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	<title>Arquivos Gabriel Leite &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>IDLES: uma trajetória para o introspectivo e explosivo (na medida certa) CRAWLER</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Feb 2022 22:33:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Leite IDLES, para alguns, pode parecer intragável de início. Eu não julgo, foi assim comigo e demorou uns bons meses até eu realmente me interessar em escutar. Começou como uma banda que eu pulava as músicas quando tocava na playlist aleatória, depois evoluiu para um guilty pleasure (“prazer com culpa”, em tradução livre) e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/idles-crawler-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "IDLES: uma trajetória para o introspectivo e explosivo (na medida certa) CRAWLER"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25932" aria-describedby="caption-attachment-25932" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-25932" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2.jpg" alt="A imagem mostra a fachada de uma casa e um homem vestido de astronauta se apoiando com o braço direito na parede e olhando para baixo. Ele está atrás de uma porta de vidro com rusgas verticais, o que distorce levemente a imagem. Está de noite e a cena está iluminada por luzes amarelas. Há também perto do homem um armário e, em cima, uma planta em um vaso." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-1-2-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25932" class="wp-caption-text">Uma das fotos do ensaio feito para a capa do álbum (Foto: Tom Ham)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Leite</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">IDLES, para alguns, pode parecer intragável de início. Eu não julgo, foi assim comigo e demorou uns bons meses até eu realmente me interessar em escutar. Começou como uma banda que eu pulava as músicas quando tocava na </span><i><span style="font-weight: 400;">playlist</span></i><span style="font-weight: 400;"> aleatória, depois evoluiu para um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AVnoj13q1Bs&amp;pp=ugMICgJwdBABGAE%3D"><i><span style="font-weight: 400;">guilty pleasure</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(“prazer com culpa”, em tradução livre)</span> <span style="font-weight: 400;">e agora eu estou aqui escrevendo sobre ela. Sua sonoridade é algo que ou te pega de primeira ou insiste até você gostar. Não vence pelo cansaço, mas sim pela força arrebatadora de uma roda </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> saindo dos fones direto para seu ouvido até você prestar atenção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então meu objetivo aqui hoje é, não só escrever uma simples crítica, </span><i><span style="font-weight: 400;">review, </span></i><span style="font-weight: 400;">análise ou seja lá o que for de </span><a href="https://open.spotify.com/album/27ygqCfb4dXQ3jyXnC58FU?si=XkQh_z1FQhSKzWbbEXoQeg"><i><span style="font-weight: 400;">CRAWLER</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o 4º</span> <span style="font-weight: 400;">álbum de estúdio, como também apresentar brevemente a banda e seus trabalhos para que, de alguma maneira, possa lhe trazer um maior aproveitamento quando você for escutar seu lançamento mais recente (e quem sabe fazer você dar um ponta pé inicial para se tornar fã da banda).</span></p>
<p><span id="more-25931"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criada em 2009 na cidade de Bristol, Inglaterra, IDLES gravava esporadicamente </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> de maneira despretensiosa. A justificativa, segundo o vocalista, foi a de que “</span><a href="https://www.clashmusic.com/features/brute-force-the-contrary-world-of-idles"><i><span style="font-weight: 400;">não sabiam o que estavam fazendo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Foi apenas em 2017 que decidiram, por fim, lançar seu álbum de estreia, </span><a href="https://open.spotify.com/album/5qag6esZLv5ySuCpzh7CE6?si=1PMlL4YHRguFOdiL1aNr9Q"><i><span style="font-weight: 400;">Brutalism</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Muito bem aceito pela crítica, o disco colocou a banda no mapa e, não só isso, atraiu olhos (e ouvidos) para um grupo que trazia com força para o topo das paradas o </span><i><span style="font-weight: 400;">pós-punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, movimento que, apesar de ter ficado aparentemente adormecido por alguns anos, vem retomando cada vez mais seu espaço na europa e leste europeu, com bandas mais novas como </span><a href="https://open.spotify.com/track/0sxx8bEWlTBmbw0X1Abgc3?si=8c3bb60fb62a41d1"><span style="font-weight: 400;">Fontaines D.C.</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5VfnmTz5NPAW5a8V9M1ZJ9?si=6fdf768886ba4e95"><span style="font-weight: 400;">Human Tetris</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas isso fica para outro texto.</span></p>
<figure id="attachment_25933" aria-describedby="caption-attachment-25933" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-25933" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2.jpg" alt="Capa do CD Brutalism. Na imagem quadrada há uma parede de tijolos pintados de branco e um chão de pedra acinzentada. Nele encontra-se também uma garrafa de vidro verde, algumas ripas de madeira queimada e uma grande escultura feita também de madeira carbonizada. Na parede há dois quadros. um representando a imagem em preto e branco de uma mulher de cabelos pretos na altura das sobrancelhas e veste uma blusa branca com um cachecol. O outro quadro é um quadro branco com letras escrito Brutalism, porém separadas de três em três letras seguindo a posição vertical do quadro." width="1500" height="1500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-2-2-1200x1200.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25933" class="wp-caption-text"><i>Obcecado pela arquitetura brutalista por refletir uma </i><a href="https://www.clashmusic.com/features/brute-force-the-contrary-world-of-idles"><i>“ideologia de construir algo  rápido que ajude uma comunidade que foi completamente fodida”</i></a><i>, o frontman introduz, à sua maneira, o conceito no álbum (Foto: Partisan/Balley Records)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma nova roupagem e discutindo assuntos mais atuais e pouco debatidos dentro desse gênero musical como aceitação, questionamentos sobre os privilégios da masculinidade e suas toxicidades, vulnerabilidade, crítica ao capitalismo, luto e diversos outros temas, IDLES trouxe novos ares ao </span><i><span style="font-weight: 400;">punk – </span></i><span style="font-weight: 400;">apesar de fugirem de títulos que definam sua sonoridade. Embora raro, esses “novos ares” com letras voltadas para um lado mais artístico e poético já havia sido discutido por bandas como </span><a href="https://open.spotify.com/track/2fb7dWrEsTKuPWohoaQHa5?si=e0be1648e48c4470"><span style="font-weight: 400;">Wire</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/29engDqjmMr3VLqMm0c0WE?si=85721f57843c4bc2"><span style="font-weight: 400;">The Velvet Underground</span></a><span style="font-weight: 400;">, ambas explorando novas extensões do </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">, muitas vezes conhecido como </span><a href="https://rateyourmusic.com/genre/art-punk/"><i><span style="font-weight: 400;">art punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou </span><i><span style="font-weight: 400;">avant punk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso somado a crueza agressiva do timbre do vocalista Joe Talbot e do som áspero e pesado do restante da banda composta por Mark Bowen (guitarra), Lee Kiernan (guitarra), Adam Devonshire (baixo) e Jon Beavis (bateria) moldaram o grupo no que ele é hoje.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Brutalism</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seguros de sua identidade sonora, lançaram em agosto de 2018 </span><a href="https://open.spotify.com/album/2vBa3poU0e82yfPtxcn9lg?si=_QqCc7BwRw-nevXeiymOiA"><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma evolução natural do primeiro álbum pela qual todo grupo passa, porém mais complexo, refinado, e mais consciente de si. A soma disso tudo, atualmente, faz do álbum o coração da banda dentro de sua discografia. Com letras certeiras, críticas e reflexivas, sobre os temas citados no parágrafo anterior, </span><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance </span></i><span style="font-weight: 400;">os levou a um outro patamar, os ajudando a solidificar seu caminho dentro do cenário britânico, indo do </span><i><span style="font-weight: 400;">underground </span></i><span style="font-weight: 400;">ao</span><i><span style="font-weight: 400;"> mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25934" aria-describedby="caption-attachment-25934" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-25934" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3-1.jpg" alt="Capa do CD Joy as an Act of Resistance. Na imagem quadrada há uma fotografia de um casamento provavelmente da década de setenta onde várias pessoas brancas de diversas fisionomias, tamanhos, idades e roupas formais apartam uma briga. No canto inferior esquerdo, há o texto “Joy” em letras douradas e brilhantes." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-3-1-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25934" class="wp-caption-text">A foto mostra uma briga sendo apartada em um casamento e o letreiro dourado e brilhante escrito “alegria” dá um toque especial e encaixa perfeitamente com o tom do álbum (Foto: Partisan Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o hiato de um ano e uma pandemia que virou o mundo de cabeça para baixo, em 2020, chegaram com </span><a href="https://open.spotify.com/album/20O6GKv8VfyvL4Gy0TAJs7?si=wXomXbwsT365NxaIzH8wCw"><i><span style="font-weight: 400;">Ultra Mono</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um álbum selvagem, raivoso, potente, harmoniosamente caótico e mais cru do que nunca. Em uma </span><a href="https://www.nme.com/big-reads/idles-cover-interview-2021-crawler-3093556"><span style="font-weight: 400;">entrevista à </span><i><span style="font-weight: 400;">NME</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o vocalista Joe Talbot diz, em tradução livre, que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ultra Mono é uma caricatura de quem éramos, e escrevemos essa caricatura intencionalmente para matá-la</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Na mesma entrevista, o guitarrista Mark Bowen diz que “</span><i><span style="font-weight: 400;">IDLES sempre foi uma banda para subverter expectativas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, dito isso, nadaram contra a corrente e, ao em vez de seguir na mesma linha de seus dois primeiros álbuns, optaram por abraçar a ironia e desconstruir a maneira como a banda era vista e usar isso a favor deles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como todas as pessoas, Joe passou por altos e baixos. No processo de gravação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Brutalism</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o vocalista perdeu a mãe e, no período entre os dois primeiros álbuns, sofreu a perda de sua filha recém-nascida (a qual ele dedica uma de suas músicas mais bonitas, </span><a href="https://open.spotify.com/track/3FCm3jQcGLDlR8GcAR5r9s?si=600df88ecf6848de"><i><span style="font-weight: 400;">June</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">. Problemas e traumas evoluíram para o alcoolismo, e tudo isso refletiu na escrita de Talbot que transparece, em </span><a href="https://ourculturemag.com/2020/09/25/russell-oliver-on-creating-the-cover-artwork-for-idles-ultra-mono/"><i><span style="font-weight: 400;">Ultra Mono</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, toda raiva e angústia, mas também uma vontade de superar tais problemas, mas ainda assim de maneira menos profunda do que é visto em </span><i><span style="font-weight: 400;">CRAWLER</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por possuir esse perfil, o álbum talvez seja a base mais importante para</span> <span style="font-weight: 400;">seu 4° disco, uma vez que nele, Talbot explora de maneira mais profunda seus traumas numa espécie de D.R. consigo mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_25935" aria-describedby="caption-attachment-25935" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25935" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1.jpg" alt="Na arte de Russel, há um homem branco de cabelos castanhos e curtos. Ele está de lado, sem camisa e em um fundo escuro. Uma grande bola rosa acerta em cheio sua face que fica distorcida com o impacto e, com isso, seu braço esquerdo desponta para frente." width="1000" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-4-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25935" class="wp-caption-text"><i>O conceito por trás da bola pink foi criado por Talbot e representa um </i><a href="https://ourculturemag.com/2020/09/25/russell-oliver-on-creating-the-cover-artwork-for-idles-ultra-mono/"><i>“ideal imparável e inevitável de amor e aceitação”</i></a><i> colidindo com força com um oponente sem nome e que pode ser entendido de acordo com as percepções individuais de cada pessoa (Foto: Russell Oliver)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após recaídas, Talbot encontrou apoio nas sessões de terapia o que culminou em novas perspectivas não só para sua vida pessoal como para sua vida musical. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu estava em um lugar muito, muito ruim, e não tinha a ver com a banda ou as entrevistas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ele diz. </span><a href="https://www.nme.com/news/music/idles-say-they-lost-the-essence-of-our-intentions-as-a-band-on-ultra-mono-3097375"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu não estou mais naquele lugar. Não estou na defensiva. Não estou bravo</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sendo assim, a partir de suas reflexões e a vontade da banda como um todo de deixar o ego de lado e começar a seguir um novo caminho evitando a repetição, eles partem para </span><i><span style="font-weight: 400;">CRAWLER</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser uma crítica</span> <span style="font-weight: 400;">sobre música, é interessante comentar sobre a capa, que muitas das vezes passam despercebidas. Feita em parceria com o fotógrafo </span><a href="https://www.instagram.com/tomhaaam/"><span style="font-weight: 400;">Tom Ham</span></a><span style="font-weight: 400;">, vemos Joe trajado como um astronauta, em gravidade zero. Uma capa extremamente simbólica, uma vez que o teor das letras contidas no álbum vem de um lado muito pessoal do vocalista. Ele trafega só, na vastidão de seus traumas e suas experiências, sejam elas boas ou ruins, e mergulha de cabeça em seu próprio drama psicológico. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Ultra Mono</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, uma grande bola rosa acerta em cheio a cara de um homem. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Joy as an Act of Resistance</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">um bando de homens brancos, de meia idade e provavelmente de classe média, apartam uma briga, e, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Brutalism</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">uma escultura feita por Talbot e seu pai com a foto da mãe do vocalista reflete a importância do significado que a banda dá às capas de seus álbuns. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> CRAWLER</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">não poderia ser diferente.</span></p>
<figure id="attachment_25936" aria-describedby="caption-attachment-25936" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25936" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1.jpg" alt="Capa do CD CRAWLER. Na imagem quadrada há uma casa vista da varanda. Com o pé direito alto e grandes janelas de vidro, é possível identificar seu interior: uma escada que leva ao segundo andar, alguns móveis de sala, um espelho na parede e uma luminária que emite uma luz amarela e é a principal fonte de luz. Do lado de fora temos um homem vestido de astronauta flutuando no canto inferior direito. No canto superior direito há uma árvore com galhos secos e na parte superior da capa há um céu azul escuro." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-5-1-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25936" class="wp-caption-text">Com um capacete de motociclista e uma roupa de astronauta, o vocalista Joe Talbot flutua no quintal (Foto: Tom Ham)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=drLL2aCPNtc"><i><span style="font-weight: 400;">MTT 420 RR</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa que abre o álbum começa bem demarcada sem muitas distrações, dando espaço não só à letra como a voz de Talbot que, num primeiro momento, aparenta contida e centrada ao invés de explosiva. Mas não se engane, a escolha é perfeita para mostrar a que o álbum veio, equilibrando muito bem o que ele sabe fazer de melhor. A música em si é sobre um acidente em que ele se envolveu, onde o modelo da motocicleta da pessoa acidentada era uma </span><i><span style="font-weight: 400;">MTT 420 RR</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que fez com que ele refletisse sobre a vida e como ele teve sorte de estar aqui até hoje após anos de vício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Joe sempre cantou mais sobre o que estava ao seu redor e dos lugares que cresceu e sobre como ele enxergava o mundo, mas aqui, mais do que em qualquer outro álbum, o vocalista olha fundo para dentro de si mesmo e, por sorte, ele se encara de peito aberto – como se deixasse mostrar-se vulnerável –, cantando tal qual um mantra </span><i><span style="font-weight: 400;">“você está preparado para a tempestade?”</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">fazendo um convite para o que está por vir nas faixas seguintes.</span></p>
<figure id="attachment_25937" aria-describedby="caption-attachment-25937" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25937" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-6-1.jpg" alt="Na imagem, membros da banda trabalham no estúdio. Vários instrumentos musicais espalhados pela sala que possui uma grande janela. É um estúdio espaçoso e todos os músicos são homens e brancos. No canto inferior esquerdo há dois homens sentados de costas, um de boné branco e camiseta cinza escuro e outro careca de barba ruiva e jaqueta mostarda. No centro, um homem de cabelos castanhos e longos e outro de cabelos castanhos curtos, ambos tocam suas guitarras. No canto inferior direito há apenas um músico, de touca e camiseta de manga longa pretas, ele apoia sua mão esquerda na testa." width="1200" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-6-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-6-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-6-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-6-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25937" class="wp-caption-text"><i>A banda passou quase 2 semanas no estúdio Real World e, confortáveis durante as gravações, perpassam através do álbum </i><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-pictures/idles-crawler-behind-scenes-studio-photos-1246533/aris-75-copy_result/"><i>o clima harmonioso e focado</i></a><i> que cada membro manteve (Foto: Aris Chatman)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguimos então para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2MKk-33XRGM"><i><span style="font-weight: 400;">The Wheel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui Talbot vê na simbologia da roda o vício alcoólico de sua mãe como se visse a si mesmo e seus próprios demônios, num ciclo que se mantém girando</span><i><span style="font-weight: 400;"> (“Eu fiquei de joelhos/E implorei à minha mãe/Com uma garrafa na mão”)</span></i><span style="font-weight: 400;">. O baixo de Adam Devonshire se destaca mais do que na primeira faixa com a batida grave e ritmada como se anunciasse um toque de alerta sombrio. Joe relata que a mãe sempre foi uma pessoa incrível e amorosa, entretanto sempre existiu esse lado mais lúgubre do vício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vJrlzxC4cCo"><i><span style="font-weight: 400;">When The Lights Come On</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica sonoramente nítido as referências dos acordes do </span><i><span style="font-weight: 400;">pós-punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 70 e 80, como um </span><a href="https://open.spotify.com/artist/432R46LaYsJZV2Gmc4jUV5?si=S49LCrPSRnSP1tyHgUzb1g"><span style="font-weight: 400;">Joy Division</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou um </span><a href="https://open.spotify.com/artist/5N5tQ9Dx1h8Od7aRmGj7Fi?si=UEDxa_GoSeikUbl_HG_KKQ"><span style="font-weight: 400;">Bauhaus</span></a><span style="font-weight: 400;">. É sobre quando as luzes da festa se acendem e é chegada a hora de ir embora, mesmo você querendo ficar. A frase “</span><i><span style="font-weight: 400;">parece que estou voltando para casa</span></i><span style="font-weight: 400;">”, numa crescente acompanhada pela guitarra de Lee Kiernan e Mark Bowen, traz uma estranheza desconcertante que funciona muito bem com a temática da música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A próxima faixa, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cw7jOq0op5E"><i><span style="font-weight: 400;">Car Crash</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> traz a “fórmula sonora” da banda do começo ao fim. É sobre acordar de ressaca e perceber o peso de certas escolhas da noite passada ecoando na manhã seguinte da maneira mais abrupta possível. É áspera, ruidosa e sua batida distorcida remete à banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;"> experimental, </span><a href="https://open.spotify.com/artist/5RADpgYLOuS2ZxDq7ggYYH"><span style="font-weight: 400;">Death Grips</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Smash, eu sou uma batida de carro”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25938" aria-describedby="caption-attachment-25938" style="width: 1500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25938 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7.jpg" alt="Uma imagem preto e branco com a banda toda. Da esquerda para a direita um homem careca de barba longa vestido com uma calça preta e camisa listrada; seguindo, um homem todo vestido de branco, braço tatuado, barba e cabelos médios; ao seu lado, mas no fundo, apenas o rosto de um homem de óculos e cabelos curto; mais adiante, na frente, um homem de calças cinzas, camiseta preta e um colete jeans. Possui um grande bigode, cabelos curtos e sua mão esquerda no canto de seu rosto. Por fim, no canto mais extrema da imagem, um homem de cabelos longos, touca, moletom branco e longo e calça jeans escura." width="1500" height="1000" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7.jpg 1500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-7-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25938" class="wp-caption-text"><i>A banda se diverte num ensaio da fotógrafa </i><a href="https://www.instagram.com/ebruyildiz/"><i>Ebru Yildiz</i></a><i> (Foto: Ebru Yildiz)</i></figcaption></figure>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cLT6P0Q7Mt0"><i><span style="font-weight: 400;">The New Sensation</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tem sua base no </span><i><span style="font-weight: 400;">surf rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> anos 60 e é uma das faixas que com certeza te fará dançar, pular e cantar junto em um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. É a música para exorcizar o cansaço nos fazendo ter vontade de extravasar. A faixa seguinte, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9sLjJTQbSc8"><i><span style="font-weight: 400;">The Stockholm Syndrome</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é um dos pontos altos do álbum e, de longe, possui umas das letras mais bem trabalhadas pelo IDLES. É poética, social e crítica, por se tratar da hipocrisia de julgar outras pessoas pelos seus vícios, mesmo tendo nossos próprios. Aqui, mais uma vez, sentimos a forte influência de Joy Division, da canção </span><a href="https://open.spotify.com/track/4ZuC5MfGjRQs3pZtPxqMYP?si=5ae788917c9c4e74"><i><span style="font-weight: 400;">Shadowplay</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;">, e é o casamento perfeito entre a identidade sonora que construíram até aqui com a identidade que estão tentando buscar. Por conta disso, acaba sendo uma das (se não a mais) equilibrada de todas dentro do álbum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegamos então ao primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançado, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1VcAs2UuotI"><i><span style="font-weight: 400;">The Beachland Ballroom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">The Stockholm Syndrome</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi um </span><i><span style="font-weight: 400;">mix</span></i><span style="font-weight: 400;"> sonoro da banda, a faixa da vez mergulha de cabeça em algo que ainda não tinham feito. Com a adição de um teclado sintetizador e a cantoria calma, porém carregada, de Joe Talbot, a música se torna uma balada dançante com influências de </span><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sua temática é sobre se sentir perdido, mas estar não apenas encontrando um caminho para se encontrar, como também mostrar uma certa fragilidade por dentro da casca grossa do </span><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Tudo isso deixa evidente que assumir sua vulnerabilidade, cantar de peito aberto e expor suas feridas é forte e pode tornar-se sua arma mais potente. Ela sintetiza o objetivo da proposta do novo álbum e abre caminho para novos horizontes.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Beachland Ballroom</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona não só como divisora de águas para a banda como um todo, mas também para o álbum. Depois da faixa, somos apresentados à segunda metade do disco que se inicia com</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OiiebWkA61M"><i><span style="font-weight: 400;">Crawl!</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">Rasteje!</span></i><span style="font-weight: 400;">). Como dito anteriormente, o álbum todo é sobre desafios, traumas, superação e autoconhecimento, e aqui o peso emocional de perceber que você tem problemas que precisa seguir em frente é avassalador. É como Joe Talbot se vê com seus vícios, tendo consciência de que uma parte sua é péssima (não necessariamente má) e outra parte é muito boa, e que as duas juntas formam o seu ser por completo. É um relato de um sobrevivente que está tentando vencer seus próprios desafios. Mesmo que você não consiga levantar ou andar, rasteje!</span></p>
<figure id="attachment_25939" aria-describedby="caption-attachment-25939" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25939" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8.jpg" alt="Em um salão de festas antigo com paredes vermelhas, azuis e brancas e com lustres de luzes amarelas, a banda está organizada com seus instrumentos. Todos estão vestidos com roupas sociais. Da esquerda para a direita, um homem de cabelos e barbas curtas toca seu teclado, um está sentado tocando bateria, outro toca a guitarra, um homem canta e, no canto, outro toca sua guitarra." width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-8-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25939" class="wp-caption-text"><i>Cena do clipe de The Beachland Ballroom, dirigido pela banda em parceria com a diretora </i><a href="https://www.instagram.com/loose.work/"><i>LOOSE</i></a><i> (Foto: Thomas English)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">À partir disso, somos apresentados a faixas como a experimental </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1djRY4B749I"><i><span style="font-weight: 400;">Meds</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que discorre sobre uso de medicamentos, espiritualidade e síndrome do impostor enquanto introduz um saxofone um tanto quanto… Instável. A dupla </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlkInAScIfM"><i><span style="font-weight: 400;">Kelechi</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5lCciDewb24"><i><span style="font-weight: 400;">Progress</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a primeira, completamente instrumental, leva o nome de um amigo do vocalista que se suicidou, é sucinta (com apenas 30 segundos) e é sobre a ausência das palavras durante o luto. Também serve como introdução a faixa seguinte, que, por sua vez, é uma conversa sincera na frente do espelho de Joe Talbot, cantando também como um mantra</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Tão pesado quanto meus ossos eram/eu não quero me sentir chapado”</span></i><span style="font-weight: 400;">. É sobre perceber a consequência de seus atos autodestrutivos causados pelo vício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo, temos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=geGMnjG9fYE"><i><span style="font-weight: 400;">Wizz</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, outra faixa de apenas 30 segundos onde a letra são mensagens desconexas trocadas entre o vocalista e seu antigo fornecedor de drogas. Ironicamente colocada depois de uma música sobre progresso de alguém viciado, e mostra que, além dos dons musicais, a banda tem o dom da ironia e de não se levar tão a sério.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocupando a penúltima posição dentro do disco, temos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=30Dzxl4BnMg"><i><span style="font-weight: 400;">King Snake</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que reflete sobre a ideia de não ser nada e isso não ser necessariamente ruim</span><i><span style="font-weight: 400;"> (“Uma gota no oceano/Uma sombra na noite/Uma roda sem movimento/Um cachorro sem (latido!) mordida”)</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, finalizando o álbum, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aCTx3519xiU"><i><span style="font-weight: 400;">The End</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que é uma grande oposição de ideias, mas percebe que o ponto central da mensagem é que </span><i><span style="font-weight: 400;">“apesar de tudo, a vida é bela”</span></i><span style="font-weight: 400;">. A frase é cantada inúmeras vezes por Joe Talbot, fechando de maneira coesa um álbum com uma temática complexa, emocional e extremamente empática, capaz de sensibilizar qualquer pessoa que não conheça muito a banda e os integrantes pelo simples fator da identificação.</span></p>
<figure id="attachment_25940" aria-describedby="caption-attachment-25940" style="width: 2474px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25940" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9.jpg" alt="A fotografia mostra todos da banda sentados em um sofá amarelo. Todos vestem roupas: sapatos pretos, calças pretas e camisas brancas. As paredes da sala possuem um padrão floral de fundo azul e folhas brancas e amarelas. O carpete também é florido, mas de flores vermelhas, verdes e laranjas. Da esquerda para a direita um homem de cabelos longos e castanhos, um homem careca de barba e tatuagens, um homem de cabelos castanhos curtos e barba, um homem careca de barba ruiva e outro, mais ao canto, sentado em um cadeira de madeira, um homem de cabelos curtos e óculos." width="2474" height="2019" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9.jpg 2474w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-800x653.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-1024x836.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-768x627.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-1536x1254.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-2048x1671.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-9-1200x979.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25940" class="wp-caption-text"><i>Uma das fotos do ensaio feito pela fotógrafa </i><a href="https://inbloom.live/idles"><i>Rosie Alice Foster</i></a><i> (Foto: Rosie Alice Foster)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">CRAWLER</span></i><span style="font-weight: 400;">, IDLES percebe a importância de não se apegar sempre às mesmas fórmulas e que encontrar novos rumos é sempre uma ótima opção para uma banda que não deseja cair na mesmice e continuar estagnada em fazer mais do mesmo. Entretanto, talvez por terem feitos álbuns sonoramente parecidos, a tentativa de mudança existe, mas não é repentina, contendo muito do que o grupo ficou conhecido: um som pesado e uma voz potente e crua. Mas se manter fiéis ao que sempre foram e ao som que sempre fizeram não é ruim, muito menos errado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar disso, o desejo de trilhar outros caminhos é, de fato, presente e, em seu novo álbum, a banda mostra que tem um grande potencial de mudar, experimentar e evoluir. </span><a href="https://www.nme.com/news/music/watch-idles-make-an-instant-fucking-classic-with-kenny-beats-3116566"><span style="font-weight: 400;">A produção de Mark Bowen e do famoso produtor Kenny Beats</span></a><span style="font-weight: 400;">, somado ao talento do grupo como um todo, elevam o sarrafo para eles. Agora não tem mais volta. As letras desse álbum são de longe as mais poéticas e bem construídas de toda sua discografia, mostrando um lado de Joe Talbot que só tínhamos visto superficialmente. Seu acerto está em olhar para si mesmo e conseguir se comunicar com pessoas de diferentes partes do mundo ao retratar temas intrínsecos em nossa sociedade como ansiedade, vícios e lutas internas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a banda vai seguir nesse caminho até um álbum com uma estética sonora diferente do que veio antes e subverter mais uma vez tanto o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">pós-punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> quanto as expectativas dos fãs em seu próximo álbum, eu não faço ideia. A verdade é que IDLES é um grupo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Lr5eK7qULAo"><span style="font-weight: 400;">versátil e talentoso</span></a><span style="font-weight: 400;">, e enquanto o próximo álbum não chega, nos contentemos com o que temos: uma trajetória sonora para nos fazer querer gritar, pular, sorrir e chorar. Talvez em uma ordem diferente, talvez tudo ao mesmo tempo.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: CRAWLER" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/27ygqCfb4dXQ3jyXnC58FU?si=DWBxLIYWS8aZ3V8XdQuY4g&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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