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	<title>Arquivos Emily Armstrong &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>From Zero é a carta de superação de Linkin Park, e isso é inegável</title>
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		<pubDate>Sat, 31 Jan 2026 15:00:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz Havia sinais de exaustão emocional em torno de Chester Bennington, ex-vocalista e figura astral em volta do Linkin Park, muito antes de 20 de julho de 2017. Entrevistas carregadas de vulnerabilidade, letras cada vez mais confessionais, performances que pareciam atravessadas por um cansaço existencial. E tudo isso foi relido, retrospectivamente, como prenúncio de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-from-zero/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "From Zero é a carta de superação de Linkin Park, e isso é inegável"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36784" aria-describedby="caption-attachment-36784" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36784" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x800.png" alt="Capa do álbum From Zero, da banda Linkin Park. A imagem mostra uma composição abstrata de líquidos em tons de rosa, preto e branco espalhados sobre uma superfície, formando ondas, bolhas e camadas irregulares. No centro da imagem, há um pequeno símbolo circular branco, contrastando com o fundo orgânico e fluido." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image3-4.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36784" class="wp-caption-text">From Zero é o disco mais vendido do Linkin Park no Brasil, obtendo a marca de 120 mil cópias vendidas (Foto: Warner Records)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Havia sinais de exaustão emocional em torno de </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/o-incrivel-teste-de-chester-bennington-para-entrar-no-linkin-park-narrado-pelos-colegas/"><span style="font-weight: 400;">Chester Bennington</span></a><span style="font-weight: 400;">, ex-vocalista e figura astral em volta do Linkin Park, muito antes de 20 de julho de 2017. Entrevistas carregadas de vulnerabilidade, letras cada vez mais confessionais, performances que pareciam atravessadas por um cansaço existencial. E tudo isso foi relido, retrospectivamente, como prenúncio de uma perda que abalaria não apenas o Linkin Park, mas uma geração inteira do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5Eevxp2BCbWq25ZdiXRwYd?si=01e37c8bf2174da4"><i><span style="font-weight: 400;">One More Light</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017), lançado pouco antes de sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/como-foram-os-ultimos-dias-de-chester-bennington-do-linkin-park-abatimento-e-esperanca/"><span style="font-weight: 400;">morte</span></a><span style="font-weight: 400;">, já soava como uma carta de despedida não intencional: era um álbum frágil, exposto, muitas vezes incompreendido, contudo emocionalmente direto. </span></p>
<p><span id="more-36780"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A notícia do suicídio de Chester interrompeu a trajetória da banda e instaurou um luto coletivo que se confundiu com o próprio fim simbólico do grupo. Para muitos fãs, o Linkin Park havia acabado ali por uma impossibilidade ética e afetiva de seguir sem sua voz – e, até hoje, uma minoria se </span><a href="https://extra.globo.com/entretenimento/musica/noticia/2024/10/nova-vocalista-do-linkin-park-divide-opinioes-dos-fas-entenda-as-polemicas-que-envolvem-emily-armstrong.ghtml"><span style="font-weight: 400;">recusa</span></a><span style="font-weight: 400;"> a aceitar a nova formação por resquícios do passado ainda não superados. O hiato perdurou e foi puramente técnico, porém principalmente moral. Por anos, o silêncio da banda funcionou como espaço de respeito, e só sobrava a dúvida no ar: o projeto estava encerrado ou apenas em pausa?</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo desse tempo, o nome Linkin Park permaneceu como um espectro cultural, constantemente presente em playlists, memórias afetivas, fóruns, porém ausente de novos gestos artísticos, conforme a indústria se transformava. Por isso, quando </span><a href="https://disconecta.com.br/noticias/o-que-aconteceu-quando-o-cronometro-crescente-do-linkin-park-chegou-ao-fim/"><span style="font-weight: 400;">rumores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de retorno começaram a circular em 2024, a reação foi ambígua: esperança misturada à desconfiança, desejo de reencontro atravessado por medo de profanação. A confirmação veio em setembro, com o anúncio do tão aclamado </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4R6FV9NSzhPihHR0h4pI93?si=MntQkCCwQLOy5hLzVBMVyw"><i><span style="font-weight: 400;">From Zero</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e a chegada de um novo rosto: </span><a href="https://billboard.com.br/quem-e-emily-armstrong-vocalista-do-linkin-park/"><span style="font-weight: 400;">Emily Armstrong</span></a><span style="font-weight: 400;"> como nova vocalista. Claramente, o inesperado rapidamente polarizou a mídia e os fãs: entre quem enxergava coragem e quem via oportunismo, entre os que celebravam a sobrevivência e os que viam um desrespeito ao luto.</span></p>
<figure id="attachment_36783" aria-describedby="caption-attachment-36783" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36783" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-6-800x450.png" alt="Seis integrantes da banda Linkin Park sentados juntos em estúdio, vistos de baixo para cima, vestindo roupas largas em tons neutros e jeans. Ao centro, uma mulher com cabelo platinado cruza as pernas e encara a câmera, enquanto os demais membros ao redor mantêm posturas relaxadas e expressões sérias ou contemplativas." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-6.png 1312w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36783" class="wp-caption-text">O encontro entre Emily Armstrong e a banda começou de forma discreta: sessões de composição com Mike Shinoda em 2019 (Foto: Jimmy Fontaine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença de Emily não foi recebida como mera substituição, mas também não escapou dessa leitura. Sua voz feminina, datada como mais aguda, mais limpa, menos rasgada que a de Chester, opera como deslocamento estético e simbólico. O ponto central não é se ela ‘</span><a href="https://igormiranda.com.br/2024/11/emily-armstrong-superou-medo-substituir-chester-bennington-linkin-park/"><span style="font-weight: 400;">substitui</span></a><span style="font-weight: 400;">’ o Chester, algo que particularmente seria uma tarefa impossível, e sim se ela consegue instaurar uma nova dinâmica emocional para o Linkin Park, mantendo o </span><a href="https://atlantidasc.com.br/linkin-park-tira-faixa-do-ultimo-album-com-chester-de-setlists-entenda-motivo/"><span style="font-weight: 400;">respeito</span></a><span style="font-weight: 400;"> que consolidava entre os membros remanescentes. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">From Zero</span></i><span style="font-weight: 400;"> responde a isso com uma estratégia curiosa: não tenta apagar o passado, tampouco reencená-lo fielmente. O álbum assume, desde sua vinheta inicial, a impossibilidade do recomeço absoluto. A pergunta quase irônica </span><i><span style="font-weight: 400;">‘</span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1uhces29ApKuQWFdpiUsvH?si=ed9b4efc8c334e5e"><i><span style="font-weight: 400;">Do zero? Tipo, do nada?</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span></a><span style="font-weight: 400;"> não soa como promessa, e sim como reconhecimento de limite, principalmente vindo da voz de Emily. Não se começa do zero quando se carrega uma história tão marcada por trauma, sucesso, reinvenções e perda.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa consciência atravessa o álbum inteiro. É um disco muito cuidadoso no que se diz falar menos sobre reinvenção e focar em sua estabilização. Em vez de tentar surpreender radicalmente, o Linkin Park opta por reafirmar sua identidade, reorganizando-a ao redor de novos corpos e novas tensões – até porque o grupo não precisa impressionar ninguém do que são capazes. A escolha de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1EDPVGbyPKJPeGqATwXZvN?si=ea63ddbc774d4220"><i><span style="font-weight: 400;">The Emptiness Machine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">sintetiza o que é verdadeiramente este projeto: a faixa reúne peso controlado e uma estrutura que soa imediatamente reconhecível como Linkin Park. Ao mesmo tempo, carrega mais fortemente a assinatura criativa de </span><a href="https://billboard.com.br/mike-shinoda-do-linkin-park-agradece-apoio-de-fas-apos-7-anos-de-hiato/"><span style="font-weight: 400;">Mike Shinoda</span></a><span style="font-weight: 400;">, sugerindo uma reconfiguração de forças internas. É como se a banda dissesse: ainda somos nós, porém mais fortes.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="The Emptiness Machine (Official Music Video) - Linkin Park" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/SRXH9AbT280?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa lógica se estende à construção do álbum como um fluxo contínuo, marcado por transições quase constantes entre faixas. Esse encadeamento não é apenas estético e funciona como metáfora de um processo de reconstrução em movimento, sem pausas confortáveis ou zonas de repouso. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5mFZipkX1HZ4Idz5LOWpzq?si=1b3e311a3aa44db4"><i><span style="font-weight: 400;">Cut the Bridge</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, o grupo surpreende ao flertar com um </span><i><span style="font-weight: 400;">groove </span></i><span style="font-weight: 400;">mais dançante, quase </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock</span></i><span style="font-weight: 400;">, evocando inclusive associações com o </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4sgYpkIASM1jVlNC8Wp9oF?si=bVN1lkQyTyCV0Av1QYhaPQ"><span style="font-weight: 400;">Paramore</span></a><span style="font-weight: 400;">, de 2013 (saudades). A faixa revela a versatilidade de Emily, abrindo espaço para movimentos corporais onde antes predominava o impacto e, agora, tensiona sua própria identidade rítmica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há se destacar também sua apresentação em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/2HBBM75Xv3o2Mqdyh1NcM0?si=e764ea1598ed4c09"><i><span style="font-weight: 400;">Heavy Is the Crown</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que se equilibra entre agressividade e precisão. Nesta faixa, é impossível não dizer que o longo grito da vocalista funciona quase como um ritual de afirmação: é sagaz e você compreende toda sua afirmação furiosa. Ainda assim, a </span><a href="https://www.vagalume.com.br/news/2025/07/22/mike-shinoda-afirma-que-alguns-fas-do-linkin-park-atacavam-emily-armstrong-por-ela-nao-ser-homem.html"><span style="font-weight: 400;">química</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre ela e Shinoda, embora evidente, não reproduz exatamente a dinâmica histórica da banda – e isso não é um defeito, mas um sinal de que algo novo, ainda instável, está em formação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção também não foge de sua face mais contemplativa. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fSHoePrnmMw&amp;list=RDfSHoePrnmMw&amp;start_radio=1&amp;pp=ygUbb3ZlciBlYWNoIG90aGVyIGxpbmtpbiBwYXJroAcB"><i><span style="font-weight: 400;">Over Each Othe</span></i><span style="font-weight: 400;">r</span></a><span style="font-weight: 400;"> é exemplo de uma única faixa sem transição direta com a anterior e como um raro momento em que Emily ocupa sozinha o centro vocal. Assim como, no álbum inteiro, ela favorece seu protagonismo com extrema perfeição. Apesar da sonoridade mais afável se remeter inevitavelmente a </span><i><span style="font-weight: 400;">One More Light</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco mais controverso da banda, a abordagem soa menos ansiosa por dialogar com o </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em vez de experimentar pela clássica ruptura do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=UUXfqQE8GnA"><i><span style="font-weight: 400;">nu metal</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa prefere a introspecção, funcionando como um momento de suspensão emocional no meio de um álbum que alterna constantemente entre peso e delicadeza.</span></p>
<figure id="attachment_36781" aria-describedby="caption-attachment-36781" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36781" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-5-800x533.png" alt="Uma mulher com cabelo platinado e um homem com boné sobre o palco durante um show, sorrindo e segurando juntos uma bandeira do Brasil aberta. Ao fundo, telões exibem imagens em preto e branco, enquanto luzes quentes e a plateia lotada reforçam o clima de celebração e conexão com o público." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-5-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-5-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-5-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image4-5.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36781" class="wp-caption-text">Desde o retorno da banda, o Brasil foi palco de cinco apresentações em diversas cidades, como São Paulo, Brasília e Curitiba (Foto: Lucas Tavares)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, essa alternância é uma das marcas mais consistentes de </span><i><span style="font-weight: 400;">From Zero</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não existe um único território emocional que é ocupado, nota-se uma transição entre agressividade, melancolia e energia contida, como se buscasse mapear os estágios de um luto que não se resolve, apenas se transforma. Isso fica particularmente evidente em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/7BkzAHnNW7WfrT4NcLaUDx?si=2205cc92a887481b"><i><span style="font-weight: 400;">Casualty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos trabalhos mais viscerais de uma protagonista solo. A explosão de Emily anuncia raiva, algo raro na trajetória recente da banda. A influência </span><i><span style="font-weight: 400;">punk/hardcore</span></i><span style="font-weight: 400;">, especialmente no refrão, desloca o Linkin Park de seu conforto </span><i><span style="font-weight: 400;">nu metal</span></i><span style="font-weight: 400;"> e injeta uma urgência quase </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DJdMEU0t5DT/"><span style="font-weight: 400;">anárquica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, todos os integrantes parecem ganhar espaço: o baixo de Phoenix surge com definição rara, Shinoda experimenta uma abordagem vocal mais rasgada, e a banda soa, finalmente, como um corpo coletivo em combustão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior evidência de simbolismo se encontra no encerramento, período em que a banda possui algumas cicatrizes. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6aCBjSb87RizdH8lVBIRW7?si=bdea4e4250b34d37"><i><span style="font-weight: 400;">Good Things Go</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um hino que encerra o álbum e ela o interpreta, rebuscando os </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3dxiWIBVJRlqh9xk144rf4?si=9479bde33ffe4800"><i><span style="font-weight: 400;">raps</span></i><span style="font-weight: 400;"> clássicos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Shinoda, em seu modelo mais reconhecível, e refrães </span><i><span style="font-weight: 400;">superpop</span></i><span style="font-weight: 400;">, inicialmente sem guitarra, depois acompanhados por ela. Essa construção em camadas espelha a própria história da banda: um núcleo identitário persistente cercado por tentativas de expansão, adaptação e sobrevivência. A frase final</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">às vezes, coisas ruins ocupam o lugar e coisas boas se vão</span></i><span style="font-weight: 400;">” é a síntese de que não há superação plena, não há catarse definitiva, apenas a constatação de que essas marcas permanecem – e que viver com elas é a única forma possível de seguir.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Novamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">From Zero</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é um disco de reinvenção. Não há pretensão de revolucionar o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo, nem redefinir o </span><i><span style="font-weight: 400;">nu metal</span></i><span style="font-weight: 400;">. Trata-se de um rito de passagem, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/2tlTBLz2w52rpGCLBGyGw6?si=cb9fd2f976e4479e"><i><span style="font-weight: 400;">Minutes to Midnight</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007) foi em sua época, ou como </span><i><span style="font-weight: 400;">One More Light </span></i><span style="font-weight: 400;">tentou ser em outro registro. Ele ocupa o lugar desconfortável entre passado e futuro, entre memória e projeção, entre homenagem e autonomia – e, por isso, torna-se um álbum </span><a href="https://euquerofalardemusica.com.br/isso-e-o-que-voces-pediram-linkin-park-vence-a-desconfianca-em-from-zero/"><span style="font-weight: 400;">marcante</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36782" aria-describedby="caption-attachment-36782" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36782" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-5-800x500.png" alt="Seis músicos reunidos no centro do palco ao final de um show, de braços levantados e sorrindo, diante de uma multidão com as mãos erguidas. Luzes fortes iluminam a cena, destacando o entusiasmo coletivo entre artistas e público." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-5-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-5-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-5-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-5-1200x750.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-5.png 1320w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36782" class="wp-caption-text">O álbum recebeu duas indicações no Grammys deste ano: Melhor Álbum de Rock e Melhor Performance de Rock, com o single The Emptiness Machine (Foto: Fernando Schlaepfer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Parte da imprensa celebrou o retorno como um ato de coragem emocional, outros apontaram a segurança excessiva das escolhas estéticas. A </span><a href="https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2024/11/15/fas-do-linkin-park-compartilham-historias-e-comentam-hype-para-shows-no-brasil-mudou-minha-vida.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por sua vez, oscila entre a gratidão e a defesa automática, muito sensibilizada em reencontrar a banda e a dificuldade de aceitar suas transformações. Há quem veja em Emily uma voz funcional, e quem enxergue nela a possibilidade de um novo eixo emocional para o grupo. Há quem leia o álbum como homenagem, e quem o interprete como tentativa de reativar um legado sob risco de fossilização. Ambas as leituras são legítimas e o próprio disco parece consciente dessa tensão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Culturalmente, o retorno do Linkin Park aos palcos, em 2024, também dialoga com um movimento mais amplo: a </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/como-nostalgia-influencia-cultura-pop-da-coletividade-dos-fandoms-sequencias-de-filmes-antigos-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">nostalgia</span></a><span style="font-weight: 400;"> como linguagem dominante da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporânea, o retorno de estéticas dos </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2025/05/19/estetica-y2k-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">anos 2000</span></a><span style="font-weight: 400;">, e, principalmente, a revalorização do </span><i><span style="font-weight: 400;">nu metal </span></i><span style="font-weight: 400;">– pelo menos, a passagem da banda pelo território brasileiro intensificou isso. Nesse contexto, o álbum não tenta apagar Chester, sua ausência é sentida e lembrada em cada faixa, não como lacuna a ser preenchida, e sim como presença fantasmática que molda todas as decisões criativas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, após um ano de lançamento, </span><i><span style="font-weight: 400;">From Zero</span></i><span style="font-weight: 400;"> se impõe como um álbum de qualidade consistente, emocionalmente honesto e esteticamente competente. Não teria como começar do zero, como seu título disfarça, e nem poderia. Começa do reconhecimento de que algumas perdas não se </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/por-que-o-linkin-park-resolveu-continuar-sem-chester-segundo-mike-shinoda/"><span style="font-weight: 400;">superam</span></a><span style="font-weight: 400;">, apenas se integram à própria identidade. E talvez seja justamente isso que torne este retorno legítimo: sem a promessa de um novo Linkin Park, contemplado da aceitação de que o antigo ainda vive – não intacto, não ileso, mas transformado.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: From Zero" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/4R6FV9NSzhPihHR0h4pI93?si=MntQkCCwQLOy5hLzVBMVyw&amp;nd=1&amp;dlsi=ebd6a47cf7ea47da&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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