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	<title>Arquivos Gaza &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Gaza &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Nov 2025 14:19:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Documentário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes e Arthur Caires Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por Sepideh Farsi, nasce no centro de uma das maiores tragédias &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-o-filme-em-que-sepideh-farsi-rompe-a-fronteira-que-nos-separa-de-gaza/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe: O filme em que Sepideh Farsi rompe a fronteira que nos separa de Gaza"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36495" aria-describedby="caption-attachment-36495" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36495" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-24.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36495" class="wp-caption-text">A diretora iraniana utilizou do Cinema como uma forma de ponte para um conflito que não parece chegar ao fim (Foto: Sepideh Farsi; Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes e Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há filmes que nascem de uma escolha estética, outros de uma inquietação pessoal, e há obras que só podem existir porque uma vida insiste em não ser apagada. Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe, documentário dirigido por </span><a href="https://letterboxd.com/director/sepideh-farsi/"><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi</span></a><span style="font-weight: 400;">, nasce no centro de uma das maiores tragédias humanas deste século: a ofensiva militar israelense em Gaza, que desde 2023 transformou ruas, casas e escolas em escombros e submeteu toda uma população ao cerco, à fome e ao apagamento sistemático de suas vozes.</span></p>
<p><span id="more-36493"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Foi a partir desse silêncio forçado que a produção encontrou seu caminho. De Paris, do lado de fora de uma fronteira militarizada que impede a entrada de jornalistas e cineastas, ela buscava uma maneira de testemunhar o que estava acontecendo. Do outro lado, em Gaza, estava Fatima Hassouna, jovem fotógrafa, poeta e sobrevivente de um bombardeio diário que reconfigurava a vida a cada amanhecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Separadas por um bloqueio que não permitia que se encontrassem, mas unidas por videochamadas que rasgavam o isolamento imposto, a diretora iraniana e Fatem (nome artístico) construíram uma relação que ultrapassa o gesto documental. A cada ligação, entre falhas de conexão, cortes de energia e a possibilidade constante da interrupção final, as duas criavam uma narrativa que nasceu como registro, mas se transformou em ponte: uma forma de vencer o cerco que mantinha Sepideh do lado de fora e Fatima do lado de dentro – e de afirmar, contra a lógica da guerra, que a vida insiste.</span></p>
<h3><b>Entre a dor e a luminosidade </b></h3>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma obra cercada de escuridão, mas que encontra luz no sorriso de Fatima. Apesar do seu entorno cada vez pior, a fotógrafa encontrava um motivo para se alegrar toda vez que falava com sua amiga, o que trazia uma beleza mesmo nos momentos mais tristes.</span></p>
<blockquote><p><b>“Eu sinto que é um filme difícil de ver, pois, como espectador, você sente empatia por Fatima. O espectador se sente na minha posição, o que é muito íntimo. É claro que é triste, pois você sabe desde o início o que está passando com ela, mas ela é tão vibrante e tem tanta luz, então eu acho que o filme vai mais em direção a vida do que a tragédia ou a morte.”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Sepideh Farsi também comentou sobre o ponto de vista que ela emprega, de forma que não resuma Fatima apenas a condição de vítima, e também da força que a amiga demonstra, para que em nenhum momento isso seja considerado.</span></p>
<blockquote><p><b>“Ela não é uma vítima, ela não se considera uma vítima, assim como eu também não. É claro que ela é vítima do genocídio, do cerco militar, assim como todos os outros palestinos. Ainda assim, ela tem tanta força e resiliência que consegue ir além dessas limitações, e foi isso que tentamos mostrar juntas.”</b></p></blockquote>
<h3><b>O impacto que ela sentiu</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Um filme como este sempre causará impacto, principalmente por aqueles que fizeram e pela maneira como foi feita. Mesmo com a distância em relação a sua ‘personagem’, o contato recorrente da diretora com Fatima e o vínculo que se formou entre as duas, certamente a modificou de alguma forma. Sepideh falou um pouco sobre como tudo o que aconteceu na produção do longa está afetando-a.</span></p>
<blockquote><p><b>“Nós realmente nos tornamos amigas, então, quando eu a perdi, quando ela foi assassinada pelo exército israelense, isso obviamente me impactou. O filme mudou, o significado mudou, e o sentido de fazê-lo mudou também. Mas eu acho que junto com ela, nós fizemos algo muito especial. Isso realmente transmite seu testemunho para o mundo à fora. Eu acho que eu ainda preciso de tempo para entender como me modificou, foi muito recente, mas com certeza me mudou.”</b></p></blockquote>
<figure id="attachment_36494" aria-describedby="caption-attachment-36494" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36494" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-25.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36494" class="wp-caption-text">O olhar de Fatem sobre sua própria realidade compõe o eixo emocional do filme (Foto: Filmes do Estação/Divulgação)</figcaption></figure>
<h3><b>A história conduzida por uma relação improvável</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando perguntada sobre o equilíbrio delicado entre documentar e não forçar uma narrativa sobre alguém que vive sob um constante risco de morte, Sepideh responde com a sinceridade de quem se permitiu confiar no fluxo.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Não estava pensando em quem guiava o filme. Foi um processo muito fluido. Eu a questionava, claro, mas cortei a maior parte das minhas perguntas na montagem. Era muito mais interessante ouvir as respostas dela.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O pacto entre elas era simples: Fatem enviaria vídeos, textos, fotografias – aquilo que desejasse dividir. Sepideh conduziria o resto.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Ela não estava envolvida no processo de filmagem como cineasta. E ela também não queria assistir às imagens. Acho que queria se proteger. É complicado estar sob bombas e ainda refletir sobre como você dirige a si mesma.”</i></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira videochamada do filme, comenta, foi o primeiro encontro entre as duas. Não havia preparação, apenas o acaso que cria destino. </span><b><i>“Eu nunca esperava me aproximar dela tão rápida e profundamente”</i></b><span style="font-weight: 400;">, diz. </span><b><i>“Aconteceu. É humano. Foi um milagre, de certa forma.”</i></b></p>
<h3><b>O que permanece após o fim</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto à mensagem final, Sepideh responde que já sabe exatamente o que irá permanecer. </span><b><i>“O que vai ficar é a luz dela. O sorriso dela, que é inesquecível. Você não esquece seu rosto depois de encontrá-la.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, Sepideh vai além: deseja que o filme ajude o público a compreender a força do povo palestino e a necessidade urgente de agir. </span><b><i>“Os palestinos são extremamente resilientes. Não se colocam no lugar de vítima. Estão sempre olhando adiante, com esperança, mesmo sob cerco, mesmo durante o genocídio.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema, para ela, pode ser um ponto de virada. Um convite à responsabilidade. </span><b><i>“Espero que o filme funcione como um gatilho para que as pessoas encontrem maneiras de lutar, de mudar a narrativa dominante. Temos o dever de ajudar os palestinos a superar isso.”</i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de encerrar, ela recupera algo que Fatem lhe disse: </span><b><i>“Se o conflito na Palestina terminar, muitos outros terminarão.” </i></b><span style="font-weight: 400;">Na época, Farsi duvidou. Hoje, acredita.</span></p>
<blockquote><p><b><i>“Agora vejo que é um conflito central no nosso tempo. Ele está na encruzilhada entre capitalismo, colonialismo e dominação cultural ocidental. Se conseguirmos mudar essa história – se houver justiça, se houver um fim digno para os palestinos – isso se tornará um precedente para outras lutas. É isso que eu quero que as pessoas levem do filme.”</i></b></p></blockquote>
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		<title>Era Uma Vez em Gaza mistura o absurdo dentro e fora do cinema</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 13:00:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz Era uma vez… um território que só conhecia ruínas. Era uma vez, também, o Cinema que tenta recontar suas próprias feridas. A fórmula clássica dos títulos que começam com ‘Once Upon a Time’ sempre carregou o peso de um mito. De Sergio Leone a Quentin Tarantino, é a indústria que fala de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-gaza-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Era Uma Vez em Gaza mistura o absurdo dentro e fora do cinema"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36420" aria-describedby="caption-attachment-36420" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36420" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28-800x431.png" alt="Fotografia de um grupo de homens reunidos em uma sala em ruínas, com paredes em tons claros descascadas e iluminação branca artificial e intensa. À esquerda, um homem sentado ergue as mãos, enquanto uma câmera e um microfone gravam em meio à técnicos de filmagem que o cercam. Soldados armados, à direita, completam a cena, em que a linha entre encenação e realidade parece se dissolver." width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28-800x431.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28-1536x828.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28-1200x647.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.28.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36420" class="wp-caption-text">Filmado na Jordânia, o longa confirma o cinema palestino como uma força estética global (Foto: Les Films du Tambour)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era uma vez… um território que só conhecia ruínas. Era uma vez, também, o Cinema que tenta recontar suas próprias feridas. A fórmula clássica dos títulos que começam com </span><a href="https://collider.com/best-once-upon-a-time-movies/"><span style="font-weight: 400;">‘Once Upon a Time’</span></a><span style="font-weight: 400;"> sempre carregou o peso de um mito. De Sergio Leone a </span><a href="https://personaunesp.com.br/era-uma-vez-em-hollywood-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Quentin Tarantino</span></a><span style="font-weight: 400;">, é a indústria que fala de um tempo inventado, quase mítico, em que o real e a fábula se confundem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em Gaza</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido pelos irmãos Arab e Tarzan Nasser, adota esse mesmo artifício, mas o subverte. </span></p>
<p><span id="more-36419"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, o ‘conto de fadas’ não inaugura uma epopeia de heróis, porém o epitáfio de um povo em colapso. Um </span><a href="https://www.indiewire.com/gallery/best-western-movies-of-all-time/the-professionals-from-left-claudia-cardinale-lee-marvin-robert-ryan-woody-strode-1966/"><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> feito da poeira do bloqueio e da comédia amarga que só sobrevive quando tudo o resto já morreu. </span><a href="https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/10/o-que-e-a-faixa-de-gaza-e-onde-ela-esta-localizada"><span style="font-weight: 400;">Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;"> se torna mais um palco de uma </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> às avessas – um grotesco ‘Gazawood’, onde as estrelas brilham à luz de drones e as histórias são rodadas entre escombros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando filmado sobre a catástrofe, o humor se transforma em resistência. Misturando a estrutura de um faroeste clássico com o ritmo nervoso de uma comédia negra, o longa revisita o ano de 2007 – o qual o cerco israelense se consolidou e o território passou a viver em confinamento permanente. Exibido na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra reafirma a vocação de olhar o absurdo com lucidez, devolvendo à imagem o poder de testemunhar sem ceder à dor. </span></p>
<figure id="attachment_36421" aria-describedby="caption-attachment-36421" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36421" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32-800x432.png" alt="Foto de dois homens conversando, separados por um balcão de comida, sob uma luz fria e azulada. Um deles, apoiado no vidro, fuma enquanto fala e o outro observa em silêncio, sentado diante de pratos e utensílios. A cena carrega uma sensação de cansaço cotidiano, marcada pelo reflexo do vidro e pela penumbra do ambiente." width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32-800x432.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32-1024x552.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32-768x414.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32-1536x828.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32-1200x647.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.32.png 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36421" class="wp-caption-text">“As pessoas em Gaza são incrivelmente resilientes, nunca desistem. Queríamos mostrar o lado ‘normal’ de Gaza”, relata Arab Nasser à Variety (Foto: Les Films du Tambour)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as bancas de </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/opiniao/o-falafel-e-arabe-ou-ou-israelense/"><span style="font-weight: 400;">falafel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os becos de um cotidiano saturado de vigilância, são apresentados Yahya (Nader Abd Alhay) e Osama (Majd Eid), dois traficantes que tentam sobreviver com a ingenuidade e o desespero dos que já não têm saída. A droga escondida nos sanduíches é só um disfarce para a verdade maior: todos, em Gaza, estão contrabandeando algum tipo de esperança.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro da produção de Christophe Graillot, há um destaque maior para a câmera que circula os personagens com a precisão de um duelo, alternando entre planos abertos que revelam o isolamento do território e </span><i><span style="font-weight: 400;">closes</span></i><span style="font-weight: 400;"> que aprisionam seus rostos como se cada gesto fosse vigiado. Há uma plasticidade </span><a href="https://www.infoescola.com/geografia/vegetacao-da-asia/"><span style="font-weight: 400;">árida</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém com uma textura documental – a areia e o concreto parecem reais demais para pertencerem à ficção. Essa fusão entre gêneros cria uma tensão visual constante de que Gaza é cenário e personagem, ferida e espelho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, as ruas poeirentas e os interiores decadentes são invadidos por cartazes de propaganda e retratos de líderes políticos, evocando um realismo simbólico que lembra o cinema de </span><a href="https://palavrasdecinema.com/2017/05/14/os-cinco-melhores-filmes-de-emir-kusturica/"><span style="font-weight: 400;">Emir Kusturica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo é exagerado, quase teatral, mas profundamente verdadeiro. Quando Yahya é escolhido para protagonizar o primeiro filme de ação filmado em Gaza, a sátira se completa, em que o Cinema dentro do Cinema transforma o horror em espetáculo, questionando a própria forma como o Ocidente consome a tragédia palestina. É a </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> invertida, feita sob a mira de </span><i><span style="font-weight: 400;">checkpoints</span></i><span style="font-weight: 400;"> e drones em que o termo ‘Gazawood’, inserido durante o longa, surge como metáfora e denúncia – um lembrete de que até a </span><a href="https://mostra.org/jornal-da-mostra/documentarios-e-ficcoes-com-diferentes-olhares-sobre-a-palestina-estao-na-programacao-da-49-mostra"><span style="font-weight: 400;">ficção palestina</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ato de sobrevivência.</span></p>
<figure id="attachment_36422" aria-describedby="caption-attachment-36422" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36422" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.35-800x450.png" alt="Fotografia de um homem de expressão séria e olhar distante ocupa o centro do enquadramento em um ambiente sombrio e deteriorado iluminado por uma luz branca que destaca seu rosto. Atrás dele, figuras uniformizadas empunham armas, compondo uma cena tensa que mistura fragilidade e ameaça. O contraste entre a serenidade do homem e a iminência da violência cria uma atmosfera carregada de dramaticidade, onde a linha entre ficção e realidade parece prestes a se romper." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.35-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.35-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.35-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.35-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-18_05.37.35.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36422" class="wp-caption-text">O personagem Yahya se torna protagonista após ser recrutado pelo Ministério da Cultura palestina (Foto: Les Films du Tambour)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro se equilibra entre o absurdo e o trágico, evitando o panfleto político. O humor existente não suaviza a </span><a href="https://deadline.com/video/once-upon-a-time-in-gaza-directors-trump-real-life-cannes/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas a amplifica. Os diálogos são secos, diretos, e ganham força no </span><a href="https://editoraelefante.com.br/panico-moral-e-coragem-de-falar-o-silencio-ocidental-sobre-gaza/?srsltid=AfmBOooYOaMieJbeZ_B5Cnd8Yw5N4JGKFME636A17WUXEphenbJ0tguI"><span style="font-weight: 400;">silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;">, principalmente nos momentos em que nada é dito – sendo eles os que mais pesam. A cada sequência, o espectador é arrastado para dentro de uma Gaza que oscila entre o riso e o desespero, entre o Cinema e a vida. É nessa irregularidade que o filme encontra sua coerência, não havendo ritmo possível onde não há normalidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, existem momentos em que a metáfora se torna excessiva. O jogo do </span><a href="https://cinemaemcena.com.br/coluna/ler/429/filmes-dentro-de-filmes"><span style="font-weight: 400;">‘filme dentro do filme’</span></a><span style="font-weight: 400;"> poderia se sustentar com menos sobrecarga simbólica e, por vezes, a fábula ameaça engolir o real. Ainda assim, é precisamente esse risco que dá ao longa sua ousadia estética. Os diretores não capturam o cenário de guerra como uma reportagem nem como um manifesto, e sim como um terreno de invenção, no que transforma a obra numa recusa a linearidade – como se dissesse que o Cinema palestino não pode mais contar histórias ‘comuns’, porque a normalidade lhe foi negada. O artifício de um </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> serve, então, como armadura narrativa: o duelo moral, o herói trágico e o vilão corrupto se tornam alegorias da própria sobrevivência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando comparado a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Nt-IYeGRHu4"><i><span style="font-weight: 400;">Gaza, Meu Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020), </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em Gaza</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa menos lírico e mais corrosivo. Se o anterior abordava o amor tardio como gesto de resistência, este revela o humor como último refúgio. Tarzan e Arab amadurecem ao compreender que a ironia é uma forma de fé e que gargalhar do horror é insistir na vida. Suas coroações na premiação de </span><a href="https://www.france24.com/en/culture/20250521-cannes-2025-gaza-casts-shadow-over-festival-films-celebrate-palestinian-resilience"><span style="font-weight: 400;">Cannes</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Melhor Direção na seção </span><i><span style="font-weight: 400;">Un Certain Regard</span></i><span style="font-weight: 400;">, não são um gesto de exotismo, e sim o reconhecimento de uma linguagem cinematográfica que desafia o formato e o discurso. Em seus olhares, há sempre o mesmo dilema: rir ou resistir. E o espectador, cúmplice desse impasse, descobre que talvez o riso seja a única forma possível de resistência em Gaza.</span></p>
<figure id="attachment_36468" aria-describedby="caption-attachment-36468" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36468" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/file_2025-11-25_18.23.15.png" alt="Diante de um fundo neutro, a foto destaca quatro homens posando lado a lado, com expressões que alternam entre a confiança e a introspecção. Vestidos em roupas escuras, sobretudo jaquetas de couro, e exibindo cabelos longos e barbas marcantes, eles formam um grupo cuja presença impõe identidade e coesão. A proximidade física e os olhares diretos à câmera revelam cumplicidade e força coletiva, sugerindo tanto um vínculo pessoal quanto uma postura artística compartilhada." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36468" class="wp-caption-text">Em entrevista à Deadline, os diretores relatam que começaram a escrever o roteiro do filme em 2015 (Foto: Natasha Pisarenko)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em última instância, </span><i><span style="font-weight: 400;">Era Uma Vez em Gaza</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre deixou claro o seu propósito de representar uma produção sobre o ato de filmar. E além, sobre o gesto de inventar uma imagem quando todas as figuras mundiais insistem em te apagar. A questão não é filtrar a dor de um povo para que ela seja compreendida, e sim filmá-la para que ela não seja esquecida. Se </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2014/07/140726_hollywood_gaza_lgb"><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> criou mitos sobre o heroísmo americano, ‘Gazawood’ cria fábulas sobre a sobrevivência palestina e reafirma a Sétima Arte como uma forma de continuar existindo quando já não há lugar no mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ‘Era uma vez’ é o tempo verbal da </span><a href="https://www.msf.org.br/noticias/um-mes-apos-o-cessar-fogo-em-gaza-palestinos-seguem-vivendo-em-condicoes-precarias-e-expostos-a-violencia/"><span style="font-weight: 400;">sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;">. E talvez seja nesse paradoxo que o filme finaliza sua grandeza ao transformar a dor em fábula e a ruína em Cinema. Os irmãos Nasser fazem de Gaza não apenas um território sitiado, mas um território de criação. Um </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> sem cavalo, uma comédia sem riso, uma história que ainda resiste ao fim.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Once Upon a Time in Gaza (2025) - Trailer (English Subs)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/-1NOr9c0EOw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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