noite para viver. No entanto, como sempre, misturando-os com sons eletrônicos modernos desde o lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6-v1b9waHWY"><i><span style="font-weight: 400;">1999</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> feat. Troye Sivan</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cantor australiano praticamente se manifesta como o público alvo principal de </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;">. De propósito ou não, a </span><a href="https://www.thepinknews.com/2024/06/07/how-charli-xcx-became-queer-icon-brat-365/"><span style="font-weight: 400;">comunidade LGBTQIAP+</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi a que mais engajou, divulgou e sentiu todo processo cultural do álbum. Desde conceitos como adolescência tardia, liberdade para sermos quem somos, ou quaisquer outros espaços de libertação – que envolvam ou não aditivos </span><i><span style="font-weight: 400;">a lá</span></i> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ol9CCM240Ag"><i><span style="font-weight: 400;">365</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, o Id é, provavelmente, o conceito em que mais podemos associá-lo, por mais técnico e academicista que possa parecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.unipsicoriopreto.com.br/artigos/o-id-o-ego-e-o-superego-sao-conceitos-de-freud/"><span style="font-weight: 400;">termos freudianos</span></a><span style="font-weight: 400;">, diferente do ego e superego, o Id representa nossos impulsos e desejos básicos, frequentemente em conflito com as expectativas sociais. Agressiva e conflitante, ela explora temas de desejo, quebra de limites, fala o que vem à mente, mesmo que acabe pesando o clima e ‘cortando a brisa’ ao perguntar o motivo de – com liberdade poética – querer comprar uma arma e atirar em si mesma de tanta vergonha.</span></p>
<figure id="attachment_34057" aria-describedby="caption-attachment-34057" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34057" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1.png" alt="Foto da cantora Charli xcx no Met Gala. Ela é uma mulher branca com cabelos pretos. Seu penteado está com mechas espetadas para todos os lados. Seu batom é escuro assim como seu lápis de olho. Ela está olhando de canto de olho para a direita. A foto abrange seu busto até a região da cabeça, com fundo desfocado de vários fotógrafos tirando fotos. Seu vestido é branco com detalhes em cinza e retalhos como se estivesse rasgado." width="1999" height="1330" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-800x532.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-1024x681.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-768x511.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-1536x1022.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/09/image4-1-1200x798.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-34057" class="wp-caption-text">O verão pode ter acabado, mas BRAT não; o disco já tem sua versão em deluxe e remix (Foto: Terrence O’Connor)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">BRAT</span></i><span style="font-weight: 400;"> é sobre si mesmo. Quando todos estão malucos em uma festa, ninguém se importa com quem você é, quais roupas está vestindo, como você dança, se está feliz, na sua própria </span><i><span style="font-weight: 400;">bad trip</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou preocupado com seu </span><a href="https://www.whosdatedwho.com/dating/charli-xcx"><span style="font-weight: 400;">ex no telefone</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ninguém está ligando e você também não deveria, porque essa noite vai acabar. E quando essa euforia se dissipar durante o dia, tudo que você vai querer é que a noite chegue novamente.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">BRAT </span></i><span style="font-weight: 400;">não é um álbum perfeito e nem se propõe a isso. É um disco intencional e minucioso. Charli XCX merece tudo que tem conquistado e o que ainda está por vir. Ao escutarmos, pulamos algumas faixas, deixamos outras no </span><i><span style="font-weight: 400;">repeat</span></i><span style="font-weight: 400;"> e isso varia para cada pessoa. Com o projeto, estamos de volta aos primeiros </span><a href="https://jornal.usp.br/campus-ribeirao-preto/retorno-a-estetica-dos-anos-2000-supervaloriza-a-magreza/"><span style="font-weight: 400;">anos da década de 2000</span></a><span style="font-weight: 400;">, lembrando do valor de estar presente e de viver cada instante plenamente.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: BRAT" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/2lIZef4lzdvZkiiCzvPKj7?utm_source=oembed"></iframe></p>
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