<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Elvis Presley &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/elvis-presley/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/elvis-presley/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 10 Dec 2024 15:19:43 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Elvis Presley &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/elvis-presley/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Há 5 anos, Norman Fucking Rockwell! consagrava Lana Del Rey como uma das melhores compositoras do século XXI</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/norman-fucking-rockwell-5-anos/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/norman-fucking-rockwell-5-anos/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 10 Dec 2024 15:18:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[2019]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Caires]]></category>
		<category><![CDATA[Cinnamon Girl]]></category>
		<category><![CDATA[Doin' Time]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Fuck it I love you]]></category>
		<category><![CDATA[Hapiness is a butterfly]]></category>
		<category><![CDATA[Interscope Records]]></category>
		<category><![CDATA[Jack Antonoff]]></category>
		<category><![CDATA[James Dean]]></category>
		<category><![CDATA[Lana Del Rey]]></category>
		<category><![CDATA[Mariners Complex Apartment]]></category>
		<category><![CDATA[Norman Fucking Rockwell]]></category>
		<category><![CDATA[Venice Bitch]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=34574</guid>

					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires “Caramba, moleque/Você me fodeu tão gostoso que eu quase disse ‘Eu te amo&#8217;” é a primeira frase que Lana Del Rey diz em seu sexto álbum de estúdio, Norman Fucking Rockwell!. A letra faz parte da faixa-homônima do disco, cujo nome é referência ao famoso pintor do século XX, conhecido pela sua representação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/norman-fucking-rockwell-5-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 5 anos, Norman Fucking Rockwell! consagrava Lana Del Rey como uma das melhores compositoras do século XXI"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/norman-fucking-rockwell-5-anos/">Há 5 anos, Norman Fucking Rockwell! consagrava Lana Del Rey como uma das melhores compositoras do século XXI</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34575" aria-describedby="caption-attachment-34575" style="width: 736px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-34575" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-1.jpg" alt="Na imagem da capa do álbum 'Norman Fucking Rockwell!', vemos a cantora Lana Del Rey ao lado de Duke Nicholson. Ambos estão em um barco com o mar e o céu azul ao fundo. Lana veste uma blusa verde neon e estende a mão para frente, com uma expressão esperançosa olhando para a frente. Duke, vestido com uma camisa preta e calças brancas, está ligeiramente à frente, estendendo o braço em direção ao horizonte, como se estivesse apontando algo à distância. Atrás deles, uma bandeira americana está parcialmente visível, flamulando no vento. Ao fundo, também é possível ver uma cidade em chamas, provavelmente Los Angeles. O título do álbum está posicionado no canto superior esquerdo em um estilo que lembra uma explosão de quadrinhos, e as iniciais 'LDR' (Lana Del Rey) estão no canto inferior direito, em um estilo semelhante." width="736" height="736" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-1.jpg 736w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-1-150x150.jpg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34575" class="wp-caption-text">Na capa de Norman Fucking Rockwell!, Lana Del Rey e Duke Nicholson, neto do ator Jack Nicholson, navegam em direção ao horizonte, fugindo da nostalgia norte-americana em chamas (Foto: Interscope Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Caramba, moleque/Você me fodeu tão gostoso que eu quase disse ‘Eu te amo&#8217;</span></i><span style="font-weight: 400;">” é a primeira frase que Lana Del Rey diz em seu sexto álbum de estúdio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Norman Fucking Rockwell!</span></i><span style="font-weight: 400;">. A letra faz parte da faixa-homônima do disco, cujo nome é referência ao famoso </span><a href="https://arteref.com/arte-moderna/quem-foi-norman-fucking-rockwell/"><span style="font-weight: 400;">pintor</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XX, conhecido pela sua representação do </span><i><span style="font-weight: 400;">American Dream</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em meio a uma bela produção orquestral, Del Rey canta sobre esse homem prepotente, autodepreciativo, tóxico emocionalmente e, bem, um homem. É a forma brilhante que a artista encontra de introduzir a temática que irá se estender: uma reflexão sobre o mundo contemporâneo sob suas lentes melancólicas, ambientalizada na Califórnia da década de 1960.</span></p>
<p><span id="more-34574"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado em agosto de 2019, </span><i><span style="font-weight: 400;">Norman Fucking Rockwell!</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi e é, até hoje, o álbum mais aclamado criticamente de Lana Del Rey, totalizando uma média de 87 no agregador </span><a href="https://www.metacritic.com/music/norman-fucking-rockwell!/lana-del-rey"><i><span style="font-weight: 400;">Metacritic</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Seu </span><i><span style="font-weight: 400;">single </span></i><span style="font-weight: 400;">de maior sucesso foi a deliciosa reinterpretação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Doin’ Time</span></i><span style="font-weight: 400;">, da banda </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2yT8RsCarJA"><span style="font-weight: 400;">Sublime</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que no clipe, uma versão gigante da cantora  anda pelas ruas de Los Angeles. O disco, produzido, em sua maioria, por Jack Antonoff, é uma cápsula daquele ano, representando o momento cultural e social da época e que consagrou a intérprete como uma das melhores compositoras do século XXI.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lana Del Rey - Doin&#039; Time" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/qolmz4FlnZ0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o começo de sua carreira, Lana Del Rey canta sobre mitologia e glória norte-americana. Referências a lendas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JRWox-i6aAk"><span style="font-weight: 400;">James Dean</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Elvis Presley, carros velozes nas rodovias de Los Angeles e a vontade de dançar o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> orquestral da década de  1960 como uma forma de escape são exemplos disso. Por cima desses cenários, ela escreve sobre amores intensos, mas perigosos e autodestrutivos, interpretando – e vivendo – uma personagem vulnerável e melancólica, porém, autoconsciente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa representação foi o motivo de muitas críticas ao longo dos anos, que alegam que a artista ‘glamouriza’ o abuso, o que Del Rey contrapôs em sua </span><a href="https://revistaquem.globo.com/QUEM-News/noticia/2020/05/lana-del-rey-responde-criticas-sobre-glamurizar-abusos-e-anuncia-data-de-novo-album.html"><span style="font-weight: 400;">carta aberta</span></a><span style="font-weight: 400;">, em Maio de 2020: &#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu fui honesta e otimista sobre os relacionamentos desafiadores que tive. Novidades! É o jeito que as coisas são para muitas mulheres. E essa, infelizmente, foi minha experiência até o ponto que aqueles álbuns foram feitos</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seus trabalhos anteriores, a cantora realmente usava o </span><a href="https://maisretorno.com/portal/termos/a/american-dream"><i><span style="font-weight: 400;">American Dream</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e suas relações interpessoais complicadas para criar uma estética e um universo, porém nunca apenas por uma lente positiva. A compositora também critica a superficialidade e os perigos da idealização. Suas letras podem sugerir uma luta interna entre a atração pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a consciência das falhas estruturais e morais da sociedade norte-americana. </span></p>
<figure id="attachment_34576" aria-describedby="caption-attachment-34576" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-34576" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-2.jpg" alt="Lana Del Rey está ajoelhada no convés de um barco, usando uma blusa verde neon. Ela olha para cima com uma expressão contemplativa enquanto segura um pequeno modelo de barco de papel com várias velas, levantando-o em direção ao céu. O fundo da imagem mostra o mar tranquilo e um céu parcialmente nublado. A luz suave e os tons de azul e verde criam uma atmosfera de sonho e serenidade." width="564" height="798" /><figcaption id="caption-attachment-34576" class="wp-caption-text">Com um toque de delicadeza e vulnerabilidade, Lana Del Rey segura um barco de papel contra o céu, simbolizando sonhos e jornadas emocionais longínquas (Foto: Chuck Grant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Norman Fucking Rockwell!</span></i><span style="font-weight: 400;">, Lana Del Rey ainda utiliza suas referências temáticas usuais, mas tem como principal foco seu autodescobrimento, a atmosfera californiana e o contemporâneo norte-americano. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cinnamon Girl</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Happiness is a butterfly</span></i><span style="font-weight: 400;"> são a típica representação de sua personagem, presa em um relacionamento incerto: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ele é um assassino em série, então o que de pior/Que pode acontecer a uma garota que já está machucada?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Porém, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Greatest</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um desejo de nostalgia pelos tempos mais simples em contraste com o presente caótico. A artista sente falta da Música e do bar que os Beach Boys tocavam, enquanto canta “</span><i><span style="font-weight: 400;">O </span></i><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/moradores-do-havai-recebem-mensagem-com-alarme-falso-de-missil-balistico.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Havaí acaba de escapar de uma bomba</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">/</span></i><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/11/13/vai-a-42-o-no-de-mortos-no-gigantesco-incendio-da-california.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Los Angeles está em chamas</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, está ficando quente/</span></i><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2018/10/01/lana-del-rey-kanye-west/"><i><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> está loiro e desaparecido/</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AZKcl4-tcuo"><i><span style="font-weight: 400;">Life On Mars</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas uma música/Oh, a transmissão está quase começando</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Mariners Apartment Complex</span></i><span style="font-weight: 400;">, outro grande destaque do álbum, é a faixa que mais explicitamente mostra o desenvolvimento pessoal de Del Rey. A compositora deixa de lado a postura delicada e submissa e assume a direção do barco com “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sou o raio,o relâmpago, o trovão/O tipo de garota que vai te fazer pensar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Ao mesmo tempo, reflete e reconhece seus erros: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eles confundiram minha gentileza com fraqueza/Eu estraguei tudo, eu sei, mas Jesus/Uma garota não pode apenas fazer o melhor que consegue?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além de ser uma ótima canção de autodescoberta, também é uma representação da experiência da mulher na sociedade. Ver a evolução da narrativa feminina na obra de Lana Del Rey é impressionante, considerando o impacto que causa em seu público. Como Billie Eilish disse no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_I0zYHil4D8"><i><span style="font-weight: 400;">Coachella</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2024</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ela é a razão da existência de metade de vocês, vadias.</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
<figure id="attachment_34577" aria-describedby="caption-attachment-34577" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34577" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3-800x421.jpg" alt="Uma fotografia de uma paisagem marítima, mostrando águas calmas que se estendem em direção a um pequeno quebra-mar à direita, onde um barco está ancorado. O céu está claro com poucas nuvens, criando uma atmosfera serena e tranquila. No canto superior esquerdo da imagem, há um gráfico no estilo de uma explosão de quadrinhos com as letras 'LDR', que fazem referência a Lana Del Rey. Ao longe, pequenas aves podem ser vistas voando perto do barco, adicionando um toque de vida à cena pacífica." width="800" height="421" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3-800x421.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3-1024x539.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3-1536x808.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3-1200x631.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/12/LDR-NFR-IMAGEM-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34577" class="wp-caption-text">O tranquilo cenário costeiro captura a essência serena do mar, a energia que Lana Del Rey nos convida a explorar nas profundezas da melancolia de Norman Fucking Rockwell! (Foto: Chuck Grant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em conjunto das letras impecáveis, o que torna ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">NFR!</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">um excelente disco é sua produção. É envolvente a forma como Antonoff e Del Rey, entre outros colaboradores, conseguiram fazer com que todas as faixas soassem como um verão norte-americano de comercial da década de  1960, em que estamos assistindo ao pôr-do-sol na praia e ouvindo o rádio vindo de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Mustang </span></i><span style="font-weight: 400;">ao fundo. O exemplo mais notório é a extensa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qg3DxELVPj4"><i><span style="font-weight: 400;">Venice Bitch</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com seus nove minutos e trinta e sete segundos, que, representando uma viagem psicodélica, coloca o ouvinte no mesmo ambiente inebriante que os artistas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Fuck it I love you</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Song</span></i><span style="font-weight: 400;"> também se destacam, em que a voz angelical da cantora se sobressai e nos faz acreditar que ela pode fazer qualquer canção à capela e já seria uma obra de Arte.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A coesão, tanto temática quanto atmosférica, sempre esteve presente nos discos de Del Rey, sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Norman Fucking Rockwell! </span></i><span style="font-weight: 400;">a epítome dessa característica, ao lado do recente </span><a href="https://personaunesp.com.br/candy-necklace-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Did You Know That There’s a Tunnel Under Ocean Blvd</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 2023, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Honeymoon</span></i><span style="font-weight: 400;">, de 2015. É estonteante como a compositora consegue transformar os nossos pensamentos mais contraditórios e complexos em poesia. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Não pergunte se eu estou feliz, você sabe que eu não estou/Mas o melhor que eu posso dizer é que não estou triste</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela reflete na faixa de encerramento, </span><i><span style="font-weight: 400;">hope is a dangerous thing for a woman like me to have &#8211; but i have it</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nem tudo é feito de extremos, a ausência de felicidade não implica tristeza e a esperança realmente pode ser um sentimento perigoso de se ter, mas precisamos dela para seguir em frente.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Norman Fucking Rockwell!" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5XpEKORZ4y6OrCZSKsi46A?si=fznSnFVSSBWO8scjussQMA&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/norman-fucking-rockwell-5-anos/">Há 5 anos, Norman Fucking Rockwell! consagrava Lana Del Rey como uma das melhores compositoras do século XXI</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/norman-fucking-rockwell-5-anos/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">34574</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 24 Oct 2023 20:18:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[1960]]></category>
		<category><![CDATA[Adaptação Literária]]></category>
		<category><![CDATA[Biografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cailee Spaeny]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis and Me]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio]]></category>
		<category><![CDATA[Festival do Rio 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Graceland]]></category>
		<category><![CDATA[Jacob Elordi]]></category>
		<category><![CDATA[Memphis]]></category>
		<category><![CDATA[MUBI]]></category>
		<category><![CDATA[Philipe Le Sourd]]></category>
		<category><![CDATA[Phoenix]]></category>
		<category><![CDATA[Priscilla]]></category>
		<category><![CDATA[Priscilla Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
		<category><![CDATA[Sarah Flack]]></category>
		<category><![CDATA[Sofia Coppola]]></category>
		<category><![CDATA[Thomas Mars]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Gomez]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=31647</guid>

					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez  Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se Maria Antonieta terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda casa mais famosa dos Estados Unidos. Em Priscilla, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/">Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_31654" aria-describedby="caption-attachment-31654" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31654" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png" alt="Cena do filme Priscilla. A cena mostra os dois atrás de uma mesa com um bolo de casamento. Priscilla, à esquerda, veste um vestido de casamento branco. Elvis, à direita, vestre um terno preto e fuma um cigarro. Os dois olham para a câmera. " width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image7-1-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31654" class="wp-caption-text">Priscilla chegou ao Brasil pelo Festival do Rio 2023 e foi um dos filmes exibidos na Gala de Encerramento (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sofia Coppola é mestre em retratar mulheres jovens adultas enclausuradas em residências enormes sob o controle de terceiros. No entanto, se </span><i><span style="font-weight: 400;">Maria Antonieta </span></i><span style="font-weight: 400;">terminou com a cabeça na guilhotina, Priscilla Presley quebrou o ciclo de solidão e escapou de sua prisão em Graceland, a segunda </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-64286114"><span style="font-weight: 400;">casa mais famosa</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma adaptação do livro de memórias </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis and Me</span></i><span style="font-weight: 400;">, a diretora e roteirista deixa o nome do Rei do Rock de lado para direcionar o olhar à personagem-título.</span></p>
<p><span id="more-31647"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já sabemos o que precisamos sobre Elvis Presley. Para além da cultura popular, a </span><span style="font-weight: 400;">recente cinebiografia</span><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Baz Luhrmann mostra a ascensão e queda do cantor, incluindo seu relacionamento com Priscilla Presley e com a fama. </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">existe no mesmo contexto, mas Coppola &#8211; </span><span style="font-weight: 400;">que esclareceu que fez o </span><a href="https://www.vogue.com/article/sofia-coppola-priscilla-instagram"><span style="font-weight: 400;">filme para ela mesma</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; procura o lado da menina que chegou perto demais do brilho de uma estrela e teve o seu próprio apagado.</span></p>
<figure id="attachment_31650" aria-describedby="caption-attachment-31650" style="width: 828px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png" alt="" width="828" height="550" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2.png 828w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-800x531.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image2-2-768x510.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31650" class="wp-caption-text">A direção de arte e departamentos de figurino e maquiagem de Priscilla fizeram de Jacob Elordi um Elvis Presley digno de estampar capas de discos e revistas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra, Elvis (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RYhCj2J4gJo"><span style="font-weight: 400;">Jacob Elordi</span></a><span style="font-weight: 400;">) conhece a protagonista &#8211; ainda então Priscilla Beaulieu (Cailee Spaeny) &#8211; na Alemanha, quando servia o exército. Na época, ele já era um astro da Música, tendo todos os olhos voltados para ele mesmo no exterior. Casualmente, a menina é convidada para um evento na casa dele e prova um pouco de sua atenção, que não seria constante pelo resto do casamento dos dois. Presley era a típica celebridade cercada de pessoas a seu dispor, dando palhinhas de seu talento e usando seu charme para questionar à protagonista qual era sua canção favorita dele.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como toda adolescente dos anos 1960, Priscilla era fã de Elvis Presley e seus pôsteres na parede não a deixam mentir. Mesmo no nono ano da escola, como o cantor rapidamente descobre &#8211; e </span><a href="https://observatoriodosfamosos.uol.com.br/musica/destaques/elvis-presley-e-dixie-a-polemica-relacao-sexual-adolescente-do-rei-do-rock"><span style="font-weight: 400;">não parece ligar</span></a><span style="font-weight: 400;"> -, ela ganha a afeição do artista e conhece seu lado mais frágil e carinhoso. Ele estava de luto pela mãe, precisava de companhia e não media esforços para conquistar ela e os pais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no primeiro ato, Sofia Coppola mostra um Elvis Presley apaixonado. Se a história do casal se desdobrou para um divórcio conturbado, o início não se mostrava assim. A cineasta</span> <span style="font-weight: 400;">não vê necessidade em discorrer sobre a carreira do Rei antes da entrada da protagonista em sua vida e, acertadamente, distorce o título do livro adaptado: </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis e Eu</span></i><span style="font-weight: 400;"> se torna apenas </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i><span style="font-weight: 400;"> e, quem quiser assistir sobre a vida completa do astro, pode procurar essa </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">história em outras obras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Aqui, o antes, durante e depois do casamento deles se torna a trama principal e a mudança de tom no relacionamento entre os dois, o grande chamativo.</span></p>
<figure id="attachment_31652" aria-describedby="caption-attachment-31652" style="width: 818px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png" alt="" width="818" height="459" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2.png 818w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image4-2-768x431.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31652" class="wp-caption-text">O selo que detém os direitos das músicas de Elvis Presley não liberou seu uso para Priscilla; como resposta, a curadoria de Thomas Mars, vocalista da banda Phoenix e marido de Coppola, tornou o longa ainda mais original (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo de cara, é palpável a influência que Elvis Presley exerce sobre Priscilla &#8211; e, diga-se de passagem, todos a seu redor. Com uma atuação contida e inquietante de Jacob Elordi, o artista usa todo seu charme para provar à protagonista que, por trás do </span><a href="https://personaunesp.com.br/melhor-figurino-oscar-artigo/"><span style="font-weight: 400;">topete invejáve</span></a><span style="font-weight: 400;">l, bate um coração. No entanto, é só dele mesmo que Elvis sabe falar e todas as pessoas ao seu entorno parecem estar ali para meramente entretê-lo ou servi-lo, como a bizarra </span><i><span style="font-weight: 400;">Memphis Mafia </span></i><span style="font-weight: 400;">de urubus que nunca sai de perto. Ela aparenta ser a exceção, até não ser mais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para impor o desenrolar da narrativa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">se preocupa mais em contextualizar como a personagem foi parar em </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-aconteceu-com-graceland-famosa-mansao-de-elvis-presley.phtml"><span style="font-weight: 400;">Graceland</span></a><span style="font-weight: 400;"> e trocou o Beaulieu por Presley do que o que vem depois. Também a partir da influência do futuro marido, a menina vai e vem entre os Estados Unidos e a Alemanha, até que ele convence os pais dela a aprovarem a mudança para Memphis, sob </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/18/por-tras-de-elvis-presley-quem-era-colonel-tom-parker-tirano-e-psicopata.htm"><span style="font-weight: 400;">tutoria</span></a><span style="font-weight: 400;"> do pai de Elvis e estudando em uma escola católica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, como seria no restante do relacionamento, a protagonista deve se encaixar se quiser pertencer à vida do cantor. Ele está sempre entre trabalhos, seja na gravação de um filme com fofocas de envolvimento com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=hzPSldehZJw"><span style="font-weight: 400;">alguma atriz da época</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou projetos musicais &#8211; e o artista faz questão de lembrá-la o quão sortuda ela é pelo privilégio de estar com o Rei do Rock. Até quando o astro não quer aprofundar a relação íntima dos dois, ele faz questão de lembrá-la que, se ela não for a mulher que ele precisa, haverão outras.</span></p>
<figure id="attachment_31655" aria-describedby="caption-attachment-31655" style="width: 1210px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31655" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png" alt="" width="1210" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1.png 1210w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-800x360.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1024x460.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-768x345.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image6-1-1200x540.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31655" class="wp-caption-text">Em Priscilla, a trilha musical funciona como contadora de histórias e, segundo Thomas Mars, a canção Crimson &amp; Clover revela as emoções adolescentes de uma protagonista apaixonada (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para apresentar as nuances do relacionamento dos dois, a direção de Coppola se une ao trabalho primoroso de Cailee Spaeny e Jacob Elordi. Presley poderia ser o homem mais apaixonado do mundo, mas sua demonstração iria apenas até a página dois. Elordi incorpora a visão da cineasta em mostrar como o cantor passou a usar o carinho pela namorada como uma forma de controlá-la, dizendo a como </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/ex-esposa-de-elvis-presley-entra-em-disputa-milionaria-por-heranca-da-familia"><span style="font-weight: 400;">se portar</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentir e vestir. Em uma das cenas mais emblemáticas, Elvis convence a menina a trocar os cabelos castanhos por uma tintura preta e a maquiagem suave por um lápis escuro que destacaria os olhos, uma imagem que estamparia o álbum de casamento dos dois e as revistas da época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em menos de duas horas, o ator conduz um homem misterioso e apaixonado a um marido distante, indiferente e violento em todos os sentidos. Ao contrário de sua outra versão no Cinema, o Elvis de </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">não ganha tons extravagantes, mas uma aura de intocabilidade e fascínio envolvente, principalmente ao reconhecer seu verdadeiro caráter e assistir </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2022/07/11/12-mil-remedios-e-autopsia-em-segredo-os-misterios-da-morte-de-elvis.htm"><span style="font-weight: 400;">seu declínio</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já </span><a href="https://variety.com/2023/scene/news/priscilla-cailee-spaeny-sofia-coppola-nyff-1235747399/"><span style="font-weight: 400;">Spaeny</span></a><span style="font-weight: 400;"> é o contrário. De uma menina inocente que saiu de casa para doar sua vida a Presley e se gabava de namorar o ídolo na escola, Priscilla cativa ao finalmente levantar a voz, mesmo que isso signifique ser calada e repreendida. No entanto, antes disso tudo, ela se entrega à própria solidão e quietude de forma gritante, apenas no interior. Andando perdida e solitária por uma Graceland vazia na ausência de Elvis Presley ou cheia de gente indiferente em sua presença, ela é acompanhada da própria solidão e da fantasia de estar do lado de um astro, retrato que a rendeu o prêmio de </span><a href="https://www.france24.com/en/live-news/20230909-cailee-spaeny-wins-venice-best-actress-for-priscilla"><span style="font-weight: 400;">Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> no Festival de Veneza.</span></p>
<figure id="attachment_31653" aria-describedby="caption-attachment-31653" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31653" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png" alt="" width="1999" height="1999" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1536x1536.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image5-2-1200x1200.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31653" class="wp-caption-text">Priscilla Presley fez parte da concepção de Priscilla; além do livro adaptado, ela participou como produtora executiva (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é marca registrada em outras obras, Sofia Coppola abusa dos detalhes. A visão do universo feminino de uma maneira sensível se une à </span><a href="https://www.billboard.com/culture/tv-film/sofia-coppola-priscilla-movie-songs-elvis-1235439666/"><span style="font-weight: 400;">atenção</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelas pequenas coisas. Unida a uma direção de arte e uma fotografia cuidadosa &#8211; essa segunda por responsabilidade de Philipe Le Sourd -, os pôsteres nas paredes, o quarto do casal decorado pelo cantor (sem um detalhe sequer lembrando a esposa), a recriação das capas de álbuns e revistas, e as pílulas cada vez em maior quantidade ganham atenção especial da câmera, como se naquele casamento, o diabo realmente estivesse nos detalhes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, a sensibilidade do retrato de </span><a href="https://www.instagram.com/reel/CyTLVQ0uGMh/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igshid=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">Priscilla Presley</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; apoiado, inclusive, pela própria celebridade, que exerceu o cargo de </span><a href="https://people.com/sofia-coppola-was-really-nervous-to-meet-priscilla-presley-exclusive-7970326"><span style="font-weight: 400;">produtora executiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> do filme &#8211; encontra seu fraco no roteiro, também realizado por Coppola. O relacionamento dos artistas e como ambos se desenvolvem para melhor ou pior dentro dele cria a atmosfera envolvente de observar duas pessoas reais, cegadas pelos holofotes e pela atenção, em uma situação já conhecida na cultural popular, mas vista de dentro. É aliada à montagem de Sarah Flack (colaboradora da cineasta desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Encontros e Desencontros</span></i><span style="font-weight: 400;">) que a narrativa se dedica demais a alguns pontos, enquanto esquece outros.</span></p>
<figure id="attachment_31651" aria-describedby="caption-attachment-31651" style="width: 1999px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png" alt="" width="1999" height="1333" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2.png 1999w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image3-2-1200x800.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31651" class="wp-caption-text">Priscilla integrou a programação do Festival de Veneza e recebeu o sinal verde para divulgar o filme no evento, mesmo em meio à greve dos atores e roteiristas (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, enquanto roteirista, </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2023/aug/27/sofia-coppola-archive-memoir-memories-book-extract-lost-translation-virgin-suicides"><span style="font-weight: 400;">Coppola</span></a><span style="font-weight: 400;"> passa mais tempo pintando o quadro de Priscilla como uma doce menina submissa do que mostrando os momentos em que a jovem cresce para além da sombra perversa do marido. Inclusive, a cineasta acena para aqueles da </span><i><span style="font-weight: 400;">internet </span></i><span style="font-weight: 400;">que decidiram que as cenas de sexo não agregam à narrativa como um de seus maiores pecados: depois de anos desejando a atenção do marido, quando Priscilla e Elvis finalmente concretizam o casamento, a cena que poderia ser a mais íntima e reveladora de como o matrimônio dos dois seguiria é esquecida &#8211; ou simplesmente deixada de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, não há espaço para interpretações errôneas e é notável o quanto, ao longo dos mais de seis anos que passaram juntos, os Presleys mudaram &#8211; inclusive um ao outro. Sem esconder os abusos físicos, verbais e psicológicos de Elvis, </span><a href="https://www.wmagazine.com/culture/sofia-coppola-priscilla-cover-story-interview"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não romantiza, mas também não desrespeita a biografia da protagonista e passa a mensagem de que, para além de um vilão maniqueísta, Elvis fez parte de sua vida. Apesar do ponto de virada acontecer durante todo o tempo em que estiveram juntos e não do dia para a noite, ainda é amarga a sensação de que são poucos os minutos dedicados à emancipação de Priscilla, agora uma mulher junto da </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2023/07/14/lisa-marie-presley-filha-de-elvis-morreu-por-complicacoes-de-cirurgia-bariatrica.ghtml"><span style="font-weight: 400;">filha</span></a><span style="font-weight: 400;">, das garras da fama, luxo e falsidade dos jardins de Graceland, deixando um gosto de quero mais para um clímax curto demais.</span></p>
<figure id="attachment_31649" aria-describedby="caption-attachment-31649" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png" alt="" width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-800x333.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/10/image1-3-768x320.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-31649" class="wp-caption-text">Cailee Spaeny foi indicada como Melhor Performance Principal ao Gotham Awards, premição que se tornou um termômetro do Oscar (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Exibido com uma sessão lotada na Gala de Encerramento da 25ª edição do </span><a href="https://www.festivaldorio.com.br/br/filmes/priscilla"><span style="font-weight: 400;">Festival do Rio</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla </span></i><span style="font-weight: 400;">prova novamente e mais uma vez o talento de Sofia Coppola em tornar narrativas peculiares, universais. Sob sua visão única, até a trilha sonora encabeçada por Phoenix, que de Elvis Presley não tem nada, vira uma grande contadora de histórias. De comum os Presley não entendem, mas a cineasta sim: a solidão e o enclausuramento são os mesmo em Memphis da década de 1960 ou na França do século 18. O que muda é que, de repetido, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DBWk6BohVXk"><i><span style="font-weight: 400;">Priscilla</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não tem nem o título.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/">Nada de Graceland: Priscilla mora nos detalhes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/priscilla-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">31647</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/elvis-critica/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/elvis-critica/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Feb 2023 20:50:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2022]]></category>
		<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Austin Butler]]></category>
		<category><![CDATA[BAFTA]]></category>
		<category><![CDATA[Baz Luhrmann]]></category>
		<category><![CDATA[Beale Street]]></category>
		<category><![CDATA[Cinebiografia]]></category>
		<category><![CDATA[Cobertura]]></category>
		<category><![CDATA[Consciência política]]></category>
		<category><![CDATA[Craig Pearce]]></category>
		<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Critics Choice Awards]]></category>
		<category><![CDATA[Doja Cat]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis]]></category>
		<category><![CDATA[Elvis Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Estados Unidos]]></category>
		<category><![CDATA[Globo de Ouro]]></category>
		<category><![CDATA[HBO Max]]></category>
		<category><![CDATA[Helen Thomson]]></category>
		<category><![CDATA[Hollywood]]></category>
		<category><![CDATA[Jeremy Doner]]></category>
		<category><![CDATA[Kelvin Harrison Jr.]]></category>
		<category><![CDATA[Lisa Marie Presley]]></category>
		<category><![CDATA[Mandy Walker]]></category>
		<category><![CDATA[Mariana Nicastro]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Ator]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Cabelo e Maquiagem]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Design de Produção]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Direção de Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Figurino]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Filme]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Montagem]]></category>
		<category><![CDATA[Melhor Som]]></category>
		<category><![CDATA[Michael T. Bertrand]]></category>
		<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Musical]]></category>
		<category><![CDATA[Olivia DeJonge]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar]]></category>
		<category><![CDATA[Oscar 2023]]></category>
		<category><![CDATA[Race Rock and Elvis]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rei do Rock]]></category>
		<category><![CDATA[Review]]></category>
		<category><![CDATA[Richard Roxburgh]]></category>
		<category><![CDATA[Rock n' Roll]]></category>
		<category><![CDATA[Sam Bromell]]></category>
		<category><![CDATA[showbusiness]]></category>
		<category><![CDATA[Tom Hanks]]></category>
		<category><![CDATA[Vegas]]></category>
		<category><![CDATA[Vitória Vulcano]]></category>
		<category><![CDATA[Warner Bros Pictures]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=30031</guid>

					<description><![CDATA[<p>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. Baz Luhrmann poderia facilmente ter encaixado Elvis nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/">Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_30033" aria-describedby="caption-attachment-30033" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30033" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis no centro da foto, em um primeiro plano. Ele está representado do quadril para cima, com o corpo inclinado para trás e olha diretamente para a câmera enquanto canta, com a sua mão direita segurando o microfone. Ele usa uma jaqueta preta de couro e sua guitarra vermelha está pendurada no pescoço. Elvis é interpretado por Austin Butler. Ele tem cabelos escuros, lisos e penteados para trás, olhos azuis e uma pele clara, mas bronzeada. Em segundo plano é possível ver a plateia assistindo ao show. A maioria dos presentes é composta por mulheres que observam Evis encantadas." width="1600" height="898" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1024x575.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1536x862.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4667-1200x674.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30033" class="wp-caption-text">Retorno de Baz Luhrmann às telonas após um hiato de nove anos, a cinebiografia de Elvis Presley arrematou indicações nas principais premiações dos Sindicatos estadunidenses da Sétima Arte (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Nicastro e Vitória Vulcano</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se dá a ascensão de uma estrela? E sua queda? Representar uma figura real respeitando seus contrastes não é uma tarefa simples, nem contar uma história desse calibre com originalidade. </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/baz-luhrmann-por-onde-comecar"><span style="font-weight: 400;">Baz Luhrmann</span></a> <span style="font-weight: 400;">poderia facilmente ter encaixado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jJJmHcY2TAE"><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> nos moldes narrativos típicos do gênero: lineares, focados na perspectiva do artista e, como se isso garantisse um selo de aprovação, investindo em uma homenagem. Mas o longa &#8211; que disputa oito estatuetas no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; se inspira no próprio ídolo ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YoXjZlCTSm4"><i><span style="font-weight: 400;">procurar problemas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Revelando conflitos profundos, perspectivas que fogem do unidimensional e muita identidade, a cinebiografia avessa do </span><a href="https://universoretro.com.br/como-elvis-presley-se-tornou-o-rei-do-rock/"><span style="font-weight: 400;">rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock n’ Roll</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> constrói seu espetáculo entre linhas dramáticas, sensíveis e indiscutivelmente musicais.</span></p>
<p><span id="more-30031"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançado nos cinemas em Julho do ano passado, o filme empresta o tom extravagante e por vezes teatral de outras criações famosas de Luhrmann, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=CdTN_3kgPaY"><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Gatsby</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Romeu + Julieta</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Moulin Rouge &#8211; Amor em Vermelho</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, toda a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DQ1M1EAkaw0"><span style="font-weight: 400;">pompa criativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do diretor permanece atrelada à história inalterável, mas ainda indecifrada em sua totalidade, de Presley, fator que estimula o tato diversificado e a progressão frenética encontrados no texto de Baz, Sam Bromell, Craig Pearce e Jeremy Doner.</span></p>
<figure id="attachment_30032" aria-describedby="caption-attachment-30032" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30032" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e foca no personagem Coronel Parker, nela centralizado. Ele é interpretado por Tom Hanks, um homem na casa dos sessenta anos que está com uma maquiagem realista cujo objetivo é engordar o ator. Coronel é um homem branco, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um terno xadrez e apoia-se com as duas mãos em uma bengala, enquanto segura um charuto entre os dedos." width="1600" height="1066" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4668-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30032" class="wp-caption-text">Quase duas décadas antes de dar vida a Coronel Parker, Tom Hanks imitou o próprio Presley em Elvis Ainda Não Morreu! (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama por si só foge de convenções documentais ao priorizar a perspectiva do empresário de Elvis, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/colonel-tom-parker-elvis-true-story"><span style="font-weight: 400;">Coronel Tom Parker</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Tom Hanks). Visto como manipulador, ambicioso e calculista aos olhos da própria </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/historia-hoje/ex-mulher-de-elvis-diz-que-empresario-tom-parker-tinha-duas-personalidades.phtml"><span style="font-weight: 400;">ex-esposa do agenciado</span></a><span style="font-weight: 400;">, o antagonista assume a narração do longa evocando o leque de emoções que sua “galinha dos ovos de ouro” causava nele mesmo e nos outros habitantes do planeta, desconhecedores do que existia por trás da </span><a href="https://bnldata.com.br/elvis-acerta-ao-oferecer-espetaculo-sobre-elvis-presley-e-show-business/"><span style="font-weight: 400;">magia do </span><i><span style="font-weight: 400;">showbusiness</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: um garoto humilde, natural de Memphis, no Tennessee, que descobriu no </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> a oportunidade de extrapolar sua voz e embalar uma </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/musica/ha-50-anos-elvis-presley-dominava-palco-em-show-historico,fa37f2187deda05cd9a0a3f0c0af5dd4whom9umw.html"><span style="font-weight: 400;">presença de palco</span></a><span style="font-weight: 400;"> surreal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao mergulhar nesse recorte, Luhrmann abandona o detalhamento de alguns </span><a href="https://gq.globo.com/Cultura/Cinema/noticia/2022/07/elvis-o-que-e-real-e-o-que-e-ficcao-no-filme.html"><span style="font-weight: 400;">aspectos pessoais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da vida de Presley, como seu conturbado matrimônio e o uso desenfreado de drogas e remédios &#8211; ainda que esses fatores sejam representados em cena. O foco é na relação codependente, problemática e </span><a href="https://auniao.pb.gov.br/noticias/colunistas/andre-cananea/elvis-e-parker-uma-relacao-toxica"><span style="font-weight: 400;">extremamente destrutiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre artista e agente. E em como a mesma pessoa que impulsionou a carreira em questão às alturas pode ser aquela que fez o castelo ruir. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> conduz esse atrito de maneira astuta e até irônica, sem se afetar com a cronologia exata dos fatos e da discografia do cantor. Podemos estar no apartamento colorido de seus pais ou nas noites envolvidas pela poderosa Música da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jlDgRwfSx0k"><i><span style="font-weight: 400;">Beale Street</span></i></a><span style="font-weight: 400;">: não importa. A licença artística fala mais alto, abusando de dúvidas, acessos de raiva e curiosidades depositados pelo trabalho arrojado de Matt Villa e Jonathan Redmond, que garantem espaço nos indicados a </span><a href="https://www.motionpictures.org/2022/07/elvis-editors-on-keeping-the-kings-story-rocking-along/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Montagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, apesar de terem poucas chances contra o multifavorito </span><a href="https://personaunesp.com.br/tudo-em-todo-o-lugar-ao-mesmo-tempo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tudo em Todo o Lugar ao Mesmo Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30034" aria-describedby="caption-attachment-30034" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30034" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro planos os personagens Coronel Parker (à esquerda) e Elvis (à direita) sentados em um banco de roda gigante à noite. Coronel é interpretado por Tom Hanks e é um homem branco, corpulento, com um nariz pontudo e cabelos grisalhos. Ele usa um chapéu, terno e apoia-se em uma bengala. Seu olhar recai sobre Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, tem cabelos escuros penteados para trás e usa uma camiseta preta. Ele olha para baixo e apoia-se com os cotovelos nos joelhos. Ao fundo, em segundo plano, é possível observar os contornos de um parque de diversões desfocado. Há muitas luzes redondas e brancas que contrastam com a imagem mais escura dos personagens." width="1600" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1536x638.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4669-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30034" class="wp-caption-text">Lisa Marie Presley, filha única do Rei do Rock, classificou o filme como “nada menos do que espetacular”; ela também era cantora e faleceu em Janeiro (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, as cenas têm inúmeros cortes dissolvidos, bruscos ou que se dividem em quatro telas simultâneas, chocando informações internas e externas destinadas às </span><a href="https://jornal140.com/2020/04/20/as-fases-da-vida-de-elvis-presley/"><span style="font-weight: 400;">personas</span></a><span style="font-weight: 400;"> que formavam o astro tenessiano. Recurso excessivo no filme e clichê para o diretor, o bombardeamento cinematográfico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> sabe reproduzir os </span><a href="https://theconversation.com/how-elvis-permanently-changed-american-pop-culture-81917"><span style="font-weight: 400;">efeitos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Presley tinha sobre os padrões sociais e cidadãos de sua época, período que, na verdade, se estendeu com uma atemporalidade já vista em vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O rockeiro confeccionou sua carreira &#8211; dos palcos a </span><a href="http://www.elvistriunfal.com/artigos/0026.htm"><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; durante diferentes fases e momentos da história dos Estados Unidos, começando na segregação racial, passando pelo surgimento da Guerra Fria e chegando até a ascensão e morte de várias personalidades públicas, como Sharon Tate, </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/personagem/if-i-can-dream-como-elvis-lidou-com-o-assassinato-de-martin-luther-king.phtml"><span style="font-weight: 400;">Martin Luther King Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Robert Kennedy. Paralelamente, Luhrmann usa o terreno para escancarar a questionável </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cul-62009442"><span style="font-weight: 400;">consciência política</span></a><span style="font-weight: 400;"> do ídolo, que quase nunca chegou a se colocar na linha de frente por causas ou ativismos, mesmo propagando um gênero musical enraizado e desenvolvido na </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/06/elvis-biopic-black-musicians"><span style="font-weight: 400;">cultura negra</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30036" aria-describedby="caption-attachment-30036" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30036" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular, em close, os personagens Elvis e B.B. King lado a lado. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás com alguns fios caindo sobre a testa. B. B. King é interpretado por Kelvin Harrison, um homem na casa dos vinte anos, negro, de cabelos bem curtos. Ele usa uma camiseta xadrez vermelha. Ambos olham para baixo, para um mesmo ponto. O fundo está desfocado. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4671-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30036" class="wp-caption-text">Segundo Michael T. Bertrand, autor do livro Race, Rock and Elvis, o cantor não era político, seja por influências de sua gravadora e seu agente, ou pela falta de entendimento sobre seu papel em uma sociedade racista (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o autorretrato seja uma constância, o balanço da trama para além do alter ego de Elvis, brincando com os antagonismos do artista e de Parker, preenche seu elenco geral de motivações cada vez mais escalares. O ex-</span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i> <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elvis-apos-desbancar-harry-styles-austin-butler-surpreende-em-filme-sobre-cantor/"><span style="font-weight: 400;">Austin Butler</span></a><span style="font-weight: 400;"> não exita em abraçar a potência necessária para ser Presley, ao fidelizar os trejeitos característicos do Rei de forma emblemática nos palcos, porém, também representar com vulnerabilidade seu </span><i><span style="font-weight: 400;">backstage</span></i><span style="font-weight: 400;">. Buscando humanidade nas provações do universo da fama, o californiano estreia nas nomeações a Melhor Ator, podendo, inclusive, vencer a ilustre concorrência de Colin Farell (</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-banshees-de-inisherin-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os Banshees de Inisherin</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2023/02/26/fico-feliz-em-ver-que-quando-o-filme-termina-o-publico-reavaliou-algumas-crencas-que-tinha-diz-brendan-fraser-sobre-a-baleia.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Brendan Fraser</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">A Baleia</span></i><span style="font-weight: 400;">).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Do outro lado da turnê, Tom Hanks acena à caricatura sem repelir a expressividade que seu papel exige. Constantemente tocado pela aura contagiante do astro, o veterano torna o parasitismo do Coronel um dilema existencial complexo, que seria capaz de estampar qualquer filme de Terror ou florear o melhor dos dramas. Introjetados no meio tóxico ou assistindo suas inervações, Olivia DeJonge (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-society-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Society</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), Helen Thomson (de </span><i><span style="font-weight: 400;">Canguru Jack</span></i><span style="font-weight: 400;">), Richard Roxburgh (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><i><span style="font-weight: 400;">Até O Último Homem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e Kelvin Harrison Jr. (de </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-7-de-chicago-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Os 7 de Chicago</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) incorporam arduamente o amor a Presley e a gastura física e sentimental experimentada pelos mais próximos ao sistema.</span></p>
<figure id="attachment_30035" aria-describedby="caption-attachment-30035" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30035" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra em primeiro plano a cabeça de Coronel Parker vista de trás. Ele está parcialmente desfocado, mas é possível observar por sua silhueta que ele usa um terno com escritas pretas e um chapéu. Coronel é um homem branco, na casa dos sessenta anos, grisalho. Ele é interpretado por Tom Hanks. Em segundo plano, olhando para o Coronel, estão Priscilla (à esquerda) e Elvis Presley, abraçados. Priscilla é interpretada por OIivia DeJonge. Ela é uma mulher branca, de cabelos escuros e lisos. Tem um rosto e nariz finos, usa um penteado alto de época e tem os olhos bem marcados por um lápis preto. Ao seu lado está Elvis, personagem de Austin Butler. O personagem é branco, mas bronzeado, tem olhos claros e cabelos escuros penteados para trás. Ele usa um paletó azul sobre uma camiseta brilhante da mesma cor." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4673-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30035" class="wp-caption-text">Austin Butler revelou ter pedido conselhos de atuação a Rami Malek, intérprete de Freddie Mercury em <a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rhapsody-critica/">Bohemian Rhapsody</a>, cinebiografia do Queen reconhecida pela Academia dos carecas dourados (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Planejando o cenário adequado para tratar sua gama de conteúdos, o longa acerta em definitivo com as decisões visuais. A cargo de </span><a href="https://ymcinema.com/2022/07/05/elvis-shot-by-cinematographer-mandy-walker-on-panavision-elvis-lenses/"><span style="font-weight: 400;">Mandy Walker</span></a><span style="font-weight: 400;">, a composição traduz a essência particular do cantor estadunidense e, na velocidade crescente, imprime as feridas que as décadas abriram e expuseram. As nuances entre o colorido Elvis, novato no mundo dos acordes, e o homem despedaçado e quase desprovido de perspectivas nos anos 1970 são desenhadas através dos avanços tecnológicos, capturando os impactos gerados pelo som e pela imagem desde os aparelhos analógicos. Notavelmente ancorado no realismo das caracterizações de personagens, o trabalho recebeu merecido destaque na categoria de Melhor Fotografia &#8211; em que bate de frente com </span><i><span style="font-weight: 400;">Tár</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nada-de-novo-no-front-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada de Novo no Front</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e tem pé quente para levar Melhor Figurino e </span><a href="https://www.thewrap.com/make-up-artists-hair-stylists-guild-awards-winners-2023/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Cabelo e Maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já os jogos de câmera e luz são lúdicos ao extremo e seguem confundindo a biografia com um eterno </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. A estratégia martelada pela direção de arte &#8211; lembrada na disputa pelo careca dourado de </span><a href="https://fredericmagazine.com/2022/07/elvis-movie-set-design/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Design de Produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; não se perde nos holofotes, deixando os temas corriqueiros segurarem o rojão da fluidez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, seja no falecimento da matriarca Presley, nas desilusões do ícone musical no pós-Cinema ou na constatação de que seu casamento acabou.</span></p>
<figure id="attachment_30037" aria-describedby="caption-attachment-30037" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30037" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg" alt="Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Elvis em primeiro plano, visto da janela de um carro. A janela reflete um letreiro brilhante e colorido em neon, que gera uma luz colorida e arroxeada sobre a imagem. Elvis é interpretado por Austin Butler. O personagem é branco, tem olhos claros sob um óculos escuro, e cabelos pretos penteados para trás. Ele olha para fora da janela e sua expressão é pensativa. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672.jpeg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4672-768x432.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30037" class="wp-caption-text">Inspirado por Rocketman, Elvis utiliza registros documentais do último show do artista como gran finale (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certa altura do campeonato, fica claro que Elvis não é um herói. Luhrmann está interessado em homenageá-lo, aclamando seu talento e sucesso, mas se preocupa mais ainda em não ultrapassar as restrições que o próprio ídolo impôs a seu legado. Nas lentes do cineasta, Presley contracena com artistas negros sempre entregando que, independentemente de ter trazido o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> à superfície, o povo fundador do gênero continuou sofrendo no anonimato e sendo cruelmente </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/elvis-presley-e-o-apagamento-de-artistas-negros-no-rock/"><span style="font-weight: 400;">apagado da História</span></a><span style="font-weight: 400;">. O longa também não inventa a roda ao ilustrar como era bem mais fácil para um jovem branco vender os mesmo discos que alguém racializado poderia produzir, conseguindo popularizar a Música criada, não para ele, mas como instrumento de fé e resistência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto se repete nas cenas que sucedem a polêmica apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Trouble</span></i><span style="font-weight: 400;">, na qual Elvis responde à </span><a href="https://variety.com/2022/music/news/elvis-presley-fake-story-police-crackdown-colonel-parker-1235302646/"><span style="font-weight: 400;">problematização conservadora</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu estilo musical. Conforme os protestos surgem, o longa aproveita para pincelar que as consequências dadas ao cantor sondado por Parker não são nem de longe tão graves quanto as vivenciadas por um artista negro, em semelhantes condições. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Evidenciando a </span><a href="https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2022/07/10/novo-filme-sobre-elvis-presley-mostra-a-influencia-da-musica-negra-no-rei-do-rock.ghtml"><span style="font-weight: 400;">crua verdade</span></a><span style="font-weight: 400;"> do passado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">, então, repagina canções tomadas por Presley da Música negra, tece novas versões de clássicos e elabora outros feitos pela junção de estilos, a exemplo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QZp2biJul1c"><i><span style="font-weight: 400;">Vegas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, performance enérgica de Doja Cat que mistura um</span><i><span style="font-weight: 400;"> jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> tradicional ao proficiente </span><i><span style="font-weight: 400;">rap</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual. Apesar da </span><a href="https://www.ign.com/articles/elvis-movie-black-music"><span style="font-weight: 400;">inclusão de diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> exibida, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não considerou as submissões do carro-chefe do filme nem sua vasta </span><a href="https://open.spotify.com/album/74g0V2gxEA5MCSaivAwZyb?si=Fse3oO0mT_m9GV_9gVTGww"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;">, por ambos não atenderem aos </span><a href="https://portalpopline.com.br/vegas-doja-cat-elvis-desclassificada-oscar-2023/"><span style="font-weight: 400;">critérios de originalidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> da premiação.</span></p>
<figure id="attachment_30038" aria-describedby="caption-attachment-30038" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30038" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg" alt=" Cena do filme Elvis. A imagem é retangular e mostra o cantor Little Richard cantando com um microfone na mão, sob um ângulo que o engrandece. Ele é interpretado por Alton Mason, um homem negro, jovem e magro, de cabelos escuros, com um penteado alto. Ele canta de olhos fechados e usa um terno cinza. O lugar em que ele está é uma sala fechada, pouco iluminada e as paredes têm pinturas de casas e árvores.Há uma lâmpada atrás de si, que ilumina a imagem." width="1600" height="1065" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670.jpeg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-800x533.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1024x682.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-768x511.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1536x1022.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/02/IMG_4670-1200x799.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30038" class="wp-caption-text">Em meio a baixas, o longa conseguiu emplacar uma nomeação na categoria de Melhor Som, concorrendo com Nada de Novo no Front, Avatar: O Caminho da Água, <a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/">Batman</a> e <a href="https://personaunesp.com.br/top-gun-maverick-critica/">Top Gun: Maverick</a> (Foto: Warner Bros. Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem guia explicativo para o apelo simbólico de Presley ou teses cegadas pelo fenômeno que o estadunidense significou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> parece mais uma compilação de cada elemento artístico, social, político e individual que fez de seu protagonista um ícone unânime, capaz de ser assimilado quase 50 anos após sua morte e retratado como se fosse a primeira vez. Sob essa ótica, é fácil entender porque a captura mais recente aparece na lista de indicados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.cineset.com.br/oscar-2023-qual-o-nivel-da-safra-indicada-a-melhor-filme/"><span style="font-weight: 400;">Melhor Filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Não queremos deixar nossos ídolos se desintegrarem e, de certa forma, nem podemos, se considerarmos a habilidade do Cinema em regenerar as copiosas visões de uma vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em volta da sede por prestígio e das influências de um empresário controlador e calculista, Presley teve o ápice de sua existência na singularidade contraditória: propensa ao erro, presa ao fantasma da apropriação cultural, deslumbrada por promessas incoerentes e terminantemente apaixonada pelos solos de guitarra. No saldo final, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;"> cativa por essa </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/614753/critica-elvis-2022-a-energia-caotica-do-rei/"><span style="font-weight: 400;">explosão de circunstâncias</span></a><span style="font-weight: 400;">, embrulhada no espetáculo cinematográfico de uma estrela, que, no frenesi da rotina, muito esbarra nas delícias de amar; o mundo, as pessoas e especialmente a Música.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Baz Luhrmann’s ELVIS | Final Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ZbrmBotVIGw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/elvis-critica/">Longe dos altares, Elvis faz seu espetáculo nos conflitos e contrastes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/elvis-critica/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">30031</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
