<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Éric Rohmer &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/eric-rohmer/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/eric-rohmer/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 11 Nov 2024 17:01:51 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Éric Rohmer &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/eric-rohmer/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 11 Nov 2024 17:01:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Em Nossos Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Éric Rohmer]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Moraes]]></category>
		<category><![CDATA[Hong Sang-soo]]></category>
		<category><![CDATA[Jo Yun-hee]]></category>
		<category><![CDATA[Kim Min-hee]]></category>
		<category><![CDATA[Kwon Hae-hyo]]></category>
		<category><![CDATA[Na Água]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34376</guid>

					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Hong Sang-soo é considerado um dos grandes cineastas contemporâneos por conseguir trazer profundidade em meio a diálogos, aparentemente, banais, uma condução discreta e histórias simples. Em Através do Fluxo, filme que fez parte da seção Perspectiva Internacional na 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, ele encontra a beleza da vida por &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/">Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34377" aria-describedby="caption-attachment-34377" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Atraves-do-fluxo-1.jpg" alt="O cenário é uma mesa de um restaurante. Três personagens estão em cena. Na direita está o personagem de Kwon Hae-hyo com uma roupa preta e com a mão no queixo. Na esquerda está Kim Min-hee com uma roupa cor de bege. No centro está Jo Yun-hee com uma blusa rosa. As duas olham para o personagem de Kwon Hae-hyo. Existem três taças na mesa na frente de cada um. Eles estão bebendo alguma bebida alcoólica." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34377" class="wp-caption-text">Hong Sang-soo é reconhecido por lançar um filme por ano e por ter uma filmografia muito regular (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=38y-jQNrYU0"><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo</span></a><span style="font-weight: 400;"> é considerado um dos grandes cineastas contemporâneos por conseguir trazer profundidade em meio a diálogos, aparentemente, banais, uma condução discreta e histórias simples. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Através do Fluxo</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que fez parte da seção Perspectiva Internacional na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele encontra a beleza da vida por meio da casualidade.</span></p>
<p><span id="more-34376"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma mesa de bar, de um restaurante ou até de uma casa, a câmera estática capta os diálogos mundanos, que vão levar a algum lugar sem necessariamente falar sobre eles. Essa é uma das características mais marcantes do Cinema de Hong Sang-soo. Enquanto o audiovisual norte-americano usa muito do plano e contraplano nas interações, o cineasta apenas posiciona a filmadora e deixa seus personagens serem espontâneos. Foi assim em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m5tjH4Di7AE"><i><span style="font-weight: 400;">Na Água</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.chippu.com.br/criticas/in-our-day-hong-sang-soo-quinzaine-cannes-critica-kim-min-hee"><i><span style="font-weight: 400;">Em Nossos Dias</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(filmes que fizeram parte da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/47a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">) e também é assim em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suyoocheon.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Novamente, <a href="https://www.instagram.com/kimminheearchive/">Kim Min-hee</a> é a protagonista do longa, dessa vez, interpretando uma professora que reencontra o seu tio depois de muitos anos e o contrata para dirigir uma peça da faculdade. O interessante da obra é como ela fala de amor em suas várias formas, por meio de pequenos gestos e conversas. É sobre o amor entre dois parentes que já não se veem há muito tempo; o carinho construído entre professores e alunos, em que ambos se ensinam para além do acadêmico; o surgimento de um romance. Tudo isso é feito cotidianamente.</span></p>
<figure id="attachment_34378" aria-describedby="caption-attachment-34378" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/Atraves-do-fluxo-2.jpg" alt="Personagem de Kim Min-hee está sentada, sozinha em um degrau. Ela veste uma blusa vermelha por dentro, e por fora uma outra blusa rosada. Ela usa uma calça marrom e tênis preto. Ela está olhando para baixo e anotando algo em um caderno." width="768" height="432" /><figcaption id="caption-attachment-34378" class="wp-caption-text">Kim Min-hee é casada com Hong Sang-soo e protagoniza a maioria de seus filmes (Foto: Jeonwonsa Film)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><span style="font-weight: 400;">filme simula tanto a realidade que, por vezes, nem parece ficcional. Os planos médios e estáticos, que enquadram todos os personagens, valorizam esse aspecto, assim como a dilatação do tempo. Dessa forma, é possível enxergar as relações sendo construídas, casualmente, pelos gestos de cada um. Não existe nem mesmo um direcionamento de como o público deve reagir a cada ação. A diretora da faculdade (</span><a href="https://www.instagram.com/mixnutcookie/"><span style="font-weight: 400;">Jo Yun-hee</span></a><span style="font-weight: 400;">) ‘dando em cima’ do diretor da peça (Kwon Hae-hyo) pode causar o riso da plateia, como também o desconforto. No final das contas, a beleza está exatamente no fato de não existir um caminho pré-definido, tudo se constrói naturalmente, assim como a vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hong Sang-soo, caracterizado por suas narrativas pouco convencionais e, de maneira geral, até mesmo desinteressado pela complexidade da trama, vem se tornando um dos grandes nomes do Cinema mundial, enchendo as salas nas últimas duas Mostras em São Paulo, e sendo comparado até com </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/morre-o-cineasta-frances-eric-rohmer"><span style="font-weight: 400;">Éric Rohmer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Talvez, ele não tenha a filmografia mais fácil de digerir, pela falta de acontecimentos e dilatação do tempo – mesmo com filmes tão curtos –, mas, com certeza, é um dos diretores mais interessantes quando se acostuma com o seu preciosismo pela vida mundana e pela Sétima Arte.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="BY THE STREAM Trailer | TIFF 2024" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XG1FHO4S368?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/">Através do Fluxo encontra a beleza da vida por meio da casualidade</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/atraves-do-fluxo-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34376</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Latente, Afire estremece e queima</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/afire-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/afire-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 21:37:55 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2023]]></category>
		<category><![CDATA[47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Acima das Nuvens]]></category>
		<category><![CDATA[Afire]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Anton Tchekhov]]></category>
		<category><![CDATA[Christian Petzold]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica de Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Deserto]]></category>
		<category><![CDATA[Deserto Vermelho]]></category>
		<category><![CDATA[Drama]]></category>
		<category><![CDATA[Enzo Caramori]]></category>
		<category><![CDATA[Éric Rohmer]]></category>
		<category><![CDATA[Harun Farocki]]></category>
		<category><![CDATA[Langston Uibel]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Mar Báltico]]></category>
		<category><![CDATA[Mia Hansen-Løve]]></category>
		<category><![CDATA[Michelangelo Antonioni]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Olivier Assayas]]></category>
		<category><![CDATA[Paula Beer]]></category>
		<category><![CDATA[Perspectiva Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[Rainer Werner Fassbinder]]></category>
		<category><![CDATA[Rotter Himel]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Schubert]]></category>
		<category><![CDATA[Trilogia Elemental]]></category>
		<category><![CDATA[Undine]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31720</guid>

					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori ‘‘O amor da juventude, a  juventude do amor desaparecerá e passará quanto antes.’’ – John Hay Período em que a suspensão da realidade diária cede lugar à educação sentimental, ao titubear emocional, ao erro e à tentativa: o verão é uma quietude na qual a procrastinação dá espaço a descobertas sensíveis. É uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/afire-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Latente, Afire estremece e queima"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/afire-critica/">Latente, Afire estremece e queima</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31721" aria-describedby="caption-attachment-31721" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-800x600.png" alt="" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-2048x1536.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31721" class="wp-caption-text">Afire foi o vencedor do Urso de Prata do Grande Prémio do Júri no Festival Internacional Cinema de Berlim de 2023 e estreou no Brasil na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">‘‘O amor da juventude, a  juventude do amor</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">desaparecerá e passará quanto antes.’’</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">– John Hay</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Período em que a suspensão da realidade diária cede lugar à educação sentimental, ao titubear emocional, ao erro e à tentativa: o verão é uma quietude na qual a procrastinação dá espaço a descobertas sensíveis. É uma das temporadas dos filmes de Éric Rohmer, cujos propósitos de suas relações ficcionais são, de qualquer maneira, a afetação, seja por leituras tediosas de Balzac, gestos sutis de sedução e o mormaço claro do sol francês. Mesmo que dispondo de um olhar que se dedica às delicadezas da estação, o drama </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/afire-47a"><i><span style="font-weight: 400;">Afire</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), presente na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/perspectiva-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não almeja o lugar da beleza e da delicadeza rohmeriana – na qual se inspira –, mas enfoca justamente nas feridas subjetivas de suas personagens, colhendo, do tédio, o sentimento melancólico de alheamento. </span></p>
<p><span id="more-31720"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo capítulo da </span><a href="https://www.cinematheque-passion.mo/pt/movie/55"><span style="font-weight: 400;">Trilogia Elemental</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor Christian Petzold constrói-se em uma fábula febril, cuja paisagem bucólica e ao mesmo tempo praiana do Mar Báltico alemão é o fundo da construção de atritos e emoções sutis entre um trio central de personagens. A tentativa de isolamento dos amigos Leon (Thomas Schubert) e Félix (Langston Uibel), um escritor e outro fotógrafo, para a realização de seus respectivos projetos, poderia, em um arco narrativo do gênero de filmes de verão, ser iluminada com a presença inesperada e misteriosa de Nadja, interpretada por Paula Beer, presente no trabalho anterior de Petzold, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/12/christian-petzold-dirige-com-mais-calor-undine-versao-de-mito-alemao.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Undine</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020).</span> <span style="font-weight: 400;">Contudo, tanto pela ameaça silenciosa e iminente de queimadas naturais na região seca onde refugiam-se, na casa do fotógrafo, quanto pela centralização da perspectiva pessoal do escritor, um personagem em crise com sua escrita e seu ego conflitante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Afire </span></i><span style="font-weight: 400;">torna o que poderia ser um fator idílico em algo delicado, incômodo e taciturno.</span></p>
<figure id="attachment_31723" aria-describedby="caption-attachment-31723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31723 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-800x450.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31723" class="wp-caption-text">O realizador Harun Farocki colaborou com Petzold nos roteiros de sua trilogia Amor em Tempos de Sistemas Opressivos (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao colocar sobre primeiro plano o complexo narcisismo e frustração do protagonista Leon perante si e seus amigos, a direção de Petzold não faz estremecer somente o espectador frente a diálogos minuciosamente construídos – sarcásticos e com um gosto quase </span><a href="https://kdhx.org/articles/film-reviews/3176-afire-masterfully-depicts-a-taciturn,-insecure-writer#:~:text=In%20press%20notes,by%20Nadja%E2%80%99s%20honesty%20."><span style="font-weight: 400;">tchekhoviano</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que enveredam o espectador nos flertes, farpas e ciúmes do trio. Mas também a própria expressão dos personagens quando pouco dizem e que faz prevalecer o que deixam de falar uns aos outros: algo sempre visível em suas fisicalidades, contrastante, em momentos de tensão, com a leveza do ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vivência na casa os situa em uma intimidade não construída pela afinidade ou pelas semelhanças, mas justamente por um contato estabelecido por devida distância. Em uma dança de olhares, os personagens observam-se mutua e silenciosamente pela janela de seus quartos ou se escutam entre as paredes finas dos cômodos, que deixam escapar seus gemidos à noite. Esse caráter voyeurístico parece corroer Léon interiormente, que vê o verão escapar entre seus dedos, já que o perde entre extensos cochilos, maços de cigarros e o denso </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/burning-down-the-house-christian-petzold-on-afire#:~:text=NOTEBOOK%3A%20Shame%20is%20the%20perfect%20word.%20It%E2%80%99s%20also%20a%20much%2Ddiscussed%20emotion%20in%20literature%20and%20literary%20studies.%20%C2%A0"><span style="font-weight: 400;">desespero</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, acima de tudo, não se fazer nada.</span></p>
<figure id="attachment_31722" aria-describedby="caption-attachment-31722" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31722 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-800x431.webp" alt="" width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-800x431.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-1024x552.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-768x414.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-1536x828.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-1200x647.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1.webp 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31722" class="wp-caption-text">As duas locações de Afire, uma nas florestas de Brandemburgo e a outra próxima ao Mar Báltico, justificam os contrastes dos espaços, dando um ar irreal ao filme (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rotter Himel</span></i><span style="font-weight: 400;"> – título original do filme, que se traduz ‘‘paraíso vermelho’’ –, pareça transportar as tensões sociais e emoções reprimidas na urdidura de silêncios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deserto Vermelho, </span></i><span style="font-weight: 400;">dirigido por Michelangelo Antonioni, </span><a href="https://47.mostra.org/jornal-da-mostra/exposicao-antonioni"><span style="font-weight: 400;">homenageado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela 47ª Mostra, o longa e o Cinema de Petzold é marcado por um retrato sutil das transformações e dos sujeitos sociais da sociedade alemã. Talvez o maior traço disso seja a construção do ritmo de ações do protagonista se situar entre o alarmante sentimento de ser produtivo contra o abraçar do devaneio, que faz de sua vivência na casa mais uma performance, na qual, frente aos outros, finge estar escrevendo, do que um abraço a um aspecto inventivo do ócio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A praia é a paisagem possível – a uma sociedade assolada pelo pós-guerra, pela cisão política e pela lógica de honra do trabalho – de se ter um corpo, fazer sexo, se recriar e inventar fora da norma de produção. Mas, como abordado de diferentes maneiras por seus predecessores Harun Farocki e Rainer Werner Fassbinder, o trabalho é o concessor de uma identidade capaz de evanescer com o estalar dos dedos, o que faz Schubert não somente encenar o protagonista, mas, também, performar o trabalho que atende a Leon um único objetivo: sua </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/burning-down-the-house-christian-petzold-on-afire#:~:text=PETZOLD%3A%20Yes%2C%20that%E2%80%99s,a%20unique%20selling%20point."><span style="font-weight: 400;">vergonha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a representação de si frente a um mundo onde outros não necessariamente trabalham, mas ocupam seus espíritos consigo mesmos. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Afire</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma uma leitura mais singela e moderna de melodramas e novelas para referir-se, a partir do pessoal, a </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/em-transito-um-olhar-sobre-o-monstro-que-habita-varios-tempos-historicos/"><span style="font-weight: 400;">traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e crises sociais, e mostrar, mesmo com determinada distância, que talvez se precise das ondas – ou do fogo –, para se desfazer de si. </span><span style="font-weight: 400;">Quase que como um</span> <a href="https://blogdacotovia.blogspot.com/2016/04/seis-contos-morais-de-eric-rohmer.html"><span style="font-weight: 400;">conto moral</span></a> <span style="font-weight: 400;">de Petzold, o desprendimento das resistências individuais parece ser o caminho ideal para o aflorar criativo de Leon, além de um deslumbramento com a paisagem que, em filmes como </span><a href="https://mubi.com/pt/br/films/bergman-island-2021"><i><span style="font-weight: 400;">A Ilha de Bergman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Mia Hansen Løve, e </span><a href="https://criticos.com.br/?p=6282"><i><span style="font-weight: 400;">Acima das Nuvens</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Olivier Assayas, toma a beleza do espaço e a conexão com os elementos terrenos – a sensualidade, as sensações e os sentidos – como o desbloqueio de suas dificuldades. </span></p>
<figure id="attachment_31724" aria-describedby="caption-attachment-31724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-800x450.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31724" class="wp-caption-text">A Literatura está sempre presente nos filmes de Christian Petzold e, em Afire, destaca-se o poema The Azra, de Heinrich Heine (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, a </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/hard-cover-christian-petzold-reader-director"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixa de</span> <span style="font-weight: 400;">cumprir sua função estética como um eixo de referência entre o diretor e sua criação, mas também narrativa. Personagens escritores podem, curiosamente, servir de metáforas ou alegorias a seus autores, mas nesse contexto, o ofício parece capturar o sentimento de recusa ao outro. Para além de um arcabouço do qual o protagonista justifica seus escapes às atividades cotidianas e conjuntas dos dias ensolarados, a desculpa da escrita é a concha para qual se volta quando se encontra em desalinho e alienado do corriqueiro, lidando com a introspecção e a insegurança de seu texto. Aqui, a escrita é uma covardia e uma forma de comunicação na qual se materializa essa constante conexão e desconexão do mundo que o cerca, tanto por grosserias materializadas em maus-entendidos que nebulam jantares ainda ensolarados quanto pelo embaraço íntimo </span><span style="font-weight: 400;">de uma paixão incerta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Afire, </span></i><span style="font-weight: 400;">a apatia do personagem predomina e, diferentemente dessa consonância com a natureza e o ambiente que acarreta ao pico criativo, é a partir do fogo e das cinzas – que chegam a parecer dentes-de-leão ao céu – que o </span><a href="https://lithub.com/can-writers-have-fun-afire-is-a-character-study-of-a-self-absorbed-novelist/"><span style="font-weight: 400;">escritor</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontra-se em seu texto. Um fogo que não somente é um componente de uma fábula contemporânea que coloca uma catástrofe natural, que enfurece ao longo que o filme passa, à espreita e ao fundo dos planos e diálogos, mas sim um presságio que espelha a experiência psicológica e o colapso de seus personagens.</span></p>
<figure id="attachment_31725" aria-describedby="caption-attachment-31725" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-800x450.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31725" class="wp-caption-text">A leveza da atuação de Paula Beer justifica-se por seu histórico na dança, premeditado na escalação da atriz em Undine (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se de alguma forma Petzold persiste, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Undine, </span></i><span style="font-weight: 400;">a </span><a href="https://icsfilm.org/uncategorized/myth-within-modernity-christian-petzolds-undine/"><span style="font-weight: 400;">reconstruir mitos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o faz dando a um imaginário específico de filmes alemães, um Cinema veranil, cuja claridade adentra pela </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/afire-review-slow-burning-german-drama-about-a-self-absorbed-writer"><span style="font-weight: 400;">queima lenta</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tensões e pela repetição quase métrica das emoções de seus personagens. Mesmo não atravessados pelo estremecimento emocional do protagonista, são envolvidos por uma inércia que faz as mudanças serem sutis e quase imperceptíveis. Não há rupturas, mas sim uma profundidade que vai se acessando com as ações e interações com os motivos centrais da obra que, centrado no mundo egoico de Leon, se fazem ainda mais ocultos e imperceptíveis sob sua cegueira às relações sociais e emocionais que o cercam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é verossímil e se faz real é a capacidade do amor e da paixão, sentimentos abissais que torcem seus personagens para dentro e fora de si. O tremor desse indivíduo enveredado em um sua paixão e sua vergonha é um cenário que não precisa ser representados em sua literalidade, pois já é ilustrado pelo olhar abissal frente a uma catástrofe natural e sensível, desesperados para agarrarem-se ao que está a iminência de se perder, frente ao </span><a href="https://artreview.com/afire-christian-petzold-review-summer-film-eric-rohmer/"><span style="font-weight: 400;">fogo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Afire</span></i><span style="font-weight: 400;"> se estabelece mais no sentimento de não representar em sua totalidade, dada suas lentes individualistas que prendem Leon a si mesmo e que, ainda que suas patologias criativas sejam superadas, remanesce como sendo o protagonista de uma </span><a href="https://www.documentjournal.com/2023/07/afire-film-christian-petzold-paula-beer-german-cinema-cuba-libre-ghosts-barbara/"><span style="font-weight: 400;">crônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre perda. O sentimento final de culpa não apenas instaura um gosto estranho de melancolia, como de algo que não pode ser dito e que se encerra em sua perspectiva, mas também da realidade da representação. Trêmulo, em uma chama baixa próxima a se apagar, o tempo de descobertas se afoga no sentimento da inércia de alguém que fica ao fundo e observa o verão se desenrolar, enquanto restam só escritos do que poderia, em algum momento, ter sido.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="AFIRE - Official US Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KzdO_J10kEg?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/afire-critica/">Latente, Afire estremece e queima</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/afire-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31720</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
