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	<title>Arquivos Fatima Hassouna &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um notebook ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em Guarde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36446" aria-describedby="caption-attachment-36446" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-800x533.jpg" alt="Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, há um celular em chamada de vídeo com Fatima Hassouna. O celular está apoiado em uma mesa de madeira e atrás dele há uma outra tela, logada em um e-mail. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos. Ela usa óculos arredondados, o lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor verde, e uma roupa estampada. Ela está sorrindo. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36446" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no Festival do Rio (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um </span><i><span style="font-weight: 400;">notebook </span></i><span style="font-weight: 400;">ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em </span><a href="https://revistaogrito.com/o-agente-secreto-recebe-duas-indicacoes-ao-gotham-awards-importante-premiacao-pre-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora iraniana Sepideh Farsi constrói afinidade com Fatima Hassouna, fotojornalista da Palestina, para saber seu ponto de vista sobre os ataques de Israel na Faixa de Gaza. </span><span id="more-36444"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação não tem a ver com qual aparato tecnológico Farsi usa para filmar sua personagem, que logo se tornaria amiga, mas com o fato de que ambas as mulheres são do Oriente Médio e possuem países atravessados por períodos históricos violentos. O que vai coincidir com a fala da minha professora é que as condições em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/yalla-parkour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Hassouna se encontram aludem a uma carência de liberdade, alimentos, moradia, limitações de deslocamento e outras mazelas que ferem os direitos humanos, portanto o documentário também está desprovido de qualquer enfeite ou equipamentos robustos: para gravar, basta um aparelho celular captando outro dispositivo móvel. Essa conversa guiada pelo telefone, sem uma equipe presente em um </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, estimula o encontro.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O último filme da cineasta foi uma animação, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Siren</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021), que aborda a guerra Irã-Iraque. A disparidade entre essa forma de contar uma história e a de seu lançamento revela um traquejo diverso em fazer Cinema por gêneros, processos e formatos diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> se adapta à realidade, para além de uma barreira geográfica provocada por uma guerra, e confronta o pensamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nouvelle-vague-critica/"><span style="font-weight: 400;">François Truffaut</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a não existência de um “</span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20140710-can-a-film-be-truly-anti-war"><i><span style="font-weight: 400;">filme antiguerra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_36442" aria-describedby="caption-attachment-36442" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-800x450.jpg" alt="Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, Fatima Hassouna está no canto direito, sentada em uma cadeira. O ambiente é o interior de um prédio, que foi destruído por bombardeios. Há vários escombros no chão. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos, ela usa uma roupa inteira preta, mochila preta nas costas e está sentada com as pernas cruzadas. Nos pés, usa um tênis branco. Suas mãos estão apoiadas no joelho e em uma delas há uma câmera. Na cabeça, usa um lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor branca e estampado. Hassouna olha para a frente, encarando a câmera. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36442" class="wp-caption-text">O filme foi indicado para o Gotham Awards 2025 na categoria de Melhor Documentário (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o francês, as obras que abordam a guerra, a relação dos soldados e tudo o que há de violento nesse universo, de alguma forma, criam prazer naquelas imagens. De fato, isto acontece. Vejamos </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/oscar-1917-positiva"><i><span style="font-weight: 400;">1917</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), que ao pretender gravar em plano sequência, cria uma mística em torno da batalha, fazendo um espetáculo – por mais crítico ao confronto que ele queira ser. Sepideh Farsi não faz um documentário que ovaciona os atentados e os </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/autoridades-da-onu-acusam-israel-de-atos-genocidas-e-crimes-sexuais-em-gaza/"><span style="font-weight: 400;">crimes cometidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Israel, tampouco eles são exibidos. Tudo o que cruza o cotidiano de Fatima Hassouna, ou seja, sua ótica e seu mundo – isto é confirmado quando a diretora utiliza fotografias feitas pela fotojornalista para compor as cenas – é o que será visto sobre o conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a cineasta não vai reduzir Hassouna a uma vítima ou uma pessoa que só convive com a destruição. A amizade delas será tema central e, o que elas possuem em comum, a família da palestina, seu apreço por fotos, entre outras características do que compõe ser uma pessoa, são temas fundamentais tanto para a aproximação de entrevistador e entrevistado, quanto para o espectador se conectar com a personagem. Por exemplo, após Farsi elogiar os olhos da amiga, ela não aparece mais usando óculos nas chamadas de vídeo. Assim, sem precisar mostrar corpos mortos, a oscilação da conexão, a dificuldade em entrar em contato, o barulho constante de hélices de helicóptero e o rosto abatido pela fome e tristeza, identificados por haver acesso ao jeito de </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/guerra-israel-x-palestina/mais-de-350-artistas-do-cinema-mundial-condenam-genocidio-em-gaza-as-vesperas-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Fatima Hassouna</span></a><span style="font-weight: 400;">, são maneiras do público perceber e compreender os enfrentamentos da cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fatima Hassouna </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/04/19/saiba-quem-era-fotografa-morta-pouco-apos-filme-em-que-atuou-ser-selecionado-para-festival-em-cannes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">foi morta</span></a><span style="font-weight: 400;">, junto à família, em um ataque coordenado por Israel no dia 16 de abril de 2025, um dia após ser informada por Farsi de que o documentário tinha sido selecionado para o Festival de Cannes. Elas planejavam ir juntas para a França. Este último contato foi inserido no corte final. O assassinato de Hassouna só é mencionado no longa em seu desfecho, fazendo com que</span><i><span style="font-weight: 400;"> Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> não manifeste uma romantização de um final trágico, mas a transformação em objeto de denúncia e memória da amiga por meio das características já mencionadas anteriormente. O sorriso quase inabalável da fotojornalista ficou eternizado nas imagens caseiras de Farsi. </span></p>
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