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	<title>Arquivos Fabrício Santiago &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela</title>
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		<pubDate>Fri, 15 Dec 2023 17:19:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Felipe Nunes A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o retrato de diversas brasileiras. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/vai-na-fe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Solar e emocionante, Vai na Fé não tem medo de ser novela"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32290" aria-describedby="caption-attachment-32290" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32290" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-800x450.jpg" alt="Foto de Sheron Menezzes como a personagem Sol, de Vai na Fé. A personagem sorri, tem cabelos cacheados em tons castanhos e veste uma blusa vermelha, além de um par de brincos e um colar. O cenário da foto é a entrada de uma casa e um portão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-1-Vai-na-Fe.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32290" class="wp-caption-text">Folhetim é o mais lucrativo da faixa das sete na história da Globo, de acordo com a Folha de S. Paulo (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Nunes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A jornada de uma mulher evangélica que vende marmitas para sustentar a família é o </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12308/-vai-na-fe--e-a-novela-que-reflete-a-historia-de-muitas-brasileiras"><span style="font-weight: 400;">retrato de diversas brasileiras</span></a><span style="font-weight: 400;">. A trama poderia ser capaz de fisgar a atenção do público pela representação e, ao mesmo tempo, se perder em um marasmo de clichês e monotonias? Com certeza, caso não tivesse explorado a modernidade de forma tão livre. Lançada em Janeiro de 2023, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xQQgyMbLohc"><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">surge em uma era dificultosa para a teledramaturgia, que, aos trancos e barrancos, não retornou ao lugar magistral que ocupava na vida dos espectadores televisivos antes do contexto pandêmico. Subestimada inicialmente, a produção superou as expectativas de todos, incluindo da própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-32282"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O trunfo da superação é de </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/rosane-svartman/"><span style="font-weight: 400;">Rosane Svartman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que sabe bem como transformar narrativas consideradas simples em situações profundas e cativantes. Afinal, toda história, até mesmo a mais disruptiva e inovadora, parte de um lugar-comum e trivial. O encanto não é gerado apenas pelo conteúdo – na verdade, é, em grande parte, ocasionado por quem conta essas histórias e, também, por quem as interpreta. Nesse caso, pela sintonia de Svartman e Sheron Menezzes, que brilharam juntas ao longo dos 179 capítulos. O texto escrito pela novelista conflui ao tom da interpretação dada pela atriz e o sucesso da obra se deve muito a isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos poucos, a trajetória de Sol (Menezzes) se mostra bem mais peculiar do que a apresentada na sinopse inicial. Perder o esposo, Carlão (Che Moais); virar dançarina do </span><i><span style="font-weight: 400;">ballet</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Lui Lorenzo (José Loreto); reencontrar o grande amor, Benjamin (Samuel de Assis); revisitar os </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2023/07/24/novela-vai-na-fe-muda-retrato-da-violencia-contra-a-mulher-na-teledramaturgia"><span style="font-weight: 400;">traumas do abuso</span></a><span style="font-weight: 400;"> que sofreu de Theo (Emilio Dantas); e descobrir que a primogênita, Jennifer (Bella Campos), é resultado de um estupro, são arcos intensos e super importantes na construção da personagem. Menezzes passeou com destreza por todas essas fases, mostrando que há tempos merecia um </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/sheron-menezzes-celebra-primeira-protagonista-e-representatividade-em-vai-na-fe-sol-e-encantadora.ghtml#:~:text=H%C3%A1%20quase%2021%20anos%2C%20Sheron,%2C%20e%20a%20personagem%2C%20J%C3%BAlia."><span style="font-weight: 400;">papel de destaque</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32289" aria-describedby="caption-attachment-32289" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32289" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-800x500.jpeg" alt="Cena de Vai na Fé. Sol (Sheron Menezzes), que veste blusa preta e tem cabelos castanhos cacheados com luzes loiras, abraça Jennifer (Bella Campos), que tem cabelos castanhos cacheados e veste blusa amarela." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-800x500.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe-768x480.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-2-Vai-na-Fe.jpeg 990w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32289" class="wp-caption-text">Mãe e filha na ficção, Sheron Menezzes e Bella Campos vivenciaram o tema mais sensível, que versou sobre o abuso sexual que Sol sofreu e do qual Jenifer foi gerada (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Torcer pela ‘mocinha’ não foi um sacrifício como acontece frequentemente em produções que colocam as protagonistas como figuras bobas repletas de ações pautadas em bondades hiperbólicas, burras e irreais. Sol não é ingênua. Pelo contrário, é forte, combatente, decidida e corajosa. Acompanhá-la, nos momentos bons ou ruins, é como procurar notícias de uma velha amiga. A mescla entre ganhos e perdas também é um fator considerável, porque mostra como a vida é: cheia de reviravoltas. A trama quebra o paradigma constante de que um personagem principal precisa sofrer do início ao fim. Em gêneros longos como novelas, isso, na verdade, é torturante. É por esse motivo que foi tão emocionante ver </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/personagem/sol/"><span style="font-weight: 400;">Sol</span></a><span style="font-weight: 400;"> conquistando um sonho de cada vez ao decorrer da obra, mesmo que enfrentasse percalços.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O carisma da mocinha, além da entrega de Menezzes, foi gestado já pelo texto de Svartman e de sua equipe de colaboradores: </span><span style="font-weight: 400;">Sabrina Rosa, Fabrício Santiago, Renata Sofia, Mário Viana, Renata Corrêa e Pedro Alvarenga. Inquestionavelmente, a multiplicidade de vozes de cada colaborador foi impressa no roteiro, tornando-o fresco. A concentração textual novelística em apenas um autor foi realidade nos antigos folhetins, mas </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/televisao/noticia/2023/07/12/autora-de-vai-na-fe-rosane-svartman-nao-sonha-com-a-novela-das-21h-estou-fazendo-o-que-gosto.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a colaboração é o futuro</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com ela, os temidos furos não são tão recorrentes e as sequências ganham novas roupagens. Monotonia passa longe quando diversos olhares estão envolvidos na contação de uma história, e o alcance do folhetim foi alicerçado nesse pilar.</span></p>
<p><a href="https://mundonegro.inf.br/representatividade-e-autenticidade-de-vai-na-fe-novela-protagonizada-por-sheron-menezzes-conquistam-o-brasil/"><span style="font-weight: 400;">Representativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> contou não apenas com protagonistas pretos, mas com grande parte do elenco como um todo. De acordo com </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/01/18/samuel-de-assis-comemora-representatividade-em-vai-na-fe-globo.htm"><span style="font-weight: 400;">Samuel de Assis</span></a><span style="font-weight: 400;">, responsável pelo advogado e galã Benjamin, 70% dos atores da novela são pretos. A representação transcende o eixo temático do racismo, que, embora tenha sido abordado na narrativa, não foi o único – o que é uma enorme conquista. Tratar do tema é essencial, porém os personagens pretos não estão lá apenas para essa função. Diante disso, acompanhá-los em outros dramas do cotidiano e vê-los em posição de destaque na história foi um ponto positivo que quebra os </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2021/09/podcast-discute-racismo-na-teledramaturgia-e-a-novela-nos-tempos-do-imperador.shtml"><span style="font-weight: 400;">estigmas impregnados na teledramaturgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> – a qual, por muito tempo, deu espaço aos intérpretes negros somente para coadjuvantes, ou em papéis de empregados e ladrões.</span></p>
<figure id="attachment_32288" aria-describedby="caption-attachment-32288" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32288" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-800x450.jpg" alt="Parte do elenco de atores pretos da novela Vai na Fé. Na foto há intérpretes como Sheron Menezzes, Samuel de Assis, Jean Paulo Campos, Isacque Lopes, Jê Soares, Clara Moneke e Orlando Caldeira, que aparecem sorrindo para a foto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-3-Vai-na-Fe.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32288" class="wp-caption-text">Personagens pretos bem construídos e em destaque foram a maior conquista da novela, sem sombra de dúvidas (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O minucioso trabalho da escalação de elenco foi a mola propulsora para essa representatividade. Antes nunca vista em folhetins, </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/07/30/sucesso-em-vai-na-fe-conheca-a-trajetoria-de-clara-moneke-muito-orgulho-de-ter-comecado-em-um-curso-de-teatro-gratuito.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Clara Moneke</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, de longe, uma grata revelação e exemplo da importância da negritude em obras culturais audiovisuais. Coube a ela vivenciar a engraçada, intensa, sensível e carismática </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=A5YVDkAPDTM"><span style="font-weight: 400;">Kate</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda que como coadjuvante, ganhou maior tempo de tela e se consolidou como uma das melhores personagens. O mesmo vale para Carla Cristina Cardoso como Bruna, mãe de Kate na ficção. Isso porque, se no início ela era apenas o apoio de Sol, nos desdobramentos do arco maternal pôde brilhar através da relação construída com a filha e teve, enfim, uma trama para chamar de sua.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, vale ressaltar que veteranos também foram ‘revelados’ outra vez. É o caso de </span><a href="https://revistaquem.globo.com/entretenimento/tv-e-novelas/vai-na-fe/noticia/2023/07/carolina-dieckmann-sobre-lumiar-em-vai-na-fe-pessoas-passaram-pano-para-as-maiores-loucuras.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Carolina Dieckmann</span></a><span style="font-weight: 400;">, que viveu seu melhor papel na teledramaturgia brasileira como Lumiar Lorenzo. Eternizada como a Lindalva, de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/senhora-do-destino/"><i><span style="font-weight: 400;">A Senhora do Destino</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e Camila, de </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a atriz se consagrou entre as complexidades da dúbia, porém profunda, professora universitária e advogada Lumiar. É característico de Rosane Svartman criar esse tipo de personagem, com camadas que misturam as piores e as melhores facetas da humanidade: egoísmo, arrogância e crueldade entrelaçadas com bondade, intensidade e passionalidade. Também criada pela autora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> com Paulo Halm, </span><a href="https://tvhistoria.com.br/carolina-castilho-foi-a-melhor-personagem-de-totalmente-demais/"><span style="font-weight: 400;">Carolina Castilho (Juliana Paes)</span></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/totalmente-demais/"><i><span style="font-weight: 400;">Totalmente Demais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ilustra essa tipologia de personagem e se assemelha ao papel defendido por Dieckmann.</span></p>
<figure id="attachment_32287" aria-describedby="caption-attachment-32287" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32287" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-800x500.jpg" alt="Cena de Totalmente Demais, novela das sete de Rosane Svartman para a Globo. Na direita, está a atriz Juliana Paes como a personagem Carolina Castilho, a vilã da novela. A personagem tem cabelos pretos castanhos, usa batom vermelho escuro e um roupão marrom. Na cena, ela sorri." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-800x500.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe-768x480.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-4-Vai-na-Fe.jpg 990w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32287" class="wp-caption-text">Carolina Castilho e Lumiar são criadas a partir da mesma receita: contraditórias, intensas, dúbias, emocionais e, sobretudo, humanas (Fotos: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, os arcos, de forma geral, são bem equilibrados. É como se, além da narrativa central, micronarrativas ganhassem espaço a cada bloco de capítulos semanais, garantindo que cada parte do elenco tenha seu momento de esplendor. Regiane Alves como a volátil Clara; </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-06-20/caio-manhente-fala-de-tecnicas-para-interpretar-caio-em-vai-a-fe.html"><span style="font-weight: 400;">Caio Manhente</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele do traumatizado Rafa; Claudia Ohana na interpretação da bondosa Dora; e Renata Sorrah, que representou a atriz decadente Wilma Campos, balanceiam a trama sem invadir o espaço do enredo principal. Essa ampliação escancara o talento dos atores, é óbvio, mas não deixa de demonstrar a destreza da autora e dos colaboradores em não se perderem nos núcleos paralelos, o que acontece com outras produções novelísticas, como em </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/12105/todas-as-flores-reforca-a-importancia-do-anticapacitismo-na-teledramaturgia"><i><span style="font-weight: 400;">Todas as Flores</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que estreou na TV aberta após ser disponibilizada no </span><i><span style="font-weight: 400;">Globoplay</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As sequências também foram embaladas com uma </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/1afCc1xdNSmnxO6wG52IEW?si=3fdb39504f1c4989"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> irretocável; aliás, a Música foi um dos fios condutores de todas as histórias. A abertura com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=spkM__G1iLI"><i><span style="font-weight: 400;">Vai Dar Certo (Vai na Fé)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> na voz de Negra Li e MC Liro é um espetáculo à parte e virou </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;">, assim como as canções de Lui e Sol. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=svUp8isgmes&amp;pp=ygUiYXBlbmFzIG1haXMgdW1hIGRlIGFtb3IgdmFpIG5hIGbDqQ%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Apenas Mais uma de Amor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://labdicasjornalismo.com/noticia/13132/aos-70-anos-lulu-santos-celebra-inicio-de-novo-ciclo-com-lancamento-de-sua-nova-turne-baritono-"><span style="font-weight: 400;">Lulu Santos</span></a><span style="font-weight: 400;">; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v8DOybU8eEM&amp;pp=ygUPaGVsbG8gc3Vuc2hpbmUg"><i><span style="font-weight: 400;">Hello Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Aretha Franklin; e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Wi5pah0DYpM&amp;pp=ygUVbHVtaWFyIHJvYmVydGEgY2FtcG9z"><i><span style="font-weight: 400;">Lumiar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Roberta Campos, também imperam na trama. Contudo, é impossível não citar </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p70o2XWlZ7A&amp;pp=ygUQZ2Fyb3RhIG5vdGEgMTAwIA%3D%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Garota Nota 100</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hUj_hwsIrSU&amp;pp=ygUQZ2Fyb3RhIG5vdGEgMTAwIA%3D%3D"><span style="font-weight: 400;">reinterpretada por Ludmilla</span></a><span style="font-weight: 400;"> e cantada originalmente pelo pioneiro no funk MC Marcinho. A faixa, responsável pelos momentos românticos do casal principal, fica eternizada como uma homenagem ao funkeiro, que, após sofrer uma parada cardíaca, </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2023/08/26/mc-marcinho-o-principe-do-funk-morre-no-rio-aos-45-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">morreu, aos 45 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, no dia 26 de agosto, duas semanas após o fim da novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fora a competência dos atores, a direção de Paulo Silvestrini é outro acerto que equilibrou a novela. Conhecido pelos trabalhos em obras de sucesso na emissora, como </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/a-favorita/"><i><span style="font-weight: 400;">A Favorita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/avenida-brasil-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Avenida Brasil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o diretor entregou cenas catárticas e emocionantes na bela parceria com a autora da produção. Dentre elas, destacam-se o término de Lumiar e Ben; a morte de Dora; a prisão de Kate; a </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2023/08/vai-na-fe-renata-sorrah-e-disputada-por-gloria-perez-joao-emanuel-e-walcyr-carrasco-e-emociona-web.shtml"><span style="font-weight: 400;">reunião</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Wilma Campos com os novelistas João Emanuel Carneiro, Gloria Perez e Walcyr Carrasco; o incêndio promovido por Theo; e o casamento dos protagonistas.</span></p>
<figure id="attachment_32286" aria-describedby="caption-attachment-32286" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32286" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-5-Vai-na-Fe.png" alt="Carla Cristina Cardoso e Clara Moneke caracterizadas como as personagens Bruna e Kate, de Vai na Fé. Bruna, com expressão séria, usa camiseta preta e tem cabelos pretos trançados. Já Kate, que faz bico para a foto, usa uma blusa estampada nas cores amarela, azul e rosa. Ela tem cabelos pretos longos cacheados. As personagens estão em uma sala de estar." width="600" height="400" /><figcaption id="caption-attachment-32286" class="wp-caption-text">Do humor ao drama, Carla Cristina Cardoso e Clara Moneke ganharam espaço na narrativa devido a imensa popularidade que conquistaram com o público (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/vai-na-fe-viaje-por-dentro-da-cidade-cenografica-da-novela-das-7.ghtml"><span style="font-weight: 400;">núcleo do Icaes</span></a><span style="font-weight: 400;">, faculdade fictícia da trama, também mostra a familiaridade do diretor e da escritora com tramas juvenis. Nesse enredo paralelo, a dupla abordou com profundidade eixos temáticos relacionados a cotas universitárias, desigualdades sociais, racismo e sexualidade. Silvestrini trabalhou em </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/malhacao-viva-a-diferenca/"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação: Viva a Diferença</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ganhadora do </span><a href="http://personaunesp.com.br/tag/emmy/"><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> Kids</span></i><span style="font-weight: 400;"> Internacional como </span><a href="https://tvefamosos.uol.com.br/noticias/redacao/2019/04/09/malhacao---viva-a-diferenca-vence-emmy-awards-maior-premio-de-tv-mundial.htm"><span style="font-weight: 400;">Melhor Série</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já Svartman é responsável pelas célebres temporadas: </span><a href="http://teledramaturgia.com.br/malhacao-2012/"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação: Intensa como a Vida</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2021/02/malhacao-sonhos-relembre-quem-e-quem-na-novela.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Malhação Sonhos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio de tantas bonanças e acertos, a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé </span></i><span style="font-weight: 400;">é manchada pela </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/o-que-ha-por-tras-da-censura-ao-beijo-lesbico-em-vai-na-fe"><span style="font-weight: 400;">censura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da direção da </span><i><span style="font-weight: 400;">Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma das subtramas mais potentes, a de Clara, que após anos de abuso do marido se apaixona pela </span><i><span style="font-weight: 400;">personal trainer</span></i><span style="font-weight: 400;"> Helena (Priscila Sztejnman), foi subalternizada. Cenas homoafetivas de beijos das personagens foram </span><a href="https://gente.ig.com.br/celebridades/2023-06-20/globo-censurou-5-beijos-homoafetivos-vai-na-fe-revoltou-publico.html.ampstories"><span style="font-weight: 400;">cortadas inúmeras vezes</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que prejudicou o folhetim e mostrou o retrocesso da emissora em retratar narrativas LGBTQIAP+. </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-05-26/regiane-alves-expoe-reacao-censura-beijo-vai-na-fe-senti-baque.html"><span style="font-weight: 400;">Regiane Alves</span></a><span style="font-weight: 400;">, que deixou a empresa televisiva</span> <span style="font-weight: 400;">após a novela, não se isentou frente ao conservadorismo e à censura. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Um passo de cada vez para a construção de um futuro onde todas as formas de amor possam ser aceitas e celebradas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, escreveu via </span><a href="https://x.com/RegianeAlves/status/1656425698192416770?s=20"><i><span style="font-weight: 400;">X</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a pressão popular, tendo em vista as inúmeras desaprovações dos espectadores, críticos especializados e do próprio elenco, novas cenas foram gravadas e liberadas. No entanto, </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2023/08/01/reta-final-de-vai-na-fe-nao-faz-jus-ao-que-sol-merece.htm"><span style="font-weight: 400;">outros erros</span></a><span style="font-weight: 400;"> se somam ao que não foi tão bom na novela. As famigeradas ‘barrigas’ – períodos em que nada catártico acontece e as tramas parecem monótonas – dominaram a obra. Do meio ao final, a história se tornou cansativa. O interminável julgamento de Theo durou quase um mês e é o maior exemplo, assim como as situações envolvendo o exame de DNA de Jenifer, a gravidez de Guiga (Mel Maia) e muitas outras.</span></p>
<figure id="attachment_32285" aria-describedby="caption-attachment-32285" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32285" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-6-Vai-na-Fe.jpg" alt="Cena do beijo de Clara (Regiane Alves) e Helena (Priscila Sztejnman). Helena, que está do lado esquerdo, tem cabelos castanhos curtos e veste uma blusa com listras brancas e verdes. Clara, que está do lado direito e tem cabelos loiros, veste uma blusa roxa. As personagens estão se beijando em uma sala." width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32285" class="wp-caption-text">Adesão popular foi fundamental para que as cenas de beijos homoafetivos das personagens Clara e Helena fossem liberadas (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se por um lado o folhetim ficou lento, por outro, alguns arcos foram concluídos com superficialidade e correria. A carreira musical de Sol, infelizmente, é um desses casos. Depois de uma longa jornada como cozinheira e dançarina, a protagonista alcançou o sonho de ser cantora solo somente na reta final da trama e, como outras situações também precisavam ser abordadas, a trajetória profissional foi jogada para escanteio. A inserção de Ângelo Paes Leme como um novo </span><a href="https://gente.ig.com.br/tvenovela/2023-07-31/novo-vilao-entra-em-vai-na-fe.html#:~:text=Os%20cap%C3%ADtulos%20finais%20de%20%E2%80%9CVai,de%20Sol%20(Sheron%20Menezzes)."><span style="font-weight: 400;">vilão</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foi bem aproveitada pelo pouco tempo destinado ao enredo, por exemplo. Na pele de Mauro Vieira, um empresário abusador, Paes Leme poderia ter trazido frescor ao folhetim caso sua entrada não tivesse sido tão tardia, visto que ele integrou o elenco somente na última semana da novela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mudança na linearidade é uma das inovações do folhetim. </span><i><span style="font-weight: 400;">Flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> são pouco usados nas novelas e quando aparecem são breves, padrão que </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> rompeu. De forma geral, a fase atual é mais presente, mas isso não impediu que a narrativa principal estivesse totalmente </span><a href="https://gshow.globo.com/novelas/vai-na-fe/noticia/conheca-as-versoes-mais-jovens-de-samuel-de-assis-e-sheron-menezzes-em-vai-na-fe.ghtml"><span style="font-weight: 400;">interligada com o passado</span></a><span style="font-weight: 400;">. O relacionamento de Sol e Ben, inclusive, não caiu no clichê de amor à primeira vista e foi construído, principalmente, na fase jovem dos personagens, assumidos por Jê Soares e Isacque Lopes. A escalação e a caracterização foram condizentes. Em diversas cenas passado e presente se misturam, recurso narrativo que reflete a modernidade de Rosane Svartman para escrever novelas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessas sequências temporais, Ben e Theo se destacam em ambas as fases. A relação conturbada por eles é percebida logo nos primeiros capítulos. Entretanto, quando o rompimento – motivado pela revelação do estupro do vilão contra Sol – acontece no meio da novela, a obsessão do personagem de Emilio Dantas é aprofundada. O ator vivenciou o </span><a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/novelas/dissimulado-dubio-e-aterrorizante-como-theo-virou-o-vilao-perfeito-da-tv-104360"><span style="font-weight: 400;">pior vilão da faixa das sete</span></a><span style="font-weight: 400;">. Desprezível, nojento, abusador e cruel são características rasas para definir o que ele representa. Já Ben é o exato oposto, o contraponto que liquefaz a maldade. Samuel de Assis sustentou o carisma do galã sem perder as complexidades e representatividades que o personagem carregava. Ele e Dantas fizeram uma ótima dupla.</span></p>
<figure id="attachment_32284" aria-describedby="caption-attachment-32284" style="width: 730px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32284" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/Imagem-7-Vai-na-Fe.jpg" alt="Cena de Vai na Fé. Emilio Dantas, que está ao lado esquerdo, é segurado por Samuel de Assis. Emilio é branco, tem cabelos e barbas loiras e veste uma camisa azul escura. Samuel de Assis está de costas para a câmera, é negro, tem cabelos pretos e veste uma blusa azul clara, enquanto segura o personagem de Emilio Dantas. Os personagens estão em uma rua." width="730" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-32284" class="wp-caption-text">Obcecado, Theo atormentou Ben até o último capítulo (Foto: Rede Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Leve e, ao mesmo tempo, intensa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vai na Fé</span></i><span style="font-weight: 400;"> marca a teledramaturgia da </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;"> como um dos </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/televisao/2023/08/vai-na-fe-supera-recorde-de-cheias-de-charme-e-se-torna-o-maior-faturamento-da-globo-as-19h.shtml"><span style="font-weight: 400;">maiores fenômenos novelísticos do horário</span></a><span style="font-weight: 400;">. A particularidade em retratar temas sérios sem perder a essência clássica dos folhetins mostra que, embora seja composta por um texto moderno, a produção não tem medo de ser novela e é o que se cumpre a ser. Ao longo de 179 capítulos, retrata histórias profundas e reais, com o apoio de uma direção e um elenco em total sintonia. Ancorada na musicalidade, a obra, que tropeçou na reta final, reforça a importância de seguir em frente e ir na fé, até mesmo quando fazer isso pode parecer uma missão impossível em meio às turbulências da vida. Sucesso estrondoso, a trama mostra que, sim, os brasileiros amam novelas; mais do que isso: eles sempre vão amar.</span></p>
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