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	<title>Arquivos Enzo Caramori &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Enzo Caramori &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Os Melhores Livros de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Mar 2024 20:47:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>O último ano foi para a Literatura rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-livros-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Livros de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32894" aria-describedby="caption-attachment-32894" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-32894" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/wordpress-1.jpg 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32894" class="wp-caption-text">De cantores a autores sob codinomes, os Melhores Livros de 2023 se encontram nas possibilidades (Arte: Aryadne Xavier/ Texto de Abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O último ano foi para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura/"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> rico em experimentações. Com obras de gêneros distintos e um movimento de mais espaço para possibilidades, os resultados foram páginas cobertas por amor, descobertas, dores e muito mais do que o sentir pode proporcionar. Assim, chegamos a lista selecionada pela Editoria do Persona, que compõem as escolhas para representar Os Melhores Livros de 2023. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante que lembremos que além de propícia para  novas ideias, a temporada marcou eventos importantes para a representatividade no meio literário. Em Outubro, tivemos o primeiro indígena eleito como imortal pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o autor </span><a href="https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2023/10/09/ailton-krenak-e-o-primeiro-indigena-eleito-para-a-academia-brasileira-de-letras#:~:text=Representatividade-,Ailton%20Krenak%20%C3%A9%20o%20primeiro%20ind%C3%ADgena%20eleito%20para%20a%20Academia,ocupar%20uma%20cadeira%20na%20academia."><span style="font-weight: 400;">Ailton Krenak</span></a><span style="font-weight: 400;">, que assina sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Ideias para Adiar o Fim do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Futuro Ancestral</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro marco foi a presença de autores negros em espaços de reconhecimento. Na Festa Literária de Paraty (Flip) do último ano, o principal nome da programação era o de uma das autoras negras mais faladas do Brasil na atualidade, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wfq5GfitcS0"><span style="font-weight: 400;">Conceição Evaristo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além de discursos essenciais e uma contribuição literária notável, a presença da escritora no evento literário inspira e carrega muito significado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muitos centenários também foram comemorados no período, como o de nascimento da autora </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/o-poeta-e-o-mundo/"><span style="font-weight: 400;">Wislawa Szymborska</span></a><span style="font-weight: 400;">, vencedora do Prêmio Nobel de Literatura de 1996. Além dela, </span><span style="font-weight: 400;">Eugénio de Andrade (</span><i><span style="font-weight: 400;">As Mãos e os Frutos</span></i><span style="font-weight: 400;">), o poeta surrealista Mário Henrique Leiria, o ensaísta Eduardo Lourenço e Mário Cesariny fizeram parte da lista de centenários e foram celebrados. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre tantos marcos, fica a esperança de um momento ainda mais doce para o mundo dos livros está por vir. Enquanto isso, você confere a lista dos textos que se destacaram para o Persona no ano de 2023 e aproveita dicas de leitura variadas. Para todas as preferências, fica o gosto de obras plurais e extremamente ricas em cultura, liberdade e a vontade de transformar cada capítulo. Boa leitura!</span></p>
<p><span id="more-32816"></span></p>
<figure id="attachment_32818" aria-describedby="caption-attachment-32818" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32818" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg" alt="Capa do Livro de uma a outra ilha. Na imagem, há uma elipse esverdeada em meio a um extenso fundo azul para representar uma ilha. Na porção superior, vemos o título do livro. Na inferior há o nome da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/De-uma-a-outra-ilha.jpg 685w" sizes="(max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32818" class="wp-caption-text">De uma a outra ilha é um poema longo de 40 páginas (Foto: Circulo de poemas)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Martins Marques &#8211; De uma a outra ilha</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito pela poetisa brasileira Ana Martins Marques, </span><i><span style="font-weight: 400;">De uma a outra ilha</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca em palavras a cartografia de um lugar: a ilha de Lesbos. A obra, que foi lançada em Julho de 2023, se comporta como um manifesto político contra a morte de imigrantes e a crueldade das fronteiras estabelecidas entre os territórios. O escrito é sensível, mas mantém a força de suas afirmações e posicionamentos a cada linha, estabelecendo uma relação entre o que é autoral e o que é retomado do conjunto de </span><a href="https://www.blogletras.com/2021/05/dez-poemas-e-fragmentos-de-safo.html"><i><span style="font-weight: 400;">Poemas e fragmentos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Safo. </span></p>
<p><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/lesbos-a-ilha-do-desespero-onde-milhares-de-imigrantes-estaopresos-5cuj19hdzho8glzhes071w18c/"><span style="font-weight: 400;">Lesbos</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um ambiente conhecido pelo alto fluxo de imigração européia de pessoas que estão tentando passar pela Grécia. No entanto, diante da política indiferente quanto a essa população, o espaço se tornou uma espécie de purgatório de vivos, além de testemunhar mortes recorrentes das pessoas tentando se deslocar pelo oceano. Assim, a literatura de Marques se coloca a repreender o cenário lamentável através de escolhas lexicais delicadas e bem marcadas. Nas linhas suaves de um poema extenso, o livro sangra em águas turbulentas. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32824" aria-describedby="caption-attachment-32824" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-32824" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg" alt="Capa do livro Paixão Simples. A capa conta com uma grande foto de Annie Ernaux com filtro sépia. Ela é uma mulher branca com cabelos grisalhos lisos e óculos de sol quadrados. Ao redor da fotografia há retângulos rosa, vermelho, preto, amarelo e lilás com o nome do livro, da autora e da editora." width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1-548x800.jpg 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/paixao-simples-1.jpg 685w" sizes="(max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32824" class="wp-caption-text">Em Paixão Simples, Annie Ernaux traduz o ato de se apaixonar em seus termos (Foto: Fósforo Editora)</figcaption></figure>
<p>Annie Ernaux &#8211; Paixão Simples</p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/os-anos-do-super-8-critica/"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> se tornou uma das figuras mais influentes da Literatura nos últimos anos. Com seus textos destrincha coisas complexas em vocábulos diretos e brutos, mas </span><i><span style="font-weight: 400;">Paixão simples,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que chegou ao Brasil pela Fósforo em 2023, tem algo de diferente. O livro relata uma paixão que a autora teve por um homem um pouco mais jovem e casado, chamado de A.. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O apaixonar-se soa obsessivo e dá origem a uma Ernaux fora das linhas, que dispensa seus livros em nome de assistir novelas junto com o homem. É como se seu cérebro funcionasse de forma completamente irracional e isso se reflete no ritmo da leitura, no qual as páginas são caóticas e mais rápidas que o habitual de seus escritos. Assim, a ganhadora do Nobel de Literatura é, mais uma vez, sensacional, quando descreve as dores, tensão, o desespero e o desejo que ultrapassam qualquer limite. A paixão continua um sentimento complexo, mas Annie </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> prova simples é deixá=lo pulsar. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32820" aria-describedby="caption-attachment-32820" style="width: 514px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32820" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg" alt="Capa do livro Irmãs do Inhame: Mulheres negras e autorrecuperação. No centro do livro temos a pintura de duas mulheres negras em tonalidades de azul escuro. Uma está colocando uma coroa na outra, como símbolo de cuidado. Na parte inferior do está escrito o nome do livro em rosa, preto e branco. Na parte superior está escrito o nome da autora na cor preta. O fundo da tela é formado por uma cor sólida de rosa. " width="514" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique-514x800.jpg 514w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Irmas-do-Inhame-Ludmila-Henrique.jpg 643w" sizes="auto, (max-width: 514px) 85vw, 514px" /><figcaption id="caption-attachment-32820" class="wp-caption-text">“Irmãs, eu as saúdo no amor e na paz” (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><b>bell hooks &#8211; Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No seu tempo como educadora em universidades norte-americanas na década de noventa, </span><a href="https://www.geledes.org.br/bell-hooks-o-legado-da-maior-pensadora-do-feminismo-do-seculo-21/"><span style="font-weight: 400;">bell hooks</span></a><span style="font-weight: 400;"> entendeu rapidamente a necessidade de existir um grupo de apoio que acolhesse as dores e preocupações singulares de suas alunas negras, dessa maneira, surgiram as Irmãs do Inhame. Inspirada pelo romance </span><i><span style="font-weight: 400;">The Salt Eaters</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Toni Bambara, o nome do coletivo nasceu da importância do tubérculo nas comunidades negras, que além de atuar na alimentação e nutrição do corpo, também é um símbolo das conexões diaspóricas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Distanciando da terapia convencional, que em grande parte desconsidera ‘raça’ como um fator importante na autorrecuperação e no entendimento da saúde mental de pessoas negras, as </span><a href="https://www.cartacapital.com.br/opiniao/irmas-do-inhame-de-bell-hooks-um-carinho-na-alma-das-mulheres-pretas/"><span style="font-weight: 400;">Irmãs do Inhame</span></a><span style="font-weight: 400;"> miravam no afastamento do auto-ódio canalizado pela baixa autoestima e priorizavam o bem-estar por meio do diálogo. Em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Irmãs do Inhame: mulheres negras e autorrecuperação</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autora registra que ao externalizar suas feridas com pessoas que compreendem das mesmas dores, assim como todo o ato de pessoas negras procurando ajuda sobre o seu interior pessoal, passam a fazer parte de uma prática de política libertária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro é um compilado dos ensinamentos desenvolvidos durante anos entre <a href="https://personaunesp.com.br/tag/bell-hooks/">bell hooks</a> e suas discentes. Interligando acontecimentos pessoais da própria autora com contextos históricos que envolvem o racismo e a pessoa mais afetada por ele: a mulher negra. Uma obra que lida com o humano, uma humanidade que possui feridas abertas nos corpos, mentes e espíritos, e que ainda não conquistou serenidade plena com o seu próprio eu. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_32823" aria-describedby="caption-attachment-32823" style="width: 549px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32823" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg" alt="Capa do livro A mulher em mim de Britney Spears. A arte de capa é uma fotografia em preto e branco de Spears, uma mulher branca de cabelos claros e olhos escuros. Ela está posicionada no canto esquerdo da arte, olhando para a câmera de lado enquanto veste uma calça e encobre os seios. O fundo é preto e ao lado de Britney Spears está escrito seu nome em letras garrafais rosa seguido do título do livro em letras garrafais brancas “A MULHER EM MIM" width="549" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-549x800.jpg 549w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-703x1024.jpg 703w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears-768x1118.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Britney-Spears.jpg 1030w" sizes="auto, (max-width: 549px) 85vw, 549px" /><figcaption id="caption-attachment-32823" class="wp-caption-text">O audiobook em inglês de A mulher em mim é narrado por Michelle Williams (Foto: BUZZ)</figcaption></figure>
<p><b>Britney Spears &#8211; A mulher em mim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após incontáveis </span><a href="https://personaunesp.com.br/framing-britney-spears-a-vida-de-uma-estrela-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentários</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a sua trajetória, inúmeras suposições em torno de sua vida particular e idas mais do que suficientes para a corte estadunidense na luta pelo fim de sua tutela, Britney Spears decidiu que estava pronta para contar a sua versão dos fatos na autobiografia </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/livros/noticia/2023/10/27/biografia-de-britney-spears-a-mulher-em-mim-e-o-livro-mais-vendido-em-pelo-menos-9-paises.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Exatamente como está acostumada nos palcos, o livro é a versão mais poderosa da artista, mesmo com os seus momentos mais vulneráveis sendo </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2023/11/01/michelle-williams-viraliza-ao-imitar-justin-timberlake-em-audiolivro-de-britney-spears-ouca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">revelados</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nos registros mais desafiadores que Spears assume e liberta essa força feminina dentro dela, que lidou com tantos obstáculos que atravessam a existência das mulheres. Partindo desde as mazelas de existir em uma sociedade historicamente patriarcal, passando pelas distintas experiências com a ideia de maternidade até, em seu caso em específico, ser uma </span><i><span style="font-weight: 400;">superstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/como-britney-spears-ajudou-musica-de-roberta-miranda-a-crescer-60"><span style="font-weight: 400;">indústria musical</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se alimenta da </span><a href="https://personaunesp.com.br/britney-spears-blackout-resenha/"><span style="font-weight: 400;">queda</span></a><span style="font-weight: 400;"> de suas estrelas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A mulher em mim</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem o essencial de uma boa autobiografia: segredos, polêmicas e uma contextualização que já atrai, logo de cara, a </span><a href="https://personaunesp.com.br/controlling-britney-spears-em-busca-de-liberdade-critica/"><span style="font-weight: 400;">opinião pública</span></a><span style="font-weight: 400;"> para o lado de Britney Spears; invertendo um cenário de hostilização de décadas. Por vezes, a escrita é tão familiar que mais parece um compilado das legendas da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=clwLKJ294u4"><span style="font-weight: 400;">Princesa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/gente/vejo-voces-no-inferno-britney-spears-instagram-revelacoes-biografia-nprec/"><i><span style="font-weight: 400;">Instagram</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, felizmente, sem a quantidade desconcertante de </span><i><span style="font-weight: 400;">emojis</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_32826" aria-describedby="caption-attachment-32826" style="width: 552px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32826" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png" alt="Capa do livro Parem de Falar Mal Da Rotina. O fundo é como uma representação do céu com nuvens. No centro superior há o nome da escritora, Elisa Lucinda, e ao lado direito há o logo da Editora Record em vermelho. Elisa Lucinda, mulher negra em torno dos 60 anos, está no centro da imagem. Utiliza uma blusa vermelha com decote e uma pulseira prateada no braço esquerdo. Seu cabelo - crespo e castanho escuro - está com um Black Power. Em suas pontas, o cabelo forma desenhos do cotidiano contado pela escritora durante o livro. No centro do cabelo está escrito, em tom claro, o título do livro “Parem de Falar Mal Da Rotina”. Ao lado de Elisa, há os dizeres em vermelho “Nova edição revista pela autora”" width="552" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina-552x800.png 552w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/parem-de-falar-mal-da-rotina.png 600w" sizes="auto, (max-width: 552px) 85vw, 552px" /><figcaption id="caption-attachment-32826" class="wp-caption-text">Elisa Lucinda e seu livro, em nova edição, nos fazem adentrar nos versos e monólogo da escritora (Foto: Editora Record)</figcaption></figure>
<p><strong>Elisa Lucinda &#8211; Parem de Falar Mal da Rotina</strong></p>
<p><a href="https://teatro.ufes.br/conteudo/parem-de-falar-mal-da-rotina-o-espetaculo-de-sucesso-que-encanta-o-brasil-ha-21-anos-agora"><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em nova edição, evoca o palco de teatro e as poesias de sucesso que Elisa Lucinda faz há mais de 20 anos com o seu monólogo de mesmo nome. Nesta versão, a atriz evoca novamente o projeto da peça de tremendo sucesso: enxergar a beleza da vida &#8211; o nascer do sol, o pôr do sol &#8211; nos momentos em que, muitas vezes, a gente desdenha por ser rotineiro.</span></p>
<p><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa5980/elisa-lucinda"><span style="font-weight: 400;">Elisa Lucinda</span></a><span style="font-weight: 400;">, que tem uma destreza magnífica ao escrever &#8211; é uma autora (uma das muitas coisas que Elisa é com grande brilho) que nos emociona em um verso e no outro nos faz rir logo em seguida. </span><i><span style="font-weight: 400;">Parem de Falar Mal da Rotina</span></i><span style="font-weight: 400;">, é certo, comunica com todos que aqui estão presente &#8211; como a peça faz também -, entretanto, para quem ainda não teve a oportunidade de experimentar o espetáculo ao vivo, o livro nos dá um gostinho de querer mais. A narração dos fatos, do cotidiano, da rotina, sem dúvidas, não fica chato quando a maravilhosa Elisa Lucinda nos conta. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32827" aria-describedby="caption-attachment-32827" style="width: 277px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32827" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/saia-da-frente-do-meu-sol.jpg" alt="Capa do livro Saia da Frente do Meu Sol. A capa do livro possui o tom homogêneo azul. Há pessoas deitadas na praia, de frente para o leitor, um homem está em destaque, o personagem Tio Ricardo. Um homem branco, com cabelo preto e sem camisa. Outras pessoas estão em volta, mas tapadas pelas letras. Ao lado direito do homem, há o título do livro escrito em amarelo, e, embaixo da palavra “frente”, há o nome do autor, Felipe Charbel, escrito em branco. Também em branco há o nome da editora, Autêntica Contemporânea, no canto inferior direito da página" width="277" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32827" class="wp-caption-text">Felipe Charbel é professor associado de história da UFRJ (Foto: Autêntica Contemporânea)</figcaption></figure>
<p><b>Felipe Charbel </b><strong>&#8211;</strong> <b>Saia da Frente do Meu Sol </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Felipe Charbel, romancista brasileiro, imerge em mais uma história que se desenvolve entre segredos familiares no recente </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/colunas/critica-cultural/vidas-narradas"><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Caracterizado pelo vazio de informações totalmente proposital, Tio Ricardo levantava diversas questões sobre sua vida misteriosa após seu falecimento e enterro, onde poucas pessoas compareceram.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com um desenvolvimento leve e coerente, </span><a href="https://ppghis.historia.ufrj.br/docente/felipe-charbel-teixeira/"><span style="font-weight: 400;">Charbel</span></a><span style="font-weight: 400;"> não pula etapas ao mostrar para o leitor sobre cada detalhe que descobre a respeito da vida do tio. O público é outro personagem, e se choca ao mesmo tempo que o protagonista do livro. Contagiante e madura são as palavras que definem a leitura fluida que o carioca consegue passar em suas obras, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Saia da Frente do Meu Sol</span></i><span style="font-weight: 400;"> é mais uma prova. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_32830" aria-describedby="caption-attachment-32830" style="width: 548px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32830" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png" alt="Capa do livro Ellis Island. Na imagem, há uma elipse azul escuro em um fundo azul claro para representar a ilha. Na porção superior há o escrito &quot;Ellis Island&quot; em letras brancas " width="548" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland-548x800.png 548w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/ellis-sland.png 685w" sizes="auto, (max-width: 548px) 85vw, 548px" /><figcaption id="caption-attachment-32830" class="wp-caption-text">O poema longo de Perec é destinado, inicialmente, para a construção do roteiro de um documentário homônimo, realizado com o diretor Robert Bober, sobre a ilha (Foto: Círculo de Poemas)</figcaption></figure>
<p><b>Georges Perec – </b><b>Ellis Island </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ausência não deixa de ser uma personagem recorrente na literatura do autor francês </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/autores/georges-perec/"><span style="font-weight: 400;">Georges Perec</span></a><span style="font-weight: 400;">. A falta de um </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/blog/maquina-de-escrever/post/linguagem-e-protagonista-no-romance-o-sumico-de-georges-perec.html"><span style="font-weight: 400;">caractere</span></a><span style="font-weight: 400;">, de um enredo sólido ou de respostas a perguntas que, além de conduzirem a construção histórica e poética de </span><a href="https://circulodepoemas.com.br/produto/ellis-island/"><i><span style="font-weight: 400;">Ellis Island</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">existem para reconstituir os arquivos e acontecimentos de um espaço que ergue-se pela amnésia. </span><span style="font-weight: 400;">Em uma escrita objetiva, o escritor traça a genealogia da imigração e os múltiplos sentidos dessa ilha – nas palavras de Perec um ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘lugar de ausência de lugar, o não lugar, o lugar nenhum</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ – onde se criou os Estados Unidos da América: um espaço de trânsito e despersonalização no qual emigrantes tornaram-se imigrantes; onde as histórias de pessoas de todos os cantos do mundo – italianos, judeus, porto riquenhos e cambojanos – eram submetidas a análise para, então, darem força e trabalho ao que viria se tornar a maior nação do mundo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os inquéritos de Perec – ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">como descrever?/ como contar?/ como olhar? (&#8230;) como ler esses rastros?’’, </span></i><span style="font-weight: 400;">que mais soam como lamentos, diferentemente dos agentes de imigração que articulavam o futuro de pessoas em clausura no espaço da ilha – são, em si, formas de retratar um tema caro também a artistas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2-27QaUl0D8"><span style="font-weight: 400;">Meredith Monk</span></a><span style="font-weight: 400;"> e inseri-lo, a partir do poema, em um tempo não linear e constante. Ellis Island não existe mais enquanto um centro de detenção e inspeção de imigrantes a qual a Estátua da Liberdade já anunciava paradoxos e mentiras, mas na condição de um monumento histórico que ainda inquieta a quem procura respostas a uma ancestralidade pautada na diáspora, vasta em meio a dezesseis milhões de histórias individuais. O inquietante poema de Perec, no entanto, faz da ruína e do vazio uma memória potencial à pequeneza perdida e encontra sua própria identidade nessa busca. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_32831" aria-describedby="caption-attachment-32831" style="width: 634px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32831" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png" alt="" width="634" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-634x800.png 634w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente-768x968.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-a-gente.png 793w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32831" class="wp-caption-text">Enaltecendo a vida de Gil, Nós a gente é um alento para o coração (Foto: WMF Martins Fontes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil e Daniel Kondo &#8211; Nós, a gente </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro organizado por Guilherme Gontijo Flores, é a materialização em artes visuais das poesias belíssimas compostas por Gilberto Gil. Com ilustrações de Daniel Kondo nas 40 músicas selecionadas, as canções escolhidas têm em comum a temática do amor à família. A obra foi concebida na época em que o cantor estava comemorando seus 80 anos, em 2022, e saindo pela Europa com a turnê Nós, A Gente &#8211; nome homônimo ao do escrito -, sendo tudo registrado no documentário </span><a href="https://www.primevideo.com/-/pt/detail/Fam%C3%ADlia-Gil/0S6ROOS2KGZ3QIKJCBHPGQ7AA9"><i><span style="font-weight: 400;">Viajando com os Gil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.academia.org.br/noticias/gilberto-gil-lanca-o-livro-nos-gente-hoje-na-abl"><i><span style="font-weight: 400;">Nós, a gente</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> além de ser uma ótima experiência escutar as músicas à medida em que analisa as artes das canções, também é possível ter acesso às entrevistas conduzidas por Guilherme e Daniel com Gilberto Gil e Flora Gil. Com sua calma e leveza, Gil nos mostra toda a sua bagagem &#8211; principalmente o núcleo familiar &#8211; que constituiu durante seus 80 anos de vida. Não sendo diferente, Flora também nos mostra a felicidade de ter uma família unida. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No geral, o livro é uma grande celebração de vida de </span><a href="https://gilbertogil.com.br/bio/gilberto-gil/"><span style="font-weight: 400;">Gilberto Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo o que foi construído e feito merece essa cerimônia literária e visual, ainda mais quando se está acompanhado de familiares. Por fim, temos acesso à grandiosa árvore genealógica do artista e também a algumas fotos, com legendas de sua neta, Flor Fil, dos bastidores da turnê europeia. É uma escrita deliciosa de se saborear. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32832" aria-describedby="caption-attachment-32832" style="width: 550px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32832" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg" alt="Capa do livro Girls Like Girls. Na imagem, há duas meninas ilustradas de costas, uma ao lado da outra. A da esquerda tem cabelos loiro escuros, usa camiseta brancae saia vermelha. A da direita tem cabelos pretos e veste uma camisa azul. O cenário tem tonalidade rosa, árvores e uma montanha." width="550" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls-550x800.jpg 550w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/girls-like-girls.jpg 687w" sizes="auto, (max-width: 550px) 85vw, 550px" /><figcaption id="caption-attachment-32832" class="wp-caption-text">Inspirado na música homônima, Girls Like Girls abraça a comunidade sáfica (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Hayley Kiyoko &#8211; Girls Like Girls</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hayley Kyoko marcou a juventude de uma geração de pessoas lgbtqia+ quando começou a cantar sobre o amor entre meninas, especialmente, com o lançamento de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0MT8SwNa_U"><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em 2015. A música, que acompanhava um clipe adorável, alimentou </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sáficas por anos, e agora, as teorias se concretizam nas páginas de </span><i><span style="font-weight: 400;">Girls Like Girls: Uma história de amor entre garotas</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro aprofunda a relação entre as protagonistas do videoclipe, Coley e Sonya, duas jovens em idade escolar com diferentes desafios a enfrentar, mas uma conexão inexplicável em comum. Ao passar das páginas, a história mescla os clichês que ensolaram a alma com os desafios da autodescoberta, fazendo tudo ser doce, lindo e, ainda assim, extremamente próximo dos medos da vida real. Traduzidas por Helen Pandolfi, as palavras de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rbkVPSJzCkU"><span style="font-weight: 400;">Hayley</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos transportam de volta à adolescência e restauram o desejo de viver um amor tão sincero como o de </span><i><span style="font-weight: 400;">Gilrs Like Girls</span></i><span style="font-weight: 400;">. – Jamily Rigonatto </span></p>
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<figure id="attachment_32833" aria-describedby="caption-attachment-32833" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32833" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/salvar-o-fogo.jpg" alt="Capa do livro Salvar o Fogo. O fundo é laranja. No centro superior há os dizeres em cinza “Do autor de Torto Arado”. Logo abaixo, em branco, há o título “Salvar o Fogo” e, mais embaixo, em preto, há o nome do escritor “Itamar Vieira Junior”. Abaixo dos dizeres há um desenho de uma mulher negra usando um vestido branco até os pés, um lenço branco nos cabelos castanhos e um chinelo branco. Ao seu lado direito está de mãos dadas com uma criança negra vestindo uma camisa branca e bermuda azul, cabelo curto castanho e descalço. Os dois estão virados de costas. Ao lado esquerdo da mulher há um cesto de roupa verde com linhas douradas. Há uma roupa branca jogada para fora do cesto. Ao lado do menino tem uma planta verde. No centro inferior há a logo em branco da Editora Todavia." width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32833" class="wp-caption-text">Em Salvar o Fogo, Itamar Vieira Jr. desmonta a história da sociedade brasileira em 300 páginas (Foto: Editora Todavia)</figcaption></figure>
<p><strong>Itamar Vieira Júnior &#8211; Salvar o fogo</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><i><span style="font-weight: 400;">Salvar o fogo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Itamar Vieira Junior novamente nos apresenta uma história difícil de engolir e com muita verossimilhança em relação à sociedade brasileira. Contando as narrativas de uma família agricultora no interior da Bahia &#8211; que acaba sendo dividida pelas violências direcionadas aos familiares -, o autor nos oferece um processo de escrita muito arrebatador e necessário, evidenciando as inúmeras agressões da realidade brasileira. O </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/resenhas/ficcao/1805-itamar-vieira-junior-salvar-o-fogo"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;">, dessa maneira, acaba se tornando uma manifestação de denúncia contra as hostilidades que agridem exclusivamente às pessoas negras, indígenas, mulheres, crianças, pobres, agricultores e de religiões de matriz africana ou indígena. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 320 páginas, </span><a href="http://www.letras.ufmg.br/literafro/autores/1270-itamar-vieira-junior"><span style="font-weight: 400;">Vieira Junior</span></a><span style="font-weight: 400;"> sintetiza, de forma adequada e avassaladora, a história desse Brasil invadido há 500 anos. Exaltando a natureza e seu poder, o romancista brinca com as palavras ao associar as passagens das personagens com os elementos naturais, trazendo um lirismo muito bonito e interessante de se pensar, já que a destruição da natureza reflete diretamente a destruição também da humanidade. Com isso, Moisés, Luzia, Alzira, Mundinho, entre outros, não serão as últimas personagens que denunciam essa realidade perversa e racista &#8211; assim como não foram as primeiras -, entretanto é certo que a prosa criada por Itamar traz consigo, não só dessa forma, mas uma das mais potentes no enredo, a denúncia através do resgate dos saberes ancestrais afro indígenas no combate à essa realidade da </span><a href="https://ponte.org/o-que-e-necropolitica-e-como-se-aplica-a-seguranca-publica-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">necropolítica</span></a><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_32864" aria-describedby="caption-attachment-32864" style="width: 334px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32864" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Os-perigos-de-fumar-na-cama.png" alt="Capa do livro Os perigos de fumar na cama. A capa tem um fundo azul claro.No topo, vemos as palavras “os perigos de fumar na cama” em uma letra cursiva estilizada em branco. Ao centro, há uma ilustração da cabeça de uma mulher com cabelos castanhos lisos e longos, pintada de vermelho, laranja e amarela, sendo segurada por uma mão com unhas longas que sai para fora do quadro. Na parte inferior central, vemos a palavra “Mariana Enriquez” em uma letra branca sem serifa. No canto inferior direito, vemos o logo da Intrínseca." width="334" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32864" class="wp-caption-text">Os perigos de fumar na cama foi o tema do Clube do Livro do Persona em Outubro de 2023 (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Enriquez &#8211; Os perigos de fumar na cama</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante 12 contos de Horror, Mariana Enriquez faz de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">um pesadelo violento, impossível de ser digerido facilmente. Aqui, essa é justamente a intenção. Entre becos de uma Barcelona assombrada a ruas de uma Argentina que se lembra, a autora argentina trabalha o terror a partir do rotineiro, da barbaridade de pessoas contra elas e as próximas, e da memória de uma nação frente os horrores do passado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A descritividade é bruta, o retrato pintado por Enriquez é visceral em um </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-cemiterio-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">terror</span></a><span style="font-weight: 400;"> tão social quanto político. Os preconceitos são expostos com todas as palavras, sem disfarces, para mostrar que o aterrorizante acontece no dia a dia. Com uma dose de sobrenatural e fantasia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama </span></i><span style="font-weight: 400;">deixa a experiência ainda mais tensa com seus 12 finais em aberto, livres para a imaginação do leitor vagar solta. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_32863" aria-describedby="caption-attachment-32863" style="width: 352px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32863" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/exorcista.png" alt="Capa do livro O Exorcista: Segredos e Devoção. A capa tem um fundo preto. Ao centro, ocupando quase toda a extensão vertical da capa, vemos o contorno de uma menina com cabelos longos. Os olhos dela estão verde, como se estivesse possúida, e um líquido verde sai de seu nariz. As mãos juntas da menina ficam em formato de um portão, onde, na parte inferior central, um homem de costas, vestindo um terno, chapéu e segurando uma maleta, entra. Ao redor dele, vemos o líquido verde. Abaixo dele, vemos as palavras “Darkside”." width="352" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-32863" class="wp-caption-text">Se a capa não te atrair, o interior vai (Foto: Darkside)</figcaption></figure>
<p><b>Mark Kermode &#8211; O Exorcista: Segredos e Devoção</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não se engane: </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">não é uma reedição do livro original de 1971, tampouco do clássico </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 1973 (ou de qualquer </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-exorcista-o-devoto-critica/"><span style="font-weight: 400;">uma de suas versões</span></a><span style="font-weight: 400;">). Na verdade, a edição é uma obra comemorativa aos 50 anos do lendário filme do Horror, mostrando como a </span><a href="https://cinepop.com.br/apos-fracasso-de-o-exorcista-o-devoto-nova-sequencia-passara-por-reboot-criativo-476487/"><span style="font-weight: 400;">recepção do público</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lançamento e o contexto social dos Estados Unidos da década de 1970 o tornaram um fenômeno capaz de fazer pessoas desmaiarem nas salas de cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Kermode, crítico cultural aficionado pelo romance de William Peter Blatty &#8211; que </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Popquem/noticia/2013/03/o-exorcista-40-anos-o-suposto-caso-real-que-inspirou-o-filme.html"><span style="font-weight: 400;">deu origem</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao roteiro do longa-metragem homônimo -, revela os bastidores das gravações, os atritos entre Blatty e William Friedkin (diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista</span></i><span style="font-weight: 400;">) e como algumas das cenas mais memoráveis da Sétima Arte foram confeccionadas. Entrelaçando o </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgl45nxxl18o"><span style="font-weight: 400;">imaginário popular</span></a><span style="font-weight: 400;"> às intenções da obra e do livro, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Exorcista: Segredos e Devoção </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha segredos com os fãs de Horror, em uma experiência visual deslumbrante nas páginas tão famosas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkside</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_32881" aria-describedby="caption-attachment-32881" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32881" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg" alt="Capa do livro “Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível”, de Matthew Perry. A capa possui um fundo azul, e, à frente, há o ator Matthew Perry. Ele é branco, possui cabelos escuros, barba rala e olhos azuis. Veste uma camisa preta. No topo da página há o nome do autor e ator em letras brancas. Embaixo, está escrito “Best Seller N 1° do New York Times”. Ao lado do ator, há escrito “Prefácio de Lisa Kudow”, em branco, e, embaixo do ator há o título do livro, em brancas e grandes letras. Abaixo, está escrito “A autobiografia do astro de Friends”, e, ao lado, a logo da editora BestSeller" width="554" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-554x800.jpg 554w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-708x1024.jpg 708w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-768x1110.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela-1063x1536.jpg 1063w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/amigos-amores-e-aquela.jpg 1107w" sizes="auto, (max-width: 554px) 85vw, 554px" /><figcaption id="caption-attachment-32881" class="wp-caption-text">Matthew Perry foi encontrado morto no dia 28 de outubro de 2023 em sua casa, em Los Angeles (Foto: BestSeller)</figcaption></figure>
<p><b>Matthew Perry &#8211; Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sentença </span><i><span style="font-weight: 400;">“Eu devia estar morto”</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode parecer muito forte para qualquer um que inicie </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2023/10/explosao-de-vendas-da-biografia-de-matthew-perry-esgota-estoque-de-editora-brasileira.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no escuro. A autobiografia do ator e escritor norte-americano conta de forma crua os altos e baixos de sua carreira e toda a sua trajetória, envolvendo momentos marcantes na infância, conquistas profissionais que um dia eram impensáveis, e o fundo do poço, onde ele se enxergou em vários momentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não precisa ser fã de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/os-bastidores-com-matthew-perry-segundo-david-schwimmer-e-lisa-kudrow"><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> para apreciar cada parágrafo do livro, que, ao mesmo tempo que parece uma confissão do artista, também soa como um diário extremamente íntimo. É claro que para quem viu Matthew crescer e evoluir com a </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;">, tudo se torna ainda mais pessoal: após seu trágico falecimento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Amigos, Amores e Aquela Coisa Terrível</span></i><span style="font-weight: 400;"> eterniza o legado inesquecível de Matthew Perry. </span><b>&#8211; Amabile Zioli</b></p>
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<figure id="attachment_32890" aria-describedby="caption-attachment-32890" style="width: 547px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32890 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg" alt="" width="547" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri-547x800.jpg 547w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/o-ano-em-que-morri.jpg 684w" sizes="auto, (max-width: 547px) 85vw, 547px" /><figcaption id="caption-attachment-32890" class="wp-caption-text">Milly Lamcombe prova que nos resgatar é o ato mais poderoso que existe (Foto: Editora Planeta)</figcaption></figure>
<p><strong>Milly Lamcobe &#8211; O ano em que morri em Nova York</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Romance autobiográfico de </span><a href="https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/426820/milly-lacombe-fala-sobre-novo-livro.htm"><span style="font-weight: 400;">Milly Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Ano em que Morri em Nova York: Um romance sobre amar a si próprio</span></i><span style="font-weight: 400;"> trabalha com o conceito de morte em vida. No texto, a protagonista termina um relacionamento de mais de dez anos com sua esposa por conta de uma traição, descobre que a melhor amiga está com câncer de mama e retorna a uma versão que há muito não encarava em seu país de origem, o Brasil. Rodeada pelas migalhas deixadas por tudo que já foi inteiro, a jornada se torna ressuscitar em si. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Batendo de frente com dores não vistas antes, o momento é doloroso e cheio de dúvidas, mas essenciais para que a personagem, que representa a própria </span><a href="https://www.uol.com.br/play/videos/universa/2023/07/19/milly-lacombe-conta-como-descobriu-traicao-bati-minha-cabeca-no-chao.htm"><span style="font-weight: 400;">Lacombe</span></a><span style="font-weight: 400;">, adentre o seu interior e redescubra quem ela é, independente de suas relações, trabalho ou demais definições. As 256 páginas são um verdadeiro liquidificador emocional, tudo gira o tempo todo e não dá espaço para monotonia, afinal, se trata de uma trajetória linear. Assim, a obra deixa reflexões sobre nós mesmos e como deixamos nossa principal prioridade de lado: o eu. </span><b>– Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_32889" aria-describedby="caption-attachment-32889" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32889 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/nos-dois.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32889" class="wp-caption-text">&#8220;Sobretudo no início, Regan por vezes tentava identificar o momento em que as trajetórias deles se encaminharam para uma colisão inevitável.&#8221; (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivie Blake &#8211; Nós dois sozinhos no éter</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o pseudônimo de </span><a href="https://intrinseca.com.br/autor/olivie-blake/"><span style="font-weight: 400;">Olivie Blake</span></a><span style="font-weight: 400;">, Alexene Farol Follmuth presenteia o público jovem adulto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i><span style="font-weight: 400;">. O texto conta a história de </span><span style="font-weight: 400;">Aldo Damiani e Charlotte Regan, duas personalidades opostas que no magnetismo de sentir não conseguem mais se afastar. Apesar de, à primeira vista, soar como um grande clichê </span><i><span style="font-weight: 400;">enemies to lovers</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra é muito mais que isso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 336 páginas, Blake se dispõe a uma missão: desenvolver cada faceta dos personagens. Assim, conseguimos entender seus bastidores para nos apaixonarmos pelo relacionamento. Trabalhando com traumas, questões psicológicas e familiares, a obra traduzida por Carlos César da Silva mostra tudo em corações desarmados. O doce de</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=S3-FZd2lGk0"><i><span style="font-weight: 400;">Nós dois sozinhos no Éter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> vive na complexidade de testemunhar ruínas individuais compartilhando uma mesma construção.</span><b> – Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32882" aria-describedby="caption-attachment-32882" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32882" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg" alt=" Capa do livro O que sobra de Príncipe Harry. A arte de capa é uma fotografia de Harry, um homem branco de cabelos ruivos e olhos claros. A câmera o captura a partir dos ombros enquanto ele olha diretamente para a lente. O fundo é branco e pouco aparece, já que a face dele ocupa o maior espaço. Na parte superior está escrito em letras garrafais brancas “PRÍNCIPE HARRY” e, na parte inferior, da mesma forma está o título do livro “O QUE SOBRA”." width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/Principe-Harry-1.jpg 1044w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-32882" class="wp-caption-text">O que sobra foi traduzido para o português por Cássio de Arantes Leite, Débora Landsberg, Denise Bottmann e Renato Marques (Foto: Objetiva)</figcaption></figure>
<p><b>Príncipe Harry &#8211; O que sobra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vazamentos e </span><a href="https://glamour.globo.com/entretenimento/livros/noticia/2023/01/o-que-sobra-as-revelacoes-mais-bombasticas-do-livro-de-memorias-de-harry.ghtml"><span style="font-weight: 400;">declarações polêmicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> frente a um contexto nada favorável para a monarquia britânica culminam em </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;">, a autobiografia do Príncipe Harry. Acostumado a estampar os tabloides mais sensacionalistas no começo do século, o livro que traz a perspectiva do ‘</span><a href="https://luciointhesky.wordpress.com/2012/03/13/harry-o-patinho-feio-de-buckingham/"><span style="font-weight: 400;">patinho feio</span></a><span style="font-weight: 400;">’ é, possivelmente, o último ato culturalmente relevante de algum membro da Família Real; fadada ao enfraquecimento gradual devido a perda de apoio popular a cada ano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão humano quanto simpatizar com aquele que consideramos ser o injustiçado da história e, na mesma medida, a satisfação em assisti-lo fazer a sua justiça é extremamente prazerosa. A narrativa de </span><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i><span style="font-weight: 400;"> se encaixa perfeitamente nesse cenário, afinal, ainda que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EiEifW_Gob0"><span style="font-weight: 400;">Príncipe Harry</span></a><span style="font-weight: 400;"> não seja, de fato, um pobre menino largado à sorte pelo mundo, até as passagens mais fúteis de sua trajetória são escritas muito bem, facilmente transitando pelo gênero de autoajuda. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autobiografia chegou às livrarias já com um certo cansaço por parte do público, irritado com as centenas de declarações espalhadas pelas redes sociais ou que já não aguentava mais ouvir falar sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/harry-e-meghan-critica/"><span style="font-weight: 400;">Harry e Meghan Markle</span></a><span style="font-weight: 400;">, dado que a série documental do casal havia estreado há poucas semanas. Embora falhe em alguns sentidos, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=HI52nXTLmb8"><i><span style="font-weight: 400;">O que sobra</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma linha de raciocínio que cativa fácil, sendo um dos retratos mais importantes dos últimos anos.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_32893" aria-describedby="caption-attachment-32893" style="width: 560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-32893 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg" alt="" width="560" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_-560x800.jpg 560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/81ekPgQHFhL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 700w" sizes="auto, (max-width: 560px) 85vw, 560px" /><figcaption id="caption-attachment-32893" class="wp-caption-text">“Minha Pollyana se antena e joga o jogo do Contente, pois sempre existe um lado bom” (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><strong>Rita Lee &#8211; Outra Autobiografia</strong></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/05/09/rita-lee-rainha-do-rock-brasileiro-morre-aos-75-anos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Perder</span></a><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee em Maio de 2023 foi doloroso e deixou para os fãs a saudade de alguém insubstituível para a Música e para o mundo. No entanto, o lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;"> alguns dias depois, na comemoração de Santa Rita de Cássia, chegou como um abraço caloroso. O texto trabalha os seus dois últimos anos de vida, mas não é nada melancólico. Cruel, irônico e verdadeiro seriam adjetivos melhores para definir, afinal, a Rainha do Rock nunca foi de chorar pitangas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os desafios enfrentados pela cantora não ficam de lado do relato, são bastante fortes e cheios de detalhes. Ainda assim, somos capazes de sentir como a mulher que pelo amor roubaria os anéis de saturno estava pronta para lutar e lidar com tudo, consciente como alguém que teve uma vida extensa e muito bem resolvida. </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-uma-autobiografia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tinha autopiedade no coração e nos faz acreditar que realmente estava com sua missão cumprida quando partiu, e é claro, tudo isso com a personalidade única marcada a cada trecho. Ler </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: Outra autobiografia </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca o luto em segundo plano mesmo com a inevitável companhia da morte. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_32884" aria-describedby="caption-attachment-32884" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-32884" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto-534x800.png 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/quarto-aberto.png 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-32884" class="wp-caption-text">&#8220;Por que ele queria tomar um drink comigo?&#8221; (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Tobias Carvalho – </b><b><i>Quarto Aberto </i></b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em lentes almodovarianas, talvez o primeiro romance do premiado <a href="https://personaunesp.com.br/entrevista-tobias-carvalho/">Tobias Carvalho</a> daria centro ao fato de seus personagens poderem ser descritos como gays a beira de um ataque nervos ou até mesmo ao labirinto da lei do desejo que, em suas diversas complexidades individuais e uns com os outros, são desafiados a atravessar. Mas longe de qualquer uma dessas descrições melodramáticas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Quarto Aberto </span></i><span style="font-weight: 400;">partilha do um realismo que marca a escrita do autor e que, diferentemente dos contos de seu antecessor </span><i><span style="font-weight: 400;">Visão Noturna </span></i><span style="font-weight: 400;">e mais próximo do vencedor do prêmio Sesc de Literatura </span><i><span style="font-weight: 400;">As Coisas, </span></i><span style="font-weight: 400;">parte do ímpeto da ficcionalização de um determinado recorte da realidade de experiências de homens gays, sem que tal exercício comprometa a maestria literária de sua escrita.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um universo muito próprio da realidade íntima de seus personagens – homens gays que lidam com suas interioridades e suas próprias trajetórias ao mesmo tempo que habitam a cidade afora em aplicativos de sexo ou como<em> drag queens</em> – Carvalho constrói uma análise dos relacionamentos que distancia-se do usual em algo que poderia ser chamado de uma </span><a href="https://www.nbcnews.com/nbc-out/out-news/lgbtq-fiction-gay-literature-publishing-turning-point-rcna127922"><i><span style="font-weight: 400;">gay-lit</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; sem colocar como centro apenas a relação de seu protagonista com indecisões e triângulos e quadriláteros amorosos. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_32914" aria-describedby="caption-attachment-32914" style="width: 290px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32914" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/51KyJA1YBZL._SY445_SX342_.jpg" alt="" width="290" height="445" /><figcaption id="caption-attachment-32914" class="wp-caption-text">Um traço até você abraça quem só quer amar (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><strong>Olivia Pilar &#8211; Um traço até você</strong></p>
<p><strong><span style="font-weight: 400;">Apaixonante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.oliviapilar.com.br/"><span style="font-weight: 400;">Olívia Pilar</span></a><span style="font-weight: 400;">, trouxe para as jovens negras sáficas o que elas precisavam para se sentir representadas em um clichê que não ignora os desafios do contexto social. Protagonizada por Lina, a narrativa detalha os choques de uma menina que sempre viveu com privilégios financeiros ao se deparar com um contexto racista que a impede de ocupar todos os lugares em nome da discrimação. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em meio a autodescoberta, que já seria suficiente para construir uma obra completa, surge Elza. O relacionamento entre as personagens é doce e inspirador, mas, principalmente, essencial para a evolução e crescimento das duas, que se ensinam, compreendem e crescem juntas. O ritmo gradual faz com que tudo se encaixe e, ao final, tenhamos uma Lina mais forte e rodeada por maturidade. Em suma, a cumplicidade de amar em </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/um-traco-ate-voce/"><i><span style="font-weight: 400;">Um traço até você</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é muito maior que as borboletas no estômago. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></strong></p>
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<figure id="attachment_32887" aria-describedby="caption-attachment-32887" style="width: 284px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32887" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/03/imagem-1-1-1.jpg" alt="Capa do livro Amêndoas, de Won-pyung Sohn. Nela, vemos uma ilustração em tons pastéis de um menino em frente a uma loja. A loja, que é azul, se encontra no primeiro andar de um sobrado, e possui um grande letreiro rosa com uma palavra escrita em coreano. Em cima do letreiro tem uma espécie de tenda nas cores vermelho e branco em listras verticais e, acima, uma unidade externa cinza de um ar-condicionado. As paredes do sobrado parecem ser de azulejo marrom e, do lado esquerdo, há uma escada com degraus cor-de-rosa que permitem o acesso ao segundo andar. Na frente da loja, há uma planta em um vaso marrom. O menino veste uma camiseta de manga comprida preta e uma calça marrom. Na parte inferior da capa, há uma faixa rosa onde encontra-se o título do livro do lado direito, com o nome da autora em baixo, ambos na cor azul turquesa, e o nome da editora do lado inferior esquerdo, na cor branca" width="284" height="425" /><figcaption id="caption-attachment-32887" class="wp-caption-text">Lançado em Março de 2023 no Brasil, Amêndoas se popularizou graças à indicação de um dos membros da banda coreana BTS (Foto: Rocco)</figcaption></figure>
<p><strong>Won-pyung Sohn &#8211; Amêndoas</strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro de estreia da diretora e romancista sul-coreana </span><a href="https://www.kbook-eng.or.kr/sub/interview.php?ptype=view&amp;idx=621&amp;page=$page&amp;code=interview"><span style="font-weight: 400;">Won-pyung Sohn</span></a><span style="font-weight: 400;">, conta a história de Yunjae, um jovem que possui uma condição neurológica chamada alexitimia. Suas amígdalas cerebelosas – chamadas de ‘amêndoas’ pelo protagonista por conta da semelhança física entre elas – são subdesenvolvidas e, por isso, ele é incapaz de identificar e expressar sentimentos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com capítulos curtos, uma história diferente daquelas que geralmente são oferecidas e uma linguagem simples, é difícil deixar a leitura de lado. A obra explora a adolescência, o significado das emoções, a diversidade da vida e da trajetória de cada um, mas seu foco principal é a importância de criar laços.</span> <a href="https://rocco.com.br/produto/amendoas/"><i><span style="font-weight: 400;">Amêndoas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente sensível, que destaca como o amor é capaz de fazer “</span><i><span style="font-weight: 400;">de alguém um ser humano, assim como o que faz de alguém um monstro</span></i><span style="font-weight: 400;">”, como descreve a autora. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Oct 2023 19:49:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“(&#8230;) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”  — Samanta Schweblin O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Outubro de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31735" aria-describedby="caption-attachment-31735" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31735" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-800x420.jpg" alt="O fundo é roxo. No canto superior direito e no canto inferior esquerdo, há duas teias de aranha pretas em menor opacidade. No centro, acima, está o logo do persona, um olho com íris vermelha e um pupila no formato de um play. Abaixo está um livro laranja, apoiado sobre três livros; o primeiro diz “estante do”, o segundo “persona” e o terceiro está o mês, Outubro de 2023. Apoiados ao lado do livro laranja, há um pequeno gatinho de olhos amarelos arregalados e um abóbora decorada na temática de Halloween." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/estanteoctwp.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31735" class="wp-caption-text">Em clima de mês do horror, o Estante do Persona de Outubro brinca de assombração (Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Enzo Caramori e Marcela Lavorato)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“(&#8230;) Às vezes, me assusta pensar que os problemas cotidianos podem ser para mim um pouco mais terríveis do que para o resto das pessoas.”</span></p>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;"> — <em>Samanta Schweblin</em></span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais assombra é o desconhecido. A aproximação do indivíduo a algo nebuloso, que remete ao comum, mas, de certa forma, possui uma aura em desalinho. Algo no fundo do horizonte, coberto de escuridão e fumaça se faz presente, mesmo que não se possa ver com olhos ainda humanos. O terror e o horror, que nasce não somente de grandes escritores e realizadores do gênero, mas do desenterrar das sensibilidades do inconsciente, e da explicitação do desconhecido não somente enquanto o outro, mas o que não sabemos de nós mesmos. No mês de Outubro de 2023, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"><span style="font-weight: 400;">Estante do Persona</span></a><span style="font-weight: 400;"> permite se adentrar ao colapso do corpo e do cotidiano pelo grotesco e pela violência, explicitada nas discussões do Mês do Horror, que tomou a Literatura da autora Mariana Enriquez como ponto central de reflexão.</span></p>
<p><span id="more-31734"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra da escritora, jornalista e professora argentina foi escolhida para o entendimento do que é, em uma perspectiva que constrói, do horror social das desigualdades e violências das </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/espectros-no-rio-da-prata"><span style="font-weight: 400;">ditaduras</span></a><span style="font-weight: 400;"> latino-americanas, da misoginia e do preconceito racial, o Terror enquanto um gênero literário contemporâneo. O gótico moderno e político de Enriquez, também explorado por autoras como Samanta Schweblin, Selva Almada e Monica Ojeda, é a sua maneira de transformar o que abisma em um percurso narrativo de deslumbramentos e mistérios, além de, socialmente, explorar a opressão e subverter protagonismos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seu diálogo do terror com o realismo cria riscos à </span><a href="https://www.fg2021.eventos.dype.com.br/trabalho/view?ID_TRABALHO=5306"><span style="font-weight: 400;">unidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da matéria ontológica dos corpos de suas personagens, tornando os sujeitos, com suas próprias individualidades, em uma massa de seres supérfluos, amorfos e apenas aterrorizados pelo temor e pelo trauma social. Nisso, Enriquez denuncia as violências dos corpos sobre outros corpos como alegorias políticas, construindo uma literatura que, além de subverter o padrão canônico e </span><a href="https://www.revistas.usp.br/novosolhares/article/view/204052/196852"><span style="font-weight: 400;">racista</span></a><span style="font-weight: 400;"> de H.P Lovecraft, não se faz por figuras irreais e sobrenaturais, mas pela indicação de algo anti-natural e em incongruência com o real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, </span><a href="https://intrinseca.com.br/livro/os-perigos-de-fumar-na-cama/#:~:text=Um%20homem%20marginalizado%20semeia%20desgra%C3%A7as,um%20sacrif%C3%ADcio%20em%20um%20balne%C3%A1rio."><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> se traduz em todo esse horror social que é explorado pela autora argentina. O livro, lançado em 2023 pela Intrínseca, nos guia pelos 12 contos de uma maneira bem descritivista e esse ponto é essencial para entender o que Enriquez quer nos fazer sentir: raiva, angústia, melancolia, ódio e tristeza. Ao relatar acontecimentos tão palpáveis, mas ao mesmo tempo construídos de formas fantasiosas, percebemos que as sequelas e as próprias violências sociais e os preconceitos se materializam em um texto brutal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É digno dizer que Mariana Enriquez traz para a obra algo muito visceral em todos os sentidos, seja nos conteúdos das histórias, nos seus desenvolvimentos ou nas histórias sem um final definido – o que leva o leitor a utilizar a imaginação para dar continuidade ao horror. Com isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os perigos de fumar na cama, </span></i><span style="font-weight: 400;">cujo título</span> <span style="font-weight: 400;">inspirado em um </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2023/10/07/interna_pensar,1572859/mariana-enriquez-e-as-primeiras-licoes-de-pavor.shtml"><span style="font-weight: 400;">cancioneiro estadunidense</span></a><span style="font-weight: 400;">, anuncia suas maldições de quem se atrever aos seus apuros dá abertura ao Estante do Persona de Outubro 2023 e as suas aterrorizantes indicações para o mês mais macabro do ano.  </span></p>
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31740" aria-describedby="caption-attachment-31740" style="width: 348px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31740" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Misery-1.png" alt="A capa é do livro Misery: Louca Obsessão. O seu plano de fundo é uma floresta ao entardecer. O chão é coberto de neve e o primeiro plano é uma máquina de escrever antiga e enferrujada com neve em cima. Na parte superior central da imagem, temos o nome do autor Stephen King em letras brancas e finas. Abaixo, o título “Misery” em uma letra blocada vermelha e na folha saindo da máquina de escrever, a outra parte do título: “Louca Obsessão.”" width="348" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-31740" class="wp-caption-text">A adaptação rendeu à Kathy Bates uma indicação ao Oscar na categoria Melhor Atriz (Foto: Editora Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; Misery: Louca Obsessão (328 páginas, Editora Suma) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode estourar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Chandon</span></i><span style="font-weight: 400;">, você acabou de escrever o último livro de uma longa série que, no fundo, sempre odiou um pouquinho. Com o manuscrito em mãos, segue com seus planos de comemorar e respira, finalmente, os ares da liberdade. No entanto, não contava com a previsão do tempo e um acidente acontece. A boa notícia: você é salvo. A má notícia é por Annie Wilkes. Ao acordar depois de dez dias, as primeiras informações que Paul Sheldon recebe são péssimas: ele não sente seus pés e está preso com sua fã número 1. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Misery: Louca Obsessão</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">best-sellers</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Stephen King, prende pela completa agonia, que chega a ser paralisante. Nos sentimos na pele do protagonista, vivendo as angústias que apenas um prisioneiro consegue sentir. A ansiedade de ser pego, a desesperança de uma salvação e os planos de fuga que embalam a narrativa, além da assombrosa Annie, nos acompanham pelas páginas muito bem construídas de King &#8211; tão bem construídas que foram adaptadas para as telas pelo diretor Rob Neider. No cinema ou na literatura. Cuidado: há risco de você enlouquecer junto com Paul Sheldon.</span><b> &#8211;</b> <b>Clara Sganzerla</b></p>
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<figure id="attachment_31736" aria-describedby="caption-attachment-31736" style="width: 533px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31736" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-533x800.jpg" alt="Capa do livro A causa secreta. A capa possui um preto com bolinhas brancas. Ao centro superior, há o título do livro A Causa Secreta na cor laranja. Logo abaixo, como se fosse um rasgo no meio da capa, uma pessoa, em preto e branco, aparece ao fundo do rasgo em um plano branco. A continuação da pessoa, por cima do rasgo, é um esqueleto. Sua mão tenta sair pelo rasgo. No centro do crânio da caveira aparece o nome do autor, Machado de Assis, em laranja. No canto inferior direito, há a logo da Editora Itapura." width="533" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-533x800.jpg 533w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/A-causa-secreta-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 533px) 85vw, 533px" /><figcaption id="caption-attachment-31736" class="wp-caption-text">Todas as obras de Machado de Assis estão em domínio público (Foto: Editora Itapuca)</figcaption></figure>
<p><b>Machado de Assis &#8211; A Causa Secreta (8 páginas, Domínio Público)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como um ótimo romancista, Machado de Assis também era um brilhante contista. Ao ler </span><i><span style="font-weight: 400;">A Causa Secreta</span></i><span style="font-weight: 400;"> não espere um terror fantasmagórico, porque está longe disso. Muitos dos contos do autor trabalham o terror a partir do real e, nesse conto, não seria diferente. Na obra, são expostos os terrores presentes no mundo material, sendo eles, muitas das vezes, ocasionados pelo próprio ser humano. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construindo o texto através de uma escrita com bastante detalhes dos acontecimentos,  a história nos apresenta três personagens principais: Garcia, Fortunato e Maria Luísa, que já começam mortos. A partir disso, Machado de Assis nos leva pela narrativa para sabermos o porquê isso aconteceu, como aconteceu e qual seria a ligação entre os três e o terror que assombra cada um deles.</span><b> &#8211; Marcela Lavorato</b></p>
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<figure id="attachment_31739" aria-describedby="caption-attachment-31739" style="width: 527px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31739" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-527x800.jpg" alt="Reprodução da capa original da primeira versão do livro Drácula. Capa amarela, com uma linha vermelha fina que acompanha a borda do livro. O nome da obra no topo, em uma fonte grande o suficiente para ocupar toda a horizontal, logo acima do nome do autor, ambos em letras vermelhas, no mesmo tom da linha" width="527" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-527x800.jpg 527w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-675x1024.jpg 675w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1-768x1165.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Dracula1.jpg 989w" sizes="auto, (max-width: 527px) 85vw, 527px" /><figcaption id="caption-attachment-31739" class="wp-caption-text">O romance já foi adaptado para o cinema mais de 30 vezes (Foto: Editora DarkSide)</figcaption></figure>
<p><b>Bram Stoker &#8211; Drácula (580 páginas, Editora DarkSide)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Drácula </span></i><span style="font-weight: 400;">é o clássico dos clássicos quando se fala em terror. Em 1897, o autor irlandês Bram Stoker se inspirou nas histórias do folclore da Transilvânia e imortalizou o personagem do Conde Drácula, que vive isolado em seu castelo na terra romena. Após mais de um século desde a sua publicação, o romance ainda se sustenta como uma das histórias mais assustadoras e eficazes do gênero, e está entre as que consolidaram a estética do horror gótico. Além disso, se mantém fresca enquanto retrato da era vitoriana e suas ansiedades, servindo como objeto de análise para os dias de hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É por esses e outros motivos que, ao entrar em qualquer loja de fantasias ou festa de Halloween, as chances de você esbarrar com um Drácula são muito altas. Isso além de suas aparições em filmes e nas mais diversas obras culturais, tendo suas incontáveis versões, sejam eróticas ou grotescas, aproveitando das muitas facetas que coexistem na versão original. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dos clássicos do cinema mudo, com Nosferatu, ao universo infantil, com Hotel Transilvânia, o vampiro se tornou um dos personagens mais replicados de todos os tempos. Mas, não é só o protagonista que ganhou o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">de ícone do terror, outros personagens também se tornaram inesquecíveis, como Van Helsing, o mais famoso caçador de vampiros, com suas flores de alho e estaca de madeira. </span><b>&#8211; Giovanna Freisinger</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31737" aria-describedby="caption-attachment-31737" style="width: 553px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31737" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor-553x800.jpg" alt="Capa do livro “Contos de amor, de loucura e de morte”, do escritor uruguaio Horacio Quiroga e publicado pela Editora Iluminuras. Sobre um fundo bege claro, há os escritos em caixa alta e com serifa “Contos de amor, de loucura e de morte” em letras pretas, e “Horacio Quiroga” em vermelho. Abaixo, há o desenho de uma mão, em preto e branco, e do topo de um vidro, tampado por uma rolha." width="553" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor-553x800.jpg 553w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/contos-de-amor.jpg 691w" sizes="auto, (max-width: 553px) 85vw, 553px" /><figcaption id="caption-attachment-31737" class="wp-caption-text">O que um travesseiro de plumas, uma galinha degolada e um solitário têm em comum? As palavras sangrentas de Horacio Quiroga! (Foto: Editora Iluminuras)</figcaption></figure>
<p><b>Horacio Quiroga &#8211; Contos de amor, de loucura e de morte (192 páginas, Editora Iluminuras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andando em uma linha tênue entre a realidade e a imaginação, o uruguaio Horácio Quiroga mostra como o amor, a loucura e a morte se conectam. Passional e sangrenta, a coletânea possui histórias que beiram o delírio, o trauma e a dor. Regados pela angústia e pela inquietude, os contos são aterrorizantes, e trazem detalhes perturbadores, que assustam qualquer leitor. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, Quiroga escancara a violência, a instabilidade e o sofrimento presentes na vida humana, e apresenta – de forma nua, crua e descritiva – os mais insanos atos de paixão e de perecimento. Publicado originalmente em 1917, </span><i><span style="font-weight: 400;">Contos de amor, de loucura e de morte</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Horacio Quiroga é um retrato do Horror e do Terror latino-americano, que – por meio de seus finais inesperados, e detalhes ditos e não ditos – consegue desestabilizar e amedrontar quem quer que esteja lendo. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
<hr />
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="alignnone size-medium wp-image-31738" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1-558x800.jpg" alt="" width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/salem-1.jpg 697w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /></p>
<p><b>Stephen King &#8211; Salem (464 páginas, Editora Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nada como vampiros para animar um Dia das Bruxas &#8211; e disso Stephen King sabe bem. Para esconder o mistério, a versão brasileira do segundo romance da carreira do Rei do Horror mudou de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora do Vampiro </span></i><span style="font-weight: 400;">para </span><i><span style="font-weight: 400;">Salem</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas a fama que persegue o autor e o imaginário popular não o deixam esconder do que se trata. Isso porque uma casa misteriosa, pessoas doentes do dia para a noite com marcas no pescoço e corpos sumindo na calada da madrugada só podem indicar uma coisa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, King homenageia o </span><i><span style="font-weight: 400;">Drácula </span></i><span style="font-weight: 400;">de Bram Stoker como o mestre que é, unindo elementos comuns de história desse subgênero para criar um livro denso, mas que em nenhum momento deixa o leitor relaxar diante do mistério não confirmado. A aura cinzenta e sobrenatural da cidade de Jerusalem’s Lot &#8211; a Salem do título &#8211; se une à mitologia assombrosa da Casa Marsden e do quarteto diverso de personagens principais: um vampiro centenário, um padre atormentado, um escritor traumatizado pela infância na cidade e uma criança com uma mente fértil e mais coragem que os outros três juntos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 464 páginas, Stephen King &#8211; na época, ainda no começo da carreira &#8211; mostra o porquê se tornou a lenda do terror que é hoje, prendendo a atenção do início ao fim no suspense do desconhecido e no apego por personagens cativantes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Salem </span></i><span style="font-weight: 400;">virou um clássico por um motivo, mas leia de dia, com as janelas fechadas e um crucifixo a tiracolo. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_31742" aria-describedby="caption-attachment-31742" style="width: 416px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31742" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/killers-1.jpg" alt=" Capa do livro Lady Killers. A obra possui uma capa de fundo cor-de-rosa pink com o título “Lady Killers” em grandes letras brancas no centro. Abaixo, há o texto “Assassinas em série” no mesmo tom de branco em letras menores e inscrito em um fundo oval preto. Nos quatro cantos da capa há ilustrações de cobras na cor preta e ,na parte central inferior, uma tesoura aberta sobre o logo da editora. Na porção superior, há o desenho de um olho dentro de um círculo branco, ele derrama uma lágrima preta. Acima da ilustração está o texto “Entre na mente das psicopatas”. O nome da autora está acima do título. " width="416" height="598" /><figcaption id="caption-attachment-31742" class="wp-caption-text">Entrando no mundo do true crime, o terror de Lady Killers é absolutamente real (Foto: Editora Darkiside)</figcaption></figure>
<p><b>Lady Killers &#8211; Assassinas em série (384 páginas, Editora Darkside) </b></p>
<p>Violência e sede de sangue sempre foram tônicas ligadas ao masculino e, se desde os primórdios da sociedade a mulher é traduzida pela delicadeza, esperar que elas também sejam autoras de assassinatos cruéis parece fora dos trilhos. É aí que <em>Lady Killers &#8211; Assassinas em série</em> entra para provar, em relatos reais, que a lembrança popular não contempla como os maiores crimes da história vem assinados pelas <em>ladys</em>.</p>
<p>Fugindo do lado comum do terror e suas criaturas fantásticas, a obra de Tori Telfer – traduzida no Brasil por Marcus Santana e Daniel Alvez da Cruz – é cruelmente verdadeira. Com uma escrita perspicaz e páginas recheadas de ilustrações feitas cirurgicamente por Jennifer Dahbura, a obra nos dá uma nova perspectiva da mente de grandes assassinas. Assustador em sua própria interpretação,<em> Lady Killers</em> vai pegar você também. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto</strong></p>
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		<title>Latente, Afire estremece e queima</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Oct 2023 21:37:55 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori ‘‘O amor da juventude, a  juventude do amor desaparecerá e passará quanto antes.’’ – John Hay Período em que a suspensão da realidade diária cede lugar à educação sentimental, ao titubear emocional, ao erro e à tentativa: o verão é uma quietude na qual a procrastinação dá espaço a descobertas sensíveis. É uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/afire-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Latente, Afire estremece e queima"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31721" aria-describedby="caption-attachment-31721" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31721" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-800x600.png" alt="" width="800" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-800x600.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-1024x768.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-768x576.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-1536x1152.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-2048x1536.png 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/images-original-1200x900.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31721" class="wp-caption-text">Afire foi o vencedor do Urso de Prata do Grande Prémio do Júri no Festival Internacional Cinema de Berlim de 2023 e estreou no Brasil na 47ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p style="text-align: left;"><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">‘‘O amor da juventude, a  juventude do amor</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">desaparecerá e passará quanto antes.’’</span></p>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">– John Hay</span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Período em que a suspensão da realidade diária cede lugar à educação sentimental, ao titubear emocional, ao erro e à tentativa: o verão é uma quietude na qual a procrastinação dá espaço a descobertas sensíveis. É uma das temporadas dos filmes de Éric Rohmer, cujos propósitos de suas relações ficcionais são, de qualquer maneira, a afetação, seja por leituras tediosas de Balzac, gestos sutis de sedução e o mormaço claro do sol francês. Mesmo que dispondo de um olhar que se dedica às delicadezas da estação, o drama </span><a href="https://47.mostra.org/filmes/afire-47a"><i><span style="font-weight: 400;">Afire</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), presente na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/perspectiva-internacional/"><span style="font-weight: 400;">Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da 47ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não almeja o lugar da beleza e da delicadeza rohmeriana – na qual se inspira –, mas enfoca justamente nas feridas subjetivas de suas personagens, colhendo, do tédio, o sentimento melancólico de alheamento. </span></p>
<p><span id="more-31720"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo capítulo da </span><a href="https://www.cinematheque-passion.mo/pt/movie/55"><span style="font-weight: 400;">Trilogia Elemental</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor Christian Petzold constrói-se em uma fábula febril, cuja paisagem bucólica e ao mesmo tempo praiana do Mar Báltico alemão é o fundo da construção de atritos e emoções sutis entre um trio central de personagens. A tentativa de isolamento dos amigos Leon (Thomas Schubert) e Félix (Langston Uibel), um escritor e outro fotógrafo, para a realização de seus respectivos projetos, poderia, em um arco narrativo do gênero de filmes de verão, ser iluminada com a presença inesperada e misteriosa de Nadja, interpretada por Paula Beer, presente no trabalho anterior de Petzold, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/12/christian-petzold-dirige-com-mais-calor-undine-versao-de-mito-alemao.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Undine</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020).</span> <span style="font-weight: 400;">Contudo, tanto pela ameaça silenciosa e iminente de queimadas naturais na região seca onde refugiam-se, na casa do fotógrafo, quanto pela centralização da perspectiva pessoal do escritor, um personagem em crise com sua escrita e seu ego conflitante, </span><i><span style="font-weight: 400;">Afire </span></i><span style="font-weight: 400;">torna o que poderia ser um fator idílico em algo delicado, incômodo e taciturno.</span></p>
<figure id="attachment_31723" aria-describedby="caption-attachment-31723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31723 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-800x450.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-2-1600x900-c-default.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31723" class="wp-caption-text">O realizador Harun Farocki colaborou com Petzold nos roteiros de sua trilogia Amor em Tempos de Sistemas Opressivos (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao colocar sobre primeiro plano o complexo narcisismo e frustração do protagonista Leon perante si e seus amigos, a direção de Petzold não faz estremecer somente o espectador frente a diálogos minuciosamente construídos – sarcásticos e com um gosto quase </span><a href="https://kdhx.org/articles/film-reviews/3176-afire-masterfully-depicts-a-taciturn,-insecure-writer#:~:text=In%20press%20notes,by%20Nadja%E2%80%99s%20honesty%20."><span style="font-weight: 400;">tchekhoviano</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que enveredam o espectador nos flertes, farpas e ciúmes do trio. Mas também a própria expressão dos personagens quando pouco dizem e que faz prevalecer o que deixam de falar uns aos outros: algo sempre visível em suas fisicalidades, contrastante, em momentos de tensão, com a leveza do ambiente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A vivência na casa os situa em uma intimidade não construída pela afinidade ou pelas semelhanças, mas justamente por um contato estabelecido por devida distância. Em uma dança de olhares, os personagens observam-se mutua e silenciosamente pela janela de seus quartos ou se escutam entre as paredes finas dos cômodos, que deixam escapar seus gemidos à noite. Esse caráter voyeurístico parece corroer Léon interiormente, que vê o verão escapar entre seus dedos, já que o perde entre extensos cochilos, maços de cigarros e o denso </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/burning-down-the-house-christian-petzold-on-afire#:~:text=NOTEBOOK%3A%20Shame%20is%20the%20perfect%20word.%20It%E2%80%99s%20also%20a%20much%2Ddiscussed%20emotion%20in%20literature%20and%20literary%20studies.%20%C2%A0"><span style="font-weight: 400;">desespero</span></a><span style="font-weight: 400;"> de, acima de tudo, não se fazer nada.</span></p>
<figure id="attachment_31722" aria-describedby="caption-attachment-31722" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31722 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-800x431.webp" alt="" width="800" height="431" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-800x431.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-1024x552.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-768x414.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-1536x828.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1-1200x647.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/afire-roter-himmel-christian-petzold-2023-v0-toeafk70b0lb1.webp 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31722" class="wp-caption-text">As duas locações de Afire, uma nas florestas de Brandemburgo e a outra próxima ao Mar Báltico, justificam os contrastes dos espaços, dando um ar irreal ao filme (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que </span><i><span style="font-weight: 400;">Rotter Himel</span></i><span style="font-weight: 400;"> – título original do filme, que se traduz ‘‘paraíso vermelho’’ –, pareça transportar as tensões sociais e emoções reprimidas na urdidura de silêncios de </span><i><span style="font-weight: 400;">Deserto Vermelho, </span></i><span style="font-weight: 400;">dirigido por Michelangelo Antonioni, </span><a href="https://47.mostra.org/jornal-da-mostra/exposicao-antonioni"><span style="font-weight: 400;">homenageado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela 47ª Mostra, o longa e o Cinema de Petzold é marcado por um retrato sutil das transformações e dos sujeitos sociais da sociedade alemã. Talvez o maior traço disso seja a construção do ritmo de ações do protagonista se situar entre o alarmante sentimento de ser produtivo contra o abraçar do devaneio, que faz de sua vivência na casa mais uma performance, na qual, frente aos outros, finge estar escrevendo, do que um abraço a um aspecto inventivo do ócio. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A praia é a paisagem possível – a uma sociedade assolada pelo pós-guerra, pela cisão política e pela lógica de honra do trabalho – de se ter um corpo, fazer sexo, se recriar e inventar fora da norma de produção. Mas, como abordado de diferentes maneiras por seus predecessores Harun Farocki e Rainer Werner Fassbinder, o trabalho é o concessor de uma identidade capaz de evanescer com o estalar dos dedos, o que faz Schubert não somente encenar o protagonista, mas, também, performar o trabalho que atende a Leon um único objetivo: sua </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/burning-down-the-house-christian-petzold-on-afire#:~:text=PETZOLD%3A%20Yes%2C%20that%E2%80%99s,a%20unique%20selling%20point."><span style="font-weight: 400;">vergonha</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a representação de si frente a um mundo onde outros não necessariamente trabalham, mas ocupam seus espíritos consigo mesmos. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Afire</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma uma leitura mais singela e moderna de melodramas e novelas para referir-se, a partir do pessoal, a </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/em-transito-um-olhar-sobre-o-monstro-que-habita-varios-tempos-historicos/"><span style="font-weight: 400;">traumas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e crises sociais, e mostrar, mesmo com determinada distância, que talvez se precise das ondas – ou do fogo –, para se desfazer de si. </span><span style="font-weight: 400;">Quase que como um</span> <a href="https://blogdacotovia.blogspot.com/2016/04/seis-contos-morais-de-eric-rohmer.html"><span style="font-weight: 400;">conto moral</span></a> <span style="font-weight: 400;">de Petzold, o desprendimento das resistências individuais parece ser o caminho ideal para o aflorar criativo de Leon, além de um deslumbramento com a paisagem que, em filmes como </span><a href="https://mubi.com/pt/br/films/bergman-island-2021"><i><span style="font-weight: 400;">A Ilha de Bergman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2021)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Mia Hansen Løve, e </span><a href="https://criticos.com.br/?p=6282"><i><span style="font-weight: 400;">Acima das Nuvens</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">de Olivier Assayas, toma a beleza do espaço e a conexão com os elementos terrenos – a sensualidade, as sensações e os sentidos – como o desbloqueio de suas dificuldades. </span></p>
<figure id="attachment_31724" aria-describedby="caption-attachment-31724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-800x450.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-3-1600x900-c-default.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31724" class="wp-caption-text">A Literatura está sempre presente nos filmes de Christian Petzold e, em Afire, destaca-se o poema The Azra, de Heinrich Heine (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, a </span><a href="https://mubi.com/pt/notebook/posts/hard-cover-christian-petzold-reader-director"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> não deixa de</span> <span style="font-weight: 400;">cumprir sua função estética como um eixo de referência entre o diretor e sua criação, mas também narrativa. Personagens escritores podem, curiosamente, servir de metáforas ou alegorias a seus autores, mas nesse contexto, o ofício parece capturar o sentimento de recusa ao outro. Para além de um arcabouço do qual o protagonista justifica seus escapes às atividades cotidianas e conjuntas dos dias ensolarados, a desculpa da escrita é a concha para qual se volta quando se encontra em desalinho e alienado do corriqueiro, lidando com a introspecção e a insegurança de seu texto. Aqui, a escrita é uma covardia e uma forma de comunicação na qual se materializa essa constante conexão e desconexão do mundo que o cerca, tanto por grosserias materializadas em maus-entendidos que nebulam jantares ainda ensolarados quanto pelo embaraço íntimo </span><span style="font-weight: 400;">de uma paixão incerta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Afire, </span></i><span style="font-weight: 400;">a apatia do personagem predomina e, diferentemente dessa consonância com a natureza e o ambiente que acarreta ao pico criativo, é a partir do fogo e das cinzas – que chegam a parecer dentes-de-leão ao céu – que o </span><a href="https://lithub.com/can-writers-have-fun-afire-is-a-character-study-of-a-self-absorbed-novelist/"><span style="font-weight: 400;">escritor</span></a><span style="font-weight: 400;"> encontra-se em seu texto. Um fogo que não somente é um componente de uma fábula contemporânea que coloca uma catástrofe natural, que enfurece ao longo que o filme passa, à espreita e ao fundo dos planos e diálogos, mas sim um presságio que espelha a experiência psicológica e o colapso de seus personagens.</span></p>
<figure id="attachment_31725" aria-describedby="caption-attachment-31725" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-800x450.jpeg" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/Afire-6-1-1600x900-c-default.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31725" class="wp-caption-text">A leveza da atuação de Paula Beer justifica-se por seu histórico na dança, premeditado na escalação da atriz em Undine (Foto: Piffl Medien)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se de alguma forma Petzold persiste, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">Undine, </span></i><span style="font-weight: 400;">a </span><a href="https://icsfilm.org/uncategorized/myth-within-modernity-christian-petzolds-undine/"><span style="font-weight: 400;">reconstruir mitos</span></a><span style="font-weight: 400;">, o faz dando a um imaginário específico de filmes alemães, um Cinema veranil, cuja claridade adentra pela </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/afire-review-slow-burning-german-drama-about-a-self-absorbed-writer"><span style="font-weight: 400;">queima lenta</span></a><span style="font-weight: 400;"> de tensões e pela repetição quase métrica das emoções de seus personagens. Mesmo não atravessados pelo estremecimento emocional do protagonista, são envolvidos por uma inércia que faz as mudanças serem sutis e quase imperceptíveis. Não há rupturas, mas sim uma profundidade que vai se acessando com as ações e interações com os motivos centrais da obra que, centrado no mundo egoico de Leon, se fazem ainda mais ocultos e imperceptíveis sob sua cegueira às relações sociais e emocionais que o cercam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que é verossímil e se faz real é a capacidade do amor e da paixão, sentimentos abissais que torcem seus personagens para dentro e fora de si. O tremor desse indivíduo enveredado em um sua paixão e sua vergonha é um cenário que não precisa ser representados em sua literalidade, pois já é ilustrado pelo olhar abissal frente a uma catástrofe natural e sensível, desesperados para agarrarem-se ao que está a iminência de se perder, frente ao </span><a href="https://artreview.com/afire-christian-petzold-review-summer-film-eric-rohmer/"><span style="font-weight: 400;">fogo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Afire</span></i><span style="font-weight: 400;"> se estabelece mais no sentimento de não representar em sua totalidade, dada suas lentes individualistas que prendem Leon a si mesmo e que, ainda que suas patologias criativas sejam superadas, remanesce como sendo o protagonista de uma </span><a href="https://www.documentjournal.com/2023/07/afire-film-christian-petzold-paula-beer-german-cinema-cuba-libre-ghosts-barbara/"><span style="font-weight: 400;">crônica</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre perda. O sentimento final de culpa não apenas instaura um gosto estranho de melancolia, como de algo que não pode ser dito e que se encerra em sua perspectiva, mas também da realidade da representação. Trêmulo, em uma chama baixa próxima a se apagar, o tempo de descobertas se afoga no sentimento da inércia de alguém que fica ao fundo e observa o verão se desenrolar, enquanto restam só escritos do que poderia, em algum momento, ter sido.</span></p>
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		<title>O som do rugido da onça torna o asfalto em rio e naufraga navios</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Sep 2023 20:52:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori “Arre!”  Mesmo que em um deserto, morro ou tomada de construções e blocos de concreto, toda cidade já foi uma floresta. Uma floresta que não se classifica em biomas, espécies de animais e plantas, mas sim em um espírito. A floresta é um nome próprio: um ser gigante e elegante que não apenas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-som-do-rugido-da-onca-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O som do rugido da onça torna o asfalto em rio e naufraga navios"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31499" aria-describedby="caption-attachment-31499" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31499" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31499" class="wp-caption-text">O primeiro livro de Micheliny Verunschk pela Companhia das Letras foi mais uma das leituras escolhidas para o Clube do Livro do Persona (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><i><span style="font-weight: 400;">“Arre!” </span></i></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que em um deserto, morro ou tomada de construções e blocos de concreto, toda cidade já foi uma floresta. Uma floresta que não se classifica em biomas, espécies de animais e plantas, mas sim em um espírito. A floresta é um nome próprio: um ser gigante e elegante que não apenas oferece minérios, inhames e corpos de rios – além do seu próprio. É um espaço de conhecimento, visão e mundo, que invade até mesmo, no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210213/o-som-do-rugido-da-onca-vencedor-jabuti-2022"><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210213/o-som-do-rugido-da-onca-vencedor-jabuti-2022"> da onça</a>, </span></i><span style="font-weight: 400;">a Literatura. </span></p>
<p><span id="more-31498"></span><br />
<span style="font-weight: 400;">E talvez por isso, o célebre romance de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/colaborador/10984/micheliny-verunschk"><span style="font-weight: 400;">Micheliny Verunschk</span></a><span style="font-weight: 400;"> esteja no limiar de classificações e gêneros; porque a realidade da Floresta, mesmo que plausível de ser considerada fantástica, talvez seja mais factual e verídica do que qualquer documento histórico — também sujeito à ficcionalização — ou acontecimento da vida mundana. Porque o que há de mais verdadeiro na História não é somente a aceitação de todas as sequências de violências tidas como o passado do mundo — como o rapto de crianças e a colonização dos imaginários e vidas humanas — mas sim, o que está fora dos livros e está ao nosso redor. A verdade é a Floresta. </span></p>
<figure id="attachment_31500" aria-describedby="caption-attachment-31500" style="width: 758px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31500" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/miranha-isabela-e-juri-criancas-indigena-capturadas-martius-e-spix-1.jpg" alt="" width="758" height="511" /><figcaption id="caption-attachment-31500" class="wp-caption-text">Quando se deparou com essas imagens, a escritora descreveu a sensação de ‘‘quando vamos no cemitério ver o túmulo de alguém conhecido” (Foto: Arteologie)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o relato de violência, de um povo e de um sistema, o vencedor da categoria Romance Literário no </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/mercado-editorial/os-premiados-da-64-edicao-dojabuti"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022 tensiona a historiografia para, então, retomar a História de um outro ponto de vista. O romance não se inicia nas páginas do livro, mas sim, em uma </span><a href="https://www.folhape.com.br/cultura/livro-o-som-do-rugido-da-onca-expoe-violencias-do-passado-que/176927/"><span style="font-weight: 400;">visita</span></a><span style="font-weight: 400;"> da autora à mostra permanente da </span><a href="http://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/colecao-brasiliana-itau/"><span style="font-weight: 400;">Coleção Brasiliana</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Itaú Cultural, na qual se depara com as litogravuras de duas crianças indígenas, registradas pelos pesquisadores naturalistas alemães </span><a href="https://www.iel.unicamp.br/sidis/anais/pdf/GANZER_NATHALIA_NICACIO.pdf"><span style="font-weight: 400;">Karl Von Martius</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Johann Baptist Von Spix. Talvez o que arrebatara Verunschk, para além do sentimento sombrio de se ver o resultado de um regime como a colonialidade, é ver o que se tranca nesses retratos. As duas crianças, denominadas como ‘‘Miranha’’ e ‘‘Juri’’, são fechadas em uma condição meramente taxonômica, enquanto a complexidade de suas crenças e cosmogonias é reduzida à descrição de meros exemplares da fauna brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, se quebram as trancas. A </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/noticias/os-melhores-livros-de-2021/os-melhores-livros-de-2021"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Iñe-e – raptada, junto de Juri, por Spix e Von Martius e levadas para a Alemanha para serem expostas e violadas, como objetos científicos –, é individual e coletiva, por ressoar tanto as experiências afetivas desse espaço da Floresta, quanto por ressoar e atravessar tempos, comovendo e dialogando com Josefa, uma mulher brasileira que, na narrativa, adentra-se ao complexo terreno da investigação de suas origens.</span></p>
<figure id="attachment_31501" aria-describedby="caption-attachment-31501" style="width: 432px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31501" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/10984_gg.jpg" alt="" width="432" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31501" class="wp-caption-text">O novo romance de Verunschk, Caminhando com os Mortos, discorre sobre a intolerância religiosa no Brasil (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Começo a devolver a sua linguagem e a recuperar a minha.’’ </span></i><span style="font-weight: 400;">Para o exercício, muitas vezes equivocado nas inúmeras representações da literatura indigenista, de se criar, verdadeiramente, uma Literatura que abrace e se coloque no espaço de pessoas indígenas é necessária uma ruptura. Por isso que os questionamentos e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/o-som-do-rugido-da-onca-fica-entre-a-fabula-e-o-realismo-fantastico.shtml"><span style="font-weight: 400;">leituras críticas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tentem alocar </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça </span></i><span style="font-weight: 400;">realismo fantástico ou a fábula – pressupostos que além de reduzir o texto, partem, justamente, de um cânone europeu – perdem-se na fantasmagoria e grandiosidade da escrita de Verunschk. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que existe, essencialmente, é a conjugação de terrenos não premeditados em uma visão ocidental do mundo. Não é exatamente a fantasia que atravessa, por exemplo, a transmutação da menina Iñe-e em uma onça, mas sim um outro sistema de crenças e de subjetividades, no qual a Floresta, o sonho, os mares e a luz são componentes de algo único, vital e multidimensional: </span><a href="https://oglobo.globo.com/um-so-planeta/ailton-krenak-sociedade-precisa-parar-de-olhar-mundo-como-um-supermercado-25169816"><span style="font-weight: 400;">a vida conjunta</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Terra. A subversão de um retrato formal é uma das maneiras que o romance realiza sua vingança poética ao sistema que fez de terras antes ocupadas por inúmeros povos e culturas, um país chamado Brasil.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">‘‘Letras são animais que, depois de domesticados, apenas obedecem, ele acredita.’’</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">No livro, a retomada de documentos históricos – como os registros do diário de Von Martius, mapas, comentários em redes sociais – traz à vista os arquivos tanto do passado quanto do presente a fim de, a partir da ficção, os completarem em suas faltas, ou até mesmo corrompê-los. Em sua prosa poética, </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça </span></i><span style="font-weight: 400;">erode essas imagens e textualidades marmorizadas pelo tempo pela explicitação da culpa colonial, em que o ato de se raptar crianças e tirá-las de suas origens não é acobertado pelo manto da ideologia da época, mas conscientemente reconhecido como uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/alea/a/bLNjPK47XLGx47nX7NBXWgj/"><span style="font-weight: 400;">violência</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A possibilidade dessa </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-outubro-de-2022/#:~:text=Saidiya%20Hartman%20%E2%80%93%20Vidas%20rebeldes%2C%20belos%20experimentos%20(432%20p%C3%A1ginas%2C%20F%C3%B3sforo)"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica</span></a><span style="font-weight: 400;"> – de criar em cima de arquivos – dá a liberdade à autora de se colocar no espaço das personagens indígenas, escancarando os apagamentos não só desses documentos, nos quais se prevalece apenas um lado da História, mas também da própria Literatura. É fazer desse conhecimento, construído a partir de uma estrutura lacunar, um outro mundo a ser habitado, </span><a href="https://bravo.abril.com.br/literatura/saidiya-hartman-flip-vidas-rebeldes"><span style="font-weight: 400;">reconstruindo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e corrompendo essas narrativas que silenciaram, em sua maioria, a História dessas vidas.</span></p>
<figure id="attachment_31502" aria-describedby="caption-attachment-31502" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31502" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31-800x566.jpeg" alt="" width="800" height="566" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31-800x566.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31-768x543.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/09/WhatsApp-Image-2020-04-16-at-14.25.31.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31502" class="wp-caption-text">A autora, finalista do prêmio Oceanos, concede protagonismo às cosmovisões no seu livro (Foto: Denilson Baniwa)</figcaption></figure>
<p><a href="https://select.art.br/a-constelacao-da-onca/"><span style="font-weight: 400;">A onça</span></a><span style="font-weight: 400;">. Guardiã do espaço da Floresta e  força de onde o livro de </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/entrevistas/fichamento/micheliny-verunschk"><span style="font-weight: 400;">Verunschk</span></a><span style="font-weight: 400;"> revolve sua transcriação de mitos, relatos, palavras e sabedorias dos povos originários. A rota por onde Iñe-e, depois de sequestrada de si mesma, volta. Mas ao mesmo tempo, a onça é o fantasma dos que não voltaram. A onça é onde a autora procura e acessa o mundo interno de suas personagens: é por onde ela faz os rios falarem de suas histórias e por onde, pela construção de cidades, foram orientados a estar. É o espírito que torna o livro em outra coisa, talvez um pouco menos humana, e mais bicho. E dessa nova vida, a Literatura ganha uma voracidade, que naufraga os navios que determinaram rotas do trauma, mas, acima de tudo, reitera o barulho dos que não estão mais vivos. </span></p>
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		<title>Estante do Persona – Agosto de 2023</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Aug 2023 21:33:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Voltando a rotina depois de uma pausa merecida, os integrantes do Clube do Livro do Persona repousaram os olhares para o vencedor do Prêmio Jabuti de Romance Literário em 2022, O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk. Adentrado em uma narrativa que devolve o protagonismo às verdadeiras vítimas da colonização, o texto &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-agosto-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Agosto de 2023"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>&nbsp;</p>
<figure id="attachment_31381" aria-describedby="caption-attachment-31381" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ESTANTE_WP_2023_1.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31381" class="wp-caption-text">Apoiado em sentimentalismo, O som do rugido da onça foi a leitura escolhida para o Clube do Livro de Agosto (Foto: Companhia das Letras/ Arte: Raíra Tieng0/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando a rotina depois de uma pausa merecida, os integrantes do <a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/">Clube do Livro</a> do Persona repousaram os olhares para o vencedor do Prêmio Jabuti de Romance Literário em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Micheliny Verunschk. Adentrado em uma narrativa que devolve o protagonismo às verdadeiras vítimas da colonização, o texto caminha através da histórias das crianças indígenas Iñe-e e Juri. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escritora e historiadora já é figurinha marcada no <a href="https://j.pucsp.br/noticia/mestre-e-doutora-pela-puc-sp-e-uma-das-vencedoras-do-premio-jabuti-2022">universo literário nacional</a>, e conquistou o Prêmio São Paulo de Literatura em 2015, com </span><i><span style="font-weight: 400;">Nossa Teresa: vida e morte de uma santa suicida</span></i><span style="font-weight: 400;">. Micheliny também foi duas vezes finalista do Prêmio Rio de Literatura e no último ano, com </span><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça,</span></i><span style="font-weight: 400;"> representou o Brasil no Prêmio Oceanos – uma das premiações literárias mais importantes dos países de língua portuguesa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra escolhida da vez, somos levados de forma poética, mas avassaladora, a trágica história das crianças raptadas pelos exploradores Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius. Em um misto de medo, separação, saudade e vidas interrompidas, o foco se entrega completamente às faces da dor, enquanto as entrelinhas se envolvem com os mistérios da <a href="https://personaunesp.com.br/chuva-e-cantoria-na-aldeia-dos-mortos-critica/">espiritualidade</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A leitura das 168 páginas se desfaz em uma densidade quase versada e resta nos que a acompanham as milhares de incertezas sobre a construção de um país que se revela tão bem na ficção quanto o faria nos pedaços ocultados pela versão dos opressores. E para não perder o costume, o</span><b><a href="https://personaunesp.com.br/tag/estante-do-persona/"> Estante do Persona</a> de Agosto de 2022</b><span style="font-weight: 400;"> deixa suas indicações dedicadas a todos os que optam por ver o mundo entre os múltiplos pontos de vista. </span></p>
<p><span id="more-31368"></span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_31377" aria-describedby="caption-attachment-31377" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/81Fh2tD58L._AC_UF10001000_QL80_.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31377" class="wp-caption-text">O primeiro título da autora a ser publicado pela Companhia das Letras foi vencedor do Prêmio Jabuti na categoria Romance Literário (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><strong>Micheliny  Verunschk &#8211; O som do rugido da onça (168 páginas) </strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de situar </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210213/o-som-do-rugido-da-onca-vencedor-jabuti-2022"><i><span style="font-weight: 400;">O som do rugido da onça</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> entre os cânones literários do </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/04/o-som-do-rugido-da-onca-fica-entre-a-fabula-e-o-realismo-fantastico.shtml"><span style="font-weight: 400;">realismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da fábula talvez seja equivocada para dimensionar a grandiosidade de um novo parâmetro nas narrativas sobre colonialidade na Literatura brasileira. Entre tempos e entre lugares, o basilar romance de Micheliny Verunschk apresenta uma tecnologia de resistência contra a historicidade violenta de discursos indigenistas produzidos pela Ciência e pelo saber que, essencialmente, foi responsável pela retirada de pessoas de seus lugares nativos e de suas subjetividades. A alternância da narrativa de Josefa, suscitada a uma investigação de sua própria ancestralidade, e das crianças indígenas Iñe-e e Juri, raptadas por uma missão científica de naturalistas alemães, compõe um retrato sensível das violências coloniais a partir de uma prosa poética.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O compromisso de Verunschk em se ater a uma transcriação da perspectiva indígena a partir de citações de diversas origens e procedências, como um documentário sobre a construção de Belo Monte, excertos de diários e de artigos de periódicos alemães e franceses do século XIX. Para a autora, o acesso e a capacidade de constituir uma </span><a href="https://www.scielo.br/j/alea/a/bLNjPK47XLGx47nX7NBXWgj/"><span style="font-weight: 400;">fabulação crítica da História</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria uma perspectiva única e intrincada que relaciona a visão do colonizador e as variadas cosmogonias dessas crianças como tentativa de acessar o mundo interno de suas personagens. </span></p>
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_31369" aria-describedby="caption-attachment-31369" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/angela-davis-1-540x800.jpg" alt="Capa do livro Mulheres, Raça e Classe. A capa mostra, ao fundo, a silhueta do rosto de Angela Davis em vermelho e preto. Ela é uma mulher negra, aparentando cerca de 30 anos. À frente, lê-se “ANGELA” na parte superior central, ocupando boa parte da extensão da capa, em uma letra branca estilizada como se fosse escrita com giz, em caixa alta. Abaixo, ao centro da imagem, ocupando boa parte da extensão da capa, lê-se “DAVIS” na mesma fonte. Na parte inferior, lê-se “MULHERES, RAÇA E CLASSE” na mesma fonte, em caixa alta. Na parte inferior à direita, há o logotipo da editora Boitempo." width="540" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/angela-davis-1-540x800.jpg 540w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/angela-davis-1.jpg 675w" sizes="auto, (max-width: 540px) 85vw, 540px" /><figcaption id="caption-attachment-31369" class="wp-caption-text">O prefácio de Djamila Ribeiro introduz a figura de Angela Davis, nos lembrando da trajetória e da importância da pensadora (Foto: Editora Boitempo)</figcaption></figure>
<p><b>Angela Davis &#8211; Mulheres, Raça e Classe (248 páginas, Boitempo Editorial)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das maiores militantes vivas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r0qCNFmIn2Q"><span style="font-weight: 400;">Angela Davis</span></a><span style="font-weight: 400;"> virou sinônimo de ativismo. Não por menos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres, Raça e Classe</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma de suas obras mais famosas, é considerada não só uma chave de entrada para a literatura da autora, mas também um livro de formação social e política. Misturando referenciais teóricos e aplicação prática, Davis parte do período da escravidão estadunidense para, ao longo de 12 capítulos, propor </span><a href="https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/bbc/2020/06/05/djamila-ribeiro-sobre-racismo-no-brasil-todo-mundo-sabe-que-existe-mas-ninguem-acha-que-e-racista.htm"><span style="font-weight: 400;">reflexões raciais</span></a><span style="font-weight: 400;">, de gênero e de classe e suas influências nas dinâmicas na estruturação social ao longo da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em 1981, a obra chegou ao Brasil 35 anos depois. Apesar dos esforços brasileiros de nacionalizar a literatura de uma das grandes pensadoras da contemporaneidade mais cedo, a edição da Editora Boitempo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulheres, Raça e Classe </span></i><span style="font-weight: 400;">não chegou em 2016 datada. Mesmo tratando de um recorte histórico que vai de quase dois séculos atrás, passando pela industrialização e ascensão do capitalismo até chegar às dinâmicas sociais da década de 1980, as reflexões de Angela Davis são fundamentais para entender a essência da sociedade a partir de sua formação e aplicá-la em </span><a href="https://www.fecomercio.com.br/noticia/raca-e-genero-na-sociedade-brasileira-por-djamila-ribeiro-e-amara-moira"><span style="font-weight: 400;">diferentes contextos e nações</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
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<figure id="attachment_31370" aria-describedby="caption-attachment-31370" style="width: 557px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-557x800.jpg" alt="" width="557" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-713x1024.jpg 713w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-768x1103.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1-1200x1724.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/flores-matinais-1.jpg 1250w" sizes="auto, (max-width: 557px) 85vw, 557px" /><figcaption id="caption-attachment-31370" class="wp-caption-text">Com tradução de Yu Pin Feng, a edição brasileira é bilíngue, apresentando também o texto original em chinês (Foto: Editora da Unicamp)</figcaption></figure>
<p><b>Lu Xun &#8211; Flores Matinais Colhidas ao Entardecer (240 páginas, Editora da Unicamp) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro escritor do <a href="https://www.ibrachina.com.br/livro-do-pai-do-modernismo-chines-e-lancado-no-brasil-em-edicao-bilingue/">modernismo chinês</a>, Lu Xun – considerado pai do gênero oriental – é a figura perfeita para inaugurar a parceria Brasil-China idealizada pelo Instituto Confúcio da Unicamp. </span><i><span style="font-weight: 400;">Flores Matinais Colhidas ao Entardecer </span></i><span style="font-weight: 400;">é um conjunto de 10 contos em formato de prosa que narram a infância e adolescência do autor em meio a um período de mudanças no culturalmente rico território chinês.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O autor, que viveu de 1881 a 1936, passou pelo processo de transição do último império chinês, a <a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/Historia/noticia/2019/10/conheca-historia-da-dinastia-qing-ultima-da-china-imperial.html">dinastia Qing</a>, e o início da República somados com uma tímida aproximação ao ocidente. Dessa forma, através do resgate de suas memórias, ele faz um balanço muito sincero e pessoal do embate entre tradição e modernidade. Lu Xun conscientemente faz de </span><i><span style="font-weight: 400;">Flores Matinais Colhidas ao Entardecer</span></i><span style="font-weight: 400;"> sua própria metonímia, em que de forma muito singela e melancólica, explica o todo de uma nação em um período singular de sua história, através de parte de sua vivência </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_31371" aria-describedby="caption-attachment-31371" style="width: 433px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/ponto-omega.jpg" alt="Capa do livro Ponto Ômega. A capa do livro é composta por uma fotografia retangular que mostra uma paisagem sendo vista através de uma janela de ferro, a paisagem é composta por um campo gramado com montanhas ao fundo e o céu azul." width="433" height="650" /><figcaption id="caption-attachment-31371" class="wp-caption-text">Don Delillo possui uma obra extensa, em atividade desde a década de 1970, e sempre refletiu as ansiedades de seu tempo; aqui, o faz através dos diálogos, os personagens refletem sobre os traumas e as marcas deixados pela guerra. (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Don DeLillo &#8211; Ponto Ômega (104 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ponto Ômega</span></i><span style="font-weight: 400;"> de <a href="https://personaunesp.com.br/ruido-branco-critica/">Don DeLillo</a> propõe em seu prólogo e epílogo uma narrativa sensorial, na qual os personagens se encontram em uma exibição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Alfred Hitchcock, que estende a duração do filme em 24 horas completas. Ou seja, cada plano é prolongado por muito mais tempo do que normalmente dura, o que permite, a partir das imagens, uma gama de reflexões sobre o valor das expressões artísticas e sobre a consciência humana. Esse prólogo serve não como uma introdução narrativa, mas como uma introdução temática e estética ao livro, e nos mostra o que e como será abordado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo dos quatro capítulos, acompanhamos Jin Finley, um jovem cineasta que busca um intelectual de uma idade mais avançada para ser seu personagem em um <a href="https://personaunesp.com.br/category/documentario/">documentário</a> sobre a guerra no Iraque. O filme que ele deseja produzir é desprovido de qualquer aparato estético, a fim de focar nas experiências do homem que as vivenciou. A trama se constrói nas conversas entre os duas figuras e a filha do veterano de guerra, que, situados nesse ambiente desértico e isolado, enxergam um pouco de si nos outros à sua volta e encontram o ponto ômega. </span><b>&#8211; Francisco Tigre</b></p>
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<figure id="attachment_31372" aria-describedby="caption-attachment-31372" style="width: 347px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31372" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/capitaes-da-areia-1.jpg" alt="Capa do livro Capitães da Areia. Em todo o fundo há pinceladas horizontais intercaladas de azul e amarelo. Em azul e em letras maiúsculas está o nome do autor. Abaixo o título da obra na mesma cor. Também em azul há três ilustrações de jogadores de capoeira e logo abaixo o logo da editora, na mesma cor" width="347" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-31372" class="wp-caption-text">Esquecidos pelo sistema, os capitães da areia são obrigados a fazer de tudo para sobreviver (Foto: Companhia de Bolso)</figcaption></figure>
<p><b>Jorge Amado &#8211; Capitães da Areia (246 páginas, Companhia de Bolso)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado pela primeira vez em 1937, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Capit%C3%A3es-areia-Jorge-Amado/dp/8535911693"><i><span style="font-weight: 400;">Capitães da Areia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra a história de um grupo de crianças em situação de vulnerabilidade social na cidade de Salvador. A comunidade é liderada por Pedro Bala, o menino mais velho é a única figura próxima de paterna que os menores têm e ele se vê na obrigação de fazer de tudo para protegê-los e ajudá-los a sobreviver. Infelizmente, a única alternativa que encontrou para fazer isso foi guiá-los em pequenos e grandes furtos ao redor da cidade baiana. O livro mostra perfeitamente os altos e baixos de pessoas perdidas que no fundo só querem ser crianças comuns.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra faz o leitor lidar de maneira dura com a história fictícia que é a verdade de muitas crianças do país. A sociedade e o governo não se importam em dar ao grupo uma chance, fazendo com que sejam submetidos a situações traumáticas e comportamentos problemáticos sem ninguém para ampará-los. A leitura desse clássico é extremamente importante por debater questões de estupro, pedofilia e uso de drogas, assim evitando que ocorram no futuro. Apesar de ter sido lançado há décadas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Capitães de Areia</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda abre portas para discussões atemporais sobre a necessidade de proteger os <a href="https://personaunesp.com.br/pixote-a-lei-do-mais-fraco-critica/">menores à deriva</a>.  </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade</b></p>
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<figure id="attachment_31373" aria-describedby="caption-attachment-31373" style="width: 524px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-524x800.png" alt="Capa do livro O Mar Sem Estrelas. O fundo é inteiramente pintado em um preto fosco. A parte superior da capa possui a gravura de três chaves douradas, com alguns detalhes e símbolos singulares, uma detém o desenho de um livro estampado, outra de uma abelha e a última dispõe um formato de coração. Algumas fitas em tons de cinza claro e escuro e linhas brancas pontilhadas, contornam as três chaves. Ao meio do livro está o título da obra em branco, ao lado do nome, estão ilustradas mais duas chaves douradas, uma com um símbolo de estrela e a figura da outra chave foi cortada pelo fim da capa. Na parte inferior do livro, está grafado o nome da autora em branco e também o logo da editora da obra em laranja. Além disso, outras fitas acinzentadas percorrem ao redor das escrituras." width="524" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-524x800.png 524w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-670x1024.png 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1-768x1174.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/o-mar-sem-estrelas-1.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 524px) 85vw, 524px" /><figcaption id="caption-attachment-31373" class="wp-caption-text">“É um santuário para contadores de histórias e guardiões de histórias e amantes de histórias. Eles comem e dormem e sonham cercados por crônicas e memórias e mitos” (Foto: Morro Branco)</figcaption></figure>
<p><b>Erin Morgenstern &#8211; O Mar Sem Estrelas (544 páginas, Morro Branco)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.amazon.com.br/mar-sem-estrelas-Erin-Morgenstern/dp/6586015227"><i><span style="font-weight: 400;">O Mar Sem Estrelas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Zachary Ezra Rawlings sobe as escadarias revestidas por neve da universidade, até reencontrar a comodidade das prateleiras de livros da biblioteca. Antes das aulas do ano letivo começarem, Zachary permanecia no campus essencialmente para ler, encontrar novas histórias e as deixarem tomar conta de seu pensamento no decorrer dos dias gélidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rotina literária de Zachary muda drasticamente, após o jovem encontrar um episódio de sua infância, na qual manteve em segredo por anos, narrado nas escrituras de um livro desmemoriado na biblioteca da universidade. Contaminado pela incompreensão e pelo desejo de saber mais, o protagonista percorre um caminho desconexo para desvendar como o seu passado pode estar ligado com os contos descritos em </span><i><span style="font-weight: 400;">Doces Dores</span></i><span style="font-weight: 400;"> e com o <a href="https://www.momentumsaga.com/2021/06/resenha-o-mar-sem-estrelas-de-erin-morgenstern.html">universo utópico</a> de seus personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama do livro é uma incógnita, um mistério que merece ser acompanhado com atenção. A riqueza de elementos e de complexidade trazidos por Erin Morgenstern, é superior ao de determinados livros no <a href="https://quindim.com.br/blog/literatura-fantastica/">gênero da fantasia</a>. Compondo livros dentro de livros, narrativas sobre acólitos guardiões de histórias e amores atemporais, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Mar Sem Estrelas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma dedicatória escrita com graciosidade para a literatura. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
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<figure id="attachment_31378" aria-describedby="caption-attachment-31378" style="width: 534px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/916TnVR3amL._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg" alt="" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/916TnVR3amL._AC_UF10001000_QL80_-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/916TnVR3amL._AC_UF10001000_QL80_.jpg 667w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31378" class="wp-caption-text">O primeiro volume da coleção de livros foi adaptado às telas em uma série pela Amazon Prime Video (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Virginie Despentes &#8211; A Vida de Vernon Subutex &#8211; Volume I (336 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">São em ruas cinzentas de uma cidade mutilada de suas tradições, afligida pelo novo porém sempre presente espectro do capitalismo globalizado, que Vernon Subutex, o protagonista da série de romances </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535932492/a-vida-de-vernon-subutex-volume-1"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida de Vernon Subutex</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">vagueia à procura de um lugar para fumar cigarros, beber compulsivamente, dormir sem precisar gastar em quartos de hotel e não largar a memória do que um dia já foi. A cidade é Paris e Subutex é um desempregado com muitos contatos – oriundos de quando era dono de uma famosa loja de discos de vinil –, que transparecem na prosa caleidoscópica, </span><i><span style="font-weight: 400;">rockeira</span></i><span style="font-weight: 400;"> e frenética da pensadora Virginie Despentes. O trabalho teórico da escritora – sempre </span><a href="https://impressoesdemaria.com.br/2021/10/o-feminismo-punk-de-virginie-despentes-em-teoria-king-kong/"><i><span style="font-weight: 400;">punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, reaça e político – não deixa de estar presente em seus personagens: em sua maioria, quase todos desprezíveis. Por eles, Despentes desenvolve uma crítica generalizada à </span><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/l/ilusoes-perdidas"><span style="font-weight: 400;">sociedade francesa</span></a><span style="font-weight: 400;">, assombrada pelo desemprego estrutural e pelo envelhecimento de uma geração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A autora, cuja prosa – desde o arrebatador e autoficcional </span><a href="https://n-1edicoes.myportfolio.com/teoria-king-kong"><i><span style="font-weight: 400;">Teoria King-Kong</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> – </span></i><span style="font-weight: 400;">é tomada de agressividade, humor e crueza, que aqui se dilacera em inúmeras personagens em suas mais absurdas diferenças. De ex-atrizes pornô, </span><i><span style="font-weight: 400;">groupies </span></i><span style="font-weight: 400;">recuperadas de obsessões e homens transgênero garotos propaganda de lojas de cigarros eletrônicos a pais de família recuperados da cocaína, </span><i><span style="font-weight: 400;">rockstars </span></i><span style="font-weight: 400;">de uma geração e</span><i><span style="font-weight: 400;"> hackers </span></i><span style="font-weight: 400;">lésbicas; todos unem-se em saudosa rebeldia ou em uma deliciosa antipatia a suas próprias vidas. Acompanhando a trajetória de </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2018/may/02/vernon-subutex-1-by-virginie-despentes-review"><span style="font-weight: 400;">Subutex</span></a><span style="font-weight: 400;"> por diferentes lentes, os capítulos parecem estar contaminados pela quantidade de drogas utilizadas pelos artistas presentes nas músicas citadas na narrativa e pelo seu protagonista, que parece ser um arquétipo complexo, à Despentes, do que toda a geração da música </span><i><span style="font-weight: 400;">rock </span></i><span style="font-weight: 400;">resumiu: um paradoxo entre a liberdade total e um iminente moralismo que apenas o envelhecimento é capaz de proporcionar. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_31374" aria-describedby="caption-attachment-31374" style="width: 586px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Crush-1-586x800.jpg" alt="Texto alternativo: Capa do livro Crush. Fotografia em preto e branco que enquadra a parte inferior do rosto de um homem - do nariz para baixo - com a boca semi aberta contra as costas da sua mão. No canto superior esquerdo, o nome da editora; à direita - abaixo da boca na imagem - o nome do autor e os créditos do prefácio para Louise Glück; na parte inferior da imagem, o título do livro." width="586" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Crush-1-586x800.jpg 586w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/08/Crush-1.jpg 733w" sizes="auto, (max-width: 586px) 85vw, 586px" /><figcaption id="caption-attachment-31374" class="wp-caption-text">Crush é a obra de estreia de Richard Siken, o que não o impede de compartilhar as suas vulnerabilidades mais cruas com o leitor (Foto: Yale University Press)</figcaption></figure>
<p><b>Richard Siken &#8211; Crush (62 páginas, Yale University Press)</b></p>
<p><a href="https://www.amazon.com.br/Crush-Louise-Glueck/dp/0300107897"><i><span style="font-weight: 400;">Crush</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, selecionado como o vencedor do prêmio Yale Series of Younger Poets de 2004, é uma coleção de poesias do poeta americano Richard Siken. Nele, Siken explora emoções humanas complexas e conflitantes, principalmente em torno da obsessão, pânico e culpa que acompanham o amor em um mundo em que a sua sexualidade representa perigo. Sua poesia advém muito de suas experiências pessoais enquanto homem gay. O livro comenta, de modo poderoso e confessional,  a dualidade desse amor que é uma sina e uma salvação ao mesmo tempo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O autor desenvolve um estilo distinto conforme escreve sobre situações cotidianas para articular em seu texto sentimentos abstratos. O autor domina a construção de cenas que o leitor pode visualizar enquanto lê, tornando a leitura uma experiência imersiva. Ele sabe traduzir com sinceridade as ansiedades da natureza humana, de modo que conforta quem lê. Os sentimentos são familiares, mesmo que as cenas não sejam. Ao expressar seus desejos e impulsos mais íntimos, <a href="https://tinhouse.com/the-doubling-of-self-an-interview-with-richard-siken/">Siken</a> faz o leitor se sentir tão exposto quanto ele. É esse elemento que torna </span><i><span style="font-weight: 400;">Crush</span></i><span style="font-weight: 400;"> tão brutal e gentil, simultaneamente.</span><b> &#8211; Giovanna Freisinger </b></p>
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		<title>Estante do Persona &#8211; Abril de 2023</title>
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		<pubDate>Wed, 31 May 2023 20:42:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A edição do Clube do Livro de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do Persona. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do rock brasileiro, Rita Lee, em Rita Lee: uma autobiografia. Falecida &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona &#8211; Abril de 2023"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31019" aria-describedby="caption-attachment-31019" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31019" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg" alt="Imagem retangular de fundo verde. Do lado direito está o livro Rita Lee: uma autobiografia, ele tem capa laranja, com um RG da artista no centro e o nome Rita Lee em cima. Do lado esquerdo há três livros empilhados nas cores preto, vermelho e violeta, o texto Estante do Persona Abril de 2023 aparece nas lombadas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/capawp_estantepersona.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31019" class="wp-caption-text">Caminhando pela singularidade subversiva de uma das maiores artistas do Brasil, o Clube do Livro de Abril contemplou Rita Lee: uma autobiografia (Foto: Globo Livros/ Arte: Raíra Tiengo/ Texto de abertura: Jamily Rigonatto)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A edição do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Abril marca o vigésimo encontro do grupo de leitores do </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;">. Depois de caminharem por autores e, principalmente, autoras, que expandiram todos os limites das perspectivas, foi a vez de dar de cara com a marcante figura do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock brasileiro,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falecida no dia 8 de Maio de 2023, a contemplação da obra da artista se formata em tons de saudosismo e admiração. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em pequenos relatos que caminham desde a infância até a vida adulta agitada, o texto encara a distinção das fases em períodos curtos, palavras estrangeiras e gírias paulistanas. Através da óptica completamente única, a autoria de cada termo quase grita </span><a href="https://personaunesp.com.br/rita-lee-40-anos/"><span style="font-weight: 400;">Rita Lee</span></a><span style="font-weight: 400;">. Direta e reta como sempre, seus afetos, vivências, tristezas e o que mais houver cantam em notas vibrantes e extremamente características. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da voz da </span><a href="https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2022/11/rita-lee-gosto-mais-de-ser-chamada-de-padroeira-da-liberdade-do-que-rainha-do-rock.shtml"><span style="font-weight: 400;">“padroeira da liberdade”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – apelido pelo qual gostava de ser chamada –, o escrito conta com os pitacos do jornalista Guilherme Samora, representado pela aparição de um fantasma chamado Phantom. A figura aparece em determinados trechos para indicar algum detalhe ou data esquecidos pela artista, e contribui para aumentar a sensação de autenticidade dos capítulos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicada em 2016, a obra foi consagrada no mesmo ano com o título de Melhor Biografia do Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes), a artista também foi lembrada por suas contribuições no universo musical durante a cerimônia. Em 2017, o livro apareceu entre os indicados da categoria de Melhor Biografia da estatueta oferecida pela Academia Brasileira de Letras (ABL), o </span><a href="https://www.instagram.com/p/Clmi7GXu-Og/?igshid=MmJiY2I4NDBkZg=="><span style="font-weight: 400;">Prêmio Jabuti</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O relato é o primogênito da segunda autobiografia de Rita, intitulada </span><a href="https://www.publishnews.com.br/materias/2023/05/26/rita-lee-outra-autobiografia-estreia-na-lista-de-mais-vendidos-do-publishnews-antes-do-lancamento-oficial"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: outra autobiografia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A caçula chegou ao mundo em Maio, pouco tempo depois da morte da autora, e carrega em 192 páginas memórias que contemplam os momentos da cantora com a descoberta do câncer de pulmão durante o período pandêmico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo se seu RG não estampasse a capa do livro, o escolhido do mês não poderia ter sua assinatura confundida com a de nenhuma outra literata. Marcado por originalidade e cheio de personalidade, o ato de ler e viver Rita Lee foi e sempre será um presente. Para homenagear as múltiplas sensações provocadas pela eterna Rainha, ficam nossas dicas literárias especialmente para os que têm cor de </span><a href="https://www.youtube.com/channel/UCyFDNBI2AJaqILTR_3dn9aA"><span style="font-weight: 400;">Tutti Frutti </span></a><span style="font-weight: 400;">no <strong>Estante do Persona de Abril de 2023</strong>.</span></p>
<p><span id="more-31012"></span></p>
<h3><strong>Livro do Mês</strong></h3>
<figure id="attachment_31021" aria-describedby="caption-attachment-31021" style="width: 542px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31021" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg" alt="Capa do livro Rita Lee: uma autobiografia. O RG de Rita Lee esta centralizado em um fundo laranja. Na porção su´perior há o nome da artista em letras bastão verdes. Na porção inferior há o texto &quot; uma autobiografias&quot; em letras cursivas verdes. " width="542" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1-542x800.jpg 542w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Rita-1.jpg 677w" sizes="auto, (max-width: 542px) 85vw, 542px" /><figcaption id="caption-attachment-31021" class="wp-caption-text">A primeira autobiografia da artista foi um sucesso editorial quando lançada, com mais de 98 mil exemplares vendidos (Foto: Globo Livros)</figcaption></figure>
<p><b>Rita Lee &#8211; Rita Lee: uma autobiografia (296 páginas, Globo Livros)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No dia 8 de maio de </span><span style="font-weight: 400;">2023, </span><span style="font-weight: 400;">noites alienígenas ganharam, para a eternidade, um disco voador meio biruta – com um quê de estrela do rock – para sua imensidão de UFOs e objetos luminosos estranhos. A escolha do </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/clube-do-livro/"><span style="font-weight: 400;">Clube do Livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Persona convergiu, numa coincidência que só poderia acontecer a essa figura, com a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2023/05/09/em-autobiografia-rita-lee-deixou-profecia-sobre-repercussao-de-sua-morte.ghtml#trecho"><span style="font-weight: 400;">partida intergalática</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Rita Lee, depois de uma luta vencida contra o câncer, relatada em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2023/05/23/rita-lee-escapa-com-vida-ao-narrar-com-sagacidade-os-dias-de-luta-contra-o-cancer-em-outra-autobiografia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">outra autobiografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. O </span><a href="https://forbes.com.br/colunas/2018/02/rita-lee-e-a-autora-brasileira-que-mais-vendeu-livros-de-nao-ficcao-em-2017/"><span style="font-weight: 400;">primeiro relato</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a artista compõe de si mesma, afastando de si um tanto da personagem ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">‘ritalee</span></i><span style="font-weight: 400;">’’ dos grandes palcos e telas para expor a intimidade de sua infância e dos bastidores de sua carreira musical, é um enquadramento mais explícito e retrospectivo de si mesma. Da infância na Vila Mariana – tecendo ao leitor uma experiência imersiva de uma São Paulo nos anos 1960 – à caminhada ao estrelato, Lee Jones é modesta com sua própria história, um espaço garantido no cânone de revolucionários e agitadores dos costumes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pisando no terreno das escritas de si, Rita Lee, como sempre, deixa os panos caírem e inverte o jogo. Em </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/vitrine/rita-lee-conheca-as-duas-biografias-escritas-pela-cantora/"><i><span style="font-weight: 400;">Rita Lee: uma autobiografia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a centralidade de tudo é a sua própria história, onde o si tem mais importância e mais corpo que o valor literário de tudo, que também é imenso. O ímpeto cômico e ultrajado que atravessa sua música é, também, um registro de sua escrita. Em seu característico humor ácido, cheio de sacadas inteligentíssimas, a artista se estabelece como canhota por escolha, alienígena de nascença e ovelha negra tingida. </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/augusto-nunes/8216-poema-de-sete-faces-8217-de-carlos-drummond-de-andrade#:~:text=Quando%20nasci%2C%20um%20anjo%20torto%0Adesses%20que%20vivem%20na%20sombra%0Adisse%3A%20Vai%2C%20Carlos!%20ser%20gauche%20na%20vida."><i><span style="font-weight: 400;">Gauche </span></i><span style="font-weight: 400;">na vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, a artista relata sua experiência andando contra os sentidos pré-estabelecidos; seja do mundo da música – hibridizando o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> estadunidense à </span><i><span style="font-weight: 400;">bossa nova</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ao psicodélico da </span><i><span style="font-weight: 400;">tropicália</span></i><span style="font-weight: 400;"> – ou no papel instituído às mulheres nesse cenário, que, por sinal, toma o centro da narrativa em seu relato dos bastidores do </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/rita-lee-foi-expulsa-dos-mutantes-por-ex-marido-historia-e-contada-em-autobiografia-1.3366830"><span style="font-weight: 400;">término</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua trajetória com </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes</span></i><span style="font-weight: 400;">. Uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wU4gpw3gYiw"><span style="font-weight: 400;">Maria Mole</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma revolução feita aos berros e aos acordes de guitarra, Lee Jones foi transeunte entre estilos, ideias e gerações: entre </span><a href="https://novabrasilfm.com.br/notas-musicais/curiosidades/historia-da-musica-pagu-de-rita-lee-e-zelia-duncan/"><span style="font-weight: 400;">Pagu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://artsandculture.google.com/story/KQWBBi19jjt_yg?hl=pt-BR"><span style="font-weight: 400;">Gil</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca houve uma revolução como a de Rita.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Rita Lee: uma autobiografia - Clube do Livro Abril de 2023" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/7dG2PQeCnozOP7wlOS3RNZ?si=f53c25eb2ea14406&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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<h3><strong>Dicas do Mês </strong></h3>
<figure id="attachment_31037" aria-describedby="caption-attachment-31037" style="width: 554px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/0fa060f691528fbf2e81379d8ad73906-e1685560813811-554x800.jpeg" alt="Capa do livro O Homem de Giz. O fundo da imagem é preto, e o título é escrito em branco, em letras de forma semelhante a giz. Abaixo do título há um desenho de giz de um homem palito enforcado. Na parte central inferior está o nome da autora em vermelho, também semelhante a giz. No canto inferior direito está o nome da editora." width="554" height="800" data-wp-editing="1" /><figcaption id="caption-attachment-31037" class="wp-caption-text">Em O Homem de Giz, não dá para confiar em ninguém (Foto: Intrínseca)</figcaption></figure>
<p><b>C. J. Tudor &#8211; O Homem de Giz (334 páginas, Intrínseca)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Guiadas por desenhos de giz, quatro crianças encontram um corpo mutilado no bosque e suas vidas mudam para sempre. </span><a href="https://www.amorporlivros.com.br/livros-cj-tudor/"><span style="font-weight: 400;">C. J. Tudor</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um grande nome da literatura do gênero de mistério e </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, com razão, um de seus títulos mais famosos. O primeiro livro da autora narra as dúvidas e as consequências que envolvem um assassinato que chocou a cidade de Anderbury. Ao longo da história, fica claro que qualquer pessoa guarda os seus segredos, alguns maiores e mais nocivos do que outros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é contada por Eddie Adams, um dos responsáveis por encontrar o corpo. Na sua narrativa, os fatos são contados em duas linhas temporais: uma em 1986 e outra em 2016. Esse é um recurso interessante capaz de prender a atenção do leitor até o final, além de explicitar como escolhas e acontecimentos do passado podem afetar o presente. Para quem é fã dos mistérios de Stephen King ou de </span><a href="https://personaunesp.com.br/stranger-things-4-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Stranger Things</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Giz</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma ótima pedida. </span><b>&#8211; Gabrielli Natividade<br />
</b></p>
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<figure id="attachment_31026" aria-describedby="caption-attachment-31026" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31026" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Assassinos da Lua das Flores. A capa, que é em um branco envelhecido, onde tem uma torre antiga de extração de petróleo, toda na cor vermelha ao fundo, um carro antigo de luxo, onde há um nativo americano homem dirigindo e uma nativa americana no banco de trás, na cor preta. Ao centro, em letra maiúscula preta, o título “ASSASSINOS DA LUA DAS FLORES” e logo abaixo,em letras minúsculas pretas “Petróleo, morte e a criação do FBI”. Um pouco mais abaixo, em maiúsculas pretas,há o nome do autor “DAVID GRANN”. No canto superior esquerdo, também em letras pretas, está com aspas &quot;PERTURBADOR E ENVOLVENTE” e logo abaixo “Dave Eggers, New York Times Book Review”. No canto superior direito, há a logo da editora, composta de uma moto e um sidecar, onde um homem, com roupas antigas de motoqueiro dirige, e um menino que está no sidecar, que é seguido abaixo por uma linha e o nome “COMPANHIA DAS LETRAS”, todos na cor preta" width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Assassinos-da-Lua-das-Flores-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-31026" class="wp-caption-text">A aclamada obra literária se prepara também para se tornar uma aclamada obra cinematográfica (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>David Grann &#8211; Assassinos da Lua das Flores: Petróleo, morte e a criação do FBI (392 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jornalista e redator da </span><i><span style="font-weight: 400;">The New Yorker</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.newyorker.com/contributors/david-grann"><span style="font-weight: 400;">David Grann</span></a><span style="font-weight: 400;">, já tem uma certa lista de obras que são aclamadas e migraram para a Sétima Arte. Porém, uma de suas maiores joias estava intocada até 2023: </span><i><span style="font-weight: 400;">Assassino da Lua das Flores</span></i><span style="font-weight: 400;">. A obra é uma incursão sobre a primeira grande investigação do que seria o FBI: uma série de assassinatos em 1920 no condado de Osage, Oklahoma. Dois pontos deixam o mistério ainda mais interessante: Osage, na época, abrigava as pessoas com maior renda per capita do mundo, devido à descoberta de petróleo na região; e essas pessoas eram nativos americanos, pois o nome da região remete ao nome da etnia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grann consegue atribuir uma linguagem </span><i><span style="font-weight: 400;">western</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o livro, ao mesmo tempo que o desmistifica e 0 mescla com um <a href="https://personaunesp.com.br/todo-dia-a-mesma-noite-critica/">livro-reportagem</a> – fruto de muita pesquisa. Aqui, o </span><i><span style="font-weight: 400;">big-bang</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é frenético e aventuresco, mas sim friamente calculado e vil. Abusando do grafismo, o autor retira o filtro que a América colocou em seu processo de formação e escancara como o dinheiro e o capitalismo estadunidense corromperam seu próprio território. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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<figure id="attachment_31024" aria-describedby="caption-attachment-31024" style="width: 558px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31024" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg" alt="Capa do livro Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha do autor Ruy Castro. Na imagem, o jogador de futebol aparece sentado no braço de uma cadeira de repouso. A câmera o captura por inteiro e com uma das mãos apoiada na cabeça. Há um filtro sobre a fotografia que a deixa em tons amarronzados em meio ao preto e branco. Na parte superior direita, o nome do autor “Ruy Castro” está escrito em tom marrom. Abaixo, segue o nome da obra “Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha” em tom branco e marrom. Na parte inferior direita, o logo da Companhia das Letras aparece em branco." width="558" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1-558x800.jpg 558w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Estrela-Solitaria-1.jpg 698w" sizes="auto, (max-width: 558px) 85vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-31024" class="wp-caption-text">O livro ganhou o Prêmio Jabuti de Melhor Ensaio e Biografia em 1996 (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Ruy Castro &#8211; Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha (536 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Responsável por grandes contribuições ao jornalismo biográfico e literário, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/conheca-obra-de-ruy-castro-que-toma-posse-na-academia-brasileira-de-letras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Ruy Castro</span></a><span style="font-weight: 400;"> reúne a mitologia e o drama particular que cercam o jogador de futebol Garrincha, uma das figuras mais </span><a href="https://www.lance.com.br/botafogo/saudades-garrincha-faz-anos-seu-futebol-segue-driblando-tempo.html"><span style="font-weight: 400;">idolatradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo Brasil durante a década de 60. Para realizar esse feito, o imortal da Academia Brasileira de Letras (ABL) cruzou informações de centenas de entrevistas que proporcionam uma imersão extremamente realista, capaz de unificar todos os cinco sentidos do leitor em uma única experiência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Das vielas estreitas do município de Magé até os grandes palcos do esporte mundial, Castro segue os rastros deixados por um talento nato que, por ser fruto de um país historicamente quebrado, teve a sua própria </span><a href="https://globoesporte.globo.com/bau-do-esporte/noticia/2013/01/alcool-e-bola-30-anos-apos-morte-de-mane-bebida-ainda-estraga-carreiras.html"><span style="font-weight: 400;">tragédia pessoal</span></a><span style="font-weight: 400;">. Através de sentenças que ecoam, </span><i><span style="font-weight: 400;">Estrela Solitária: Um Brasileiro Chamado Garrincha</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe o fato de que “anjo das pernas tortas” é um apelido digno apenas dentro das quatro linhas, uma vez que, fora delas, nada impediu o seu </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/elza-soares-conta-sua-versao-sobre-relacionamento-com-mane-garrincha-em-documentario-do-globoplay-25418157"><span style="font-weight: 400;">tormento</span></a><span style="font-weight: 400;"> e de quem esteve a sua volta. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_31033" aria-describedby="caption-attachment-31033" style="width: 544px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg" alt="" width="544" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-544x800.jpg 544w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-696x1024.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba-768x1130.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/moderato2_v1_Ba.jpg 783w" sizes="auto, (max-width: 544px) 85vw, 544px" /><figcaption id="caption-attachment-31033" class="wp-caption-text">Um dos maiores sucessos editoriais de Marguerite Duras, Moderato Cantabile ganhou vida, em uma adaptação ao Cinema, pelas atuações de Jean-Paul Belmondo e Jeanne Moreau (Foto: Relicário)</figcaption></figure>
<p><b>Marguerite Duras &#8211; Moderato Cantabile (136 páginas, Relicário)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O arrebatamento. Talvez este seja um dos maiores temas que atravessam </span><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos primeiros romances da escritora e cineasta Marguerite Duras antes do roteiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hiroshima, Meu Amor </span></i><span style="font-weight: 400;">e — seu ponto de virada ao cânone da literatura mundial — </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-recomenda/o-amante-livro-de-marguerite-duras-e-sobretudo-um-desabafo-familiar"><i><span style="font-weight: 400;">O Amante</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">publicado em 1980. Uma história de paixão, incomunicabilidade e pulsão, onde o ato máximo do amor é levado ao máximo das sensibilidades, liderando um texto que beira um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">verborrágico. As tensões comumentes descritas por Duras, reflexiva sobre as relações de exterioridade e interioridade que compõe a complexidade do sentimento humano — numa seara mais radical que inspira, por exemplo, o método autobiográfico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=annie+ernaux"><span style="font-weight: 400;">Annie Ernaux</span></a><span style="font-weight: 400;"> —, anunciam, no romance até então esgotado no Brasil, a maior densidade psicológica que estruturam obras como </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/memorias-da-dor-marguerite-duras/"><i><span style="font-weight: 400;">A Dor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por seus diálogos incessantes, construídos por personagens que parecem, em suas falas, mais falarem sozinhos que com si mesmos, desenvolve-se uma narrativa estranha. Em </span><a href="https://www.relicarioedicoes.com/livros/moderato-cantabile/"><i><span style="font-weight: 400;">Moderato Cantabile</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">paira uma aura do erótico que precipita a sucumbir para a auto-destruição, personalizada pela paixão da personagem </span><span style="font-weight: 400;">Anne Desbaresdes</span><span style="font-weight: 400;"> a um homem da classe trabalhadora, incitada por uma</span><a href="https://www.jstor.org/stable/1208015"><span style="font-weight: 400;"> imagem específica</span></a><span style="font-weight: 400;">: um assassinato em um café, do lado da sala de um prédio onde seu filho faz aulas de piano, ao som de navios em um porto. O que, inicialmente, é extremamente individual e psicológico efervesce enquanto um drama social, que alcança seu desenlace em um estridente final, como o de uma sinfonia nunca tocada certo; mas ainda sim, potencial em sua expressão. &#8211; <strong>Enzo Caramori</strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31027" aria-describedby="caption-attachment-31027" style="width: 539px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31027" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg" alt="Capa do livro Cinderela está morta. No centro da imagem há uma mulher negra de cabelos crespos na altura dos ombros, ela veste um vestido de princesa azul. Ao fundo há uma floresta com árvores cheias de espinhos roxos. O título aparece em branco em cima da personagem. O nome da autora ocupa a porção inferior. " width="539" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-539x800.jpg 539w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-690x1024.jpg 690w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-768x1140.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1035x1536.jpg 1035w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1380x2048.jpg 1380w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1-1200x1781.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/cinderela-esta-morta-1-1.jpg 1725w" sizes="auto, (max-width: 539px) 85vw, 539px" /><figcaption id="caption-attachment-31027" class="wp-caption-text">Em Cinderela está morta, o conto de fadas põe os pés na realidade (Foto: Galera)<b> <span style="color: #1a1a1a;"><span style="font-size: 16px;"> </span></span></b></figcaption></figure>
<p><b>Kalynn Bayron &#8211; Cinderela está morta (294 páginas, Galera) </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos nós já ouvimos os clássicos dos contos de fadas e conhecemos as histórias de ponta-cabeça, são eles que ditam os famosos clichês e nada de novo pode surgir disso. Determinada a fazer essa afirmação se quebrar, </span><a href="https://roommagazine.com/kalynn-bayron-author-of-cinderella-is-dead/"><span style="font-weight: 400;">Kalynn Bayron</span></a><span style="font-weight: 400;"> trouxe ao mundo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinderela está morta</span></i><span style="font-weight: 400;">. Criando um universo em que a Cinderela não só foi real, como é um parâmetro de comportamento para todas as mulheres, a autora nos apresenta à Sophia, uma protagonista cheia de representatividade e vontade de virar o jogo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preparada para brigar pelas coisas nas quais acredita, a personagem levanta bandeiras e mostra que muitas vezes o tradicional é ultrapassado. De um jeito leve e encantador, o texto – traduzido por Karine Ribeiro e Érica Imenes – encara as faces do </span><a href="https://personaunesp.com.br/maid-critica/"><span style="font-weight: 400;">machismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma narrativa mais brilhante que um sapatinho de cristal. Estabelecendo a juventude como uma arma engatilhada contra a opressão, Cinderela está morta borda a subversão nos detalhes de um vestido azul. <strong>&#8211; Jamily Rigonatto </strong></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_31035" aria-describedby="caption-attachment-31035" style="width: 656px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-31035 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg" alt="" width="656" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-656x1024.jpeg 656w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-513x800.jpeg 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-768x1198.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1-985x1536.jpeg 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/ioga-1-1.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31035" class="wp-caption-text">Lançado na França em 2020, Ioga chegou ao Brasil em Fevereiro de 2023 sob tradução de Mariana Delfini (Foto: Alfagura)</figcaption></figure>
<p><b>Emmanuel Carrère &#8211; Ioga (272 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em vários trechos de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788556521613/ioga"><i><span style="font-weight: 400;">Ioga</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a mais recente obra publicada por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2023/02/emmanuel-carrere-atinge-o-nirvana-em-ioga-e-ai-se-enterra-na-baixaria.shtml"><span style="font-weight: 400;">Emmanuel Carrère</span></a><span style="font-weight: 400;">, há a explanação, principalmente no primeiro capítulo, de seu desejo antigo de fazer &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">um livrinho simpático e perspicaz</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; sobre o ioga. Embora a primeira parte pareça realmente seguir essa receita, mesmo que alguns trechos viagem pelo interior do escritor-narrador, não demora para percebermos que o projeto precisou ser abortado. Isso porque, entre o final de 2014 e início de 2015, quando o escritor </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">francês</span></a><span style="font-weight: 400;"> partiu para um retiro de meditação vipassana, um de seus amigos foi assassinado no trabalho – no escritório da revista </span><i><span style="font-weight: 400;">Charlie Hebdo,</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Paris –, interrompendo seu percurso espiritual. Soma-se a isso seu processo de divórcio e a morte de seu, até então, único editor literário, que ajudam Carrère a transformar o ioga em uma grande metáfora de suas próprias mudanças.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a obra híbrida de ficção e não ficção – como outros trabalhos do autor – não deixa de ser uma descida ao inferno. Principalmente na parte dois, denominada </span><i><span style="font-weight: 400;">1825 dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, Carrère fala abertamente sobre sua depressão melancólica, quando precisou ser internado por quatro meses em um hospital psiquiátrico. De forma pessoal e reflexiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">não deixa de ser um trabalho de contemplação sobre o corpo e a mente, confrontados pelos medos e inseguranças de Emmanuel Carrère. </span><span style="font-weight: 400;">Nas entrelinhas, trata-se de um livro que investiga o possível equilíbrio em um mundo agitado, frenético e francamente caótico. Longe de ser </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788579622496/limonov"><span style="font-weight: 400;">seu melhor trabalho</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ioga </span></i><span style="font-weight: 400;">compartilha o </span><i><span style="font-weight: 400;">modus operandi</span></i><span style="font-weight: 400;"> típico do escritor: mistura de reportagem, texto autobiográfico, pesquisa histórica e prospecções filosóficas, ligados pela linha condutora de uma escrita brilhante. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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		<title>Desire: a paixão segundo Caroline Polachek</title>
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		<pubDate>Thu, 18 May 2023 19:31:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Em todas mitologias, existem rotas desconhecidas que até mesmo os mais vividos viajantes e argonautas nunca se atreveram a traçar em seus mapas envelhecidos, especulando apenas o que seriam esses tão grandiosos perigos. Pode-se logo pensar que o medo esteja nas ondas de um mar revoltoso, mas a verdadeira violência é a de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Desire: a paixão segundo Caroline Polachek"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30901" aria-describedby="caption-attachment-30901" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30901" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri-800x533.jpg" alt="Caroline Polachek é uma mulher branca, de olhos verdes e cabelos lisos escuros; possui uma característica verruga no centro de sua clavícula. Na foto, tem suas mãos na frente ao lado de seu rosto abertas e envolvidas por linhas vermelhas que formam uma espécie de tela fronte a sua face. As linhas queimam em chamas pontuais, enquanto a artista olha fixamente para a câmera, vestindo um espartilho preto de couro e uma manga preta que cobre parcialmente os seus braços, além de um lenço preto em sua cabeça." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/caroline-polachek-credit_AidanZamiri.jpg 1581w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30901" class="wp-caption-text">Polachek representa visualmente cada elemento de seu projeto: o fio de Ariadne, o fogo, os anjos e os labirintos até a presença do produtor Danny L Harle e sua filha no ensaio do álbum (Foto: Aidan Zamiri)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em todas mitologias, existem rotas desconhecidas que até mesmo os mais vividos </span><a href="https://www.papermag.com/caroline-polachek-ocean-of-tears-2639790333.html"><span style="font-weight: 400;">viajantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/quem-foram-os-argonautas"><span style="font-weight: 400;">argonautas</span></a><span style="font-weight: 400;"> nunca se atreveram a traçar em seus mapas envelhecidos, especulando apenas o que seriam esses tão grandiosos perigos. </span><span style="font-weight: 400;">Pode-se logo pensar que o medo esteja nas ondas de um mar revoltoso, mas a verdadeira violência é a de se prender em órbitas obsessivas do mais temido feitiço: </span><a href="https://henritonin.medium.com/na-mitologia-grega-p%C3%B3thos-%C3%A9-o-deus-do-desejo-especificamente-por-um-bem-ausente-em-oposi%C3%A7%C3%A3o-436917b49547"><span style="font-weight: 400;">o desejo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Vários são os poetas – talvez os maiores excursionistas desse percurso – que, esquecendo-se do poder de reconfiguração da paixão, perdem-se, tentando capturá-la com objetividade, em suas profundezas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A artista estadunidense Caroline Polachek é uma das viajantes que também não encontrou o seu destino, até mesmo porque seu maior objetivo está no próprio ato da busca. Em seu novo e </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2023/feb/18/caroline-polachek-eventim-hammersmith-apollo-london-review-desire-i-want-to-turn-into-you-album-launch-a-heady-howling-triumph"><span style="font-weight: 400;">triunfal</span></a><span style="font-weight: 400;"> álbum, </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/caroline-polachek-desire-i-want-to-turn-into-you/"><i><span style="font-weight: 400;">Desire, I Want To Turn Into You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">Polachek constitui uma cartografia do desejo na forma da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nela, diferentemente de outras narrativas em que o ser apaixonado quer tomar controle e dar nome ao que sente, a cantora prefere ser transportada pelo êxtase do sentimento. As excursões feitas nas doze faixas do esperado sucessor de </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/caroline-polachek-pang/"><i><span style="font-weight: 400;">Pang</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">são ruminações, balbucios e expressões fundadas pela letargia, que mais criam imagens do que a paixão pode ser do que realmente um dizer concreto. </span></p>
<p><span id="more-30900"></span></p>
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<div style="display:block; height:50px; margin:0 auto 12px; width:50px;"><svg width="50px" height="50px" viewBox="0 0 60 60" version="1.1" xmlns="https://www.w3.org/2000/svg" xmlns:xlink="https://www.w3.org/1999/xlink"><g stroke="none" stroke-width="1" fill="none" fill-rule="evenodd"><g transform="translate(-511.000000, -20.000000)" fill="#000000"><g><path d="M556.869,30.41 C554.814,30.41 553.148,32.076 553.148,34.131 C553.148,36.186 554.814,37.852 556.869,37.852 C558.924,37.852 560.59,36.186 560.59,34.131 C560.59,32.076 558.924,30.41 556.869,30.41 M541,60.657 C535.114,60.657 530.342,55.887 530.342,50 C530.342,44.114 535.114,39.342 541,39.342 C546.887,39.342 551.658,44.114 551.658,50 C551.658,55.887 546.887,60.657 541,60.657 M541,33.886 C532.1,33.886 524.886,41.1 524.886,50 C524.886,58.899 532.1,66.113 541,66.113 C549.9,66.113 557.115,58.899 557.115,50 C557.115,41.1 549.9,33.886 541,33.886 M565.378,62.101 C565.244,65.022 564.756,66.606 564.346,67.663 C563.803,69.06 563.154,70.057 562.106,71.106 C561.058,72.155 560.06,72.803 558.662,73.347 C557.607,73.757 556.021,74.244 553.102,74.378 C549.944,74.521 548.997,74.552 541,74.552 C533.003,74.552 532.056,74.521 528.898,74.378 C525.979,74.244 524.393,73.757 523.338,73.347 C521.94,72.803 520.942,72.155 519.894,71.106 C518.846,70.057 518.197,69.06 517.654,67.663 C517.244,66.606 516.755,65.022 516.623,62.101 C516.479,58.943 516.448,57.996 516.448,50 C516.448,42.003 516.479,41.056 516.623,37.899 C516.755,34.978 517.244,33.391 517.654,32.338 C518.197,30.938 518.846,29.942 519.894,28.894 C520.942,27.846 521.94,27.196 523.338,26.654 C524.393,26.244 525.979,25.756 528.898,25.623 C532.057,25.479 533.004,25.448 541,25.448 C548.997,25.448 549.943,25.479 553.102,25.623 C556.021,25.756 557.607,26.244 558.662,26.654 C560.06,27.196 561.058,27.846 562.106,28.894 C563.154,29.942 563.803,30.938 564.346,32.338 C564.756,33.391 565.244,34.978 565.378,37.899 C565.522,41.056 565.552,42.003 565.552,50 C565.552,57.996 565.522,58.943 565.378,62.101 M570.82,37.631 C570.674,34.438 570.167,32.258 569.425,30.349 C568.659,28.377 567.633,26.702 565.965,25.035 C564.297,23.368 562.623,22.342 560.652,21.575 C558.743,20.834 556.562,20.326 553.369,20.18 C550.169,20.033 549.148,20 541,20 C532.853,20 531.831,20.033 528.631,20.18 C525.438,20.326 523.257,20.834 521.349,21.575 C519.376,22.342 517.703,23.368 516.035,25.035 C514.368,26.702 513.342,28.377 512.574,30.349 C511.834,32.258 511.326,34.438 511.181,37.631 C511.035,40.831 511,41.851 511,50 C511,58.147 511.035,59.17 511.181,62.369 C511.326,65.562 511.834,67.743 512.574,69.651 C513.342,71.625 514.368,73.296 516.035,74.965 C517.703,76.634 519.376,77.658 521.349,78.425 C523.257,79.167 525.438,79.673 528.631,79.82 C531.831,79.965 532.853,80.001 541,80.001 C549.148,80.001 550.169,79.965 553.369,79.82 C556.562,79.673 558.743,79.167 560.652,78.425 C562.623,77.658 564.297,76.634 565.965,74.965 C567.633,73.296 568.659,71.625 569.425,69.651 C570.167,67.743 570.674,65.562 570.82,62.369 C570.966,59.17 571,58.147 571,50 C571,41.851 570.966,40.831 570.82,37.631"></path></g></g></g></svg></div>
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<div style=" color:#3897f0; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:550; line-height:18px;">View this post on Instagram</div>
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<p style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; line-height:17px; margin-bottom:0; margin-top:8px; overflow:hidden; padding:8px 0 7px; text-align:center; text-overflow:ellipsis; white-space:nowrap;"><a href="https://www.instagram.com/p/CRHU5DzBgs6/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" style=" color:#c9c8cd; font-family:Arial,sans-serif; font-size:14px; font-style:normal; font-weight:normal; line-height:17px; text-decoration:none;" target="_blank">A post shared by Caroline Polachek (@carolineplz)</a></p>
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<p><script async src="//platform.instagram.com/en_US/embeds.js"></script></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fragmentação do discurso amoroso em múltiplas peças mostra o quebra-cabeça teórico montado pela artista a partir de modelos sem uma forma fixa. As harmonias e os elementos melódicos repetem-se, camuflados, entre as músicas; os versos – minimalistas porém nada literais – não possuem uma ligação nem uma linearidade uns com os outros. Como se dispostas </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2023/jan/13/caroline-polachek-on-pop-privacy-and-imperfection-i-wanted-undeniable-anthemic-diva-moments"><span style="font-weight: 400;">aleatoriamente</span></a><span style="font-weight: 400;">, suas composições mostram a vontade de propor uma visualidade pela simplicidade poética de suas letras. “</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_L4N0e5ikSk"><i><span style="font-weight: 400;">Uma terna criatura / Uma febre / Encantadora, fluorescente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”, exerce</span> <span style="font-weight: 400;">a tentativa sinestési</span><span style="font-weight: 400;">ca de capturar o desejo pelo reino das sensações e do inconsciente, no qual Polachek navega.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa fixação a um vasto universo de imagens, a criadora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pang</span></i><span style="font-weight: 400;"> traduziu a pintura surrealista </span><a href="http://prosimetron.blogspot.com/2009/02/dorothea-tanning-aniversario-pintora-do.html"><i><span style="font-weight: 400;">Aniversário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Dorothea Tanning, no sonho brutal de </span><a href="https://youtu.be/7w6R4I7I3wA"><i><span style="font-weight: 400;">Door</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que inaugurou sua carreira </span><i><span style="font-weight: 400;">solo</span></i><span style="font-weight: 400;"> depois do grupo Chairlift. Já para </span><i><span style="font-weight: 400;">Desire</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o olhar arqueológico da autora procura, para dentro e fora de si, os </span><a href="https://pitchfork.com/features/moodboard/how-old-disney-movies-magic-the-gathering-and-pc-music-influenced-caroline-polacheks-pang/"><span style="font-weight: 400;">mais variados</span></a><span style="font-weight: 400;"> símbolos: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hxgcz_6GKX0"><span style="font-weight: 400;">pinturas rupestres</span></a><span style="font-weight: 400;"> de bisontes, cornucópias romanas, quimeras, </span><a href="https://tecoapple.com/2022/12/12/caroline-polachek-welcome-to-my-island/#:~:text=O%20trabalho%20%C3%A9,centauro%20e%20mais."><span style="font-weight: 400;">sombras platônicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as lendas mitológicas de Minotauro e Teseu. E diferentemente de seu antecessor, as habitações agora são demasiadamente quentes para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sn3cHUtNZKo"><span style="font-weight: 400;">saias xadrez e espartilhos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pmxqAjh3WIY"><i><span style="font-weight: 400;">Smoke</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é a efervescência gutural de um vulcão jorrando lava, representado por batidas e graves tectônicos — feitos do produtor executivo do álbum, Danny L Harle — que traduzem o descontrole e a violência de um corpo que busca o outro. O som de Harle, que situa-se em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-3E536KwvuY"><i><span style="font-weight: 400;">bubblegum pop</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">aéreo misto de um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5EpnYQW8XWY"><i><span style="font-weight: 400;">techno </span></i><span style="font-weight: 400;">cartunesco</span></a><span style="font-weight: 400;">, aqui ganha uma substância extremamente terrena e sóbria. Na mesma paleta de tons quentes, a faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-YBP-D6vQIA"><i><span style="font-weight: 400;">Sunset</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">reside sob o </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/caroline-polachek-sunset-song-video-watch-1234613168/"><span style="font-weight: 400;">sol de Barcelona</span></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">na qual o produtor Sega Bodega abandona o </span><i><span style="font-weight: 400;">deconstructed club </span></i><span style="font-weight: 400;">das baladas </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;"> europeias</span> <span style="font-weight: 400;">para compor acordes fervilhantes em um </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/caroline-polachek-sunset/"><span style="font-weight: 400;">violão </span><i><span style="font-weight: 400;">flamenco</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">A canção situa a possibilidade de se estar</span> <span style="font-weight: 400;">perto, se não já envolvido, pela intimidade e pelo suor da luxúria.</span></p>
<figure id="attachment_30902" aria-describedby="caption-attachment-30902" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30902" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3cf37f905b22a178b2bdc7de65fdfe95.1000x800x1-1-800x640.jpg" alt="" width="800" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3cf37f905b22a178b2bdc7de65fdfe95.1000x800x1-1-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3cf37f905b22a178b2bdc7de65fdfe95.1000x800x1-1-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/3cf37f905b22a178b2bdc7de65fdfe95.1000x800x1-1.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30902" class="wp-caption-text">Durante o lançamento do álbum, Caroline Polachek juntou-se a Charli XCX e Oneohtrix Point Never em um remix e um cover, respectivamente (Foto: Aidan Zamiri)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na clara </span><a href="https://www.google.com/search?q=desire+i+want+to+turn+into+you+meaning&amp;rlz=1C1FCXM_pt-PTBR996BR996&amp;ei=cGJhZPjGGYPq1sQP9tCrmAk&amp;ved=0ahUKEwj4vr_C7_X-AhUDtZUCHXboCpMQ4dUDCBA&amp;uact=5&amp;oq=desire+i+want+to+turn+into+you+meaning&amp;gs_lcp=Cgxnd3Mtd2l6LXNlcnAQAzIFCAAQgAQyBggAEBYQHjoECAAQRzoHCAAQigUQQ0oECEEYAFC2AljnCmCtDGgAcAJ4AIABowGIAdgIkgEDMC44mAEAoAEByAEIwAEB&amp;sclient=gws-wiz-serp#:~:text=The%20title%20Desire%2C%20I%20Want%20to%20Turn%20Into%20You%2C%20she%20explains%2C%20has%20a%20dual%20meaning.%20%E2%80%9COne%2C%20it%20can%20be%20read%20as%20being%20about%20the%20%27you%2C%27%E2%80%9D%20she%20says.%20%E2%80%9CWe%20all%20know%20that%20feeling%20of%20falling%20in%20love%2C%20of%20wanting%20to%20obsessively%20learn%20from%20and%20become%20that%20person."><span style="font-weight: 400;">dubiedade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do título, da vontade de tanto debruçar-se quanto tornar-se o desejo, é onde a tese de </span><i><span style="font-weight: 400;">Desire</span></i><span style="font-weight: 400;"> reside acesa. Polachek propõe charadas e mitologias entre o abismo de estar, ao mesmo tempo, extremamente conectada e distante com o outro. Essa falsa proximidade, colocada principalmente pelo </span><a href="https://crackmagazine.net/article/profiles/caroline-polachek-on-bunny-is-a-rider-and-collaborating-with-danny-l-harle/#:~:text=Has%20your%20songwriting,who%20were%20remote."><span style="font-weight: 400;">isolamento social</span></a><span style="font-weight: 400;"> da quarentena, serve como uma fantasia escapista para a compositora, na qual é possível encontrar uma segurança na impermanência que, no fundo, busca um lugar para pouso. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Bunny is a Rider</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a recitação dessa energia,</span> <span style="font-weight: 400;">na qual as instrumentações surpreendem por sua complexidade, tomada por um ritmo com uma pitada tropical e por seu potencial pegajoso na sonoridade </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <a href="https://pitchfork.com/features/lists-and-guides/best-songs-2021/#:~:text=Caroline%20Polachek%3A%20%E2%80%9CBunny,guessing.%20%E2%80%93Cat%20Zhang"><i><span style="font-weight: 400;">Bunny</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi o primeiro single do projeto, que assusta em suas batidas assíncronas e robóticas e em seus elementos inesperados, como o grunhido remixado da filha recém-nascida de Danny. Em um </span><i><span style="font-weight: 400;">groove </span></i><span style="font-weight: 400;">despretensioso, a faixa é quase uma reinvenção da deliciosamente confusa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4IahvCIqeOc"><i><span style="font-weight: 400;">After Party</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de Don Toliver, só que por uma estrela pop atmosférica e imaginária. No single, Polachek é atrevida e viciosamente </span><a href="https://metalmagazine.eu/en/post/interview/caroline-polachek#:~:text=In%20Bunny%20Is,and%20becoming%20Bunny."><span style="font-weight: 400;">indisponível</span></a><span style="font-weight: 400;"> e  – por que não? –</span><i><span style="font-weight: 400;"> offline</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Caroline Polachek - Bunny is a Rider (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/h_V2ccs_Urk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Polachek, ainda longe de uma materialidade e sendo mais um conceito do que, realmente, uma presença, concebe, no título da música </span><i><span style="font-weight: 400;">Pretty In Possible, </span></i><span style="font-weight: 400;">um enigma</span> <span style="font-weight: 400;">(seria ‘‘no possível’’ ou ‘‘impossível’’?</span><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;">. A faixa guarda a lírica cerebral característica da vocalista, diluída no fluxo de consciência de sua composição, transeunte na progressão de tiques mecânicos que ganham uma leveza solar no instrumental de Harle. Seja pela incógnita ou pela ameaça de </span><a href="https://twitter.com/LaerteCoutinho1/status/1338082931940667394?s=20"><span style="font-weight: 400;">devorar</span></a><span style="font-weight: 400;">, a canção traça a direção do projeto, enquanto parece, sonoramente, com algo que encaixaria-se no minucioso e rutilante </span><i><span style="font-weight: 400;">Details</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1BT6_TL67Wk"><span style="font-weight: 400;">Frou Frou</span></a><span style="font-weight: 400;">, com um misto da aura sugestiva de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oULzwvGdimQ"><i><span style="font-weight: 400;">Candy Perfume Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É como se fosse capturada a sensação de vertigem que precede um viajante diante de águas desconhecidas, ou de um cantor frente à aproximação de seu refrão que, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Hf487OncN9o"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty In Possible</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nunca chega. Nem o Oráculo possui pistas para seu fim, levando a percursos inesperados entre arranjos acústicos e eletrônicos que dão espaço à emulação de texturas e imagens sutis de erotismo: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Com o seu batom na minha coxa / Beba as lágrimas até elas secarem</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_30904" aria-describedby="caption-attachment-30904" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30904" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280-800x450.webp" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280-1536x864.webp 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/bb-1280.webp 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30904" class="wp-caption-text">O passado de Caroline Polachek na ópera reflete-se nos avantajados vocais de Desire (Foto: Aidan Zamiri)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais extrovertido que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pang</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Desire</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui seus momentos de introspecção que são, em meio do êxtase na maioria das canções, como a recaída de uma euforia sensual que retrai-se para dentro da casca de sua própria estranheza. </span><i><span style="font-weight: 400;">Crude Drawing of An Angel </span></i><span style="font-weight: 400;">é um episódio onírico, sexual e esquisito – do mesmo nervo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_-XQkDyEwQo"><i><span style="font-weight: 400;">Die 4 You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">de Perfume Genius e de </span><i><span style="font-weight: 400;">Watching You Without Me</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">da </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/21964-hounds-of-love/amp/"><span style="font-weight: 400;">obra prima</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Kate Bush</span> <span style="font-weight: 400;">– que aposta em um </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> com pistas de voyeurismo. Esse olhar mais sombrio mira a finitude das coisas em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hopedrunk Everasking</span></i><span style="font-weight: 400;">. Na mesma sensação de quietude e magia, Polachek observa tudo com extrema </span><a href="https://genius.com/27811464#:~:text=Caroline%20laments%20the,yet%20they%20won%E2%80%99t%E2%80%9D"><span style="font-weight: 400;">efemeridade</span></a><span style="font-weight: 400;">, enquanto reflete que os séculos, sentimentos, rumores e noites são cíclicos mas, para iniciarem-se novamente, precisam em algum momento encontrar o seu fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, assim como qualquer humana — mesmo que, muitas vezes, tal condição é </span><a href="https://www.vulture.com/article/caroline-polachek-desire-new-album-profile.html"><span style="font-weight: 400;">destituída</span></a><span style="font-weight: 400;"> para ser pensada como uma ninfa, uma fada ou uma sereia —, Caroline Polachek sonha com a imortalidade. </span><i><span style="font-weight: 400;">I Believe </span></i><span style="font-weight: 400;">tem o tom épico e grandioso de um </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FOadUytpMEU&amp;t=8s"><span style="font-weight: 400;">pop italiano</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos anos 1980, com seus </span><a href="https://pbs.twimg.com/media/FtopRa1XsAQeNcx.jpg"><span style="font-weight: 400;">sintetizadores</span></a><span style="font-weight: 400;"> radiantes, mudanças inesperadas de acordes e a gigantesca presença da voz da estadunidense, que traz a lembrança vocal das canções de </span><a href="https://youtu.be/3tOsUgwBgko"><span style="font-weight: 400;">Celine Dion</span></a><span style="font-weight: 400;">. Tudo parece ter sido retirado de um baile </span><i><span style="font-weight: 400;">disco</span></i><span style="font-weight: 400;"> do próprio universo do álbum, desde as </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> orquestrais retiradas de bancos sonoros da</span><i><span style="font-weight: 400;"> internet </span></i><span style="font-weight: 400;">até o seu próprio arquétipo de diva.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://pitchfork.com/features/interview/caroline-polachek-desire-i-want-to-turn-into-you/#:~:text=It%E2%80%99s%20funny%20you,can%20go%20on"><span style="font-weight: 400;">diva</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma construção essencialmente feminina, ligada a uma maturidade e a um senso de paixão que pode levar à afetividade extrema ou à destruição. No espaço imaginativo dessa figura mística e </span><a href="https://youtu.be/_LFxr2bUEUY"><span style="font-weight: 400;">imaterial</span></a><span style="font-weight: 400;"> é onde se processa o luto da morte de </span><a href="https://www.gq-magazine.co.uk/culture/article/sophie-what-i-learned"><span style="font-weight: 400;">Sophie Xeon</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtora de uma música eletrônica imortal e </span><a href="http://officemagazine.net/interview/future-sexy"><span style="font-weight: 400;">futurista</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de extremamente pessoal, poética e plástica. O potencial dramático, somado a energia luminosa das pistas de dança, ganha o potencial de elegia nos vocais crescentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">I Believe</span></i><span style="font-weight: 400;">, que parecem querer alcançar Xeon, aonde quer que ela esteja, e chegar ao infinito: um lugar </span><a href="https://jezebel.com/sophie-on-her-new-album-old-disco-and-expressing-tran-1826863700"><span style="font-weight: 400;">transformativo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ideias, corpos e existências que um dia a pioneira já conquistou.</span></p>
<figure id="attachment_30905" aria-describedby="caption-attachment-30905" style="width: 523px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30905" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR-523x800.jpeg" alt="" width="523" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR-523x800.jpeg 523w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR-670x1024.jpeg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR-768x1174.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR-1005x1536.jpeg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR-1200x1834.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/FL6b5WbXEAYGPNR.jpeg 1340w" sizes="auto, (max-width: 523px) 85vw, 523px" /><figcaption id="caption-attachment-30905" class="wp-caption-text">O set de filmagem do videoclipe de Billions traz uma variedade de referências: deuses gregos, Carl Jung e o Surrealismo (Foto: Jordan Harkins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blood and Butter</span></i><span style="font-weight: 400;">, a paixão é um contágio pelo qual Polachek está sufocada, ecoando enunciados em torno do desterramento de quem ama. O instrumental colide a organicidade de </span><a href="https://www.dazeddigital.com/music/article/58369/1/brighde-chaimbeul-musician-bagpipe-on-caroline-polacheks-album-pipe"><span style="font-weight: 400;">gaitas de fole</span></a><span style="font-weight: 400;"> e melodias folclóricas – parecendo terem sido tiradas do </span><i><span style="font-weight: 400;">The Sensual World</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">o libidinoso e folclórico álbum de Kate Bush — a uma base eletrônica delicada que poderia ter saído do </span><i><span style="font-weight: 400;">techno pop </span></i><span style="font-weight: 400;">da Madonna em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ray of Light</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">Tudo é extremamente desejante e, mesmo que ainda abstrato, a canção é onde se resplandece seu discurso mais declamatório e </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-caroline-polachek-explora-o-significado-do-amor-no-exuberante-desire-i-want-to-turn-into-you-394610/"><span style="font-weight: 400;">confessional</span></a><span style="font-weight: 400;">. Transtornada pela possibilidade de entregar-se ao outro e reconfigurar-se inteiramente perante o desejo, Polachek puxa tudo para perto de si, para que se sinta o seu perfume e sua fome de quem vive de nada além da libido, num ímpeto mais do que corpóreo e até </span><i><span style="font-weight: 400;">creepy de </span></i><span style="font-weight: 400;">imprimir-se na pele do outro, lacerando-a como uma tatuagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em sua coletânea irreverente dos mais variados elementos míticos e históricos, a mente criadora poderia ser classificada como </span><a href="https://www.dazeddigital.com/music/article/55472/1/glass-goblets-bad-mothers-caroline-polachek-cerebral-dreamworld-billions#:~:text=When%20I%20was,into%20the%20video."><span style="font-weight: 400;">enciclopédica</span></a><span style="font-weight: 400;">, talvez a artista prefira ainda a </span><a href="https://genius.com/Caroline-polachek-blood-and-butter-lyrics#:~:text=Look%20at%20you%20all%20mythicalogical%0AAnd%20Wikipediated"><i><span style="font-weight: 400;">Wikipedia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Conectar-se ao antigo e ao arcaico é um dos meios que a faz encontrar materiais brutos e substratos para a sua própria escultura do desejo, mas ainda assim prefere não perder sua contemporaneidade. Em sua poesia, toma conta o ritmo ininterrupto do </span><a href="https://www.mundodek.com/2017/04/monologo-de-molly-bloom-em-ulysses-sim.html#:~:text=%22(...)%20eu%20adoro%20flor,eu%20quero%20Sim.%22"><span style="font-weight: 400;">monólogo de Molly Bloom</span></a><span style="font-weight: 400;">, o final da </span><a href="https://jornal.unesp.br/2022/05/31/o-ulisses-de-james-joyce-obscenidade-ou-obra-de-arte/"><span style="font-weight: 400;">leitura moderna</span></a><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Odisseia</span></i><span style="font-weight: 400;">, por James Joyce, só que talvez já um pouco afetado por fábulas cibernéticas. Esse anacronismo dorsal que atravessa </span><i><span style="font-weight: 400;">Desire </span></i><span style="font-weight: 400;">tece seu </span><i><span style="font-weight: 400;">magnum opus: Billions</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span><i><span style="font-weight: 400;"> </span></i></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Sexting </span></i><span style="font-weight: 400;">como se tivesse, metricamente, compondo sonetos e guardando amantes dentro de sua boca, como pérolas. A viajante mergulha em um hedonismo dionisíaco em </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/tracks/caroline-polachek-billions/"><i><span style="font-weight: 400;">Billions</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o testemunho total de </span><i><span style="font-weight: 400;">Desire</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span> <span style="font-weight: 400;">A linha do baixo e os timbres são hipnóticos e tântricos, algo entre a sensualidade rítmica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nL7hsvPPQzE"><i><span style="font-weight: 400;">Venus as a Boy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">as produções de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0J3vgcE5i2o"><span style="font-weight: 400;">Timbaland</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 1990 e a ressonância de gongos em rituais de culto à sexualidade e à natureza. Existe, talvez como em nenhuma outra faixa do álbum, uma universalidade em suas imagens, em que todas as possíveis argumentações do desejo são diluídas nos vocais espiralares da cantora, que se apresenta como uma iniciadora, quase xamânica, às liturgias do corpo. Enigmática, sexual e complexa, Polachek coloca sua voz em um massivo exercício de </span><a href="https://www.interviewmagazine.com/music/caroline-polachek-and-opn-on-ai-code-switching-and-failure-pop"><span style="font-weight: 400;">distorções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atingem seu ápice cerimonial no fim da canção, em um coro de crianças que, dando fim a sua viagem mas não ao seu querer, entoam como um mantra: “</span><i><span style="font-weight: 400;">n</span></i><i><span style="font-weight: 400;">unca me senti tão perto de você</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Caroline Polachek - Billions (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4zEQJrggKgk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Ser liderada pelo </span><a href="https://www.vogue.com/article/caroline-polachek-new-album-desire"><span style="font-weight: 400;">caos</span></a><span style="font-weight: 400;"> da emoção é algo que dirige Polachek para o paradoxo de ser extremamente corpórea ou intensamente etérea, escrevendo versos sem pretensão, como se a cabeça estivesse nas nuvens. Essa variação temática de um  ímpeto de despossessão do corpo e da vontade carnal de habitar a si mesmo é a metáfora máxima – mesmo que não seja dita pelas passagens de seu álbum – da perda da </span><a href="http://www.wecb.fm/milkcrate/2023/3/11/caroline-polachek-captures-delusion-and-desire-in-her-newest-album"><span style="font-weight: 400;">inocência</span></a><span style="font-weight: 400;">: algo tão físico mas, ao mesmo tempo, inteiramente conceitual. O desejo é, antes, lava. Depois pó, </span><a href="http://www.hildahilst.com.br/portfolio/do-desejo"><span style="font-weight: 400;">depois nada</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ilustração mais verdadeira das vias de </span><a href="https://www.metacritic.com/music/desire-i-want-to-turn-into-you/caroline-polachek"><i><span style="font-weight: 400;">Desire, I Want To Turn Into You</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, entre os diversos símbolos acionados para esse universo de luxúria, são as subterrâneas e labirínticas linhas de metrô sem um sentido fixo; para as quais o olhar distante da cantora, na </span><a href="https://static.metacritic.com/images/products/music/8/d6877303b344aa1474d889cdd2277344.jpg"><span style="font-weight: 400;">capa do projeto</span></a><span style="font-weight: 400;">, funciona como um aviso. Adentrar-se ao movimento do desejo é entender que, durante a rota, a transmutação de si é algo inevitável, mas são justamente o que essas mudanças podem instigar – erupções, incêndios e cicatrizes – que a fazem de refém a esses caminhos. Todavia, o desejo é um perigo cauteloso, que anuncia e pede permissão para atingir as fragilidades humanas. A essas perguntas, Caroline Polachek sempre responde, em bom e alto tom, um deleitoso e vertiginoso ‘‘</span><i><span style="font-weight: 400;">sim</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
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		<title>Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade</title>
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		<pubDate>Wed, 03 May 2023 22:46:04 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ]]></category>
		<category><![CDATA[Vitor Costa Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<category><![CDATA[Walderes Coctá Priprá]]></category>
		<category><![CDATA[Yanomami]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Entre os dias 13 e 23 de abril, o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2023/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os curtas brasileiros do 28º Festival É Tudo Verdade"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30837" aria-describedby="caption-attachment-30837" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30837 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg" alt="" width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/etudovddwordpress-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30837" class="wp-caption-text">Na 28ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, o Persona acompanhou os filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens (Foto: Hans Gunter Flieg/Acervo Instituto Moreira Salles/É Tudo Verdade/Arte: Ana Clara Abbate/Texto de abertura: Bruno Andrade)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os dias 13 e 23 de abril, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> voltou totalmente às salas presenciais dos cinemas espalhados em São Paulo e Rio de Janeiro. Com exibições gratuitas no Centro Cultural São Paulo, Cine Marquise, Cinemateca Brasileira, Sesc 24 de Maio e IMS Paulista, o festival teve também Sessões Especiais virtuais, exibindo nas plataformas de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">Itaú Cultural Play e Sesc Digital sete dos nove filmes da Competição Brasileira de Curtas-Metragens e dois longas da Mostra Foco Latino-Americano (</span><i><span style="font-weight: 400;">Beleza Silenciosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Jasmín Mara Lópeza, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Hot Club de Montevideo</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Maximiliano Contenti).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com 72 títulos de 34 países, o festival – fundado em 1996 por </span><a href="https://www.amazon.com.br/Cinema-Real-Cole%C3%A7%C3%A3o-Port%C3%A1til-26/dp/8540506475/ref=sr_1_2?qid=1682964097&amp;refinements=p_27%3AAmir+Labaki&amp;s=books&amp;sr=1-2"><span style="font-weight: 400;">Amir Labaki </span></a><span style="font-weight: 400;">– homenageou dois grandes cineastas na sua 28ª edição: </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/04/curtas-de-humberto-mauro-deslumbram-pelo-talento-do-velho-cineasta.shtml"><span style="font-weight: 400;">Humberto Mauro</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1897–1983), “</span><i><span style="font-weight: 400;">um dos inventores do Brasil cinematográfico</span></i><span style="font-weight: 400;">”, que “</span><i><span style="font-weight: 400;">impõe-se quando o próprio país e logo seu Cinema enfrentam nova reconstrução</span></i><span style="font-weight: 400;">”, exibindo dez de seus filmes e dois documentários; e </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/pelo-contrario/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Luc Godard</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1930–2022), com a apresentação dos oito episódios da sua série documental </span><a href="https://www.fosforoeditora.com.br/catalogo/historias-do-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">História(s) do Cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1987-1998),</span><span style="font-weight: 400;"> considerada a obra-prima da última parte de sua carreira, cujo conteúdo foi constantemente retrabalhado pelo autor e cuja produção durou cerca de dez anos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O alcance do É Tudo Verdade, o maior festival de Documentários do mundo, é reconhecido pela</span><a href="https://personaunesp.com.br/oscar-2022-cerimonia-artigo/"> <span style="font-weight: 400;">Academia de Artes e Ciências Cinematográficas</span></a><span style="font-weight: 400;">, que classifica diretamente os filmes vencedores dos prêmios dos júris nas Competições Brasileiras e Internacionais de Longas/Médias e de Curtas-Metragens para apreciação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-curtas-do-oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do próximo ano. </span><span style="font-weight: 400;">Longe das sessões presenciais, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> assistiu à distância os curtas-metragens brasileiros disponíveis no </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dos sete filmes da Competição Brasileira de Curtas exibidos remotamente, quatro tiveram sua estreia mundial no <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2023/03/e-tudo-verdade-exibe-serie-celebre-de-godard-e-filmes-sobre-guerra-da-ucrania.shtml">É Tudo Verdade</a>, que também expôs, apenas presencialmente, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50869-Ferro%60s-bar"><i><span style="font-weight: 400;">Ferro’s Bar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;"> (Menção Honrosa na categoria)</span><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Aline A. Assis, Fernanda Elias, Nayla Guerra e Rita Quadros, e </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/50465-O-Materialismo-Historico-da-Flecha-contra-o-Relogio"><i><span style="font-weight: 400;">O Materialismo Histórico da Flecha Contra o Relógio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Carlos Adriano.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi – A Árvore do Sonho</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;">, além de ter sua estreia mundial no É Tudo Verdade, foi o grande vencedor da Competição Brasileira de Curtas-Metragens, recebendo também o Prêmio Mistika. Produzido em parceria da </span><i><span style="font-weight: 400;">ARUAC Filmes</span></i><span style="font-weight: 400;"> com a Hutukara Associação Yanomami, o curta do cineasta yanomami aborda o conhecimento de seu povo sobre os sonhos, com a participação e narração da liderança indígena e xamã, </span><a href="https://ea.fflch.usp.br/autor/davi-kopenawa"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">A luta yanomami vai continuar até o fim</span></i><span style="font-weight: 400;">”, disse Ɨramari.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Abaixo, você fica com a curadoria do <strong>Persona </strong>feita por </span><b>Bruno Andrade</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Enzo Caramori</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Guilherme Veiga</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Jamily Rigonatto</b><span style="font-weight: 400;">, </span><b>Nathalia Tetzner</b><span style="font-weight: 400;"> e </span><b>Vitória Gomez</b>, que deixam su<span style="font-weight: 400;">as impressões </span><span style="font-weight: 400;">sobre <strong>Os curtas brasileiros do </strong></span><strong>28º Festival É Tudo Verdade</strong><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-30777"></span></p>
<h2>Curtas-metragens</h2>
<figure id="attachment_30786" aria-describedby="caption-attachment-30786" style="width: 739px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30786" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/images.jpeg" alt="Cena do documentário Mãri hi - A Árvore do Sonho. Na imagem, duas mulheres indígenas de cabelos e olhos escuros parecem observar algo no céu. Uma delas segura uma criança no colo. A luz do Sol ainda está iluminando a paisagem. Ao fundo, o cenário é a aldeia onde vivem." width="739" height="415" /><figcaption id="caption-attachment-30786" class="wp-caption-text">“Vamos compartilhar este pensamento para juntos ficarmos mais sábios”, diz Davi Kopenawa Yanomami (Foto: ARUAC Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho (Morzaniel Ɨramari, 17’, 2023)</b></p>
<p><a href="https://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2023/04/25/primeiro-cineasta-yanomami-ganha-premio-em-festival-internacional-de-documentarios.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Morzaniel Ɨramari</span></a><span style="font-weight: 400;"> enfrenta na pele os efeitos nocivos da exploração do garimpo desde os seus primeiros anos de vida. No Cinema, ele encontrou uma forma de registrar a história de seu povo, atravessada pela constante luta por direitos. Com o curta-documentário </span><a href="https://www.google.com/amp/s/www.estadao.com.br/amp/cultura/p-de-pop/morzaniel-iramari-filma-a-luta-yanomami/%3ftype=post"><i><span style="font-weight: 400;">Mãri hi &#8211; A Árvore do Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,  o primeiro yanomami a se tornar diretor foi selecionado para o Festival </span><a href="https://personaunesp.com.br/cobertura-festival-e-tudo-verdade-2022/"><span style="font-weight: 400;">É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que venceu a categoria de Melhor Documentário da Competição Brasileira de Curtas-Metragens. A obra trata da relação mística entre os moradores da &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">terra-floresta</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; e a semente de árvore que concede os sonhos ao mundo de todos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Carregado de um olhar intimista e da narração precisa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5byN3rhbZKs"><span style="font-weight: 400;">Davi Kopenawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ɨramari não pretende explicar o linguajar característico ou as tradições cultivadas pela sua cultura, mas sim fazer o público experienciar algo único. Em meio ao clima monótono, é a composição sensível de alguém que vivencia tal realidade que transforma a atmosfera do filme em algo </span><a href="https://sumauma.com/os-xamas-sonham-e-falam-que-a-floresta-esta-chorando-porque-esta-destruida/"><span style="font-weight: 400;">brutalmente mágico</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao passo em que Kopenawa escreve em seu caderno e os desenhos das crianças yanomami colorem a tela, a conclusão caminha para um tema um tanto quanto universal, afinal, &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">com árvore do sonho nós sonhamos longe”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30782" aria-describedby="caption-attachment-30782" style="width: 886px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30782 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png" alt="" width="886" height="626" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948.png 886w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-800x565.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/cama-vazia-e1682968412948-768x543.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30782" class="wp-caption-text">No curta de cinco minutos, vemos imagens de Jean-Claude Bernardet durante seu tratamento de câncer, que ganha tons assombrosos e desesperançosos (Foto: Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet)</figcaption></figure>
<p><b>Cama Vazia (Fábio Rogério e Jean-Claude Bernardet, 5’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Pior que eu tenho pavor da velhice</span></i><span style="font-weight: 400;">” – </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia </span></i><span style="font-weight: 400;">se inicia com um áudio em fundo preto; trata-se da voz de Sônia Silk, a personagem interpretada por Helena Ignez em </span><i><span style="font-weight: 400;">Copacabana Mon Amour </span></i><span style="font-weight: 400;">(1970), de <a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa15983/rogerio-sganzerla">Rogério Sganzerla</a>. O Cinema marginal de Sganzerla, marcado principalmente pela ironia, emerge como referência no curta de 5 minutos dirigido por Fábio Rogério e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/06/jean-claude-bernardet-fala-de-aids-e-de-cancer-em-livro-sem-meias-palavras.shtml"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;">. Acompanhando um homem idoso – o próprio Bernardet – em tratamento de uma doença que nunca é explicitada, enxergamos o que poderia ser sua aparente decomposição social, visto que, no pequeno filme, essa desintegração não é apenas corporal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Montado como uma sequência de fotografias, não demora para percebermos que </span><i><span style="font-weight: 400;">Cama Vazia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a documentação do tratamento contra o câncer de Jean-Claude Bernardet, também exposto por ele no livro </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9786559210480/o-corpo-critico"><i><span style="font-weight: 400;">O Corpo Crítico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), em que aborda a “</span><i><span style="font-weight: 400;">faceta robótica</span></i><span style="font-weight: 400;">” dos médicos e enfermeiros durante a terapia. É essa característica desoladora que mais fica em evidência no curta-metragem, pois sua narração compreende que seu &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">corpo octogenário, aidético e canceroso”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como ele mesmo descreve, é apenas um mecanismo, uma possibilidade de lucro e uma máquina que carrega o câncer, que preocupa mais os médicos do “</span><i><span style="font-weight: 400;">que o portador do tumor</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No curta, o desencanto da obra é, também, um desencanto do próprio autor – negando-se a dar seguimento ao processo terapêutico –, que liga sua condição ao capitalismo e constrói, junto a Fábio Rogério, um ensaio sobre a morte na pós-modernidade. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
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<figure id="attachment_30796" aria-describedby="caption-attachment-30796" style="width: 959px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30796 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png" alt="" width="959" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221.png 959w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Captura-de-tela-2023-04-28-125221-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30796" class="wp-caption-text">A expulsão dos habitantes do Morro Castello são registradas pela lente de Guilherme dos Santos, em arquivos recentemente recuperados por instituições da memória brasileira e revisitados por França (Foto: Instituto Moreira Salles/Rio Memórias)</figcaption></figure>
<p><b>BAMBAMBÃ (Andréa França, 12’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tradicional do exercício da prática do Cinema de Arquivo a segmentação de imagens de </span><a href="https://brapci.inf.br/index.php/res/v/203561"><i><span style="font-weight: 400;">found footage</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">em seus míseros detalhes para descobrir, assim, algo que transpareça a realidade de um coletivo. Em</span> <a href="https://ims.com.br/filme/no-intenso-agora/"><i><span style="font-weight: 400;">No Intenso Agora</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(2017)</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o diretor João Moreira Salles olha a uma babá que fica no último plano de um filme familiar para entender as condições de classe da sociedade carioca; já em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OyThQGBZFMI"><i><span style="font-weight: 400;">BAMBAMBÃ</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Andréa França faz uma compilação de uma categoria específica de imagens – as das mudanças urbanas que atravessaram a metrópole no início do século – como uma tentativa de orientar o olhar do espectador ao seu tema de estudo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com Patrícia Machado na pesquisa, a diretora do curta, também </span><a href="http://www.pos.com.puc-rio.br/br/texto/259/curta-produzido-por-professoras-do-ppgcom-e-selecionado-para-o-festival-e-tudo-verdade"><span style="font-weight: 400;">professora</span></a><span style="font-weight: 400;"> universitária, mistura a teoria histórico-sociológica ao estudo do momento estético das imagens fotográficas e do panorama cultural da época. Assim, os movimentos gentrificadores como o &#8220;</span><a href="https://ims.com.br/exposicao/moderna-pelo-avesso_ims-paulista/"><span style="font-weight: 400;">bota-abaixo</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8221; e o início da favelização do Rio de Janeiro são diretamente relacionados ao plano civilizatório de uma modernidade brasileira – que culmina nas tantas </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2022/02/17/excludente-elitista-e-patriarcal-pesquisadora-amplia-olhar-critico-sobre-semana-de-22"><span style="font-weight: 400;">contradições</span></a><span style="font-weight: 400;"> que envolvem a </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">Semana de Arte de 22</span></a> <span style="font-weight: 400;">–</span><span style="font-weight: 400;">, tudo através da análise da natureza das fotografias da época: registros amadores, por homens da elite, de uma sociedade tradicional em desaparecimento. </span><b>&#8211; Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_30834" aria-describedby="caption-attachment-30834" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30834" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png" alt="" width="1366" height="768" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano.png 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Vanh-Go-To-Laklano-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30834" class="wp-caption-text">A construção da barragem do Norte dividiu os povos indígenas locais em 10 aldeias diferentes (Foto: Calêndula Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ (Barbara Pettres, Flávia Person e Walderes Coctá Priprá, 25’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A barragem Norte de José Boiteux é a maior obra de contenção de cheias no Brasil. A inauguração, em 1972, deu oportunidades de trabalho a imigrantes e reduziu as inundações no Vale do Itajaí. Do outro lado, porém, desde então alaga boa parte das terras Laklãnõ/Xokleng. Os povos indígenas do local, em Santa Catarina, são mais antigos que qualquer construção ou processo social de imigração e, ainda assim, vêem sua cultura ser </span><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/ultimas-noticias/2020/06/02/o-que-e-o-marco-temporal-e-como-ele-impacta-indigenas-brasileiros.htm"><span style="font-weight: 400;">diluída</span></a><span style="font-weight: 400;">. Do idioma às escolas evacuadas por condições precárias, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AX1giw-b62g"><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">remonta a história dos povos ali situados, com focos sensíveis e atentos a quem fez parte de sua construção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É através da visão de seus próprios integrantes que o curta-metragem documental reconstrói os Laklãnõ/Xokleng: um pastor indígena que prega a fé evangélica em sua língua nativa para que esta continue viva; uma </span><a href="https://ccs2.ufpel.edu.br/wp/2019/11/13/alunos-se-reunem-com-primeira-indigena-de-formacao-arqueologica-do-pais/"><span style="font-weight: 400;">arqueóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, Walderes Coctá Priprá (uma das diretoras da obra), discute como o preconceito do povo branco estereotipa os indígenas para minimizá-los de seus direitos: um poeta recita as consequências da instalação da barragem para os moradores locais: “</span><i><span style="font-weight: 400;">de uma utilidade imensa, mas também prejudicial</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Com um trabalho de som que imerge na natureza e no cotidiano local, e uma escuta sincera a quem expõe sua verdade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vãnh Gõ Tõ Laklãnõ </span></i><span style="font-weight: 400;">venceu o Prêmio Canal Brasil de Curtas do festival, e </span><span style="font-weight: 400;">mostra o impacto e importância do Marco Temporal no país. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30781" aria-describedby="caption-attachment-30781" style="width: 1288px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30781 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png" alt="" width="1288" height="624" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga.png 1288w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-800x388.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1024x496.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-768x372.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/retratos-de-piratininga-1200x581.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30781" class="wp-caption-text">Com Retratos de Piratininga, André Manfrim reflete sobre as narrativas presentes nos monumentos de São Paulo (Foto: Filmes de Taipa)</figcaption></figure>
<p><b>Retratos de Piratininga (André Manfrim, 17’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2021, a queima da estátua de Borba Gato, na Zona Sul de São Paulo, reacendeu o debate sobre a memória colonial amplamente resguardada na História da Arte. Rapidamente rechaçado por líderes conservadores e pela polícia, o ato apontou para apenas uma faceta da memória conservada nos espaços públicos. Fato é que o tipo de história que se quer contar – ou lembrar – também diz respeito ao tipo de sociedade que se quer criar. Borba Gato, líder bandeirante, foi apenas um dos homenageados pelas ruas da capital: no centro velho de São Paulo – região onde se encontra a Praça da Sé –, estão as estátuas do jesuíta José de Anchieta, Apóstolo Paulo (que dá nome a cidade) e Tibiriçá, indígena que se converteu ao cristianismo.</span> <span style="font-weight: 400;">O diretor </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ByN9DTDXDvE&amp;ab_channel=piquebandeirafilmes"><span style="font-weight: 400;">André Manfrim</span></a><span style="font-weight: 400;"> parte desses monumentos para tentar enxergar o que eles nos dizem sobre o passado e, principalmente, sobre o presente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com narração de André Abujamra, </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51504-Retratos-de-Piratininga"><i><span style="font-weight: 400;">Retratos de Piratininga</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um filme lento, visivelmente artesanal, com caráter quase didático. Através de pesquisa sobre as obras filmadas, o curta-metragem cria um diálogo entre as imagens gravadas e a voz de Abujamra, que nos confidencia os segredos guardados pelos monumentos. Há, portanto, um filme ensaio, que parte da análise e reflexão sobre a memória preservada após a colonização – memória essa, muitas vezes, romantizada nas Artes. Trata-se de um curta que desmonta as narrativas da formação da cidade de São Paulo, que integram nosso imaginário e que, nos meandros da História, se revelam marcadas pela fé e pela violência. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_30802" aria-describedby="caption-attachment-30802" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30802 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg" alt="Cena do curta-metragem Todavia Sinto. Na imagem, a protagonista olha o seu reflexo em um espelho. Ela é uma mulher negra de cabelos crespos presos e segura o espelho entre as pernas." width="1024" height="574" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Todavia-sinto-768x431.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30802" class="wp-caption-text">Poético e doloroso, Todavia Sinto, co-produzido na Espanha e em Cuba, ganhou o Prêmio EDT, da Associação de Profissionais de Edição Audiovisual, para Melhor Montagem no Festival É Tudo Verdade de 2023 (Foto: EICTV)</figcaption></figure>
<p><b>Todavia Sinto (Evelyn Santos, 9’, 2022)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que acontece quando o positivo chega? Qual é o peso de uma decisão? Alguém é capaz de verdadeiramente entender? Sob a direção de Evelyn Santos, o concorrente da Competição Brasileira de Curta-Metragem na 28ª edição do </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/pag/vencedores2023"><span style="font-weight: 400;">Festival É Tudo Verdade</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Todavia Sinto</span></i><span style="font-weight: 400;">, não se compromete a responder, mas fomentar as perguntas que afogam uma pessoa quando a gravidez se torna uma realidade. Debaixo das águas turbulentas de emoções tão singulares, a produção mostra o ar se esvaindo de um corpo que perde sua individualização sem deixar de estar completamente sozinho. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com as imagens misturando o movimento agressivo das ondas e os </span><i><span style="font-weight: 400;">frames</span></i><span style="font-weight: 400;"> detalhistas da construção da imagem da mulher grávida, assistir o curta é uma experiência brilhante e extremamente sufocante. Enquanto escutamos as perguntas e opiniões de quem está fora da anatomia que carrega o feto, as escolhas parecem cada vez mais pessoais e tomadas por uma dor intransferível, inserida no telespectador como a laceração de uma faca afiada. Seja na escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-acontecimento-livro-critica/"><span style="font-weight: 400;">abortar</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou seguir a gestação, os olhares externos jamais deixariam de expor seus pensamentos próprios e, por mais que tentem, compreender plenamente é uma tarefa impossível. Em um oceano de complexidades, nada é capaz de dividir a verdade vivente na humanidade de quem, todavia, sente. </span><b>– Jamily Rigonatto </b></p>
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<figure id="attachment_30787" aria-describedby="caption-attachment-30787" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30787 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg" alt="Cena do curta-documental Aos Mortos, Um Lugar para Habitar. Nela vemos um arquivo pessoal que mostra Sandra Maria Costa Barbosa, personagem central da obra. Sandra era uma mulher branca, de meia idade, de cabelos castanhos e olhos pretos. A imagem, que por ser de arquivo, emula a estética de um VHS, dá um close em Sandra, que devido ao sol, olha para o lado com os olhos cerrados. Ao fundo, vemos uma praia." width="1920" height="1228" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-800x512.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1024x655.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-768x491.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1536x982.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/05/Aos-Mortos-Um-Lugar-para-Habitar-1200x768.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30787" class="wp-caption-text">O curta é a tentativa mais singela e certeira de dar rosto aos números (Foto: Orla Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Aos Mortos, Um Lugar para Habitar (Victor Costa Lopes, 7’, 2023)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A melhor maneira de garantir que os mortos não causarão desordem é, não apenas enterrá-los, mas enterrar também seus restos, os seus destroços. Arquivos são uma parte desses restos e destroços</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É com a frase do filósofo camaronês </span><a href="https://www.politize.com.br/necropolitica-o-que-e/"><span style="font-weight: 400;">Achille Mbembe</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i><span style="font-weight: 400;">, do diretor cearense Victor Costa Lopes, se ambienta a partir do relatório base da CPI da pandemia, que teve início ainda em 2021, um dos anos de pico da doença.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito mais que um minuto de silêncio, o curta é uma invocação de sete minutos à memória de Sandra Maria Costa Barbosa, uma das mais de 700 mil vítimas da covid-19 aqui no Brasil. Por mais que pareça pessoal, a produção é consciente ao florescer um sentimento único a cada um de nós, que, de uma forma ou de outra, fomos afetados não só pela pandemia mas também pelo descaso do governo Bolsonaro, fazendo que a Sandra e suas lembranças se transmutem em diferentes faces.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É fato que a memória é a última coisa de nossos entes que permanece viva em nós, mas </span><a href="http://etudoverdade.com.br/br/filme/51539-Aos-Mortos--um-Lugar-para-Habitar"><i><span style="font-weight: 400;">Aos Mortos, Um Lugar para Habitar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, devido a uma condução criminosa da pandemia, tudo que a precede nos foi tirado. Desde um diagnóstico preciso, um enterro honroso e até mesmo um tratamento confortável e digno para algo que podia ou não ser iminente. Os mortos? Foram escorraçados, e o único lugar seguro para habitar foi a nossa memória. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
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		<title>Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Apr 2023 20:51:11 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga Nastassja Martin, ressonante no livro Escute as feras, a experiência é do deslumbramento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30726" aria-describedby="caption-attachment-30726" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png" alt="Imagem retangular de fundo branco. No canto superior, está centralizado a logo do Persona, um olho com íris na cor cinza e pupila em preto no formato triangular de play. Ao lado da logo, está o selo “Clube do Livro” em letras transparentes colocadas sobre um fundo preto. Abaixo está escrito “Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin” em letras pretas, sendo &quot;escute as feras&quot; em letras cinzas. Mais abaixo, no canto esquerdo, há a capa do livro cujo fundo é branco. Na parte superior direita da capa, há o nome da autora Nastassja Martin escrito em letras pretas. Na parte superior esquerda, há o título do livro “Escute as Feras” escrito em letras pretas. Mais abaixo, está uma ilustração de um borrão preto com uma silhueta similar ao de um urso. Ao lado direito da imagem da capa, está o escrito &quot;Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.&quot; em letras pretas. Abaixo do texto está escrito “Por&quot; em letras pretas e &quot;Enzo Caramori&quot; em letras cinzas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS-768x404.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/ESCUTEASFERAS_WORDPRESS.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30726" class="wp-caption-text">Nastassja Martin esteve na programação principal da 20ª Flip junto a Tamara Klink na mesa ‘‘<a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gcn42bH6IkA">Desterrando o susto</a>’’, e seu Escute as feras foi a leitura do Clube do Livro do Persona em Fevereiro (Foto: Editora 34/Arte: Ana Cegatti)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outono. Todo encontro com o Outro revela-se como uma experiência de arrebatamento: da violência de deixar um pedaço de si e desprender-se da unidade do Eu ao movimento da alteridade de achar-se nos olhos do desconhecido. No caso da antropóloga </span><a href="https://quatrocincoum.folha.uol.com.br/br/noticias/flip/cinco-curiosidades-sobre-nastassja-martin"><span style="font-weight: 400;">Nastassja Martin</span></a><span style="font-weight: 400;">, ressonante no livro </span><a href="https://www.editora34.com.br/detalhe.asp?id=1111&amp;busca=escute%20as%20feras"><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a experiência é do deslumbramento de um beijo e da brutalidade de um ataque e contra-ataque. Ao encontrarem-se uma no olhar da outra, a antropóloga e a ursa, próximas a um vulcão no extremo leste siberiano, marcam mutuamente os seus destinos e fundem a condição de fera e humana.</span></p>
<p><span id="more-30721"></span></p>
<p><a href="https://leituras.org/escute/"><span style="font-weight: 400;">Ursa-mulher e mulher-ursa</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma foge para dentro da bruma, com pedaços de uma mandíbula e ferida por um quebra-gelo; a outra, guarda-se na neve, vermelha de seu próprio sangue. Na falta do que se doou na troca desse primal encontro, refunda-se um sistema de crenças de povos como os </span><a href="https://www.editionsladecouverte.fr/a_l_est_des_reves-9782359251241#:~:text=Apr%C3%A8s%20avoir%20travaill%C3%A9,monde%20sa%20vitalit%C3%A9."><i><span style="font-weight: 400;">evenki</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – estudados por Martin em 2015, quando é desfigurada – em que a predestinação do enlace de seus destinos é a base do exercício da vida, animal e humana, em comunidade. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras, </span></i><span style="font-weight: 400;">trazido ao Brasil pela tradução de Camila Boldrini e Daniel Lühmanné, é regido pelo atrito que a própria autora estabelece entre si mesma e sua imersão em modelos de visualização da vida vinculados ao </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq1010200620.htm"><span style="font-weight: 400;">animismo</span></a><span style="font-weight: 400;">: uma união do ambiente e da existência humana e animal em um único fluxo vital. </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Miêdka”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e “</span><i><span style="font-weight: 400;">matukha”</span></i><span style="font-weight: 400;"> são termos do idioma </span><i><span style="font-weight: 400;">even</span></i><span style="font-weight: 400;"> que identificam sua condição de sobrevivência e transmutação, após o enfrentamento com o urso, à situação anormal de humanidade que lhe é atribuída. À </span><a href="https://erratanaturae.com/autores/nastassja-martin/"><span style="font-weight: 400;">antropóloga</span></a><span style="font-weight: 400;">, esse estado de pária estrutura uma mudança na maneira que enxerga a si mesma – em um espaço de excepcionalidade, um tanto </span><a href="https://www.newyorker.com/books/page-turner/learning-to-love-the-bear-that-attacked-you#:~:text=I%20assumed%20that,of%20her%20experience."><span style="font-weight: 400;">inadequado</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao seu desenvolvimento de pesquisadora –, que altera o tom etnográfico para, também, hibridizar o texto.</span></p>
<figure id="attachment_30723" aria-describedby="caption-attachment-30723" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30723" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg" alt="Foto em preto e branco da antropóloga Nastassja Martin. No primeiro plano, uma mulher branca, de cabelos loiros presos em um coque desarrumado que cai em sua nuca. Ela olha ao horizonte e está vestida com uma blusa clara e um casaco, similar a uma jaqueta, preto. Ao fundo, montanhas rochosas e um céu nebuloso." width="800" height="471" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-800x471.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1024x602.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-768x452.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1-1200x706.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/martinmartin-1.jpg 1224w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30723" class="wp-caption-text">Orientada pelo antropólogo Philippe Descola, Nastassja Martin escreve sua tese de doutorado sobre o povo Gwich’in, do Alasca (Foto: Alexandre Lacroix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Estilisticamente, Martin constrói um registro experimental e total do que se dedicou a analisar, no exercício de sua ciência, e de suas inscrições sensíveis aos acontecimentos, meticulosamente medidas pela sua escrita. Entre a etnografia e a autobiografia, a metodologia de Martin é o cruzamento de dois cadernos de viagem, descritos como diurno e noturno. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro tem suas páginas preenchidas por notas de viagem, fragmentos do que percebe em sua imersão com os </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">e a desperta atenção, mesmo com todos os dilemas que atravessam a etnografia. O segundo é do âmbito da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D7Z6AZnD9hc"><span style="font-weight: 400;">escrita do sonho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que evoca o íntimo e o exterior numa poética de imagens quase ritualísticas, como pinturas rupestres que reincidem um mundo do sentimento selvagem e da máxima expressão da vida, na igualdade da relação animal ou humana. São contrastes significativos tanto em sua maneira de visualização do mundo e de sua própria sobrevivência que, na narrativa, não se institui de uma moralização da violência nem de um arco de redenção; quanto de sua escrita: variável de momentos cirúrgicos de descrição a até fluxos bestiais e oníricos de prosa.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">‘‘Fantasmático do desejo próprio às florestas, aos predadores solitários, à sua raiva, ao seu orgulho e à sua vigília. Tensão de seus encontros inesperados, inconfessáveis, improváveis, em devir, no entanto. Porque sozinhos eles se perdem, porque sozinhos eles se fecham, porque sozinhos eles esquecem. O cruzamento de seus olhares os salva de si mesmos ao projetá-los na alteridade daquele que os enfrenta. O cruzamento de seus olhares os mantém vivos.’’</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Na dualidade estabelecida à estrutura de seu texto, a autora mobiliza a etnografia para a escrita de si quando desafiada a </span><a href="https://www.philomag.com/articles/nastassja-martin-je-minteresse-la-possibilite-dune-metamorphose"><span style="font-weight: 400;">redescobrir</span></a><span style="font-weight: 400;"> a si mesma – com seu rosto desfigurado, do qual a ursa tomou-lhe parte da maçã do rosto e da mandíbula –, nesse novo território tomado de tensões: o seu próprio corpo. As questões psicológicas que a atravessam durante transferências incessantes por antigos hospitais da antiga ordem soviética, onde é posta à selvageria dos procedimentos médicos e legais envolvendo nacionalidade e gênero, é onde pensa um motivo maior a seu fatal encontro, que lhe propõe um </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/colunas/mariosergioconti/2021/10/antropologa-perdoa-urso-que-a-atacou-em-livro-que-iguala-homens-e-animais.shtml"><span style="font-weight: 400;">novo significado</span></a><span style="font-weight: 400;"> por ainda estar viva. Portanto, no equívoco de sua epistemologia mas no exercício de uma liricidade autobiográfica, a evidente marca deixada pela espécie companheira à crença </span><i><span style="font-weight: 400;">even </span></i><span style="font-weight: 400;">é mais uma oportunidade individual de entender-se do que realmente uma maneira de debruçar-se sobre sua estrutura de pesquisa.</span></p>
<figure id="attachment_30724" aria-describedby="caption-attachment-30724" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30724" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg" alt="Rascunho feito a grafite pelo artista expressionista Edvard Munch. Na esquerda, observa-se um vulto de uma mulher ajoelhada abraçando um urso, não preenchido, o que lhe dá a impressão de ser branco ou claro. Os traços de grafites são evidentes. À direita, observa-se uma figura parecida, no entanto a mulher está mais agachada e abraça um urso agora escuro, negro, preenchdio pelo grafite." width="800" height="607" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/04/The-Bear-768x583.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30724" class="wp-caption-text">‘‘Há tempos vim preparando o terreno que me levaria até a boca do urso, em direção ao seu beijo’’ (Arte: Edvard Munch)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda é tempo das mitologias. Existe, nos gestos conflitantes do enquadramento de seu encontro com a ursa — muitas vezes descrito enquanto um abraço e um beijo — uma determinada </span><a href="https://thebaffler.com/latest/bear-witness-goldman"><span style="font-weight: 400;">eroticidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> que parte da percepção de uma afetação, para além de necessariamente, de afeto, na qual a violência torna-se um espaço de proximidade inigualável. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Escute as feras </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma fábula calculada nesses contrastes e escrita sobre a tradição indígena do sonho explorada por Ailton Krenak e pelas filosofias yanomami estudadas por </span><a href="https://gamarevista.uol.com.br/semana/sonhou-com-o-que/hanna-limulja-fala-da-cultura-yanomami-a-partir-de-seus-sonhos/"><span style="font-weight: 400;">Hanna Limulja</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua moral naturalmente reivindica outros modos de vida, ou, como colocado pela pensadora </span><a href="https://personaunesp.com.br/eo-critica/#:~:text=pensadora%20Donna%20Haraway"><span style="font-weight: 400;">Donna Haraway</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">autre-mondialisation</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8221; (outra-mundialização). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando o pulso ferino de primalidade toma conta da experimentação de Nastassja Martin, é pela memória que constrói um espaço conjunto e verdadeiro. Aquele que, como nas imagens feitas a dedo em escuras grutas, remonta um </span><a href="https://autonomialiteraria.com.br/sonho-de-outras-feras/"><span style="font-weight: 400;">passado mágico</span></a><span style="font-weight: 400;"> e possível, por outros exercícios de fazer o mundo, onde a técnica não colocou um corpo acima do outro, uma mulher abaixo de um homem e um humano-bixo acima de outras vidas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escavar o susto é, para essa </span><a href="https://12ft.io/proxy?q=https%3A%2F%2Fwww1.folha.uol.com.br%2Filustrada%2F2021%2F12%2Fescute-as-feras-nos-desperta-o-desejo-de-conhecer-um-urso.shtml"><span style="font-weight: 400;">narrativa de sobrevivência</span></a><span style="font-weight: 400;"> tomada de divagações — importantes para a composição do retrato sensível de si mesma —, encontrar sua própria essência, ao mesmo tempo que acessa a realidade antropológica da península de </span><span style="font-weight: 400;"> Kamtchátka, o lugar de</span><span style="font-weight: 400;"> seus estudos. Para a mitologia </span><i><span style="font-weight: 400;">even, </span></i><span style="font-weight: 400;">o olhar do urso em si não é perigoso pela tentativa de vingança do antropocentrismo ou do domínio de um espaço vital, mas sim pelo fato de que, nos olhos da animalidade humana, as outras formas de vida encontram-se e entendem a si próprias em sua condição de alteridade. </span><a href="https://www.nytimes.com/2021/11/24/books/review-in-eye-of-wild-nastassja-martin.html"><span style="font-weight: 400;">A ursa</span></a><span style="font-weight: 400;"> é tanto atacada por Nastassja – uma fera, em seus próprio papel – quanto devolve o susto, em uma metáfora da vida real sobre o misterioso assombro que é entender a si no outro.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/escute-as-feras/">Dentro de si, escute as feras: entre a autobiografia e a etnografia de Nastassja Martin</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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		<title>Os Melhores Discos de 2022</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Mar 2023 23:29:38 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>A Música é o tom indispensável da vida. No amor, na alegria, na tristeza, na solidão, as canções preenchem playlists embalando a vida e refletindo a alma. As composições são o espelho de como artista e ouvinte enxergam a existência, fazendo com as mudanças sejam necessárias e novidades refresquem o imaginário auditivo de quem aguarda &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-melhores-discos-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Os Melhores Discos de 2022"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30471" aria-describedby="caption-attachment-30471" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30471" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_DISCOS22-800x420.jpg" alt="" width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_DISCOS22-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_DISCOS22-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/wordpress_melhores_DISCOS22.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30471" class="wp-caption-text">Entre a vida e a morte, o sagrado e o profano, composições íntimas e inovadoras são o combustível do Melhores Discos de 2022 (Arte: Henrique Marinhos/Texto de Abertura: Ana Júlia Trevisan)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://personaunesp.com.br/category/musica/"><span style="font-weight: 400;">Música</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o tom indispensável da vida. No amor, na alegria, na tristeza, na solidão, as canções preenchem </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/60OmGVaVvzQffjkuBBgZSN?si=c88230b0070e4528"><i><span style="font-weight: 400;">playlists</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> embalando a vida e refletindo a alma. As composições são o espelho de como artista e ouvinte enxergam a existência, fazendo com as mudanças sejam necessárias e novidades refresquem o imaginário auditivo de quem aguarda ansiosamente por um </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;">, quiçá um disco de seu intérprete favorito. É impossível me conformar com a potência transformadora da Música. Assim como é inevitável usar tanto floreio para introduzir esse que reúne o melhor do que foi feito em 2022.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o formato de vendas modificado pelas plataformas digitais, os álbuns se tornam cada vez mais inviáveis para cantores inseridos na indústria, que coage produções única e exclusivamente voltadas a músicas virais para o </span><a href="http://portalsalamusical.com.br/destaque/como-o-tik-tok-esta-mudando-a-producao-musical/"><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Quebrando aquilo que parece ter virado regra, o </span><b>Persona</b><span style="font-weight: 400;"> emerge os ossos do ofício e abocanha 73 produções que marcaram o ano na Música.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dominando a tarefa de trazer um novo fôlego para sua arte, The Weeknd lançou a rádio </span><i><span style="font-weight: 400;">Dawn FM</span></i><span style="font-weight: 400;">, vislumbrando dias melhores. Coroando o topo dos </span><i><span style="font-weight: 400;">rankings</span></i><span style="font-weight: 400;">, ROSALÍA acelerou com muita autenticidade sua </span><a href="https://gente.ig.com.br/colunas/gabriel-perline/2022-08-24/dicionario-de-rosalia--entenda-o-que-e-motomami-e-outras-palavras.html.ampstories"><i><span style="font-weight: 400;">MOTOMAMI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao lado da catalã, montada em seu cavalo prata, a </span><a href="https://tracklist.com.br/beyonce-renaissance/141672"><span style="font-weight: 400;">musa-mor</span></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> renasceu. Kendrick Lamar ficou entre a cruz e a espada, SZA pediu socorro, Björk celebrou os recomeços, Sabrina Carpenter finalmente enviou seus </span><i><span style="font-weight: 400;">e-mails</span></i><span style="font-weight: 400;">, Florence and the Machine renovou seu nome na lista das netas das bruxas e a loirinha mais querida cantou seus </span><a href="https://www.omelete.com.br/musica/criticas/midnights-taylor-swift"><span style="font-weight: 400;">terrores noturnos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música haitiana foi lembrada em notas do </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/topical-dancer/"><i><span style="font-weight: 400;">Topical Dancer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Cruzando o oceano, no mundinho do </span><i><span style="font-weight: 400;">k-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, enquanto 2022 serviu para SEVENTEEN se consolidar de vez como uma das maiores</span><i><span style="font-weight: 400;"> boybands</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Coreia, artistas de outros grupos tão grandes quanto embarcaram em viagem solo, com novas perspectivas, sonoridades exuberantes e trabalhos coesos que entregam turbilhões de sentimentos. No território russo a boa surpresa veio do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZ8FOyJrgUg&amp;ab_channel=IC3PEAK"><span style="font-weight: 400;">metal vampiresco</span></a><span style="font-weight: 400;"> da dupla IC3PEAK.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em solo brasileiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Acorda, Pedrinho</span></i><span style="font-weight: 400;"> caiu na boca do povo, Bala Desejo ganhou o grande público, Ludmilla mais uma vez provou que nasceu para interpretar pagode, Maria Rita cantou para Xangô, e os calos de </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/o-som-e-a-furia/alaide-costa-sobre-ser-esnobada-pela-bossa-nova-preconceito-velado/"><span style="font-weight: 400;">Alaíde Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> a fizerem &#8211; merecidamente &#8211; a cantora nacional mais citada nos </span><i><span style="font-weight: 400;">rankings</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em meio a isso, o amargo das perdas imperaram no território com os álbuns póstumos de Marilia Mendonça e Elza Soares, o adeus a Erasmo Carlos, e aquela que foi a despedida mais cruel do ano, </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Doce Bárbara, se encantou. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O </span><b>Melhores Discos de 2022</b><span style="font-weight: 400;"> é dedicado a Gal Costa. Coisas sagradas permanecem!</span></p>
<p><span id="more-30280"></span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30360" aria-describedby="caption-attachment-30360" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333-800x800.jpg" alt="Capa do álbum 333 da cantora Tinashe. Ao centro está a artista despida, usando apenas uma luva transparente em sua mão. Ela é uma mulher negra de cabelos longos e pretos que está agachada em uma estrutura circular de concreto. Ao redor dessa estrutura estão plantas rasteiras e árvores. No canto superior esquerdo está o símbolo 333, integrado na letra “T”." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/333.jpg 1400w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30360" class="wp-caption-text">333 é o sucessor de Songs for You, de 2019, e foi anunciado com um vídeo de ficção científica, uma das predileções e inspirações da cantora quanto ao seu hobby de jogar video-games. (Foto: Tinashe)</figcaption></figure>
<p><strong>Tinashe &#8211; 333</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_k2nsaWN09RYZK1bX1a5dGbIrIgcUL385U"><i><span style="font-weight: 400;">333</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produzido e interpretado por Tinashe, sintetiza </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, eletrônica, </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">bass</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma produção experimental e inovadora. Através de uma trajetória minuciosa e sofisticada, a cantora combina batidas complexas com melodias cativantes e vocais emocionantes, tudo enquanto explora temas criativos e profundos, como amor, liberdade e auto-descoberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua voz é o principal instrumento do álbum, criando camadas e texturas sonoras que se misturam perfeitamente com os instrumentais. A colaboração com artistas, como Kaytranada, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8pReEUxHxJM"><span style="font-weight: 400;">Chanel Tres</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kudzai e Quiet Child, adiciona uma profundidade e variedade únicas à produção. No entanto, algumas faixas podem não cativar tanto quanto outras, principalmente pela sonoridade experimental, </span><i><span style="font-weight: 400;">333</span></i><span style="font-weight: 400;"> se dirige àqueles que buscam músicas que vão além do convencional, mas não deixam o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> de fora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com seu lançamento, a artista mostra uma evolução impressionante, demonstrando sua habilidade de misturar gêneros e criar um timbre único e envolvente. Em suma, o álbum evidencia talento e  ousadia, além de seu significado através da numerologia como um símbolo de crescimento pessoal, confiança e inspiração. Para a cantora, o número representa um momento de renascimento e de conexão com sua espiritualidade. </span><b>&#8211; </b><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Small Reminders, The Chase, X (feat. Jeremih)</p>
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<figure id="attachment_30361" aria-describedby="caption-attachment-30361" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30361 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5SOOS5.webp" alt="Capa do disco 5SOS5. Na imagem temos quatro silhuetas nas cores rosa e azul representando cada integrante da banda em um fundo rosa claro." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5SOOS5.webp 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/5SOOS5-150x150.webp 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-30361" class="wp-caption-text">5SOS5 registra o amadurecimento, a fraternidade e a nova identidade musical do 5 Seconds of Summer (Foto: Warner Music )</figcaption></figure>
<p><b>5 Seconds of Summer &#8211; 5SOS5</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Marcando a nova fase da banda australiana, </span><a href="https://open.spotify.com/artist/5Rl15oVamLq7FbSb0NNBNy"><i><span style="font-weight: 400;">5 Seconds of Summer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> deixa de lado suas raízes </span><i><span style="font-weight: 400;">punk rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> e abre novas portas para o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> em seu novo disco, </span><i><span style="font-weight: 400;">5SOS5</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sendo seu quinto álbum, a obra é, senão, um dos trabalhos mais maduros que compõem a discografia dos meninos. Saindo da zona de conforto e brincando com novas maneiras de produzir arte, </span><i><span style="font-weight: 400;">5SOS5</span></i><span style="font-weight: 400;"> demanda muito dos sintetizadores e das alternâncias instrumentais para abordar a clássica temática da juventude e dos relacionamentos amorosos que constituem suas composições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após saírem da gravadora </span><span style="font-weight: 400;">Interscope</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GoQ85cs5fk0&amp;list=PLR9AEg2TU68ROn4h2OJTSSep2ixckBsne"><i><span style="font-weight: 400;">5SOS5</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o primeiro trabalho independente da banda em parceria com a </span><span style="font-weight: 400;">BMG</span><span style="font-weight: 400;">. Essa oportunidade dos integrantes conseguirem controlar a sua própria musicalidade foi benéfica e relevante para sua evolução musical em vários aspectos. Se libertando das amarras, o álbum explora o melhor de cada um dos membros. Contemplando com 19 faixas, as canções </span><i><span style="font-weight: 400;">Take My Hand</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8RaeTPo5a_c"><i><span style="font-weight: 400;">BLENDER</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Bloodhound</span></i><span style="font-weight: 400;">, exemplificam inteiramente essa nova fase alternativa e </span><i><span style="font-weight: 400;">fresh</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos australianos. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Me Myself and I, BLENDER e Older</p>
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<figure id="attachment_30438" aria-describedby="caption-attachment-30438" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30438" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile-800x800.webp" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile-800x800.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile-1024x1024.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile-768x768.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile-1200x1200.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Smile.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30438" class="wp-caption-text">O álbum de estreia do projeto de Thom Yorke, Jonny Greenwood e Tom Skinner foi lançado em Maio de 2022 (Foto: Self Help Tapes LLC/XL Recordings)</figcaption></figure>
<p><b>The Smile &#8211; A Light for Attracting Attention</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito tempo se passou desde que Thom Yorke e Jonny Greenwood migraram seu som do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-punk</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o experimental, mas o trabalho de ambos manteve algo reconhecível ainda sob o efeito do tempo. Juntos no Radiohead, os dois consolidaram os reflexos de uma cultura que tende a glorificar os inconstantes; agora, anos depois, a novidade surge de um projeto paralelo com Tom Skinner, cujo nome foi retirado de um poema de Ted Hughes. Com </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-light-for-attracting-attention-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Light for Attracting Attention</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, The Smile debutou de forma fantástica e tornou o ano de 2022 um marco musical.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-EB5NhI2RQQ&amp;ab_channel=TheSmile"><i><span style="font-weight: 400;">You Will Never Work in Television Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> talvez seja a música de protesto mais forte em todo o disco. Ao estilo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2w6kHS_IRrE"><i><span style="font-weight: 400;">2 + 2 = 5</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela parece ser uma ofensa direta ao degenerado </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2023/02/23/harvey-weinstein-e-condenado-a-16-anos-por-estupro-em-los-angeles.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Harvey Weinstein</span></a><span style="font-weight: 400;">, desde seu título até sua letra. transcendência através do caos liga as 13 canções do disco, revestidas pelos dedilhados de guitarra, bases de violão e uma bateria limpa em meio aos ecos e sintetizadores. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=arCjt-xulOM"><i><span style="font-weight: 400;">We Don’t Know What Tomorrow Brings</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – uma das melhores de todo o trabalho – se espelha em </span><i><span style="font-weight: 400;">Jigsaw Falling Into Place </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Bodysnatchers</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/10785-in-rainbows/"><i><span style="font-weight: 400;">In Rainbows</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2007), e, assim como todo o álbum, talvez seja melhor compreendida quando enxergamos suas capacidades negativas, cuja capacidade onírica de sintetizar ansiedades é interessante.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez devido a produção de Nigel Godrich – que colabora com o Radiohead desde os anos 1990 e que se juntou a Yorke em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Co-fHs62BbA"><span style="font-weight: 400;">Atoms for Peace</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, a sonoridade do disco do </span><i><span style="font-weight: 400;">power trio</span></i><span style="font-weight: 400;"> é familiar às primeiras produções do quinteto inglês. Nas letras, Thom Yorke reflete sobre algo maior, que nunca é de fato explanado, deixando o conteúdo sempre no campo da subjetividade. Os suspiros, sussurros e sintetizadores expansivos – como em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hairdryer</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Speech Bubbles</span></i><span style="font-weight: 400;"> – dão vida a um </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/teoria-da-conspiracao-doppelganger-a-sua-copia-maligna/"><i><span style="font-weight: 400;">doppelgänger</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que parece habitar o trabalho, um tipo de espectro fantasmagórico que vaga por </span><i><span style="font-weight: 400;">A Light for Attracting Attention</span></i><span style="font-weight: 400;">. É possível que o prato principal servido por The Smile seja a concepção de uma Música efêmera, que ainda assim evoca sentimentos profundos enquanto escutamos. Se o “novo” Radiohead for Yorke, Skinner e Greenwood, estaremos todos bem. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Open The Floodgates, Thin Thing, Free In The Knowledge</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30362" aria-describedby="caption-attachment-30362" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30362" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Jovem-Dionisio-Acorda-Pedrinho.jpg" alt="Capa do disco Acorda, Pedrinho. Em baixo, da direita para a esquerda, temos Rafael Duna, homem branco e ruivo, ao lado dele temos Gabriel Mendes, homem branco de cabelo castanho claro. Na parte superior, também da direita para a esquerda, temos Gustavo Karam, homem branco com cabelo castanho escuro, ao meio temos Bernardo Pasquali, homem branco, usando óculos e de cabelo platinado, ao lado dele temos Bernardo Hey, homem branco e loiro. Todos os integrantes estão vestindo camiseta azul e calça preta. Eles estão em frente a uma cortina verde musgo e em cima temos o logo da banda. " width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Jovem-Dionisio-Acorda-Pedrinho.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Jovem-Dionisio-Acorda-Pedrinho-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30362" class="wp-caption-text">Acorda Pedrinho foi a canção mais pesquisada no Google em 2022 (Foto: Sony Music Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Jovem Dionísio &#8211; Acorda, Pedrinho</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">2022 foi o ano da </span><a href="https://open.spotify.com/artist/4m5LghDfOKFZNEBZ0GO1OQ"><span style="font-weight: 400;">Jovem Dionísio</span></a> <span style="font-weight: 400;">e quem falar que não, está mentindo. A banda formada em 2019 pelos cinco amigos de infância, finalmente deixou o estreito bar do Dionísio em Curitiba e dominou todas as paradas do Brasil em seu álbum de estreia </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ukPO8UtBAIk"><i><span style="font-weight: 400;">Acorda, Pedrinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Os garotos não entregaram apenas um clipe para sua faixa-título, mas sim um curta-metragem, em uma narrativa marcante e original que engloba toda a identidade visual do álbum, compondo inúmeras referências da história dos integrantes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A banda </span><i><span style="font-weight: 400;">indie pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> explorou de ritmos especificamente brasileiros para compor em sua primeira discografia, arranjos conduzidos por batidas de <em>funk</em> em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DTunP35FG6A"><i><span style="font-weight: 400;">Tu Tem Jeito Se Quem Gosta</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> até os acordes de violão da bossa-nova em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Gm7y4wbQysY"><i><span style="font-weight: 400;">Ai De Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Marcando esse brasileirismo, o álbum alcançou no ano passado a marca de 6,7 milhões de ouvintes no </span><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i><span style="font-weight: 400;"> e mais de 170 mil vídeos com a canção título no </span><i><span style="font-weight: 400;">TikTok</span></i><span style="font-weight: 400;">. Sendo um dos nomes em ascensão do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual, </span><span style="font-weight: 400;">Jovem Dionísio</span><span style="font-weight: 400;"> deixou sua marca logo em seu primeiro disco, fazendo todos os ouvintes acordarem para os próximos lançamentos da banda. </span><b>&#8211; Ludmila Henrique </b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Belnini, Cê me viu ontem, Não foi por mal</p>
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<figure id="attachment_30363" aria-describedby="caption-attachment-30363" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30363" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kilokish-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kilokish-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kilokish-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kilokish-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kilokish.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30363" class="wp-caption-text">Kilo Kish prossegue com sua parceria com Vince Staples na faixa NEW TRICKS: ART, AESTHETICS AND MONEY (Foto: Kilo Kish)</figcaption></figure>
<p><b>Kilo Kish &#8211; AMERICAN GURL</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Reflections in Real Time, </span></i><span style="font-weight: 400;">o primeiro álbum da multiartista Kilo Kish</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma representação estilística e temática de amadurecimento pessoal e artístico — em um modelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">mixtape</span></i><span style="font-weight: 400;"> que abrange os mais variados gêneros de instrumentais e vocais —  que consegue ser um dos mais subestimados projetos da cena R&amp;B contemporânea. Mesmo que mais conhecida por suas colaborações com Vince Staples, pouco muda em seu novo lançamento, não reverberado na cena crítica quanto deveria. A partir de memórias ressonantes da vida de consumo, da MTV e do <em>eletropop</em> de 2010, </span><a href="https://www.instagram.com/p/Ca5ROinPPGY/?utm_source=ig_web_copy_link"><i><span style="font-weight: 400;">AMERICAN GURL</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também constrói tal marco, expandido para além de suas faixas e dos 40 minutos do álbum, no </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/kilo-kish-american-gurl/"><span style="font-weight: 400;">pop alternativo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Kish estende um olhar satirizado e exagerado à cultura estadunidense, feito antes por Santigold e CSS, para construir um posicionamento sobre poder, escolha e identidade dentro das normas da indústria da música <em>pop</em>; um raciocínio ainda mais fortuito em sua condição independente, na qual é capturada pelo dilema de possuir controle acerca de sua própria narrativa enquanto artista ou de ter o necessário, dado por uma gravadora, para colocar sua Arte no mundo. Em faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">AMERICAN GURL, DEATH FANTASY</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=h5hdBveygRg"><i><span style="font-weight: 400;">TV BABY V.2 (LATCH KEY MARCH)</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a cantora pensa as definições que a revestem enquanto uma artista e um produto na indústria. Revestida por suas expectativas e pressupostos vindos de mulheridade, raça e idade, Kish busca subverter o sonho americano para atestar a validade de seu objetivo: estar completamente livre de si mesma.  — </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">AMERICAN GURL, NEW TRICKS: ART, AESTHETICS AND MONEY, SUPER KO LOVE</span></p>
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<figure id="attachment_30364" aria-describedby="caption-attachment-30364" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30364" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/aquino-e-a-orquestra-invisivel-aquino-e-a-orquestra-invisivel-ep.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/aquino-e-a-orquestra-invisivel-aquino-e-a-orquestra-invisivel-ep.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/aquino-e-a-orquestra-invisivel-aquino-e-a-orquestra-invisivel-ep-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30364" class="wp-caption-text">A banda é formada por João Soto, João Vazquez e Leandro Bessa (Foto: Bolo de Rolo/Selo Rockambole)</figcaption></figure>
<p><b>Aquino e a Orquestra Invisível &#8211; Aquino e a Orquestra Invisível</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do lançamento do disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/6oEtrFYsYk8nBXy7dIVqOY?si=DNSgbDgsR82tBv6E_oq3Tw"><i><span style="font-weight: 400;">Os Prédios Cinzas e Brancos da Av. Maracanã</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a Aquino e a Orquestra Invisível faz seu retorno com um </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> homônimo. No projeto, o trio carioca trouxe três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> lançados anteriormente, e duas canções inéditas: </span><a href="https://open.spotify.com/track/33fnVp55zYGLfhWBgl2j9O?si=935b18611f7c4df1"><i><span style="font-weight: 400;">MTV</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/track/5yArUj7Fumvl15jieQdSpt?si=981e0da9b9664b4d"><i><span style="font-weight: 400;">Eu e Ela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Indo de músicas cheias de brasilidades, que trazem notas de samba, MPB e bossa-nova, e chegando até sons oitentistas, com sintetizadores e batidas rápidas, os 14 minutos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Aquino e a Orquestra Invisível</span></i><span style="font-weight: 400;"> são como uma salada mista, funcionando muito bem juntas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Representada pelo Bolo de Rolo, sub-selo do selo</span> <a href="https://rockambole.com.br/"><i><span style="font-weight: 400;">Rockambole</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a banda entra em uma fase mais madura, mesmo que ainda trate temas joviais, como o amor e a vida na cidade. As composições do </span><a href="https://open.spotify.com/album/39FjAAoFhZFSZhyl63dlqe?si=HSbWRUVJSRqN8BxKQIJYlg"><i><span style="font-weight: 400;">extended play</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, feitas pelos três integrantes, conseguem situar o ouvinte no tempo-espaço, falando sobre praias, varandas e interiores de casas. Com versos bem pensados, como “</span><a href="https://open.spotify.com/track/5M6ICWeHl0QAe7dFJakQse?si=86454f0653b24ff3"><i><span style="font-weight: 400;">o tempo passou</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, mas nem tanto assim, sempre que eu me olho vejo um pouco de você em mim</span></i><span style="font-weight: 400;">”, os cariocas conseguem descrever o crescer, e as mudanças que ocorrem entre épocas. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b>MTV, Eu e Ela, 20 Anos e Meio.</p>
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<figure id="attachment_30437" aria-describedby="caption-attachment-30437" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30437" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Black-Country-New-Road.webp" alt="" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Black-Country-New-Road.webp 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Black-Country-New-Road-150x150.webp 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30437" class="wp-caption-text">Disponibilizado como se fosse uma despedida do vocalista Isaac Wood, o segundo álbum do grupo talvez seja seu melhor (Foto: Ninja Tune)</figcaption></figure>
<p><b>Black Country, New Road &#8211; Ants From Up There</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 31 de Janeiro, </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/feb/06/black-country-new-road-ants-from-up-there-review-a-baroque-pop-masterpiece-isaac-wood"><span style="font-weight: 400;">Black Country, New Road</span></a><span style="font-weight: 400;"> anunciou que Isaac Wood estava deixando o grupo para tratar questões de sua saúde mental. Apesar de toda a dúvida que se seguiu, </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/black-country-new-road-ants-from-up-there/"><i><span style="font-weight: 400;">Ants From Up There</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi lançado em 4 de Fevereiro, e inevitavelmente foi visto como um álbum de despedida. Embora muito da estética da banda seja resumida no estilo vocal de Wood, soando como o Arcade Fire de </span><i><span style="font-weight: 400;">Funeral</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2004), o novo disco parece sinalizar para a importância dos sentimentos em detrimento da técnica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, a técnica é algo que o grupo também domina. Basta ouvir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hTVwQ1Gjqas&amp;ab_channel=BlackCountry%2CNewRoad"><i><span style="font-weight: 400;">Snow Globes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um épico expansivo de mais de 9 minutos que antecede o fim do álbum, e dá total autonomia para a bateria, como se fizesse parte de um exercício de </span><i><span style="font-weight: 400;">jam session </span></i><span style="font-weight: 400;">no qual se mantém o maximalismo como força motriz. De forma surpreendente, porém, o segundo álbum da banda londrina traz canções explosivas, que conduzem o ouvinte em progressões enérgicas e culmina num disco que já nasceu obra-prima. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Chaos Space Marine, Bread Song, Concorde</span></p>
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<figure id="attachment_30365" aria-describedby="caption-attachment-30365" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30365" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA-800x800.jpg" alt="Capa do álbum BRASILEIRA. Arte digital quadrada. Ao fundo, vemos um tecido vermelho, estampado com flores amarelas e folhas verdes. Ao redor da capa, vemos uma borda formada por tecidos brancos e vermelhos. Nos tecidos vermelhos da borda, lemos várias vezes as palavras Anná e Brasileira, escritas em letras amarelas. Ao centro, vemos mestra Geovana e Dandara. Mestra Geovana é uma mulher negra, idosa, maquiada e olha para o lado esquerdo da capa. Dandara é uma menina negra, está no lado direito da capa, traz um girassol perto da orelha direita e olha para frente. Tanto Geovana quanto Dandara vestem roupas feitas com o mesmo tecido que estampa o fundo da capa. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BRASILEIRA.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30365" class="wp-caption-text">Anná tem potencial para chegar ao mainstream brasileiro (Foto: Júlio César Almeida)</figcaption></figure>
<p><b>Anná &#8211; BRASILEIRA</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há discos que fogem de qualquer imediatismo. Assim é </span><i><span style="font-weight: 400;">BRASILEIRA</span></i><span style="font-weight: 400;">, último lançamento da multiartista Anná: uma obra que nos conquista de escuta em escuta. Desenvolvido como movimento constante, que se desdobra em diversas camadas, o mais recente álbum da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GAMThprWy1k"><span style="font-weight: 400;">neta tropicalista</span></a><span style="font-weight: 400;"> consegue colocar </span><a href="https://portalpopline.com.br/quem-e-anna-promessa-nova-geracao-samba/"><span style="font-weight: 400;">presente, passado e futuro</span></a><span style="font-weight: 400;"> em único plano, sem soar desconexo, confuso ou inacabado. Anná abre os caminhos de uma </span><a href="https://ultraverso.com.br/anna-critica-do-album-brasileira-2022/"><span style="font-weight: 400;">viagem espiralada</span></a><span style="font-weight: 400;">, respeitando e inovando as tradições para sintetizar um século inteiro de música nacional.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qnep2ZCq0U4"><span style="font-weight: 400;">abertura perfeita</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">BRASILEIRA</span></i><span style="font-weight: 400;"> evidencia desde a primeira faixa que estamos diante de uma proposta bem diferente de </span><a href="https://open.spotify.com/album/4XTHg44Btu1JnnzZxcyyxn?si=Oi02pkckQeCkn5QCEflEjg"><i><span style="font-weight: 400;">Colar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, incomparável álbum de estreia da cantora mocoquense. Assumindo coragens e riscos, Anná reitera seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1zaKaaql3I4"><span style="font-weight: 400;">potencial inventivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> em um disco sintético, mas nada superficial. Fruto de novos experimentalismos &#8211; estes, sim, permanentes na artista -, </span><i><span style="font-weight: 400;">BRASILEIRA</span></i><span style="font-weight: 400;"> comprova o que já parecia óbvio: Anná sabe se reinventar e dificilmente cairá na mesmice para agradar aos mercados e públicos. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Rito de Passá, Valdineia e Somos Resistência   </span></p>
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<figure id="attachment_30367" aria-describedby="caption-attachment-30367" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30367" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-7-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Being Funny in a Foreign Language, da banda The 1975. Fotografia quadrada em preto e branco. Na imagem, vemos um carro escuro abandonado com diversos rabiscos brancos. No teto, há um homem inteiramente vestido de preto com os joelhos flexionados e com os braços abertos. Ele olha para o chão. O cenário é uma praia vazia." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-7-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-7-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-7-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-7-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-2-7.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30367" class="wp-caption-text">Being Funny in a Foreign Language coloca a banda em um estado de relaxamento que ela nunca sentiu em toda a sua carreira (Foto: Dirty Hit)</figcaption></figure>
<p><strong>The 1975 &#8211; Being Funny in a Foreign Language</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/album/6dVCpQ7oGJD1oYs2fv1t5M?si=_ev_V2-3RYOCTSEwvgDQAw"><i><span style="font-weight: 400;">Being Funny in a Foreign Language</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Matty Healy não está interessado em excessos. O vocalista não quer utilizar metáforas que explicam como é difícil se relacionar na era digital, tampouco falar apenas sobre drogas, sexo ou </span><a href="https://www.theteenmagazine.com/the-absurd-in-the-1975-s-being-funny-in-a-foreign-language"><span style="font-weight: 400;">niilismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, assuntos recorrentes em seus últimos trabalhos. Ele não quer falar sobre sinceridade, mas sim ser sincero da forma mais sucinta e direta possível e, para isso, ele decide falar sobre o amor. Apesar de seguir um caminho diferente do que a banda estava acostumada, o amor está no âmago de um registro honesto e terno que carrega muito da essência artística de </span><a href="https://personaunesp.com.br/notes-on-a-conditional-form-critica/"><span style="font-weight: 400;">The 1975</span></a><span style="font-weight: 400;">, sintetizando-o em cativantes 44 minutos de duração.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se fosse roteirizado, o álbum seria aquele momento alguns anos após o fim de filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">coming of age</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos dizendo que envelhecer é bom e simplifica a maioria das coisas pelas quais sofremos hoje. As composições de Healy, co-produzidas pelo onipresente </span><a href="https://www.newyorker.com/magazine/2022/05/23/jack-antonoff-pop-music-collaboration-lorde-taylor-swift"><span style="font-weight: 400;">Jack Antonoff</span></a><span style="font-weight: 400;">, são levadas a novos patamares ao que ocorre uma elevação da intimidade no processo criativo de escrita do vocalista. Ao fazer isso, essa obra que dá ênfase não só na razão, mas principalmente na emoção, passa a ser uma experiência intensamente íntima e visceral para todos que a ouvem. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Oh Caroline, I’m In Love With You e About You</span></p>
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<figure id="attachment_30368" aria-describedby="caption-attachment-30368" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30368" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/PVA_Blush-800x800.jpg" alt="Capa do disco BLUSH do grupo PVA. A imagem mostra uma mulher branca com batom marrom e blush vermelho, que usa uma peruca rosa lisa, comprida e com franja, e um sobretudo marrom de látex com um cinto da mesma cor e material. Ela está em um fundo com degradê de azul e há uma mão segurando seu braço, que sai do lado esquerdo de fora da imagem." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/PVA_Blush-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/PVA_Blush-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/PVA_Blush-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/PVA_Blush.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30368" class="wp-caption-text">A vocalista Ella Harris descreve o debut como uma série de &#8220;personagens em momentos de tensão, turbulência e dificuldades internas&#8221; (Foto: Ninja Tune)</figcaption></figure>
<p><b>PVA &#8211; BLUSH</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tendo conquistado sua </span><i><span style="font-weight: 400;">fanbase </span></i><span style="font-weight: 400;">através de insanos </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">ao vivo e seu </span><i><span style="font-weight: 400;">EP </span></i><span style="font-weight: 400;">de estreia, </span><a href="https://www.nme.com/reviews/album/pva-toner-ep-review-radar-2820699"><i><span style="font-weight: 400;">Toner</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, existia o grande desafio de aumentar a aposta com o lançamento do primeiro álbum do </span><a href="https://ninjatune.net/artist/pva"><span style="font-weight: 400;">trio londrino</span></a><span style="font-weight: 400;"> de música eletrônica </span><i><span style="font-weight: 400;">dance pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> PVA, que recentemente produziu um gélido </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FfOBwAf8Wqg"><i><span style="font-weight: 400;">remix</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">gótico industrial do </span><i><span style="font-weight: 400;">hit ‘Welcome To My Island’</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://www.instagram.com/p/Cnrkl7DrpfP/?utm_source=ig_web_copy_link"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><i><span style="font-weight: 400;">BLUSH </span></i><span style="font-weight: 400;">é um impressionante disco de estreia, com uma abordagem emocional muito mais desenvolvida do que os trabalhos anteriores da banda, que consolida uma pulsante energia dançante, bruta e poderosa, além de revelar mais sobre os sentimentos do trio.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As 11 faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">BLUSH</span></i><span style="font-weight: 400;"> esbanjam ácido, </span><i><span style="font-weight: 400;">disco</span></i><span style="font-weight: 400;">, sintetizadores latejantes, </span><a href="https://indiehoy.com/descubrir/pva-post-punk-industrial-y-letras-poeticas-desde-londres/"><i><span style="font-weight: 400;">post punk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, texturas ásperas, transições escorregadias, pistas de dança </span><i><span style="font-weight: 400;">underground </span></i><span style="font-weight: 400;">e melodias faladas, acompanhadas por uma identidade visual futurista, ousada e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gVajQhS1LjA"><span style="font-weight: 400;">caótica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O álbum gera a visão de um ser humano dividido entre dois estados, preenchido com a sensação de estar preso e no processo de se </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JbGTGpAKXQc"><span style="font-weight: 400;">libertar</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Você me deixou livre ontem/Eu me sinto como um bebê recém-nascido agora/Absorvendo todas as cores e formas e visões e cheiros/Como se fossem todos novos/Eu me sinto novo”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;  Bruno Alvarenga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Untethered, Hero Man e Bunker</span></p>
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<figure id="attachment_30369" aria-describedby="caption-attachment-30369" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30369" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano-800x797.png" alt="Capa do álbum BORN PINK. Nela, um quadrado branco apresenta, na parte superior central, dois ganchos cor-de-rosa que se estendem até o centro. Na parte inferior central, com fontes estilizadas, está o escrito “BLACKPINK”. Logo abaixo, no mesmo estilo, está o escrito “BORN PINK”." width="800" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano-800x797.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano-1024x1020.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano-768x765.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano-1200x1195.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BORN-PINK-Vitoria-Vulcano.png 1524w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30369" class="wp-caption-text">Com o lançamento, BLACKPINK se tornou o primeiro grupo feminino a atingir o topo da Billboard Hot 200 desde 2008 (Foto: YG Entertainment/Interscope Records)</figcaption></figure>
<p><b>BLACKPINK &#8211; BORN PINK</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bem antes de articularem seu primeiro disco, Jennie, Jisoo, Lisa e Rosé já dominavam a arte de fechar o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> coreano para balanço, revisitando raízes e despejando uma pitada de identidade que impulsionou o sucesso de BLACKPINK além do oceano pacífico. Porém, se </span><a href="https://open.spotify.com/album/71O60S5gIJSIAhdnrDIh3N?si=NpuFL_JERz6WzUkVqsAhDQ"><i><span style="font-weight: 400;">THE ALBUM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> tentava medir a cativação internacional do grupo mergulhando em milhares de ritmos, </span><a href="https://open.spotify.com/album/7jaSNQUBJbvfbZHLNFrV7P?si=PpHt4wMJTeGr8jEPMTMVnA"><i><span style="font-weight: 400;">BORN PINK</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> mostra que, em 2022, as garotas propagandas da </span><i><span style="font-weight: 400;">YG Entertainment</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabem exatamente a autoridade que possuem. Sondando seu passado multifacetado e cortando as colaborações externas, elas aposentam a exploração para mirar na </span><a href="https://www.grammy.com/news/blackpink-new-album-born-pink-5-takeaways-collaborations-new-sounds"><span style="font-weight: 400;">consolidação</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu trabalho inconfundivelmente rico em vertentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://eletrovibez.com/edm-aqui-vai-uma-definicao/"><i><span style="font-weight: 400;">EDM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A execução do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> repete as </span><a href="https://portalpopline.com.br/blackpink-born-pink-topo-billboard-200/"><span style="font-weight: 400;">estratégias </span><i><span style="font-weight: 400;">marketeiras</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Teddy Park, produtor do </span><i><span style="font-weight: 400;">girlgroup</span></i><span style="font-weight: 400;"> desde sua estreia e fator limitante do escopo criativo das artistas. Com isso, apesar de reter BLACKPINK à fórmula mediana de oito faixas, o conjunto consegue retratar vozes seguras de suas verdades e investidas na reafirmação desse </span><a href="https://www.billboard.com/lists/blackpink-timeline-history-making-accomplishments/"><span style="font-weight: 400;">poder transcendental</span></a><span style="font-weight: 400;">. Recheando a era com trocadilhos e homenagens às fases que percorreram em seu espaçoso currículo, as quatro cantoras reúnem um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kVXazE8wR1Q"><span style="font-weight: 400;">sentimentalismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> apaixonante, valorizando seu </span><a href="https://valkirias.com.br/born-pink-blackpink/"><span style="font-weight: 400;">frescor consciente</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, só para dar uma palhinha na experimentação, entregando primores no </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> refinado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wQTjv-Xo1gY"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=POe9SOEKotk"><span style="font-weight: 400;">música clássica</span></a><span style="font-weight: 400;">. O veredito? Felizmente, as titãs do <em>k-</em></span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre estão pintando e bordando na nossa área. &#8211; </span><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Shut Down e The Happiest Girl.</span></p>
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<figure id="attachment_30370" aria-describedby="caption-attachment-30370" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30370" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Hyd-Clearing.png" alt="capa do álbum Clearing, a cantora Hayden Dunham está no meio da capa, com o corpo mergulhado em água e o rosto exposto." width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Hyd-Clearing.png 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Hyd-Clearing-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30370" class="wp-caption-text">Hyd é nova na indústria musical, mas já produz música de muita qualidade (Foto: PC music)</figcaption></figure>
<p><b>Hyd &#8211; Clearing</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Hayden Dunham ou Hyd, seu nome artístico, é uma estreante no </span><i><span style="font-weight: 400;">electro pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> internacional, mas desde seu primeiro álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/6IhpJXJmktqc1iyskQ76xP?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Hyd</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">em 2021</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">só vem lançando sucessos eletrizantes. Suas músicas passam a sensação de velocidade e </span><i><span style="font-weight: 400;">Clearing </span></i><span style="font-weight: 400;">nos traz muito desta energia, com letras que vão do amor próprio à desilusão romântica. Seu trabalho no álbum também consegue ser delicado e intimista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dunham vem trabalhando no </span><a href="https://open.spotify.com/album/5x3MrWM3MxdhJ8shNSz4rg?autoplay=true"><span style="font-weight: 400;">disco</span></a><span style="font-weight: 400;"> há um tempo considerável. Desde 2014, ela planejava e tentava reunir artistas amigos como Alex Somers e Caroline Polachek. O resultado não poderia ser melhor, e 2022 trouxe a ela o sucesso merecido com uma turnê de apresentação e sua apresentação no </span><i><span style="font-weight: 400;">Pitchfork Music Festival</span></i><span style="font-weight: 400;"> em Julho do mesmo ano </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Fallen Angel, Trust e Glass</span></p>
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<figure id="attachment_30371" aria-describedby="caption-attachment-30371" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30371" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-06_205113516-800x800.png" alt="Capa do álbum Crash da cantora Charli XCX. Na imagem, a artista, uma mulher branca de cabelos castanhos longos , está com seus joelhos acima do capô de um carro enquanto suas mão estão apoiadas no vidro quebrado, sua testa está sangrando. Acima está o azul do céu e abaixo está a visão de dentro do carro. Um volante preto e parte do painel atrás." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-06_205113516-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-06_205113516-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-06_205113516-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-06_205113516-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem_2023-03-06_205113516-1536x1536.png 1536w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30371" class="wp-caption-text">Charli afirma sobre Crash que tinha dificuldades com dicotomia de, tipo, ‘quem sou eu?’, ‘sou uma garota pop ou sou uma artista mais disruptiva?’. E chega a conclusão que ambas coexistem. (Foto: Charli XCX/Asylum/Atlantic/Warner UK)</figcaption></figure>
<p><b>Charli XCX &#8211; Crash</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Crash</span></i><span style="font-weight: 400;"> da Charli XCX é um </span><a href="https://personaunesp.com.br/how-im-feeling-now-critica/"><span style="font-weight: 400;">retorno triunfante</span></a><span style="font-weight: 400;"> à sonoridade </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que catapultou a cantora para o estrelato. Em um momento em que muitos artistas exploram sonoridades alternativas e experimentais, como ela mesma em seus últimos projetos, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Crash</span></i><span style="font-weight: 400;"> se destaca justamente por sua habilidade de criar um som vibrante e acessível que ainda se mantém atual e fresco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Celebrando verdadeiramente o gênero, a obra é repleta de melodias chicletes e refrões contagiantes. A produção é refinada e polida, dando o espaço necessário para brilhar como vocalista e performer. As letras, apesar de em alguns momentos parecerem superficiais, mostram uma clara autoconsciência por parte da artista, revelando um lado vulnerável e emocional que adiciona profundidade ao álbum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora possa ser criticado por sua falta de experimentação e risco, é inegável que Charli XCX é uma das melhores em criar um som pop que atinge o seu objetivo, </span><i><span style="font-weight: 400;">when I wanna go pop, I&#8217;ll pop/I got them hits.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O álbum oferece aos ouvintes uma dose saudável de diversão, energia e entusiasmo que pode ser difícil de encontrar em outros gêneros, e prova o talento e carisma da artista, mostrando que ela é capaz de conquistar os corações dos fãs e de manter-se relevante no mundo</span><i><span style="font-weight: 400;"> pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b><i>&#8211; </i></b><b>Henrique Marinhos</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b>Baby, Used To Know Me, Move Me</p>
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<figure id="attachment_30440" aria-describedby="caption-attachment-30440" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30440" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mariaritadj-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mariaritadj-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mariaritadj-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mariaritadj-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mariaritadj.jpg 924w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30440" class="wp-caption-text">Kao (Foto: Som Livre)</figcaption></figure>
<p><b>Maria Rita &#8211; Desse Jeito</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro da música nacional, poucos artistas possuem um trabalho tão meticulosamente articulado, intensamente dedicado e iminentemente regenerador como o de </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/maria-rita/"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;">. A cantora não faz </span><i><span style="font-weight: 400;">mea culpa</span></i><span style="font-weight: 400;"> em afirmar o compromisso com seu trabalho e com o perfeccionismo, lançando apenas aquilo . E assim, quatro anos após </span><i><span style="font-weight: 400;">Amor e Música</span></i><span style="font-weight: 400;">, Maria Rita voltou às plataformas digitais com o refinado e poderoso </span><i><span style="font-weight: 400;">Desse Jeito</span></i><span style="font-weight: 400;">. O </span><i><span style="font-weight: 400;">EP, </span></i><span style="font-weight: 400;">que conta com seis faixas, passeia pelos territórios que a intérprete mais domina: </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-pMiUOgLFEw&amp;ab_channel=MariaRitaOficial"><span style="font-weight: 400;">amor e religião</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sempre intima às canções, Maria vozeia paixões, desamores e fé, e de quebra marca sua estreia como compositora, nas faixas </span><i><span style="font-weight: 400;">Por Vezes </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GruKlHk9vq4&amp;ab_channel=MariaRitaOficial"><i><span style="font-weight: 400;">Canção Pra Erê Dela</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. É a faixa-título, composta por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?time_continue=2&amp;v=8wSar9DvfV0&amp;embeds_euri=https%3A%2F%2Fwww.google.com%2Fsearch%3Fq%3DLuiz%2BAnt%25C3%25B4nio%2BSimas%26oq%3DLuiz%2BAnt%25C3%25B4nio%2BSimas%26aqs%3Dchrome..69i57j46i512j0i512j0i22i30l7.225j&amp;source_ve_path=MjM4NTE&amp;feature=emb_title"><span style="font-weight: 400;">Luiz Antônio Simas</span></a><span style="font-weight: 400;"> em parceria com Fred Camacho que norteia as sensações envolvidas em todo o processo do projeto. </span><i><span style="font-weight: 400;">Desse Jeito </span></i><span style="font-weight: 400;">denuncia a intolerância religiosa, traz a</span> <span style="font-weight: 400;">ancestralidade, a força e a simplicidade dos orixás, em vigorosos versos que coordenam as emoções do ouvinte, enquanto a cantora toma posse da letra com seu vocal inigualável: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Axé, mojubá, zambi, kolofé/Qual é? Cada um com a sua fé</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">E Eu?, Desse Jeito, Canção Pra Erê Dela part. Teresa Cristina</span></p>
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<figure id="attachment_30373" aria-describedby="caption-attachment-30373" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30373" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Dawn FM, de The Weeknd. Fotografia quadrada com fundo preto. No centro da imagem, vemos o cantor; ele é um homem negro envelhecido com a ajuda de maquiagem. Seus cabelos e sua barba são grisalhos. Ele veste uma camisa social preta e olha diretamente para a câmera com as sobrancelhas levemente franzidas, sem expressar nenhuma outra emoção." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-1536x1536.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/imagem-1-12-1200x1200.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30373" class="wp-caption-text">“É hora de caminhar para a luz/E aceitar o seu destino de braços abertos” (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><strong>The Weeknd &#8211; Dawn FM</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois que The Weeknd foi retratado enfaixado e ensanguentado em </span><a href="https://personaunesp.com.br/after-hours-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">After Hours</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a capa de seu quinto álbum de estúdio o retrata precocemente envelhecido, como se seus exageros do passado o tivessem alcançado. Há múltiplas interpretações acerca do significado dessa imagem, e uma delas é a de que os temas que marcaram as composições do cantor canadense – dentre eles, autodestruição e relacionamentos tóxicos – passaram a soar tão antigos quanto ele aparenta. </span><a href="https://personaunesp.com.br/dawn-fm-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Dawn FM</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> marca, talvez pela primeira vez, o vislumbre de “dias melhores” nas canções de Abel, realçando sua evolução dentro da indústria musical.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://open.spotify.com/album/2nLOHgzXzwFEpl62zAgCEC?si=IDZBqkV7SUmsGvemGrr_0g"><span style="font-weight: 400;">rádio fictícia transmitida do além</span></a><span style="font-weight: 400;"> pouco se importa em ter grandes </span><i><span style="font-weight: 400;">hits</span></i><span style="font-weight: 400;"> que agradam as rádios do mundo atual. É notório como, dessa vez, o álbum possui uma maior expressão da essência do artista, com faixas que aprofundam suas influências oitentistas deslumbrantemente. Passando pelas músicas mais elétricas às mais contemplativas e contando com a participação de grandes nomes como Swedish House Mafia, </span><a href="https://personaunesp.com.br/call-me-if-you-get-lost-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tyler, the Creator</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as ilustres presenças de </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/jim-carrey-descreve-disco-de-weeknd-como-profundo-e-elegante/"><span style="font-weight: 400;">Jim Carrey</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://primeirosnegros.com/quincy-jones/"><span style="font-weight: 400;">Quincy Jones</span></a><span style="font-weight: 400;"> como uma espécie de narradores do programa, o mais recente trabalho de The Weeknd oferece o som de um artista que sabe que é um dos melhores de seu jogo. </span><b>&#8211; Raquel Freire</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Gasoline, Sacrifice e Here We Go… Again</span></p>
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<figure id="attachment_30441" aria-describedby="caption-attachment-30441" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30441" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/florence-and-the-machine-dance-fever.jpg" alt="" width="696" height="695" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/florence-and-the-machine-dance-fever.jpg 696w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/florence-and-the-machine-dance-fever-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30441" class="wp-caption-text">Os filmes que serviram de inspiração para o disco foram assistidos por Florence Welch durante a pandemia (Foto: Universal)</figcaption></figure>
<p><b>Florence + the Machine &#8211; Dance Fever</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode até soar inofensivo, mas nada é mais assustador do que existir, e Florence + the Machine parece entender muito bem sobre essa sensação. </span><i><span style="font-weight: 400;">Dance Fever</span></i><span style="font-weight: 400;">, quinto álbum da banda britânica de </span><i><span style="font-weight: 400;">indie rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, se inspira em filmes de terror como </span><a href="https://personaunesp.com.br/midsommar-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Midsommar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/suspiria-45-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Suspiria</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">para invocar cada nota rebelde e libertária de um dos discos mais intensos e melódicos do ano.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma discografia onde a </span><a href="https://personaunesp.com.br/ceremonials-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">essência mística de Florence Welch</span></a><span style="font-weight: 400;"> é presente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dance Fever </span></i><span style="font-weight: 400;">se destaca pelo profundo intimismo explícito em cada uma das faixas. É como se entrar numa viagem pelo córtex cerebral de Welch e ser recebido em um altar composto por velas, incensos, cristais, sal grosso e uma taça de vinho. Entre o frenético e o singelo, os instrumentos se mesclam entre canções formando uma verdadeira dança febril, que apenas Florence + the Machine poderia proporcionar nesse pós-apocalíptico 2022. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">King, Dream Girl Evil, Heaven Is Here</span></p>
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<figure id="attachment_30446" aria-describedby="caption-attachment-30446" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kplohjhvgcfdfgh.jpg" alt="Capa do álbum emails i can’t send. No canto esquerdo dela, Sabrina Carpenter, uma mulher branca de cabelos longos, loiros e soltos, está sentada, em uma cama branca, de costas para a imagem. Ela usa vestido longo preto e aberto nas costas, enquanto apoia os braços na lateral do corpo para virar a cabeça no sentido contrário. Ao lado dela, um computador cinza está aberto e posicionado na lateral. No canto direito da imagem, há uma cortina azul na parede, além de botas pretas de cano alto e uma televisão analógica no chão." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kplohjhvgcfdfgh.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/kplohjhvgcfdfgh-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30446" class="wp-caption-text">A tracklist de eics não possui um padrão para capitalização das canções, que foram criadas a partir de desabafos rascunhados, desde o começo da pandemia, na caixa de entrada de Carpenter (Foto: Island Records)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina Carpenter &#8211; emails i can’t send</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você usou um garfo uma vez, acontece que eles estão por todos os lugares</span></i><span style="font-weight: 400;">” talvez soe como a lírica mais banal para alegorizar um coração estraçalhado, mas Sabrina Carpenter não está afim de maximizar nada além das dores do crescimento. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-YCpq2DG8qE"><i><span style="font-weight: 400;">how many things</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é só uma confissão no meio da intensa sessão de terapia que estrutura </span><a href="https://open.spotify.com/album/5kDmlA2g9Y1YCbNo2Ufxlz?si=gl0UCIqzToeGRsMWNT-YDA"><i><span style="font-weight: 400;">emails i can’t send</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quinto álbum de estúdio da artista e o primeiro da carreira disposto a derrubar sua típica armadura de autoconfiança. Priorizando o urgente </span><a href="https://www.rollingstone.com/music/music-news/sabrina-carpenter-emails-i-cant-send-interview-1381304/"><span style="font-weight: 400;">processo de sentir</span></a><span style="font-weight: 400;"> colisões, naúseas e mudanças, a coletânea valoriza o conforto da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> enquanto atravessa pianos, trompetes, batidas eletrônicas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cWyGx881vG8"><span style="font-weight: 400;">outros ritmos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que poderiam tranquilamente sair de Ariana Grande ou Kylie Minogue.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, os ares familiares nem chegam perto de influenciar a narrativa que lidera o álbum: a de Carpenter, sozinha com seus próprios pensamentos. O divertido labirinto emotivo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wP4JsTRPSsA"><i><span style="font-weight: 400;">Tornado Warnings</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> logo é substituído pela afiada </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1YUBbF24H44"><i><span style="font-weight: 400;">because i liked a boy</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, referência totalmente explícita às ameaças de morte que embalaram a vida da loira nos últimos dois anos. Confrontando quem lhe regala os títulos de puta e destruidora de lares, Sabrina se exorciza das amarras colocadas por um suposto </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/fofoca-aceito/fofocas-novo-album-sabrina-carpenter/"><span style="font-weight: 400;">triângulo amoroso</span></a><span style="font-weight: 400;">, inclusive, em seu domínio criativo. Depois da revanche, vem a liberdade para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-CufSqKfx24"><span style="font-weight: 400;">encerrar ciclos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e até curtir um </span><a href="https://portalpopline.com.br/sabrina-carpenter-1o-top-10-carreira-spotify-eua/"><i><span style="font-weight: 400;">sleeperhit</span></i><span style="font-weight: 400;"> inédito</span></a><span style="font-weight: 400;"> no currículo musical. Ela apertou o botão de envio, </span><i><span style="font-weight: 400;">graças a Deus</span></i><span style="font-weight: 400;">. &#8211; </span><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Vicious, Fast Times e decode.</span></p>
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<figure id="attachment_30374" aria-describedby="caption-attachment-30374" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30374" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Elza Ao Vivo No Municipal. Arte digital quadrada, com fundo branco. O nome Elza ocupa grande parte da capa. A letra Z é a maior de todas e está centralizada. As letras foram preenchidas com uma foto de Elza Soares. A artista ocupa principalmente a letra Z. Elza é uma mulher negra, idosa, maquiada, olha para frente, com semblante sério, e veste uma roupa cor de laranja. Abaixo do nome Elza, lemos Ao Vivo No Municipal em letras pequenas, cor de laranja. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Elza-Ao-Vivo-No-Municipal.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30374" class="wp-caption-text">Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima: é impossível esquecer Elza Soares (Foto: Deck)</figcaption></figure>
<p><b>Elza Soares &#8211; Elza Ao Vivo No Municipal </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É difícil fugir do clichê: Elza Soares realmente cantou </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6SWIwW9mg8s"><span style="font-weight: 400;">até o fim</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao gravar o disco </span><i><span style="font-weight: 400;">Elza Ao Vivo No Municipal</span></i><span style="font-weight: 400;"> dois dias antes de </span><a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2022/01/20/empresario-conta-que-elza-soares-falou-para-familiares-nesta-quinta-acho-que-vou-morrer.ghtml"><span style="font-weight: 400;">partir para a eternidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, a Mulher do Fim do Mundo encerrou sua carreira de forma brilhante. Como uma verdadeira lenda da música brasileira, Elza da Conceição Soares protagonizou um </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente simbólico, capaz de sintetizar e representar décadas ímpares de uma carreira incomparável. Abraçando desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BSzWZVDHDxM"><i><span style="font-weight: 400;">Se Acaso Você Chegasse</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> até </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bp3u9zOaC20"><i><span style="font-weight: 400;">Comportamento Geral</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o álbum póstumo da Voz do Milênio é feliz ao registrar a trajetória viva de uma artista-fênix.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os mínimos detalhes tornam </span><i><span style="font-weight: 400;">Elza Ao Vivo No Municipal</span></i><span style="font-weight: 400;"> um disco apoteótico. Há coroas e tronos </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2022/05/0900_Denise-Ricardo-Editar_tratada.jpg?w=684"><span style="font-weight: 400;">no palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/album/7CMxW0umQJ7h3vigaKQZLS?si=VL4qoiPcTueF3j-DjbVU3Q"><span style="font-weight: 400;">nas canções</span></a><span style="font-weight: 400;"> do espetáculo. Elza aparece majestosa já na capa do álbum, com um olhar que nos convida a conhecer melhor sua grande despedida. Tudo é muito sublime e </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/entenda-como-elza-soares-preparou-sua-despedida-com-show-no-theatro-municipal.shtml"><span style="font-weight: 400;">bem planejado</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a carreira de Elza Soares é nitidamente projetada diante dos nossos olhos. Encerrando o repertório com </span><i><span style="font-weight: 400;">Mulher do Fim do Mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma escolha assustadoramente profética, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elza Ao Vivo No Municipal</span></i> <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/05/18/elza-soares-transcende-ao-portar-o-estandarte-da-arte-em-show-no-theatro-municipal-de-sao-paulo.ghtml"><span style="font-weight: 400;">coroa o imenso legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma diva inesquecível. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b><span style="font-weight: 400;">    </span></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Meu Guri, Volta por Cima e Mulher do Fim do Mundo</span></p>
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<figure id="attachment_30447" aria-describedby="caption-attachment-30447" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum Foi Eu Que Fiz. Na parte superior esquerda, está escrito “Deize Tigrona” em amarelo. Preenchendo toda a imagem de fundo turquesa, há 2 fotos da artista Deize Tigrona, divididas por um risco branco. Ela é uma mulher negra e tem cabelo vermelho. A foto da esquerda mostra Deize com a boca aberta, de modo a mostrar os dentes. A foto da direita mostra Deize com um semblante sério e com a parte esquerda do rosto em destaque. Na parte inferior esquerda, está escrito “Batekoo Records” em amarelo. Na parte superior direita, está escrito 2 vezes “Foi Eu Que Fiz” em amarelo, no formato de círculo e em uma fonte estilizada. Dentro do círculo, “Deize Tigrona” aparece escrito em amarelo e, também, em uma fonte estilizada. Na parte inferior direita, está escrito “Foi Eu Que Fiz”. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz-1200x1200.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Deize-Tigrona-Foi-Eu-Que-Fiz.jpeg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30447" class="wp-caption-text">Deize Tigrona, mesmo não oprimindo professores ou descolorindo a sobrancelha, consagra-se como um dos maiores nomes da história do funk (Foto: Batekoo Records)</figcaption></figure>
<p><b>Deize Tigrona – Foi Eu Que Fiz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ascensão de Deize Tigrona foi um grito estrondoso diante do silêncio que assombrava o território feminino do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em outros termos, a artista carioca ousou </span><a href="https://revistabalaclava.com/deize-tigrona-a-arte-tem-que-ser-compartilhada/"><span style="font-weight: 400;">desbravar</span></a><span style="font-weight: 400;"> biomas dominados por predadores os quais, acima de tudo, temem a extinção do conservadorismo. Na perspectiva histórica, há muitos mistérios a respeito da origem do universo e do desaparecimento de espécies. Todavia, na perspectiva musical, não há dúvidas: Deize Tigrona foi o </span><a href="https://portalpopline.com.br/deize-tigrona-casos-pipokinha-sonza-nao-sei-porque-eu-nao-choro-tambem/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Bang</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">do universo explícito e feminino do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">e, ao mesmo tempo, o meteoro que aniquilou mentes caducas e quadradas.  </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Foi Eu Que Fiz </span></i><span style="font-weight: 400;">supera a definição limitante de álbum e se apresenta como um ato </span><a href="https://noticiapreta.com.br/deize-tigrona-album-funk-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">confessional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma mulher que colocou a cara a tapa. Ademais, é válido enfatizar que a artista moradora da Cidade de Deus quebra, magistralmente, o contraste das ideias de sensibilidade e explicitude, e as torna quase que sinônimos. Tal fato fica nítido na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Mgxn8BTG2Lg"><i><span style="font-weight: 400;">Monalisa</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">na qual Deize convida o ouvinte a dançar com as incertezas e reviravoltas da vida que, no fim, podem ser boas companhias. A volta de Deize Tigrona é um pequeno passo para o </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">carioca, mas um grande salto para a cena feminista sáfica da música brasileira.  </span><b>– Ana Cegatti</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Monalisa, Bondage, A Mãe Tá On</p>
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<figure id="attachment_30448" aria-describedby="caption-attachment-30448" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30448 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/sad.jpg" alt="" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/sad.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/sad-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30448" class="wp-caption-text">O terceiro volume de Decretos Reais será lançado ainda em Março (Foto: Som Livre)</figcaption></figure>
<p><b>Marília Mendonça &#8211; Decretos Reais, vol. 1 &amp; 2</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Definitivamente o Brasil não estava pronto para perder de maneira tão trágica e tão precoce uma de suas maiores vozes. É como se o mundo tivesse ficado um tanto mais calado depois da morte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/marilia-mendonca-patroas/"><span style="font-weight: 400;">Marília Mendonça</span></a><span style="font-weight: 400;"> ser anunciada no fatídico 5 de Novembro. Coroada Rainha da Sofrência, a manutenção do legado da cantora, traduzido em </span><a href="https://cultura.uol.com.br/entretenimento/noticias/2022/12/09/5521_decretos-reais-album-postumo-de-marilia-mendonca-ganha-segundo-volume.html"><i><span style="font-weight: 400;">Decretos Reais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é a comprovação concreta da imensidão da obra de Marília. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O projeto póstumo conta com as faixas remasterizadas extraídas da </span><i><span style="font-weight: 400;">live Serenata</span></i><span style="font-weight: 400;">, realizada pela artista em maio de 2021. A saudade da cantora, misturada à excelência de seu trabalho, fizeram com que ambos volumes permanecessem por semanas no topo das paradas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Decretos Reais </span></i><span style="font-weight: 400;">exibe um lado brega-romântico de Marília, que toma para si canções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Te Amo Demais </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Morango do Nordeste. </span></i><span style="font-weight: 400;">A grande notoriedade fica a cargo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Leão</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa presente no volume 2. A música feita para o álbum </span><a href="https://www.metropoles.com/entretenimento/musica/xama-lanca-album-com-faixas-para-cada-signo-do-zodiaco-e-feats-especiais"><i><span style="font-weight: 400;">Zodíaco</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do rapper Xamã, foi um dos últimos </span><i><span style="font-weight: 400;">feats </span></i><span style="font-weight: 400;">feitos pela cantora. </span><i><span style="font-weight: 400;">Te Amo Demais</span></i><span style="font-weight: 400;">, Marília. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Te Amo Demais, Sendo Assim / Muito Estranho (Cuida Bem de Mim), Morango do Nordeste</span></p>
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<figure id="attachment_30375" aria-describedby="caption-attachment-30375" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30375" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Björk_Fossora-800x800.jpg" alt="Capa do disco Fossora, da artista Björk. A imagem mostra um ambiente escuro em que está Björk, uma mulher branca com cabelo branco, redondo e volumoso, que veste um colarinho de fios verde água, uma roupa verde água que cobre seu corpo inteiro abaixo dos ombros. Ela está agachada acima de várias espécies de cogumelos brancos, vermelhos e verdes, que formam a palavra “Fossora”." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Björk_Fossora-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Björk_Fossora-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Björk_Fossora-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Björk_Fossora.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30375" class="wp-caption-text">Em uma viagem acolhedora de volta ao lar, Björk é filha, mãe, cogumelo e um universo inteiro (Foto: One Little Independent Records)</figcaption></figure>
<p><b>Björk &#8211; Fossora</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Björk comentou em </span><a href="http://www.bjork.com.br/2022/10/bjork-fala-sobre-fossora-e-conexao-com.html"><span style="font-weight: 400;">entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre como </span><i><span style="font-weight: 400;">Fossora </span></i><span style="font-weight: 400;">é seu álbum mais festivo, como uma </span><i><span style="font-weight: 400;">rave </span></i><span style="font-weight: 400;">pós-distanciamento social. No entanto, a obra se mostra mais densa e nebulosa que uma festa de </span><i><span style="font-weight: 400;">techno</span></i><span style="font-weight: 400;">, conforme a islandesa explora temas profundos de seu interior, como a morte de sua </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/musica/noticia/2022/09/bjork-fala-da-relacao-com-a-mae-que-era-dislexica-eu-estava-sempre-a-corrigindo-o-que-era-estranho.ghtml"><span style="font-weight: 400;">mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">, sua existência feminina, relações amorosas e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cPr_D-b5v2Q"><span style="font-weight: 400;">familiares</span></a><span style="font-weight: 400;">. Foi produzido durante um período de isolamento e luto, uma jornada que exigiu força, inovação e emoções. O 10º disco de Björk é uma união complexa, pesada, intensa e espinhosa de sonoridades, perdas, dores, e ao mesmo tempo, uma celebração da vida e de recomeços sensíveis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As composições estreitam as relações da artista com diferentes colaboradores, como serpentwithfeet, Kasimyn, os experimentalistas eletrônicos indonésios </span><a href="https://www.nme.com/en_asia/news/music/gabber-modus-operandi-contributed-to-bjorks-new-album-fossora-3293972"><span style="font-weight: 400;">Gabber Modus Operandi</span></a><span style="font-weight: 400;">, que ajudaram Björk a criar um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9FD2mUonh5s"><i><span style="font-weight: 400;">biological techno</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e a própria </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/quem-e-doa-barney-filha-de-bjork-e-cineasta-em-ascensao/"><span style="font-weight: 400;">filha</span></a><span style="font-weight: 400;">, Ísadóra Bjarkardóttir Barney. </span><a href="https://www.instagram.com/p/Ch60RcftcDD/?utm_source=ig_embed&amp;ig_rid=5e4b6a5d-1141-4104-8a98-c869b8a00227"><i><span style="font-weight: 400;">Fossora</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não é uma obra acessível, ele necessita de tempo e atenção para nos conduzir por caminhos e sonoridades imprevisíveis, num fascinante universo de fungos e acalentadoras paisagens islandesas. </span><b>&#8211; Bruno Alvarenga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Atopos, Victimhood e Fossora</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30451" aria-describedby="caption-attachment-30451" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30451" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Terno-Rei-Gemeros-compressed-2-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Terno-Rei-Gemeros-compressed-2-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Terno-Rei-Gemeros-compressed-2-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Terno-Rei-Gemeros-compressed-2-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Terno-Rei-Gemeros-compressed-2.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30451" class="wp-caption-text">Em um aceno ao pop, o quarto disco dialoga com o público sobre sentimentos sinceros e memórias borradas (Foto: Balaclava Records)</figcaption></figure>
<p><b>Terno Rei &#8211; Gêmeos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, Terno Rei lançava o que seria seu maior sucesso de público até então. Com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7ZVLHAjkFD8"><i><span style="font-weight: 400;">Violeta</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o grupo testou novas sonoridades e flertou com o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> em músicas de versos poéticos e certeiros. Com a sinceridade que também esteve presente nos trabalhos anteriores da banda, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JLKuU3iweG8"><i><span style="font-weight: 400;">Vigília</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2014) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9rb11MRN4Kw"><i><span style="font-weight: 400;">Essa Noite Bateu Como Um Sonho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016), os quatro músicos alcançaram elogios da crítica e uma turnê de sucesso, que se desmanchou em 2020 com o isolamento, necessário em decorrência da pandemia da covid-19. Em um período de isolamento, de medos e inseguranças, refletindo sobre as mudanças sofridas durante os muitos anos de banda e em uma carta aberta sobre a juventude, Alê Sater, Bruno Paschoal, Greg Vinha e Luis Cardoso constroem, juntos, um novo álbum.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na capa, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Gêmeos</span></i><span style="font-weight: 400;"> o ouvinte é apresentado a um lado mais colorido, ainda mais <em>pop</em> na sonoridade que explora novos ambientes e letras que conversam com o ouvinte de maneira aberta, em canções ainda auto reflexivas. Em 12 músicas que embalam o público em uma nostalgia dos anos 2000, tanto sonora quanto visual, a essência da banda ainda pode ser captada, mas com um toque especial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Observando tudo que já havia sido produzido e subindo o nível, o grupo aqui se apresenta ainda mais sutil, mais delicado e mais vulnerável. Em uma ambiguidade presente já no título, as composições passeiam entre as dúvidas que surgiram com tanta facilidade em um período onde o tempo hábil era muito e a inquietação, tão naturalizada em uma juventude que não se permite parar e contemplar, realmente ouvir. E que bom é poder ouvir </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uvlz661BDF0"><span style="font-weight: 400;">Terno Rei</span></a><span style="font-weight: 400;"> de novo, mesmo que esse não seja exatamente o ano mais triste das nossas vidas </span><b>&#8211; Aryadne Xavier.</b></p>
<p><strong>Faixa Favorita: </strong>Olha Só, Difícil e Esperando Você</p>
<hr />
<figure id="attachment_30380" aria-describedby="caption-attachment-30380" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30380" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gemini.png" alt="A foto é a capa do álbum Gemini Rights, de Steve Lacy, mostrando o rosto do cantor, usando óculos escuros e com dois chifres brancos desenhados em sua cabeça. O rosto do artista está sobre um fundo azul e tem partes em uma coloração avermelhada, é notável que ele usa uma camiseta branca." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gemini.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gemini-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30380" class="wp-caption-text">Antes de debutar com seu álbum solo em 2019, Steve Lacy fazia parte da banda The Internet (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><b>Steve Lacy &#8211; Gemini Rights</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo álbum de estúdio de Steve Lacy, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gemini Rights, </span></i><span style="font-weight: 400;">segue as propostas de seu antecessor, </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/steve-lacy-apolo-xxi/"><i><span style="font-weight: 400;">Apollo XXI</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ao dialogar com o inseparável</span><i><span style="font-weight: 400;"> R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém, se diferencia na pluralidade de ritmos e melodias alcançadas em seu lançamento. Lacy mostra que consegue sair da zona de conforto e passear entre diversos gêneros, da bossa-nova perfeitamente encaixado em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OHaQyv9Plv4"><i><span style="font-weight: 400;">Mercury</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">ao </span><i><span style="font-weight: 400;">neo-soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> já conhecido de </span><i><span style="font-weight: 400;">Static</span></i><span style="font-weight: 400;">. Foi assim que o cantor conseguiu uma evolução clara de seu álbum de estreia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como grande parte do repertório musical, Steve também fez uso de acontecimentos e sentimentos particulares para compor suas letras. E no resultado final, o artista tem a mistura perfeita: um disco com personalidade e com o toque singular do jovem cantor, capaz de deixar até mesmo um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> comum como o de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VF-FGf_ZZiI"><i><span style="font-weight: 400;">Bad Habit</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">único e cativante. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Mercury, Sunshine e Amber</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30381" aria-describedby="caption-attachment-30381" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30381" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Yeule_Glitch_Princess-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Glitch Princess, da artista yeule. A imagem mostra uma arte renderizada de yeule em frente a um fundo preto. Elu é uma pessoa asiática, com olhos verdes, batom preto, um corte horizontal no nariz e cabelo longo, verde, com franja e penteado maria-chiquinha, que usa um maiô futurista que possui padrões de luzes no tecido e algumas partes metálicas; seus braços inteiros possuem tatuagens." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Yeule_Glitch_Princess-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Yeule_Glitch_Princess-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Yeule_Glitch_Princess-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Yeule_Glitch_Princess-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Yeule_Glitch_Princess.jpg 1068w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30381" class="wp-caption-text">“Eu gosto de texturas bonitas no som/Eu gosto de como algumas músicas me fazem sentir/Eu gosto de inventar meu próprio mundo” (Foto: Bayonet Records)</figcaption></figure>
<p><b>yeule &#8211; Glitch Princess</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A música de yeule apresenta uma perspectiva </span><a href="https://outraspalavras.net/outrasmidias/para-entender-transumanismo-e-pos-humanismo/"><span style="font-weight: 400;">pós-humanista</span></a><span style="font-weight: 400;">, conforme a artista explora a relação entre identidade e tecnologia através de melodias melancólicas de </span><i><span style="font-weight: 400;">post-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que constroem um labirinto no </span><a href="https://www.dazeddigital.com/music/article/55390/1/on-glitch-princess-yeule-drags-us-into-the-pixelated-pits-of-cyberspace"><span style="font-weight: 400;">ciberespaço</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em seu segundo álbum, a artista </span><i><span style="font-weight: 400;">avant-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Singapura, </span><a href="https://www.dazeddigital.com/projects/article/57497/1/yeule"><span style="font-weight: 400;">Nat Ćmiel</span></a><span style="font-weight: 400;">, se autointitula Princesa do Glitch e conduz o ouvinte por um caminho sombrio e pixelado, cheio de códigos de computador quebrados e mensagens de erro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Destacando-se de seus trabalhos antecedentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Glitch Princess</span></i><span style="font-weight: 400;"> se desafia criativamente e é apresentado de forma marcante e estranhamente acessível, sendo capaz de transmitir sua </span><a href="https://pitchfork.com/features/rising/yeule-glitch-princess-interview/"><span style="font-weight: 400;">essência</span></a><span style="font-weight: 400;"> com ambientações oníricas e texturas eletrônicas experimentais. A obra é repleta de vulnerabilidade e pessimismo, onde desastres pessoais são a principal catástrofe. Os versos são construídos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dKXD9ifn7y8"><span style="font-weight: 400;">forma sensível</span></a><span style="font-weight: 400;"> e pessoal, e o uso das batidas e sintetizadores é calculado para ecoar e proporcionar a imersão dentro de uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Bg06UevZejw"><span style="font-weight: 400;">dimensão cibernética</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atua como um consolo e um vício: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Em volta do meu pescoço, uma máquina amigável/Finge limpar minha memória/Finge fazer tudo ir embora/Finge me fazer sentir muito bem”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;  Bruno Alvarenga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">My Name is Nat Cmiel, Don’t Be So Hard on Your Own Beauty e Bites on My Neck</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30452" aria-describedby="caption-attachment-30452" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30452" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-10-at-14.52.09-1.jpeg" alt="" width="600" height="598" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-10-at-14.52.09-1.jpeg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/WhatsApp-Image-2023-03-10-at-14.52.09-1-150x150.jpeg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30452" class="wp-caption-text">Com uma carreira solo desde 2016, FLETCHER lançou 3 EPs antes de liberar seu primeiro álbum (Foto: Snapback Entertainment LLC)</figcaption></figure>
<p><b>FLETCHER &#8211; Girl Of My Dreams</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pegar um coração partido e transformá-lo em Arte não é tarefa das mais simples, mas o resultado é um dos que mais se aconchega junto a quem o </span><a href="https://www.gaytimes.co.uk/originals/fletcher-ive-never-been-someone-to-edit-my-narrative/"><span style="font-weight: 400;">compartilha</span></a><span style="font-weight: 400;"> com o artista. Se a dor é combustível para a criação e o meio artístico, uma via para externalização, FLETCHER transformou um término de relacionamento e o seu processo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=SlevC2V-zBA"><span style="font-weight: 400;">superação</span></a><span style="font-weight: 400;"> em glória: fruto da sua jornada até aqui, surge </span><a href="https://open.spotify.com/album/5KbQGzcWL7VgTeLqjftNWH?si=frOpytVJTsuzOx--smo0qw"><i><span style="font-weight: 400;">Girl Of My Dreams</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum de estreia da norte-americana.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se em </span><a href="https://open.spotify.com/album/1cppTra3p7ByUGqNsv3Qla?si=7byGHaeWRr2movxrCAVUow"><i><span style="font-weight: 400;">THE S(EX) TAPES</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o fim era recente e Fletcher lidava como os novos sentimentos através da tristeza, da raiva e da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qfavwT3gKn8"><span style="font-weight: 400;">recaída</span></a><span style="font-weight: 400;">, como quem passa por uma fase de luto, o disco, lançado dois anos depois do </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, aproveita o tempo para deixar a ferida cicatrizar. Agora, o que predomina é a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qU7ZbpIO66U"><span style="font-weight: 400;">aceitação</span></a><span style="font-weight: 400;">, a saudade, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uhPPttviktc"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o amor próprio e a esperança de seguir em frente. Ressoando com quem se identifica com o momento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Girl Of My Dreams </span></i><span style="font-weight: 400;">segue o estilo musical da artista em faixas ora dançantes e animadas, ora lentas e melancólicas, provando os altos e baixos de qualquer momento. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Better Version, Becky’s So Hot, Serial Heartbreake</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30453" aria-describedby="caption-attachment-30453" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30453" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/ab67616d0000b27341ac444fbef3261cdcadc9e6.jpg" alt="Capa do álbum Grey Suit de SUHO. Na imagem, SUHO, um homem sul-coreano de cabelos e olhos escuros, aparece em pé em meio a um mar de girassóis. A câmera captura todo o seu corpo que está coberto de flores até a altura dos joelhos. Ele veste jaqueta e calça jeans sobre uma camiseta, mas as cores não são visíveis pois SUHO é o único elemento da arte de capa que não está colorido. Ao centro, o título do álbum está escrito em letras cursivas amarelas “Grey Suit” e é dividido pela presença de SUHO no meio: “Grey” está ao lado esquerdo da imagem e “Suit” está ao lado direito. Logo abaixo de “Suit”, no canto direito central, o nome do artista está escrito de forma estilizada e em letras garrafais amarelas “SUH20”." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/ab67616d0000b27341ac444fbef3261cdcadc9e6.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/ab67616d0000b27341ac444fbef3261cdcadc9e6-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30453" class="wp-caption-text">Grey Suit celebra um novo ciclo na carreira de SUHO após a dispensa do serviço militar obrigatório (Foto: SM Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>SUHO &#8211; Grey Suit &#8211; The 2nd Mini Album</b></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/album/7tZyxlG9PNEBwrxMbIJdoB?si=11FnJxx_SDySYMXCtdznrg"><i><span style="font-weight: 400;">Grey Suit</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua a pintura impecável da trajetória musical solo de SUHO, integrante do grupo sul-coreano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pSudEWBAYRE"><span style="font-weight: 400;">EXO</span></a><span style="font-weight: 400;">. Valorizando as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u7Qdq7nffYo"><span style="font-weight: 400;">sensações e emoções</span></a><span style="font-weight: 400;"> como os artistas do movimento pós-impressionista, o cantor simula na sonoridade a </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/biografia/vincent-van-gogh.htm#:~:text=Em%201886%2C%20Van%20Gogh%20mudou,a%20ter%20luminosidade%20e%20leveza."><span style="font-weight: 400;">mudança</span></a><span style="font-weight: 400;"> visual de tom encontrada nas telas da sua grande inspiração, </span><a href="https://personaunesp.com.br/beyond-van-gogh-critica/"><span style="font-weight: 400;">Van Gogh</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se em </span><a href="https://open.spotify.com/album/0f4L2zNLtQtFk08M1YGoE1?si=IrJ56hSpR9icctH4GJ6JSg"><i><span style="font-weight: 400;">Self-Portrait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a estreia de </span><span style="font-weight: 400;">Kim Jun-myeon</span><span style="font-weight: 400;">, um plano de fundo melancólico foi adotado nos instrumentais, o segundo mini álbum traz a tona cores quentes que iluminam e tornam leve a composição. Dos autorretratos confusos, ele surge em meio aos girassóis.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma produção detalhista que, surpreendentemente, mira em </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;"> de guitarra que soam como as clássicas baladas românticas da banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1UUYjd2rjsE"><i><span style="font-weight: 400;">Scorpions</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Grey Suit</span></i><span style="font-weight: 400;"> coloca o </span><i><span style="font-weight: 400;">k-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ba9DjyLsF3k"><span style="font-weight: 400;">perspectiva inédita</span></a><span style="font-weight: 400;">. De volta após o afastamento de dois anos dos palcos para servir o exército militar obrigatório, o disco celebra um novo ciclo ao lado dos fãs, para quem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0kPinfiIhb8"><span style="font-weight: 400;">SUHO</span></a><span style="font-weight: 400;"> é a personificação do significado de seu nome artístico, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X3bKJsptKkg"><span style="font-weight: 400;">guardião</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Bem onde você está/Você foi como um milagre que eu conheci em uma noite de verão/Como uma flor que desabrochou no final do inverno</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Morning Star, Hurdle e Bear Hug</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30385" aria-describedby="caption-attachment-30385" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30385" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/give-me-the-future-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/give-me-the-future-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/give-me-the-future-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/give-me-the-future-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/give-me-the-future.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30385" class="wp-caption-text">“No meio da noite, eu posso sonhar à vontade/Mudar o que eu quero e voltar para o futuro de novo” (Foto: Virgin Records Limited)</figcaption></figure>
<p><b>Bastille &#8211; Give Me The Future</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a Bastille teve uma década para descobrir e redescobrir sua identidade musical, renová-la e depois inová-la novamente, a solução para a próspera carreira dos donos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F90Cw4l-8NY"><i><span style="font-weight: 400;">Pompeii</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">foi apostar no conceito. Logo no </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-fevereiro-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">início</span></a><span style="font-weight: 400;"> da frutífera safra de discos de 2022, a veterana resolveu abraçar um universo distópico e futurístico, e traduziu a ficção científica no álbum </span><a href="https://open.spotify.com/album/2A3BFOsrRHn0VQuafW2zYs?si=J3d2qpnDTLONqbu2xmix8A"><i><span style="font-weight: 400;">Give Me The Future</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O quarto trabalho de estúdio do grupo seguiu à risca o que se propuseram a fazer: com vozes de robôs durante as faixas e seguindo sua linha de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1n32wowfYhs&amp;pp=ygUIYmFzdGlsbGU%3D"><span style="font-weight: 400;">videoclipes narrativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e imersivos, o quarteto também estendeu a experiência única do álbum para o âmbito audiovisual, corroborando com o universo conceitual. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evocando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=08AUS7lfXCU&amp;pp=ygUIYmFzdGlsbGU%3D"><span style="font-weight: 400;">cores e luzes</span></a><span style="font-weight: 400;"> a partir de uma sonoridade sintética &#8211; se diferenciando do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zxJCMOMx550&amp;pp=ygUIYmFzdGlsbGU%3D"><i><span style="font-weight: 400;">indie rock</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">pelo qual a banda ganhou espaço na indústria musical -, a liricidade também é imaginativa, inventando situações e pipocando referências a obras da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">e da ficção, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D3GsIxRT-o4&amp;pp=ygUIYmFzdGlsbGU%3D"><i><span style="font-weight: 400;">Thelma &amp; Louise</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> De Volta Para o Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">1984</span></i><span style="font-weight: 400;"> e elementos de Aldous Huxley. Com seu futuro ultra tecnológico e solitário, </span><i><span style="font-weight: 400;">Give Me The Future </span></i><span style="font-weight: 400;">alcança até o </span><i><span style="font-weight: 400;">cyberpunk </span></i><span style="font-weight: 400;">no que aborda sobre o cerceamento da liberdade e a linha divisória entre real e fictício, criando uma das experiências mais divertidas da Bastille desde </span><a href="https://open.spotify.com/album/2ZTutAjJEBw4mA5t4Edg1d?si=i--GRVc9SLK6bD--_doNzg"><i><span style="font-weight: 400;">Doom Days</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><i><span style="font-weight: 400;">Thelma + Louise</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Back To The Future </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Future Holds</span></i></p>
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<figure id="attachment_30386" aria-describedby="caption-attachment-30386" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30386" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum Harry 's House. A imagem é uma sala de estar de ‘ponta cabeça', de maneira com que um sofá marrom está com os pés apoiados no teto, e o lustre de cristal brota do chão. Todas as paredes são brancas. Na parte do lado esquerdo há um espelho, também invertido e na parede do lado direito há uma janela. Próximo a essa janela está o cantor Harry Styles, em pé. Ele veste uma calça jeans e uma bata branca com listras horizontais bordadas em rosa. O cantor é um homem branco de cabelos castanhos despenteados. Ele faz uma pose de quem está reflexivo, com um branco apoiado na cintura e outro segurando o queixo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house-1200x1200.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/harrys-house.jpeg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30386" class="wp-caption-text">Harry’s House é o terceiro álbum da carreira solo de Harry Styles (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Harry Styles &#8211; Harry’s House</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://youtu.be/3L4m5ZMzf3A"><i><span style="font-weight: 400;">Harry &#8216;s House</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o britânico convida o ouvinte para entrar em sua casa, deixando todas as gavetas abertas, molduras coloridas nas paredes e poeiras nos rodapés dos quartos. O disco, composto por treze faixas, traz uma </span><i><span style="font-weight: 400;">tour</span></i><span style="font-weight: 400;"> completa pela morada do músico e faz questão de mostrar como esse está amadurecendo, por meio de referência aos seus ídolos dos anos oitenta, </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> de autorias da década de setenta e uma estética sonora familiar, que remete ao confronto de um lar. Na porta de entrada, Harry recebe quem o visita com ritmos animados, nos singles </span><a href="https://youtu.be/CiwMDFh_Rog"><i><span style="font-weight: 400;">Music for a Sushi Restaurant</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/4VaqA-5aQTM"><i><span style="font-weight: 400;">Late Night Talking</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ao adentrar mais na casa, passando pelos corredores com as fotografias de família, são apresentadas as batidas e as letras melancólicas de </span><a href="https://youtu.be/hJpvI3w3tDc"><i><span style="font-weight: 400;">Little Freak</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://youtu.be/lVnzO7opqNs"><i><span style="font-weight: 400;">Matilda</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para então conduzir ao seu jardim, no quintal dos fundos, com baladas românticas como em</span> <a href="https://youtu.be/hkK5e7CY_h0"><i><span style="font-weight: 400;">Love of My Life</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além do amadurecimento, o</span> <span style="font-weight: 400;">álbum trata de um Harry apaixonado, que quer transpassar para o mundo os prazeres e as desventuras dessa sua condição. Ainda que não tenha apresentado nada revolucionário para o mundo da música, o disco trouxe algo novo na carreira do artista. </span><a href="https://youtu.be/H5v3kku4y6Q"><i><span style="font-weight: 400;">As It Was</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encontrou o equilíbrio dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> de álbuns anteriores, entre a tristonha </span><a href="https://youtu.be/qN4ooNx77u0"><i><span style="font-weight: 400;">Sign of the Times</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o verão despreocupado de</span><a href="https://youtu.be/E07s5ZYygMg"> <i><span style="font-weight: 400;">Watermelon Sugar</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Iniciando polêmicas, o disco acabou levando o prêmio de melhor do ano no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></i><span style="font-weight: 400;">, escolha muito contestada pelo público, perante aos outros álbuns indicados na </span><a href="https://thred.com/pt/culture/opinion-harry-styles-grammys-speech-highlights-complexities-of-privilege/"><span style="font-weight: 400;">categoria</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, mesmo que não seja “o” melhor, não fica de fora dos </span><b>Melhores do Ano</b><span style="font-weight: 400;">, afinal o disco diverte e aconchega, chegando em casa com segurança. </span><b>&#8211; Costanza Guerriero</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Matilda, Keep Driving, Love of My Life</span></p>
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<figure id="attachment_30387" aria-describedby="caption-attachment-30387" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30387" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO-800x800.webp" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO-800x800.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO-1024x1024.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO-768x768.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO-1200x1200.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/URIAS-ENRICO-SOUTO.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30387" class="wp-caption-text">Ainda em 2022, fomos agraciados com a parte dois de HER MIND, com mais quatro faixas de um projeto que promete ser uma trilogia de EPs (Foto: Metaderos)</figcaption></figure>
<p><b>Urias &#8211; HER MIND, PT. 1</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para os fãs que têm acompanhado avidamente </span><a href="https://open.spotify.com/album/3N0IZzpTfvreEOo2zKFdym?si=arVqNdnaSPe435fzzzzFuw"><span style="font-weight: 400;">cada passo</span></a><span style="font-weight: 400;"> da era </span><i><span style="font-weight: 400;">HER MIND</span></i><span style="font-weight: 400;">, é até difícil imaginar que, ainda em 2022, Urias nos entregava a versão final do incrível </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-janeiro-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">FÚRIA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, seu primeiro álbum de estúdio. Entretanto, pouco mais de quatro meses depois, a cantora enterrou o preto-e-branco para, ao invés, saturar suas cores ao limite. O </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LO8JNp-wtL8&amp;ab_channel=Urias"><span style="font-weight: 400;">azul e amarelo</span></a><span style="font-weight: 400;"> vibrantes da arte que estampa a </span><a href="https://open.spotify.com/album/5ELO3riWbb2MbJyZYilN7D?si=h4E2bhHDSWSmGGj2TJRW8g"><span style="font-weight: 400;">primeira parte</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">HER MIND</span></i><span style="font-weight: 400;"> ilustram a sonoridade assumidamente psicodélica do </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;">, que une a música eletrônica e latina no mais próximo de um projeto de </span><i><span style="font-weight: 400;">hyperpop</span></i><span style="font-weight: 400;"> que o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro proporcionou até aqui.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No auge de sua criatividade e inventividade, Urias toma o caminho inverso do que propõe </span><a href="https://personaunesp.com.br/pajuba-5-anos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Linn da Quebrada</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua obra. Dona de uma identidade constantemente reduzida aos encargos do corpo, </span><i><span style="font-weight: 400;">HER MIND</span></i><span style="font-weight: 400;"> extrapola a experimentação da artista para mergulhar no âmago de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yYOiL_XP5qk&amp;ab_channel=CortesdaDia"><span style="font-weight: 400;">sua própria mente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os versos que misturam inglês, espanhol e português – em uma progressão que preza pelo caos –, traduzem os processos intrincamente internos de uma mulher trans que, depois de tornar-se visível e adquirir acessos que nunca teve, enfim permite-se à individualidade. E ainda assim, ao invés do que poderia-se antecipar, a proposta íntima intensifica a personalidade combativa de Urias, reafirmando, através das faixas mais pujantes de sua carreira, que ninguém é capaz de copiar seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8eHzrHzSZnk&amp;ab_channel=Urias"><i><span style="font-weight: 400;">Je ne sais quoi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>R.I.P., Je ne sais quoi, The way I drop</p>
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<figure id="attachment_30388" aria-describedby="caption-attachment-30388" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30388" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/rina.png" alt="" width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/rina.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/rina-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-30388" class="wp-caption-text">Com Hold The Girl, Rina Sawayama entra em uma nova era de amadurecimento tanto pessoal quanto musical (Foto: Dirty Hit)</figcaption></figure>
<p><b>Rina Sawayama &#8211; Hold The Girl</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma </span><a href="https://open.spotify.com/album/3stadz88XVpHcXnVYMHc4J?si=Pw3cIGakRMSTWNcfH2D2tg"><span style="font-weight: 400;">estreia grandiosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2020, as expectativas para o segundo álbum da cantora e compositora Rina Sawayama eram altas, e através de treze faixas que percorrem do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> à eletrônica, ela não deixa a desejar. Com </span><a href="https://open.spotify.com/album/0JO5WJ19NtFRtVYOnw24xS?si=Qcl3WFx2QGyr_P_CNHMFLA"><i><span style="font-weight: 400;">Hold The Girl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Sawayama abre feridas e muitas vezes canta para sua ‘eu’ mais nova, refletindo sobre sua inocência passada ao passo que busca se curar e se libertar de tudo aquilo que um dia a prendeu, dando um quê esperançoso à obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na faixa de abertura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Minor Feelings</span></i><span style="font-weight: 400;">, Rina atinge o limite de tudo que guarda para si e expressa a necessidade de tomar controle da própria vida. A canção é sequenciada pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ikkfuGeAfYg"><span style="font-weight: 400;">faixa-título</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde ela se encontra falando com a criança que um dia foi, tentando confortá-la e aprender com seu passado. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=flu86_98CSk"><span style="font-weight: 400;">vocais e produções marcantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> em cada música fazem de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hold The Girl </span></i><span style="font-weight: 400;">um álbum espirituoso, que combinados com as canetadas sinceras de Rina Sawayama, a torna uma das artistas mais autênticas na cena </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. Por fim, a obra se encerra com </span><i><span style="font-weight: 400;">To Be Alive</span></i><span style="font-weight: 400;">, onde tudo aquilo que foi almejado ao longo da jornada é alcançado, e Sawayama finalmente encontra paz em todas as versões de si mesma. </span><b>– Ana Eloisa Leite</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Hold The Girl, Frankenstein e Phantom</span></p>
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<figure id="attachment_30389" aria-describedby="caption-attachment-30389" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/King-Princess-Hold-On-Baby.webp" alt="" width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/King-Princess-Hold-On-Baby.webp 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/King-Princess-Hold-On-Baby-150x150.webp 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30389" class="wp-caption-text">“Eu me odeio, quero festejar/E fingir que sou uma estrela de novo” (Foto: Zelig Records)</figcaption></figure>
<p><b>King Princess &#8211; Hold On Baby</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><a href="https://genius.com/King-princess-too-bad-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">Meu deus, é muito difícil</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> ser amada, mas é a vida</span></i><span style="font-weight: 400;">”, entoa King Princess em </span><i><span style="font-weight: 400;">Too Bad</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa integrante de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hold On Baby</span></i><span style="font-weight: 400;">. Já na canção que fecha o álbum, ela admite que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sabia que isso aconteceria/Você está brava e se sentindo presa/Eu sinto a pressão/Eu não sou sua captora/Eu odeio me sentir </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=N2ExbUZpoGc&amp;pp=ygUMa2luZyBwcmluY2Vz"><i><span style="font-weight: 400;">sem esperança</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. Depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">Cheap Queen</span></i><span style="font-weight: 400;">, disco de estreia da cantora </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> nova iorquina, a êxtase do começo da carreira e do início de um relacionamento dão lugar a uma estabilidade em ambos sentidos, com letras maduras e afiadas acertando em cheio o que a compositora expõe. Estabilidade essa, porém, que é refletida em sua musicalidade só parcialmente: a certeza de alguns aspectos levanta dúvidas sobre outros, e dão espaço para a artista se questionar &#8211; e externalizar tais ponderamentos em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2PQnfVlRzqE&amp;pp=ygUMa2luZyBwcmluY2Vz"><span style="font-weight: 400;">personalidade musical</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No trabalho, as 12 faixas perpassam os questionamentos que surgem em um relacionamento duradouro, a identidade enquanto musicista (agora) consolidada na indústria musical e as suas próprias inseguranças enquanto jovem adulta </span><a href="https://www.nme.com/news/music/king-princess-shares-cursed-and-too-bad-from-upcoming-second-album-3242983"><span style="font-weight: 400;">ansiosa, triste e sexy</span></a><span style="font-weight: 400;">. Como um sinal claro de que Mikaela Straus se sente mais confiante </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/king-princess-hold-on-baby/"><span style="font-weight: 400;">musicalmente</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; no álbum, ela participa da produção de suas canções -, a artista abraça a mistura de estilos e sonoridades durante as faixas: longe da falta de uma única identidade, ela assume o seu caos. Misturando solos de guitarras </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">a baladas com pianos melódicos, e ampliando o alcance de sua voz, </span><a href="https://open.spotify.com/album/3Q998ztjKK3ybjToj0QL9c?si=6ICDM1edS9y5YMCC68cWlQ"><i><span style="font-weight: 400;">Hold On Baby</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">demonstra uma liberdade ainda inédita para a promissora carreira de King Princess. </span><b>&#8211; Vitória Gomez</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Cursed</span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">Sex Shop</span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">Let Us Die</span></p>
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<figure id="attachment_30390" aria-describedby="caption-attachment-30390" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30390" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Cults-Host-B-Sides-Remixes.png" alt="" width="700" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Cults-Host-B-Sides-Remixes.png 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Cults-Host-B-Sides-Remixes-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30390" class="wp-caption-text">Cults ainda é uma das melhores bandas de indie (Foto: Sinderlyn)</figcaption></figure>
<p><b>Cults &#8211; Host B-Sides &amp; Remixes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/album/4paNaQZ8eB1cUU1ZJh14gJ?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Host B Sides &amp; Remixes</span></i></a> <span style="font-weight: 400;"> a banda de </span><i><span style="font-weight: 400;">indie rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> Cults, traz doçura e paixão a um 2022 de guerras e conflitos. Agrupando os </span><i><span style="font-weight: 400;">singles My Window</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Sleeping Through Sunshine</span></i><span style="font-weight: 400;"> e versões remixadas do álbum</span> <a href="https://open.spotify.com/album/7rCZkblbmpN2sd7OPDCYct?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Host</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> , a vocalista Madeline Follin e o guitarrista Brian Oblivion se mantêm entre as melhores “novas” bandas de </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo completando 12 anos de trajetória.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Artistas como Johnny Jewel e Tama Gucci conferem ao álbum uma roupagem eletrônica, mas que preserva a essência da banda que sempre remeteu ao frescor e a suavidade, além de um apego à juventude. Este já é o oitavo álbum de Cults se considerarmos os EPs, mas ainda sim há a preservação da qualidade que foi vista nos primeiros álbuns </span><a href="https://open.spotify.com/album/0OvMqTVXYlNpWbGuxQrt6M?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Cults</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://open.spotify.com/album/6WnfWrfsfu7T9TXbHIFHX9?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">Static</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> .</span><b> &#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Sleeping Through Sunshine, My Window e Trials (Johnny Jewel Remix)</span></p>
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<figure id="attachment_30391" aria-describedby="caption-attachment-30391" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30391" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/20221108_Icarus_BKCapa-1024x1024-1-800x800.jpeg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/20221108_Icarus_BKCapa-1024x1024-1-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/20221108_Icarus_BKCapa-1024x1024-1.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/20221108_Icarus_BKCapa-1024x1024-1-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/20221108_Icarus_BKCapa-1024x1024-1-768x768.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30391" class="wp-caption-text">A estética e conceito de Icarus exalam inteligência e refino (Foto: Bruna Sussekind)</figcaption></figure>
<p><b>Icarus &#8211; BK</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Preso dentro de labirintos, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/bk/"><span style="font-weight: 400;">BK</span></a><span style="font-weight: 400;"> almeja asas para voar. O quarto álbum de estúdio do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos guia por uma jornada até nossa emancipação. Uma busca que esbarra em temas políticos, mas não deixa, é claro, de cantar sobre a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XSsnZUQxuyw"><span style="font-weight: 400;">droga mais perigosa e saborosa</span></a><span style="font-weight: 400;">: o amor. Com referências da mitologia grega, o cantor explora em</span><i><span style="font-weight: 400;"> Icarus</span></i><span style="font-weight: 400;"> a crescente até sua libertação &#8211; vemos em cada faixa um pouco da esperança, das contradições, dos defeitos e dos sonhos do próprio BK mesclados com a trágica história de Ícaro e Dédalo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para adicionar pluralidade, contraste e profundidade às faixas, o álbum contou com a colaboração de Marina Sena, L7NNON, Julia Mestre, Bebé Salvego e Luccas Carlos. A combinação trouxe lirismo, batidas e um ritmo não tão inovador, mas encantador no jeito BK. Entre passos e tropeços, acertos e erros, Abebe Bikala conseguiu entregar o equilíbrio que faltou para Ícaro, e contou com seu legado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bk-gigantes-2018-rap-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gigantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-lider-em-movimento-critica/"><span style="font-weight: 400;">O Líder em Movimento</span></a><span style="font-weight: 400;"> para conquistar ainda mais admiradores no cenário nacional e consolidar-se como um dos álbuns mais notáveis e viciantes de 2022. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Continuação de um sonho, Só me ligar e Músicas de amor nunca mais</span></p>
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<figure id="attachment_30392" aria-describedby="caption-attachment-30392" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30392" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/bazzi-infinite-dream.jpg" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/bazzi-infinite-dream.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/bazzi-infinite-dream-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-30392" class="wp-caption-text">“E eu posso voar, no meu sonho infinito, onde nada nunca é o que parece” (Foto: Atlantic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Bazzi &#8211; Infinite Dream </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em um passeio sonoro, construído por meio de sonhos, Bazzi lançou seu segundo álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Infinite Dream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Antecedido por três </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> – </span><a href="https://youtu.be/dGLL9w66eSI"><i><span style="font-weight: 400;">Will It Ever Feel The Same?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zKkkHz9IE7Q"><i><span style="font-weight: 400;">Miss America</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XYSBPdlkb1A"><i><span style="font-weight: 400;">Heaven</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> –, o projeto possui uma mistura de sentimentos. O cantor continua seu trabalho com uma temática parecida com a do primeiro disco: viagens estratosféricas e noturnas, que levam ao amor, à dor, à decepção e à reflexão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Indo de sons de sintetizadores, vindos direto dos anos 80, para canções com uma pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;">, chegando até a um </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> dançante, o álbum é cheio de melodias interessantes. </span><a href="https://open.spotify.com/album/7CY2Iv5eX7eGAOdRNHfIBr?si=hePm0Fa2RDmW8zDVJAXD-w"><i><span style="font-weight: 400;">Infinite Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> realmente parece ter saído dos sonhos de Bazzi, como se fosse uma trilha sonora para a imaginação do subconsciente. O disco consegue retratar diversas emoções que fazem parte da vida, como a sensação de estar apaixonado e de ter o coração partido. Além disso, a composição é inteligente, pois o cantor consegue se auto-referenciar durante as canções, por utilizar versos idênticos em diferentes contextos. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b>Little Miss Sunshine, Uh Oh, Human (Cocaine)</p>
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<figure id="attachment_30454" aria-describedby="caption-attachment-30454" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/INVU_Taeyeon.jpg" alt="Capa do álbum INVU de TAEYEON. Na imagem, TAEYEON, uma mulher sul-coreana de cabelos azulados e olhos escuros, aparece olhando para o canto esquerdo da imagem enquanto a câmera a captura a partir da cintura. Ela apoia a mão direita em uma mesa de vidro no canto esquerdo da imagem e posiciona a outra mão na altura de sua boca. TAEYEON usa um vestido de alça na cor azul acinzentado. Ao fundo, o cenário é a sala de uma casa monótona, essencialmente colorida entre o azul e o cinza, exceto pela maçã vermelha em uma redoma de vidro na mesa posicionada no canto esquerdo da imagem. No centro da arte de capa, o título do álbum “INVU” aparece em letras garrafais brancas. Já na parte inferior, o nome da artista “TAEYEON” aparece em letras brancas." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/INVU_Taeyeon.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/INVU_Taeyeon-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-30454" class="wp-caption-text">TAEYEON estende o seu reinado como uma das maiores solistas do K-pop com INVU (Foto: SM Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>TAEYEON &#8211; INVU &#8211; The 3rd Album</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sozinha, de cabelo descolorido e com o ego mais inflado do que nunca, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AbZH7XWDW_k"><span style="font-weight: 400;">TAEYEON</span></a><span style="font-weight: 400;"> transforma até os defeitos em qualidades com o disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/7i2YLTVQ0dyngRuUqtGmr9?si=sMufAZfiQ26gh0h03ZUkvw"><i><span style="font-weight: 400;">INVU</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e estende o seu reinado no </span><i><span style="font-weight: 400;">K-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entre sintetizadores, batidas eletrizantes e vocais esplêndidos, a integrante do grupo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qpf26PtBXgo"><span style="font-weight: 400;">Girls’ Generation</span></a><span style="font-weight: 400;"> abre alas para letras agressivas. Ao contrário da delicadeza de </span><a href="https://open.spotify.com/album/7MG0bxf0ZFsAyej9W3XzTO?si=Fk-WCQplTJmWzvTzgieu4Q"><i><span style="font-weight: 400;">My Voice</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ou da sinceridade sutil de </span><a href="https://open.spotify.com/album/5IlYFprRPoMZ0qeNh6ghcs?si=QoqBLt6bT8m7ZT7806zdBA"><i><span style="font-weight: 400;">Purpose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o seu terceiro álbum de estúdio vai direto ao ponto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Dias ruins estão se repetindo/Eu me sinto miserável, os </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RccDIpx4ZMM"><i><span style="font-weight: 400;">sentimentos</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> estão acabando/Girando como um anel solto</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Investida em entregar um trabalho </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RmuL-BPFi2Q"><span style="font-weight: 400;">coeso</span></a><span style="font-weight: 400;">, a veterana arremata algo difícil de se alcançar na atual indústria da Música, a união da sonoridade com uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EaIb4RzAvEI"><span style="font-weight: 400;">construção visual</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcante. Em 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">INVU</span></i><span style="font-weight: 400;"> demonstrou ser uma verdadeira era do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=a7NoogZ2eFo"><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, traçando caminhos semelhantes ao de </span><a href="https://open.spotify.com/album/5lKlFlReHOLShQKyRv6AL9?si=r7j6EllLQYuBGpZ5qgYR6A"><i><span style="font-weight: 400;">Future Nostalgia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Dua Lipa. Ainda que inserido no contexto sul-coreano em que as produções ocorrem de modo cada vez mais frenético, o disco parece envelhecer como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mBuyCHS58SE"><span style="font-weight: 400;">vinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> graças a iniciativa de TAEYEON em deixar as 13 faixas levarem o tempo necessário para causar a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=86EH0YLfzLg"><span style="font-weight: 400;">imersão plena</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ouvinte.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">INVU, Heart e No Love Again</span></p>
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<figure id="attachment_30395" aria-describedby="caption-attachment-30395" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IC3PEAK_Kiss_Of_Death.jpg" alt="Capa do disco KISS OF DEATH, da dupla IC3PEAK. A imagem mostra uma lápide em preto e branco com a foto dos integrantes simulando um beijo. A esquerda está Nick, um homem pálido com batom e sombra preta e, ao lado direito, com a mão em seu rosto, está Nastya, uma mulher branca de batom e sombra preta; e ambos vestem preto. Abaixo, está escrito “KISS OF DEATH” em letras cursivas, e no canto superior direito da lápide há a silhueta de uma cruz ortodoxa." width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IC3PEAK_Kiss_Of_Death.jpg 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/IC3PEAK_Kiss_Of_Death-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30395" class="wp-caption-text">O sétimo álbum de Nastya e Nick conduz perfeitamente o ouvinte a um sonho folclórico invadido lentamente por pesadelos obscuros (Foto: IC3PEAK)</figcaption></figure>
<p><b>IC3PEAK &#8211; Kiss Of Death</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">KISS OF DEATH</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o álbum de metal da vampiresca dupla IC3PEAK, formada pelos russos Nastya Kreslina e Nikolay Kostylev, que traz colaborações com vozes inusitadas, como </span><a href="https://www.stereogum.com/2184372/ic3peak-grimes-last-day/music/"><span style="font-weight: 400;">Grimes</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.nme.com/en_au/news/music/bring-me-the-horizons-oli-sykes-teams-up-with-experimental-electronic-group-ic3peak-3116797"><span style="font-weight: 400;">Oli Sykes</span></a><span style="font-weight: 400;">, de Bring Me The Horizon, e Kim Dracula. O </span><i><span style="font-weight: 400;">duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de ativistas, que sempre </span><a href="https://exame.com/casual/putin-declara-guerra-ao-rap-e-a-musica-jovem-na-russia/"><span style="font-weight: 400;">criticou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o governo de Vladimir Putin de forma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zTUhc9GRNl8"><span style="font-weight: 400;">ácida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e direta em seus </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MBG3Gdt5OGs"><span style="font-weight: 400;">visuais</span></a><span style="font-weight: 400;"> e canções, entrega novamente letras sombrias e ousadas com refrões cativantes,</span> <span style="font-weight: 400;">juntamente com sua estética ora urbana e militar, ora barroca e gótica. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de deslizar em sua consistência, </span><i><span style="font-weight: 400;">KISS OF DEATH</span></i><span style="font-weight: 400;"> é surpreendentemente mais diversificado e imprevisível que o notável trabalho anterior do grupo, o intenso </span><a href="https://www.comumonline.com/2020/05/%D0%B4%D0%BE-%D1%81%D0%B2%D0%B8%D0%B4%D0%B0%D0%BD%D0%B8%D1%8F-goodbye-ic3peak-consistentes-na-inconsistencia/"><i><span style="font-weight: 400;">До Свидания</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O destaque é, certamente, a melodia e os vocais de Nastya, que vão de um belo ser angelical, com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=63pFyCgrpuQ"><span style="font-weight: 400;">cantos folclóricos</span></a><span style="font-weight: 400;">, a uma criação infernal cheia de ódio, com gritos estridentes e sons guturais. As melodias calmas e acústicas são quebradas com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCljI3cIObU"><span style="font-weight: 400;">percussão pesada</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sintetizadores afiados, que soam como explosivos e abraçam uma produção sonora de </span><i><span style="font-weight: 400;">witch house</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">trap metal </span></i><span style="font-weight: 400;">industrial, familiar a Kostylev. </span><b>&#8211; Bruno Alvarenga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Kiss Of Death, Bad Night e I’m not evil, I’m sad</span></p>
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<figure id="attachment_30396" aria-describedby="caption-attachment-30396" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30396 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gloriagroove_ladyleste-800x800.png" alt="Na capa, existe um carro vermelho. Em sua placa está escrito &quot;GG 2022&quot;, referência ao nome da intérprete do álbum e ao ano de lançamento. Em cima do carro está Gloria Groove, drag queen brasileira, usando um boné vermelho, um cropped e um short conjunto listrado de vermelho e preto, luvas pretas da mão ao braço e um meião preto, com um sapato vermelho de salto nos pés. Ao fundo está um posto de gasolina com o nome Lady Leste no letreiro. É noite na composição, que é iluminada pelas luzes do posto e pelo farol do carro. Em seu rosto Gloria Groove utiliza uma maquiagem marcante nos olhos, com delineado, e um batom vermelho forte nos lábios." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gloriagroove_ladyleste-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gloriagroove_ladyleste-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gloriagroove_ladyleste-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/gloriagroove_ladyleste.png 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30396" class="wp-caption-text">Em seu novo projeto, Gloria Groove veio confirmar que não está de graça: ela sabe a força que tem e a usa em sua máxima potência (Foto: SB Music)</figcaption></figure>
<p><b>Gloria Groove &#8211; Lady Leste </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando surgiu em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Proceder</span></i><span style="font-weight: 400;">, com o despontar de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s4_xvNmgwsc"><i><span style="font-weight: 400;">Gloriosa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em um </span><i><span style="font-weight: 400;">rap </span></i><span style="font-weight: 400;">marcante, de batidas dançantes e um refrão que fica na memória, Gloria Groove se tornou uma promessa nas principais plataformas de música. Nos anos seguintes, após cada lançamento, a promessa foi se confirmando, se destacando e o público teve a oportunidade de acompanhar o nascimento de uma estrela. Em uma ode a vida, aos sonhos, aos medos e em um depoimento sincero, suas canções representam a realidade de milhares de brasileiros, que a reconheceram. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Lady Leste</span></i><span style="font-weight: 400;">, Gloria Groove se mostra ainda mais potente e versátil, exibindo, em sua voz e em seu corpo, toda a pluralidade que compõe as periferias (vide que Leste vem de Zona Leste) em suas diferentes camadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 13 grandes faixas, que vão do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, passeando por diferentes gêneros de maneira confiante, Gloria Groove se reafirmou, mais uma vez, como um grande nome da cena musical brasileira na atualidade. Em uma </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/gente,gloria-groove-lanca-novo-album-lady-leste-e-expressa-toda-versatilidade-da-cantora-confira,70003976261"><span style="font-weight: 400;">carta de amor às mulheres de sua vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> e com um gesto singelo e bonito de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3fswK5iQ5Vo"><i><span style="font-weight: 400;">“Saber para onde está indo, mas sem se esquecer de onde veio”</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o segundo álbum da</span><i><span style="font-weight: 400;"> drag queen</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora suas principais influências e referências na música. Com a assinatura de Pablo Bispo e Ruxell na produção, a obra, como um todo, soa coesa, mas ainda mantém a disponibilidade de que canções brilhem sozinhas, criando diversos </span><i><span style="font-weight: 400;">hits </span></i><span style="font-weight: 400;">que marcaram 2022. </span><b>&#8211; Aryadne </b><b>Xavier</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>LEILÃO, SFM E PISANDO FOFO</p>
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<figure id="attachment_30397" aria-describedby="caption-attachment-30397" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30397 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum Língua Brasileira. Arte digital quadrada. Ao redor da capa, vemos uma borda vermelha. Uma figura cor-de-rosa parecida com um quadrado ocupa quase toda a imagem. Dentro dessa figura, vemos pequenos quadrados coloridos. Esses quadrados guardam as letras do título Língua Brasileira. Cada letra traz em si uma mistura de tons de verde. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-1536x1536.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-2048x2048.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Lingua-Brasileira-1200x1200.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30397" class="wp-caption-text">Como qualificar a criatividade de Tom Zé? (Foto: Selo Sesc)</figcaption></figure>
<p><b>Tom Zé &#8211; Língua Brasileira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As obras de Tom Zé são certamente curiosas. O tempo passa e as nuances contidas na heterogênea discografia do </span><a href="https://www.amazon.com.br/Tom-Z%C3%A9-tropicalista-Pietro-Scaramuzzo/dp/658611120X"><span style="font-weight: 400;">último tropicalista</span></a><span style="font-weight: 400;"> ainda são descobertas com muito entusiasmo. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Língua Brasileira</span></i><span style="font-weight: 400;">, a realidade não poderia ser diferente: estamos diante de um disco que pode inquietar os fãs de música nacional por um bom tempo. Extremamente empenhado em suas criações, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/06/24/tom-ze-poe-a-lingua-brasileira-para-fora-da-narrativa-colonial-oficial-em-album-com-trilha-sonora-de-peca.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Tom Zé sabe bem o que faz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com curiosidade nata, o veterano brasileiro </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/tom-ze-lanca-album-lingua-brasileira-com-dez-cancoes-novas-e-uma-regravacao,edcf265a087ba93ce099a371009d02b6ny1rp9vx.html"><span style="font-weight: 400;">pesquisa a fundo</span></a><span style="font-weight: 400;"> elementos naturalizados do cotidiano para poder dar vida a álbuns que muito têm a ensinar.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em relação ao repertório de </span><i><span style="font-weight: 400;">Língua Brasileira</span></i><span style="font-weight: 400;">, dez canções inéditas e </span><a href="https://open.spotify.com/track/340df8vC4zXfiuuLpuSv11?si=a2a020f6e7c547f3"><span style="font-weight: 400;">a já conhecida música-título</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram reunidas graças a um espetáculo homônimo de teatro, dirigido por Felipe Hirsch. Com um nascimento poderoso, o mais recente disco do tropicalista foi certeiro desde que tocou </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-abril-de-2022/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Clarins da Coragem</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em alto e bom som. Do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/04/20/tom-ze-sopra-clarins-da-coragem-ao-perfilar-brasil-que-ate-hoje-nao-ha-em-album-com-trilha-de-teatro.ghtml"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> até aqui, muita coisa mudou &#8211; mas as inquietações provocadas pela criatividade de Tom Zé permanecem as mesmas. Contagiante como poucos, eis um veterano que merece nossa celebração. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b><span style="font-weight: 400;">    </span></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Hy-Brasil Terra Sem </span><span style="font-weight: 400;">Mal, A Língua Prova Que e Os Clarins da Coragem </span></p>
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<figure id="attachment_30398" aria-describedby="caption-attachment-30398" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30398 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BIBI-ENRICO-SOUTO-800x800.jpg" alt="Capa do disco Lowlife Princess: Noir, da cantora BIBI. Foto quadrada e quadrada. Nela, BIBI, uma mulher asiática, com cabelos escuros e compridos, está sentada em cima de diversos sacos de lixo que, juntos, formam a silhueta de um trono. Ela usa um vestido preto longo, com saltos pretos de formato circular. Em sua cabeça, pode-se ler os dizeres, que se apresentam no formato de uma coroa preta, “Lowlife Princess”. No canto inferior direito da imagem, também pode-se ler em preto “BIBI”. O fundo da fotografia é um papel de parede branco." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BIBI-ENRICO-SOUTO-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BIBI-ENRICO-SOUTO-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BIBI-ENRICO-SOUTO-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BIBI-ENRICO-SOUTO-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/BIBI-ENRICO-SOUTO.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30398" class="wp-caption-text">Seu primeiro projeto sob a gravadora 88rising – ‘a Disney do hip-hop asiático’ –, BIBI assina tanto na composição quanto na produção de Lowlife Princess: Noir (Foto: Feel Ghood Music/88rising)</figcaption></figure>
<p><b>BIBI (비비) &#8211; Lowlife Princess: Noir</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma mulher fina, que veste um longo vestido e saltos chiques, sentada sob um trono de sacos de lixo. É esse contraste absurdo que dita o tom colérico de </span><a href="https://open.spotify.com/album/0AwCgoJKJUOgLp1imhnxuH?si=M7Eo51D-QwuWrGZbV0nylQ"><i><span style="font-weight: 400;">Lowlife Princess: Noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, álbum de estreia de BIBI, uma das principais expoentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B </span></i><span style="font-weight: 400;">na Coreia. A cantora assimila-se às contradições da </span><a href="https://personaunesp.com.br/parasita-critica/"><span style="font-weight: 400;">sociedade sul-coreana</span></a><span style="font-weight: 400;">, não com uma pretensão política, mas para tecer uma série de contos urbanos que só adquirem o choque desejado pois emergem de uma mente que se apresenta no </span><a href="https://www.newsis.com/view/?id=NISX20221118_0002091664"><span style="font-weight: 400;">centro daquele cenário</span></a><span style="font-weight: 400;">. A sujeira, a desigualdade e a luxúria são incorporadas em uma estética inebriante e uma lírica indecorosa, para, então, ratificar a manifestação de humanidade nessas profanações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A voz leve e hipnotizante da artista contrapõe radicalmente a raiva pungente que traduz a essência da retaliação em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=58NBFWwulrk&amp;ab_channel=BIBI"><i><span style="font-weight: 400;">BIBI Vengeance</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou a conversão ao lúdico da objetificação da mulher e da obsessão fálica masculina em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w7fpXqQD7pU&amp;ab_channel=1theK%28%EC%9B%90%EB%8D%94%EC%BC%80%EC%9D%B4%29"><i><span style="font-weight: 400;">Animal Farm</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, apenas para que os mesmos homens vejam-se castrados logo depois. Ainda que intrinsecamente violento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lowlife Princess: Noir</span></i><span style="font-weight: 400;"> representa o trabalho mais </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> de BIBI até então, que, ao beber da inesgotável </span><a href="https://personaunesp.com.br/loona-midnight-critica/"><span style="font-weight: 400;">fonte do <em>k</em></span><i><span style="font-weight: 400;">-pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, se apossa de inspirações de todos os cantos – do </span><a href="https://personaunesp.com.br/kick-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> – para criar uma sonoridade própria e instituir-se como a única e indistinguível </span><i><span style="font-weight: 400;">rainha do submundo</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>BIBI Vengeance, MotoSpeed 24, Wet Nightmare</p>
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<figure id="attachment_30455" aria-describedby="caption-attachment-30455" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_-800x800.jpg" alt="Capa do álbum Magic Man de Jackson Wang. Na imagem, Jackson Wang, um homem chinês de cabelos loiros e olhos escuros, olha em movimento diretamente para a câmera, que o captura a partir do busto. Ele veste somente uma jaqueta de couro preta sobre os ombros. Wang está iluminado por uma luz vermelha intensa que combina com o fundo pintado na mesma cor e com o desfoque decorrente do seu movimento com a cabeça." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/81bIe-p1grL._AC_SL1500_.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30455" class="wp-caption-text">Jackson Wang desembarca no Brasil com a Magic Man World Tour em 2023 (Foto: Team Wang Records)</figcaption></figure>
<p><b>Jackson Wang &#8211; Magic Man</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vermelho é a cor que preenche a imaginação de quem escuta </span><a href="https://open.spotify.com/album/2VZ4og2ZbwyTQ3X1rbgCe1?si=2DARO9CPRHqKLTX5W78ijQ"><i><span style="font-weight: 400;">Magic Man</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o segundo álbum de estúdio de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qCZHarOQvc4"><span style="font-weight: 400;">Jackson Wang</span></a><span style="font-weight: 400;">, nunca antes tão intenso, forte, calorento e apaixonado. Repetindo a dose de liberdade criativa encontrada em </span><a href="https://open.spotify.com/album/38Haveja8WznqiccCDJKHz?si=5_waSWHzSb-qlt8vsJTeqw"><i><span style="font-weight: 400;">Mirrors</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o selo próprio e independente da gravadora </span><a href="https://open.spotify.com/album/309fPeKWAtVIlws7pupSQf?si=q1Kflnk1RD-X2m4JWoh8pg"><i><span style="font-weight: 400;">Team Wang Records</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> novamente coloca a cultura chinesa em destaque para o mundo. Dessa vez, o integrante do grupo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xQI9oZEY-B0"><span style="font-weight: 400;">GOT7</span></a><span style="font-weight: 400;"> arma um circo extremamente convidativo e, através de uma produção alucinante, constrói o seu próprio espetáculo decorado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cgQut1pjF9c"><i><span style="font-weight: 400;">performances</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> artísticas surreais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Wang deixa explícito o amadurecimento pessoal e profissional na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Rhy7_Y15FrI"><span style="font-weight: 400;">composição audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;"> do disco. Se, antes, ele batalhou para encontrar a si mesmo entre instrumentais pesados e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4xN-jUfJAyM"><span style="font-weight: 400;">versos carregados</span></a><span style="font-weight: 400;">, hoje, o artista transita sem medo desde o maior número de batidas por minuto até as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tct-9S4A56E"><span style="font-weight: 400;">passagens cadenciadas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que valorizam o timbre de voz grave: “</span><i><span style="font-weight: 400;">As paredes estão </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=WvIBitkrdL8"><i><span style="font-weight: 400;">desmoronando</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> de novo/Eu ouço você chamando meu nome</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Magic Man</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jackson Wang vocaliza emoções conflitantes, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZFq9VfZWzDk"><span style="font-weight: 400;">fantasmas do passado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, principalmente, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vQYolSu1reM"><span style="font-weight: 400;">felicidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de se realizar por completo.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Come Alive, Drive It Like You Stole It e Go Ghost</span></p>
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<figure id="attachment_30400" aria-describedby="caption-attachment-30400" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30400" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale-800x800.jpg" alt="A capa do álbum mostra, na frente, Kendrick Lamar em um quarto, de costas segurando seu filho no colo, o cantor usa uma coroa de espinhos na cabeça e uma arma na cintura. Atrás, sentada na cama bagunçada, está Whitney Alford, sua esposa, segurando o segundo filho do casal." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/mr-morale.jpg 1500w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30400" class="wp-caption-text">O décimo álbum de Kendrick Lamar foi premiado na categoria de Melhor Álbum de Rap no Grammy de 2023 (Foto: Interscope Records)</figcaption></figure>
<p><b>Kendrick Lamar &#8211; Mr. Morale &amp; The Big Steppers</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sucessor de um de seus álbuns mais aclamados, </span><a href="https://personaunesp.com.br/damn-kendrick-lamar/"><i><span style="font-weight: 400;">Damn</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> , Mr. Morale &amp; The Big Steppers</span></i><span style="font-weight: 400;"> é apresentado ao público como uma das produções mais pessoais de </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/kendrick-lamar-o-artista-que-transformou-o-rap-em-alta-literatura/"><span style="font-weight: 400;">Kendrick Lamar</span></a><span style="font-weight: 400;">. No disco duplo, o cantor é sincero sobre suas imperfeições e expõe seus traumas e dificuldades em melodias que tiram qualquer dúvida da humanidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> que, pelos fãs, é visto como um deus. Essa pode ter sido a intenção ao vestir uma coroa de espinhos na capa do disco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco conta com diversas colaborações &#8211; Summer Walker, Kodak Black e Ghostface Killah são alguns nomes que compõem a obra. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=K2Zqgj0P-Q8"><i><span style="font-weight: 400;">Mother I Sober</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que conta com a voz angelical de Beth Gibbons, fica claro que as parcerias não afetam a personalidade da faixa. Na citada, Kendrick revive abusos em seu relacionamento maternal e admite a repercussão que teve em sua vida, mostrando novamente a capacidade inigualável do artista de transformar suas questões particulares em arte. </span><b>&#8211; Amábile Zioli</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Purple Hearts, N95 e United In Grief</span></p>
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<figure id="attachment_30456" aria-describedby="caption-attachment-30456" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/motomami-1200x1200-1-800x800.jpg" alt="Capa do álbum MOTOMAMI. Nela, está centralizado o corpo inteiro da cantora ROSALÍA, uma mulher branca de cabelos longos e pretos, presos em um penteado maria-chiquinha. Ela usa um capacete de motoqueiro preto, enquanto cobre os seios com a mão esquerda e a virilha, com a mão direita. Em letras garrafais e grafitadas por cima da imagem, há o escrito “MOTOMAMI”." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/motomami-1200x1200-1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/motomami-1200x1200-1-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/motomami-1200x1200-1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/motomami-1200x1200-1-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/motomami-1200x1200-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30456" class="wp-caption-text">Arrematando cinco gramofones entre as divisões latina e estadunidense do Grammy, MOTOMAMI desafia as metas que ROSALÍA estipula na canção-título: “e eu já não quero competir, se não há comparação” (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>ROSALÍA &#8211; MOTOMAMI</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem nasceu remodelando os horizontes do flamenco e da música </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, se conformar com pouco nunca foi conveniente. Sendo esse fenômeno singular, que coloca o espanhol na boca e nos ouvidos do povo, ROSALÍA não criou </span><a href="https://open.spotify.com/album/6jbtHi5R0jMXoliU2OS0lo?si=2g7z2e4SR261wB4pip9gcg"><i><span style="font-weight: 400;">MOTOMAMI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apenas como um manifesto de suas crescentes intenções artísticas, mas convicta de que pode ser tudo, ao mesmo tempo e onde quiser, em completa contradição e constante metamorfose. Aqui, cantando e produzindo 24 faixas &#8211; contabilizando a </span><a href="https://open.spotify.com/album/3zbiiu3JTibw0esC7eoMXr?si=p3CqLDqtSwuNzyrUa3y0ZQ"><span style="font-weight: 400;">edição </span><i><span style="font-weight: 400;">deluxe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> do </span><i><span style="font-weight: 400;">LP </span></i><span style="font-weight: 400;">-, a catalã descasca os turbilhões que acompanharam sua ascensão à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=e-CEd6xrRQc"><span style="font-weight: 400;">fama</span></a><span style="font-weight: 400;">, confessa seu </span><a href="https://www.hitc.com/en-gb/2022/03/20/g3-n15-meaning/"><span style="font-weight: 400;">amor</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela família e performa autenticamente numerosas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YT1ohp1KKLo"><span style="font-weight: 400;">versões de si</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com toques de Michael Uzowuru e Pharrell Williams, o </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2022/03/31/rosalia-motomami-resenha/"><span style="font-weight: 400;">estilo experimental</span></a><span style="font-weight: 400;"> que eletriza o álbum marcou presença nos </span><i><span style="font-weight: 400;">shows</span></i><span style="font-weight: 400;"> da cantora e em </span><a href="https://www.papelpop.com/2022/03/como-motomami-o-novo-disco-de-rosalia-repercutiu-mundo-afora/"><i><span style="font-weight: 400;">tweets</span></i><span style="font-weight: 400;"> virais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da era, enfatizando sua construção não-linear e extremamente magnetizante. Da </span><i><span style="font-weight: 400;">bachata</span></i><span style="font-weight: 400;"> ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aG5C32aATKc"><i><span style="font-weight: 400;">dembow</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, passando por distorções eletrônicas, boleros e até um </span><a href="https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2022/03/26/como-um-cd-pirata-de-samba-enredo-foi-parar-no-ultimo-album-de-rosalia.htm"><span style="font-weight: 400;">samba brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, a curadoria sonora é o coração de </span><i><span style="font-weight: 400;">MOTOMAMI</span></i><span style="font-weight: 400;">, nome que simboliza a agressividade e vulnerabilidade que, unidas, edificam ROSALÍA. Brincando entre pianos intimistas, evocações sensuais e sons de sintetizadores estratosféricos, em prol de um mosaico de experiências, ela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6o7bCAZSxsg"><i><span style="font-weight: 400;">se transforma</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sob todas as cores, como a borboleta musical unânime de 2022. &#8211; </span><b>Vitória Vulcano</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">CANDY, BULERÍAS e COMO UN G.</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30402" aria-describedby="caption-attachment-30402" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30402" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Midnights-800x800-1.webp" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Midnights-800x800-1.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Midnights-800x800-1-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Midnights-800x800-1-768x768.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30402" class="wp-caption-text">Taylor quebra a distância com o público ao revelar suas mais profundas reflexões em Midnights (Foto: Universal Music)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Swift &#8211; Midnights</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Taylor nos mostra, mais uma vez, que sua invejável habilidade de dar brilho ao ordinário nunca irá sair do topo. Após agraciar com a genialidade da dupla </span><a href="https://personaunesp.com.br/folklore-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">folklore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e</span> <a href="https://personaunesp.com.br/evermore-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">evermore</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> , </span><i><span style="font-weight: 400;">Midnights</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como aquele abraço depois de um longo dia. O aconchego que encontramos no décimo álbum da cantora é quase que palpável. Em 20 faixas que exploram as falhas e interrogações que muitos de nós gostaríamos de esconder, contamos também com alguns velhos assuntos vistos por outra perspectiva &#8211; traição, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rg18Kf4en2o"><span style="font-weight: 400;">justiça</span></a><span style="font-weight: 400;">, amor, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Uoey4W_3bos"><span style="font-weight: 400;">vingança</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b1kbLwvqugk"><span style="font-weight: 400;">inseguranças</span></a><span style="font-weight: 400;"> adaptados para todo o conceito reflexivo da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Poderíamos estar surpresos por </span><i><span style="font-weight: 400;">Midnights</span></i> <a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/taylor-swift-faz-historia-com-lancamento-do-album-midnights"><span style="font-weight: 400;">quebrar recordes</span></a><span style="font-weight: 400;">, virar assunto em todas as redes sociais e ter melodias que não saem da nossa cabeça, mas Taylor Swift consolidou-se de maneira tão memorável na indústria que seus altos padrões tornaram-se triviais. A cantora consegue, mesmo partindo de níveis elevados, surpreender a todos com a profundidade e reinvenção que alcança. A verdade é que foi um prazer acompanhar Swift em suas madrugadas melancólicas e perceber que, no fundo, não há muito que a distancie de todos nós. &#8211; </span><b>Clara Sganzerla</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b> <i><span style="font-weight: 400;">Karma</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lavander Haze</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">You’re On Your Own, Kid</span></i></p>
<hr />
<figure id="attachment_30435" aria-describedby="caption-attachment-30435" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/timbernardescapa-800x800.webp" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/timbernardescapa-800x800.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/timbernardescapa-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/timbernardescapa-768x768.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/timbernardescapa.webp 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30435" class="wp-caption-text">Em Mil Coisas Invisíveis, Tim Bernardes reflete sobre a vida e a arte (Foto: Coala Records)</figcaption></figure>
<p><b>Tim Bernardes &#8211; Mil Coisas Invisíveis</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tim Bernardes aspira à grandeza. Com simplicidade, domínio musical e simplesmente talento, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zHpG91DMads"><i><span style="font-weight: 400;">Mil Coisas Invisíveis</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é um reflexo do que o cantor mostrou anos antes, na sua estreia com O Terno e com seu primeiro trabalho individual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Recomeçar </span></i><span style="font-weight: 400;">(2017). Nesse projeto, a melancolia e o existencialismo são elementos fundamentais na composição, que olha para o passado em uma jornada filosófica – descrita em </span><i><span style="font-weight: 400;">Fases </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Meus 26. </span></i><span style="font-weight: 400;">Contudo, não se engane: </span><i><span style="font-weight: 400;">Mil Coisas Invisíveis </span></i><span style="font-weight: 400;">é o melhor trabalho solo feito pelo artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 31 anos, a visão musical de </span><a href="https://tracklist.com.br/entrevista-tim-bernardes/138866"><span style="font-weight: 400;">Tim Bernardes</span></a><span style="font-weight: 400;"> é extremamente sólida. O virtuosismo técnico – na execução das músicas no violão e guitarra – dão base para as suas preocupações atemporais e proféticas, entregues logo na faixa de abertura, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nascer, Viver, Morrer</span></i><span style="font-weight: 400;">. Com uma aparente influência em Nick Drake, Beatles e Beach Boys, Bernardes conseguiu capturar em </span><i><span style="font-weight: 400;">Mil Coisas Invisíveis </span></i><span style="font-weight: 400;">uma tolice quase juvenil da vida, enxergando magia nela. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Fases; Nascer, Viver, Morrer;</span> <span style="font-weight: 400;">Meus 26</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30403" aria-describedby="caption-attachment-30403" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30403" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed.png" alt="" width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-30403" class="wp-caption-text">DPR IAN é mais sincero e caótico do que nunca em Moodswings in To Order (Foto: Dream Perfect Regime)</figcaption></figure>
<p><b>DPR IAN &#8211; Moodswings in To Order</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Christian Yu, conhecido artisticamente como DPR IAN, iniciou sua carreira musical no grupo de </span><i><span style="font-weight: 400;">K-Pop </span></i><span style="font-weight: 400;">C-Clown em 2012, até o fim do grupo em 2015 Em seguida, o artista assumiu o papel de produtor e diretor criativo de sua própria empresa e gravadora, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dream Perfect Regime</span></i><span style="font-weight: 400;">, a qual fundou ao lado de seus colegas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Z5-ASY-JOj0"><span style="font-weight: 400;">DPR LIVE</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5atLlEdvjV0"><span style="font-weight: 400;">CREAM</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.instagram.com/dprrem/"><span style="font-weight: 400;">REM</span></a><span style="font-weight: 400;">. Já tendo provado em seus trabalhos visuais a extensão de sua criatividade e a singularidade de sua visão artística, ele não deixou de impressionar quando deu partida em sua carreira solo, iniciando uma jornada espetacular repleta de produções marcantes, que tomaria proporções ainda maiores em 2022 com sua segunda obra de estúdio, </span><a href="https://open.spotify.com/album/7vp2iMEQzhNX4sEIUbHpiJ?si=LdN4dRYLStuMuWyBsanETA"><i><span style="font-weight: 400;">Moodswings in To Order</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">MIITO</span></i><span style="font-weight: 400;">, como o álbum é apelidado pelos fãs e pelo próprio artista, conta o passado de </span><a href="https://www.nme.com/features/music-features/dpr-ian-moodswings-in-to-order-album-mito-interview-3279240"><span style="font-weight: 400;">Mito</span></a><span style="font-weight: 400;">, personagem construído por IAN, baseado em seus episódios maníacos de bipolaridade, tema constante em suas composições. O cantor eleva o nível da obra ao combinar 4 faixas e transformá-las em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k9EtzlAozOQ"><span style="font-weight: 400;">curta</span></a><span style="font-weight: 400;">. No processo, é utilizado todas as ferramentas a seu alcance para contar a história do personagem, da melhor forma possível, transmitindo para o espectador a paixão e genuinidade do trabalho. Christian Yu deixa o ouvinte de </span><i><span style="font-weight: 400;">Moodswings in To Order</span></i><span style="font-weight: 400;"> comovido após encarar um álbum de forte vulnerabilidade, além de despertar curiosidade e antecipação pelos próximos passos de Mito. </span><b>– Ana Eloisa Leite</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Ballroom Extravaganza, Calico e Merry Go</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30404" aria-describedby="caption-attachment-30404" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30404" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/STROMAE-ENRICO-SOUTO-800x800.jpg" alt="Capa do disco Multitude, do cantor Stromae. Imagem quadrada e colorida. Nela, vemos cinco clones de Stromae reunidos em círculo enquanto olham para cima. Ele é um homem negro, de olhos claros e cabelos lisos penteados em formato de disco, que veste um terno xadrez da cor azul. O fundo da imagem é azul-claro." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/STROMAE-ENRICO-SOUTO-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/STROMAE-ENRICO-SOUTO-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/STROMAE-ENRICO-SOUTO-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/STROMAE-ENRICO-SOUTO.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30404" class="wp-caption-text">Meses depois do lançamento oficial, um remix da faixa Mon amour com Camila Cabello foi adicionado à tracklist de Multitude (Foto: Mosaert Label)</figcaption></figure>
<p><b>Stromae &#8211; Multitude</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depressão, envelhecimento, masculinidade, colonialismo e violência de gênero são alguns dos temas que perpassam a discografia de Stromae, que podem passar despercebidos por ouvidos que não compreendem o francês de suas batidas eletrônicas, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VHoT4N43jK8&amp;ab_channel=StromaeVEVO"><span style="font-weight: 400;">dançantes e contagiantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em seu novo projeto de estúdio, depois de nove anos de hiato, o cantor não apenas expande esses tópicos para uma infinidade de perspectivas, como também supera o típico </span><i><span style="font-weight: 400;">EDM </span></i><span style="font-weight: 400;">europeu de seus álbuns anteriores para resgatar suas raízes como imigrante e moldar uma </span><a href="https://open.spotify.com/album/6EwTLRHMROD853Kv1lAMex?si=rkaCiQqnS_Sd5XQ6G9gVVg"><i><span style="font-weight: 400;">Multitude</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de sons. </span><i><span style="font-weight: 400;">Folk</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/versions-of-me-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> carioca</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">afropop</span></i><span style="font-weight: 400;"> são algumas das inspirações que o cantor cita como formativas ao disco – sempre unidas a outros elementos inusitados, como corais búlgaros ou flautas chinesas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O contido e o explosivo se convergem nas letras de </span><i><span style="font-weight: 400;">Multitude</span></i><span style="font-weight: 400;">, que unem com elegância humor e melodrama enquanto uma coleção de personagens antagônicos disputam território entre versos e faixas. Seja em um eu-lírico que enxerga no inferno uma alternativa mais plausível que a vida em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DO8NSL5Wyeg&amp;ab_channel=StromaeVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">L’enfer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou na tentativa de um homem que trai sua esposa de relativizar sua infidelidade em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1LfgyPn8Byk&amp;ab_channel=Stromae"><i><span style="font-weight: 400;">Mon amour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Stromae coloca-se como agente de todas essas retóricas – não importa o quão contraditórias forem –, ao mesmo tempo que busca sua própria subjetividade no olho do furacão. Uma experiência desafiadora, mas que, em contrapartida, descobre nesta incitação o propósito de um artista singular por natureza. </span><b>&#8211;</b> <b>Enrico Souto</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>La solassitude, L&#8217;enfer, Pas vraiment</p>
<hr />
<figure id="attachment_30405" aria-describedby="caption-attachment-30405" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Snapinsta.app_1080_293318621_1039501586703803_4546948701514540181_n-e1678472409392-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Snapinsta.app_1080_293318621_1039501586703803_4546948701514540181_n-e1678472409392-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Snapinsta.app_1080_293318621_1039501586703803_4546948701514540181_n-e1678472409392-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Snapinsta.app_1080_293318621_1039501586703803_4546948701514540181_n-e1678472409392-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Snapinsta.app_1080_293318621_1039501586703803_4546948701514540181_n-e1678472409392-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Snapinsta.app_1080_293318621_1039501586703803_4546948701514540181_n-e1678472409392.jpg 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30405" class="wp-caption-text">lalalaura traz o poprock e o indierock da Geração Z (Foto: Papaya Music)</figcaption></figure>
<p><b>lalalaura &#8211; n sei usar excel</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> de lalalaura, </span><a href="https://open.spotify.com/album/5uxJG9jWXfk8LVHS39aGrE?si=koN8PwUeQvWjqmMZeLttrw"><i><span style="font-weight: 400;">n sei usar excel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, chegou aos ouvidos do público em Julho de 2022. Durante cinco faixas, a cantora reflete sobre os dramas presentes na vida de uma jovem adulta, como amor, inseguranças e relacionamentos. Com muitas referências espalhadas pelas músicas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Wonderwall</span></i><span style="font-weight: 400;"> do Oasis e muitas menções a John Mayer, o </span><i><span style="font-weight: 400;">extended play</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um </span><i><span style="font-weight: 400;">mix</span></i><span style="font-weight: 400;"> de emoções, indo das mais gostosas e positivas, até as mais tristes e negativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A artista se expressa de uma forma em que outras pessoas conseguem se identificar com as canções. Em uma combinação de </span><i><span style="font-weight: 400;">indie rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> com </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, lalalaura se mostra como alguém que está tentando entender a vida, o cotidiano e as mudanças causadas pelo crescer. A musicalidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">EP</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui guitarras, toques sonoros de </span><i><span style="font-weight: 400;">WhatsApp</span></i><span style="font-weight: 400;">, risadas e vocais melódicos, além de trazer letras bem-humoradas. Produzido pela </span><a href="https://open.spotify.com/playlist/3aaKDaxjUuR7qr7516bFlk?si=a64da522f9d54d2e"><i><span style="font-weight: 400;">Papaya Music</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, selo musical de Pe Lu, do Restart, em colaboração com Renato Frei, do Bloco do Caos, e com Fred Vieira, de SUBB, </span><i><span style="font-weight: 400;">n sei usar excel</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um mergulho no mundo jovem, formado pela Geração Z. </span><b>&#8211; Laura Hirata-Vale</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b>alice (só que sem as maravilhas), vc n é o john mayer (rlx), voltas (áudio de whatsapp)</p>
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<figure id="attachment_30406" aria-describedby="caption-attachment-30406" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/New-Jeans-New-Jeans.webp" alt="" width="770" height="770" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/New-Jeans-New-Jeans.webp 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/New-Jeans-New-Jeans-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/New-Jeans-New-Jeans-768x768.webp 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30406" class="wp-caption-text">New Jeans alcançou mais de 400 mil cópias vendidas em sua pré venda, sendo a maior marca de uma girl group sul coreana (Foto: ADOR)</figcaption></figure>
<p><b>New Jeans &#8211; New Jeans</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vestindo a musicalidade dos anos 90, o novo grupo feminino da </span><em><span style="font-weight: 400;">ADOR</span></em><span style="font-weight: 400;">, empresa subsidiária pela </span><em><span style="font-weight: 400;">HYBE</span></em><span style="font-weight: 400;">, chegou para alterar o mercado sul-coreano, impactando todo o cenário musical com o seu <em>EP</em> homônimo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=k8fSPMXWAR4"><i><span style="font-weight: 400;">New Jeans</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Minji, Haerin, Hyein, Hanni e Danielle, presentearam os fãs com o lançamento surpresa de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=js1CtxSY38I"><i><span style="font-weight: 400;">Attention</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> no dia 22 julho,</span> <span style="font-weight: 400;">uma canção acompanhada de melodia, dança e identidade visual original e impactante, na qual o </span><i><span style="font-weight: 400;">k-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> estava necessitando. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um respiro em meio a leva do mais do mesmo que a indústria sul-coreana tem sofrido desde 2020, </span><i><span style="font-weight: 400;">New Jeans</span></i><span style="font-weight: 400;"> simboliza o começo de uma nova tendência. Além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Attention</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><em><a href="https://open.spotify.com/artist/6HvZYsbFfjnjFrWF950C9d"><span style="font-weight: 400;">EP</span></a></em><span style="font-weight: 400;"> também integra os hits </span><i><span style="font-weight: 400;">Hype Boy</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Hurt </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Cookie</span></i><span style="font-weight: 400;">, fora os </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=pSUydWEqKwE"><i><span style="font-weight: 400;">Ditto</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_ZAgIHmHLdc"><i><span style="font-weight: 400;">OMG</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Em menos de um ano de estreia, </span><i><span style="font-weight: 400;">New Jeans</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixou sua marca no </span><i><span style="font-weight: 400;">k-pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> sendo uma das maiores referências de 2022, ganhando o prêmio de canção do ano por </span><i><span style="font-weight: 400;">Attention</span></i><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Golden Disk Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a estatueta de Artista Revelação no </span><i><span style="font-weight: 400;">Seoul Music Awards.</span></i><b> &#8211; Ludmila Henrique </b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Hype Boy, Attention, Hurt</p>
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<figure id="attachment_30407" aria-describedby="caption-attachment-30407" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-1.png" alt="" width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-1.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-1-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-30407" class="wp-caption-text">‘‘ Eu não sei explicar o que rola no meu coração sem ser cantando, ser sem pela música.’’ (Foto: Ana Frango Elétrico)</figcaption></figure>
<p><b>Bruno Berle &#8211; No Reino dos Afetos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">‘‘(&#8230;)</span><i><span style="font-weight: 400;"> é preciso ter amor / Ter amor e ser amor</span></i><span style="font-weight: 400;">’’. O imperativo de delicadeza e simplicidade das composições de Bruno Berle constrói, para sua carreira solo, um trabalho de estréia único, onde suas imperfeições — ruídos e dissonâncias — são a marca maior de sua sensibilidade. Tropical, noturno, vasto e quente, </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/07/02/bruno-berle-entra-no-reino-dos-afetos-em-album-de-som-lo-fi-feito-com-a-colaboracao-de-batata-boy.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">No Reino dos Afetos</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">mostra-se também como um novo mergulho sonoro de um artista que, em suas palavras, quer se afastar do violão para aproximar-se ao eletrônico e, nesse desprendimento, dedicar-se ao máximo à sua própria expressão. Mesmo que as cordas do instrumento sejam ainda uma personagem na faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Até Meu Violão,</span></i><span style="font-weight: 400;"> Berle, um jovem alagoano no olho do </span><a href="https://monkeybuzz.com.br/materias/bruno-berle-no-caminho-e-com-pressa/"><span style="font-weight: 400;">furacão emocional</span></a><span style="font-weight: 400;"> da metrópole paulistana, procura os </span><i><span style="font-weight: 400;">beats </span></i><span style="font-weight: 400;">lo-fi, com o</span><a href="https://monkeybuzz.com.br/resenhas/albuns/bruno-berle-no-reino-dos-afetos/"><span style="font-weight: 400;"> encontro inesperado</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ritmo de bossa nova e da vivacidade do </span><i><span style="font-weight: 400;">high life — </span></i><span style="font-weight: 400;">gênero musical oriundo de Gana e da Nigéria —</span><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">para traduzir seus sentimentos, sempre a flor da pele. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O gesto íntimo das canções são, para além de uma marca da produção independente do cantor, que atreveu-se nas mais </span><a href="https://www.popload.com.br/top-50-da-cena-bruno-berle-chega-ao-topo-com-seu-violao-rohma-mostra-a-kobra-em-segundo-indio-da-cuica-traz-a-malandragem-para-o-podio"><span style="font-weight: 400;">variadas ferramentas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a arquitetura do seu sentir — do atabaque ao piano! —, está também em sua poesia, permeada por imagens de afeto. O amor, o diálogo como uma torrente, o assimilar e a perda da individualidade de duas pessoas, presas em seu próprio mundo; estas são construções que estão presentes em canções como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D9P_VpYueOE"><i><span style="font-weight: 400;">Quero Dizer</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">a lufada máxima dessa liricidade única, quase parente das canções mais melancólicas de Frank Ocean, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><i><span style="font-weight: 400;">Só Nós Dois, </span></i><span style="font-weight: 400;">devota ao ato de se estar junto,</span> <span style="font-weight: 400;">carrega a luminosidade de um violão tropical e dos sons de uma cidade para estender essa raridade da paixão à vida cotidiana. O que Bruno Berle atinge, em </span><i><span style="font-weight: 400;">No Reino dos Afetos, </span></i><span style="font-weight: 400;">não são sentimentos bem definidos com palavras certeiras, mas sim, algo de maior beleza: uma gagueira que entende que certas coisas não podem ser ditas e que, às vezes, o balbucio e a vontade de querer dizer, já basta. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Até Meu Violão, Quero Dizer, Só Nós Dois</span></p>
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<figure id="attachment_30408" aria-describedby="caption-attachment-30408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph-800x800.png" alt="Capa do álbum Nymph, da artista Shygirl. A imagem está desfocada e mostra, do lado direito, Shygirl, uma mulher asiática de cabelos longos e escuros, e que usa pequenas pedras brilhantes no cabelo e um casaco azul claro e grande. Ela está de lado e olha para a câmera, segurando a gola do casaco na altura de sua boca, de forma que cobre o seu queixo. Ao fundo, há uma paisagem de floresta em preto no canto inferior, e um céu azul escuro." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph-1200x1200.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Shygirl_Nymph.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30408" class="wp-caption-text">Em seu debut, Shygirl ressignifica feminilidade e sexualidade através de sua perspectiva íntima (Foto: Because Music)</figcaption></figure>
<p><b>Shygirl &#8211; Nymph</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tão aguardado e aclamado álbum de estreia de Shygirl, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nymph</span></i><span style="font-weight: 400;">, foi desenvolvido com um grupo familiar de amigos e colaboradores, incluindo Mura Masa, Sega Bodega e Arca, junto com produtores como Danny L Harle e BloodPop. Recentemente, Shygirl anunciou edição </span><i><span style="font-weight: 400;">deluxe</span></i><span style="font-weight: 400;"> do álbum, </span><a href="https://tecoapple.com/2023/02/28/shygirl-nymph_o/?utm_source=rss&amp;utm_medium=rss&amp;utm_campaign=shygirl-nymph_o"><i><span style="font-weight: 400;">Nymph_o</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que contém </span><i><span style="font-weight: 400;">remixes </span></i><span style="font-weight: 400;">das faixas originais feitas por um grupo de artistas multifacetados como </span><a href="https://www.anothermag.com/design-living/14696/shygirl-in-conversation-with-bjork-ovule-another-magazine-spring-summer-2023"><span style="font-weight: 400;">Björk</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://youtu.be/ZY3og9H-tWU"><span style="font-weight: 400;">Tinashe</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Sevdaliza.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nymph</span></i><span style="font-weight: 400;"> mostra a jornada e a autorreflexão interior de Shygirl, que simultaneamente afirma seu </span><a href="https://www.thecut.com/2023/02/shygirl-is-anything-but-shy.html"><span style="font-weight: 400;">poder e liberdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto anseia por amor, e nos traz uma jornada de fantasias e </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/shygirl-revela-inspiracao-por-tras-de-novo-disco-ressignificar-feminilidade-e-sexualidade-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">desejos sexuais</span></a><span style="font-weight: 400;">, frustrações românticas, e intimidade de uma mulher que é procurada e negligenciada ao mesmo tempo: </span><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Gostosa demais para lidar&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">. As melodias suaves e etéreas da artista se entrelaçam e fluem perfeitamente com os sons de </span><i><span style="font-weight: 400;">hip hop</span></i><span style="font-weight: 400;">, melodias de dança descontruídas, batidas eletrônicas obscuras, juntamente com aspectos do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">clássico </span><a href="https://factual900.com.br/y2k-a-volta-dos-nostalgicos-anos-2000/"><span style="font-weight: 400;">Y2K</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211;  Bruno Alvarenga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Shlut, Coochie (a bedtime story) e Poison</span></p>
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<figure id="attachment_30409" aria-describedby="caption-attachment-30409" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-Capa-Numanice-2-1-800x800.png" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-Capa-Numanice-2-1-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-Capa-Numanice-2-1-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-Capa-Numanice-2-1-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-Capa-Numanice-2-1.png 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30409" class="wp-caption-text">Com o dobro de faixas de seu antecessor, Ludmilla repete seu affair com o pagode em Numanice #2 (Foto: Warner Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmilla </b><b>–</b><b> Numanice #2</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ninguém poderia prever que Ludmilla, vindo do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, faria não apenas um, mas dois álbuns de pagode. </span><i><span style="font-weight: 400;">Numanice #2</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um compilado de 10 músicas que trouxe este gênero musical para o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> com influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, mostrando a artisticidade e versatilidade da cantora. No entanto, este projeto brilha mesmo em sua </span><a href="https://open.spotify.com/album/1sikBy4Cu6l99M6Sd6mDdu?si=frUTVrocQG6pqqolB6r-oQ"><span style="font-weight: 400;">versão ao vivo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Disponível nas plataformas com 17 faixas e com participações especiais de outros artistas, além de Brunna Gonçalves, esposa da compositora, no </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i> <a href="https://open.spotify.com/track/3qS3bQgpoJp3lLaa900gsu?si=f6ac56dff6f3405a"><i><span style="font-weight: 400;">Maldivas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ao dizer o desejo de muitos e muitas fãs: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Me bate, Ludmilla!</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pilares deste disco, que o torna tão memorável, é a sua autenticidade. Cantores tentam entrar em novos gêneros como uma alternativa de aumentar seu sucesso comercial, o que acaba resultando em trabalhos superficiais. Aqui, não é o caso. Ludmilla cresceu nas ruas do Rio de Janeiro e aos oito anos já </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2020/04/24/ludmilla-entra-com-naturalidade-no-pagode-em-ep-que-transita-entre-a-festa-e-a-sofrencia.ghtml#:~:text=que%2C%20ainda%20crian%C3%A7a%2C%20j%C3%A1%20soltava%20a%20voz%20nas%20rodas%20de%20samba%20armadas%20pela%20fam%C3%ADlia."><span style="font-weight: 400;">cantava para a família</span></a><span style="font-weight: 400;"> inteira ouvir os pagodes do momento. Essa naturalidade, somada a qualidade de suas canetadas, foi o que levou à criação com maestria desta obra, que merecidamente levou o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/grammy-latino/"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> 2022 de Melhor Álbum de Samba/Pagode. </span><b>– Arthur Caires</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Meu Homem é Seu Homem, Fora de Si e 212</span></p>
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<figure id="attachment_30410" aria-describedby="caption-attachment-30410" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/alaidecosta_oquemeuscalosdizemsobremim.png" alt="A capa é uma foto em preto e branco da cantora Alaíde Costa, uma mulher negra de 86 anos e cabelos crespos de cor escura. Seus olhos estão fechados, ela tem poucos pelos na sobrancelha e uma expressão ainda serena no rosto. Em sua orelha está um brinco delicado e ela veste uma blusa branca." width="700" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/alaidecosta_oquemeuscalosdizemsobremim.png 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/alaidecosta_oquemeuscalosdizemsobremim-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30410" class="wp-caption-text">Aos 86, Alaíde toca um trabalho só seu, feito para que ela possa realizar o que sempre foi capaz de fazer: grandes canções em sua voz única (Foto: Samba Rock)</figcaption></figure>
<p><b>Alaíde Costa &#8211; O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao completar 86 anos, uma das vozes mais marcantes que surgiu com o movimento da bossa nova é apresentada a uma geração com um dos álbuns mais elegantes do ano, digno de sua interpretação. Contando com a produção de Emicida e Marcus Preto, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Que Meus Calos Dizem Sobre Mim</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma história, um relato. Com letras escritas por nomes mais do que reconhecidos da música brasileira, cantando palavra por palavra em um ritmo espaçado e adornada por arranjos caprichados, misturando passado e presente. O novo projeto da compositora e cantora carioca é dotado de ritmo próprio, guardando em orquestrações sublimes que guiam o ouvinte a conhecer a história de vida de <a href="https://vogue.globo.com/Vogue-Gente/noticia/2022/03/alaide-costa-entrevista.html">Alaíde Costa</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em sua beleza melancólica, a cantora ressignifica seus quase 70 anos de trabalho para a música brasileira, que por vezes estiveram à margem do público e não tiveram o reconhecimento merecido. Ao regravar</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Aos Meus Pés”</span></i><span style="font-weight: 400;">, composição de João Bosco e Francisco Bosco, Alaíde dita um novo tom, apropriando a canção em sua trajetória </span><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O meu caminho eu mesma fiz / não foi ninguém que me apontou / eu me virei sozinha / comi o pão todinho / que o Diabo amassou</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A produção é de uma <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/05/29/interna_cultura,1369528/novo-disco-poe-alaide-costa-no-topo-da-mpb-lugar-que-sempre-foi-dela.shtml">grandeza e delicadeza</a> que reverenciam a cantora, demonstrando um resgate a uma referência da cultura negra de maneira respeitosa e admirável </span><b>&#8211; Aryadne Xavier</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Turmalina Negra, Tristonho e Aos Meus Pés</p>
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<figure id="attachment_30412" aria-describedby="caption-attachment-30412" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30412" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Beach-House-Once-Twice-Melody.png" alt="capa do álbum Once Twice Melody, Capa em branco com uma borda dourada e o título dourado e estilizado" width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Beach-House-Once-Twice-Melody.png 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Beach-House-Once-Twice-Melody-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30412" class="wp-caption-text">Victoria Legrand e Alex Scally lançam o oitavo álbum (Foto: Mistletone Records)</figcaption></figure>
<p><b>Beach House &#8211; Once Twice Melody</b></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/album/79NySyjxJ8xric31mXKMAo"><i><span style="font-weight: 400;">Once Twice Melody</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">  </span></i><span style="font-weight: 400;">é o oitavo álbum da banda americana de </span><i><span style="font-weight: 400;">dream-pop</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">Beach House. Com o mesmo vigor e psicodelia do seu álbum anterior, </span><a href="https://open.spotify.com/album/1zN85Ep8w2JORfCe0RHLDP"><i><span style="font-weight: 400;">7</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">, a vocalista Victoria Legrand mostra seu fôlego neste disco duplo, com 18 músicas e 1 hora e 24 minutos. Com músicas completamente alucinantes, que conseguem fazer qualquer um se sentir levemente embriagado no banco de carona enquanto vê as luzes de uma cidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Once Twice Melody</span></i><span style="font-weight: 400;"> demonstra uma aproximação do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Beach House tem cada vez mais assumido o papel de farol do </span><i><span style="font-weight: 400;">dream-pop </span></i><span style="font-weight: 400;">nas últimas duas décadas em que está em atividade. Entre os grandes trunfos do </span><i><span style="font-weight: 400;">duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> está a ótima química entre Legrand e o instrumentista e compositor Alex Scally, e o disco é a maior prova disso. Sucesso entre a </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/beach-house-once-twice-melody/"><span style="font-weight: 400;">crítica</span></a><span style="font-weight: 400;">  especializada da música </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, a dupla de Baltimore alcança um público nichado porém espalhado pelo planeta, já que em 2022 eles estiveram em várias edições do </span><a href="https://personaunesp.com.br/primavera-sound-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Primavera Sound</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, incluindo o de São Paulo. </span><b>&#8211; Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Once Twice Melody, Pink Funeral e Masquerade</span></p>
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<figure id="attachment_30413" aria-describedby="caption-attachment-30413" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30413" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-800x800.png" alt="Na capa de seu álbum, Beyoncé, uma mulher negra, aparece vestindo uma roupa prata brilhante, que mostra grande parte de seu corpo. Ela usa uma sombra roxa e batom rosa, e seus cabelos, castanho com luzes loiras, de comprimento longo, estão soltos. Ela está sentada sobre um cavalo prata brilhante." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance-1200x1200.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/beyonce_renaissance.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30413" class="wp-caption-text">Em seu sétimo álbum, Beyoncé comprova sua versatilidade e relevância na cena pop (Foto: Parkwood Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Beyoncé &#8211; RENAISSANCE</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado como primeiro ato em uma trilogia, o tão aguardado novo projeto após o aclamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=z-lIWqLKHec"><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2016) chegou flertando com os fãs, a crítica e tendo uma das recepções mais calorosas possíveis. Com seu novo lançamento, Beyoncé se consagrou como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/11/15/grammy-2023-anuncia-indicados-com-anitta-revelacao-e-beyonce-recordista-veja-lista.ghtml"><span style="font-weight: 400;">a artista com mais indicações</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> na história. Ao chegar nos 40 anos, tendo passado três décadas dentro da indústria da música, a cantora já havia feito praticamente de tudo: abrangeu diferentes gêneros musicais, falou sobre diferentes pautas e levou suas canções a bilhões de ouvintes. Em seu novo trabalho, ela proporciona um renascimento, se entregando a uma jornada para criar coisas distintas do que já havia feito e comprovando, mais uma vez, sua habilidade de levar até o mais simples a perfeição. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">REINASSANCE</span></i><span style="font-weight: 400;">, a cantora escreve sobre quem ela é, reafirma sua identidade e representa, com orgulho, suas influências. Indo da <em>dance music</em> ao <em>r&amp;b</em>, utilizando diversos </span><a href="https://www.complex.com/music/beyonce-renaissance-album-samples"><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de cantores que a precederam e criando, com a participação de muitas mãos (aqui vale um enfoque ao time de co-compositores e produtores que tornaram palpável o trabalho), experiências sonoras ligadas por uma maestral sequência, que leva o ouvinte, entre uma música e outra, ditando um ritmo marcante em sua hora de duração. Em seu novo projeto, Beyoncé comprova como é possível criar música <em>pop</em> com densidade que chega convidativa aos ouvidos de quem decide dar </span><i><span style="font-weight: 400;">play</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Aryadne Xavier</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: <span style="font-weight: 400;">ALIEN SUPERSTAR, VIRGO&#8217;S GROOVE E AMERICAN HAS A PROBLEM</span></strong></p>
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<figure id="attachment_30414" aria-describedby="caption-attachment-30414" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30414 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas-800x722.jpg" alt="Capa do álbum Senhora das Folhas. Arte digital quadrada, com fundo marrom. Uma moldura formada por folhas e flores ocupa as bordas da imagem. No lado esquerdo da moldura, lemos, de baixo para cima, Áurea Martins, em letras verdes. Já no lado direito, lemos, de cima para baixo, Senhora das Folhas, em letras igualmente verdes. Ao centro, podemos observar a cantora Áurea Martins. Ela é uma mulher negra, idosa, de olhos fechados, mãos em sinal de oração, veste uma roupa preta e utiliza um adereço também preto na cabeça." width="800" height="722" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas-800x722.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas-1024x924.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas-768x693.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas-1536x1387.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas-1200x1083.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Senhora-das-Folhas.jpg 1667w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30414" class="wp-caption-text">Senhora das Folhas é pérola verdadeira da MPB (Foto: Biscoito Fino)</figcaption></figure>
<p><b>Áurea Martins &#8211; Senhora das Folhas</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Senhora das Folhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um álbum para se ouvir na íntegra. Coeso, o disco de Áurea Martins desenvolve, no conjunto da obra, uma experiência de imersão e introspecção digna de </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2022/03/30/aurea-martins-atinge-o-ceu-com-senhora-das-folhas-album-em-que-professa-as-crencas-e-fes-do-brasil.ghtml"><span style="font-weight: 400;">enaltecimento</span></a><span style="font-weight: 400;">. Buscando, </span><a href="https://www.otempo.com.br/diversao/aurea-martins-louva-rezadeiras-e-as-raizes-do-brasil-em-novo-album-1.2628173"><span style="font-weight: 400;">na sacralidade e nos afetos</span></a><span style="font-weight: 400;">, os caminhos para conectar suas canções, o lançamento da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Sik7SVBIh7E&amp;t=369s"><span style="font-weight: 400;">veterana brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> alcança uma maturidade artística admirável, firmada em um repertório que não se divide em músicas de maior ou menor relevância. Cada palavra importa e cada som tem seu porquê. Cada escolha leva à cura e cada trajeto traz uma sensibilidade sem fim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moldando-se nos detalhes mais sutis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhora das Folhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> dificilmente brilharia em </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> isolados, embora faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=b5XexJ2YLAA"><i><span style="font-weight: 400;">A Rezadeira/Citação: Relampiano</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JWMIb5P0dyM"><i><span style="font-weight: 400;">Me Curar de Mim</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> assinalem um possível ápice do disco. A graciosidade de Áurea Martins, no entanto, está presente desde </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mhzG06yjbNE"><i><span style="font-weight: 400;">O Ramo/Incelença da Chuva</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixa que abre o álbum com os traços únicos da voz da artista &#8211; além da atmosfera sagrada que percorre delicadamente toda a obra. A verdade é que </span><i><span style="font-weight: 400;">Senhora das Folhas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma jornada que toca o coração de quem se entrega por inteiro. </span><b>&#8211; Eduardo Rota Hilário</b><span style="font-weight: 400;">                  </span></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">O Ramo/Incelença da Chuva, A Rezadeira/Citação: Relampiano e Me Curar de Mim</span></p>
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<figure id="attachment_30415" aria-describedby="caption-attachment-30415" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30415" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SIM-SIM-SIM-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum SIM SIM SIM. A imagem é predominantemente preta com efeito granulado. Descentralizado para o lado esquerdo estão um par de braços dobrados, como no movimento que se faz para tocar o rosto. Os braços estão vestidos de uma blusa de manga longa vermelha, que está em parte encoberta por uma sombra .Os cotovelos apontam para cima. Ao lado direito, na vertical, está o título “Bala Desejo” em cinza claro. Em baixo das letras “bê”, “de” e “ó” está a palavra “sim”, em letras pequenas." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SIM-SIM-SIM-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SIM-SIM-SIM-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SIM-SIM-SIM-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/SIM-SIM-SIM.jpeg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30415" class="wp-caption-text">Ao Bala Desejo dizemos SIM SIM SIM e mais, por favor (Foto: Coala Records)</figcaption></figure>
<p><b>Bala Desejo &#8211; SIM SIM SIM</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">SIM SIM SIM</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;"> do coletivo </span><a href="https://portalpopline.com.br/quem-e-bala-desejo-banda-que-ja-nasceu-na-grade-de-grandes-festivais/"><span style="font-weight: 400;">Bala Desejo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma experiência sonora de parte da América Latina e da brasilidade carnavalesca de sol e mar. Sim, é possível sentir o calor das ruas e uma briza fresca ao longo das quatorze faixas do disco que misturam, nas letras e nos ritmos, o belo casamento do português com o espanhol. Esse trabalho foi fruto da investida dos quatro integrantes do coletivo, </span><span style="font-weight: 400;">Dora Morelenbaum, </span><a href="https://claudia.abril.com.br/cultura/julia-mestre-a-mulher-cancao/"><span style="font-weight: 400;">Julia Mestre</span></a><span style="font-weight: 400;">, Lucas Nunes e </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/11/14/ze-ibarra.htm"><span style="font-weight: 400;">Zé Ibarra</span></a><span style="font-weight: 400;">, de produzirem durante seu isolamento da pandemia. As músicas expressam justamente o anseio pelo fim do confinamento: é sobre o primeiro carnaval pós pandêmico, é o proposto &#8216;Recarnaval&#8217;.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A complexidade oferecida nas composições recebem um toque performático, como em um trio elétrico, que ao longo do desfile vai revelando suas diversas atrações. Em </span><a href="https://youtu.be/tUfQaAWSh_k"><i><span style="font-weight: 400;">Baile de Máscaras (Recarnaval)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está a premissa de todo o álbum, em uma pegada </span><i><span style="font-weight: 400;">à la</span></i><span style="font-weight: 400;"> Rita Lee, seguido por </span><a href="https://youtu.be/nitlMjTzuaU"><i><span style="font-weight: 400;">Lua Comanche</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que remete ao samba dos anos setenta. Na faixa </span><a href="https://youtu.be/VGcZLApC4KE"><i><span style="font-weight: 400;">Lambe Lambe</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está presente o desejo e o carnal, que é equilibrado pelo frescor e independência de </span><a href="https://youtu.be/VOOXAy_bjTk"><i><span style="font-weight: 400;">Passarinha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Toda essa conexão e câmbio de informações instrumentais e referências do </span><i><span style="font-weight: 400;">SIM SIM SIM</span></i><span style="font-weight: 400;">, convergem em um álbum conciso, ainda que experimental. Essa proposta rendeu o prêmio de Melhor Álbum em Língua Portuguesa no </span><a href="https://vogue.globo.com/cultura/musica/noticia/2022/11/bala-desejo-ganha-o-grammy-latino-na-categoria-melhor-album-pop-em-portugues.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Grammy Latino</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de 2022. </span><b>&#8211; Costanza Guerriero</b></p>
<p><b>Faixas favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> Baile de Máscaras (Recarnaval), Dourado Dourado, Passarinha</span></p>
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<figure id="attachment_30436" aria-describedby="caption-attachment-30436" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-30436 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-800x800.jpeg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-1536x1536.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704-1200x1200.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Skinty-Fia-1650301704.jpeg 1800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30436" class="wp-caption-text">O terceiro disco de Fontaines D.C. é uma obra-prima expansiva e surpreendente (Foto: Partisan Records)</figcaption></figure>
<p><b>Fontaines D.C. &#8211; Skinty Fia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em Abril de 2022, Fontaines D.C. lançou seu disco mais exigente e experimental desde a explosão inicial de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aiLk6G5N-3Y&amp;list=PLIDDZDE0Vg4zFiaNgwVKQ2bcyH6oI5bA2&amp;ab_channel=FontainesDC"><i><span style="font-weight: 400;">Dogrel</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2019). Terceiro álbum do quinteto, </span><i><span style="font-weight: 400;">Skinty Fia</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma aposta arriscada, trazendo referências de Literatura e camadas complexas de guitarra, afinadas às letras vocalizadas por Grian Chatten. Temas como solidão, alienação e conexão humana real podem até passar pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">tracklist</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 10 faixas, mas o verdadeiro conceito reside no “não pertencimento”. Isso porque Fontaines D.C. propõe uma narrativa da condição dos imigrantes irlandeses numa Inglaterra que pode não ser tão receptiva quanto parece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As referências do disco perpassam </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=rsiB_0C5-8c"><span style="font-weight: 400;">James Joyce</span></a><span style="font-weight: 400;">, John Williams e Vladimir Nabokov, cujos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yj3oDS6VM2o"><i><span style="font-weight: 400;">Roman Holiday</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3AoOfJP3r40"><i><span style="font-weight: 400;">Jackie Down the Line</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são facilmente destacáveis. As referências ao Joy Division – principalmente pela postura vocal de Chatten, em contraste com Ian Curtis – e ao Gang Of Four não passam despercebidas, mas a junção desses elementos resulta em um projeto original dentro do </span><i><span style="font-weight: 400;">post-punk</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mergulhado nas referências internas de Fontaines D.C. – como estranhos em uma terra desconhecida –, vislumbramos medos comuns ganharem forma artística (a morte, o tédio, o envelhecimento e a tristeza). </span><i><span style="font-weight: 400;">Skinty Fia</span></i><span style="font-weight: 400;">, na verdade, é um álbum corajoso e maduro, que demonstra a evolução meteórica de uma banda que nunca fez menos que um execelente trabalho. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Jackie Down the Line, Roman Holiday, Nabokov</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30416" aria-describedby="caption-attachment-30416" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30416" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-2.png" alt="" width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-2.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-2-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-30416" class="wp-caption-text">Em Julho de 2022, o SEVENTEEN voltou com o relançamento de seu quarto álbum de estúdio (Foto: Pledis Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>SEVENTEEN &#8211; SECTOR 17</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu sétimo ano de carreira, o quarto álbum de estúdio do </span><a href="https://www.billboard.com/music/pop/seventeen-interview-sector-17-contract-negotiations-pandemic-1235125842/"><span style="font-weight: 400;">SEVENTEEN</span></a><span style="font-weight: 400;"> os consolida como gigantes do <em>k</em></span><i><span style="font-weight: 400;">-pop. </span></i><span style="font-weight: 400;">O grupo, que em 2015 tinha apenas uma empresa à beira da falência e um sonho, mostra que o trabalho árduo ao longo dos anos, escrevendo e produzindo as próprias músicas, valeram a pena e resultaram em uma forte identidade musical. Em </span><a href="https://open.spotify.com/album/15pRJdCJtDyzQaY9tGs750?si=9bUOLTBVRlqOouonbFy1Nw"><i><span style="font-weight: 400;">SECTOR 17</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é evidente o amadurecimento dos treze integrantes, que levam seus ouvintes em uma jornada pelos altos e baixos da juventude através de sua discografia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O SEVENTEEN prova que ainda tem muito a oferecer, e que a química entre os integrantes é um dos ingredientes principais para seu sucesso e qualidade. Na faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DgAAaV6xfrk"><i><span style="font-weight: 400;">Circles</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o membro Woozi, que também atua como produtor principal do grupo, entrega uma mensagem emotiva de união à seus colegas de grupo. A faixa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=VCDWg0ljbFQ"><i><span style="font-weight: 400;">_WORLD</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">resgata as raízes do SEVENTEEN com seu tom alegre e leve, contrapondo a intensa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gRnuFC4Ualw"><i><span style="font-weight: 400;">HOT</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a qual apresenta uma faceta inédita, e os entrega a chance de mostrar nos palcos que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eRpmP8HF5Bk"><span style="font-weight: 400;">quem sabe faz ao vivo</span></a><span style="font-weight: 400;">, não deixando dúvidas sobre sobre o lugar do SEVENTEEN na realeza do k-</span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><b>– Ana Eloisa Leite</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Circles, HOT, DON QUIXOTE</span></p>
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<figure id="attachment_30417" aria-describedby="caption-attachment-30417" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30417" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-SZA-SOS.jpg" alt="Capa do álbum SOS. Na imagem, SZA está sentada em um trampolim com apenas o mar à sua volta." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-SZA-SOS.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Imagem-SZA-SOS-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30417" class="wp-caption-text">A capa de SOS com inspiração na Princesa Diana reflete o chamado de SZA: ajuda (Foto: RCA Records)</figcaption></figure>
<p><b>SZA </b><b>–</b><b> SOS</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma longa espera de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ctrl-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">5 anos</span></a><span style="font-weight: 400;">, devido a uma série de desentendimentos com a própria gravadora, SZA lançou seu segundo álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">SOS</span></i><span style="font-weight: 400;">. O projeto foi um dos últimos lançamentos de 2022 e está dominando 2023. Seu tema principal já é revelado em seu nome e em sua capa, inspirada em uma fotografia da </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2022/12/08/sza-princesa-diana-capa-disco/"><span style="font-weight: 400;">Princesa Diana</span></a><span style="font-weight: 400;"> no ano de sua morte. Este disco clama por ajuda em meio a solidão e melancolia, muito bem guiados pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> da artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses temas não são novos na discografia de SZA. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/ctrl-deluxe-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ctrl</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2017, a cantora já explorava os altos e, principalmente, os baixos de um relacionamento. Mas, em </span><i><span style="font-weight: 400;">SOS</span></i><span style="font-weight: 400;">, as composições são mais dramáticas e tudo é intensificado, ao passo que as emoções são exploradas com mais profundidade. Tudo isso pode ser percebido em uma música do álbum, </span><a href="https://open.spotify.com/track/3OHfY25tqY28d16oZczHc8?si=e942f741c90f4fe9"><i><span style="font-weight: 400;">Kill Bill</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, onde a compositora se sente tão sozinha que cogita cometer um crime: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Talvez eu mate meu ex/Mas, eu ainda o amo/Prefiro estar na cadeia do que sozinha</span></i><span style="font-weight: 400;">”. – </span><b>Arthur Caires</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Snooze, Gone Girl e Nobody Gets Me</span></p>
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<figure id="attachment_30418" aria-describedby="caption-attachment-30418" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30418" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Car-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum The Car. A imagem é uma pintura que imita uma fotografia tirada de um estacionamento na cobertura de um prédio.Todo feito de concreto, o estacionamento é amplo e possui grades e postes de luz vermelhos. Há apenas um carro branco e antigo estacionado. Ao fundo há dois prédios de concreto, com muitas janelas. Na parte inferior da imagem há parte da cobertura de outro prédio, colado ao estacionamento. Nessa outra cobertura há uma chaminé. A imagem está contida por uma moldura branca, como uma foto polaroid." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Car-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Car.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Car-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/The-Car-768x768.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30418" class="wp-caption-text">Quatro anos depois do último lançamento da banda, The Car soa como uma noite solitária na cidade grande (Foto: Domino Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arctic Monkeys &#8211; The Car </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">The Car</span></i><span style="font-weight: 400;"> fica </span><span style="font-weight: 400;">claro que não há interesse em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NGipcn2OU4I&amp;t=1065"><span style="font-weight: 400;">refazer</span></a><span style="font-weight: 400;"> o que já foi feito. No sétimo álbum de Arctic Monkeys é consolidada uma nova fase, sendo essa contida, lúdica e cinematográfica, ficando cada vez mais distante das memórias de uma banda de</span><i><span style="font-weight: 400;"> indie rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. A</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NGipcn2OU4I&amp;t=517"><span style="font-weight: 400;"> sonoridade</span></a><span style="font-weight: 400;"> presente no disco poderia facilmente ser a trilha sonora de um filme de espionagem, que acompanha um detetive na sua crise de meia idade. É apresentada uma grande potência sonora, mas dessa vez acompanha letras mais simples, de Alex Turner. Tudo isso espelha o novo momento que o vocalista vive, e apesar de não parecer se importar com a expectativa dos apegados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">A.M</span></i><span style="font-weight: 400;">, reflete sobre a incapacidade de ser como um dia já foi, e assim  reconhece que isso não é algo ruim.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na produção, os meninos de Sheffield transparecem seu crescimento e amadurecimento em arranjos orquestrados e vigorosos. Além dos </span><i><span style="font-weight: 400;">riffs</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos anos 60, há influências do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;">, que acertam no tom mais triste e melancólico. Do início com </span><a href="https://youtu.be/FY5CAz6S9kE"><i><span style="font-weight: 400;">There’d Better Be A Mirror Ball</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ao fim com </span><a href="https://youtu.be/tCr7RNuX68A"><i><span style="font-weight: 400;">Perfect Sense</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">LP </span></i><span style="font-weight: 400;">de dez faixas é perfeito para ser escutado quando restam poucas sombras nas ruas, logo depois que o bar fecha. Como cantando na faixa </span><i><span style="font-weight: 400;">Big Ideas</span></i><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">De verdade, foi emocionante</span></i><span style="font-weight: 400;">”, mas agora é hora de seguir em frente. Para muitos o álbum não atingiu as expectativas e portanto divide opiniões. Mas o que pode ter sido um pequeno passo para os fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">R U Mine</span></i><span style="font-weight: 400;">, acaba sendo um grande salto para aqueles que estão abertos às novas propostas da banda. </span><b>&#8211; Costanza Guerriero</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">There’d Better Be A Mirrorball, Body Paint, Perfect Sense</span></p>
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<figure id="attachment_30419" aria-describedby="caption-attachment-30419" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30419" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-JID-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum The Forever Story. Nela vemos uma multidão de pessoas negras, incluindo jogadores de basquete, de futebol americano, presos, padres, dançarinas, mulheres, crianças e policiais (esses brancos). Ao centro, JID, um jovem negro, está sem camisa e de calça jeans. No seu corpo é possível notar várias tatuagens, além de um enorme cordão de prata. A foto é tirada em uma perspectiva 3D que atribui profundidade à imagem. JID está com a cabeça em direção à câmera, porém com os olhos fechados. Seus braços estão sobre sua cabeça." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-JID-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-JID-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-JID-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-JID.jpeg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30419" class="wp-caption-text">A ambiciosa empreitada do rapper já nasce um clássico e um marco no cânone do hip-hop (Foto: Dreamville/Interscope)</figcaption></figure>
<p><b>JID &#8211; The Forever Story</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de despontar no </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;"> graças a colaboração com Imagine Dragons na música tema de </span><a href="https://personaunesp.com.br/arcane-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Arcane</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o terceiro álbum de estúdio do </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> JID finca seu nome na nova safra do gênero. Apadrinhado pela gravadora de </span><a href="https://personaunesp.com.br/j-cole-the-off-season-critica/"><span style="font-weight: 400;">J Cole</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tendo nomes como James Blake, BADBADNOTGOOD e Kaytranada na produção, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Forever Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um sucessor espiritual de </span><a href="https://open.spotify.com/album/1gPqbxhs90kppgOVxGOPzd"><i><span style="font-weight: 400;">The Never Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, estreia do artista em 2017. Funcionando como uma “parte dois” de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">debut</span></i><span style="font-weight: 400;">, o álbum é uma análise da vida e amadurecimento de JID pela ótica do próprio intérprete.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dono de um </span><i><span style="font-weight: 400;">flow </span></i><span style="font-weight: 400;">com uma cadência rítmica inconfundível &#8211; do qual o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">alterou incríveis </span><a href="https://twitter.com/HipHopNumbers/status/1564487269255618560"><span style="font-weight: 400;">148 vezes</span></a><span style="font-weight: 400;"> durante a produção &#8211; </span><i><span style="font-weight: 400;">The Forever Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> abusa de </span><i><span style="font-weight: 400;">samples</span></i><span style="font-weight: 400;"> extremamente urbanos para relatar a infância em Atlanta e cria </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> nada convencionais, mas ainda sim, extremamente acessíveis ao público. Com uma produção extremamente coesa e um </span><i><span style="font-weight: 400;">storytelling</span></i><span style="font-weight: 400;"> invejável, JID discorre sobre família, negritude, a violência das metrópoles e a separação que a fama provoca entre o artista e a pessoa. Em um ano rico para o gênero, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper </span></i><span style="font-weight: 400;">coloca para sempre o álbum como um dos melhores registros (senão, o melhor) do ano e do estilo. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Raydar, Surround Sound </span><span style="font-weight: 400;">e </span><span style="font-weight: 400;">Money</span></p>
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<figure id="attachment_30420" aria-describedby="caption-attachment-30420" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30420" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Tame-Impala-The-Slow-Rush-B-Sides-Remixes.png" alt="" width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Tame-Impala-The-Slow-Rush-B-Sides-Remixes.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Tame-Impala-The-Slow-Rush-B-Sides-Remixes-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-30420" class="wp-caption-text">Kevin Parker está ainda mais psicodélico no novo álbum (Foto: Universal Music Australia)</figcaption></figure>
<p><b>Tame Impala &#8211; The Slow Rush B-Sides &amp; Remixes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A já reconhecida e estonteante psicodelia de Kevin Parker, mas em versões completamente novas, definitivamente um dos presentes de 2022. Se a versão original,</span> <a href="https://open.spotify.com/album/31qVWUdRrlb8thMvts0yYL?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">The Slow Rush</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">  </span></i><span style="font-weight: 400;">nos fez delirar em um vórtex de batidas eletrônicas, como nas músicas </span><i><span style="font-weight: 400;">Is It True </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Borderline</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">suas versões em </span><i><span style="font-weight: 400;">remixes</span></i><span style="font-weight: 400;"> de artistas como Blood Orange e Lil Yachty parecem vir de outra dimensão.</span></p>
<p><a href="https://open.spotify.com/album/0PUdc9WBtlyjG9Ba9DPmKa?autoplay=true"><i><span style="font-weight: 400;">The Slow Rush B-Sides &amp; Remixes </span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">  </span></i><span style="font-weight: 400;">traz também novas faixas como </span><i><span style="font-weight: 400;">No Choice</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Boat I Row</span></i><span style="font-weight: 400;"> que mostram que a banda australiana iniciada em 2007 continua inovando e provavelmente assim deve ser por muito tempo, pois a mente de Parker parece ser uma fonte inesgotável de músicas criativas e eletrizantes e o sucesso já lhe rendeu vários prêmios. &#8211;</span><b> Guilherme Dias Siqueira</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">The Boat I Row, No Choice e Is It True (Four Tet Remix)</span></p>
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<figure id="attachment_30457" aria-describedby="caption-attachment-30457" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30457" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/fcjslcad.jpg" alt="Capa do álbum There and Back Again de Eric Nam. Na imagem, Eric Nam, um homem estadunidense com descendência sul-coreana de cabelos e olhos escuros, aparece curvado em direção a câmera, que a captura a partir do busto e para a qual ele olha diretamente. Nam veste uma jaqueta vermelha fechada adornada por botões dourados. Ele leva a mão direita aos cabelos. Ao fundo, o cenário é composto por um céu acinzentado e uma árvore que parece sofrer as consequências do inverno. Na parte inferior central, o título do álbum “There and Back Again” e o nome do artista “Eric Nam” estão escritos em letras brancas." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/fcjslcad.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/fcjslcad-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30457" class="wp-caption-text">There and Back Again marca o retorno de Eric Nam três anos após a sua estreia com Before We Begin (Foto: The Eric Nam Company)</figcaption></figure>
<p><b>Eric Nam &#8211; There and Back Again</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dono de uma voz que parece ter sido criada justamente para acompanhar o mais leve toque de cordas em um violão, </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entretenimento/kpop/noticia/2022/01/eric-nam-lanca-album-there-and-back-again.html"><span style="font-weight: 400;">Eric Nam</span></a><span style="font-weight: 400;"> finalmente encontra o seu som em </span><a href="https://open.spotify.com/album/643X6WW2ijEwMLaNjp1dk1?si=kxeC18xORFaxRl_H6dz2NA"><i><span style="font-weight: 400;">There and Back Again</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o segundo álbum de estúdio da carreira. Cantando de modo que as letras soam como se derramassem </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=33RG5xAmc98"><span style="font-weight: 400;">exuberantemente</span></a><span style="font-weight: 400;"> os sentimentos de um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GHJyfokY5Dw"><span style="font-weight: 400;">coração partido</span></a><span style="font-weight: 400;">, o artista estadunidense de descendência sul-coreana vai e volta no tema sem soar repetitivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">E se isso for algo que eu nunca vou superar?/Conversando com meus amigos e todos dizendo: </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GOHundyUndA"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu avisei”</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> “. Brutal na mesma intensidade que permite as emoções transbordarem, o disco tem o </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Entretenimento/kpop/noticia/2022/02/ter-uma-musica-que-se-relaciona-com-tantas-vidas-e-poderoso-diz-eric-nam.html"><span style="font-weight: 400;">sabor refrescante</span></a><span style="font-weight: 400;"> do drama misturado com a realidade nada racional, o colocando em destaque em uma indústria facilmente movida pela superficialidade. A caminho dos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jnFvCuORbfw"><span style="font-weight: 400;">10 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de trajetória musical, Eric Nam lançou uma </span><a href="https://www.nme.com/news/music/eric-nam-there-and-back-again-reimagined-docskim-3387247"><span style="font-weight: 400;">versão reimaginada</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">There and Back Again</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2023. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">I Don’t Know You Anymore, Lost On Me e What If</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30423" aria-describedby="caption-attachment-30423" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/topicaldancer.jpg" alt="" width="700" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/topicaldancer.jpg 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/topicaldancer-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30423" class="wp-caption-text">O discurso político e a música pop são um encontro dinâmico na experimentação da dupla (Foto: DEEWEE)</figcaption></figure>
<p><b>Charlotte Adigéry, Bolis Pupul &#8211; Topical Dancer</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Que o performativo sempre pertenceu às pistas não é nenhuma novidade. Mas o </span><i><span style="font-weight: 400;">mix</span></i><span style="font-weight: 400;"> social, teatral e cômico — vindo de um ímpeto nascido diretamente da proposta de artistas como Grace Jones e Prince — feito pela dupla Charlotte Adigéry e Bolis Pupul é algo definitivamente refrescante no cenário da música pop, que necessita, como nunca, de uma nova linguagem crítica. Envolto pelo gênero da música </span><i><span style="font-weight: 400;">disco,</span></i> <a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/charlotte-adigery-bolis-pupul-topical-dancer/"><i><span style="font-weight: 400;">Topical Dancer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> apunhala o ouvinte de estranheza. O sentimento prevalece nos graves e sintetizadores dançantes de canções como </span><i><span style="font-weight: 400;">Esperanto </span></i><span style="font-weight: 400;">ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Blenda, </span></i><span style="font-weight: 400;">que ardilosamente mascaram, em uma primeira impressão, os comentários ácidos e irônicos da dupla acerca do </span><a href="https://www.psychologytoday.com/us/blog/minority-report/201602/i-dont-see-color"><span style="font-weight: 400;">racismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://hbr.org/2020/10/whats-wrong-with-asking-where-are-you-from"><span style="font-weight: 400;">xenofobia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e misoginia vividos no cotidiano de qualquer minoria social frente o histórico de países como a Bélgica, que ainda recusam-se a olhar seu passado colonial com os devidos intuitos de reparação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em por seu próprio universo sonoro de referências, do </span><i><span style="font-weight: 400;">funk </span></i><span style="font-weight: 400;">dos anos 80 à música eletrônica do ínicio do século, faixas como </span><a href="https://genius.com/Charlotte-adigery-and-bolis-pupul-it-hit-me-lyrics"><i><span style="font-weight: 400;">I</span></i><i><span style="font-weight: 400;">t Hit Me</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">que se inicia dando espaço a um relato quase diarístico acerca de um episódio de assédio sexual, são amostras do tom da crítica de Adigéry e Pupul, que nega um didatismo que apenas postula o que é correto ou errado. Para além do conteúdo de suas canções, as percussões produzidas pelo duo também reverberam no contexto diaspórico tão estruturante do trabalho, em seu resgate de um rock que beira a David Byrne mas na carcaça de sons da </span><a href="https://www.theguardian.com/music/2022/mar/08/charlotte-adigery-and-bolis-pupul-interview#:~:text=They%20cite%20Grace%20Jones%2C%20David%20Byrne%2C%20David%20Bowie%20and%20Prince%20as%20influences%2C%20but%20also%20their%20own%20families.%20%E2%80%9CMy%20grandma%20sang%20and%20she%20had%20a%20record%20store%20in%20Martinique%2C%E2%80%9D%20says%20Adig%C3%A9ry%2C%20who%20grew%20up%20listening%20to%20zouk%20and%20Haitian%20compas."><span style="font-weight: 400;">música haitiana</span></a><span style="font-weight: 400;">. No humor de </span><a href="https://youtu.be/G8D6H2Z61jk?t=610"><i><span style="font-weight: 400;">HAHA</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> — </span></i><span style="font-weight: 400;">em que a cantora alcança o máximo de sua experimentação e performance — mora a consciência social dançante em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Topical Dancer</span></i><span style="font-weight: 400;">, a partir do poder de movimento dos corpos, finca suas mensagens para muito além da epiderme. – </span><b>Enzo Caramori</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b><span style="font-weight: 400;"> It Hit Me, Making Sense Stop, HAHA</span></p>
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<figure id="attachment_30458" aria-describedby="caption-attachment-30458" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30458" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Megan-Thee-Stallion-Traumazine.webp" alt="Capa do álbum Traumazine de Megan Thee Stallion. Na imagem, Megan, uma mulher negra de cabelos e olhos escuros, é fotografada a partir do busto e em três posições diferentes que se aglomeram. Uma das expressões parece gritar, outra parece estar com raiva e, por último, uma parece simular a indiferença. Stallion usa somente um colar metalizado. Ao fundo, o cenário é um papel de parede na cor preta." width="600" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Megan-Thee-Stallion-Traumazine.webp 600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Megan-Thee-Stallion-Traumazine-150x150.webp 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30458" class="wp-caption-text">Traumazine é o segundo álbum de estúdio de Megan Thee Stallion e sucede o aclamado Good News (Foto: 1501 Certified Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Megan Thee Stallion &#8211; Traumazine</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de tocar por todos os rodeios de Houston com o viral </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EOxj2ROIxok"><i><span style="font-weight: 400;">Savage</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e ser presenteada com a voz de Beyoncé para o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lEIqjoO0-Bs"><i><span style="font-weight: 400;">remix</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Megan Thee Stallion também ganhou o olhar cuidadoso da gravadora </span><a href="https://portalrapmais.com/megan-thee-stallion-revela-que-salgadinho-cheetos-fez-ela-assinar-com-a-roc-nation-de-jay-z/"><i><span style="font-weight: 400;">Roc Nation</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de Jay-Z. Em 2022, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> texana entrou na justiça contra a sua distribuidora original, a </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/megan-thee-stallion-processa-gravadora-por-nao-deixa-la-cumprir-contrato,418397dedd45d3f073469cb98f031892x5pnn8jv.html"><i><span style="font-weight: 400;">1501 Certified Entertainment</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, para conseguir rescindir um contrato por obra injusto que a manteve refém até o lançamento do disco </span><a href="https://open.spotify.com/album/4YP0h2KGDb20eJuStnBvim"><i><span style="font-weight: 400;">Traumazine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, Stallion precisou enfrentar o sofrimento de mais um tribunal, refletido nas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BJe-5RtL_uk"><span style="font-weight: 400;">composições vulneráveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> e que impactou a sua trajetória artística e pessoal: o crime cometido por </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2022/12/23/tory-lanez-e-considerado-culpado-por-atirar-em-megan-thee-stallion.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Tory Lanez</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleto de versos cortantes rimados com a ajuda de um </span><i><span style="font-weight: 400;">flow</span></i><span style="font-weight: 400;"> único e nunca tão voraz, o segundo álbum de estúdio da ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">hottie</span></i><span style="font-weight: 400;">’ traz a Arte do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qQuQ8zDxGh0"><i><span style="font-weight: 400;">freestyle</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a intensidade de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7D85hpcSbE8"><span style="font-weight: 400;">letras inspiradas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ainda deixa espaço para um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u_v2Rv4l-C0"><i><span style="font-weight: 400;">house</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dançante tomar conta. Segundo o seu perfil para o </span><a href="https://www.thecut.com/article/megan-thee-stallion-traumazine-profile.html"><i><span style="font-weight: 400;">The Cut</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Traumazine</span></i><span style="font-weight: 400;"> seria “</span><i><span style="font-weight: 400;">a substância química liberada no cérebro quando ele é forçado a lidar com emoções dolorosas causadas por eventos e experiências traumáticas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Fazendo jus ao conceito, Megan Thee Stallion vem com sangue nos olhos e sede de vingança em uma produção que põe fim aos traumas e a consolida como uma das principais vozes da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q5Un9NH3vUI"><span style="font-weight: 400;">Música</span></a><span style="font-weight: 400;"> atual.</span><b> &#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Plan B, NDA e Her</span></p>
<hr />
<figure id="attachment_30425" aria-describedby="caption-attachment-30425" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n-800x800.jpg" alt="" width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n-1200x1200.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/exudoblues_272744474_3493667120757512_5963958949189657002_n.jpg 1440w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30425" class="wp-caption-text">Mergulhamos no íntimo de Baco em QVVJFA? (Foto: Roncca)</figcaption></figure>
<p><b>Baco Exu do Blues &#8211; QVVJFA? </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quantas vezes você já foi amado? Essa é a pergunta que guia o terceiro álbum de estúdio de Baco Exu do Blues. Nesse projeto, o cantor  nos revela suas </span><a href="https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/baco-eu-parei-pra-me-olhar-tarde-demais-e-estava-com-a-saude-destruida/"><span style="font-weight: 400;">inseguranças</span></a><span style="font-weight: 400;"> e fracassos por meio de versos tão poéticos que nos fazem voar. Abrindo alas para abordar questões como objetificação do corpo negro, gordofobia, autoaceitação e a solidão do jovem preto, o </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos conquista pela coragem de mostrar-se tão frágil. Entre exaltar sua religiosidade e discutir como recebemos e damos afeto, mergulhamos no íntimo do cantor para não querer voltar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Formado por 12 faixas que trazem </span><i><span style="font-weight: 400;">feats </span></i><span style="font-weight: 400;">de peso como </span><a href="https://personaunesp.com.br/nenhuma-dor-gal-costa-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gal Costa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Gloria Groove e Muse Maya, </span><i><span style="font-weight: 400;">QVVFJA?</span></i><span style="font-weight: 400;"> consegue encontrar um equilíbrio entre o seu lado sexual explorado em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-nao-tem-bacanal-na-quarentena-baco-exu-do-blues/"><span style="font-weight: 400;">Não tem Bacanal na Quarentena</span></a><span style="font-weight: 400;"> para músicas que mesclam, junto com lado erótico do álbum anterior, amor, medos e dúvidas. Com </span><i><span style="font-weight: 400;">beats</span></i><span style="font-weight: 400;"> suaves, românticos e carregados no </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;">, Baco retorna para o cenário brasileiro apostando em uma fórmula um pouco diferente, mas que, ainda sim, consegue prender nossa atenção. </span><b>&#8211; Clara Sganzerla</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">20 ligações, Samba In Paris, Mulheres Grandes e Lágrimas</span></p>
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<figure id="attachment_30426" aria-describedby="caption-attachment-30426" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/KAROL-ENRICO-SOUTO-800x800.webp" alt="Capa do disco Urucum, da cantora Karol Conká. Imagem quadrada e colorida. Nela, vemos a cabeça de Karol em foco. Ela olha diretamente para a câmera e tem parte de seu rosto coberto por uma placa de metal, que copia as silhuetas de sua boca e nariz. Karol é uma mulher negra, de olhos escuros, com cabelos trançados da cor vinho projetados para cima, simulando o formato de várias serpentes. O fundo da imagem é um vermelho vibrante." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/KAROL-ENRICO-SOUTO-800x800.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/KAROL-ENRICO-SOUTO-150x150.webp 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/KAROL-ENRICO-SOUTO-768x768.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/KAROL-ENRICO-SOUTO.webp 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30426" class="wp-caption-text">Gravado inteiramente no estúdio de sua casa, Karol Conká finalizou Urucum em duas semanas (Foto: Sony Music Brasil)</figcaption></figure>
<p><b>Karol Conká &#8211; Urucum</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Karol Conká sempre foi conhecida por suas parcerias de peso com grandes produtores. Entre </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=NX4WORlLAh4&amp;ab_channel=Showlivre"><span style="font-weight: 400;">Nave</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LfL4H0e5-Js&amp;ab_channel=CanalKondZilla"><span style="font-weight: 400;">Tropkillaz</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ANRH-HGHwjE&amp;ab_channel=KarolConka-Topic"><span style="font-weight: 400;">Boss in Drama</span></a><span style="font-weight: 400;">, essas colaborações fazem da discografia da </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> um verdadeiro arco-íris sonoro, que sempre carrega, independente de qualquer distinção, sua essência artística. Sendo assim, para </span><a href="https://open.spotify.com/album/23Zw9VnwKnrSkbGGJQKwPi?si=xaaGwB1eRh-DPD7Ft9WGYQ"><i><span style="font-weight: 400;">Urucum</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/chegamos-sozinhos-em-casa-critica/"><span style="font-weight: 400;">RDD</span></a><span style="font-weight: 400;"> assina a produção executiva. Cabeça criativa do coletivo ÀTTØØXXÁ, Rafa Dias une seus </span><a href="https://personaunesp.com.br/dolores-dala-guardiao-do-alivio-critica/"><span style="font-weight: 400;">poderosos graves</span></a><span style="font-weight: 400;"> aos sons típicos de Salvador para fazer desse um dos projetos mais musicalmente diversos e interessantes da cantora curitibana. Um resultado espetacular para um disco que nasce em um contexto extremamente delicado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após um </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-brother-brasil-21-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">BBB 21</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com rejeição histórica, Conká usa </span><i><span style="font-weight: 400;">Urucum</span></i><span style="font-weight: 400;"> como ambiente de </span><a href="https://www.revistaeolor.com/post/karol-conk%C3%A1-apresenta-urucum-seu-intenso-%C3%A1lbum-de-est%C3%BAdio-entenda-o-conceito-do-projeto"><span style="font-weight: 400;">terapia e reflexão</span></a><span style="font-weight: 400;">. O seu penteado alucinante da capa, em referência à lenda da Medusa, petrifica a ela mesma, aludindo que o narcisismo que feriu aqueles ao seu redor – em plena rede nacional – também a consome por dentro. Desse modo, a </span><i><span style="font-weight: 400;">rapper</span></i><span style="font-weight: 400;"> olha para dentro para que, assim, entregue seu próprio diagnóstico do mundo. Afinal, do que Karol Conká é culpada? Se fosse outra pessoa, com vivências opostas à sua, tomando as mesmas atitudes, ela sofreria o mesmo linchamento virtual? É a partir destes questionamentos que Karol brinca com a contraste e reencontra seu icônico deboche em um movimento deliberadamente televisionado de autocura. </span><b>&#8211; Enrico Souto</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Fuzuê, Cê Não Pode, Vejo o bem</p>
<hr />
<figure id="attachment_30427" aria-describedby="caption-attachment-30427" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30427" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/badbunny_unveteranosinti.png" alt="Na capa está uma composição. Seu fundo é como se fosse uma ilha, onde o céu é rosa claro, aparece um sol bem amarelo brilhando ao fim do oceano azul. Existe uma ilha, com areia, na qual se encontram dois coqueiros e algumas flores rosas. Sobrevoando o céu estão dois golfinhos e, ao centro da composição, está um coração com braços e pernas. Ele possui um único olho e uma boca, que demonstra a expressão de tristeza." width="700" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/badbunny_unveteranosinti.png 700w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/badbunny_unveteranosinti-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30427" class="wp-caption-text">Ao tratar da vulnerabilidade que pode soar familiar aos ouvidos, Bad Bunny deixa claro o propósito do coração triste na capa (Foto: Rimas)</figcaption></figure>
<p><b> Bad Bunny &#8211; Un Verano Sin Ti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vencedor do Melhor Álbum de Música Urbana no </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> Latino, topo nas paradas da </span><a href="https://portalpopline.com.br/bad-bunny-un-verano-sin-ti-1-feito-raro-billboard/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">por mais de dez semanas consecutivas e somando mais de oito bilhões de reproduções no </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/bad-bunny-bate-8-bilhoes-de-plays-com-o-album-un-verano-sin-ti,a066251615f5ce7991a9af0ec4ad138a5qcv6q49.html"><i><span style="font-weight: 400;">Spotify</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, não seria exagero dizer que Bad Bunny fez história ao lançar seu novo projeto. Utilizando do </span><i><span style="font-weight: 400;">reggaeton</span></i><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">que tem suas raízes na música caribenha &#8211; lugar de onde o cantor veio, e distinguindo o álbum em parte A (alegre e solar) e B (tranquila e reflexiva), o cantor separa ao ouvinte o melhor de sua produção musical. Levando sua cultura e influências a um nível global, com participações de conterrâneos em suas canções, Bad Bunny entrega um trabalho completo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu quarto e mais recente trabalho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Un Veterano Sin Ti</span></i><span style="font-weight: 400;">, o cantor trabalha temas de maior vulnerabilidade, falando sobre sentimentos e a relação entre dor e entrega. Se a proposta de cantar e trabalhar temas como saudade e o encontro de um novo amor desde seu álbum de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">X 100pre</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2018), nesse álbum elas estão ainda mais escancaradas e ainda melhores trabalhadas. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wAjHQXrIj9o"><span style="font-weight: 400;">O ouro</span></a><span style="font-weight: 400;"> está ali, disponível aos que se propõe a adentrar essa jornada </span><b>&#8211; Aryadne Xavier</b></p>
<p><strong>Faixas Favoritas: </strong>Tarot, Otro Atardecer e Ojitos Lindos</p>
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<figure id="attachment_30429" aria-describedby="caption-attachment-30429" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30429" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Arcade-Fire-800x800.jpg" alt="Capa do álbum WE da banda Arcade Fire. Nela, temos um close em um olho. Porém, o olho em questão é composto somente da pupila e da íris, sem a parte branca." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Arcade-Fire-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Arcade-Fire-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Arcade-Fire-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Arcade-Fire-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Arcade-Fire.jpg 1100w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30429" class="wp-caption-text">Após as mudanças de ares dos álbuns anteriores, WE é a constatação de que em time que se está ganhando, não se mexe (Foto: Columbia Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arcade Fire &#8211; WE</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Arcade Fire que nós queríamos e precisávamos está de volta. Com referência clara a obra distópica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=r4-9Ntpii8o&amp;ab_channel=PipocaMusical"><span style="font-weight: 400;">mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;"> do escritor russo Yevgeny Zamyatin, o sexto álbum de estúdio do grupo canadense retorna as origens da banda. Cinco anos após o divisivo </span><i><span style="font-weight: 400;">Everything Now</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">WE</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a amarração dos diferentes Arcade Fire que surgiram nesses quase 20 anos de estrada. O disco também marcou a saída de Will Butler (irmão do </span><i><span style="font-weight: 400;">frontman</span></i><span style="font-weight: 400;"> Win) da banda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa vez, a crítica do álbum cai sobre uma sociedade totalmente exposta e incerta. Dentre suas faixas com várias partes, a obra é dividida em duas metades: I e We. A primeira trata de ansiedade, medo, distanciamento e solidão. O contexto fica ainda mais evidente ao perceber que o álbum foi maturado durante a pandemia de covid-19, o que faz com que faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IEh4Vfzow5U&amp;ab_channel=ArcadeFireVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Age of Anxiety I</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">batam mais forte. Já a segunda metade, fala do desejo de união tratando-o como distópico, como pode ser percebido em </span><i><span style="font-weight: 400;">Unconditional II (Race and Religion)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, repetindo uma característica do Arcade Fire de trazer grandes nomes para sua produção, conta com a participação do lendário Peter Gabriel.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A banda une o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie rock </span></i><span style="font-weight: 400;">com o </span><i><span style="font-weight: 400;">synthpop</span></i><span style="font-weight: 400;"> como ninguém, fazendo da produção uma experiência catártica que é consciente ao guiar as emoções dos ouvintes através de suas faixas. Por essa razão, o disco nos lembra e lembra o próprio grupo o potencial que eles têm como coletivo e banda de arena, sendo extremamente performáticos, experimentais e sensoriais, da mesma forma que os garantiu sucesso. Por isso, </span><i><span style="font-weight: 400;">WE</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos traz de volta o Arcade Fire que não tem medo de ser Arcade Fire. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas:</b> <span style="font-weight: 400;">Age of Anxiety I, Age of Anxiety II (Rabbit Hole) </span><span style="font-weight: 400;">e </span><span style="font-weight: 400;">Unconditional II (Race and Religion)</span></p>
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<figure id="attachment_30430" aria-describedby="caption-attachment-30430" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30430" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-3.png" alt="" width="512" height="512" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-3.png 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/unnamed-3-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-30430" class="wp-caption-text">Os californianos fazem as pazes com o passado e exalam Amor Ilimitado (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><b>Red Hot Chili Peppers &#8211; Unlimited Love</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de uma década depois, o guitarrista John Frusciante retorna às origens californianas e quebra o silêncio de seis anos na fábrica dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Chili Peppers.</span></i><span style="font-weight: 400;"> O calouro </span><a href="https://personaunesp.com.br/unlimited-love-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Unlimited Love</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> conquistou o </span><span style="font-weight: 400;">primeiro lugar na Billboard 200 e atingiu a segunda estreia no topo desde o aclamado </span><a href="https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_msLrRDnvxVk6L-DH6OWH2-RWIu3x2sgPQ"><i><span style="font-weight: 400;">Stadium Arcadium</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2006). O sucesso foi responsável por </span><span style="font-weight: 400;">reacender o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=E5HLF92vf9U"><i><span style="font-weight: 400;">funk</span></i><span style="font-weight: 400;"> martelante</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua dinâmica original e alcançar o maior desejo dos fãs: trazer de volta o que faltava.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é uma experiência gratificante, responsável por deixar aquele gostinho de quero mais A</span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/musica/por-que-john-frusciante-voltou-ao-red-hot-chili-peppers/"><span style="font-weight: 400;"> volta de Frusciante</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez com que o quinteto californiano reencontrasse o dinamismo que supera o de bandas com metade de sua idade. Os </span><i><span style="font-weight: 400;">Chili Peppers</span></i><span style="font-weight: 400;"> fazem as pazes com o passado e redescobrem sua química sonora de maneira intensa. A nostalgia do amor cura toda a saudade e acolhe com imensa familiaridade </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JnfyjwChuNU"><span style="font-weight: 400;">o som Ilimitado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que apenas os californianos sabem produzir. </span><b>&#8211; Leticia Stradiotto</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>Faixas Favoritas</strong>: She’s a Lover, Black Summer e Here Ever After</span></p>
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<figure id="attachment_30428" aria-describedby="caption-attachment-30428" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-30428" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-800x800.jpeg" alt="Capa do álbum autointitulado Wet Leg. Nela encontramos a imagem de duas mulheres brancas, de costas e abraçadas, entrelaçando um dos braços pela costa da outra. A mulher da esquerda da imagem é loira, veste uma camiseta azul marinho e uma saia xadrez nas cores cinza, branco e verde; com listras amarelas e azuis. A mulher da esquerda tem cabelos pretos que,à medida que vão chegando às pontas, vão ficando ruivos. Ela veste uma camisa branca e uma saia social na cor azul marinho clara." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-800x800.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-1024x1024.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-150x150.jpeg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-768x768.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-1536x1536.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-2048x2048.jpeg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Melhores-Discos-Wet-Leg-1200x1200.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-30428" class="wp-caption-text">Desde sua estreia, o grupo sempre figura nas listas de artista revelação, incluindo o Mercury Prize e dividindo espaço com Anitta na categoria Best New Artist do Grammy (Foto: Domino Recording)</figcaption></figure>
<p><b>Wet Leg &#8211; Wet Leg </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O (</span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;">) </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> não morreu! Em um gênero de dominação masculina, principalmente de sua vertente britânica, é da estreia do </span><i><span style="font-weight: 400;">duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> feminino que ecoa a revitalização do estilo. Naturais da Ilha de Wright, pequeno </span><a href="https://vermelho.org.br/2020/08/27/a-surpreendente-historia-do-festival-da-ilha-de-wight-de-1970/"><span style="font-weight: 400;">reduto da contracultura</span></a><span style="font-weight: 400;"> inglesa no século passado, Rhian Tisdale e Hester Chambers confirmam toda a expectativa depositada pela indústria quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Chaise Longue</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single</span></i><span style="font-weight: 400;"> do projeto, despontou ainda em 2021. Não à toa, Wet Leg logo caiu nas graças da crítica e, replicando os expoentes do </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;"> no início do século XXI, vem conquistando o público através do boca a boca.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fusionando o que de melhor foi criado na cultura fonográfica britânica, o autointitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Wet Leg</span></i><span style="font-weight: 400;"> cria contrastes interessantíssimos, resultando nas enérgicas e cativantes </span><i><span style="font-weight: 400;">Chaise Longue, Too Late Now </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tjpgJjdk52c&amp;ab_channel=WetLegVEVO"><i><span style="font-weight: 400;">Wet Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; que dividem espaço perfeitamente com passagens mais íntimas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Loving You</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Piece of Shit</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por mais rico que pareça, o ouro do álbum é justamente não estar preocupado com essa imagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A postura despreocupada do grupo ganha forma em um produto que apresenta ótimas letras ironicamente irreverentes e recheadas de originalidade. Mesmo dentro da fórmula guitarra, baixo e bateria do </span><a href="https://universoretro.com.br/tudo-o-que-voce-precisa-saber-sobre-garage-rock-confira-tambem-10-sons-de-cabeceira/"><i><span style="font-weight: 400;">garage rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele consegue passear e experimentar dentro dessa vertente. O resultado é um registro de um </span><i><span style="font-weight: 400;">duo</span></i><span style="font-weight: 400;"> que não quer rebuscar conceitos ou ousar em questão de complexidade, mas somente fazer Música pela Música. </span><b>&#8211; Guilherme Veiga</b></p>
<p><b>Faixas Favoritas: </b><span style="font-weight: 400;">Wet Dream</span><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">Chaise Longue</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Oh No</span></p>
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